Lisboa volta a transformar-se na capital mundial do cinema de animação entre 12 e 22 de Março, com o regresso da MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa, um dos eventos mais importantes do género na Europa. A edição de 2026 apresenta uma programação particularmente ambiciosa, reunindo cerca de 490 filmes distribuídos por mais de uma centena de sessões, incluindo competições internacionais, retrospetivas históricas, exposições, oficinas e encontros profissionais dedicados à arte da animação.
Durante dez dias, o festival espalha-se por vários espaços da cidade. O Cinema São Jorge volta a assumir o papel de epicentro da MONSTRA, mas as sessões estendem-se também à Cinemateca Portuguesa, ao Cinema City Alvalade, ao Museu Nacional de Etnologia, ao Instituto Cervantes e a outros espaços culturais. O resultado é uma verdadeira ocupação cinematográfica de Lisboa, onde convivem clássicos históricos da animação, experiências visuais contemporâneas e filmes que raramente chegam às salas comerciais.

Um dos destaques da edição de 2026 é a presença da Letónia como país convidado, permitindo ao público português descobrir uma das tradições de animação mais fascinantes da Europa. Apesar da dimensão relativamente pequena da indústria cinematográfica do país, a animação letã conquistou reconhecimento internacional graças a uma forte identidade autoral e a uma notável liberdade criativa. Realizadores como Signe Baumane, Edmunds Jansons ou Vladimir Leschiov ajudaram a consolidar essa reputação, explorando estilos visuais muito distintos e abordagens narrativas que vão da sátira política à introspecção poética.
Mas a MONSTRA também olha para trás, revisitando momentos fundamentais da história da animação. Entre as sessões especiais desta edição destaca-se a exibição de “As Aventuras do Príncipe Achmed”, filme realizado em 1926 por Lotte Reiniger e frequentemente apontado como uma das primeiras obras-primas da animação mundial. Criado com uma técnica pioneira de silhuetas recortadas, o filme continua a impressionar pela inventividade visual e pela forma como transforma um conto inspirado nas Mil e Uma Noites num verdadeiro espectáculo de sombras animadas.

Outro momento particularmente aguardado é a retrospetiva dedicada aos 50 anos do estúdio Aardman, responsável por algumas das personagens mais adoradas da animação britânica. Obras como “Wallace & Gromit” demonstraram que a animação em stop-motion podia conquistar públicos de todas as idades, mantendo ao mesmo tempo uma identidade artística muito própria.
Ao lado destas revisitações históricas, o festival apresenta também várias produções contemporâneas vindas de diferentes pontos do mundo. Entre os títulos que integram a programação encontram-se filmes como “Chao”, do realizador japonês Yasuhiro Aoki, a coprodução ibérica “Decorado”, assinada por Alberto Vázquez, ou “Death Does Not Exist”, do canadiano Félix Dufour-Laperrière, exemplos claros da vitalidade criativa que o cinema de animação atravessa actualmente.
Para além das projecções, a MONSTRA continua a apostar fortemente na dimensão pedagógica e profissional do festival. Ao longo dos dez dias decorrem masterclasses, workshops e encontros com realizadores e artistas, onde se discutem técnicas de animação, processos criativos e os desafios de produzir cinema animado numa indústria cada vez mais globalizada. Iniciativas como o MONSTRA Summit procuram também aproximar produtores e estúdios internacionais, incentivando novas coproduções e parcerias criativas.

Naturalmente, o festival não esquece o público mais jovem. A MONSTRINHA, programa especialmente dedicado às crianças e às escolas, continua a ser uma das vertentes mais importantes do evento. Através de sessões pedagógicas e actividades educativas, milhares de alunos têm aqui a oportunidade de descobrir o cinema de animação para além dos grandes estúdios comerciais, entrando em contacto com diferentes estilos, culturas e formas de contar histórias.
Ao longo de quase três décadas, a MONSTRA consolidou-se como um dos festivais de animação mais respeitados da Europa. Mais do que uma simples mostra de filmes, tornou-se um espaço de descoberta artística, de encontro entre criadores e de celebração da imaginação cinematográfica.
Entre 12 e 22 de Março, Lisboa não será apenas uma cidade com cinema.
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