Gritos 7 regressa aos cinemas com novo poster e promessa de terror mais pessoal do que nunca

Uma saga que recusa morrer (e ainda bem)

O regresso de uma das franquias mais influentes do cinema de terror contemporâneo já tem data marcada. Gritos 7 estreia nos cinemas portugueses a 26 de Fevereiro, trazendo consigo um novo poster oficial que reforça aquilo que os fãs da saga já aprenderam ao longo de décadas: quando se trata de Ghostface, o passado nunca fica verdadeiramente enterrado.

Mais do que apenas um novo capítulo, Gritos 7 assume-se como uma reafirmação da vitalidade de um universo que ajudou a redefinir o género slasher. A imagem agora divulgada recupera o legado visual da série e coloca novamente a icónica máscara no centro da ameaça, num tom sombrio que sugere um confronto directo entre memórias antigas e horrores renovados.

O peso emocional de uma saga que cresceu com o público

Um dos aspectos mais sublinhados nesta nova entrada é o aprofundamento emocional da narrativa. Sem abdicar da violência, do suspense e da ironia que sempre caracterizaram a saga, Gritos 7 aposta numa abordagem mais íntima, onde o perigo se torna mais próximo e pessoal. A presença ameaçadora de Ghostface volta a funcionar como espelho dos traumas acumulados ao longo de gerações.

Essa dimensão emocional ganha especial força com o regresso de Neve Campbell ao papel de Sidney Prescott. Agora mãe, Sidney construiu uma nova vida longe do horror que marcou o seu passado, mas o surgimento de um novo assassino obriga-a a enfrentar, uma vez mais, os seus piores pesadelos — desta vez para proteger aquilo que tem de mais precioso.

Sinopse: quando o terror bate à porta de casa

Segundo a sinopse oficial, a tranquilidade da nova vida de Sidney é abruptamente interrompida quando um novo Ghostface surge na cidade onde vive. A sua filha, interpretada por Isabel May, torna-se o próximo alvo, forçando Sidney a regressar ao campo de batalha emocional e físico que pensava ter deixado para trás. O confronto promete ser definitivo, num esforço para pôr fim à matança “de uma vez por todas”.

Kevin Williamson volta a comandar o pesadelo

Outro elemento de peso neste novo capítulo é o regresso de Kevin Williamson à realização. Criador das personagens originais da saga, Williamson assume também o argumento, em parceria com Guy Busick, garantindo uma ligação directa às raízes do franchise. A produção fica a cargo de William Sherak, James Vanderbilt e Paul Neinstein.

O elenco reúne vários nomes já conhecidos do público, como Courteney Cox, Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding, ao lado de novas adições como Anna Camp, Joel McHale e Mckenna Grace, reforçando a ideia de continuidade entre gerações — dentro e fora do ecrã.

Estreia em grande nos cinemas portugueses

Gritos 7 chega às salas nacionais a 26 de Fevereiro, com exibição também nos formatos IMAX e 4DX, prometendo uma experiência imersiva para os fãs mais corajosos. A distribuição em Portugal está a cargo da NOS Audiovisuais, que aposta forte num título com um legado sólido e uma base de fãs fiel.

Se o novo poster serve de indicador, o terror está longe de perder fôlego. Pelo contrário: em Gritos 7, o medo volta a ser pessoal — e talvez mais cortante do que nunca.

Os Melhores Filmes de 2025 Regressam ao Grande Ecrã: O Ciclo Imperdível do Cinema Nimas

Dez filmes essenciais (e mais uma surpresa) para (re)ver em Lisboa entre Janeiro e Fevereiro

Entre 23 de Janeiro e 18 de Fevereiro, o Cinema Medeia Nimas transforma-se no ponto de encontro obrigatório para quem leva o cinema a sério. A Medeia Filmes apresenta o ciclo “Os Melhores do Ano 2025”, uma selecção criteriosa que cruza listas nacionais e internacionais com escolhas apaixonadas — os tais crushes cinéfilos que ajudam a definir um ano memorável nas salas escuras.

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O resultado são dez filmes essenciais e um “extra” especialLavagante, uma das grandes surpresas do final do ano, que conquistou público e crítica e mereceu, por direito próprio, um lugar neste alinhamento. Muitos dos títulos continuam, aliás, a fazer o seu percurso na época de prémios, pelo que desta lista sairão certamente alguns dos filmes distinguidos nos Óscares. Para quem perdeu na estreia — ou quer rever no ecrã certo — esta é a oportunidade.

Um mapa do melhor cinema contemporâneo

O ciclo desenha um retrato plural do cinema recente: do autor europeu à grande produção americana, do cinema político ao experimental, passando por obras que desafiam géneros e expectativas. É um programa que pede tempo, curiosidade e entrega — exactamente aquilo que o cinema merece.

Entre os destaques está Sirât, de Oliver Laxe, uma experiência intensa e física que confirma o realizador como uma das vozes mais singulares do cinema europeu actual. Também O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, regressa ao grande ecrã, reforçando o estatuto do cineasta brasileiro como um cronista atento do poder, da memória e da resistência.

O cinema de autor internacional marca forte presença com The Shrouds – As Mortalhas, onde David Cronenberg volta a explorar obsessões antigas através de novas formas, e com Verdades Difíceis, que confirma Mike Leigh como um mestre absoluto da observação humana.

Política, exílio e resistência

Há também espaço para o cinema que olha o mundo de frente. Foi Só Um Acidente, de Jafar Panahi, e A Semente do Figo Sagrado, de Mohammad Rasoulof, são exemplos claros de um cinema que nasce da urgência política e da experiência do exílio, transformando a adversidade em matéria cinematográfica de primeira linha.

O mesmo espírito atravessa O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, apresentado numa sessão especial com apresentação, sublinhando a importância do diálogo entre filme, contexto e público.

Hollywood de autor e grandes nomes

Do outro lado do Atlântico, Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, representa o cinema americano de autor no seu esplendor máximo, com um elenco liderado por Leonardo DiCaprio. Um filme-evento que confirma Anderson como um dos grandes cronistas da América contemporânea.

O “extra” que ninguém viu chegar

E depois há Lavagante, de Mário Barroso. Fora das listas mais previsíveis, mas dentro do coração de quem o viu, o filme afirma-se como uma das revelações de 2025, justificando plenamente o estatuto de “mais um” neste ciclo que celebra o melhor do ano.

Datas, horários e a sala certa

As sessões decorrem ao longo de várias datas, com reposições estratégicas de alguns títulos, permitindo diferentes opções de horário. Tudo acontece no Cinema Medeia Nimas, em Lisboa, uma das salas históricas da cidade e o local ideal para um ciclo que pede atenção, silêncio e amor pelo grande ecrã 🎬.

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Mais do que um simples conjunto de exibições, “Os Melhores do Ano 2025” é um convite à memória recente do cinema — e uma afirmação clara de que ver filmes continua a ser um acto colectivo, vivido melhor numa sala escura.

“Shelter: Sem Limites” — Jason Statham Enfrenta o Passado Num Thriller de Sobrevivência à Beira do Abismo

Um homem isolado, uma jovem em perigo e uma ilha onde não existe refúgio possível

Há filmes que não precisam de grandes voltas para deixar clara a sua proposta. Shelter: Sem Limites é um deles. Com estreia marcada em Portugal para 5 de Fevereiro, o novo thriller protagonizado por Jason Statham aposta numa combinação clássica — isolamento, redenção e violência inevitável — para contar uma história onde o instinto de sobrevivência fala sempre mais alto.

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Com o título original Shelter, o filme transporta-nos para uma ilha escocesa remota, um cenário agreste e implacável que funciona quase como mais uma personagem. É aqui que vive um homem recluso, afastado do mundo e claramente a fugir de um passado que prefere não revisitar. A tranquilidade forçada da sua existência termina no momento em que resgata uma jovem do mar, um acto aparentemente simples que desencadeia uma sucessão de acontecimentos cada vez mais perigosos.

Quando salvar alguém significa declarar guerra

A jovem resgatada, interpretada por Naomi Ackie, não é apenas uma vítima indefesa. A sua presença traz consigo ameaças invisíveis, inimigos determinados e segredos que rapidamente colocam o protagonista na mira de forças implacáveis. Aquilo que começou como um gesto de humanidade transforma-se numa luta brutal pela sobrevivência, obrigando o personagem de Statham a confrontar tudo aquilo que tentou deixar para trás.

O filme constrói a sua tensão a partir dessa ideia simples, mas eficaz: não existe salvação sem consequências. Cada passo dado para proteger a jovem aproxima o protagonista de um passado violento que volta a reclamar o seu preço.

Acção crua e personagens com peso

Na realização está Ric Roman Waugh, conhecido por thrillers de acção de tom sério e físico, onde a violência não é estilizada nem glorificada. Em Shelter: Sem Limites, essa abordagem traduz-se em confrontos directos, poucos diálogos explicativos e uma narrativa que confia mais nas acções do que nas palavras.

O elenco conta ainda com Bill Nighy, cuja presença acrescenta densidade dramática a um filme que, apesar de assente na acção, não abdica de trabalhar temas como culpa, isolamento e redenção. Não estamos perante um herói clássico, mas sim um homem quebrado, empurrado para a violência porque todas as outras opções lhe foram retiradas.

