Sigourney Weaver, os Beatles e uma carta embaraçosa para John Lennon: “Espero que a tenham deitado fora”

Uma confissão inesperada em horário nobre

Mesmo depois de décadas de carreira e de se ter tornado uma das figuras mais respeitadas de Hollywood, Sigourney Weaver ainda consegue surpreender com histórias improváveis do seu passado. A mais recente surgiu durante a sua participação no The Late Show With Stephen Colbert, onde a actriz revelou, com humor e algum embaraço, que em jovem escreveu uma longa carta… a John Lennon.

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Questionada por Stephen Colbert no habitual questionário final do programa, Weaver não escondeu o entusiasmo ao falar dos The Beatles, banda da qual sempre foi fã incondicional. A conversa rapidamente derivou para uma memória que a própria actriz preferia ter esquecido.

Papel lilás, tinta roxa e muita vergonha retrospectiva

Segundo contou, a carta foi tudo menos discreta. “Escrevi uma carta de várias páginas em papel lilás, com tinta roxa. Tinha umas cinco páginas, frente e verso”, recordou. Depois de dobrar cuidadosamente o texto, colocou-o num envelope e entregou-o num restaurante que, segundo ouvira dizer, Lennon frequentava.

Quando Colbert lhe perguntou o que tinha escrito, Weaver foi honesta: não se lembra de absolutamente nada. Mas sabe uma coisa — espera sinceramente que Lennon nunca a tenha lido. “Espero que a tenham deitado fora”, confessou, entre risos, arrancando aplausos do público.

O primeiro concerto… e não se ouvia nada

A ligação emocional de Sigourney Weaver aos Beatles vem de muito cedo. A actriz contou que o primeiro concerto da sua vida foi precisamente da banda britânica, no lendário Hollywood Bowl, em 1964. Ainda adolescente, viu Paul McCartneyGeorge HarrisonRingo Starr e Lennon ao vivo — embora “ver” seja talvez a palavra mais correcta.

“Havia raparigas a gritar à minha volta. Não se ouvia nada”, explicou, comentando uma fotografia da época que foi exibida no programa. A imagem, descoberta anos mais tarde nos arquivos do Hollywood Bowl, acabou por lhe ser enviada por e-mail, num daqueles acasos deliciosos da vida.

Latinhas de cerveja, um vestido bonito e John Lennon como favorito

Na fotografia, Weaver surge sorridente, com um penteado volumoso que tem uma explicação curiosa: “Enrolei o cabelo em latas de cerveja o dia inteiro. Era o meu único vestido bonito”. Um retrato perfeito da ingenuidade e do entusiasmo juvenil da época.

Questionada sobre o motivo de John Lennon ser o seu Beatle favorito, a actriz contou uma história improvável lida numa revista de fãs: Lennon teria trabalhado num aeroporto para VIPs e, antes de servir sanduíches, colocava-os dentro dos sapatos. “Achei isso muito fixe”, explicou, num comentário tão insólito quanto encantador.

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Hoje, aos 76 anos, Sigourney Weaver continua a promover novos projectos, incluindo Avatar: Fire and Ash, mas é reconfortante perceber que, por detrás da estrela, continua a existir aquela adolescente fascinada pelos Beatles… e ligeiramente envergonhada com as cartas que escreveu.

We Bury the Dead: o filme de zombies que troca os gritos pelo som mais perturbador de todos

Num género onde já vimos praticamente tudo, desde mortos-vivos velozes a apocalipses globais repetidos até à exaustão, We Bury the Dead surge como uma rara tentativa de fazer algo diferente. Em vez de apostar em litros de sangue ou sustos fáceis, o novo filme de zombies realizado por Zak Hilditch escolhe um caminho muito mais desconfortável: o som.

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O elemento mais perturbador do filme não é visual, mas auditivo. Os mortos-vivos de We Bury the Dead são anunciados por um ruído quase insuportável: o ranger obsessivo de dentes. Um som simples, mas visceral, capaz de provocar arrepios imediatos. Segundo o realizador, a ideia nasceu tanto da limitação orçamental como da vontade de criar uma identidade própria para estas criaturas. O resultado é eficaz e profundamente incómodo, funcionando como uma espécie de alarme psicológico que prepara o espectador para o pior.

A história acompanha Ava Newman, uma mulher que viaja até à Austrália depois de um acidente militar que envolve o seu marido. O que começa como uma missão de resgate transforma-se rapidamente numa luta pela sobrevivência quando os mortos começam a regressar. Ava não é uma heroína clássica, nem uma figura de acção preparada para o caos. É uma pessoa comum, atirada para uma situação extraordinária, o que reforça o tom intimista e humano do filme.

Há um peso emocional muito claro em We Bury the Dead. O filme nasce de uma experiência pessoal do realizador, marcada pela perda da mãe e pelo processo físico e emocional de lidar com o luto. Essa vivência reflecte-se na forma como o filme aborda a morte, não como espectáculo, mas como presença constante e incómoda. Enterrar os mortos, literal e simbolicamente, torna-se um acto de sobrevivência emocional tanto quanto física.

A escolha da protagonista revela-se decisiva. Daisy Ridley, aqui bem longe do universo galáctico que a tornou mundialmente conhecida, entrega uma interpretação intensa, contida e profundamente humana. O filme repousa quase inteiramente sobre os seus ombros, acompanhando-a de perto numa espiral de medo, exaustão e dor. Ridley afasta-se de qualquer registo heroico e constrói uma personagem frágil, determinada e credível, mostrando uma faceta da sua carreira que muitos ainda não tinham visto.

Visualmente, We Bury the Dead evita o espectáculo fácil. A Austrália surge como um espaço vasto, isolado e silencioso, onde o perigo pode surgir a qualquer momento, anunciado apenas pelo som dos dentes a ranger. A realização aposta mais na atmosfera do que na acção, criando um filme tenso, por vezes sufocante, que se infiltra lentamente na cabeça do espectador.

Zak Hilditch não esconde que não pretende regressar ao género zombie tão cedo. Para ele, este filme só fazia sentido se conseguisse acrescentar algo de novo ao imaginário já saturado do género. O resultado é uma obra que respeita as regras clássicas dos mortos-vivos, mas que brinca com as expectativas, puxando o tapete ao público quando este pensa saber exactamente o que vai acontecer.

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We Bury the Dead não quer reinventar o género, mas sim lembrar que ainda há espaço para histórias mais pequenas, mais pessoais e mais inquietantes. Um filme onde o verdadeiro horror não está apenas nos mortos que regressam, mas no peso emocional de quem fica para os enterrar.

James Woods emociona-se ao defender Rob Reiner: “Discordar não é o mesmo que odiar”

Num momento raro de consenso num clima político cada vez mais polarizado, James Woods, conhecido pelo seu apoio declarado a Donald Trump, prestou uma homenagem sentida e emocionada ao realizador Rob Reiner, recentemente assassinado, criticando duramente os comentários feitos após a sua morte. O actor não escondeu a revolta perante o que considerou observações “infuriantes” e “de mau gosto”, sublinhando que a divergência política nunca deveria justificar o ódio pessoal.

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Durante uma entrevista televisiva, Woods recordou a importância decisiva que Rob Reiner teve na sua vida profissional e pessoal. Segundo o actor, foi Reiner quem literalmente salvou a sua carreira num momento em que se encontrava praticamente afastado de Hollywood. Ao insistir na sua contratação para Ghosts of Mississippi, apesar da resistência do estúdio, Reiner permitiu-lhe não só regressar ao activo como alcançar uma nomeação para os Óscares.

Visivelmente emocionado, Woods contou que muitas vezes foi questionado sobre como conseguia manter uma amizade próxima com alguém cujas posições políticas eram diametralmente opostas às suas. A resposta, segundo ele, sempre foi simples: julgava as pessoas pela forma como o tratavam. E Rob Reiner, afirmou, esteve sempre do seu lado.

Para Woods, Reiner era um verdadeiro patriota, ainda que tivesse uma visão completamente diferente sobre a forma como esse patriotismo deveria ser vivido. Ambos amavam o mesmo país, mas percorriam caminhos distintos para lá chegar. Essa diferença nunca impediu o respeito mútuo, algo que o actor considera cada vez mais raro nos dias de hoje.

Um dos momentos mais marcantes do testemunho surgiu quando Woods recordou a posição pública de Reiner após o assassinato de Charlie Kirk. Apesar das profundas divergências ideológicas, o realizador condenou o crime sem hesitações, defendendo que a violência nunca pode ser uma resposta política. Para Woods, esse gesto revelou a integridade moral de Reiner, contrastando com a crueldade de algumas reacções públicas após a sua morte.

