Peaky Blinders regressa em força: já sabemos quando chega “The Immortal Man” à Netflix em Portugal

Tommy Shelby troca o exílio pelo caos da guerra

Tommy Shelby troca o exílio pelo caos da guerra – e os fãs portugueses já têm data marcada para o reencontro com o líder dos Peaky Blinders.

Quando a sexta temporada de “Peaky Blinders” chegou ao fim, em 2022, ficou a sensação de despedida… mas nunca de encerramento definitivo. Steven Knight sempre prometeu que a história da família Shelby terminaria no grande ecrã, e agora essa promessa ganha forma com “Peaky Blinders: The Immortal Man”, filme que já tem data de estreia em Portugal: 20 de Março, na Netflix.

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A notícia foi confirmada esta sexta-feira, 5 de Dezembro, e bastou a sinopse oficial para incendiar novamente o entusiasmo dos fãs. Estamos em Birmingham, 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. Tommy Shelby regressa de um exílio auto-imposto para enfrentar “o seu acerto de contas mais destrutivo de sempre”. Com o futuro da família e do país em jogo, o patriarca dos Peaky Blinders terá de enfrentar os seus próprios demónios e decidir se enfrenta o seu legado… ou se o deixa arder até às cinzas. Por ordem dos Peaky Blinders, claro.

Cillian Murphy volta a vestir o boné 🪖

Depois de conquistar o Óscar com “Oppenheimer”, Cillian Murphy regressa à personagem que o transformou num ícone da cultura pop televisiva: Thomas “Tommy” Shelby. O actor volta a liderar um elenco de luxo onde encontramos Rebecca Ferguson, Barry Keoghan, Tim Roth e Stephen Graham, nomes que prometem trazer novas camadas de tensão, intriga e perigo à já de si explosiva mitologia de “Peaky Blinders”.

Mas o filme não esquece as raízes. Vários rostos familiares da série regressam, incluindo Sophie Rundle, Ned Dennehy e Packy Lee, garantindo que o universo dos Shelby mantém a sua continuidade emocional. A realização fica a cargo de Tom Harper, que já tinha trabalhado na série e conhece de perto o equilíbrio muito particular entre violência, estilo e tragédia que definiu o fenómeno.

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Da BBC ao topo da Netflix: a ascensão dos Shelby

“Peaky Blinders” estreou em 2013 na BBC, quase como um “gangster drama” de nicho, mas depressa se transformou numa das séries mais influentes da última década. O salto para a Netflix deu-lhe exposição global e transformou a família Shelby num caso raro: um gangue brutal de Birmingham que se tornou objecto de culto de milhões de espectadores.

Inspirada numa gangue real que actuava na cidade no início do século XX, a série acompanha a ascensão dos Shelby a partir do submundo de apostas ilegais, contrabando e violência, até ao confronto com políticos, aristocratas e forças internacionais. Tudo isto embrulhado numa estética marcante – fatos impecáveis, navalhas cosidas nos bonés, cigarro eterno nos lábios de Tommy – e numa banda sonora moderna que aproximou o universo da série de uma espécie de rock operático criminal.

Ao longo das seis temporadas, “Peaky Blinders” destacou-se pela narrativa intensa, pelos confrontos de poder, pelas lealdades quebradas e pela forma como retratou um protagonista em permanente guerra consigo próprio. Muito antes de “The Immortal Man”, Tommy Shelby já parecia alguém a desafiar a morte – física, moral e espiritual.

Do fim da série ao salto para o cinema

O final da sexta temporada, em 2022, foi apresentado como o encerramento da série televisiva, mas também como um ponto de viragem. Steven Knight deixou claro que a saga não acabaria ali e que o capítulo final seria contado em formato de longa-metragem. “The Immortal Man” é, portanto, menos um “spin-off” e mais o passo seguinte natural, pensado desde cedo como o clímax da história.

As filmagens terminaram em Dezembro de 2024, aumentando a impaciência dos fãs, que passaram meses a especular sobre o enredo, o destino de Tommy e o papel da Segunda Guerra Mundial neste universo. A sinopse agora revelada confirma que o conflito global será mais do que cenário: é a pressão máxima sobre um homem que sempre viveu em guerra, mas que desta vez pode ter mais a perder do que nunca.

O que esperar de “The Immortal Man”?

Sem grandes revelações de enredo, o material oficial sugere um Tommy empurrado para o limite, obrigado a regressar de um exílio onde, claramente, não encontrou paz. A ideia de “acerto de contas mais destrutivo de sempre” aponta para um confronto final em várias frentes: familiar, política, íntima.

A referência ao “legado” que pode ser destruído ou deixado arder até às cinzas também abre caminho a um filme que não se limita a prolongar a série, mas que pode questionar o próprio mito dos Peaky Blinders. Depois de anos a construir um império através da violência, o que é que realmente sobra para Tommy? Família? Culpa? Um lugar na História? Ou apenas cinza e fumo de cigarro?

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Para já, o que os fãs portugueses sabem é o essencial: “Peaky Blinders: The Immortal Man” chega à Netflix a 20 de Março, e a data já pode ser sublinhada a vermelho no calendário. Até lá, é tempo de tirar o pó ao boné, aquecer um whisky e preparar-se para regressar a Birmingham, onde a família Shelby ainda tem contas a ajustar com o mundo – e com o próprio passado.

O Novo Paramount de David Ellison: menos prestígio, mais testosterona – e os “cancelados” de volta ao jogo

Um novo sheriff em Hollywood

Há muito que a Paramount deixara de ser o estúdio intocável dos tempos de ouro, mas a chegada de David Ellison, via fusão com a Skydance, está a transformar a casa da montanha em algo bem diferente – e bem mais ruidoso. Onde antes reinava um certo verniz “politicamente correcto” pós-#MeToo e pós-George Floyd, instala-se agora uma cultura em que sentimentos não contam, decisões são tomadas a frio e quem se queixa recebe, literalmente, um “get over it” como resposta.

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Ellison, filho de Larry Ellison (o magnata da Oracle e aliado próximo de Donald Trump), está a aplicar uma lógica muito mais próxima de Silicon Valley do que da velha Hollywood. O objectivo declarado é claro: abandonar a imagem de estúdio frágil e voltar a competir na primeira divisão dos gigantes, mesmo que isso signifique atropelar algumas sensibilidades pelo caminho.

Ramsey Naito, Tartarugas Ninja e um “get over it”

Um dos casos mais simbólicos desta nova era é o de Ramsey Naito, até há pouco tempo directora da Paramount Animation. Antes da fusão, tudo indicava que Naito seria uma das protegidas da nova gestão, depois do sucesso de Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutant Mayhem, produzido com um orçamento contido e que rendeu milhões em bilheteira e mais de mil milhões em ‘merchandising’.

Mas, já com a nova equipa instalada, o ambiente mudou. Numa reunião com figuras-chave do estúdio, incluindo o co-presidente Josh Greenstein, Naito terá sido acusada de “desvalorizar” a marca Tartarugas Ninja e de deixar que vários projectos de animação explodissem em orçamento, como o novo filme dos Smurfs, que terá gerado um prejuízo na casa dos 80 milhões de dólares. Quando contestou o tom com que lhe falaram, recebeu de volta o espírito da casa: sentimentos à parte, “siga em frente”.

Pouco tempo depois, Naito foi dispensada numa vaga de despedimentos, sendo substituída por Jennifer Dodge, executiva da Spin Master, a empresa de brinquedos responsável por PAW Patrol. Para quem ainda tinha dúvidas de que a prioridade são marcas fortes e controlo de custos, ficou a mensagem.

Brett Ratner, Will Smith, Johnny Depp: o regresso dos “proscritos”

Outra faceta da era Ellison é a reabilitação de figuras “canceladas” ou altamente controversas. A lógica é fria: talento que o sistema rejeitou costuma ficar mais barato – e está desesperado por provar que ainda conta.

O exemplo mais chocante é talvez Rush Hour 4, realizado por Brett Ratner, afastado de Hollywood desde 2017 na sequência de acusações de assédio e má conduta sexual. O filme andava órfão de estúdio até que, após um pedido de Donald Trump a Larry Ellison, a Paramount aceitou distribuí-lo. O negócio é tentador: o estúdio não financia, apenas distribui e cobra uma bela comissão.

A lista não acaba aí. A Skydance, braço de Ellison, já tinha resgatado John Lasseter, antigo chefão da Pixar que saiu da Disney em plena vaga #MeToo. Sob a nova liderança, a Paramount fechou ainda um acordo de primeira escolha com Will Smith – ainda a tentar limpar a imagem depois da bofetada a Chris Rock nos Óscares – e abraçou um projecto com Johnny Depp no papel de Ebenezer Scrooge, o seu primeiro grande filme de estúdio depois de ter sido afastado de Fantastic Beasts em 2020.

No topo da pirâmide, a própria presidência da Paramount é ocupada por Jeff Shell, que abandonou a NBCUniversal após um caso de assédio ligado a uma longa relação extraconjugal com uma jornalista da CNBC. Shell fala abertamente do passado e declara ter aprendido com os erros, mas a mensagem sentida por muitos é outra: desde que geres negócios, o resto é negociável.

Blockbusters masculinos em fila… e pouco espaço para cinema de prestígio

Editorialmente, a nova Paramount aposta tudo em cinema “evento” e, de preferência, carregado de testosterona. Entre os projectos em desenvolvimento destacam-se:

– um filme de Call of Duty, escrito por Taylor Sheridan;

– um épico de motocrosse realizado por James Mangold, com Timothée Chalamet num dos maiores salários da carreira;

– um novo Paranormal Activity produzido por James Wan e pela Blumhouse;

– um western com Brandon Sklenar, vindo do universo de 1923.

Ao mesmo tempo, o estúdio está a arrumar a casa de forma agressiva: dramas românticos, adaptações mais “femininas” e títulos vistos como arriscados estão a ser cancelados, vendidos a plataformas ou simplesmente engavetados. Projectos como Eloise, baseado nos populares livros infantis, foram parar à Netflix; Winter Games, um drama romântico com Miles Teller, foi abandonado; e spin-offs com ADN mais leve, como um derivado de Ferris Bueller’s Day Off, ficaram pelo caminho.

