🍔 “Quero o que ela está a comer”: A Verdadeira História da Cena Mais Icónica de When Harry Met Sally…

Há cenas no cinema que se tornam eternas. E depois há essa cena. Aquela que envolve Meg Ryan, um pasmado Billy Crystal, um sanduíche e um falso orgasmo — tudo no meio de um restaurante movimentado. Sim, estamos a falar da icónica sequência de When Harry Met Sally… (1989), uma das mais memoráveis comédias românticas de sempre. Mas o que talvez não saiba é que parte dessa genialidade veio… de improvisos e ideias no momento! 😲

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Numa entrevista dada à NPR em 2004, Nora Ephron — a argumentista do filme — revelou que foi Meg Ryan quem sugeriu não só que Sally fingisse um orgasmo, mas também que isso acontecesse em pleno restaurante. Segundo Ephron, a cena tornou-se um dos momentos mais audaciosos e engraçados do cinema exactamente por causa dessa ousadia. E o toque final? A famosa frase “I’ll have what she’s having” (“Quero o que ela está a comer”) foi ideia de ninguém menos que Billy Crystal. Brilhante, não é?

Katz’s Deli: Um Templo Cinematográfico 🍴

A cena foi filmada num restaurante real — o lendário Katz’s Delicatessen, em East Houston Street, Nova Iorque. Hoje, o local tornou-se ponto de peregrinação para os fãs do filme e do cinema em geral. Na mesa onde Meg Ryan protagonizou o falso orgasmo mais famoso da história, existe agora uma placa com os dizeres: “Where Harry met Sally… hope you have what she had!”.

Mas a cena não foi feita num único take. Ryan teve de repetir o seu “momento de glória” múltiplas vezes, com a câmara a filmar de diferentes ângulos e o ambiente do restaurante a ser cuidadosamente controlado. Um trabalho de fôlego… e de pulmões! 😅

A Comida, a Personalidade e Nora Ephron ✍️

Outro detalhe delicioso: os hábitos alimentares maníacos de Sally — aquela coisa de pedir pratos complicados e com mil modificações — vieram da própria Nora Ephron! O realizador Rob Reiner reparou em como Ephron pedia a sua comida e decidiu que isso tinha de entrar no argumento. Quando ele lhe disse “Tu és igualzinha à Sally!”, Ephron respondeu: “Eu só quero as coisas como eu quero”. E, claro, essa linha acabou mesmo no filme.

Anos depois, já com o filme consolidado como um clássico, Ephron contou que, ao pedir um prato num avião de forma muito específica, a hospedeira olhou para ela e perguntou: “Já viu o filme When Harry Met Sally…?” — sem sequer perceber que estava a falar com a mulher que o escreveu! ✈️😂

Um Clássico com Sabor a Realidade

Parte da magia de When Harry Met Sally… está no facto de as personagens parecerem absolutamente reais. Não são perfeitas, mas são honestas — e muito engraçadas. A contribuição espontânea dos actores, as observações pessoais de Nora Ephron e o olho clínico de Rob Reiner criaram um filme que atravessou gerações.

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E tudo começou com um orgasmo falso no meio de um pastrami. Que mais se pode pedir ao cinema?

🎬 “Greed is Good”… mas os bastidores de Wall Street foram tudo menos tranquilos

Quando Oliver Stone realizou Wall Street em 1987, o mundo ainda não sabia que estava prestes a assistir a um dos retratos mais icónicos da ganância americana — mas também não fazia ideia do caos que se passou atrás das câmaras. Sim, o filme foi um sucesso. Sim, Michael Douglas brilhou como Gordon Gekko e até levou um Óscar para casa. Mas o caminho até ao “Greed is good” foi tudo menos dourado.

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Um maestro despedido, uma actriz mal escalada e um realizador impiedoso

Comecemos pela música. A ideia original era contar com Jerry Goldsmith, um dos compositores mais respeitados de Hollywood. Mas Oliver Stone não ficou nada impressionado com o que ouviu. Resultado? Goldsmith foi despedido, mesmo depois de já ter recebido um pagamento chorudo. “Ele ficou mesmo insultado”, admitiu Stone mais tarde, reconhecendo que tal atitude lhe valeu uns quantos inimigos no sindicato dos músicos. Na época, substituir um compositor já contratado era algo praticamente impensável.

A solução apareceu de forma pouco ortodoxa: Stewart Copeland, o baterista dos The Police, entrou em cena e entregou uma banda sonora eficaz — e rápida. “Lembro-me de ter uma ligação qualquer com ele, mas já não sei bem qual”, confessou Stone. A urgência falou mais alto, e Copeland salvou o dia.

Charlie Sheen teve de escolher… entre Jack Lemmon e o próprio pai

Um dos momentos mais curiosos da produção foi quando Oliver Stone ofereceu a Charlie Sheen a oportunidade de escolher o seu “pai cinematográfico”. A escolha era entre Jack Lemmon, uma lenda de Hollywood, ou… Martin Sheen, o seu pai na vida real. Charlie escolheu o sangue — e a química entre pai e filho no ecrã ficou para a história.

Daryl Hannah e o papel que nunca devia ter sido seu

Nem todas as escolhas do realizador correram tão bem. Stone admitiu mais tarde que foi demasiado orgulhoso para substituir Daryl Hannah, mesmo quando toda a equipa achava que ela estava mal escalada para o papel de Darien. Pior ainda: Sean Young, que queria desesperadamente o papel, fez questão de causar tensão no set, chegando atrasada e mal preparada — e não se coibiu de dizer a Stone que Hannah devia ser despedida. A má energia resultou numa participação reduzida de Young no filme. Karma imediato.

Michael Douglas: de produtor a vilão lendário

Na altura, Michael Douglas era mais conhecido como produtor do que como ator, o que causou alguma hesitação por parte dos estúdios. “Ele vai querer mandar no filme”, diziam a Stone. Mas o realizador confiou nele — e ainda bem. Douglas entregou uma das melhores interpretações da sua carreira, muito por culpa de… Oliver Stone.

Num momento de provocação calculada, o realizador entrou no camarim do ator e perguntou-lhe: “Estás a drogar-te? Pareces alguém que nunca representou na vida.” Douglas ficou chocado… e motivado. Voltou a trabalhar as falas, estudou obsessivamente a personagem e levou Gekko a um novo nível — culminando naquele momento icónico em que diz: “Greed, for lack of a better word, is good.