O actor não escondeu a dor ao falar da perda do amigo, descrevendo-se como “devastado”. Para ele, Rob Reiner não era apenas um cineasta icónico de Hollywood, mas um homem de princípios, um pensador e alguém capaz de separar convicções políticas de humanidade básica.

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A mensagem final de Woods foi clara e poderosa: viver em democracia implica aceitar a discordância sem recorrer ao ódio. Uma lição simples, mas que parece cada vez mais difícil de aplicar num mundo dominado por trincheiras ideológicas.

Jennifer Lopez brinca com o casamento com Ben Affleck durante concerto em Las Vegas

Jennifer Lopez mostrou que continua a saber rir de si própria ao subir ao palco em Las Vegas, aproveitando um momento de pausa no concerto para lançar uma farpa bem-humorada ao seu casamento terminado com Ben Affleck.

O episódio aconteceu a 30 de Dezembro, na noite de estreia da sua nova residência, Up All Night, no Colosseum Theater, no Caesars Palace. Entre músicas, a cantora e actriz decidiu falar directamente com o público, recordando a sua primeira residência em Las Vegas, Jennifer Lopez: All I Have, que arrancou em 2016. Foi aí que surgiu a piada que rapidamente se tornou viral.

“Passou num instante, não passou?”, comentou Lopez, dirigindo-se aos fãs que também tinham estado presentes nessa estreia há quase dez anos. Logo a seguir, acrescentou: “Naquela altura eu só tinha sido casada duas vezes. Quer dizer… isso não é verdade, foi só uma vez. Mas pareceu duas.” A reacção da plateia foi imediata, com gargalhadas e aplausos a ecoarem pela sala.

Apesar do tom brincalhão, a artista apressou-se a clarificar que não havia amargura nas suas palavras. “Estou a brincar! Já passou, está tudo bem. Estamos bem”, disse, sorridente. O momento ganhou ainda mais graça quando o baterista da banda marcou a piada com um golpe certeiro no bombo e nos pratos, sublinhando o espírito descontraído da conversa.

Antes de regressar à música, Jennifer Lopez deixou ainda uma nota mais pessoal e optimista, que muitos fãs interpretaram como uma mensagem de encerramento de ciclo. “A boa notícia é que estou a aprender, estou a crescer e estamos agora na nossa era feliz”, afirmou, arrancando nova ovação.

Jennifer Lopez e Ben Affleck casaram-se discretamente em Las Vegas em Julho de 2022, seguindo-se uma cerimónia mais elaborada na propriedade do actor na Geórgia. No entanto, a relação acabou por chegar ao fim, com Lopez a apresentar o pedido de divórcio em Agosto de 2024. A dissolução oficial do casamento ficou concluída em Janeiro de 2025.

Entre piadas auto-irónicas e declarações de confiança no futuro, Jennifer Lopez deixou claro que prefere encarar o passado com humor e seguir em frente — de microfone na mão e com o público do seu lado.

George Clooney Responde a Trump Após Ataque à Cidadania Francesa da Família

Actor rejeita críticas do Presidente dos EUA e diz que “a mudança começa em Novembro”

George Clooney reagiu de forma directa às declarações de Donald Trump, depois de o Presidente dos Estados Unidos ter ironizado sobre a recente atribuição de cidadania francesa ao actor, à sua mulher, Amal Clooney, e aos dois filhos do casal. A polémica surgiu dias após a confirmação oficial de que a família passou a deter passaportes franceses, na sequência de vários anos a residir no sul de França.

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Clooney, vencedor de dois Óscares e uma das figuras mais vocalmente críticas de Trump no universo de Hollywood, afirmou que concorda “inteiramente” com o Presidente quando este fala em “tornar a América grande outra vez” — acrescentando, porém, que esse processo “começa em Novembro”, numa referência directa às eleições intercalares nos Estados Unidos.

O ataque de Trump nas redes sociais

A reacção presidencial surgiu através das redes sociais, onde Trump descreveu George e Amal Clooney como “dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos”, afirmando que a França estaria “feliz por os receber”. O Presidente associou ainda a concessão de cidadania a problemas de criminalidade e imigração em França, num discurso alinhado com a retórica anti-imigração que tem marcado a sua administração.

Trump foi mais longe, desvalorizando a carreira cinematográfica do actor, afirmando que Clooney teve “poucos filmes verdadeiramente relevantes” e que a sua visibilidade pública se deveu mais à política do que ao cinema. As declarações foram amplamente interpretadas como uma resposta pessoal à postura crítica que Clooney tem mantido ao longo dos anos.

Uma decisão familiar e consciente

George Clooney tem elogiado publicamente as leis francesas de protecção da privacidade, sublinhando que estas permitiram criar os filhos longe da pressão mediática constante associada a Hollywood. O actor comprou, em 2021, uma propriedade numa antiga herdade vinícola perto de Brignoles, na região da Provença, local que descreve como aquele onde a família é “verdadeiramente feliz”.

Amal Clooney, advogada internacional especializada em direitos humanos e com dupla nacionalidade britânica e libanesa, fala fluentemente francês e mantém colaborações regulares com instituições académicas e organizações internacionais sediadas em França. O casal tem passado longos períodos no país, alternando entre a Europa e o Reino Unido.

França defende a decisão

As autoridades francesas defenderam a atribuição da cidadania, esclarecendo que o processo cumpriu todos os requisitos legais, incluindo entrevistas formais, verificações de segurança e procedimentos administrativos rigorosos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinhou que a família Clooney contribui para o prestígio cultural e a influência internacional de França, tanto através da actividade cinematográfica do actor como do trabalho jurídico de Amal Clooney.

Em 2024, cerca de 48.800 pessoas adquiriram a nacionalidade francesa por decreto, de acordo com dados oficiais do Ministério do Interior, num contexto em que as regras de naturalização se tornam mais exigentes a partir de 1 de Janeiro.

Um gesto político — e simbólico

A reacção de Clooney foi interpretada como mais do que uma simples resposta pessoal. O actor, filho de um jornalista e antigo estudante de jornalismo, tem defendido repetidamente a importância de uma imprensa livre e de instituições democráticas fortes. A sua mudança parcial para França surge, assim, como uma escolha pessoal, familiar e política.

Não é o único nome de Hollywood a manifestar esse desejo: o realizador Jim Jarmusch anunciou recentemente que também pretende obter cidadania francesa, referindo a necessidade de “um lugar para onde possa escapar dos Estados Unidos”.

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Num clima político cada vez mais polarizado, a troca de palavras entre Clooney e Trump ilustra como decisões privadas — como a cidadania — se tornaram símbolos de debates muito mais amplos sobre identidade, democracia e o futuro do espaço público.

Filha de Tommy Lee Jones Encontrada Morta em Hotel de São Francisco no Dia de Ano Novo

Victoria Jones, de 34 anos, foi encontrada sem vida no Fairmont; autoridades não suspeitam de crime, mas investigação continua

Victoria Jones, filha do actor e realizador Tommy Lee Jones, foi encontrada morta na madrugada de 1 de Janeiro num hotel de luxo em São Francisco. Tinha 34 anos. As autoridades confirmaram que responderam a uma emergência médica nas primeiras horas do dia de Ano Novo, mas a causa oficial da morte ainda não foi determinada.

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De acordo com informações prestadas pelos serviços de emergência, os paramédicos foram chamados por volta das 2h52 da manhã para o Hotel Fairmont, onde encontraram uma mulher adulta inconsciente. Apesar das tentativas de reanimação feitas por funcionários do hotel e posteriormente pelas equipas médicas, Victoria foi declarada morta no local.

Um alerta de possível overdose

Registos de emergência indicam que a ocorrência foi classificada como um “código 3”, uma designação usada para situações de possível overdose acompanhada de alteração de coloração da pele, sinal compatível com baixos níveis de oxigénio no sangue. Esta informação levou a que a hipótese de overdose seja considerada pelas autoridades, embora sublinhem que não existe, até ao momento, confirmação oficial da causa de morte.

A polícia de São Francisco assumiu a investigação, em articulação com o gabinete do médico-legista. Fontes policiais indicaram que não há suspeitas de crime nem sinais de intervenção de terceiros. No quarto não foram encontrados indícios de violência nem objectos que apontem para um acto criminoso.

Encontrada por outro hóspede

Segundo relatos recolhidos pelas autoridades, Victoria Jones terá sido encontrada no corredor do 14.º andar por um outro hóspede, que inicialmente pensou tratar-se de alguém que teria perdido os sentidos após consumir álcool. O alerta levou à intervenção imediata da equipa do hotel, que iniciou manobras de reanimação e chamou os serviços de emergência.

Apesar da rapidez da resposta, a jovem não reagiu aos procedimentos de socorro.

Um percurso discreto, marcado por dificuldades recentes

Victoria Jones era filha de Tommy Lee Jones e da sua segunda esposa, Kimberlea Cloughley, com quem o actor foi casado durante 15 anos. O casal teve também um filho, Austin Jones, actualmente com 43 anos.