Um thriller pensado para o grande ecrã

Visualmente, o filme tira partido da paisagem escocesa para criar uma atmosfera fria, opressiva e permanentemente ameaçadora. O isolamento geográfico reforça a ideia central da história: quando não há para onde fugir, resta apenas resistir.

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Shelter: Sem Limites não promete reinventar o cinema de acção, mas entrega exactamente aquilo que propõe — um thriller intenso, seco e eficaz, sustentado por um protagonista que sabe ocupar o centro do ecrã como poucos. Para os fãs de Jason Statham, é mais uma variação sólida do seu arquétipo preferido; para os restantes, um filme de tensão constante onde cada decisão pode ser a última 💥🎬.

A estreia acontece a 5 de Fevereiro, nas salas de cinema portuguesas.

Quando a Natureza Morde de Volta: “PRIMATA” e o Terror Onde Não Há Escapatória

Um thriller de sobrevivência que transforma o conforto em ameaça

Estreia hoje nas salas de cinema portuguesas PRIMATA, um thriller de sobrevivência que aposta numa premissa simples e perturbadora: e se aquilo que conhecemos, controlamos e até tratamos como parte da família se tornasse, de um momento para o outro, a maior ameaça às nossas vidas? Realizado por Johannes Roberts, o filme chega ao grande ecrã com a promessa de tensão constante, atmosfera claustrofóbica e um confronto directo com o instinto mais básico de todos — sobreviver.  

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A história acompanha Lucy, interpretada por Johnny Sequoyah, que regressa a casa depois do primeiro semestre na universidade. O reencontro com a família e com Ben, o chimpanzé de estimação, parece inicialmente tranquilo, quase idílico. No entanto, o que começa como uma simples festa na piscina transforma-se rapidamente num pesadelo quando Ben é infectado por um vírus que altera de forma violenta o seu comportamento. A partir desse momento, o filme fecha-se sobre os seus protagonistas, encurralando-os num espaço onde cada decisão pode ser fatal.

Terror psicológico e urgência em tempo real

PRIMATA cruza habilmente terror psicológico com tensão em tempo real. A ameaça não vem de monstros sobrenaturais nem de entidades invisíveis, mas de algo visceral, físico e perigosamente plausível. O filme explora a frágil linha que separa a domesticação da selvajaria, questionando até que ponto o ser humano acredita controlar a natureza — e o quão ilusória essa crença pode ser 🧠🐒.

A realização aposta num ritmo crescente e numa sensação constante de urgência. O confinamento dos personagens intensifica a ansiedade e cria uma atmosfera sufocante, pensada claramente para o grande ecrã. Cada minuto conta, cada erro aproxima-os do pior desfecho possível, e o espectador sente esse peso do início ao fim.

Um elenco sólido e uma experiência pensada para o cinema

Além de Johnny Sequoyah, o elenco conta com nomes como Jessica Alexander e Troy Kotsur, contribuindo para uma dinâmica de grupo marcada pelo pânico, pela desconfiança e pela necessidade de improvisar estratégias de sobrevivência. O argumento, assinado por Johannes Roberts e Ernest Riera, nunca perde de vista o seu foco principal: colocar as personagens — e o público — numa corrida desesperada contra o tempo.

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PRIMATA assume-se como uma proposta directa, intensa e sem concessões, ideal para quem procura uma experiência de suspense que se cola à pele e não larga facilmente.

No fundo, este é um filme que lembra uma verdade incómoda: quando a civilização falha, resta apenas o instinto. E nem sempre estamos preparados para lidar com ele.

Justiça Sob Algoritmo: Mercy: Prova de Culpa Chega a Portugal com Chris Pratt em Modo Sombrio

O thriller futurista estreia nos cinemas portugueses a 22 de Janeiro de 2026 e questiona quem deve julgar: humanos ou máquinas

À primeira vista, Mercy parecia um projecto condenado ao cepticismo. Um thriller distópico sobre justiça algorítmica protagonizado por Chris Pratt, actor que passou a última década soterrado pelo peso das grandes franquias, dificilmente soaria a proposta refrescante. No entanto, o filme revela-se uma surpresa moderada — não revolucionária, mas mais inteligente, dinâmica e provocadora do que o seu ponto de partida fazia prever.

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Em Portugal, o filme chega com o título Mercy: Prova de Culpa e tem estreia marcada para 22 de Janeiro de 2026, alinhando-se com o lançamento internacional. Uma data que coloca este thriller de ficção científica mesmo no início do ano cinematográfico, com ambições claras de captar a atenção de quem gosta de histórias tensas, tecnológicas e moralmente desconfortáveis.

Um julgamento onde o relógio dita a sentença

A acção decorre num futuro próximo, demasiado plausível para conforto. Chris Raven é um agente da polícia de Los Angeles que acorda após uma noite de excessos para descobrir que foi detido e colocado numa cadeira de interrogatório digital. A acusação é devastadora: o homicídio da própria mulher. Sem direito a um julgamento tradicional, Raven é integrado no programa “Mercy”, uma experiência judicial radical onde o arguido é avaliado por uma inteligência artificial.

Essa entidade chama-se Judge Maddox, interpretada com frieza elegante por Rebecca Ferguson, e acumula os papéis de juíza, júri e carrasca. A lógica do sistema é simples e aterradora: Raven dispõe de 90 minutos para provar a sua inocência. Se a probabilidade calculada de inocência ultrapassar os 94%, é libertado. Caso contrário, a execução acontece automaticamente quando o tempo termina.

A culpa é presumida. A dúvida razoável é um número. A justiça é um algoritmo.

Menos panfleto, mais mistério

Seria fácil transformar Mercy: Prova de Culpa num manifesto anti-tecnologia ou numa sátira pesada ao Estado policial. O filme evita esse caminho mais óbvio e opta por algo mais interessante. O tribunal virtual não está completamente viciado contra o arguido. Pelo contrário, Raven tem acesso total a provas, testemunhas, imagens de vigilância e documentos, navegando por um arquivo digital quase infinito.

Este dispositivo transforma o filme num híbrido curioso: parte thriller em tempo real, parte investigação criminal acelerada, com ecos de Minority ReportMemento e até de videojogos de detectives. As pistas acumulam-se rapidamente, o ritmo raramente abranda e a narrativa mantém-se envolvente mesmo quando a conspiração central não foge a terrenos muito inovadores.

Um Chris Pratt mais áspero e eficaz

Chris Raven é um protagonista imperfeito: alcoólico em recaída, emocionalmente instável, divorciado e com um passado profissional que o coloca numa posição irónica — foi ele próprio responsável por levar a tribunal o primeiro arguido julgado pelo programa Mercy, num processo pensado para legitimar o sistema.

Pratt interpreta-o como um herdeiro directo dos detectives dos anos 90, à la Bruce Willis, abandonando a persona de boa disposição genérica que marcou a sua fase mais comercial. Aqui, está mais duro, mais agressivo e mais convincente. É uma das suas performances mais interessantes fora do universo das franquias.

Rebecca Ferguson domina o filme

Apesar de um elenco secundário competente, é Judge Maddox quem verdadeiramente marca o filme. Rebecca Fergusonconsegue dar a uma entidade programada uma estranha sensação de presença e quase-consciência, falando com uma lógica autoritária que nunca perde o controlo.

É através desta personagem que o filme lança a sua questão mais provocadora: será que uma inteligência artificial pode avaliar provas com mais objectividade do que um júri humano? Mercy: Prova de Culpa não responde de forma simplista. Pelo contrário, sugere que o problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como os humanos a utilizam — ou se escondem atrás dela.

Um thriller eficaz, mesmo sem reinventar o género

Realizado por Timur Bekmambetov, conhecido por Wanted, o filme aposta numa montagem nervosa, numa estética digital agressiva e num ritmo quase constante, ao ponto de justificar a existência de três editores. Nem todas as personagens secundárias são plenamente desenvolvidas, mas o foco mantém-se onde interessa: no dilema moral e na corrida contra o tempo.

Mercy: Prova de Culpa não vai redefinir o cinema de ficção científica nem o thriller judicial, mas é um exemplo sólido de entretenimento adulto, consciente do mundo em que vivemos e das perguntas desconfortáveis que já não podemos evitar.

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Veredicto final

Sem ser brilhante, Mercy: Prova de Culpa é um thriller eficaz, tenso e surpreendentemente equilibrado na forma como aborda a justiça, a tecnologia e o papel humano no meio de ambos. Uma estreia interessante para quem procura mais do que explosões e respostas fáceis.

“28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” — O Quarto Capítulo da Saga Zombi Que Está a Dividir Opiniões

“No que dizem lá fora”: um quatroquel que supera as expectativas

Há franquias que, por definição, parecem fadadas a decair com o tempo. Sequências, prequelas e derivados inundam o mercado e muitas vezes tornam-se sombras pálidas do original. Ainda assim, 28 Years Later: The Bone Temple — traduzido para o português como 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos — está a contrariar essa lógica, com muitos críticos a considerarem-no o melhor capítulo da saga desde 28 Days Later (2002).  