O sinal mais claro de mudança? O pequeno departamento de prémios interno foi praticamente desmontado, e a aposta em filmes de “prestígio”, com ambição de Óscar, está no nível mínimo. O paradigma é simples: menos Oscar bait, mais produtos assumidamente comerciais.

DEI, guerra cultural e a sombra de Trump

Esta reorientação não se faz apenas na escolha de filmes, mas também na política interna. A Paramount foi um dos primeiros grandes estúdios a abandonar políticas formais de DEI (diversidade, equidade e inclusão) e, já com Ellison ao leme, destacou-se por tomar posições públicas contra o que vê como “anti-Israel” em Hollywood. É um posicionamento que agrada à ala mais conservadora e se alinha com a relação próxima entre Larry Ellison e Donald Trump.

Trump, por sua vez, não tem escondido o entusiasmo pela fusão Skydance-Paramount e pelo novo tom editorial, sobretudo na área de informação da CBS News. O antigo presidente vê em David Ellison um aliado potencial também na disputa por outro gigante: a Warner Bros. Discovery, onde a Skydance concorre com a Comcast e a Netflix pela compra do estúdio.

Para o espectador comum, tudo isto pode parecer distante, mas tem consequências muito concretas: define que histórias chegam às salas, quem as conta e com que lentes políticas e culturais são filmadas.

Tom Cruise, Top Gun 3 e o futuro da montanha

Nenhuma análise à nova Paramount fica completa sem falar de Tom Cruise, talvez o actor que mais simboliza a ligação do estúdio à ideia clássica de “movie star”. A relação entre Cruise e David Ellison teve momentos tensos, nomeadamente quando o actor pediu dezenas de milhões extra para os novos Mission: Impossible e ouviu que teria de encontrar parte do financiamento por conta própria.

Ainda assim, Cruise quer pôr de pé Top Gun 3 e procura casa para uma ambiciosa aventura de desastre em alto mar com um orçamento na casa dos 200 milhões. Depois de visitas recentes aos novos escritórios da Paramount, tudo indica que a paz foi, pelo menos, estrategicamente selada. Se Ellison conseguir também concretizar o sonho de comprar a Warner Bros., estará em posição de redesenhar, quase sozinho, o mapa dos grandes estúdios.

E para nós, espectadores?

Do ponto de vista estritamente cinéfilo, a era Ellison na Paramount é um cocktail curioso: por um lado, promete grandes produções de acção, horror e comédia R-rated, pensadas para um público que quer “evento” e não necessariamente prestígio. Por outro, levanta questões sérias sobre quem volta a ter megafones na indústria, como se reescrevem as consequências após o #MeToo e que lugar sobra para cinema arriscado, minoritário ou formalmente mais ousado.

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Hollywood já passou por muitas fases e muitos “novos sheriffs”. A diferença, desta vez, é a mistura explosiva entre dinheiro de tecnologia, guerra cultural aberta e uma vontade quase missionária de provar que o público quer exactamente aquilo que o velho estúdio não se atrevia a dar-lhe. Se isso vai salvar a Paramount ou apenas transformá-la num parque temático de testosterona de luxo, é algo que vamos descobrir, bilhete de cinema na mão.

AnimaPIX 2025: A Ilha do Pico Voltou a Ser o Coração da Animação Portuguesa

A décima edição do AnimaPIX, o festival de animação realizado na ilha do Pico, nos Açores, encerrou mais um capítulo memorável — daqueles que deixam marca não só no panorama artístico nacional, mas também na alma de quem participa. Pequeno em escala, gigantesco em ambição, o festival reafirmou aquilo que já todos sabíamos: a animação portuguesa vive um momento de ouro, e o Pico continua a ser um dos seus palcos mais especiais.

Abi Feijó e Regina Pessoa: Quatro Décadas de Magia Animada

Os nomes maiores da animação portuguesa regressaram ao arquipélago, e o Pico recebeu-os como se recebe família.

Abi Feijó e Regina Pessoa, fundadores da Casa Museu de Vilar e mestres incontornáveis do cinema de animação, apresentaram uma retrospectiva de 40 anos de carreira. Ambos foram também jurados desta edição e receberam o MiratecArts Prémio Atlante, com Regina a acumular ainda um papel particularmente simbólico: o de madrinha do festival e ilustradora do cartaz que celebra a sua primeira década..

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Numa conversa à Rádio Pico, Abi Feijó sintetizou a magia do AnimaPIX:

“Quanto mais pequenino, mais facilmente se estabelecem laços. Aqui podemos usufruir do tempo, o que é muito bom.”

Regina Pessoa completou:

“É um privilégio voltar e aprofundar este laço.”

É difícil pensar numa definição mais perfeita para este festival que teima — orgulhosamente — em manter-se próximo, íntimo e humano.

Os Talentos que Estão a Moldar o Futuro da Animação Portuguesa

O público teve ainda oportunidade de ouvir e interagir com os vencedores do Prémio AnimaPIX, desde 2021 até 2025.

Pela primeira vez na ilha montanha, Alexandra RamiresAlice Eça GuimarãesJoão GonzalezLaura Gonçalves e Maria Trigo Teixeira apresentaram as suas curtas-metragens premiadas internacionalmente e partilharam reflexões sobre o processo criativo, a repercussão do cinema português lá fora e o futuro da animação.

A eles juntaram-se os cineastas António Alves e Cláudio Jordão, a professora Elsa Cerqueira e Fernando Galrito, director da MONSTRA — o maior festival de animação do país.

Um verdadeiro encontro intergeracional que reforçou o papel do Pico como ponto de encontro entre mestres, criadores emergentes e público curioso.

Um Festival Pequeno apenas no Nome

O director artístico e fundador do AnimaPIX, Terry Costa, não esconde o orgulho:

“Momentos incríveis com a melhor turma do sector que qualquer um poderia imaginar. Esperamos ter inspirado centenas de crianças, jovens e educadores, levando consigo lições para a vida.”

E há números que contam histórias.

Enquanto a MONSTRA exibe mais de 450 filmes, o AnimaPIX, fiel ao seu espírito, limita-se a 75. Não porque lhe faltem obras — mas porque a prioridade é outra: o impacto humano.

Terry Costa recorda ainda um feito impressionante:

“O melhor ano do festival trouxe 1400 pessoas à Biblioteca Auditório da Madalena — 10% da população da ilha.”

Para muitos, foi a primeira vez num centro cultural ou a primeira vez a ver cinema numa tela grande.

É essa democratização cultural — feita com carinho, persistência e visão — que transforma o AnimaPIX num evento verdadeiramente singular.

Um Festival para Crianças… e para a Criança em Todos Nós

Há quem pense que animação é território exclusivo do público infantil. O AnimaPIX insiste, todos os anos, em provar o contrário.

Como diz Terry Costa:

“O festival não é só para crianças, é para a criança em todos nós.”

E talvez seja essa a sua maior força: conseguir que profissionais consagrados, jovens criadores, famílias, educadores e curiosos vivam a mesma experiência, no mesmo espaço, com a mesma disponibilidade para aprender e maravilhar-se.

O Futuro Aponta para 2026

A próxima edição já está marcada:

📅 1 a 6 de dezembro de 2026

As submissões abrem a 1 de janeiro.

A parceria com a Câmara Municipal da Madalena e o apoio da Direção Regional da Cultura continuam a sustentar a visão da MiratecArts — uma visão que aposta na cultura como motor de comunidade, descoberta e crescimento.

E se esta década nos ensinou alguma coisa, é que o AnimaPIX não é apenas um festival.

É um lugar de encontro.

É um gesto de afecto pela arte.

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É uma celebração da imaginação — sempre de portas abertas para quem quiser entrar.

A Lista Surpreendente dos Filmes Preferidos de James Cameron — E o Que Revela Sobre o Rei das Bilheteiras

O autor de Titanic e Avatar continua a ser, acima de tudo, um cinéfilo voraz

James Cameron é talvez o cineasta mais identificado com superproduções gigantescas, tecnologias de ponta e mundos inteiros criados de raiz. Mas por detrás do realizador que quebrou recordes com Titanic, redefiniu a ficção científica com Terminator 2 e reinventou o cinema 3D com Avatar, está alguém que cresceu a ver filmes na televisão e que nunca perdeu o fascínio puro pelo acto de ver cinema.

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Ao longo das últimas décadas, Cameron foi partilhando, aqui e ali, os seus filmes favoritos — e o resultado é uma colecção tão ecléctica que parece saída da mente de um devorador compulsivo de géneros, épocas e sensibilidades. Do clássico absoluto The Wizard of Oz a prazeres assumidamente culpados como Resident Evil, passando por Kubrick, Spielberg, Coppola e até Borat, a lista diz-nos mais sobre Cameron do que qualquer entrevista longa.

O encanto eterno de um mundo para lá do arco-íris

Se há título que surge sempre que Cameron fala das suas referências, é The Wizard of Oz (1939). O realizador descreve-o como um filme que o acompanha desde a infância — e que continua a revisitar com a família.

A cena em que Dorothy abre a porta e sai do preto e branco para o Technicolor continua a emocioná-lo profundamente. Cameron vê ali um momento de génio cinematográfico absoluto: uma revelação visual capaz de derrubar fronteiras entre o real e o imaginado. Talvez não seja coincidência que o autor de Avatar tenha encontrado, décadas mais tarde, o seu próprio “momento de abrir a porta para outro mundo”.

Da ternura ao terror: a amplitude de um cinéfilo sem preconceitos

Pode surpreender que alguém associado a máquinas assassinas, naves militares e criaturas subaquáticas diga abertamente que Resident Evil é um dos seus prazeres cinematográficos. Mas Cameron não só admite, como celebra o filme de Paul W. S. Anderson e, em particular, o desempenho físico de Michelle Rodriguez — «uma criatura feroz», descreveu.

A admiração por Alien é já menos chocante: Ridley Scott influenciou directamente Cameron e, como o próprio reconhece, Aliens foi criado em espírito de fã — uma tentativa de honrar e expandir o trabalho do original sem o replicar. É raro ver um realizador do calibre de Cameron a assumir, com tanta humildade, a sua posição na linhagem de outro cineasta.

E depois há Wait Until Dark, thriller de 1967 com Audrey Hepburn, que lhe deixou uma das memórias mais intensas de sempre numa sala de cinema. Segundo conta, o susto provocado por Alan Arkin terá sido o maior sobressalto que testemunhou no grande ecrã — maior, até, do que Alien ou Psycho.