Ainda jovem, Victoria fez algumas aparições no cinema e na televisão, incluindo um pequeno papel em Men in Black II, um filme protagonizado pelo pai, e uma participação em The Three Burials of Melquiades Estrada, realizado por Tommy Lee Jones. Surgiu também num episódio da série One Tree Hill em 2003. Nos últimos anos, porém, afastou-se da vida pública e da indústria do entretenimento.

Registos judiciais indicam que Victoria teve vários problemas legais recentes. Em 2025, foi detida em diferentes ocasiões na Califórnia, incluindo por posse de substâncias controladas, estar sob influência de drogas e obstrução a um agente da autoridade. Houve ainda detenções relacionadas com acusações de violência doméstica. Em todos os processos conhecidos, Victoria declarou-se inocente.

Um momento delicado para a família

Até ao momento, nem Tommy Lee Jones nem representantes do actor prestaram declarações públicas sobre a morte da filha. O hotel, o gabinete do médico-legista e as autoridades locais também optaram por não comentar para além das confirmações básicas do sucedido.

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A morte de Victoria Jones junta-se a uma lista de tragédias pessoais que, apesar de ocorrerem na esfera privada, acabam inevitavelmente por ganhar dimensão pública devido à notoriedade das figuras envolvidas. As autoridades aguardam agora os resultados da autópsia e dos exames toxicológicos para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte.

Will Smith Enfrenta Acusações Graves de Comportamento Predatório por Parte de Violinista da Sua Digressão

Músico Brian King Joseph acusa o actor e rapper de “grooming” e exploração sexual; defesa classifica alegações como “falsas e irresponsáveis”

Will Smith está a enfrentar uma das mais sérias polémicas da sua carreira. O actor e músico norte-americano foi formalmente processado por Brian King Joseph, violinista que integrou a digressão de 2025 associada ao álbum Based on a True Story. O processo, apresentado num tribunal superior da Califórnia, acusa Smith de “comportamento predatório” e de ter deliberadamente tentado preparar o músico para “exploração sexual”.

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De acordo com a queixa, Brian King Joseph terá sido contratado após subir ao palco com Will Smith pela primeira vez em Dezembro de 2024, integrando depois a digressão oficial de apoio ao novo álbum — o primeiro do artista em cerca de 20 anos. O músico alega que, desde cedo, Smith demonstrou uma atenção excessiva e pessoal, incluindo comentários que sugeriam uma ligação especial e exclusiva entre ambos.

Segundo o processo, numa dessas interacções, Will Smith terá dito a Joseph: “Tu e eu temos uma ligação especial que não tenho com mais ninguém.” Para o violinista, este tipo de abordagem fazia parte de um padrão de “grooming”, ou seja, uma tentativa gradual de criar dependência emocional com vista a um objectivo ulterior.

Um episódio inquietante em Las Vegas

O caso ganha contornos particularmente perturbadores num episódio alegadamente ocorrido em Março de 2025, durante uma data da digressão em Las Vegas. Brian King Joseph afirma que a sua mala e o cartão de acesso ao quarto de hotel desapareceram temporariamente, tendo sido devolvidos horas depois.

Nessa mesma noite, ao regressar ao quarto, o músico diz ter encontrado sinais claros de que o espaço tinha sido acedido sem autorização. Entre os objectos deixados para trás estariam toalhetes, medicação para VIH com o nome de outra pessoa e um bilhete manuscrito que dizia: “Brian, volto no máximo às 5h30, só nós <3, Stone F.”

Segundo Joseph, a situação levou-o a concluir que alguém planeava regressar ao quarto para manter relações sexuais consigo, sem o seu consentimento. O processo sublinha que apenas membros da equipa de produção e gestão da digressão teriam acesso às chaves e aos quartos dos artistas.

Denúncia, alegada retaliação e despedimento

O violinista afirma ter comunicado o incidente à segurança do hotel, aos representantes de Will Smith e às autoridades através de uma linha policial não urgente. No entanto, sustenta que, em vez de apoio, acabou por ser confrontado e humilhado por um membro da equipa de gestão do artista.

Pouco tempo depois, o seu contrato foi rescindido. O processo alega que o despedimento foi uma forma de retaliação, com a insinuação de que Joseph teria inventado ou exagerado o sucedido. Como consequência, o músico afirma sofrer actualmente de stress pós-traumático, além de prejuízos económicos significativos.

Para além de Will Smith, o processo inclui também a empresa Treyball Studios Management, apontando práticas de despedimento ilícito e represálias.

Defesa nega todas as acusações

Em resposta, o advogado de Will Smith, Allen B. Grodsky, rejeitou de forma categórica todas as alegações. Em comunicado, afirmou que as acusações são “falsas, infundadas e irresponsáveis”, garantindo que serão utilizados “todos os meios legais disponíveis” para defender o artista e esclarecer os factos.

Até ao momento, Will Smith não prestou declarações directas sobre o caso.

Um contexto já delicado

Estas acusações surgem numa fase particularmente sensível da carreira do actor. Based on a True Story, álbum lançado em 2025, marcou o regresso musical de Will Smith após duas décadas, abordando de forma directa episódios controversos do seu passado recente, incluindo o ataque a Chris Rock na cerimónia dos Óscares de 2022.

O disco revelou-se um fracasso comercial, não entrando nos principais tops internacionais e registando apenas uma passagem discreta por tabelas secundárias. A recepção crítica foi igualmente negativa, com várias análises a apontarem falta de identidade artística e excesso de autojustificação.

Um caso com potencial impacto duradouro

Embora o processo esteja ainda numa fase inicial e as acusações sejam veementemente negadas pela defesa, o caso coloca novamente Will Smith sob um intenso escrutínio público. Dependendo da evolução judicial, estas alegações poderão ter consequências profundas não só na sua carreira artística, mas também na percepção pública de uma figura que durante décadas foi associada a uma imagem de carisma e respeitabilidade.

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Por agora, trata-se de um confronto entre versões opostas — um músico que afirma ter sido vítima de abuso e um dos nomes mais conhecidos de Hollywood que garante estar a ser alvo de acusações sem fundamento. O desfecho caberá aos tribunais.

Morreu Isiah Whitlock Jr., actor de The Wire, Veep e filmes de Spike Lee, aos 71 anos

Uma presença inconfundível na televisão e no cinema norte-americano

Isiah Whitlock Jr., actor norte-americano conhecido pelos seus papéis memoráveis em The WireVeep e em vários filmes realizados por Spike Lee, morreu esta terça-feira em Nova Iorque, aos 71 anos, após uma doença de curta duração. A informação foi confirmada pelo seu agente.

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Whitlock tornou-se um rosto absolutamente marcante da televisão graças à interpretação de Clay Davis, senador estadual corrupto e carismático em The Wire. Ao longo de 25 episódios, espalhados pelas cinco temporadas da série, o actor construiu uma personagem que rapidamente se tornou favorita do público — tanto pela sua ambiguidade moral como pelo célebre bordão “sheee-it”, dito com uma musicalidade impossível de esquecer.

Clay Davis: corrupção, humor e humanidade

Clay Davis não era apenas mais um político corrupto no universo sombrio de The Wire. Nas mãos de Whitlock, tornou-se uma figura paradoxalmente humana, capaz de gerar repulsa e empatia em igual medida. O bordão que o imortalizou surgiu, curiosamente, antes da série: Whitlock já o tinha usado no seu primeiro filme com Spike Lee, 25th Hour, gesto que acabaria por se tornar assinatura.

A personagem sintetizava uma das grandes virtudes do actor: a capacidade de equilibrar drama e comédia, mesmo nos contextos mais duros. Esse talento atravessou toda a sua carreira.

Uma relação artística duradoura com Spike Lee

A ligação entre Isiah Whitlock Jr. e Spike Lee foi profunda e duradoura. Para além de 25th Hour, o actor participou em mais quatro filmes do realizador: She Hate MeRed Hook SummerChi-RaqBlacKkKlansman e Da 5 Bloods.

Spike Lee reagiu à morte do actor com palavras carregadas de emoção, descrevendo-o como “uma alma bela” e alguém cuja presença fazia todos sentirem-se melhor. Recordou, em particular, o tempo passado com Whitlock durante as filmagens de Da 5 Bloods, na Tailândia, e sublinhou que, para lá do talento como actor, o que mais se destacava era a sua humanidade.

“Se estivesses perto dele, sentias isso imediatamente. Ele irradiava”, afirmou Lee, acrescentando que a sua natureza era genuinamente cómica, dentro e fora do ecrã.