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O argumento de que um “quatroquel” possa ser superior ao resto da franquia parece improvável, mas é justamente esse o sentimento que paira nas primeiras reacções críticas: uma energia mais crua, personagens mais complexos e um sentido de crescente perigo que vai além do simples terror zumbi. Neste aspecto, o destaque vai, em particular, à performance de Ralph Fiennes, cuja interpretação é unanimemente elogiada como “fenomenal” e uma das melhores da sua carreira, com momentos memoráveis que misturam intensidade física com nuances inesperadas de humor negro e surrealismo.  

A narrativa — menos mortos-vivos, mais humanos perigosos

Ao contrário da esmagadora maioria dos filmes de zombies, onde “os infectados” são o centro da ameaça, O Templo dos Ossos vira esse cliché do avesso. No coração do filme está um confronto feroz entre humanidades agressivas e crepusculares, personificadas pela bizarra gangue liderada por Jack O’Connell como Sir Lord Jimmy Crystal. Esta facção — descrita por algumas críticas como quase mais assustadora do que os próprios zombies — transforma a narrativa num estudo de poder, manipulação e psicose colectiva.  

A história segue Spike (Alfie Williams), um jovem que se vê atolado no meio desta nova ordem brutal, confrontando a desumanidade que floresceu num mundo pós-apocalíptico. Ao mesmo tempo, o Dr. Ian Kelson (Fiennes) representa um contra-ponto quase messiânico — um homem que vive numa estranha quietude moral enquanto tenta compreender e, eventualmente, domar a ameaça gigantesca conhecida como Samson.  

O que dizem por aí: cinema que desafia expectativas

As primeiras impressões partilhadas por críticos e fãs que já viram o filme em exibições antecipadas sugerem que O Templo dos Ossos não se limita a repetir o mesmo formulaico terror zumbi a que estamos habituados. Pelo contrário, há quem o descreva como um filme “energético, cruel e profundamente humano”, onde a verdadeira ameaça já não é o vírus, mas sim a própria natureza humana quando despojada de estrutura social.  

Este enfoque renovado tem sido visto como um sopro de ar fresco para uma série que começou há mais de duas décadas e que, apesar de reverenciada, corria o risco de cair no esquecimento criativo. A mudança de realizador — com Nia DaCosta a assumir a direcção depois de Danny Boyle — parece ter rejuvenescido a franquia, oferecendo um olhar contemporâneo sobre um universo cheio de decay e violência visceral.  

Datas de estreia nos países de língua portuguesa

Se és fã do género e já queres marcar no calendário, aqui vai o que se sabe sobre as estreias no mundo lusófono:

  • Portugal: estreia nos cinemas a 15 de Janeiro de 2026.  
  • Brasil: está também confirmado para 15 de Janeiro de 2026.  

Para muitos, esta estreia conjunta em países lusófonos é um convite para comparar experiências e ver como a cultura local reage a um filme que está a gerar conversas intensas tanto pela sua abordagem narrativa como pelas performances surpreendentes.

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Conclusão

28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” está a chegar como um capítulo controverso e, curiosamente, celebrativo de tudo aquilo que o cinema de horror pode oferecer: tensão, reacções inesperadas do público e uma narrativa que, mesmo no meio de mortos-vivos, encontra significado nos vivos. Se as reacções iniciais se confirmarem após o lançamento generalizado, poderemos estar perante um dos melhores filmes do género dos últimos anos.

Uma nova curta pode nascer no meio do Atlântico: MiratecArts lança a segunda edição do Prémio Curta Pico

Um anúncio feito em noite de cinema e celebração

MiratecArts anunciou oficialmente a segunda edição do Prémio Curta Pico, reforçando o seu compromisso com a criação cinematográfica nos Açores e, em particular, na ilha do Pico. O anúncio foi feito na noite de abertura do Montanha Pico Festival, no Auditório Municipal das Lajes do Pico, num momento que serviu também para celebrar o percurso internacional do vencedor da primeira edição do prémio.

A ocasião contou com a apresentação de First Date, da autoria de Luís Filipe Borges, uma curta-metragem que rapidamente se transformou num verdadeiro cartão-de-visita do talento emergente apoiado pelo Prémio Curta Pico.

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Um prémio pensado para filmar a ilha — e com a ilha

O Prémio Curta Pico é um projecto da MiratecArts com investimento directo dos três municípios da ilha montanha, num raro e significativo exemplo de cooperação cultural intermunicipal. Na apresentação estiveram presentes representantes das três autarquias: Catarina Manito, presidente da Câmara Municipal da Madalena, Susana Vasconcelos, vice-presidente da Câmara Municipal de São Roque do Pico, e Amílcar Goulart, vereador da Câmara Municipal das Lajes do Pico, acompanhados por Terry Costa, presidente da associação MiratecArts.

O concurso destina-se a realizadores, produtores ou produtoras que apresentem uma ideia para a rodagem de uma curta-metragem de ficção a filmar na ilha do Pico. O regulamento privilegia propostas que tenham a ilha como centro narrativo — seja pela sua história, tradições, paisagens, comunidades ou mesmo pela montanha enquanto personagem cinematográfica.

Um processo em duas fases e um olhar profissional

A selecção decorre em duas fases bem definidas. Numa primeira etapa, as propostas serão avaliadas por um júri composto por três elementos, um representante de cada município da ilha do Pico. Os projectos finalistas serão depois convidados a avançar para a segunda fase, onde terão de desenvolver a pré-produção da curta-metragem, incluindo equipa, orçamento e guião.

Nesta fase final, as propostas serão avaliadas por um júri de profissionais do sector audiovisual, sendo escolhida apenas uma ideia vencedora. O projecto seleccionado será anunciado em Janeiro de 2027, ano em que a curta-metragem será produzida e finalizada, com antestreia marcada para o Montanha Pico Festival 2028.

“Este é o plano para a segunda edição do Prémio Curta Pico”, sublinhou Terry Costa, destacando a ambição de continuar a criar cinema a partir da ilha, mas com alcance internacional.

Um exemplo de sucesso que continua a viajar

O impacto do prémio é já visível. First Date, vencedor da primeira edição, foi exibido em cerca de 50 festivais, em 16 países, e arrecadou 21 prémios, mantendo-se actualmente em circuito de distribuição no seu segundo ano. Um percurso que confirma a importância de iniciativas estruturadas de apoio à criação cinematográfica fora dos grandes centros urbanos.

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O regulamento e o documento oficial de candidatura estão disponíveis em www.picofestival.com, estando a MiratecArts aberta ao contacto de criadores interessados. O Montanha Pico Festival prossegue até 29 de Janeiro, com sessões regulares nas Lajes do Pico, São Roque e Madalena, reforçando o Pico como território vivo de cinema.

Quando o Cinema Enfrenta a Terra: A Savana e a Montanha abre “O Melhor de Portugal” no Montanha Pico Festival

Um filme que nasce do conflito real e se transforma em gesto colectivo

A comunidade de Covas do Barroso, no norte de Portugal, viveu um choque que mudou para sempre a sua relação com a terra. A descoberta de que a empresa britânica Savannah Resources planeava ali instalar a maior mina de lítio a céu aberto da Europa, praticamente à porta de casa, gerou um sobressalto que rapidamente se transformou em resistência. É dessa tensão, profundamente enraizada na realidade, que nasce A Savana e a Montanha, o mais recente filme de Paulo Carneiro, que abre a secção “O Melhor de Portugal” da 12.ª edição do Montanha Pico Festival.

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A sessão de abertura acontece na quinta-feira, 15 de Janeiro, às 21h00, no Auditório Municipal das Lajes do Pico, e promete ser um dos momentos mais marcantes desta edição do festival açoriano dedicado à cultura montanhosa.

Um documentário híbrido entre o real, o mítico e o cinematográfico

Paulo Carneiro define o filme como uma “reconstituição, reinvenção ou reinterpretação” dos acontecimentos vividos pela comunidade. Mas A Savana e a Montanha vai muito além do documentário clássico. Entre canções populares, encenações colectivas e referências visuais ao western, são os próprios habitantes que representam a sua luta, transformando a resistência num acto artístico e político ao mesmo tempo.

Este cruzamento entre cinema, teatro popular e memória colectiva confere ao filme uma identidade singular, onde o gesto cinematográfico não observa à distância, mas participa. O povo não é objecto do olhar da câmara: é autor, intérprete e força motriz da narrativa.

Um percurso internacional impressionante

Depois da estreia na Quinzena dos Realizadores de 2024, em França, A Savana e a Montanha iniciou um percurso internacional notável. O filme passou por dezenas de festivais e acumulou distinções em vários continentes, incluindo Menções Especiais em Melgaço e Valladolid, bem como prémios de público e de júri na Índia, Coreia do Sul, Timor-Leste e Turquia. Um reconhecimento que confirma a força universal de uma história profundamente local.

Este sucesso consolida a trajectória de Paulo Carneiro, que se estreou na longa-metragem com Bostofrio (2018), também exibido no Montanha Pico Festival, numa ligação afectiva que agora se renova.