Um filme mal compreendido… ou demasiado bem compreendido?

Apesar de todo o subtexto crítico, Stone confessou mais tarde algo revelador:

“Quando fiz o filme, achava que a ganância não era boa. Mas aprendi que as pessoas gostam mesmo de dinheiro. Gostam de quem faz dinheiro. Até admiram o vilão com dinheiro — mesmo quando quebra a lei.”

Quase 40 anos depois, Wall Street continua a ser citado, estudado, e até mal interpretado por alguns dos mesmos executivos que o filme satiriza. É, talvez, o exemplo perfeito de uma obra que pretendia criticar… mas que acabou por inspirar.

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📺 Onde verWall Street está disponível para aluguer na Apple TV, e passa regularmente no canal FOX Movies.

 The Phoenician Scheme: Wes Anderson regressa com heranças, espiões e… Benicio del Toro

O universo colorido e milimetricamente simétrico de Wes Anderson está prestes a regressar ao grande ecrã com The Phoenician Scheme, o 13.º filme do realizador, e o primeiro trailer já foi divulgado. Preparem-se para mais uma odisseia de personagens excêntricas, cenários estilizados e diálogos que mereciam ser emoldurados.

Desta vez, Anderson leva-nos para o mundo da espionagem com uma comédia negra onde Benicio del Toro interpreta Zsa-Zsa Korda, um milionário excêntrico que já escapou à morte seis vezes (não perguntes como). Ao perceber que o seu tempo pode finalmente estar a esgotar-se, decide nomear a sua filha Liesl (interpretada por Mia Threapleton) como herdeira única da sua fortuna — apesar de uma relação familiar que, digamos, não é propriamente um conto de fadas.

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A jovem Liesl é uma freira e a única rapariga entre dez filhos de Zsa-Zsa (sim, dez!). A esta dupla improvável junta-se Bjorn, um tutor interpretado por Michael Cera, numa jornada tão absurda quanto importante: concretizar aquilo que o patriarca descreve como “o projeto mais importante da sua vida”. Espionagem, heranças, drama familiar e, claro, muito estilo à Wes Anderson.

Um elenco de luxo ao estilo “Anderson”

Como já é tradição, o elenco de The Phoenician Scheme é um verdadeiro festival de estrelas: Scarlett JohanssonTom HanksRiz AhmedBryan CranstonBenedict CumberbatchJeffrey WrightRichard AyoadeMathieu AmalricRupert Friend e Hope Davis fazem parte desta mistura improvável e irresistível. Anderson volta também a contar com Roman Coppola, coargumentista habitual, na escrita da história.

A produção está a cargo de Steven RalesJeremy Dawson e John Peet, veteranos do “Andersonverse” — como os fãs mais devotos já baptizaram o universo cinematográfico único do realizador.

Wes em modo espião?

Apesar de The Phoenician Scheme manter o ADN visual e narrativo do cineasta, esta será uma incursão mais declarada no terreno do thriller de espionagem, embora filtrado pela lente irónica e poética de Anderson. O trailer revela cenários em tons pastel, enquadramentos milimétricos, narradores omniscientes e aquele tom de melancolia disfarçada de excentricidade que já conhecemos de filmes como The Grand Budapest Hotel ou Asteroid City.

O título do filme, “Phoenician Scheme”, remete tanto para mistérios ancestrais como para conspirações modernas — mas com o toque muito particular de quem é capaz de transformar uma perseguição internacional numa dança coreografada com chávenas de porcelana.

Quando chega?

Ainda sem data confirmada para estreia em Portugal, The Phoenician Scheme tem estreia garantida nos EUA pela Focus Features e deverá passar por alguns dos principais festivais de cinema internacionais. Apostamos numa estreia no outono, que é quando Wes Anderson costuma gostar de colorir as salas com tons de nostalgia, humor e melancolia bem medidas.


🎥 The Phoenician Scheme promete ser mais uma peça singular na filmografia de Wes Anderson — e, quem sabe, mais uma obra-prima com lugar cativo nos tops de fim de ano.

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Entre Dois Mundos: Os Cineastas Matis Que Estão a Redefinir o Cinema Indígena

🎥 Equipados com câmaras pequenas mas com uma visão imensa, os realizadores indígenas brasileiros Pixi Kata MatisDamba Matis estão a mostrar ao mundo uma nova forma de fazer cinema – a partir do coração da Amazónia. Pela primeira vez fora do Brasil, os dois cineastas viajaram até Paris para apresentar o seu documentário “Matses Muxan Akadakit”, uma obra profundamente íntima e culturalmente rica que regista um dos rituais mais simbólicos da sua comunidade: a tatuagem facial dos jovens Matis.

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O filme, com 92 minutos e disponível gratuitamente no YouTube, foi gravado entre 2018 e 2019 e já passou por festivais na Alemanha, Bélgica e França. A sua exibição mais recente aconteceu no histórico Collège de France, fundado em 1530 – uma instituição que durante séculos estudou os povos indígenas, mas raramente lhes deu voz. Desta vez, a história foi contada por quem a vive.

Um cinema feito de dentro

O povo Matis habita o Vale do Javari, uma das regiões indígenas mais ricas e protegidas do planeta, na fronteira entre o Brasil, o Peru e a Colômbia. A sua história de contacto com o mundo exterior é recente – só em meados da década de 1970 é que tiveram os primeiros encontros. Ainda assim, em menos de duas gerações, passaram do isolamento ao digital. Aprenderam a filmar, a editar e, sobretudo, a narrar o seu mundo com o seu olhar.

Pixi Kata Matis, de 31 anos, e Damba Matis, de 25, fazem parte de uma geração que percebeu que o futuro passa por viver entre dois mundos – o da floresta e o das cidades.

“Hoje estamos a tentar aprender sobre o mundo dos brancos. Aprendemos português, mas mantemos a nossa língua. É mais importante”, explica Pixi.

A sua chegada a Paris foi registada por eles próprios – com as câmaras que se tornaram extensões da sua identidade. Damba, presidente da Associação dos Indígenas Matis, disse que a câmara é, para eles, “tão importante quanto o livro e a caneta são para os brancos”.

“Sem a câmara, não temos provas da nossa cultura nem da nossa viagem”, sublinha.