De The Wire a Veep

Depois do impacto de The Wire, Whitlock voltou a destacar-se noutra produção da HBO, a sátira política Veep. Durante três temporadas, interpretou George Maddox, Secretário da Defesa e rival político da personagem de Julia Louis-Dreyfus nas primárias presidenciais. Mais uma vez, mostrou um domínio notável do timing cómico, sem nunca perder credibilidade dramática.

Com a sua voz grave, presença física sólida e expressividade controlada, Whitlock era frequentemente escolhido para papéis de autoridade — políticos, detectives, figuras institucionais — mas conseguia sempre acrescentar camadas inesperadas às personagens.

Um percurso construído longe dos holofotes fáceis

Natural de South Bend, Indiana, Isiah Whitlock Jr. estudou teatro na universidade enquanto jogava futebol americano. Lesões acabariam por o afastar do desporto, empurrando-o definitivamente para a representação. Mudou-se para São Francisco, onde trabalhou em teatro, antes de começar a surgir em pequenos papéis televisivos no final dos anos 80.

Teve participações breves em filmes como Goodfellas e Gremlins 2, mas foi a partir dos anos 2000 que a sua carreira ganhou verdadeira projecção. Nunca se tornou uma estrela no sentido tradicional, mas construiu algo talvez mais raro: uma reputação de actor sólido, respeitado e inesquecível.

Uma perda sentida por colegas e fãs

Isiah Whitlock Jr. é a segunda figura relevante de The Wire a morrer nas últimas semanas, reforçando o sentimento de perda entre fãs da série e da televisão de qualidade que ela representou.

O criador de The Wire, David Simon, descreveu-o como “um grande actor, mas um espírito ainda maior”, acrescentando que era “o maior cavalheiro” com quem trabalhou.

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A sua filmografia pode não ser extensa em termos de protagonismo, mas é rica em personagens que permanecem na memória colectiva. E isso, para um actor, é talvez a forma mais duradoura de imortalidade.

Filme da Marvel Realizado por Jordan Peele Sofre Travão Inesperado

Rumores ganham força… mas a realidade é bem mais fria

Durante meses, o nome de Jordan Peele tem surgido de forma insistente associado ao Universo Cinematográfico da Marvel. Para muitos fãs, a ideia de ver o realizador de Get Out a dar o seu toque autoral a um filme de super-heróis parecia apenas uma questão de tempo. No entanto, uma actualização recente veio deitar água fria a esse entusiasmo.

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Apesar do burburinho nas redes sociais e de especulações que apontavam para títulos como BladeMidnight Sons ou até um eventual Doctor Strange 3, tudo indica que não existe, neste momento, qualquer filme da Marvel em desenvolvimento com Jordan Peele na cadeira de realizador.

Reuniões existiram, mas sem compromissos

Segundo informações avançadas por fontes próximas da indústria, Jordan Peele chegou efectivamente a reunir-se com a Marvel Studios. No entanto, essas conversas são descritas como parte do funcionamento normal de Hollywood, mais exploratórias do que vinculativas. Em termos práticos, não há planos concretos nem um projecto atribuído ao realizador dentro do MCU.

Esta distinção é importante, sobretudo numa era em que reuniões preliminares são frequentemente interpretadas como confirmações encapotadas. No caso de Peele, o cenário parece ser bem mais simples: interesse mútuo, sim; compromisso artístico imediato, não.

Marvel continua interessada, mas Peele segue outro caminho

Curiosamente, o interesse não desapareceu do lado da Marvel. Fontes ligadas ao estúdio admitem que Jordan Peele continua a ser visto como um nome desejável para o MCU, precisamente pela sua capacidade de reinventar géneros e introduzir subtexto social em narrativas populares.

Esse interesse voltou a ganhar força quando a produtora do realizador, Monkeypaw Productions, reagiu de forma enigmática a um rumor recente, limitando-se a publicar um emoji de olhos atentos. O gesto foi suficiente para incendiar teorias entre fãs, embora, na prática, não confirme rigorosamente nada.

Um autor ocupado… e focado no seu cinema

O principal obstáculo a um eventual filme da Marvel parece ser o próprio calendário de Peele. O realizador encontra-se totalmente concentrado no seu próximo projecto original, ainda envolto em grande secretismo. De acordo com informações recentes, esse novo filme poderá estar pronto apenas em 2027, o que afasta qualquer colaboração a curto prazo com grandes franquias.

Desde que se estreou como realizador com Get Out em 2017, Jordan Peele construiu uma filmografia curta, mas extremamente influente. Seguiram-se Us (2019) e Nope (2022), três filmes muito diferentes entre si, mas unidos por uma assinatura autoral forte e uma recusa clara em trabalhar dentro de fórmulas previsíveis.

Um encontro que pode acontecer… mais tarde

Para já, a ideia de Jordan Peele no MCU permanece no domínio do “e se”. Não está cancelada, mas também não está em andamento. Num momento em que a Marvel tenta redefinir prioridades e reencontrar o equilíbrio criativo após anos de sobreprodução, talvez faça sentido que um realizador como Peele não seja apressado para dentro de uma máquina industrial.

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Se esse encontro acontecer, tudo indica que será nos termos de Peele, e não como resposta a uma vaga de rumores. Até lá, o realizador continua a fazer aquilo que melhor sabe: cinema original, inquietante e profundamente pessoal.

Mel Gibson e Rosalind Ross Separam-se Após Nove Anos de Relação

O casal confirma a ruptura, mantém relação cordial e aposta na co-parentalidade

Mel Gibson e Rosalind Ross decidiram seguir caminhos separados após nove anos de relação. A confirmação foi feita através de um comunicado conjunto divulgado esta semana, no qual o casal esclarece que a separação ocorreu há cerca de um ano, tendo optado por manter a decisão fora do espaço público até agora.

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Na mesma declaração, ambos sublinham que continuarão a co-criar o filho em comum, Lars, actualmente com oito anos. “Embora seja triste encerrar este capítulo das nossas vidas, somos abençoados com um filho maravilhoso e continuaremos a ser os melhores pais possíveis”, pode ler-se na nota partilhada.

Uma relação marcada pela discrição

Mel Gibson, de 69 anos, e Rosalind Ross, de 35, começaram a namorar em 2014. Ao longo da década que se seguiu, mantiveram uma postura reservada, evitando a exposição mediática excessiva e raramente comentando a relação em público. Nunca chegaram a casar, uma opção que sempre trataram com naturalidade, privilegiando a estabilidade familiar e a vida privada.

Ross, realizadora e antiga atleta de equitação acrobática, desenvolveu o seu percurso no cinema enquanto acompanhava a carreira de Gibson, sobretudo nos seus projectos como realizador e produtor. A diferença de idades foi frequentemente mencionada pela imprensa, mas nunca explorada pelo casal, que optou por manter o foco na família.

A família alargada de Mel Gibson

Mel Gibson é pai de nove filhos. Teve sete filhos com Robyn Moore, com quem foi casado entre 1980 e 2011, e é ainda pai de uma filha de 16 anos, fruto de uma relação posterior. O nascimento de Lars marcou uma fase mais discreta da vida pessoal do actor, centrada na família e longe de grandes exposições públicas.

Segundo informações próximas do casal, a separação não alterou significativamente a dinâmica familiar, mantendo-se uma relação cordial e focada no bem-estar da criança.

Uma carreira longa e influente

No plano profissional, Mel Gibson continua a ser uma figura incontornável de Hollywood, com uma carreira que atravessa várias décadas como actor, realizador e produtor. Tornou-se conhecido mundialmente com franquias como Mad Max e Lethal Weapon, e consolidou o seu estatuto atrás das câmaras com filmes como Braveheart, que lhe valeu os Óscares de Melhor Filme e Melhor Realização em 1996.

Apesar das polémicas que marcaram determinados períodos da sua carreira, Gibson manteve uma presença regular na indústria cinematográfica, alternando projectos de acção com trabalhos de realização.

Um desfecho sem dramatização pública

Ao optar por tornar pública a separação apenas agora, um ano depois de consumada, Mel Gibson e Rosalind Ross procuraram proteger a vida familiar e evitar o ruído mediático. A mensagem transmitida é clara: o fim da relação não se traduz num conflito público, mas numa reorganização pessoal assumida com maturidade.

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Num universo mediático onde separações de figuras públicas são frequentemente acompanhadas por disputas e declarações cruzadas, o tom adoptado pelo casal destaca-se pela sobriedade — e pela ênfase no que ambos consideram essencial.

“Go F%&k Yourself”: George Clooney Dá Uma Lição Pública à CBS e à ABC Sobre Como Enfrentar Trump

Três palavras, uma herança jornalística e um alerta sério sobre o futuro da imprensa

George Clooney não é conhecido por escolher palavras mansas quando acredita que algo essencial está em risco. Desta vez, o alvo foram duas das maiores redes televisivas norte-americanas — CBS e ABC — acusadas pelo actor de se vergarem a Donald Trump ao aceitarem acordos judiciais que, na sua leitura, nunca deveriam ter sido feitos.