Uma colecção que revela mais do que parece

Entre clássicos indiscutíveis (The Godfather2001: A Space OdysseyTaxi Driver), blockbusters transformadores (Star WarsJaws), westerns icónicos (Butch Cassidy and the Sundance Kid) e comédias corrosivas (Borat), a lista de Cameron não segue qualquer lógica óbvia.

E é precisamente aí que reside a sua verdade: o realizador não procura coerência estética, narrativa ou formal. Procura impacto. Procura filmes que mexem consigo, seja através do assombro visual, da tensão, da irreverência ou pura genialidade técnica.

No fundo, Cameron pode ser o cineasta que nos trouxe alguns dos maiores espectáculos cinematográficos das últimas décadas, mas continua a ser, antes de mais, um espectador apaixonado — alguém que nunca deixou de olhar para o cinema como aquilo que sempre foi para si: um poço infinito de maravilhas, sustos, gargalhadas e descobertas.

Os 15 filmes preferidos de James Cameron

  • The Wizard of Oz (Victor Fleming, 1939)
  • Resident Evil (Paul W. S. Anderson, 2002)
  • Alien (Ridley Scott, 1979)
  • Close Encounters of the Third Kind (Steven Spielberg, 1976)
  • Jaws (Steven Spielberg, 1975)
  • Butch Cassidy and the Sundance Kid (George Roy Hill, 1969)
  • Wait Until Dark (Terence Young, 1967)
  • Borat (Larry Charles, 2006)
  • The Woman King (Gina Prince-Bythewood, 2022)
  • Star Wars: Episode IV – A New Hope (George Lucas, 1977)
  • Inception (Christopher Nolan, 2010)
  • Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)
  • The Godfather (Francis Ford Coppola, 1972)
  • 2001: A Space Odyssey (Stanley Kubrick, 1968)
  • Dr. Strangelove (Stanley Kubrick, 1964)

Justin Baldoni vs. Blake Lively: O Caso Judicial Que Se Transformou Numa Surreal Comédia de Embaraço em Hollywood

O Clube de Cinema já viu polémicas, batalhas judiciais, egos feridos e argumentos que desafiam a lógica… mas poucos casos se tornam tão peculiares como este. Justin Baldoni e Blake Lively vão enfrentar-se em tribunal em março, e a cada novo detalhe revelado, a história parece aproximar-se mais do absurdo do que de um drama jurídico convencional.

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A mais recente revelação? Uma conversa sobre circuncisão — sim, leu bem — envolvendo Blake Lively, Justin Baldoni e… Ryan Reynolds. No meio de um processo por alegado assédio sexual, difamação, contra-ataques legais e danos alegados de 400 milhões de dólares, o que chegou à superfície é um detalhe tão insólito que parece saído de um episódio particularmente desconfortável de Curb Your Enthusiasm.

Quando a vida pessoal invade um depoimento jurídico

Segundo transcrições obtidas pelo TMZ, Justin Baldoni admitiu, durante um depoimento, que partilhou com Blake Lively que era circuncidado — apesar de ela nunca lhe ter perguntado diretamente.

A conversa surgiu, alegadamente, enquanto Lively e o marido, Ryan Reynolds, discutiam se o seu bebé deveria ou não ser circuncidado. Reynolds, segundo Baldoni, estava “a entrar e a sair” da conversa.

O advogado de Lively perguntou então o óbvio:

— “Ela alguma vez lhe perguntou se era circuncidado?”

Baldoni respondeu:

— “Diretamente, não.”

Como este tópico surgiu num processo judicial de alto perfil é uma pergunta que merece reflexão… mas talvez jamais obtenha resposta satisfatória.

O contexto real: acusações graves e milhões em jogo

Para lá da anedota bizarra, está um caso sério. Blake Lively processou Justin Baldoni, acusando-o de assédio sexual, tanto durante as filmagens de It Ends With Us (2024) como posteriormente, através de alegadas campanhas de difamação online.

Baldoni reagiu com uma contração ainda mais bombástica, alegando que Lively arruinou a sua reputação com acusações falsas e exigindo 400 milhões de dólares em indemnização.

Mas essa contração não foi avante:

um juiz determinou que Baldoni não podia processar com base em alegações feitas num documento legal, levando ao arquivamento da ação em junho.

Ainda assim, o processo principal segue para julgamento, onde novos detalhes — certamente menos caricatos do que a conversa íntima revelada agora — serão examinados.

Uma batalha que Hollywood preferiria esquecer

A indústria já viveu confrontos judiciais públicos. Mas este caso, envolvendo duas das figuras mais reconhecidas e queridas de Hollywood, arrisca transformar-se numa novela que mistura elementos desconfortáveis, acusações graves e momentos de perplexidade absoluta.

E se há algo claro, é que nem Lively nem Baldoni saem incólumes desta exposição mediática. A única certeza? Março promete ser um mês explosivo para quem acompanha escândalos judiciais do cinema.

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Até lá, talvez Ryan Reynolds esteja a preparar um comentário sarcástico — ou um comercial da Mint Mobile — inspirado neste estranho episódio de circuncisão involuntária.

Robert Downey Jr. Brinca com a Confusão de Gwyneth Paltrow no UCM — e Deixa no Ar um Mistério Sobre Avengers: Doomsday

O Universo Cinematográfico da Marvel já nos deu batalhas épicas, romances improváveis, viagens temporais e vilões cósmicos… mas poucas coisas são tão deliciosamente humanas como a incapacidade de Gwyneth Paltrow em perceber quem é quem neste universo de heróis mascarados. E agora, ninguém menos que Robert Downey Jr. decidiu avivar essa piada — e talvez lançar uma pista inesperada sobre Avengers: Doomsday.

A história foi contada pelo próprio Downey Jr. durante a gala Women in Entertainment 2025, organizada pelo The Hollywood Reporter. Enquanto entregava um prémio à actriz, o eterno Iron Man descreveu Paltrow como “impossivelmente inteligente, mas eternamente confusa com os conceitos básicos do Universo Marvel e os seus habitantes”.

E depois veio a pepita de ouro.

🕷️ “Esse é o Peter.”

Segundo Downey, durante uma conversa no set, Paltrow apontou discretamente para um colega e perguntou:

“Quem é aquele?”

Downey respondeu: “Ele disse que se chama Peter.”

Poucos segundos depois corrigiu:

“Não, o nome da personagem é Peter. Aquele é o Tom Holland. Fizeste quatro filmes com ele.”

O público riu, Paltrow também — e imediatamente os fãs começaram a somar nos dedos.

Quatro filmes?

Paltrow e Holland participaram juntos em três filmes lançados oficialmente:

  • Spider-Man: Homecoming
  • Avengers: Infinity War
  • Avengers: Endgame

Então… de onde vem o quarto?

🕵️‍♂️ Lapso? Brincadeira? Ou Downey Jr. Acabou de Revelar Demais?

É aqui que a fofoca ganha força.

Com Avengers: Doomsday a aproximar-se, e com Downey Jr. a regressar ao UCM — desta vez como Doctor Doom — não seria louco imaginar que Holland e Paltrow possam ter voltado a cruzar-se em segredo durante a produção.

A personagem de Paltrow, Pepper Potts, não aparece desde Endgame, mas o nome foi mencionado em Deadpool & Wolverine. A própria atriz regressou às filmagens este ano com Marty Supreme, o que indica que não está completamente afastada da representação.

Será que Pepper está de volta?

Será que Doom e Potts se reencontram num cenário que vai deixar os fãs em choque?

A MCU fandom machine agradece combustível fresco.

🎬 Paltrow e a sua adorável confusão Marvel

Não é a primeira vez que a actriz se perde nas próprias cronologias.

A actriz já tinha revelado — num famoso momento viral — que não sabia que participou em Spider-Man: Homecoming, apesar de… ter estado lá. Com câmara, microfone e tudo.

O UCM é enorme, mas talvez não assim tão difícil.

Mas a verdade é que a genuína confusão de Paltrow tornou-se parte do charme dos bastidores da Marvel — e Downey Jr. sabe muito bem como transformar isso num momento irresistível.

🎭 E agora?

Com Avengers: Doomsday a caminho, e com tantas peças a mexer, a dúvida permanece:

foi um deslize inocente ou um leak acidental vindo do próprio Robert Downey Jr.?

O reencontro Tony Stark / Pepper Potts está fora de questão — mas o reencontro Doom / Paltrow?

Isso, sim, seria verdadeiramente… caóticoinesperado e delicioso.

Detroit Celebra o Seu Novo Guardião: A Estátua de RoboCop Encontra Lar Definitivo Após 15 Anos de Uma Saga Digna de Cinema

Demorou década e meia, campanhas de crowdfunding, polémicas locais, recusas institucionais, uma pandemia e muita teimosia — mas, finalmente, Detroit tem o seu RoboCop. A icónica personagem do clássico de 1987 ganhou esta semana uma casa permanente na cidade que o filme retratou como um campo de batalha urbano onde só um ciborgue policial conseguiria impor ordem. E os fãs não podiam estar mais felizes.

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A estátua, em bronze, mede 3,3 metros de altura, pesa 1.587 quilos e está agora instalada no exterior da produtora FREE AGE, no distrito Eastern Market. Mesmo com neve, escuridão e vento gelado, moradores e curiosos deslocaram-se ao local para ver de perto o símbolo renascido da cultura pop. Um guardião metálico finalmente de pé — e desta vez sem ordens da OCP.

De piada no Twitter a fenómeno mundial

A história deste monstro de bronze começa em 2010, quando um utilizador no Twitter sugeriu ao então presidente da câmara, Dave Bing, que Detroit precisava de um embaixador tão icónico quanto Filadélfia tem Rocky Balboa. A resposta foi um seco “não há planos para isso”. E, como tantas vezes acontece, foi precisamente essa negativa que inspirou uma multidão: fãs uniram-se e lançaram, em 2012, uma campanha no Kickstarter que arrecadou 67 mil dólares com mais de 2.700 apoiantes de vários países.