Um cinema coletivo e espiritual

Ao contrário da lógica individualista de muitos cineastas ocidentais, os Matis pensam o cinema de forma coletiva. Segundo o consultor francês Lionel Rossini, que os acompanha há anos, “eles têm uma maneira única de pensar e fazer cinema – como um grupo, como um corpo unido”. Rossini também ajudou na edição de “Matses Muxan Akadakit” e garante que a formação continua: há agora 16 jovens realizadores Matis prontos para pegar na câmara.

A experiência europeia será levada de volta para a aldeia, onde os “dadasibo” – os anciãos – aguardam com entusiasmo para ver as imagens da viagem. Um momento que mistura o moderno com o ancestral, o registo audiovisual com a oralidade tradicional.

A câmara como arma contra o esquecimento

O Vale do Javari enfrenta ameaças constantes: madeireiros ilegais, garimpeiros, tráfico de drogas. Mesmo assim, o acesso ao sistema de internet por satélite Starlink já chegou a algumas povoações, criando paradoxos entre o tradicional e o contemporâneo. Para os Matis, isso não é um problema, mas uma nova realidade.

Estão em produção dois novos documentários: um sobre um festival em torno da capivara e outro sobre Mariwin, o espírito da floresta. E se há algo que este percurso mostra, é que a câmara na mão de um indígena deixa de ser uma ferramenta de exotização ou estudo antropológico: torna-se uma arma de afirmação cultural, uma ponte entre mundos e um meio de preservar aquilo que muitos querem apagar.

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Pixi resume o espírito da sua geração:

“Fico emocionado por contar a minha própria história. A gente conseguiu lidar bem com o mundo dos brancos. Outros que vieram antes não conseguiram. Mas nós vamos continuar.”

🎬 Documentário: Matses Muxan Akadakit

📍 Disponível em: YouTube

🗓️ Duração: 92 minutos

🌍 Próximos projetos: Filme sobre o festival da capivara e documentário sobre Mariwin, o espírito da floresta

📷 Produzido por: Associação dos Indígenas Matis com apoio do CTI e edição de Lionel Rossini

Robert De Niro vai ser homenageado com a Palma de Ouro Honorária em Cannes: Uma Lenda Reconhecida

🎬 Aos 81 anos, Robert De Niro continua a fazer história. O lendário ator norte-americano vai receber uma Palma de Ouro honorária na cerimónia de abertura do 78.º Festival de Cannes, marcada para o próximo dia 13 de maio, e os cinéfilos já estão em contagem decrescente para este merecido momento de celebração.

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A organização do festival não poupou elogios ao ator de Taxi DriverO Touro Enraivecido e Tudo Bons Rapazes, sublinhando a forma como De Niro “se tornou um mito do cinema” graças a uma interpretação interiorizada, onde tudo pode estar na subtileza de um sorriso ou na dureza de um olhar.

Com este galardão, o Festival de Cannes presta tributo não só ao ator, mas também ao produtor, ao fundador do Festival Tribeca em Nova Iorque e ao homem que, em mais de cinco décadas de carreira, se tornou sinónimo de excelência artística e integridade criativa.

Cannes, um regresso a casa

Robert De Niro já esteve várias vezes presente na Croisette, inclusive como presidente do júri em 2011, mas esta será a primeira vez que recebe uma distinção honorária do festival. E fá-lo com palavras que revelam o carinho que guarda pelo evento:

“Especialmente hoje, quando tantas coisas no mundo nos separam, Cannes reúne-nos: narradores, cineastas, admiradores e amigos. É como voltar para casa.”

O ator irá receber o prémio na noite de abertura do festival e, no dia seguinte, dará uma masterclass pública – um dos momentos mais aguardados do evento, sobretudo para as novas gerações de atores e cinéfilos que cresceram a admirar o seu trabalho.

De Nova Iorque para o mundo

Nascido em agosto de 1943, no bairro nova-iorquino de Little Italy, De Niro cresceu num ambiente artístico. Filho de pais artistas e descendentes de imigrantes europeus, começou a representar aos 16 anos, primeiro no teatro e pouco depois no cinema. Estreou-se com Festa de Casamento (1969), de Brian De Palma, e nunca mais parou.

Com mais de 100 títulos no currículo, De Niro foi distinguido com dois Óscares: Melhor Ator Secundário por O Padrinho, Parte II (1974), de Francis Ford Coppola, e Melhor Ator por O Touro Enraivecido (1980), de Martin Scorsese. É precisamente a colaboração com Scorsese que marca profundamente a sua filmografia, numa parceria lendária que inclui títulos como Tudo Bons RapazesCasinoO Irlandês e o recente Assassinos da Lua das Flores.

Mas a sua versatilidade também brilha na comédia (Paternidade a MeiasUma Grande Aventura), no drama (DespertaresSleepers) e no romance (Nova Iorque, Eu Amo-teCartas para Julieta).

Uma homenagem merecida e simbólica

A Palma de Ouro Honorária, que já foi atribuída a nomes como Jeanne Moreau, Agnès Varda, Jane Fonda e Harrison Ford, é uma forma de o Festival de Cannes reconhecer o impacto cultural de artistas cuja obra transcende o tempo. E poucos nomes o merecem tanto quanto De Niro – uma força criativa que não só moldou o cinema norte-americano, como ajudou a redefinir o que significa ser ator.

Além disso, a sua dedicação à arte cinematográfica estende-se à produção e à criação de plataformas para novos talentos, como provado pelo Festival Tribeca, que fundou após os atentados de 11 de setembro para revitalizar culturalmente Nova Iorque.


A seleção oficial de Cannes 2024 será revelada a 11 de abril, e o festival decorre entre 13 e 24 de maio. Até lá, celebramos este anúncio com a certeza de que Robert De Niro é – e continuará a ser – um dos rostos mais indeléveis da Sétima Arte.


📌 Estreia da cerimónia de abertura: 13 de maio

📺 Onde acompanhar: TV5 Monde, plataformas de streaming internacionais e imprensa cinematográfica

🎓 Masterclass com Robert De Niro: 14 de maio, em Cannes

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Woody Harrelson diz “não” à terceira temporada de “The White Lotus”

The White Lotus… por causa de umas férias em família! 🌴

🎭 Era uma vez em… Phuket. Woody Harrelson esteve prestes a integrar o elenco da terceira temporada de The White Lotus, a aclamada série de sátira social de Mike White. Mas, ao contrário das teorias que circularam, a razão da sua ausência não teve nada a ver com salários ou desavenças — apenas com algo tão simples (e raro em Hollywood) quanto manter um compromisso familiar.