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Numa entrevista recente, Clooney afirmou ter ficado “furioso” com a decisão das duas estações de resolverem processos movidos pelo presidente sem os levarem até às últimas consequências. Para o actor, bastariam três palavras para mudar o rumo das coisas: uma recusa frontal, inequívoca, que teria evitado o precedente perigoso que hoje pesa sobre o jornalismo norte-americano.

Quando o medo substitui a coragem

O caso da CBS é particularmente sensível. A empresa-mãe da estação optou por encerrar um processo movido contra o histórico programa 60 Minutes numa altura em que precisava da aprovação da Administração Trump para avançar com uma fusão empresarial. Já a ABC seguiu caminho semelhante ao aceitar um acordo num processo de difamação interposto pelo presidente.

Para Clooney, estas decisões não são apenas estratégicas — são sintomáticas de um recuo moral. Segundo ele, se as redes tivessem enfrentado Trump em tribunal, o país não estaria hoje num ponto tão frágil em termos democráticos. A frase é dura, mas reflecte uma convicção profunda: ceder ao poder por conveniência abre caminho à erosão das instituições.

Edward R. Murrow como bússola moral

As palavras de Clooney ganham peso adicional quando se olha para o contexto. Recentemente, o actor interpretou o lendário jornalista Edward R. Murrow numa adaptação teatral de Good Night, and Good Luck, obra que revisita o confronto histórico entre Murrow e o senador Joseph McCarthy durante a caça às bruxas anticomunista dos anos 50.

Murrow tornou-se símbolo de um jornalismo que não recuava perante o poder político. Para Clooney, essa herança está hoje em risco. O actor manifestou preocupação com o que descreve como uma deriva ideológica dentro da CBS News, alertando para decisões editoriais recentes que, no seu entender, enfraquecem a missão informativa da estação.

“Como vamos distinguir a realidade?”

Mais do que uma crítica a decisões concretas, Clooney levanta uma questão estrutural: como pode uma sociedade funcionar sem uma imprensa forte, independente e disposta a enfrentar o poder? O actor teme que a normalização destes recuos transforme o jornalismo num exercício condicionado por interesses políticos e empresariais.

Para alguém que cresceu num ambiente profundamente ligado à comunicação social — Clooney estudou jornalismo e é filho de um jornalista — a degradação do papel da imprensa não é um tema abstracto. É uma ameaça directa à capacidade colectiva de distinguir factos de propaganda.

Desistir não é opção

Apesar do tom crítico, Clooney evita o derrotismo. Reconhece que o momento é difícil e emocionalmente desgastante, mas insiste que a resposta não pode ser o abandono do campo. Tal como Murrow fez no seu tempo, defende que é preciso avançar, mesmo quando o custo é alto.

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A mensagem final é clara: a democracia não se protege com acordos silenciosos, protege-se com confronto, clareza e coragem. E, às vezes, com três palavras bem escolhidas.

Anthony Hopkins Celebra 50 Anos de Sobriedade e Deixa um Apelo Simples: “Escolham a Vida”

Uma mensagem de lucidez, gratidão e esperança vinda de um dos maiores actores vivos

Anthony Hopkins assinalou 50 anos de sobriedade com uma mensagem pública rara pela sua frontalidade e humanidade. Aos quase 88 anos, o actor galês — duas vezes vencedor do Óscar e unanimemente considerado um dos maiores intérpretes da história do cinema — aproveitou o momento para deixar um conselho directo a quem luta contra a dependência: “escolham a vida”.

A data não é simbólica por acaso. Foi a 29 de Dezembro de 1975 que Hopkins percebeu que estava à beira do fim. Depois de conduzir em estado de blackout alcoólico e de escapar por pouco à morte, o actor reconheceu que precisava de ajuda. “Foi aí que tudo acabou”, diz agora, meio século depois, numa mensagem partilhada nas redes sociais.

Não há moralismos nem dramatizações excessivas. Apenas a constatação serena de alguém que sobreviveu — e que sabe que poderia não ter sobrevivido.

“Estava a divertir-me demais”: o momento de ruptura

Na sua mensagem, Hopkins recorda o instante em que deixou de relativizar o problema. O que durante anos foi encarado como excesso, boémia ou excentricidade artística tinha um nome simples: alcoolismo. Reconhecer isso foi o primeiro passo.

O actor já tinha falado abertamente sobre esta fase da sua vida em ocasiões anteriores. Em 2018, perante estudantes universitários na Califórnia, descreveu-se como “difícil de trabalhar” no início da carreira teatral, frequentemente ressacado e emocionalmente instável. Disse mesmo que era “repugnante, quebrado e não digno de confiança” enquanto bebia.

A viragem aconteceu depois de falar com uma mulher ligada aos Alcoólicos Anónimos. Desde então, vive segundo um princípio simples, repetido agora com a tranquilidade de quem o pratica há décadas: um dia de cada vez.

Longevidade, clareza e uma carreira sem paralelo

Aos quase 88 anos — que completa esta semana — Hopkins olha para trás sem romantizar o sofrimento, mas também sem esconder o orgulho pela escolha feita. “Talvez tenha feito alguma coisa certa”, diz, com humor seco. A prova está não apenas na longevidade, mas na extraordinária fase tardia da sua carreira.

Depois de se tornar um ícone absoluto com The Silence of the Lambs, onde deu vida a Hannibal Lecter — papel que lhe valeu o Óscar de Melhor Actor em 1992 —, Hopkins recusou acomodar-se. Regressou à personagem em Hannibal e Red Dragon, mas foi muito além disso.

Em 2020, venceu o segundo Óscar da carreira com The Father, num retrato devastador da demência, contracenando com Olivia Colman. Um desempenho de uma precisão emocional raríssima, que muitos consideram o auge de uma carreira que parecia já não ter picos por atingir.

Uma mensagem para além do cinema

Apesar da dimensão artística, a mensagem agora partilhada não tem nada de performativo. Hopkins não fala como estrela, mas como sobrevivente. A sua voz é calma, quase íntima, e dirige-se directamente a quem “tem um pequeno problema com beber demais”.

O tom é claro: não é preciso estar no fundo absoluto para pedir ajuda. A vida, garante, é muito melhor do outro lado.

📽️ Mensagem de Anthony Hopkins — Transcrição e Tradução (vídeo)

“Há 50 anos, neste exacto dia, eu recebi ajuda. E isso foi o fim.

Sem querer estragar a festa, só vos desejo isto: escolham a vida, em vez do contrário.

Percebi que me estava a divertir demais. Chamava-se alcoolismo.

Por isso, se alguém aí fora sente que está a exagerar um bocadinho, vejam isso com atenção — porque a vida é muito melhor.

Parabéns a todos os que estão em recuperação, um dia de cada vez.

Eu vou fazer 88 anos daqui a dois dias, por isso talvez tenha feito alguma coisa certa.

Feliz Ano Novo — e uma vida feliz, feliz.”

Num tempo em que a longevidade é frequentemente associada apenas a genética ou sorte, Anthony Hopkins lembra algo mais simples — e mais difícil: escolher viver conscientemente. Uma mensagem curta, mas poderosa, vinda de alguém que conhece bem os dois lados do abismo.

Artistas Cancelam Actuações no Kennedy Center Após Trump Acrescentar o Seu Nome à Instituição

Música, dança e política colidem numa das maiores casas culturais dos Estados Unidos

A decisão de acrescentar o nome de Donald Trump ao Kennedy Center for the Performing Arts continua a provocar ondas de choque no meio artístico norte-americano. Nos últimos dias, mais músicos e companhias de dança cancelaram actuações já programadas, numa reacção directa à reconfiguração política e simbólica de uma das instituições culturais mais emblemáticas dos Estados Unidos.

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Entre os mais recentes cancelamentos está o colectivo de jazz The Cookers, que anunciou que não irá actuar na noite de Passagem de Ano. Embora a banda não tenha mencionado explicitamente a alteração do nome do espaço no seu comunicado oficial, a mensagem deixou pouco espaço para dúvidas quanto ao contexto da decisão. Para o grupo, o jazz nasce da luta e da exigência de liberdade — de pensamento, de expressão e de presença plena — valores que, segundo os músicos, já não sentem poder ser celebrados naquele espaço.

Quando a arte se recusa a entrar em palco

Billy Hart, baterista do grupo, foi mais directo ao afirmar que a mudança de nome “evidentemente” pesou na decisão. A posição dos The Cookers sublinha uma ideia recorrente nas reacções mais recentes: não se trata de um boicote ao público, mas de uma recusa simbólica em legitimar um gesto visto como politicamente abusivo.