O escultor Giorgio Gikas concluiu a peça em 2017, mas o caminho estava longe de terminado. O Museu de Ciência de Michigan recuou em 2021 devido a restrições internas, e até uma cidade no Wisconsin — terra natal de Peter Weller, o actor por trás da personagem — ofereceu asilo à escultura. Um ícone em busca de morada, carregado em caixas, longe de qualquer reconhecimento público. Uma ironia que caberia perfeitamente no universo satírico e distópico do filme original.

Detroit mudou — e RoboCop regressa como símbolo de esperança

Durante anos, a cidade hesitou em associar-se a uma obra que, nos anos 80, ajudou a cristalizar a imagem de uma Detroit violenta, abandonada e dominada pelo crime. Mas a realidade evoluiu. As taxas de homicídio caíram para níveis abaixo dos anos 60, os índices de criminalidade diminuíram e Detroit renasceu culturalmente. Hoje, RoboCop já não é visto como um lembrete da decadência — é um artefacto de nostalgia, resiliência e reinvenção.

Jim Toscano, co-proprietário da FREE AGE, admitiu que pensou inicialmente tratar-se de uma brincadeira quando foi contactado para acolher a estátua. Mas percebeu rapidamente que se tratava de um gesto simbólico demasiado único para recusar. O entusiasmo do público tem-lhe dado razão: fãs tiram fotografias, partilham memórias e reconhecem o poder da personagem como um farol de ficção que marcou gerações.

“Eu sou dono disto”: o orgulho dos fãs

Entre os visitantes que já peregrinaram até à escultura encontra-se James Campbell, um dos contribuintes do Kickstarter. Doou 100 dólares em 2012 e faz questão de reivindicar a sua percentagem simbólica: “sou proprietário de 0,038% desta estátua”, brinca, enquanto admira a figura colossal. Para ele, RoboCop não é apenas uma referência cinematográfica; é uma representação clara do imaginário colectivo da cidade: “No filme, ele está lá para salvar Detroit. É um símbolo de esperança.”

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E, olhando agora para a imponente silhueta de RoboCop, fixa e solene sob o céu gelado de Detroit, é difícil discordar. Não é apenas um pedaço de bronze — é um testemunho da capacidade dos fãs, uma celebração de cultura pop e uma prova de que até uma piada nas redes sociais pode, com o tempo e uma comunidade apaixonada, transformar-se em património urbano.

No final, talvez a frase escolhida por Toscano resuma tudo:

“Obrigado pela sua cooperação.”

Matt Reeves Sai em Defesa de Paul Dano Após Críticas de Quentin Tarantino: “É um Actor Incrível”

Hollywood adora um bom debate, mas poucos geram tanta chama como quando Quentin Tarantino decide dar a sua opinião. Após o realizador de Pulp Fiction ter descrito Paul Dano como “weak sauce” — uma crítica particularmente dura ao desempenho do actor em There Will Be Blood — surgiram várias respostas. A mais contundente veio de quem conhece Dano de muito perto: Matt Reeves, realizador de The Batman.

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Reeves, que dirigiu Dano no papel perturbador de Edward Nashton/The Riddler na adaptação de 2022, não deixou o comentário passar em silêncio. Num post directo publicado no X, o cineasta escreveu:

“Paul Dano é um actor incrível, e uma pessoa incrível.”

Uma frase curta, mas cirúrgica — e que diz tudo sobre o respeito e admiração que Reeves sente pelo ator.

A defesa surge dias depois da participação de Tarantino no The Bret Easton Ellis Podcast, onde o cineasta classificou There Will Be Blood como o quinto melhor filme do século XXI, mas afirmou que o filme de Paul Thomas Anderson teria hipóteses de ocupar o primeiro lugar “se não tivesse um enorme defeito”. O tal “defeito”, segundo Tarantino, era precisamente Paul Dano. Para o realizador, o duelo interpretativo entre Dano e Daniel Day-Lewis não estaria equilibrado e isso prejudicaria a força dramática da obra.

Mas a crítica não ficou por aí: Tarantino referiu que Dano não entrega um desempenho terrível, mas sim um que considera “não-ente”, e acrescentou ainda que simplesmente “não gosta dele”. Colocou-o até no mesmo saco de actores de que também não aprecia o trabalho, como Owen Wilson e Matthew Lillard.

As declarações não passaram despercebidas — especialmente porque Paul Dano é amplamente considerado um dos actores mais consistentes e versáteis da sua geração. Basta recordar a sua presença em The BatmanPrisonersLittle Miss SunshineSwiss Army ManThe Fabelmans ou Okja. Não são poucos os realizadores de topo que o têm escolhido repetidamente: Steven Spielberg, Denis Villeneuve, Bong Joon-ho, Kelly Reichardt, Paul Thomas Anderson… e, claro, Matt Reeves.

A resposta do realizador de The Batman funciona também como uma revalorização pública do actor num momento em que a conversa — disparada por Tarantino — ganhava contornos de injustiça. Dano foi amplamente elogiado pela crítica e pelos espectadores pelo seu trabalho em There Will Be Blood, incluindo uma nomeação ao BAFTA, e tornou-se desde então um intérprete desejado por cineastas com visões fortes e estilos muito distintos.

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Curiosamente, Matt Reeves prepara-se agora para iniciar rodagem de The Batman Part II, ao lado de Robert Pattinson — e, como já revelado, com Scarlett Johansson a juntar-se ao elenco num papel ainda guardado em segredo. Se Paul Dano regressará ou não como Riddler permanece incerto, mas uma coisa ficou clara nesta troca pública: Reeves está pronto a defender os seus actores com a mesma intensidade com que filma as sombras de Gotham.

O Negócio do Século: Netflix Compra a Warner Bros. e HBO Max por 82,7 Mil Milhões — e o Mundo do Cinema Nunca Mais Será o Mesmo

A indústria já teve dias turbulentos, mas poucos momentos se comparam ao terramoto anunciado esta sexta-feira: a Netflix vai comprar a Warner Bros. — incluindo os lendários estúdios de cinema, a divisão de televisão, a HBO e a plataforma HBO Max — num acordo avaliado em 82,7 mil milhões de dólares. O negócio, aprovado por ambas as administrações, coloca o maior serviço de streaming do planeta à frente de um império de mais de um século de história. É difícil encontrar um precedente. E, se o futuro da Warner Bros. Discovery já era tema de especulação há meses, este capítulo ultrapassa até os cenários mais ousados.

O acordo surge no rescaldo de uma batalha feroz com outros gigantes: a Paramount Skydance de David Ellison e a Comcast também apresentaram propostas, mas a Netflix acabou por conquistar a exclusividade das negociações — e agora a vitória. O negócio, que envolve tanto dinheiro quanto sensibilidade política, só deverá fechar dentro de 12 a 18 meses, depois de concluída a cisão da divisão de TV da WBD, Discovery Global, marcada para o terceiro trimestre de 2026. Mas a mudança já começou.

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Netflix ganha um estúdio de 100 anos — e um catálogo que reescreve o jogo

É um momento paradigmático: pela primeira vez, um serviço de streaming compra um estúdio centenário com legado cinematográfico, biblioteca monumental e impacto cultural incontornável. Falamos da casa de CasablancaCitizen KaneThe Wizard of OzHarry PotterO Senhor dos AnéisThe SopranosGame of ThronesFriendsDC Comics, entre tantos outros. Estes títulos passam agora a integrar o ecossistema Netflix, numa jogada que transforma profundamente o catálogo da empresa — e a torna, em termos de biblioteca, tão poderosa quanto os grandes estúdios tradicionais.

Ted Sarandos fez questão de sublinhar que a Netflix não quer acabar com nada do que a Warner construiu: “Ao juntar este legado extraordinário aos nossos títulos globais, podemos entreter o mundo ainda melhor”, declarou. A mensagem é clara: a Netflix quer crescer, mas também legitimar-se como guardiã da história do cinema.

Greg Peters, co-CEO, reforça essa ideia, garantindo que a operação da Warner Bros. continuará tal como existe hoje e que o cinema continuará a estrear nas salas. Percebe-se a intenção: evitar receios de que a fusão pudesse transformar um estúdio histórico num mero gerador de conteúdos para streaming.

HBO Max continua — e HBO entra na Netflix (sim, isto vai acontecer)

Num dos detalhes mais surpreendentes, a Netflix confirmou que HBO Max continua como plataforma independente no imediato. Mas simultaneamente elogiou a chegada do catálogo HBO ao seu próprio serviço — algo que parecia impensável há poucos anos. A batalha das plataformas dá assim uma reviravolta inesperada: o streaming que se construiu com séries como House of Cards e Stranger Things será agora também a casa de SopranosA Guerra dos TronosSuccessionTrue Detective e companhia.

É a fusão simbólica de duas filosofias: o algoritmo global da Netflix e o prestígio autoral da HBO.

Que futuro espera David Zaslav?

Silêncio absoluto. O anúncio não refere se Zaslav terá qualquer função após o fecho do negócio. É um detalhe significativo, especialmente tendo em conta que ele estava posicionado para liderar a versão “independente” da Warner Bros., após a separação com o Discovery Global. A ausência de claridade parece indicar que o futuro da liderança executiva será redesenhado — talvez profundamente.

As poupanças, a ironia histórica e o elefante na sala

O negócio prevê 2 a 3 mil milhões em poupanças anuais dentro de três anos. É o tipo de número que assinala reestruturação séria, fusão de equipas e cortes — inevitáveis numa operação desta escala.

Há também um toque de ironia irresistível: quase quinze anos depois de o CEO da Time Warner ter descrito a Netflix como “o exército albanês” — uma força minúscula e inofensiva que nunca poderia conquistar Hollywood —, eis que a Netflix compra o castelo inteiro.

Um antes e um depois para a indústria

O impacto disto será gigante. As salas de cinema, o streaming, os direitos internacionais, a produção independente, a força dos sindicatos, os modelos de negócio futuros — tudo muda com esta operação. E muda porque a Netflix deixa de ser “apenas” o maior serviço de streaming: torna-se dona de um dos pilares da história do cinema moderno.

E há ainda outra consequência inevitável: a pressão sobre Disney, Amazon e Apple aumenta de forma esmagadora. Se a Netflix já era dominante, agora torna-se praticamente incontornável.

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O que significa tudo isto para os espectadores?