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“Estava preparado para fazer The White Lotus e muito entusiasmado,” revelou Harrelson ao The Daily Beast. “Infelizmente, o calendário de produção mudou e coincidiu com umas férias familiares que já estavam marcadas. Foi uma decisão extremamente difícil.”

Segundo o actor, a produção estava inicialmente alinhada com a sua disponibilidade, mas o adiamento das gravações obrigou-o a escolher entre a carreira e a família. E, pelo visto, as praias tailandesas ficaram reservadas… mas apenas para os Harrelson.

Não foi por dinheiro (desta vez)

Logo após a revelação do elenco da temporada 3, surgiram rumores de que Harrelson teria recusado um dos papéis principais — Rick (agora interpretado por Walton Goggins) ou Frank (interpretado por Sam Rockwell) — devido à política da produção de pagar o mesmo a todos os actores. Uma prática pouco comum em séries de grande visibilidade e ainda mais rara entre nomes de peso.

Mas Woody desmentiu com classe e generosidade. “As coisas acontecem por uma razão”, acrescentou. “Não conseguiria ter feito um trabalho tão fantástico como o Sam, que está a arrasar.”

O fim está próximo… e promete

A terceira temporada de The White Lotus chega ao fim este domingo com um episódio especial de 90 minutos, o mais longo da história da série. Gravada na Tailândia, esta nova temporada mergulha em novas dinâmicas de privilégio, hipocrisia, karma e, claro, morte anunciada.

O elenco desta temporada inclui nomes como Parker Posey, Jason Isaacs, Michelle Monaghan, Natasha Rothwell (de volta como Belinda), Carrie Coon, Francesca Corney, Patrick Schwarzenegger, Aimee Lou Wood e a estrela do K-pop Lisa (BLACKPINK), entre muitos outros.

A série, vencedora de 15 Emmys nas suas duas primeiras temporadas, continua a ser escrita, realizada e produzida por Mike White, com produção executiva de David Bernad e Mark Kamine.

🎬 The White Lotus é um fenómeno global que não só domina as conversas nas redes sociais, como também influencia a moda, a crítica social e o gosto televisivo contemporâneo — e agora sabemos que quase teve Woody Harrelson a bordo.

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Quem sabe se na próxima temporada… não será em Cabo Verde? 🌊

Filme de Minecraft parte tudo nas bilheteiras: estreia arranca com 157 milhões de dólares

🎬 O fenómeno dos videojogos chega ao topo do cinema. A Minecraft Movie, a tão aguardada adaptação cinematográfica do icónico videojogo de 2011, superou todas as expectativas e arrecadou uns impressionantes 157 milhões de dólares no primeiro fim de semana nos cinemas norte-americanos — um novo recorde de 2025.

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As previsões iniciais apontavam para uma estreia na casa dos 60 milhões de dólares, valor depois revisto para cerca de 100 milhões. Mas nem mesmo os analistas mais optimistas conseguiram antecipar o fenómeno em que o filme se tornou.

“Esta foi a primeira grande surpresa do ano,” afirmou Paul Dergarabedian, analista sénior da Comscore, ao canal CNN. “A Minecraft Movie ultrapassou o recorde anterior, estabelecido por Captain America: Brave New World, que tinha estreado com 88,5 milhões.”

Um sucesso gerado pela comunidade

A explicação para esta performance explosiva nas bilheteiras passa, em parte, por uma combinação de factores estratégicos. A estreia coincidiu com as férias da primavera de muitos estudantes universitários e adolescentes, o que ajudou a impulsionar as vendas de bilhetes. Além disso, o entusiasmo da comunidade Minecraft ajudou a criar uma verdadeira onda de boca-a-boca.

“Quando um lançamento gera este tipo de entusiasmo, as previsões deixam de contar,” referiu David A. Gross, da FranchiseRe.

Apesar das reações iniciais algo divididas aos trailers, o filme conquistou um público alargado — mesmo sem impressionar particularmente os críticos. A verdade é que os fãs compareceram em massa, muitos deles com ligação emocional ao jogo que marcou gerações.

Minecraft lidera o “ranking” das adaptações de videojogos

Com estes números, A Minecraft Movie torna-se oficialmente a melhor estreia doméstica de sempre para um filme baseado num videojogo, ultrapassando pesos-pesados como:

  • The Super Mario Bros. Movie (146 milhões, abril 2023)
  • Five Nights at Freddy’s (80 milhões, outubro 2023)
  • Sonic the Hedgehog 2 (72 milhões, abril 2022)

Para os analistas, o segredo do sucesso pode também estar na classificação etária: os filmes baseados em videojogos com classificação PG (para todos os públicos) têm consistentemente superado os PG-13 (para maiores de 13 anos), o que os torna mais acessíveis para famílias e audiências mais jovens.

Alívio para a indústria do cinema

Este sucesso chega num momento crucial para Hollywood. Segundo a Comscore, as receitas de bilheteira em 2025 estavam 13% abaixo do valor do ano anterior, antes da estreia de Minecraft. Com este impulso, a diferença caiu para apenas 5%, dando um sinal claro de recuperação à indústria.

“Foi um primeiro trimestre historicamente fraco,” diz Shawn Robbins, analista do Box Office Theory. “Mas Minecraft trouxe finalmente luz ao fundo do túnel.”
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E há mais boas notícias no horizonte: a segunda metade do ano promete trazer mais blockbusters, com Thunderbolts (Marvel) já agendado para 2 de maio, seguido de Mission: Impossible – The Final Reckoning (23 de maio) e F1 da Warner Bros. (27 de junho).

🎮 A Minecraft Movie é mais do que uma adaptação de sucesso. É uma prova viva de que os videojogos continuam a conquistar o grande ecrã — e que quando o público se sente parte da história, os resultados nas bilheteiras falam por si.