Pouco depois, também a companhia Doug Varone and Dancers anunciou o cancelamento de actuações previstas para Abril. Num comunicado público, o grupo explicou que, apesar de discordar da intervenção da Administração Trump na gestão do Kennedy Center, ainda tinha considerado cumprir o compromisso artístico por respeito aos curadores e ao público. Esse equilíbrio quebrou-se, segundo a companhia, no momento em que Donald Trump decidiu renomear a instituição com o seu próprio nome.

Para os bailarinos, esse gesto ultrapassou uma linha simbólica: o Kennedy Center foi criado para honrar John F. Kennedy, um presidente que via as artes como parte essencial da identidade nacional e da diplomacia cultural. Transformar esse legado num monumento pessoal foi, para muitos artistas, inaceitável.

Uma mudança contestada… até legalmente

A controvérsia ganha ainda mais peso por existir um argumento jurídico sólido contra a alteração. O Kennedy Center foi oficialmente designado com esse nome através de um acto do Congresso em 1964, o que levanta dúvidas sobre a legalidade de qualquer mudança sem nova legislação.

Essa questão já chegou aos tribunais. Uma deputada democrata apresentou uma acção judicial para remover o nome de Trump da instituição, defendendo que apenas o Congresso tem autoridade para alterar oficialmente a designação do espaço. O processo decorre, mas a decisão política já produziu efeitos reais: palcos vazios e agendas a desfazer-se.

Um efeito dominó no meio artístico

Antes destes cancelamentos, outros artistas já tinham recuado. Um músico cancelou um concerto de Natal, o que levou o presidente do Kennedy Center a ameaçar com um processo judicial. Outra intérprete cancelou uma actuação prevista para Janeiro. A tendência parece clara: quanto mais explícita se torna a apropriação política da instituição, mais artistas optam por se afastar.

A resposta oficial não tardou. O presidente do Kennedy Center acusou os artistas de serem “activistas políticos” escolhidos por uma anterior liderança “radical”, defendendo que a arte deve ser para todos, independentemente das crenças políticas. Para ele, boicotar actuações em nome da defesa da cultura é uma contradição.

Um novo equilíbrio de poder

A tensão actual não surgiu do nada. Após regressar à presidência, Donald Trump afastou membros do conselho nomeados por administrações democratas anteriores, alterando profundamente o equilíbrio interno da instituição. Com aliados a dominarem o conselho, Trump foi nomeado presidente do Kennedy Center — um gesto sem precedentes que transformou uma casa cultural num campo de batalha ideológico.

O resultado é uma fractura visível entre administração e comunidade artística. Para muitos criadores, a questão já não é apenas política, mas existencial: que significado tem actuar num espaço cultural que passou a ser um símbolo de poder pessoal?

Quando a arte diz “não”

O que está a acontecer no Kennedy Center é mais do que uma polémica momentânea. É um exemplo claro de como decisões simbólicas podem ter consequências práticas e imediatas. Os artistas não estão apenas a reagir a um nome numa fachada — estão a reagir à percepção de que a arte está a ser instrumentalizada.

Num país onde a cultura sempre teve um papel central no debate público, este conflito deixa uma pergunta em aberto: até que ponto uma instituição artística pode sobreviver quando deixa de ser vista como espaço neutro de criação e passa a ser palco de afirmação política?

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Para já, a resposta chega em silêncio — o silêncio de concertos cancelados e palcos vazios.

George e Amal Clooney Tornam-se Cidadãos Franceses — E As Razões Dizem Muito Sobre o Nosso Tempo

Privacidade, Europa e uma escolha que vai além do glamour

George Clooney e a sua mulher, Amal Clooney, passaram a ser oficialmente cidadãos franceses. A notícia, confirmada através de um decreto oficial, vem dar corpo a algo que o casal já vinha a deixar no ar nas últimas semanas: a França não é apenas um refúgio ocasional, mas um verdadeiro porto de abrigo para a sua vida familiar.

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Longe de ser uma decisão meramente simbólica ou fiscal, a escolha revela uma prioridade clara: privacidade. Num tempo em que a exposição mediática parece inevitável, sobretudo para figuras públicas de dimensão global, Clooney foi directo ao ponto ao elogiar as leis francesas de protecção da vida privada, sublinhando que, em França, os filhos não são perseguidos por fotógrafos à porta da escola. Para o actor, essa diferença é decisiva.

Uma relação antiga com França

A ligação dos Clooney a França não é recente. Há cerca de quatro anos, o casal adquiriu uma propriedade no sul do país, numa antiga herdade vinícola, onde passa longos períodos do ano. Amal Clooney, advogada de direitos humanos com carreira internacional, fala fluentemente francês, o que facilitou naturalmente a integração.

Embora George Clooney brinque com o facto de continuar “péssimo” na língua, apesar de centenas de dias de aulas, a escolha da cidadania francesa parece mais ligada a valores do que a fluência linguística. Trata-se de uma opção de vida, enraizada numa Europa onde o casal já divide o tempo entre França, Itália e Reino Unido.

Europa como espaço de pertença

Amal Clooney, de origem britânica e libanesa, sempre teve uma forte ligação ao continente europeu, tanto a nível profissional como pessoal. O casal mantém residência no Lago Como, em Itália, e no Reino Unido, reforçando uma identidade claramente transnacional, longe de uma visão exclusivamente americana.

Esta decisão surge também num contexto em que várias figuras públicas norte-americanas têm vindo a reforçar laços com a Europa, seja por razões culturais, políticas ou sociais. No caso dos Clooney, a mensagem é clara: há países onde a fama não se sobrepõe ao direito a uma vida normal.

Clooney continua activo no cinema europeu

Apesar da mudança de estatuto civil, George Clooney não abranda o ritmo profissional. Entre os seus próximos projectos está o muito aguardado filme derivado de Call My Agent!, produção da Netflix que junta várias estrelas internacionais numa versão cinematográfica da popular série francesa.

Além disso, o actor esteve recentemente em digressão promocional de Jay Kelly, um filme realizado por Noah Baumbach e co-escrito por Emily Mortimer, onde interpreta um actor famoso a viajar pela Europa enquanto reflecte sobre escolhas pessoais e profissionais. Um enredo que, curiosamente, parece dialogar com a fase de vida que Clooney atravessa.

Uma decisão que diz mais do que parece

Mais do que uma curiosidade sobre celebridades, a cidadania francesa de George e Amal Clooney funciona como um pequeno retrato do mundo actual. Num cenário de hiper-exposição, redes sociais omnipresentes e perseguição constante da imagem pública, a escolha de um país onde a privacidade é levada a sério torna-se, por si só, uma declaração.

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Para Clooney, duas vezes vencedor do Óscar e uma das figuras mais reconhecidas do cinema contemporâneo, a prioridade parece clara: menos flashes, mais normalidade. Mesmo que isso implique trocar Hollywood por vinhas francesas — e continuar a tropeçar na gramática.

David Spade Viveu 25 Anos Convencido de Que Eddie Murphy o Detestava — Tudo por Causa de Uma Piada

Uma história de humor, insegurança e um mal-entendido que durou décadas

No mundo da comédia, as piadas raramente ficam confinadas ao momento em que são ditas. Às vezes, ecoam durante anos — ou, neste caso, durante um quarto de século. David Spade revelou recentemente que passou 25 anos convencido de que Eddie Murphy o odiava, tudo por causa de uma piada feita no seu primeiro segmento do Weekend Update no Saturday Night Live.

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A piada em causa tinha como alvo A Vampire in Brooklyn, filme protagonizado por Eddie Murphy nos anos 90, que não teve a recepção mais calorosa por parte da crítica nem do público. Spade, ainda no início da sua carreira televisiva, usou o fracasso do filme como material humorístico. O problema? A piada não caiu nada bem — pelo menos na cabeça de quem a contou.

Uma estreia nervosa… e uma culpa prolongada

Para David Spade, aquele momento marcou mais do que devia. Segundo o próprio, ficou convencido de que Eddie Murphy levara a piada a peito e que isso lhe fechara portas em Hollywood. Durante anos, Spade acreditou que tinha cometido um erro imperdoável, sobretudo porque Murphy não era apenas uma estrela: era uma instituição da comédia americana.

A situação tornou-se quase absurda com o passar do tempo. Spade admitiu que passou décadas a tentar compensar aquele momento, à espera de uma oportunidade para pedir desculpa ou, pelo menos, esclarecer o mal-entendido. Tudo isto sem nunca ter tido uma confirmação real de que Murphy estivesse, de facto, ofendido.

A realidade? Nem tudo era tão dramático

O mais curioso desta história é que, segundo relatos posteriores, Eddie Murphy nunca levou a situação tão a sérioquanto Spade imaginava. O peso do episódio existiu quase exclusivamente na cabeça de quem fez a piada. Um clássico caso de ansiedade profissional transformado numa narrativa interna de culpa prolongada.