Significa que o catálogo Netflix vai transformar-se radicalmente. Que a HBO pode ganhar uma segunda vida global. Que a Warner Bros. terá estabilidade financeira pela primeira vez em anos. E que, goste-se ou não, estamos a assistir ao nascimento de um novo colosso audiovisual que pode definir a próxima década do entretenimento.

A pergunta agora é só uma: o que vem a seguir?

Daniel Stern, o Lendário Marv de Sozinho em Casa, Quebrou o Silêncio — e Explicou Por que Abandonou Hollywood

Trinta e cinco anos depois do lançamento de Home Alone (Sozinho em Casa), um dos filmes mais queridos do cinema natalício, Daniel Stern — o inesquecível Marv, parceiro de crime de Harry (Joe Pesci) — decidiu falar abertamente sobre a sua vida longe das câmaras. E, à semelhança da própria comédia, a realidade é surpreendentemente simples, humana e até comovente.

Aos 68 anos, Stern vive numa quinta na Califórnia. É produtor de citrinos, criador de gado e, segundo ele próprio, alguém que encontrou paz longe da azáfama cinematográfica. Quando questionado pela People sobre o facto de não participar nos eventos oficiais que assinalam os 35 anos do filme, o actor foi directo: “Eu não saio da minha quinta.” Não há ressentimentos, nem desencanto com a indústria — apenas a preferência genuína por uma vida discreta. “É sem ofensa para o filme. Estou disponível para uma chamada telefónica, Zoom, o que for. Mas sou mesmo caseiro.”

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Apesar da distância, Stern garante que continua profundamente orgulhoso de ter participado naquele que muitos consideram o pináculo dos filmes de Natal. O carinho do público, no entanto, ainda o deixa atordoado. “Adoro saber que toda a gente o adora. Pessoas reais vêm ter comigo e dizem: ‘Amamos o filme’. Às vezes é um pouco avassalador.”

O actor recorda com clareza o impacto da primeira leitura do argumento. Escrito por John Hughes, o texto era para ele “o guião mais engraçado” que alguma vez tinha lido. “Estava a rebolar no chão a rir enquanto o lia”, confessa. Mas Stern sublinha que o charme de Home Alone não estava apenas no humor físico ou nas peripécias de Kevin McCallister (Macaulay Culkin). Era o equilíbrio raro entre comédia e emoção. “Era tão engraçado, mas também tão cheio de coração… o reencontro, o vizinho que salva o rapaz, a mãe que volta para casa… era tudo tão emocional.”

Ao longo de uma hora de caos muito bem coreografado, Stern e Pesci tornaram-se uma dupla icónica — dois ladrões incompetentes cuja química, exagero e timing cómico continuam a fazer rir gerações inteiras. Mas o actor admite que, apesar de saberem que estavam a fazer algo especial, ninguém poderia prever a longevidade do fenómeno. “Eu tinha esperança de que estivéssemos a fazer um grande filme. Mas não fazia ideia — ninguém podia — da vida que isto teria.”

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Hoje, longe dos holofotes, Daniel Stern continua a ser Marv para o mundo inteiro, mesmo que prefira a tranquilidade de tratar das suas árvores e do seu gado. Talvez haja nisso um eco da própria magia de Natal: às vezes, os heróis improváveis encontram o seu final feliz onde menos se espera.

James Cameron Admite: Um Novo Terminator em 2025 É “Muito Difícil” — Porque o Mundo Já Ultrapassou a Ficção Científica

Enquanto promove Avatar: Fogo e Cinza, James Cameron tem sido obrigado a falar não apenas de Pandora e IA, mas também do inevitável espectro que o acompanha desde 1984: Terminator. E, pela primeira vez em muito tempo, o realizador deixou claro que um novo filme da saga em 2025 é altamente improvável — não por falta de vontade, mas por algo mais profundo: o nosso mundo já ultrapassou o que antes era ficção científica.

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A saga presa num limbo desde 2019 — mas Cameron quer regressar à escrita

Depois de Dark Fate, a franquia ficou suspensa, sem caminho claro e sem consenso sobre o futuro. Cameron, que continua ligado criativamente ao legado que criou, garante que está a preparar um novo capítulo… mas com cautela extrema.

Mesmo que não realize o próximo filme, afirma que será ele a escrever o novo Terminator — e esse processo não vai acontecer em ritmo acelerado. Com Avatar: Fogo e Cinza a dominar o seu presente e um calendário completamente preenchido com múltiplos projectos, Cameron admite que só depois de cumprir essa “maratona azul” é que se sentará para repensar o futuro da saga.

“Estamos a viver num mundo de ficção científica”

A grande barreira, explica ele, não tem a ver com orçamento, nem com estúdio, nem sequer com desgaste de público. O verdadeiro problema é conceptual.

Segundo Cameron:

“A ficção científica avançou e está a ultrapassar-nos. Estamos a viver num mundo de ficção científica e a enfrentar problemas que antes só existiam em livros ou filmes. Agora são reais.”

O que Terminator representava em 1984 — uma visão presciente, quase profética, sobre máquinas autónomas, vigilância e inteligência artificial — tornou-se hoje, de certa forma, parte do quotidiano.

Cameron chega a dizer que já não é possível ser “tão premonitório” como naquela época, porque o futuro se move depressa demais. Ninguém sabe o que vai acontecer dentro de um ou dois anos, e é precisamente essa incerteza que o leva a querer esperar antes de regressar ao universo dos exterminadores.

Entre Avatar, Alita e Hiroshima: um realizador com mais projetos do que tempo

O calendário criativo de Cameron é quase tão épico quanto os mundos que imagina. Depois de Avatar: Fogo e Cinza, o realizador tem pela frente:

  • Alita: Battle Angel 2
  • Avatar 4 e Avatar 5
  • A adaptação de The Last Train from Hiroshima
  • A adaptação de Ghosts of Hiroshima

Está também a planear colaborar com outros realizadores, funcionando como produtor ou argumentista em vários destes títulos — o que coloca Terminator num delicado jogo de prioridade criativa.

Apesar disso, Cameron insiste: o novo Terminator vai acontecer, mas não em 2025 e não antes de o mundo estabilizar o suficiente para que a ficção possa voltar a olhar para o futuro com a mesma distância crítica que tornou o original tão visionário.

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O futuro dos exterminadores depende do futuro… real

Num momento em que a própria IA começa a desafiar limites éticos, tecnológicos e culturais, Cameron quer garantir que, quando Terminator regressar, será relevanteinteligente e verdadeiro para o tempo em que vivemos. E isso exige que a ficção volte a ganhar terreno sobre a realidade — algo que, para já, considera impossível.

Para os fãs, a espera continua.

Para Cameron, o futuro… ainda está a ser escrito.

James Gunn Reage a Polémica: Orçamento de Supergirl Não Chega Aos 200 Milhões, Garante o Realizador

O universo cinematográfico da DC ainda nem arrancou oficialmente sob a nova liderança criativa de James Gunn, mas já está a enfrentar a primeira tempestade — e tudo por causa de números que, segundo o próprio, não passam de ficção.

Nos últimos dias, um artigo da Forbes garantiu que o filme Supergirl custaria cerca de 200 milhões de dólares à Warner Bros. Discovery só em trabalhos de pré-produção, um valor que gerou surpresa e reacções imediatas entre fãs e insiders. A notícia espalhou-se rapidamente, levantando dúvidas sobre a estratégia financeira da DC Studios num momento em que a empresa tenta equilibrar ambição criativa com contenção orçamental.

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James Gunn não deixou a polémica ganhar fogo. Confrontado com a informação na rede social Threads, o cineasta respondeu de forma directa e sem rodeios: “não há qualquer verdade nesse número.” Sem entrar em detalhes, nem revelar qual será de facto o orçamento, Gunn fez questão de desmentir a narrativa antes que a especulação ganhasse vida própria.

A resposta foi concisa, mas eficaz. Ao evitar fornecer quantias específicas, Gunn protege o segredo industrial do estúdio enquanto clarifica que os valores divulgados são substancialmente exagerados. A DC tem sido alvo de escrutínio intenso desde as falhas comerciais de vários projectos anteriores, pelo que qualquer menção a orçamentos descontrolados reacende imediatamente o debate sobre sustentabilidade — e Gunn, consciente disso, não parece disposto a deixar rumores definirem o discurso em redor do seu novo universo.

O novo Supergirl, protagonizado por Milly Alcock (conhecida de House of the Dragon) e com Jason Momoa no elenco, chega aos cinemas no final de junho de 2026. Embora pouco se saiba sobre o enredo, espera-se uma abordagem mais sombria e emocional da heroína, alinhada com o tom do renovado DCU que Gunn está a construir ao lado de Peter Safran.

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Uma coisa é certa: se a polémica em torno do orçamento começar a perder força, será apenas para dar lugar à próxima onda de curiosidade — afinal, com Gunn, cada projecto da DC vem sempre embalado numa mistura de esperança, ansiedade e expectativas colossais. Por agora, o realizador quer deixar claro apenas isto: 200 milhões? Nem pensar.

Do YouTube a Hollywood: O Longa-Metragem de “Portrait of God” Une Dois Mestres do Horror

O que começou por ser uma curta perturbadora e minimalista ganhou corpo suficiente para chegar a Hollywood. O viral Dylan Clark conquistou milhões de espectadores com a sua curta-metragem Portrait of God. Agora, esse projecto vai ser transformado numa longa-metragem pela Universal Pictures — com a produção conjunta de dois titãs do terror contemporâneo: Jordan Peele e Sam Raimi. A colaboração marca a primeira vez que ambos assinam juntos um projecto, e isso já por si coloca o filme entre os lançamentos mais aguardados.

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Segundo os anúncios oficiais, Clark regressa como realizador, com argumento seu em parceira com o roteirista Joe Russo. A premissa central mantém-se: uma jovem religiosa, ao preparar uma apresentação sobre uma pintura misteriosa intitulada “Portrait of God”, vê a sua fé posta em causa quando a imagem parece revelar algo aterrador — uma presença que uns dizem ser Deus, mas que outros descrevem como algo sombrio. A curta versou sobre medo, dúvida e revelação; o filme quer escavar essas camadas e transformá-las num horror de estúdio com dimensão, textura e ambição.