Hugh Grant indigna-se com controlo de passaportes em Heathrow: “Foi insultuoso e creepy”

✈️ Hugh Grant, o eterno galã de Notting Hill e O Diário de Bridget Jones, não é homem de escândalos. Mas desta vez, o ator britânico perdeu a paciência — e foi no aeroporto de Heathrow, onde nem o charme londrino o salvou de um momento embaraçoso com os serviços de imigração.

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Segundo o próprio Hugh, que recorreu ao Twitter (agora X) para desabafar, tudo aconteceu na passada sexta-feira, 4 de abril, quando atravessava o aeroporto com a mulher, Anna Elisabet Eberstein, e os três filhos em comum, de 12, 9 e 7 anos.

“Acabei de passar pelo Heathrow com a minha mulher e os nossos filhos. Todos temos o mesmo apelido (Grant) nos passaportes. O agente da imigração mete conversa com as crianças e depois sussurra-lhes: ‘São mesmo estes os teus pais?’”

Hugh não achou graça. Chamou a situação de “intrusiva, insultuosa e creepy” — e nós imaginamos perfeitamente a sua cara de Mr. Darcy desconfortável no momento.

O ator, que foi recentemente nomeado para um BAFTA pelo seu papel aterrador no filme Heretic (sim, Hugh Grant num filme de terror — 2024 é mesmo surpreendente), tem, no total, cinco filhos. Para além dos três que estavam com ele no aeroporto, tem outros dois filhos com a ex-companheira Tinglan Hong.

Grant, conhecido por ser reservado quanto à sua vida familiar, não revelou para onde estava a viajar. Mas uma coisa é certa: não foi de bom humor.

🕵️‍♂️ Segundo as orientações oficiais do governo britânico, os agentes da imigração (conhecidos como Border Force officers) têm autorização para fazer algumas perguntas adicionais quando um adulto viaja com crianças que não tenham o mesmo apelido — o que, neste caso, nem se aplicava.

A própria legislação recomenda que essa abordagem seja “sensível aos interesses da criança e do adulto envolvido”. Ao que parece, o agente em questão preferiu o estilo “filme de conspiração com Nicholas Cage”.

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💬 Nas redes sociais, os seguidores dividiram-se entre os que defenderam o cuidado com potenciais casos de tráfico de menores e os que concordaram com Hugh Grant, apontando o absurdo da situação, já que todos os passaportes tinham o mesmo apelido. Um utilizador comentou: “Se até o Hugh Grant é interrogado… imagine o comum dos mortais!”

Olivier Awards 2025: Celine Dion, super-heróis e troféus a servir de… batentes de porta?

✨ Os Olivier Awards 2025 celebraram o melhor do teatro britânico e, como já é tradição, a noite não foi só feita de prémios. Houve emoção, humor, momentos improváveis e até homenagens… inesperadas a brinquedos e a Celine Dion. Aqui ficam cinco coisas que aprendemos na noite mais prestigiada do teatro do Reino Unido.

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🎭 John Lithgow precisa urgentemente de mais uma porta

O veterano John Lithgow levou para casa o prémio de Melhor Actor pela sua interpretação de Roald Dahl em Giant. Com um currículo impressionante — de The Crown a 3rd Rock from the Sun — o ator parecia genuinamente surpreendido com o prémio.

“Tenho exatamente seis portas no segundo andar da minha casa em Los Angeles… e já ganhei seis Emmys”, contou com humor. “Agora vou precisar de outra porta para este Olivier!” O troféu pode ir parar ao chão, mas o talento de Lithgow está bem lá no alto.

🎤 Billy Porter adora o público britânico (mas tem umas dicas para a nossa culinária)

O sempre exuberante Billy Porter, atualmente a brilhar como Emcee em Cabaret, partilhou o palco da apresentação com Beverley Knight. E se há coisa que Billy sabe fazer, é animar uma sala.

Adora o público britânico — “mais reservado, mas a soltar-se cada vez mais” — e até se mostra fã da gastronomia local. Só tem uma sugestão: “falta sal e pimenta… antes de cozinhar, não depois”. Fica a dica para os chefs de serviço do West End.

🏆 Romola Garai vence… contra si própria

Romola Garai fez história ao ser nomeada duas vezes na mesma categoria (Melhor Actriz Secundária) — por The Years e Giant — e acabou por levar o prémio para casa.

Mas o verdadeiro herói da história é o filho de Garai: “Ele pediu para guardar o prémio no quarto dele, com os bonecos de super-heróis. E eu disse: ‘Pronto, está bem.’” Se o Olivier se der bem com o Homem-Aranha, parece-nos um ótimo plano.

🚢 Celine Dion ainda não viu o musical sobre… Celine Dion

Titanique, um musical que reimagina Titanic ao som dos maiores êxitos de Celine Dion, foi um dos fenómenos da noite. A história? Celine invade um museu e assume o papel de narradora da tragédia do navio.

O musical venceu dois Oliviers — incluindo o de Melhor Comédia — mas Celine ainda não viu a produção. Já o seu cenógrafo, uma das irmãs e até uma backing vocal marcaram presença.

Marla Mindelle, que interpreta a própria Celine no palco, já imagina o que aconteceria se a diva aparecesse: “Desmaiava… e depois a verdadeira Celine subiria ao palco, tomava o meu lugar e continuava o espetáculo. E tudo corria na perfeição.”

🕺 Meera Syal descobriu a nomeação depois de… uma aula de Zumba

Nomeada para Melhor Atriz pelo seu papel comovente em A Tupperware of Ashes, onde interpreta uma mãe diagnosticada com Alzheimer precoce, Meera Syal recebeu a boa notícia de forma inesperada.

“Saí da aula de Zumba, tinha 10 chamadas perdidas do meu agente e outras tantas da minha filha. Liguei, ainda suada e de leggings, e fiquei em choque. Uma bela surpresa para uma manhã de terça-feira!”


📺 Onde ver os premiados?

Algumas das produções vencedoras, como Cabaret, continuam em exibição no West End — e há gravações disponíveis em serviços como National Theatre at Home, BBC iPlayer (UK) ou Sky Arts, embora o acesso possa variar conforme o território. Em Portugal, canais como a RTP2 ou plataformas como o Filmin Portugal são os mais atentos à programação teatral internacional.