“O Melhor de Portugal”: um retrato do cinema nacional recente

A secção “O Melhor de Portugal” é o grande foco desta edição do festival e reúne cinco obras estreadas nos últimos dois anos, escolhidas pelo director artístico Terry Costa com base no mérito criativo e impacto cultural. Além de A Savana e a Montanha, o público poderá ver Banzo de Margarida Cardoso, Grand TourO Teu Rosto Será o Último e Hanami.

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Até 29 de Janeiro, o Montanha Pico Festival espalha-se por três ecrãs da ilha do Pico, apresentando 35 obras — de curtas a longas-metragens — num programa que confirma o festival como um espaço singular de encontro entre cinema, território e identidade.

Avatar: Fire and Ash ultrapassa mil milhões e dá a Hollywood um arranque explosivo em 2026

James Cameron volta a liderar as bilheteiras e reacende a esperança na indústria

Hollywood começou 2026 com um raro motivo para sorrir. Avatar: Fire and Ash, o terceiro capítulo da saga épica criada por James Cameron, voltou a liderar o box office norte-americano pelo terceiro fim de semana consecutivo e ultrapassou oficialmente a impressionante marca dos mil milhões de dólares em receitas mundiais. Um feito que não só confirma a força do universo Pandora como devolve algum optimismo a uma indústria que saiu de 2025 em clara dificuldade.

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Em apenas três semanas em exibição, Fire and Ash arrecadou cerca de 40 milhões de dólares no mercado norte-americano durante o seu terceiro fim de semana, mantendo-se isolado no primeiro lugar. O verdadeiro motor, no entanto, está fora dos Estados Unidos: o filme soma já 777,1 milhões de dólares internacionais, com a The Walt Disney Company a celebrar o marco como “mais uma conquista monumental de uma das franquias mais inovadoras da história do cinema”.

Um Natal lucrativo e vários sucessos em simultâneo

O período festivo revelou-se particularmente favorável às salas de cinema, beneficiando do encerramento das escolas e de uma oferta diversificada. Para lá de Avatar, o grande caso de resistência em cartaz é Zootopia 2, que ocupa o segundo lugar com 19 milhões de dólares, caindo apenas 4% face ao fim de semana anterior — um desempenho notável para um filme já em exibição há seis semanas.

A sequela animada soma agora 1,59 mil milhões de dólares, tornando-se o segundo filme de animação mais lucrativo da Disney, apenas atrás de The Lion King (2019). Um sinal claro de que o público familiar continua a ser um pilar fundamental da recuperação do sector.

Estrelas em ascensão e apostas certeiras

Outro destaque vai para The Housemaid, thriller protagonizado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, que arrecadou 14,9 milhões de dólares no fim de semana. Com um orçamento modesto de 35 milhões, o filme já soma 75,7 milhões nos EUA e mais 57,3 milhões no mercado internacional, confirmando-se como um dos grandes êxitos surpresa da época.

Também Timothée Chalamet continua em excelente forma com Marty Supreme, que recolheu 12,6 milhões no seu terceiro fim de semana. O filme da A24 já ultrapassou os 56 milhões na América do Norte, superando o anterior recorde de Josh Safdie com Uncut Gems.

Um início forte depois de um ano frágil

No conjunto, as receitas deste fim de semana foram 26,5% superiores às do mesmo período em 2025, segundo dados da Comscore. Um contraste evidente com o ano passado, quando as bilheteiras norte-americanas fecharam nos 8,9 mil milhões de dólares, ainda cerca de 20% abaixo dos níveis pré-pandemia, apesar do aumento do preço médio dos bilhetes.

Sigourney Weaver, os Beatles e uma carta embaraçosa para John Lennon: “Espero que a tenham deitado fora”

Com Avatar: Fire and Ash a liderar e uma lista de futuros lançamentos que inclui novos filmes de Toy StoryAvengersSpider-ManSuper Mario Bros. e Dune, os estúdios acreditam que 2026 pode vir a ser o melhor ano de bilheteira da década. Para já, James Cameron voltou a provar que, quando regressa a Pandora, Hollywood ouve… e o público responde.

Quando o Amor se Torna Ruptura: Mata-te, Amor Chega aos Cinemas com Jennifer Lawrence em Estado de Graça

Um drama psicológico intenso sobre maternidade, identidade e colapso emocional

Há filmes que não pedem licença ao espectador. Mata-te, Amor é claramente um deles. Realizado por Lynne Ramsay, uma das vozes mais implacáveis e singulares do cinema contemporâneo, o filme chega finalmente aos cinemas portugueses a 15 de Janeiro, depois de uma passagem muito falada pelo Festival de Cannes e de uma nomeação aos Globos de Ouro para Jennifer Lawrence, na categoria de Melhor Atriz em Filme Dramático  .

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Baseado no romance homónimo da escritora argentina Ariana Harwicz, Mata-te, Amor mergulha de forma frontal e sem concessões nos territórios da maternidade, da saúde mental e da erosão da identidade feminina. Um filme desconfortável, exigente e profundamente perturbador — exactamente como Ramsay gosta.

Uma casa no campo, um bebé e o início do desmoronar

A história centra-se em Grace, interpretada por Jennifer Lawrence, e no seu companheiro Jackson, vivido por Robert Pattinson. O casal muda-se para uma antiga casa de campo numa zona rural dos Estados Unidos, numa tentativa de recomeço. Grace sonha tornar-se escritora, enquanto Jackson se ausenta frequentemente, deixando-a sozinha com o peso da vida doméstica.

O nascimento do primeiro filho, longe de unir o casal, funciona como catalisador de uma lenta mas implacável implosão emocional. A solidão, a frustração e a sensação de apagamento pessoal empurram Grace para um estado de instabilidade crescente, que Ramsay filma com uma proximidade quase sufocante.

Não há aqui romantização da maternidade nem respostas fáceis. Mata-te, Amor recusa o conforto narrativo e obriga o espectador a permanecer dentro do desconforto — um traço recorrente na filmografia da realizadora escocesa.

Jennifer Lawrence como nunca a vimos

A interpretação de Jennifer Lawrence tem sido amplamente apontada como uma das mais intensas e corajosas da sua carreira, valendo-lhe a nomeação aos Globos de Ouro  . Longe do glamour hollywoodiano, a actriz entrega-se a uma composição crua, física e emocionalmente desgastante, que raramente procura empatia fácil.

Ao seu lado, Robert Pattinson constrói um Jackson distante e opaco, cuja ausência pesa tanto quanto a sua presença. O elenco conta ainda com nomes de peso como Sissy SpacekNick Nolte e LaKeith Stanfield, reforçando a densidade dramática do filme.

Um olhar autoral sem concessões

O argumento é assinado por Enda Walsh, Lynne Ramsay e Alice Birch, numa adaptação que preserva a violência emocional e a linguagem interior do romance original. A produção reúne nomes de peso, incluindo Martin Scorsese, num sinal claro da relevância do projecto.

Apresentado em competição oficial em Cannes, Mata-te, Amor confirmou-se como uma das obras mais debatidas da temporada, consolidando Ramsay como uma cineasta interessada na fragilidade humana, na ruptura psicológica e nos espaços onde o amor deixa de ser abrigo para se tornar ameaça.

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Estreia em Portugal

Distribuído em Portugal pela NOS AudiovisuaisMata-te, Amor estreia nos cinemas nacionais a 15 de Janeiro. Um filme que não pretende agradar a todos, mas que dificilmente deixará alguém indiferente.

Um tríptico sobre família, silêncio e distância: Pai Mãe Irmã Irmão  estreia nos cinemas portugueses

Jim Jarmusch regressa ao grande ecrã com um olhar sereno sobre encontros e desencontros familiares

O novo filme de Jim JarmuschPai Mãe Irmã Irmão, chega às salas de cinema portuguesas no próximo 8 de Janeiro, trazendo consigo um dos mais sólidos selos de prestígio do cinema de autor contemporâneo. A longa-metragem, distinguida com o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza, propõe uma reflexão intimista sobre as relações familiares, a distância emocional e a dificuldade de comunicar entre gerações.  

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Estruturado como um tríptico, o filme é composto por três histórias independentes, ligadas por temas comuns e por uma abordagem narrativa coerente. Cada segmento acompanha filhos adultos e a forma como se relacionam entre si e com figuras parentais emocionalmente distantes, em contextos geográficos e culturais distintos.

Três histórias, três países, o mesmo desconforto emocional

As narrativas decorrem no presente e repartem-se por três locais: o episódio “Pai”, situado no nordeste dos Estados Unidos; “Mãe”, passado em Dublin, na Irlanda; e “Irmã Irmão”, que decorre em Paris, França. Esta fragmentação espacial reforça a ideia central do filme: apesar das diferenças culturais, as dinâmicas familiares marcadas pelo silêncio, pela ausência e pela incomunicabilidade são universais.

Mais do que contar uma história tradicional, Jarmusch opta por uma sucessão de estudos de personagem, observados com distanciamento, sem julgamentos morais nem explicações fáceis. O resultado é um cinema de gestos mínimos, pausas significativas e diálogos contidos, onde o não dito assume tanta importância como as palavras.