A entrada de Peele e Raimi no projecto não é gratuita: cada um traz consigo uma tradição distinta do terror moderno. Peele, com o seu horror psicológico e social, já demonstrou com êxito como medos reais — raciais, existenciais, culturais — podem ser transformados em cinema de género com impacto profundo. Raimi, por sua vez, tem uma herança que atravessa décadas, do horror visceral de Evil Dead aos sustos mais elaborados de Drag Me to Hell. A junção dessas visões sugere que a adaptação não vai apostar em sustos fáceis ou clichés de terror, mas num horror espiritual, desconfortável, que confronta crenças, fé e a própria noção de divindade.

Esse potencial para redefinir o terror não surge por acaso. A curta original provou que é possível perturbar com muito pouco: quase toda a tensão provém da sugestão, da dúvida — do que pode ou não ser visto. A adaptação longa oferece a oportunidade de expandir esse desconforto: com tempo para desenvolver personagens, explorar simbolismos religiosos, mergulhar na psicologia da dúvida e trabalhar a ambiguidade entre a fé e o horror. É, nesse sentido, uma das propostas mais interessantes de resgate do horror espiritual — género que há muito parecia deixado ao abandono pelas grandes produções.

Contudo, transformar sete minutos de tensão concentrada num filme de uma hora e meia ou duas horas implica risco. A maior parte do impacto da curta vinha da economia de meios, da sugestão, da escuridão, do que não era mostrado. Reproduzir isso numa narrativa longa exige equilíbrio delicado: prolongar o horror sem diluir a sua força, expandir a história sem recorrer a exageros visuais, manter o mistério sem dar explicações fáceis. É um desafio grande — mas é precisamente este tipo de desafio que Peele e Raimi, trabalhando com o suporte da Universal, estão habilitados a enfrentar com inteligência e sensibilidade.

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Se tudo correr como o esperado, Portrait of God não será apenas mais um título de terror. Pode tornar-se num dos marcos do género nos próximos anos — um filme que devolve ao horror aquilo que o distingue: o medo do invisível, a ambivalência da fé, a culpa e o terror existencial. Numa época saturada de monstros visíveis e sustos baratos, este projecto pode trazer de volta a sombra mais antiga e poderosa de todas: a dúvida.

Jason Statham Regressa em “Shelter”: O Novo Thriller de Acção Que o Puxa de Volta ao Passado — e Para a Luta

Jason Statham está de volta ao grande ecrã e, como sempre, não vem em missão de paz. O primeiro trailer de “Shelter”, realizado por Ric Roman Waugh, mostra-nos um Statham em modo clássico: silencioso, ferido, isolado… e perigosíssimo quando provocado.

Depois do sucesso recente de A Working Man e The BeekeeperShelter promete ser a nova dose de acção muscular que já quase faz parte do ritual cinematográfico de Janeiro — e pelo que o trailer apresenta, não deverá desapontar os fãs de testaestorona.

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Depois do sucesso recente de A Working Man e The BeekeeperShelter promete ser a nova dose de acção muscular que já quase faz parte do ritual cinematográfico de Janeiro — e, pelo que o trailer revela, talvez a mais sólida desta fase tardia da carreira do actor.

Um homem isolado, um passado a arder e uma criança apanhada no fogo cruzado

A história começa numa ilha escocesa remota, onde o protagonista — um antigo assassino profissional — tenta desaparecer do mundo. Mas a paz termina quando resgata do mar uma jovem prestes a morrer numa tempestade.

Esse acto de humanidade desencadeia exactamente o contrário: uma cadeia de violência e perseguições que o força a sair do esconderijo.

A casa é atacada, o passado regressa a rugir, e o homem que tentava enterrar a própria história é obrigado a protegê-la — e, por extensão, a proteger a criança que entrou sem querer no seu caminho.

O trailer destaca uma relação improvável entre os dois: ela, vulnerável; ele, quase feral depois de anos de isolamento. O resultado é uma jornada brutal que atravessa a Escócia e desce ao submundo londrino, misturando road movie, thriller de vingança e drama de redenção.

Ric Roman Waugh volta à sua zona de conforto — e articula-a com mais maturidade

O realizador Ric Roman Waugh — antigo duplo e veterano do cinema de acção — parece determinado a fazer de Sheltero seu trabalho mais visceral desde Shot Caller. Tudo no trailer sugere essa intenção: os ambientes agrestes que reflectem a solidão do protagonista, a violência seca e sem artifícios que marca cada confronto, as perseguições filmadas com uma tensão quase tátil e uma mise-en-scène centrada no corpo, no peso dos gestos e na urgência emocional das decisões.

Waugh aposta de novo numa combinação que domina: heróis lacónicos, paisagens severas e um sentido de fatalidade que paira sobre cada combate. Mas aqui há algo mais contido, quase penitencial, como se o filme procurasse não apenas adrenalina, mas as rachaduras morais deixadas por décadas de violência.

Statham encaixa na perfeição. Surge menos “máquina” e mais humano — um homem habituado ao combate, mas cansado dele, cuja dureza esconde feridas que o trailer apenas deixa entrever.

Um elenco que adiciona textura emocional

Além de Statham, o filme conta com Naomi Ackie, uma das actrizes mais estimulantes da nova geração britânica, Bill Nighy, sempre exímio na subtileza, Tom Wu, presença habitual no cinema de acção, e a jovem Bodhi Rae Breathnach, que parece concentrar grande parte do coração da narrativa.

Ackie e Nighy, em particular, elevam o filme para além do mero exercício muscular. Há, no trailer, indícios de conflitos pessoais, ameaças políticas e sombras familiares que ampliam o campo emocional do protagonista.

Statham em renascimento cinematográfico

Não deixa de ser curioso que Shelter volte a apresentar Statham como o arquétipo que o tornou famoso — o assassino reformado, o homem de passado turbulento, o solitário que tenta desaparecer. Mas desta vez, o trailer devolve-lhe uma gravidade que muitos dos seus últimos filmes haviam diluído. Aqui, Statham parece trabalhar num registo mais introspectivo, com o corpo e o olhar a denunciarem uma velhice precoce emocional.

O trailer brinca até com pequenos pormenores: depois de dois filmes seguidos com boné, Statham troca-o por um gorro ocasional, como se até o figurino sublinhasse este regresso a algo mais despido, cru, quase penitente.

Um thriller que quer mais do que adrenalina

O eixo emocional de Shelter vive no dilema que acompanha o protagonista: é possível proteger alguém quando já não acreditas que mereces sobreviver? A narrativa parece explorar culpa, instinto, desgaste e redenção — temas clássicos do género, mas aqui tratados através do olhar cansado de um homem que já viu demasiado.

O trailer não promete apenas acção; promete feridas abertas e decisões impossíveis. E isso, na filmografia de Statham, costuma ser um bom presságio.

Janeiro de 2026 vai começar com sangue, vento escocês e Jason Statham em modo mítico

Shelter estreia a 30 de Janeiro de 2026 e tudo indica que será um dos títulos de acção mais comentados do arranque do ano. Tem atmosfera, tem músculo, tem melancolia e tem, acima de tudo, a estrela certa para habitar este tipo de história: Jason Statham, numa das suas interpretações mais sombrias dos últimos anos.

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Se o trailer é indicador do que aí vem, Shelter não é apenas mais um thriller; é uma versão mais humana, ferida e madura da própria lenda Statham.

James Cameron Soa o Alarme Sobre a IA no Cinema: “É Horrorizante. Criar um Actor do Nada É o Oposto da Arte”

James Cameron sempre foi associado ao avanço tecnológico no cinema — pioneiro nos efeitos digitais, visionário no motion capture e defensor da fusão entre técnica e emoção. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, o realizador de Avatar é também um dos mais firmes opositores à possibilidade de a Inteligência Artificial substituir actores humanos.

Numa entrevista recente ao programa Sunday Morning, da CBS, Cameron não podia ter sido mais claro: a ideia de a IA gerar actores e interpretações completas através de prompts de texto é, para ele, “horrorizante”.

“Não estamos a substituir actores — estamos a celebrá-los”

Cameron recordou que, ainda durante o desenvolvimento do primeiro Avatar em 2005, circulavam rumores em Hollywood de que ele estaria a criar tecnologia para eliminar actores de carne e osso. A ironia, segundo o próprio, é que o processo de captura de performance utilizado pela saga Avatar depende profundamente da presença humana:

“Quando se percebe realmente o que estamos a fazer, vê-se que é uma celebração do momento actor–realizador.”

Para Cameron, o motor emocional de qualquer filme continua a ser o trabalho do actor — mesmo quando este é traduzido para corpos digitais ou mundos impossíveis.

A fronteira que Cameron recusa atravessar

Mas se o motion capture ainda parte da expressividade humana, o mesmo já não pode ser dito da IA generativa. E é precisamente aí que Cameron traça um limite absolutíssimo:

“Agora, no outro extremo do espectro, tens a IA generativa, onde se pode inventar uma personagem. Inventar um actor. Criar uma interpretação do zero com um prompt de texto. Não. Isso é horrorizante para mim. É o oposto. É exactamente aquilo que não estamos a fazer.”

Para o realizador, esta tecnologia ameaça aquilo que considera o núcleo do cinema: presença humana, intenção emocional e a relação íntima entre actor e câmara.

O caso Tilly Norwood e a reacção violenta da indústria

A discussão reacendeu recentemente com a apresentação de Tilly Norwood, uma performer criada inteiramente por IA e apresentada no Zurich Summit pela comediante e produtora Eline Van der Velden.

O anúncio — acompanhado pela revelação de que várias agências já tinham demonstrado interesse em representar esta “actriz digital” — provocou uma onda de indignação entre profissionais do sector.

Em entrevista à Variety, Van der Velden defendeu que a presença da IA no cinema é inevitável e que a transição será gradual:

“Acho que será uma progressão lenta. Em breve veremos efeitos criados com IA, planos de estabelecimento, imagens de segunda unidade. Depois, avançaremos para um filme totalmente feito em IA.”

Mais polémica ainda foi a sua convicção de que o público poderá nem perceber a diferença:

“Se pagarem ou não por um filme feito em IA não dependerá da tecnologia, mas da narrativa.”

Um futuro em disputa: cinema feito por pessoas ou por prompts?