Nanni Moretti Sobrevive a Enfarte e Recebe Alta: O Cinema Europeu Respira de Alívio

A Cena Mais Infame da História do Cinema: O Calvário de Maria Schneider em Último Tango em Paris

🎬 É uma das imagens mais perturbadoras e controversas da história do cinema: uma jovem de 19 anos, vulnerável e em lágrimas reais, numa cena de violação simulada que não constava do guião original. Falamos, claro, da infame “cena da manteiga” de Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci, protagonizado por Marlon Brando e Maria Schneider. A verdade por detrás da rodagem daquela sequência — e o seu impacto profundo e devastador na vida da atriz — é agora contada no filme Maria, de Jessica Palud, com Anamaria Vartolomei no papel principal.

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Mais de cinquenta anos depois, o episódio continua a provocar choque, raiva e desconforto. Não apenas pelo que se vê no ecrã, mas porque a dor era real. Maria Schneider, em múltiplas entrevistas ao longo da sua vida, explicou como foi traída pela equipa do filme, em especial por Bertolucci e Brando. A cena foi decidida entre os dois homens e filmada sem o seu consentimento total. O resultado? Uma atuação extraordinária, mas à custa de um trauma profundo.

“Senti-me violada, tanto pelo Marlon como pelo Bertolucci”

Maria Schneider, que morreu em 2011 vítima de cancro, falou abertamente da sua experiência: “Aquela cena não estava no guião. Foi ideia do Marlon. Só me disseram no dia, e eu senti-me humilhada, violada, emocionalmente devastada.” Ela acrescentou que chorava lágrimas verdadeiras durante a filmagem e que Brando não se desculpou nem a confortou após a cena. Bertolucci, por sua vez, afirmou mais tarde que queria uma reacção “real” da jovem — não como atriz, mas como rapariga, o que agrava ainda mais o escândalo.

Em 2016, quando uma entrevista antiga do realizador veio a público, onde ele admitia com frieza que queria provocar humilhação real, a indignação reacendeu-se. Hollywood, à luz do movimento #MeToo, olhou para trás com horror. Último Tango em Paris, uma obra que durante décadas figurou entre os “clássicos arrojados”, tornou-se símbolo de abuso de poder em nome da arte.

Uma carreira marcada pelo trauma

Apesar do sucesso do filme — que arrecadou 36 milhões de dólares nos EUA e foi um fenómeno de bilheteira na Europa — Maria Schneider recebeu apenas 4 mil dólares. Foi ela quem apareceu nua. Foi ela quem chorou em cena. E foi também ela quem ficou marcada para sempre pela forma como foi tratada.

Durante anos, a atriz lutou contra o vício, depressão e ansiedade. Tentou suicidar-se. Foi internada. A sua carreira nunca recuperou. Embora tenha participado em filmes importantes como The Passenger (1975), ao lado de Jack Nicholson, Maria nunca deixou de ser conhecida como “a rapariga do Último Tango”.

A fama súbita também teve efeitos colaterais: “Fiquei famosa da noite para o dia. As pessoas pensavam que eu era como a personagem. Inventava histórias para os jornalistas, mas isso não era eu… Isso deixou-me louca”, confessou Schneider. A pressão mediática e os julgamentos morais arrastaram-na para uma espiral de autodestruição.

Um novo olhar sobre um velho escândalo

O novo filme Maria, realizado por Jessica Palud e protagonizado por Anamaria Vartolomei e Matt Dillon (como Marlon Brando), pretende dar voz à mulher por trás da personagem. Com base no livro de Vanessa Schneider, prima da atriz, a longa-metragem apresenta um retrato comovente da jovem Maria — filha ilegítima de um ator francês, abandonada pelos pais e, mais tarde, abandonada também pela indústria que a explorou.

Vartolomei, que recria a cena da manteiga no filme, disse em entrevista à BBC que chorou durante a filmagem. “Senti a violência daquilo. A violência física e emocional. A Maria estava sozinha. Não tinha ninguém do seu lado. Só pessoas a observarem, a filmarem… e a não fazerem nada.”

Segundo a realizadora, Maria não pretende condenar com raiva, mas sim expor a estrutura que permitiu este tipo de abusos. “Não quis julgar, mas mostrar o sistema. Há ainda muito trabalho a fazer, mas uma cena como aquela já não aconteceria hoje. E isso é um sinal de mudança.”

Uma herança a reavaliar

O debate em torno de Último Tango em Paris levanta questões mais profundas sobre o cânone cinematográfico e a forma como idolatramos certos filmes — e realizadores — ignorando as consequências para os intérpretes. Como disse a crítica Anna Smith: “Há muito tempo que acredito que o cânone dos grandes filmes precisa de ser reexaminado, porque vem de um lugar profundamente patriarcal.”

Hoje, muitos espectadores — e instituições culturais — olham para Último Tango com outra lente. Não é uma questão de apagar o passado, mas de o compreender com consciência. E de dar finalmente voz àquelas — como Maria Schneider — que, durante demasiado tempo, foram silenciadas.

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Onde ver o filme e o documentário sobre Maria Schneider:

  • Último Tango em Paris encontra-se disponível em edições físicas (DVD/Blu-ray) e pontualmente em serviços como MUBI ou Filmin.
  • O filme Maria ainda não tem data de estreia em Portugal, mas deverá integrar festivais europeus nos próximos meses.
  • O livro de Vanessa Schneider encontra-se traduzido em francês e pode ser encomendado online.

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🎬 Finn Wolfhard: de estrela de Stranger Things a realizador promissor com sangue de “Scream King”

O título pode soar exagerado, mas quem acompanhou a estreia de Hell of a Summer — agora finalmente nos cinemas — sabe que Finn Wolfhard não é apenas mais uma estrela juvenil em transição para a realização. Com apenas 22 anos, o ator canadiano estreou-se atrás das câmaras com uma comédia slasher escrita, realizada e protagonizada por si. E não foi nada fácil.

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Em entrevista à PEOPLE, o jovem revelou que começou a escrever o argumento com apenas 16 anos. Mas não foi só o argumento que enfrentou obstáculos: também ele teve de bater a muitas portas que se fecharam logo à entrada.

“Senti muitas vezes que não me levavam a sério por causa da idade. Era só mais um miúdo com uma ideia. Mas tivemos a sorte de contar com produtores que acreditaram em nós”, contou.

A “nós” refere-se a Billy Bryk, seu cúmplice criativo e co-realizador do filme. Juntos, escreveram Hell of a Summer, que estreou em 2023 no Festival de Toronto e chega agora a um circuito mais alargado de exibição.

