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Sophie Turner Eleva Steal: Um Thriller Elegante que Sobrevive aos Próprios Clichés

A nova série da Prime Video estreia a 21 de Janeiro e prova que uma grande actriz pode carregar uma história imperfeita

À primeira vista, Steal parece seguir um manual demasiado familiar. A série da Prime Video abre com um assalto estilizado em Londres que parece um “best of” do género: planos aéreos da cidade, música electrónica pulsante, criminosos vestidos de preto e cinzento, armas automáticas, bloqueadores de sinal e a inevitável ameaça calma mas sinistra — “se fizerem exactamente o que digo, ninguém se magoa”. Naturalmente, alguém não faz o que lhe é pedido e acaba com a coronha de uma arma na cara.

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É o ponto de partida de uma minissérie de seis episódios que vai inevitavelmente lembrar títulos como The Night ManagerLa Casa de PapelSlow Horses ou The Terminal List. Um assalto que parece simples, investigadores confusos, teorias sobre ex-militares ou operações encobertas do Estado e, claro, uma conspiração que “vai até ao topo”. Nada de particularmente original — mas nem sempre é isso que interessa.

Um assalto que nunca é só um assalto

O alvo do golpe é a Lochmill Capital, uma gestora de fundos de pensões, e o roubo envolve mais de 4 mil milhões de libras pertencentes a trabalhadores da classe média e operária. É aqui que Steal começa a ganhar peso moral. Não se trata apenas de dinheiro abstracto, mas de vidas reais que ficam em risco.

Após o assalto, a narrativa fragmenta-se em vários caminhos: flashbacks que explicam como tudo foi planeado, sequências de espionagem bem coreografadas, reviravoltas constantes — algumas eficazes, outras forçadas — e longas explicações sobre esquemas financeiros, “cold wallets” e subterfúgios digitais que raramente são tão excitantes quanto a série gostaria de acreditar.

A realização e a montagem são competentes, o ritmo raramente abranda em demasia, mas o argumento tropeça quando se perde em exposição excessiva e traições que surgem mais por conveniência narrativa do que por verdadeira evolução das personagens.

Sophie Turner: o coração imperfeito da série

O grande trunfo de Steal chama-se Sophie Turner. A actriz interpreta Zara, uma funcionária da área de processamento de transacções da Lochmill Capital. À superfície, Zara parece uma jovem londrina segura, moderna e impecavelmente vestida. Mas rapidamente percebemos que é uma personagem em desequilíbrio: álcool em excesso, um emprego sem futuro, relações pessoais praticamente inexistentes e uma relação tensa com a mãe.

A primeira cena em que conhecemos Zara diz tudo: presa numa casa de banho do escritório com uma hemorragia nasal causada por ressaca. Turner constrói-a como alguém profundamente humana, cheia de falhas, irritante por vezes, mas sempre empática. Quando o assalto acontece e Zara é forçada, juntamente com o seu melhor amigo Luke (interpretado por Archie Madekwe), a autorizar transacções criminosas, a série ganha uma âncora emocional sólida.

É também Zara quem decide investigar o que realmente aconteceu, num percurso perigoso e clandestino que sustenta grande parte do interesse da narrativa.

Um mundo moralmente cinzento

O elenco de apoio cumpre, com destaque para Jacob Fortune-Lloyd, como o detective Rhys Covac, um polícia competente mas emocionalmente fragilizado, que acaba por se tornar um aliado improvável de Zara. À medida que a investigação avança, entram em cena um bilionário corrupto, os serviços secretos britânicos e outros actores de bastidores, tornando cada vez mais difícil distinguir heróis de vilões.

Nem tudo funciona. A equipa do assalto é particularmente fraca em carisma e profundidade, reduzida a arquétipos genéricos. O cérebro do golpe (Jonathan Slinger) perde protagonismo, enquanto o violento “Sniper” (Andrew Howard) parece saído de um manual de clichés. O grande “revelar” do último episódio, apesar de ambicioso, soa excessivamente mecânico e pouco orgânico.

Imperfeita, mas com potencial

Apesar dos seus tropeços, Steal é uma série eficaz, bem produzida e sustentada por uma performance central de alto nível. Sophie Turner prova que está mais do que pronta para liderar thrillers adultos e complexos, longe da fantasia épica que a tornou famosa.

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A Prime Video deixa claramente a porta aberta para uma segunda temporada. Se isso acontecer, a receita é simples: menos exposição, vilões mais interessantes e uma história à altura de Zara. Com Sophie Turner ao leme, muitos espectadores estarão dispostos a voltar.

Steal estreia a 21 de Janeiro, com a temporada completa disponível na Prime Video

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