Um elenco de luxo ao serviço de um cinema contido

O elenco reúne Adam Driver e Cate Blanchett, vencedora de dois Óscares, acompanhados por nomes como Tom WaitsCharlotte RamplingVicky Krieps e Indya Moore.

As interpretações seguem a linha habitual do cinema de Jarmusch: discretas, precisas e despidas de exibicionismo. Cada actor parece existir dentro do espaço emocional da personagem, respeitando o tom observador e melancólico que atravessa todo o filme.

Humor subtil e melancolia como marca autoral

Apesar do peso emocional dos temas abordados, Pai Mãe Irmã Irmão não abdica de um humor subtil, quase invisível, que surge em pequenos detalhes, situações absurdas ou silêncios prolongados. Esta combinação de leveza e melancolia é uma das marcas mais reconhecíveis do realizador, aqui aplicada com particular maturidade.

O filme foi também o filme de abertura do LEFFEST, em Novembro passado, reforçando o seu percurso de destaque no circuito de festivais antes da estreia comercial. A distribuição em Portugal está a cargo da NOS Audiovisuais, que traz assim às salas nacionais uma das obras mais elogiadas do ano.  

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Pai Mãe Irmã Irmão não procura respostas fáceis nem reconciliações forçadas. É um filme sobre o que fica por dizer, sobre a distância que se instala mesmo entre quem partilha laços de sangue — e sobre a humanidade que persiste, apesar disso tudo. Um regresso notável de Jim Jarmusch ao centro do cinema de autor contemporâneo 🎬

Um Natal Amarelo no Grande Ecrã: Porque o Novo Filme do SpongeBob É a Escolha Certa Para a Família 🎄🍍

Depois de mais de duas décadas a marcar gerações em Portugal, SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas regressa ao cinema com estatuto de verdadeiro acontecimento familiar. A estreia acontece a 24 de Dezembro, em plena véspera de Natal, numa aposta clara em devolver às salas de cinema aquele ritual colectivo que tantos de nós associam a esta época do ano: rir em família, partilhar pipocas e sair da sessão com um sorriso colado à cara.

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Este novo capítulo cinematográfico não tenta reinventar a roda — e ainda bem. Em vez disso, abraça com convicção tudo aquilo que transformou SpongeBob SquarePants num fenómeno global: humor nonsense, optimismo inabalável, personagens inesquecíveis e uma imaginação que parece não conhecer limites. Aqui, SpongeBob sente que chegou o momento de provar que é um verdadeiro herói e, para isso, embarca numa aventura tão improvável quanto ambiciosa, seguindo o temível (e deliciosamente caricato) Holandês Voador até às profundezas do oceano.

A narrativa aposta numa estrutura simples, mas eficaz, pensada para funcionar em vários níveis. As crianças encontram cor, ritmo e situações absurdas em catadupa; os adultos reconhecem ironias, comentários subtis e aquela energia caótica que sempre distinguiu a série. É um equilíbrio difícil de alcançar, mas que este filme consegue manter com surpreendente leveza.

Um dos grandes trunfos desta estreia em Portugal é a continuidade na dobragem nacional. As vozes que acompanham SpongeBob há mais de 20 anos regressam, garantindo familiaridade imediata ao público português. É um detalhe que pode parecer menor, mas que faz toda a diferença quando falamos de um universo tão enraizado na memória colectiva. A isto juntam-se algumas estreias na dobragem cinematográfica, que entram com naturalidade e sem ruído, reforçando o elenco sem quebrar o tom.

Do ponto de vista visual, o filme mantém o estilo vibrante e exagerado que sempre definiu Bikini Bottom, mas adapta-o ao grande ecrã com uma escala mais ambiciosa. Há sequências claramente pensadas para impressionar em sala escura, com um sentido de espectáculo que transforma esta aventura numa experiência verdadeiramente cinematográfica — e não apenas num “episódio longo” da série.

A estreia internacional foi também assinalada com pompa e circunstância em Hollywood, num evento simbólico que reuniu várias figuras históricas ligadas ao universo SpongeBob, sublinhando a importância cultural da personagem criada por Stephen Hillenburg. É um reconhecimento justo para uma série que, ao longo dos anos, soube reinventar-se sem perder identidade.

No fundo, SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas funciona como aquilo que o cinema de Natal deve ser: inclusivo, luminoso e emocionalmente generoso. Não pretende ser profundo ou solene, mas lembra-nos algo essencial — que a amizade, a coragem e a alegria continuam a ser valores universais, independentemente da idade.

Num calendário saturado de estreias “importantes”, este filme destaca-se precisamente por não tentar ser mais do que aquilo que promete. E às vezes, sobretudo no Natal, isso é exactamente o que precisamos.

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O filme estreia a 24 de Dezembro, nas salas de cinema portuguesas, em versões dobrada e legendada, com distribuição da NOS Audiovisuais  .

Um thriller à moda antiga que sabe divertir: The Housemaid  arruma a casa no Rotten Tomatoes

Durante anos, os thrillers eróticos e psicológicos liderados por protagonistas femininas dominaram as salas de cinema, sobretudo nos anos 90, antes de desaparecerem quase por completo dos multiplexes. The Housemaid surge agora como um curioso regresso a esse território — consciente das suas raízes, assumidamente exagerado quando convém e, acima de tudo, interessado em entreter sem pedir desculpa.

Realizado por Paul Feig, conhecido sobretudo pelo seu trabalho na comédia, o filme aposta num registo inesperadamente sombrio e sedutor. A história acompanha Millie, interpretada por Sydney Sweeney, uma jovem que aceita um emprego aparentemente perfeito ao serviço de um casal rico, vivido por Amanda Seyfried e Branden Sklenar. O que começa como uma oportunidade de recomeço transforma-se rapidamente num jogo perigoso de manipulação, segredos e relações de poder.

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A recepção crítica tem sido, no geral, bastante favorável. Com uma pontuação de 78% no Rotten Tomatoes, baseada em cerca de uma centena de críticas, The Housemaid assume-se como um “guilty pleasure” bem executado. O consenso do agregador descreve-o como um regresso astuto aos thrillers sensacionalistas que outrora dominaram os cinemas, destacando o sentido de diversão do filme e, sobretudo, a interpretação “deliciosamente inquietante” de Amanda Seyfried.

Vários críticos elogiam a forma como o filme abraça o seu lado mais provocador. Há quem sublinhe o prazer quase nostálgico de assistir a um thriller psicológico que não tem receio de ser excessivo, sensual e assumidamente popular. Para alguns, trata-se exactamente do tipo de filme que já não se faz com frequência: directo, retorcido e eficaz na forma como conduz o espectador por sucessivas reviravoltas.

Naturalmente, nem todos ficaram convencidos. Algumas críticas apontam que o filme poderia ter ido ainda mais longe no seu lado “camp”, explorando com maior descaramento a sua natureza exagerada. Outras consideram que, apesar da forte química entre Sweeney e Seyfried, a narrativa nem sempre acompanha o potencial das suas protagonistas. Ainda assim, mesmo entre os detractores, há consenso quanto à qualidade do elenco e à energia que as actrizes imprimem às personagens.

Um dos aspectos mais interessantes de The Housemaid é precisamente o modo como Paul Feig se afasta da comédia pura para explorar um território mais sombrio, sem nunca perder o controlo do tom. O realizador parece divertir-se com as convenções do género, equilibrando tensão, humor negro e provocação, num filme que sabe exactamente o que é — e o que não pretende ser.

Para Sydney Sweeney, o filme representa mais um passo na consolidação de uma carreira que tem sabido alternar entre projectos de prestígio e cinema de género. Já Amanda Seyfried entrega uma das interpretações mais memoráveis do filme, jogando com ambiguidade e ameaça de forma subtil e eficaz.

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The Housemaid não tenta reinventar o thriller psicológico, mas também não se limita a reciclar fórmulas. É um filme consciente do seu ADN, que aposta na tensão sexual, no jogo psicológico e na diversão pura. Para quem sente saudades dos thrillers adultos que enchiam as salas nos anos 90, esta é uma visita surpreendentemente satisfatória — e bem arrumada.

Avatar: Fire and Ash: O Filme Mais Longo — e Mais Fraco — da Saga de James Cameron

Depois de Avatar (2009) e Avatar: O Caminho da Água se terem tornado dois dos filmes mais lucrativos da história do cinema, era previsível que James Cameron quisesse continuar a explorar Pandora. O problema diz a crítica internacional é que Avatar: Fire and Ash, o terceiro capítulo da saga, deixa a sensação clara de que esta viagem já devia ter terminado — ou, pelo menos, precisava urgentemente de ser repensada.

Com 197 minutos de duração, o novo filme é meia hora mais longo do que o original e transforma-se num teste sério à paciência do espectador. O que deveria ser uma grande aventura de ficção científica acaba por se arrastar num desfile de imagens bonitas mas vazias, diálogos pouco inspirados, uma narrativa dispersa e uma espiritualidade new age que roça o enfadonho. É desconfortável pensar que ainda estão planeados mais dois filmes depois deste.