Um verão sangrento com risos à mistura

O filme segue um grupo de monitores de um acampamento de verão que se tornam alvo de um assassino mascarado. É uma homenagem óbvia aos clássicos dos anos 80, mas com uma energia millennial e um piscar de olho ao humor de Shaun of the Dead, uma das principais influências do realizador.

“Queria algo com personagens fortes, humor genuíno e tensão real. Algo que não fosse só sustos e sangue. Queria algo com coração”, disse Wolfhard.

Além de Shaun of the Dead, Finn cita também Let the Right One InSouth Park e até as primeiras temporadas de Os Simpsons como fontes de inspiração para o tom da sua estreia.

O elenco conta com rostos como Fred Hechinger (The White Lotus), Abby Quinn, D’Pharaoh Woon-A-Tai (Reservation Dogs) e Adam Pally. Mas é o entusiasmo irreverente de Finn que dá alma ao projeto.

“Scream King” com ambições de autor

Wolfhard já é veterano no terror. De Stranger Things a It, passando por The TurningThe Addams Family e Ghostbusters, é presença regular no género — e com boas razões. Como ele próprio admite, é “um espaço onde se sente confortável”. Ainda assim, recusa-se a ficar preso a um rótulo:

“Se fizer outro filme de terror, tem de ser algo mesmo louco ou totalmente original. Quero explorar outros géneros, não só como realizador, mas também como ator.”

Apesar do entusiasmo, Wolfhard é realista quanto ao caminho que ainda tem pela frente. “Mesmo tendo feito um filme, sei que muitos vão continuar a tratar-me como um miúdo que não sabe o que está a fazer. Mas estou em paz com isso. Vou provar-me as vezes que forem necessárias.”

E se Hell of a Summer for apenas o primeiro passo, não temos dúvidas: Finn Wolfhard está cá para ficar — com ou sem máscara.

🎥 Onde ver “Hell of a Summer” em Portugal?

Por enquanto, o filme ainda não está disponível nos canais nacionais nem nas plataformas de streaming portuguesas. Mas fica atento ao catálogo da Filmin Portugal e aos ciclos de cinema de género nos festivais, porque este é dos que tem tudo para aparecer por lá.

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Val Kilmer: As 10 Personagens Mais Icónicas da Sua Carreira (e Onde as Rever)

Por pedido dos fãs do Clube de Cinema, reunimos as dez personagens mais marcantes da carreira de Val Kilmer, ator recentemente falecido e que deixou uma marca indelével no grande ecrã. Com quase quatro décadas de carreira, Kilmer oscilou entre o drama, a comédia, a ação e até a animação — e é impossível falar dele sem pensar imediatamente em algumas destas interpretações inesquecíveis. Sempre que possível, indicamos também onde os filmes estão disponíveis em streaming ou canais portugueses.

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10. Simon Templar – The Saint (1997) 
Val Kilmer deu corpo ao famoso ladrão com alma de justiceiro em The Saint, inspirado na criação literária de Leslie Charteris. Com mudanças de disfarce ao estilo de Ethan Hunt e um charme à prova de bala, Kilmer encarna Templar com destreza. Apesar de o filme ter ganho estatuto de culto ao longo dos anos, não arrancou a saga prometida. Ainda assim, merece o seu lugar nesta lista. 📺 Disponível ocasionalmente no canal AMC Portugal e em serviços de aluguer digital.

9. Moses – The Prince of Egypt (1998)

 

Na animação bíblica da DreamWorks, Kilmer dá voz (e alma) a Moisés, num dos papéis mais subestimados da sua carreira. A sua performance vocal é comovente, captando as dúvidas e a fé de um homem dividido entre dois mundos. 📺 Streaming: SkyShowtime (em rotação); cópias digitais disponíveis em plataformas como Apple TV ou Google Play.

8. Gay Perry – Kiss Kiss Bang Bang (2005) 

Ao lado de Robert Downey Jr., Kilmer dá vida a um detetive gay com língua afiada e muita atitude. Um papel refrescante que provou a sua versatilidade e sentido de humor negro. 📺 Streaming: Disney+ (via catálogo Star) ou ocasionalmente no Fox Movies.

7. Chris Knight – Real Genious (1985) 

Num registo cómico e nerd, Kilmer interpreta Chris Knight, um jovem génio da ciência que não leva a vida demasiado a sério — até perceber que a CIA quer usar as suas invenções. Uma pérola esquecida dos anos 80. 📺 Difícil de encontrar em Portugal, mas disponível em algumas plataformas de importação digital (iTunes, Amazon US).

6. Chris Shiherlis – Heat (1995) 

Ao lado de Al Pacino e Robert De Niro, Kilmer interpreta o frio e calculista Chris Shiherlis, num dos maiores thrillers policiais dos anos 90. A sua personagem é tão intensa quanto trágica. 📺 Streaming: Netflix Portugal (rotativo) e TVCine.

5. Jim Morrison – The Doors (1991) 

Kilmer desaparece literalmente dentro da pele de Jim Morrison neste biopic de Oliver Stone. Estudou as músicas e os tiques do cantor obsessivamente — e o resultado é arrepiante. Muitos fãs confundem as gravações com o verdadeiro vocalista dos The Doors. 📺 Streaming: MUBI (rotativo) ou disponível para aluguer digital.

4. Bruce Wayne/Batman – Batman Forever (1995) 

Num dos filmes mais estilizados (e controversos) da saga do Cavaleiro das Trevas, Kilmer interpreta um Batman melancólico e um Bruce Wayne carismático. Visualmente arrojado e com vilões memoráveis, continua a ser um prazer (culposo) para muitos fãs. 📺 Streaming: HBO Max Portugal.

3. Doc Holliday – Tombstone (1993) 

“I’m your huckleberry.” É impossível esquecer esta frase dita com voz rouca e olhar trocista. A interpretação de Kilmer como o pistoleiro doente e sardónico Doc Holliday é, para muitos, a melhor da sua carreira. 📺 Streaming: Amazon Prime Video.