A revelação diz muito sobre o lado menos visível da comédia: por trás do sarcasmo e da confiança em palco, muitos humoristas carregam inseguranças profundas. Especialmente quando se trata de brincar com figuras maiores do que a própria carreira.

Um lembrete de como Hollywood também é humana

Este episódio encaixa perfeitamente numa semana recheada de pequenas histórias curiosas do universo das celebridades — algumas ternurentas, outras bizarras, outras simplesmente reveladoras. Entre homenagens emocionais, momentos inesperadamente fofos e notícias que confirmam aquilo que todos já suspeitavam, há um fio condutor claro: por trás da fama, continuam a existir pessoas a lidar com culpa, medo, alegria e mal-entendidos como qualquer outra.

No caso de David Spade, a história serve quase como uma fábula moderna sobre como uma piada pode viver demasiado tempo na cabeça de quem a conta — mesmo quando o alvo já seguiu em frente há muito.

No fim, só uma boa anedota… mal digerida

Vinte e cinco anos depois, a revelação transforma-se, ironicamente, numa excelente anedota. Uma história sobre comédia, egos, ansiedade e a tendência humana para dramatizar situações que, vistas de fora, nunca tiveram a gravidade imaginada.

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E talvez seja esse o verdadeiro punchline: às vezes, o maior crítico não é o colega famoso que fizemos alvo de uma piada… somos nós próprios.

Gary Oldman e O Quinto Elemento: Porque o Actor Nunca Gostou Verdadeiramente do Seu Vilão Mais Icónico

Um clássico dos anos 90… que o próprio protagonista preferia esquecer

Para muitos espectadores, sobretudo os que cresceram nos anos 90, O Quinto Elemento é um daqueles filmes impossíveis de confundir com outro qualquer. Colorido, excessivo, delirante e assumidamente estranho, tornou-se um clássico do cinema de ficção científica. No centro desse delírio está Zorg, o vilão interpretado por Gary Oldman — uma personagem tão exagerada que parece saída de um desenho animado futurista. Mas aquilo que muitos fãs talvez não saibam é que Oldman passou largos anos a não conseguir sequer suportar o filme.

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Apesar de uma carreira recheada de papéis aclamados, de heróis contidos a figuras históricas transformadas em prémios da Academia, Zorg continua a ser uma das personagens mais reconhecíveis do actor. E, paradoxalmente, uma das menos queridas por quem a interpretou.

Um papel feito em esforço… literal e figurado

Na altura das filmagens de O Quinto Elemento, Gary Oldman estava profundamente envolvido noutro projecto pessoal e exigente: a realização do seu primeiro filme. Para aceitar o convite, teve de interromper esse trabalho durante várias semanas, submeter-se a uma transformação física radical e entrar num universo visual que lhe era tudo menos confortável.

Cabeça rapada, próteses dentárias, cicatriz, perna a coxear, camadas de borracha e um guarda-roupa tão icónico quanto incómodo — tudo isto contribuiu para uma experiência que o actor descreveu, anos mais tarde, com pouco carinho. Embora reconhecesse o lado simbólico da história, centrada no eterno conflito entre o bem e o mal, Oldman nunca conseguiu ver o filme com o distanciamento necessário para o apreciar.

Durante muito tempo, quando questionado sobre O Quinto Elemento, a reacção era imediata e pouco diplomática: não conseguia vê-lo.

Um favor entre amigos, não uma escolha artística

A razão principal para Oldman aceitar o papel de Zorg não foi o argumento, nem o fascínio pela personagem, mas um sentimento de obrigação. O realizador do filme tinha ajudado a viabilizar financeiramente o projecto pessoal de Oldman, e o actor sentiu que devia retribuir.

O convite foi directo e pragmático. Não houve grande análise de guião, nem reflexão profunda sobre a personagem. Foi, essencialmente, um favor entre amigos. Isso ajuda a explicar porque é que, apesar da energia quase insana que imprime a Zorg, Oldman nunca sentiu que aquele papel lhe pertencesse verdadeiramente.

O contraste é curioso: para o público, a interpretação é memorável, quase camp, cheia de tiques e excessos deliciosos. Para o actor, é uma recordação associada a desconforto físico, interrupções criativas e uma estética que lhe provoca uma reacção visceral.

O tempo suaviza tudo… até Zorg

Com quase três décadas de distância, a relação de Gary Oldman com O Quinto Elemento mudou — ainda que de forma muito moderada. Hoje, já não rejeita completamente o filme. Consegue vê-lo, sobretudo quando alguém próximo insiste que talvez não seja assim tão mau.

O próprio actor reconhece que a sua avaliação está “contaminada” pela experiência pessoal. Para quem esteve dentro do fato de borracha, da maquilhagem e do processo, é difícil ver o resultado final como um simples espectador. Onde o público vê diversão, ele revê sensações físicas, ambientes de bastidores e decisões estéticas que lhe causam desconforto.

Curiosamente, nem sequer foi o único no elenco a sofrer com o guarda-roupa. O protagonista masculino também detestava parte do figurino, embora isso nunca tenha impedido o filme de se tornar um sucesso duradouro.

Um clássico que sobrevive apesar do seu criador relutante

Gary Oldman continua a ser um crítico feroz do seu próprio trabalho, e O Quinto Elemento não é caso único. Há outros filmes seus que o público adora e que ele prefere não revisitar. Ainda assim, o tempo parece ter feito o seu trabalho: hoje, o actor já não foge do filme, mesmo que nunca venha a adorá-lo.

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E talvez isso seja suficiente. Afinal, nem todos os clássicos precisam do amor dos seus intérpretes para sobreviver. Alguns ganham vida própria — e Zorg, goste ou não Gary Oldman, é um deles.

Comprou domínios só para gozar com Trump — e agora a piada tornou-se realidade no coração cultural de Washington


Há sátiras que envelhecem mal. Outras envelhecem tão bem que acabam por parecer profecias. É precisamente neste segundo grupo que entra a história, deliciosamente absurda, protagonizada por Toby Morton, argumentista de South Park, que decidiu comprar — meses antes de qualquer anúncio oficial — os domínios trumpkennedycenter.com e trumpkennedycenter.org. Não para lançar um negócio, nem para fazer dinheiro rápido, mas apenas para uma coisa: trollar Donald Trump.

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O mais notável é que, desta vez, a realidade não só acompanhou a piada como a ultrapassou. Em Agosto, quando Trump começou a mexer discretamente na estrutura de poder do Kennedy Center, Morton teve um pressentimento. Segundo contou mais tarde, percebeu rapidamente que aquilo não era apenas uma remodelação administrativa: era branding pessoal em marcha lenta. Comprou os domínios e ficou à espera.

Meses depois, Trump foi eleito presidente do conselho da instituição cultural mais emblemática de Washington. Seguiram-se declarações sobre o fim de produções “woke”, a substituição de membros do conselho e, por fim, a decisão que confirmou o palpite do argumentista: o edifício passaria a chamar-se Trump Kennedy Center. A sátira deixou de ser hipótese e passou a ser comentário político em tempo real.

Morton não revelou ainda o que planeia fazer com os domínios, mas deixou claro que não serão usados de forma neutra. Pelo contrário, prometeu que o conteúdo “vai reflectir a absurdidade do momento” e admitiu que há situações tão caricatas que se tornam difíceis de parodiar. Quando uma instituição criada para celebrar cultura, memória e legado passa a funcionar como extensão do ego de um político, a comédia quase se escreve sozinha.

O episódio encaixa perfeitamente num ano em que South Park voltou a afirmar-se como uma das poucas vozes satíricas verdadeiramente incómodas para o poder. Enquanto programas de comentário político parecem cada vez mais condicionados, a série animada continua a atacar sem pedir licença — e, talvez por isso mesmo, Trump tenha optado por um silêncio estratégico. Afinal, reagir seria amplificar.

Entretanto, o Kennedy Center tornou-se palco de protestos, cancelamentos simbólicos (como o musical Hamilton) e momentos de embaraço público, incluindo vaias e performances de drag queens na primeira visita de Trump após assumir o controlo. Tudo isto enquanto um argumentista de animação observa à distância, satisfeito por ter registado um domínio que passou de piada privada a símbolo público de um tempo estranho.

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Num mundo onde a política parece cada vez mais escrita como guião de comédia negra, há algo de reconfortante em saber que ainda existem autores capazes de antecipar o absurdo — e comprá-lo por uns poucos dólares anuais.