É neste ponto que a tensão se torna evidente. Cameron vê a IA como uma ameaça directa ao trabalho humano e à integridade artística da representação. Depressa se opõe à ideia de que um actor digital, criado matematicamente, possa substituir a vulnerabilidade e imprevisibilidade de um intérprete real.

Van der Velden, por outro lado, defende um futuro onde a IA se tornará mais uma ferramenta — e talvez, eventualmente, um criador autónomo de cinema.

O debate está longe de terminado. E, tal como Cameron avisa, a batalha não é apenas tecnológica: é filosófica, ética e profundamente emocional. O que é uma interpretação? O que é um actor? E o que acontece ao cinema quando o humano deixa de estar no centro da imagem?

Cameron puxa o travão — e o resto da indústria terá de escolher um caminho

Num momento em que Hollywood enfrenta desafios laborais, greves e incertezas, as palavras de James Cameron tornam-se um aviso poderoso. Ele, que construiu algumas das mais avançadas formas de filmar rostos humanos, recusa-se a aceitar um futuro onde esses rostos deixam de pertencer a pessoas reais.

O mundo avança para a IA. Mas, para Cameron, o cinema só avança com humanidade.

Grandes Estrelas Reúnem-se no Red Sea Film Festival: Um Palco Global Para o Cinema Contemporâneo

Red Sea Film Festival, que decorre até 13 de dezembro em Jeddah, voltou a afirmar-se como um dos espaços mais vibrantes do calendário cinematográfico mundial. A organização anunciou um conjunto impressionante de novas convidadas para o programa “In Conversation”, e o resultado é uma constelação de nomes que atravessa diferentes gerações, linguagens cinematográficas e geografias — uma síntese perfeita do que este festival procura ser: diverso, internacional e profundamente ancorado no diálogo sobre o futuro do cinema.

Um painel que abrange Hollywood, Bollywood e muito mais

Este ano, o festival recebe figuras que não precisam de apresentações: Dakota Johnson, actualmente em destaque devido ao filme MaterialistsJessica Alba, actriz que há muito se tornou também referência empresarial; e Ana de Armas, cuja carreira tem oscilado de forma vertiginosa entre o thriller, o drama e o cinema de acção, sendo agora protagonista de Ballerina, o aguardado spin-off de John Wick.

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A estas juntam-se ainda Kirsten Dunst, nome incontornável do cinema norte-americano desde a adolescência, e Nina Dobrev, cuja popularidade global nasceu de The Vampire Diaries mas que tem explorado géneros muito além do fantástico. A lista cresce com Queen Latifah, actriz, produtora e símbolo de versatilidade, e com a presença vibrante de Kriti Sanon, uma das vozes mais reconhecíveis do actual cinema indiano.

O programa “In Conversation” do Red Sea não é apenas uma sequência de entrevistas públicas; é um espaço desenhado para abrir portas ao pensamento crítico, permitindo que o público escute directamente das artistas as motivações, os desafios e as histórias que moldam as suas carreiras. É um encontro que favorece não o glamour superficial, mas a partilha de processos criativos, dúvidas, descobertas e, sobretudo, perspectivas sobre o que significa fazer cinema hoje.

Um festival em ascensão que atrai talento de peso

O alinhamento desta edição não se esgota nas convidadas recém-anunciadas. Nomes como Adrien BrodySean Baker e Kaouther Ben Hania também participam nas conversas do festival, reforçando a diversidade e o peso artístico do evento.

Os homenageados deste ano — Michael CaineSigourney WeaverJuliette BinocheRachid Bouchareb e Stanley Tong — mostram a ambição do festival em celebrar figuras cuja carreira ultrapassa fronteiras e define épocas cinematográficas inteiras.

É também de notar que Sean Baker, consagrado internacionalmente com Anora, assume o lugar de presidente do júri, num momento em que o seu cinema continua a provocar discussão crítica e a abrir portas para uma nova sensibilidade narrativa.

Uma programação que mistura espectáculo e descoberta

O programa International Spectacular oferece ao público filmes de grande expectativa: Couture, realizado por Angelina Jolie; The Wizard of the Kremlin, protagonizado por Jude Law e Paul Dano; e Desert Warrior, de Rupert Wyatt, com Ben Kingsley e Anthony Mackie.

Ao mesmo tempo, a competição oficial mantém o foco nos cinemas da Ásia, África e do mundo árabe, cumprindo a missão fundamental do festival: dar voz a obras e criadores que, muitas vezes, circulam à margem das estruturas tradicionais de distribuição mundial.

A sessão de abertura — Giant, de Rowan Athale — reforça esse equilíbrio, apresentando a história do lendário boxeur “Prince” Naseem Hamed, interpretado por Amir El-Masry, com Pierce Brosnan no papel do treinador. É um sinal claro de que o festival procura cruzar relevância local com interesse internacional.

Um encontro global que celebra a arte de contar histórias

O Red Sea Film Festival está rapidamente a transformar-se numa das plataformas mais relevantes para o cinema contemporâneo, e este ano confirma essa evolução. As conversas, os filmes e as figuras que passam por Jeddah revelam um evento que não vive apenas de nomes sonantes, mas de um verdadeiro compromisso com o cinema enquanto acto cultural, político e humano.

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De Dakota Johnson a Queen Latifah, de Angelina Jolie a Sean Baker, passando por vozes emergentes e veteranos lendários, esta edição promete ser mais do que um simples desfile de estrelas: é um ponto de encontro entre mundos, linguagens e visões que, quando postas lado a lado, ajudam a redefinir o cinema para o futuro.

Críticos de Nova Iorque Elegem One Battle After Another Como Melhor Filme de 2025 — E Há Surpresas nas Categorias Principais

Um arranque forte na época de prémios

A temporada de prémios acabou de ganhar novo fôlego: a New York Film Critics Circle (NYFCC) anunciou os seus vencedores e o grande destaque vai para One Battle After Another, eleito Melhor Filme de 2025. A escolha reforça o estatuto crescente do filme, que já tinha conquistado atenção no circuito de festivais e que agora entra oficialmente na corrida ao Óscar com selo crítico de peso.

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A performance de Benicio del Toro, também distinguida com o prémio de Melhor Actor Secundário, ajudou a cimentar o filme no topo das preferências do painel nova-iorquino. Curiosamente, esta vitória chega apenas um dia depois de o filme vencer Melhor Filme nos Gotham Awards, revelando um raro alinhamento entre diferentes círculos de crítica.

Jafar Panahi e uma consagração inesperada

Na categoria de Melhor Realizador, a NYFCC voltou a repetir a sintonia com os Gotham Awards, atribuindo o prémio a Jafar Panahi por It Was Just an Accident. O cineasta iraniano, admirado mundialmente pela sua capacidade de criar sob condições adversas, reforça assim a sua posição como uma das vozes mais influentes do cinema contemporâneo.

O triunfo de Panahi confirma aquilo que muitos críticos têm dito desde o início do ano: estamos perante uma obra que combina autorismo puro com uma inesperada leveza narrativa, desafiando tanto expectativas políticas como estéticas.

Wagner Moura conquista Nova Iorque — duas vezes

Outro destaque evidente é o filme The Secret Agent, que arrecadou dois prémios:

— Melhor Actor, para Wagner Moura,

— Melhor Filme Internacional.

O actor brasileiro, que tem vindo a conquistar Hollywood de forma sustentada, recebe aqui um dos galardões mais prestigiados da crítica norte-americana. A distinção surge num momento de crescente reconhecimento internacional do seu trabalho, elevando ainda mais o perfil do filme.

Rose Byrne surpreende no prémio de Melhor Actriz

O prémio de Melhor Actriz foi para Rose Byrne, pela sua performance em If I Had Legs I’d Kick You — um título tão peculiar quanto ousado, que já está a gerar curiosidade no público cinéfilo. A vitória reafirma Byrne como uma intérprete versátil, capaz de brilhar tanto na comédia como no drama.

Argumento, animação e primeiras obras: um retrato diverso do cinema de 2025

O prémio de Melhor Argumento foi para Marty Supreme, realizado por Josh Safdie e protagonizado por Timothée Chalamet. A escrita do filme tem sido amplamente elogiada pela sua energia irreverente e pela forma inventiva como reinventa convenções dramáticas.

Em Animação, a vitória foi para KPop Demon Hunters, um filme que tem cativado audiências e críticos com a sua fusão de cultura pop, humor estilizado e acção sobrenatural.

A fotografia de Sinners arrecadou o galardão de Melhor Cinematografia, enquanto o prémio de Melhor Primeira Longa-Metragem foi para Eephus, um nome que deverá tornar-se presença regular nos festivais do próximo ano.

Documentário e prémios especiais

Na categoria de Melhor Filme de Não-Ficção, voltou a repetir-se o alinhamento com os Gotham Awards: o vencedor foi My Undesirable Friends: Part I – Last Air in Moscow, uma obra que tem sido descrita como profundamente humana e cinematograficamente arrojada.

A NYFCC atribuiu ainda prémios especiais à Screen Slate e ao Museum of the Moving Image, reconhecendo o impacto cultural e educativo de ambos.

Os prémios estudantis foram para London Xhudo (NYU) e Tan Zhiyuan (The New School), reforçando o compromisso do círculo com o futuro da crítica e da produção cinematográfica.

Uma tradição quase centenária

Fundado em 1935, o New York Film Critics Circle reúne anualmente alguns dos críticos mais respeitados dos Estados Unidos, representando jornais, revistas e publicações digitais de referência. A votação ocorre sempre em Dezembro, definindo um dos primeiros e mais influentes passos na temporada de prémios.

No ano passado, o grupo escolheu The Brutalist como Melhor Filme de 2024 — um título que, mais tarde, também conquistou espaço significativo nas nomeações da Academia.

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Um mapa claro para a corrida aos Óscares

Com a divulgação destes prémios, a NYFCC redesenha o cenário da temporada de prémios:

— One Battle After Another emerge como frontrunner;

— Jafar Panahi confirma o seu estatuto de favorito na realização;

— Wagner Moura e Rose Byrne ganham força nas categorias de interpretação;

— e o circuito de festivais prepara-se para um 2025 intensamente competitivo.

A cerimónia oficial de celebração está marcada para Janeiro, em Nova Iorque. Até lá, Hollywood terá muito para analisar — e ainda mais para especular.