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O mais frustrante é que, apesar da duração quase épica, Avatar: Fire and Ash não funciona como filme autónomo. Cameron parte do princípio de que o público está profundamente investido na mitologia, nas personagens e nas relações familiares dos Na’vi, dispensando-se de construir uma história com verdadeiro início, meio e fim. Para quem não é fã incondicional da saga, a experiência torna-se ainda mais distante.

O contraste com o primeiro Avatar é gritante. Em 2009, o filme parecia genuinamente futurista: a história de um planeta exuberante explorado por humanos desesperados por recursos, em conflito com uma civilização indígena, combinava espectáculo, aventura e uma metáfora ambiental clara. Era, no fundo, Pocahontas com Smurfs no espaço — simples, eficaz e emocionalmente funcional.

Agora, Cameron parece ter perdido interesse em Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña), focando-se sobretudo nos seus filhos adolescentes. Essa escolha revela-se um erro grave. As novas personagens são difíceis de distinguir entre si, pouco carismáticas e, em muitos momentos, francamente irritantes. Onde antes havia um protagonista claro, há agora um grupo de jovens quase intercambiáveis, todos igualmente pouco memoráveis.

O filme alterna entre grandes batalhas, aparições esporádicas de personagens humanas que desaparecem durante longos períodos e intermináveis discussões reverenciais sobre as crenças dos Na’vi. Pelo meio, surgem breves lampejos do filme que Avatar: Fire and Ash poderia ter sido: um thriller ecológico mais duro, focado no conflito entre império e resistência. Mas esses momentos são rapidamente engolidos por uma espécie de telenovela californiana intergaláctica, onde surfistas de rastas montam dragões e gritam frases como “Isto foi insano, mano!” ou “Isto é brutal, primo!”.

Visualmente, o desgaste também é evidente. Pandora já não tem o impacto de outrora. Depois de quase nove horas passadas neste mesmo cenário tropical alienígena, a sensação de maravilha dissipou-se. Onde outras sagas, como Star Wars, teriam explorado múltiplos mundos, Avatar insiste sempre no mesmo pano de fundo. Pior ainda: aquilo que em 2009 parecia revolucionário, hoje soa a reliquia de uma era passada do cinema digital.

Durante a década de 2010, o público habituou-se a personagens digitais hiper-realistas em mundos totalmente gerados por computador. Na altura, Pandora parecia imersiva e tecnologicamente espantosa. Em Fire and Ash, no entanto, tudo parece artificial, quase como um videojogo antigo. Quando um Na’vi cai do dragão em pleno voo, não há verdadeiro sentido de perigo — a cena parece tão falsa que se perde qualquer envolvimento emocional.

Há ainda outro problema estrutural: com mais dois filmes já anunciados, existe realmente alguma sensação de risco?Alguém acredita que personagens centrais vão sofrer consequências irreversíveis? Se Cameron cumprir o plano, ainda faltam cerca de seis horas para o fim da saga — e, depois deste capítulo, essa perspectiva soa mais a ameaça do que a promessa.

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Avatar: Fire and Ash confirma aquilo que muitos já suspeitavam: a saga continua a impressionar pelo orçamento e pela escala, mas está cada vez mais vazia de urgência narrativa e emoção genuína. Um espectáculo enorme, cansado e auto-indulgente, que vive sobretudo da glória passada.

SpongeBob Junta-se à Surfrider Portugal para Defender o Oceano na Estreia do Novo Filme

A esponja mais famosa do mundo chega aos cinemas a 24 de Dezembro com uma missão que vai além do entretenimento

SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas estreia a 24 de Dezembro nos cinemas portugueses e traz consigo mais do que uma nova aventura subaquática. No âmbito desta estreia, a Paramount Animation e a Nickelodeon Movies associam-se à Surfrider Foundation, em Portugal representada pela Surfrider Foundation Portugal, numa parceria global de sensibilização ambiental que procura envolver crianças e famílias na proteção do oceano.  

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A iniciativa nasce da vontade de aproveitar a força cultural de uma das personagens mais icónicas da animação para transmitir uma mensagem clara e positiva: proteger o oceano começa com pequenos gestos no dia a dia. SpongeBob, Patrick e o resto dos habitantes de Bikini Bottom assumem aqui o papel de embaixadores ambientais, colocando a sua popularidade ao serviço de uma causa urgente e universal.

O principal eixo da parceria é o lançamento de um livreto educativo gratuito, desenvolvido em colaboração com a Surfrider Foundation. Pensado para um público jovem, o material combina atividades de colorir, ilustrações exclusivas do universo SpongeBob SquarePants e informação acessível sobre boas práticas ambientais, incentivando as crianças a aprender de forma divertida e a partilhar esse conhecimento em família.

Entre os temas abordados estão a redução do plástico, o respeito pela vida marinha e a importância de atitudes simples, como não deixar lixo na praia ou reduzir o uso de descartáveis. O objetivo não é moralizar, mas sim despertar curiosidade e criar uma ligação emocional entre as crianças e o mar, reforçando desde cedo a noção de responsabilidade coletiva.

Esta ação enquadra-se perfeitamente na missão da Surfrider Foundation Portugal, uma ONG dedicada à proteção do oceano, das zonas costeiras e das comunidades que delas dependem. Integrada na rede europeia da Surfrider Foundation, a organização atua através da educação, da ciência e da mobilização cidadã, apoiando-se numa rede ativa de voluntários em todo o país. A parceria com SpongeBob permite amplificar essa missão junto de um público mais jovem, num tom optimista e acessível.

A iniciativa acompanha a estreia de SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas, reforçando a mensagem positiva do próprio filme. Na nova longa-metragem, SpongeBob embarca na maior aventura cinematográfica da sua vida, decidido a provar que é um verdadeiro herói. Para impressionar o Sr. Krabs, segue o lendário Holandês Voador, um pirata fantasma misterioso, numa jornada que o leva às profundezas do oceano, onde nenhuma esponja jamais esteve.

Realizado por Derek Drymon, um nome histórico do universo SpongeBob, o filme aposta numa mistura de comédia marítima, imaginação visual e espírito aventureiro, mantendo o humor característico da série e acrescentando uma escala cinematográfica mais ambiciosa. A produção conta com um elenco de vozes de luxo, incluindo Tom KennyClancy BrownBill FagerbakkeRodger BumpassCarolyn LawrenceMark Hamill e participações especiais como George Lopez e Ice Spice.

A chegada do filme aos cinemas na véspera de Natal torna-o numa proposta ideal para sessões em família, agora enriquecida por uma componente educativa que prolonga a experiência para lá da sala de cinema. Ao associar entretenimento e consciência ambiental, SpongeBob prova que continua a evoluir com o seu público, sem perder a leveza e o optimismo que o tornaram um fenómeno global.

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SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas estreia a 24 de Dezembro, em versões dobrada e legendada, e chega acompanhado de uma mensagem clara: cuidar do oceano pode — e deve — começar desde cedo.  

SpongeBob – À Procura das Calças Quadradas: Fresco, Divertido e com Imaginação de Sobra

Um filme que funciona para várias idades e prova que a esponja continua a saber falar com o seu público

Depois de 26 anos de nonsense náuticoSpongeBob SquarePants continua a ser uma presença surpreendentemente sólida no cinema de animação. SpongeBob – À Procura das Calças Quadradas (The SpongeBob Movie: Search for SquarePants) não só mantém a energia caótica que definiu a série desde o início, como consegue algo cada vez mais raro: funcionar genuinamente bem para várias gerações ao mesmo tempo.

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Vi o filme em sala com a minha filha, numa idade já pré-teen — aquele território difícil onde muita animação infantil começa a ser “demasiado infantil”. A reacção foi imediata e inequívoca: riso frequente, atenção constante e zero impaciência. E isso diz muito. O filme percebe exactamente onde está o seu público actual: crianças que já cresceram com SpongeBob, mas que continuam disponíveis para a sua loucura, desde que ela seja rápida, inventiva e visualmente estimulante.

Realizado por Derek Drymon, uma figura essencial no universo da série há mais de um quarto de século, o filme aposta num ritmo acelerado, piadas visuais em catadupa e um cuidado inesperado com a construção do mundo submarino. Não é apenas uma sucessão de gags — há uma aventura clara, um percurso emocional simples, mas eficaz, e uma imaginação que nunca parece cansada.

A história começa com um pequeno grande momento de crescimento: SpongeBob descobre que finalmente tem altura suficiente para andar na montanha-russa que ele e o inseparável Patrick sonham experimentar há anos. O problema é que crescer fisicamente não significa estar preparado emocionalmente. Falta-lhe aquilo que o filme define, com humor certeiro, como “fortaleza intestinal” — uma limitação que diverte o público e serve de motor para toda a narrativa.

Determinado a provar que já é um “tipo crescido”, SpongeBob toma uma decisão tão ingénua quanto perigosa: invocar o espírito amaldiçoado do Flying Dutchman, descrito como “o fantasma mais assustador que alguma vez percorreu os sete mares”. A partir daqui, o filme lança-se numa aventura que mistura comédia física, fantasia e uma surpreendente ambição mitológica.