Morreu Brigitte Bardot, Ícone Absoluto do Cinema Francês, aos 91 Anos

A morte de Brigitte Bardot, aos 91 anos, assinala o desaparecimento de uma das figuras mais marcantes — e contraditórias — da história do cinema europeu. Atriz, musa, símbolo sexual, fenómeno mediático global e, mais tarde, ativista radical pelos direitos dos animais, Bardot foi muito mais do que uma estrela: foi um choque cultural à escala mundial.

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Apesar de se ter afastado do cinema há mais de meio século, a sua imagem continuou a atravessar gerações. O simples uso das iniciais “BB” tornou-se sinónimo de liberdade, provocação e uma feminilidade que desafiou frontalmente os códigos morais da década de 1950. A sua consagração chegou com E Deus Criou a Mulher, realizado por Roger Vadim, um filme que escandalizou plateias e transformou Bardot numa estrela planetária, numa altura em que Hollywood ainda vivia sob forte censura moral.

Nascida em Paris em 1934, Brigitte Anne-Marie Bardot teve formação em ballet, entrou cedo no mundo da moda e rapidamente despertou a atenção do cinema. Os primeiros anos foram marcados por filmes de sucesso irregular, mas a sua presença mediática — sobretudo em Cannes — já era avassaladora. A partir do final dos anos 1950, Bardot tornou-se o rosto de uma nova Europa culturalmente libertária, eclipsando fronteiras linguísticas e rivalizando em notoriedade com estrelas americanas como Marilyn Monroe.

A década de 1960 consolidou o seu estatuto artístico. Trabalhou com realizadores como Henri-Georges ClouzotLouis Malle e Jean-Luc Godard, destacando-se em filmes como La vérité e O Desprezo. Paradoxalmente, quanto maior era o reconhecimento artístico, mais insuportável se tornava para ela o peso da fama. A perseguição obsessiva dos paparazzi e uma vida pessoal permanentemente exposta acabariam por empurrá-la para uma retirada precoce.

Em 1973, aos 38 anos, Bardot abandona definitivamente o cinema. O gesto foi radical e sem regresso. Refugiou-se em La Madrague, em Saint-Tropez, e iniciou aquilo que considerava a “segunda vida”: uma dedicação absoluta à defesa dos animais. Fundou a Fundação Brigitte Bardot e tornou-se uma das vozes mais influentes — e controversas — do ativismo animal na Europa, denunciando práticas como a caça às focas, a experimentação animal e o uso de peles.

Esse mesmo radicalismo marcou também o lado mais sombrio do seu legado. As posições políticas extremadas, declarações contra imigração, o Islão e minorias, valeram-lhe várias condenações judiciais por incitamento ao ódio racial e um progressivo afastamento do consenso público. Bardot nunca recuou. Pelo contrário, assumiu sempre a coerência entre as suas convicções e o isolamento que elas implicavam.

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A sua morte fecha um capítulo essencial da história do cinema francês e europeu. Brigitte Bardot foi simultaneamente libertação e polémica, arte e escândalo, ícone cultural e figura fraturante. Poucas estrelas ousaram viver — e pagar — com tamanha intensidade a liberdade que reivindicavam.

Alec Baldwin, o Peso Invisível de Rust e a Ferida que Não Fecha em Hollywood

Mais de três anos depois do trágico incidente ocorrido no set de RustAlec Baldwin voltou a falar abertamente sobre o impacto profundo que o episódio teve na sua vida — não apenas a nível profissional, mas sobretudo no plano psicológico, emocional e familiar. As palavras do actor revelam uma ferida que permanece aberta e ajudam a compreender o peso humano por detrás de um dos casos mais traumáticos da história recente de Hollywood.

Durante uma conversa num podcast dedicado a temas de saúde mental e dependência, Baldwin admitiu ter atravessado um período de depressão severa após a morte da directora de fotografia Halyna Hutchins, baleada mortalmente em Outubro de 2021, durante um ensaio com uma arma de fogo que deveria conter apenas munições de segurança. O actor, hoje com 67 anos, revelou que chegou a ter pensamentos suicidas e que sentiu a sua vida “encurtar pelo menos dez anos” desde aquele dia.

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O relato é particularmente duro quando Baldwin fala do impacto nos filhos e na esposa. Pai de oito crianças, o actor descreve momentos em que se sentava isolado, incapaz de reagir, enquanto os filhos o observavam sem compreenderem plenamente o que se passava. A dor, segundo o próprio, não foi apenas pessoal: estendeu-se à família, aos irmãos, aos colegas de profissão e a todos os que estavam ligados ao projecto Rust.

Baldwin reconhece que o trauma o afectou “em todos os aspectos”: espiritual, financeiro, profissional e emocional. A carreira, que durante décadas foi marcada por uma presença constante no cinema e na televisão, ficou subitamente suspensa, envolta num processo judicial mediático e numa exposição pública implacável. Mesmo depois de as acusações de homicídio involuntário terem sido arquivadas em 2024, a marca emocional do caso manteve-se.

O actor voltou a reiterar que nunca puxou o gatilho da arma e que confiava nos procedimentos de segurança do set, sublinhando que existiam profissionais responsáveis pela verificação do armamento. Ainda assim, a absolvição judicial não trouxe o alívio psicológico que muitos poderiam esperar. Baldwin descreve uma luta diária para encontrar forças para continuar, confessando que houve momentos em que apenas a fé o impediu de “não acordar no dia seguinte”.

O caso Rust tornou-se um ponto de viragem na discussão sobre segurança nos sets de filmagem, mas também abriu um debate mais amplo sobre saúde mental em Hollywood — especialmente quando tragédias ocorrem fora do controlo directo dos actores envolvidos. O testemunho de Alec Baldwin não procura absolvição pública nem dramatização gratuita; é, acima de tudo, um retrato cru de alguém a tentar sobreviver ao peso de um acontecimento irreversível.

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Num meio frequentemente acusado de superficialidade, estas declarações lembram que, por detrás das figuras públicas, existem pessoas confrontadas com culpa, luto e sofrimento prolongado. E que, mesmo quando a justiça fecha um processo, as consequências humanas podem nunca desaparecer por completo.

Judd Apatow, a Comédia Como Arma Política e o Mistério do Silêncio de Trump sobre South Park

Ao longo de décadas, Judd Apatow construiu uma carreira marcada pela sensibilidade emocional, pela comédia de personagens imperfeitas e por um profundo respeito pela história do humor americano. Mas nos últimos anos, o realizador, argumentista e produtor tem-se mostrado cada vez mais interessado num outro papel da comédia: o de instrumento de resistência, sátira e confronto directo com o poder.

Essa reflexão ganha novo fôlego com Comedy Nerd, o seu mais recente livro, e com as conversas que tem mantido sobre o estado actual da comédia num contexto político cada vez mais tenso. Entre esses temas, há um que se destaca pela sua estranheza: o silêncio absoluto de Donald Trump perante as representações devastadoras que South Park tem feito da sua figura.

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Para Apatow, esse silêncio não é inocente nem acidental. Pelo contrário, é estratégico. Enquanto Trump reage quase instintivamente a críticas vindas de programas de “late night”, redes sociais ou comentadores políticos, opta por não tocar num fenómeno cultural que sabe ser particularmente perigoso: uma sátira que não escolhe lados, que ridiculariza tanto a esquerda como a direita e que é consumida, ironicamente, por muitos dos seus próprios eleitores.

A força de South Park, criado por Trey Parker e Matt Stone, reside precisamente aí. Ao contrário da comédia política tradicional, que funciona em ciclos rápidos e previsíveis, a série constrói episódios que desmontam estruturas de poder, expõem corrupção sistémica e atacam o capitalismo de compadrio com uma sofisticação narrativa rara. Apatow acredita que qualquer reacção pública de Trump só serviria para amplificar essa crítica e levar ainda mais espectadores até ela.

Este debate encaixa-se numa visão mais ampla que Apatow tem sobre a história da comédia. No seu trabalho recente, incluindo os documentários dedicados a Mel BrooksGeorge Carlin ou Garry Shandling, o cineasta sublinha como o humor sempre foi uma ferramenta para expor abusos de autoridade, desmontar figuras intocáveis e dizer verdades que outros discursos não conseguem.

Para Apatow, a comédia não perde relevância quando incomoda — pelo contrário, cumpre exactamente a sua função. O que o preocupa é a concentração crescente de poder mediático e a possibilidade de vozes incómodas serem progressivamente silenciadas de forma discreta, sem polémica pública, sem protestos visíveis. Nesse contexto, South Parksurge como uma excepção quase anacrónica: um espaço onde a sátira continua feroz, independente e impossível de domesticar.

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Num tempo em que muitos humoristas sentem a pressão de se autocensurarem ou de suavizarem o discurso, Judd Apatow vê na série animada um lembrete essencial: a comédia, quando é verdadeiramente livre, continua a ser uma das formas mais eficazes de enfrentar o poder — precisamente porque o ridiculariza onde mais dói.