As Primeiras Reacções a Avatar: Fire and Ash: James Cameron Regressa com um Espectáculo “Imaginável Só por Ele”

Um regresso colossesco a Pandora

Aconteceu finalmente: Avatar: Fire and Ash foi exibido a um grupo restrito de jornalistas, e as primeiras reacções não deixam margem para dúvidas — James Cameron volta a provar que, quando se fala em cinema-espectáculo, o trono continua solidamente seu. O terceiro capítulo da saga foi imediatamente descrito como um “espectáculo cinematográfico definitivo”, capaz de levar “os limites técnicos a terrenos que ninguém imaginava”.

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Courtney Howard, crítica de cinema, não poupou elogios, frisando que Cameron continua a dominar a arte do blockbuster como poucos:

“Três filmes depois, James Cameron ainda tem o condão. Continua a fazer do épico algo emocionalmente impactante. Brilhante, ousado e glorioso — é para isto que os cinemas foram criados.”

Sean Tajipour, igualmente impressionado, sublinhou que cada fotograma parece desafiar o possível:

“Cameron continua a ultrapassar fronteiras. Fire and Ash é ousado, envolvente, inesquecível e movido por pura ambição.”

Uma viagem, não apenas um filme

Perri Nemiroff, do Collider, destacou o que muitos críticos confirmam: a imersão é tão poderosa que o filme “parece uma viagem”. O regresso a Pandora acontece de forma quase instantânea, e a complexidade narrativa e técnica ganha novos patamares.

A jornalista notou ainda uma evolução significativa em vários aspectos de produção, incluindo a construção de mundo, os cenários e a forma como o filme integra emoção e acção num só movimento. Segundo ela, a magia do universo Avatarpermanece intacta — e, melhor ainda, mais rica.

Michael Lee foi mais crítico em relação ao enredo, que considerou menos robusto do que o impacto visual. Contudo, a avaliação geral mantém-se extremamente positiva:

“O espectáculo visual é gigantesco, especialmente em 3D. A expansão de Pandora e a introdução de novas tribos elevam o world-building. A história pode não ser perfeita, mas o filme ultrapassa fronteiras técnicas de formas inimagináveis.”

Novas ameaças, novas tribos, a mesma ambição de Cameron

Situado após os eventos de Avatar: The Way of Water, este novo capítulo acompanha a família Sully ainda em luto pela morte de Neteyam. É neste momento de vulnerabilidade que emerge uma nova ameaça: a tribo do Fogo, um grupo de Na’vi que habita zonas vulcânicas e é liderado pela vingativa Varang, interpretada por Oona Chaplin, que assim se estreia na franquia.

Ao elenco regressam Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang e Kate Winslet, reforçando a continuidade épica da narrativa. Cameron, fiel ao seu estilo, promete um capítulo emocional, visualmente impressionante e construído com uma escala que desafia as capacidades do cinema moderno.

O futuro de Avatar: tudo depende do público

James Cameron tem sido claro e pragmático: o futuro da franquia depende do desempenho de Fire and Ash nas bilheteiras. O realizador imaginou desde o início cinco filmes, e uma parte substancial de Avatar 4 já está filmada. Contudo, o projecto só avançará com força total se o terceiro capítulo conseguir conquistar novamente o público global.

Vale lembrar que Cameron tem motivos para confiar:

— Avatar é o filme mais lucrativo de sempre com 2,9 mil milhões de dólares;

— The Way of Water ocupa o terceiro lugar, com 2,3 mil milhões.

Mesmo assim, aos 71 anos, Cameron reconhece que o trabalho nos próximos filmes exigirá uma energia considerável:

“Se conseguir, faço. Não excluo nada. Estou saudável e pronto a avançar — mas tenho de ter vigor para mais seis ou sete anos disto.”

Cameron continua a ser Cameron — e isso diz tudo

As primeiras reacções a Avatar: Fire and Ash sugerem que os fãs vão encontrar tudo aquilo que esperam de James Cameron: ambição, escala, emoção, tecnologia de ponta e um domínio absoluto da grande imagem. Mesmo com algumas reservas sobre o enredo, o impacto visual e a imersão parecem ser tão extraordinários que a experiência global se impõe.

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A 18 de Dezembro, Pandora volta a abrir as portas. E, se as reacções iniciais forem indicadoras do que aí vem, Cameron pode muito bem estar a preparar-se para mais uma conquista histórica — técnica, artística e, quem sabe, financeira.

Scarlett Johansson Reafirma Posição Sobre Woody Allen — e Reflecte Sobre Integridade, Maturidade e Consequências na Carreira

A actriz volta a comentar o apoio público ao realizador, mantendo a sua posição e analisando o impacto que essa escolha poderá ter tido no seu percurso em Hollywood.

Scarlett Johansson voltou a abordar um dos temas mais delicados da sua carreira: o apoio que manifestou a Woody Allen em 2019, quando afirmou que trabalharia com o realizador “a qualquer momento”. À luz das polémicas que marcaram a última década, e questionada pelo The Telegraph sobre se essas declarações prejudicaram a sua imagem ou oportunidades profissionais, a actriz respondeu com a mesma frontalidade — e com um olhar mais maduro sobre a importância da integridade pessoal.

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Johansson reconhece que não é possível prever com exactidão o impacto que uma posição pública pode ter. “É difícil saber… Nunca sabemos qual é exactamente o efeito dominó”, afirmou. Ainda assim, mantém que foi educada para defender aquilo em que acredita, mesmo quando isso implica enfrentar críticas. “A minha mãe sempre me encorajou a ser eu própria, a perceber que é importante ter integridade e defender o que acreditamos.”

O caso remonta às alegações feitas em 1992, quando Mia Farrow acusou Woody Allen de abusar da filha adoptiva, Dylan Farrow — acusações que Dylan voltou a relatar na década de 2010, especialmente durante o movimento #MeToo. Ao longo dos anos, vários actores que trabalharam com Allen expressaram arrependimento, enquanto outros continuam a defender o realizador. Allen nunca foi condenado em nenhum processo relacionado com as alegações.

Johansson, que colaborou com Allen em Match Point (2005), Scoop (2006) e Vicky Cristina Barcelona (2008), manteve ao longo dos anos a confiança na inocência do cineasta. Mas hoje admite que nem sempre é necessário intervir publicamente em todas as discussões. “É importante saber quando não é a nossa vez. Não digo para nos calarmos; digo que, às vezes, simplesmente não é o nosso momento. Compreendi isso melhor à medida que fui amadurecendo.”

Apesar da controvérsia, a actriz continua a ser uma das figuras mais influentes da indústria, não só pelo seu trabalho em cinema mas também pela forma como enfrenta problemas estruturais de Hollywood. Em 2021, protagonizou um caso mediático ao processar a Disney devido ao lançamento simultâneo de Black Widow em sala e na plataforma Disney+, que afectou o seu bónus de bilheteira. O litígio foi resolvido no mesmo ano.

Mais recentemente, enfrentou a OpenAI, depois de a empresa lançar uma assistente virtual cuja voz lhe parecia estranhamente familiar. Johansson revelou que havia sido convidada para dar voz à personagem — convite que recusou — e considerou perturbadora a semelhança com a sua interpretação em Her, de Spike Jonze, onde dava vida a uma inteligência artificial. A OpenAI suspendeu a utilização da voz e negou qualquer intenção de imitar a actriz.

Actualmente, Johansson mantém uma agenda preenchida: está associada a um novo capítulo do universo Jurassic World e a uma futura sequência de The Exorcist, continuando a navegar entre blockbusters, projectos pessoais e debates éticos que, inevitavelmente, moldam a sua presença pública.

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Se a controvérsia de Woody Allen deixará marcas no futuro, é impossível saber. Mas para Scarlett Johansson, a integridade permanece o guião principal.

Scarlett Johansson Recusa Pressões e Mantém Referência ao Holocausto no Seu Primeiro Filme como Realizadora

Eleanor the Great estreia a 12 de Dezembro no Reino Unido, após Johansson rejeitar alterar o núcleo moral e temático da narrativa.

Scarlett Johansson não podia ter escolhido um desafio pequeno para a sua estreia na realização. Eleanor the Great, o seu primeiro filme atrás das câmaras, aborda temas delicados — identidade, mentira, memória — e fá-lo através de uma personagem idosa que afirma ser sobrevivente do Holocausto, apesar de essa história ser uma invenção. Mas antes mesmo de começar a filmar, Johansson viu-se confrontada com pressões inesperadas para alterar profundamente esta premissa.

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Em entrevista ao The Telegraph, a actriz revelou que um dos financiadores do projecto tentou obrigá-la a retirar qualquer referência ao Holocausto, alegando desconforto com essa parte do guião. O pedido surgiu quando faltava apenas um mês para o início das filmagens, depois de longos meses de preparação, ensaios e construção narrativa já estarem concluídos. A exigência era explícita: manter o filme, mas eliminar o elemento central que lhe dá forma, gravidade e sentido moral.

“Adoramos o filme, Scarlett, mas não gostamos assim tanto da parte do Holocausto. A personagem pode mentir sobre outra coisa?”, terá dito o investidor. A realizadora não cedeu. Descrever esse pedido como incompreensível foi o mínimo; Johansson explicou que não estava perante uma questão logística ou financeira, mas sim uma tentativa de amputar a essência da obra. “Se não fosse sobre o Holocausto, sobre o que seria? Não deram alternativa. Apenas disseram que isto era um problema”, afirmou.

A recusa teve consequências: o financiador abandonou o projecto. Ainda assim, Eleanor the Great conseguiu manter-se de pé e chegará às salas britânicas a 12 de Dezembro, preservando intacto aquilo que Johansson definiu como “a pior mentira imaginável” — precisamente o que torna a narrativa tão desconfortável, mas também tão necessária. O filme explora o impacto devastador de uma mentira que cresce até se tornar incontrolável, reflectindo sobre culpa, identidade e as fronteiras éticas da memória colectiva.

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Para Johansson, este episódio revela até que ponto certas histórias continuam a suscitar tensões profundas — e porque é que não devem ser suavizadas quando o objectivo é confrontar o público com verdades difíceis. A estreia de Eleanor the Great, marcada por coragem criativa e resistência a pressões externas, promete fazer correr muita tinta e abrir debates sobre representação, responsabilidade histórica e liberdade artística.