Um dos aspectos mais interessantes de À Procura das Calças Quadradas é a forma como expande a geografia mutável de Bikini Bottom. Ao longo dos anos, a série já nos levou a locais memoráveis como Jellyfish Fields ou Rock Bottom, mas aqui há uma clara vontade de ir mais longe. A viagem ao submundo oceânico é um dos pontos altos do filme, cruzando referências clássicas com humor absurdo: uma gaivota de três cabeças surge como substituta de Cila, enquanto Sirenastentam seduzir o sempre exasperado Squidward… com smooth jazz.

Esse equilíbrio entre referências culturais, nonsense puro e uma narrativa acessível é precisamente o que mantém SpongeBob relevante. O filme nunca se leva demasiado a sério, mas também não subestima o seu público — algo que as crianças sentem imediatamente.

Vale ainda a pena referir um detalhe que tornou a experiência em sala ainda mais divertida: antes do filme principal, é exibida uma curta dos Teenage Mutant Ninja Turtles. Nesta pequena aventura, as Tartarugas enfrentam uma entidade de Inteligência Artificial, num confronto que combina acção, humor e um toque de actualidade tecnológica. Para o público mais novo, funciona como um excelente aquecimento; para os pais, é uma surpresa simpática que acrescenta valor ao bilhete.

No final, SpongeBob – À Procura das Calças Quadradas confirma algo essencial: SpongeBob continua ingénuo, optimista e excessivo, mas também profundamente humano na sua vontade de crescer, de ser aceite e de provar o seu valor. É um filme que respeita o seu legado, percebe o seu público actual e entrega exactamente aquilo que promete.

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E, pelo sorriso à saída da sala, cumpre plenamente a sua missão.

A Febre de Zootopia 2 na China Está a Levar Jovens a Comprar Cobras Venenosas 🐍🎬

O carismático Gary De’Snake conquistou o público — e está a ter consequências bem reais

Quando a Disney lançou Zootopia 2, dificilmente alguém imaginaria que um dos seus efeitos colaterais mais comentados surgiria fora das salas de cinema… e dentro de terrários. Na China, o novo personagem Gary De’Snake — uma cobra azul simpática, entusiasta e com voz de Ke Huy Quan — tornou-se um fenómeno cultural tão forte que está a inspirar jovens a comprar víboras altamente venenosas como animais de estimação.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Qi Weihao, um estudante de 21 anos da província de Jiangxi, que decidiu adquirir uma víbora-de-bambu indonésia, conhecida localmente como island bamboo pit viper, apenas dois dias depois da estreia do filme. O preço? Cerca de 1.850 yuan (aproximadamente 260 dólares). O motivo? Gary.

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Qi, apaixonado por répteis, confessou à CNN que sempre quis ter uma cobra azul, mas foi a representação positiva da personagem em Zootopia 2 que o fez avançar. Para ele, Gary ajudou a combater o preconceito associado a quem gosta de répteis, muitas vezes vistos na China como pessoas com “gostos estranhos por criaturas assustadoras”.

Um sucesso de bilheteira… e um efeito inesperado

O fenómeno não surgiu do nada. Zootopia 2 tornou-se rapidamente a animação estrangeira mais lucrativa de sempre na China, ultrapassando os 3,55 mil milhões de yuan em receitas, destronando o primeiro filme da saga, lançado em 2016. A nível global, o filme já ultrapassou mil milhões de dólares, consolidando-se como um dos maiores sucessos recentes da Disney.

No enredo, Gary De’Snake luta para limpar a reputação da sua família — e dos répteis em geral — com a ajuda de Judy Hopps e Nick Wilde. Uma mensagem nobre… mas que alguns espectadores parecem ter levado demasiado à letra.

Após a estreia do filme, plataformas chinesas de comércio electrónico registaram um aumento súbito nas pesquisas e nos preços da víbora-de-bambu indonésia, com valores a variar entre algumas centenas e vários milhares de yuan. Um entusiasmo que rapidamente começou a preocupar autoridades e especialistas.

Répteis exóticos: uma tendência em crescimento

A verdade é que a moda dos animais exóticos já vinha a crescer antes de Gary entrar em cena. Segundo dados citados pela agência estatal Xinhua, mais de 17 milhões de pessoas na China tinham animais exóticos no final de 2024, num mercado avaliado em cerca de 10 mil milhões de yuan. Mais de 60% dos donos pertencem à Geração Z.

Um relatório de 2025 indica ainda que as cobras representam mais de metade de todos os répteis mantidos como animais de estimação no país. Embora muitas sejam criadas em cativeiro e vendidas legalmente, a compra de espécies venenosas levanta sérias questões de segurança.

Qi, apesar de entusiasta, deixa um aviso claro:

“Se não têm experiência e equipamento adequado, não comprem cobras venenosas por impulso.”

Quando a ficção morde a realidade

A imprensa estatal chinesa não tardou a reagir. O Beijing News alertou que, apesar de Gary ser retratado como corajoso e adorável no filme, a versão real da víbora azul está longe de ser um brinquedo da moda. Uma fuga ou uma mordida podem transformar-se rapidamente num problema de segurança pública.

Entretanto, várias plataformas removeram anúncios de venda da cobra após alertas da CNN, incluindo a JD, que afirmou proibir estritamente a comercialização de animais venenosos. Ainda assim, o episódio deixou claro como a cultura pop pode ter impactos muito concretos — e perigosos.

Gary continua a vender… mas em versão segura 🧸

Felizmente, muitos fãs estão a optar por alternativas menos mortíferas. Bonecos de peluche, blind boxes e merchandising de Gary estão a voar das prateleiras. Em algumas lojas da Disneyland de Xangai, o peluche do personagem já está esgotado, sem previsão de reposição.

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Com mais de 70 parcerias comerciais na China, Zootopia voltou a provar que a Disney sabe criar personagens irresistíveis. Talvez só não contasse que alguns fãs quisessem levar a experiência tão longe.

Um Coelho, uma Raposa e um Marco Histórico: ‘Zootrópolis 2’ Junta-se ao Clube dos Mil Milhões

A Disney volta a sorrir com um fenómeno global

A Walt Disney Company voltou a alcançar um feito cada vez mais raro em Hollywood: um filme a ultrapassar a fasquia simbólica dos mil milhões de dólares em receitas de bilheteira global. Zootrópolis 2, a sequela da animação lançada originalmente em 2016, deverá atingir esse valor já esta sexta-feira, tornando-se apenas o segundo filme norte-americano de 2025 a conseguir tal proeza, depois da versão em imagem real de Lilo & Stitch.

À entrada do fim-de-semana, o filme somava 232,7 milhões de dólares no mercado doméstico (Estados Unidos e Canadá) e impressionantes 753,4 milhões provenientes dos mercados internacionais, números que confirmam o enorme apelo global da dupla formada pela determinada coelha Judy Hopps e pela raposa Nick Wilde.

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Um “sonho Zootrópolis” à escala mundial

Jared Bush, director criativo da Walt Disney Animation Studios e uma das figuras-chave por detrás do projecto, reagiu ao marco com palavras que sublinham algo cada vez mais precioso na indústria: a experiência colectiva da sala de cinema. Segundo Bush, este sucesso “significa que o público está a regressar às salas para viver uma experiência partilhada, pessoas de todas as origens, juntas, a ver um filme no grande ecrã”.

Num contexto em que o streaming continua a disputar atenção e tempo com a exibição tradicional, Zootrópolis 2 surge como um lembrete claro de que certos filmes — sobretudo os pensados para toda a família — continuam a funcionar melhor quando vistos em comunidade.

A China como peça-chave do puzzle

Um dos dados mais impressionantes desta corrida aos mil milhões está no desempenho do filme na China. Quase 450 milhões de dólares da receita global de Zootrópolis 2 vêm desse território, um valor extraordinário numa altura em que o país tem vindo a reduzir significativamente o número de produções americanas autorizadas a estrear nas suas salas.

Ainda assim, a animação da Disney conseguiu quebrar recordes: teve a maior estreia de sempre para um filme de animação não local na China e tornou-se, em apenas cinco dias, o filme de animação estrangeiro mais rentável de sempre naquele mercado. Um feito que ganha ainda mais peso tendo em conta as tensões comerciais e as ameaças de novas restrições à exibição de filmes norte-americanos.

Um clube exclusivo em 2025

Até ao momento, apenas outro filme ultrapassou a marca dos mil milhões este ano: Ne Zha 2, produção chinesa que soma já uns impressionantes 2,2 mil milhões de dólares desde a estreia em Janeiro. O contraste é revelador: o cinema global está cada vez menos centrado em Hollywood, mas quando os grandes estúdios acertam no alvo, o impacto continua a ser massivo.

Segundo analistas da indústria, atingir este patamar voltou a ser uma raridade, depois de anos em que vários blockbusters conseguiam esse valor quase por inércia. Hoje, cada milhar de milhão representa uma verdadeira vitória.

O regresso em força dos filmes para toda a família

O sucesso de Zootrópolis 2 também ajuda a confirmar uma tendência clara no mercado norte-americano: os filmes com classificação etária PG (adequados para públicos mais jovens) estão a superar os PG-13 e os R-rated em 2025. Até agora, os filmes PG já renderam 2,7 mil milhões de dólares nos EUA e Canadá, contra 2,5 mil milhões dos PG-13 e 2,4 mil milhões dos filmes para adultos.

Curiosamente, esta mudança começou em 2024, quando, pela primeira vez, os filmes PG venderam mais bilhetes do que qualquer outra categoria. Um sinal claro de que são, muitas vezes, as crianças a decidir a ida ao cinema — e a arrastar consigo famílias inteiras.

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No meio de super-heróis cansados e franchises em piloto automático, afinal, ainda há espaço para coelhos optimistas e raposas sarcásticas dominarem a bilheteira mundial.

Zendaya de noiva em “The Drama”: o casamento que está a enlouquecer os fãs de Tom Holland

Entre véus, diamantes e ansiedade pré-nupcial, Zendaya voltou a dominar a Internet – mas desta vez não é por causa do verdadeiro casamento com Tom Holland. É “apenas” cinema. No primeiro teaser de The Drama, a nova comédia negra da A24 realizada por Kristoffer Borgli, a actriz surge em pleno modo noiva: vestido branco de conto de fadas, cabelo apanhado num coque elegante e um anel de noivado tão vistoso que, por momentos, muitos acharam que estavam a ver imagens dos preparativos reais.

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O teaser, lançado a 10 de Dezembro, apresenta Emma e Charlie, o casal interpretado por Zendaya e Robert Pattinson, num estado de pré-casamento que é tudo menos idílico. Entre sessões fotográficas desconfortáveis, silêncios carregados e olhares que dizem mais do que qualquer voto, fica claro que esta boda cinematográfica está prestes a descarrilar. A sinopse é directa: “Um casal felizmente noivo é posto à prova quando uma revelação inesperada deita a semana do casamento por terra.” O filme chega às salas (lá fora) a 3 de Abril de 2026, com a A24 a posicioná-lo como uma das apostas fortes do ano.  

Noiva de ficção, noiva na vida real

Parte da graça – e do caos no X/Twitter – está precisamente no jogo entre realidade e ficção. Zendaya está noiva de Tom Holland, depois de o actor ter confirmado publicamente o noivado ao corrigir um jornalista que ainda se referia a Zendaya como “namorada”, trocando a palavra por um orgulhoso “noiva”. O anel de cinco quilates tem feito várias aparições discretas em passadeiras vermelhas e desfiles de moda, alimentando a curiosidade em torno de um casamento que, ao contrário de The Drama, deverá acontecer longe das câmaras.  

Aqui entra também o humor involuntário da promoção do filme: o poster mostra a personagem de Zendaya a exibir um anel gigante, a sentar-se no colo da personagem de Pattinson e o teaser remata com um provocatório “save the date”, como se o público estivesse a ser convidado para o grande dia. Para quem só passa pelo feed a correr, a confusão é quase inevitável – e os fãs de Tom Holland não perdoam um susto destes. 😅

“The Drama”: casamento, crise e comédia negra à moda A24

Se o trailer é curto, o tom está bem definido. Borgli, que já tinha posto Nicolas Cage a viver o pior tipo de fama em Dream Scenario, volta a explorar o desconforto social, agora embalado na estética impecável de um casamento de catálogo.  Entre poses fotográficas demasiado ensaiadas, conversas atravessadas com amigos e família e pequenos colapsos emocionais, The Drama promete ser menos uma comédia romântica e mais um estudo corrosivo sobre expectativas, imagem pública e o medo de dar um passo irreversível.

Zendaya parece jogar num registo diferente daquele a que nos habituou em Challengers ou Euphoria: aqui, a perfeição de noiva de revista entra em choque com uma fragilidade que o teaser só deixa entrever, mas que deverá ser o centro emocional do filme. Pattinson, por seu lado, continua a construir uma filmografia cheia de escolhas estranhas e fascinantes, e tudo indica que Charlie será mais um daqueles noivos à beira de um ataque de nervos que só existem no cinema… e em casamentos reais, mas isso fica para outra crónica.

Um 2026 de agenda cheia para Zendaya (e para os fãs)

The Drama é apenas a primeira paragem de um ano improvável para quem segue a actriz. Ainda em 2026, Zendaya volta a cruzar-se com Pattinson em The Odyssey, de Christopher Nolan, e regressa ao universo de Denis Villeneuve em Dune: Part Three. Pelo meio, continua a ser o rosto de Euphoria na televisão e volta a vestir o papel de MJ em Spider-Man: Brand New Day.  É um calendário que ajuda a perceber porque é que o verdadeiro casamento com Tom Holland vai continuar, muito provavelmente, trancado na esfera privada – e porque é que este “ensaio geral” em The Drama sabe ainda mais a ouro para os fãs.

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Para já, o que temos é uma noiva de ficção a perder lentamente a compostura diante das câmaras, um noivo com tudo menos certezas, e a promessa de uma comédia negra sobre o que acontece quando a ideia de “felizes para sempre” se transforma num pesadelo cuidadosamente decorado com flores brancas. Se o amor resiste a isto tudo, talvez mereça mesmo o “save the date”.

Nicolas Cage regressa a casa pelo Natal — com um filme de terror sobre Jesus que promete tornar-se culto instantâneo

Há fenómenos que só Nicolas Cage consegue conjugar: espiritualidade, terror bíblico, excentricidade absoluta e a sensação permanente de que estamos sempre a dois segundos de um clássico de culto. The Carpenter’s Son, o mais recente capítulo da fase avant-garde da carreira do actor, chegou finalmente às plataformas digitais — e, ironicamente, a tempo do Natal. Nada como celebrar a época com um “filme de terror sobre Jesus” protagonizado por Cage como… José, o pai do futuro Messias.

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Realizado e escrito por Lotfy Nathan, The Carpenter’s Son é descrito oficialmente como uma história de guerra espiritual numa aldeia remota do Egipto romano, onde José, Maria e o jovem Jesus vivem sob ameaça constante de forças sobrenaturais. É uma premissa que parece saída de um manuscrito apócrifo filtrado por um autor de ficção grotesca. Ainda assim, na prática, funciona como o que Hollywood sempre soube fazer bem: uma fábula sombria sobre fé, identidade e tentação, com uma reinterpretação radical da infância do Cristo bíblico.

O filme acompanha a família enquanto uma paragem num pequeno povoado desencadeia o que se revela ser um confronto directo com o Mal. A responsável por mover as peças é uma jovem misteriosa, interpretada por Isla Johnston, que tenta seduzir Jesus para um mundo proibido — um mundo que José reconhece instintivamente como perigoso. O receio transforma-se em terror quando fenómenos violentos e inexplicáveis começam a seguir o rapaz, até que a verdade é revelada: a “nova amiga” de Jesus tem um nome que dispensa apresentações. Satanás — ou melhor, “Suhtan”, como se tornou viral graças ao trailer — surge aqui numa forma infantil e profundamente inquietante.

No centro desta narrativa está um Nicolas Cage que continua a refinar a sua carreira como sumo sacerdote do cinema arriscado. Depois de títulos como MandyPigDream Scenario e o recente Longlegs, Cage demonstra novamente que não tem medo de mergulhar em personagens que desafiam convenções e que, muitas vezes, vivem entre o ridículo e o sublime. Desta vez, interpreta um José consumido pelo pânico e pela impotência, tentando proteger um filho cujo destino parece inevitavelmente maior do que a sua própria compreensão.

Curiosamente, apesar da premissa ousada e do nome de Cage no topo do cartaz, The Carpenter’s Son passou despercebido quando estreou. O filme não recebeu a atenção que títulos mais comerciais do actor têm conquistado nos últimos anos. Agora, disponível em plataformas como Apple TV, Prime Video e Fandango, tem finalmente a oportunidade de encontrar o público que lhe faltou no circuito tradicional — e talvez de se tornar o fenómeno “meme-bíblico-sensação” para o qual nasceu.

Em paralelo, o filme toca também numa sensibilidade muito peculiar da época: a reinvenção irreverente de narrativas sagradas. Nathan não persegue blasfémia gratuita, mas um thriller espiritual deliberadamente desconfortável, onde a proximidade de Jesus à humanidade é confrontada com a inevitabilidade da sua mitologia. Noah Jupe interpreta um Messias adolescente cheio de dúvidas, presságios e medo — um contraste poderoso com o imaginário canónico que conhecemos.

No meio disto tudo, há ainda FKA twigs como Maria, oferecendo uma performance austera e magnética, e uma atmosfera que oscila entre o terror psicológico, o misticismo ancestral e um humor involuntário que emerge sobretudo graças à própria existência de um filme onde Jesus é assombrado por uma versão infantil do Diabo.

Com a chegada do filme ao streaming, o culto pode finalmente consolidar-se. E sim, é quase garantido que a pronúncia “Suhtan” vá ecoar internet fora como o novo grito de guerra dos fãs de Cage — a meio caminho entre a religião e o absurdo absoluto.

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Se The Carpenter’s Son será a escolha perfeita para acompanhar o espírito natalício? Isso fica para cada espectador decidir. Mas, para quem aprecia a vertente mais destemida, ousada e deliciosamente estranha de Nicolas Cage, este pode muito bem ser o filme de Natal mais subversivo do ano.