2. Nick Rivers – Top Secret! (1984) 

Antes da fama, Kilmer fez uma das melhores paródias de espionagem de sempre — com direito a números musicais, piadas visuais dignas dos ZAZ e um timing cómico irrepreensível. Nick Rivers é um espião disfarçado de estrela pop, e Kilmer canta de verdade. 📺 Streaming: Disney+ (rotativo) e FOX Comedy.

1. Tom “Iceman” Kazansky – Top Gun (1986) & Top Gun: Maverick (2022)

 É impossível não coroar “Iceman” como o papel mais icónico de Val Kilmer. O eterno rival (e depois aliado) de Maverick personifica o rigor militar com o seu gelo no olhar. E o reencontro com Cruise em Top Gun: Maverick, já após a batalha de Kilmer contra o cancro, foi um momento comovente para todos os fãs de cinema. 📺 Streaming: SkyShowtime (ambos os filmes disponíveis).

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Val Kilmer partiu, mas as suas personagens continuam a habitar os nossos ecrãs — e memórias — com a mesma intensidade. Se ainda não viste todos os filmes desta lista, fica o convite para uma maratona nostálgica.

Sexo, Cancro e Comédia: Jay Duplass Fala sobre a Série Selvagem que Vai Abanar o Disney+ 💥💋

Estreou esta sexta-feira, 4 de abril, no Disney+, e promete ser tudo menos discreta. Dying for Sex é o novo comédia dramática do canal FX, baseada numa história real, com Michelle Williams no papel principal e Jay Duplass a encarnar aquele tipo de homem que “só quer salvar o dia” – mesmo quando isso não é o que está em jogo.

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Inspirada num popular podcast com o mesmo nome, a série retrata os últimos meses de vida de Molly Kochan, vítima de cancro da mama, e o modo inesperado como escolheu vivê-los: redescobrindo a sua sexualidade e mergulhando em aventuras eróticas com a intensidade de quem sabe que o tempo é limitado. Tudo isto com muito humor, sem filtros e com um elenco afiado.

Mas Dying for Sex não é apenas uma série sobre cancro, sexo ou amizades femininas. É também sobre os equívocos masculinos, as boas intenções que saem pela culatra, e os homens que querem salvar o dia com capas invisíveis e planos de saúde. Quem o diz é o próprio Jay Duplass, numa conversa bem-humorada com o SAPO Mag.

“Só quero que a minha mulher viva”

Duplass interpreta Steve, o marido da protagonista Molly. Um homem bem-intencionado, mas algo patético, que tenta segurar uma relação à medida que a sua mulher se transforma noutra pessoa – ou talvez apenas comece finalmente a ser quem sempre foi. “Ele é o antagonista da série, mas só porque ama profundamente a mulher e quer que ela sobreviva”, diz o ator. “Ele é nerd, super empenhado… e completamente alheado da verdadeira viagem que ela está a fazer.”

Sobre equilibrar drama e comédia num tema tão sensível como o cancro, Duplass é claro: “Quanto mais nos empenhamos no drama, mais engraçado se torna. Gosto de comédia que nasce do desespero. É aí que está a graça.”

Um olhar feminino… com um actor que compreende isso

Dying for Sex é uma série escrita, criada e maioritariamente realizada por mulheres. E Jay Duplass não só se sentiu à vontade nesse ambiente como o abraçou com entusiasmo: “Tenho a sorte de trabalhar muito com mulheres. TransparentThe Chair, agora esta série… sinto que tenho um olhar mais feminino, se é que posso dizer isso. Tento ser recetivo enquanto artista, e este ambiente faz-me sentir em casa.”

As criadoras Elizabeth Meriwether (The Dropout) e Kim Rosenstock (Only Murders in the Building) são descritas por Duplass como “showrunners de sonho”, sempre presentes no set e com um “olhar empático e inteligente”.

Drama com humor… e com Sissy Spacek!

A série junta ainda no elenco nomes como Jenny Slate, que interpreta Nikki, a melhor amiga desbocada de Molly, e Sissy Spacek, que dispensa apresentações. “É uma série ambiciosa e muito selvagem. Tem um tom difícil de encontrar: é divertida, mas está profundamente ligada a temas emocionais e pesados”, salienta Duplass.

E sim, há sexo. E sim, há risos. Mas, acima de tudo, há humanidade – contada a partir da perspetiva de quem já não tem tempo a perder com convenções sociais.

A vida real, entre filhos e não beber copos

Fora da série, Jay Duplass é também realizador, argumentista, produtor e… pai a tempo inteiro. Questionado sobre como gere tudo, ri-se: “A minha agenda parece ridícula. Digo muitos ‘nãos’. E não tenho vida social. Só trabalho e passo tempo com a família. Se me convidam para beber um copo, digo: ‘Desculpa, não gosto de beber. Prefiro fazer um filme’.”

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Ora aí está uma frase que poderia muito bem ser dita por Steve — ou por Jay Duplass, numa entrevista como esta.

“One Battle After Another”: Leonardo DiCaprio Surpreende Como Revolucionário Descompensado no Filme Mais Louco de Paul Thomas Anderson 💣🎥🍷

Se te disseram que o novo filme de Paul Thomas Anderson seria uma mistura de There Will Be Blood com Fear and Loathing in Las Vegas, estavam mais perto da verdade do que pensas. One Battle After Another, apresentado pela primeira vez com imagens explosivas na CinemaCon 2025, é uma das grandes apostas da Warner Bros. para o final do ano — e promete fazer faísca tanto nas bilheteiras como na temporada de prémios.

Com um orçamento a rondar os 130 milhões de dólares (sim, leste bem), este é o filme mais caro alguma vez realizado por Anderson, e marca a sua primeira colaboração com Leonardo DiCaprio. E que estreia! A julgar pelas reações em Las Vegas, o ator de O Lobo de Wall Street está prestes a oferecer-nos uma das interpretações mais selvagens, intensas e surreais da sua carreira.

Um revolucionário em queda… e em fúria

No filme, DiCaprio interpreta um revolucionário exausto, alcoólico e visivelmente afetado por décadas de abuso de substâncias, que embarca numa missão para salvar a filha raptada. A trama, adaptada de um romance de Thomas Pynchon (o autor que já inspirou Inherent Vice), decorre num universo de intrigas políticas, caos urbano e paranoia revolucionária, com uma pitada generosa de humor negro e uma realização grandiosa em formato VistaVision para IMAX.

Durante a CinemaCon, foi mostrada uma sequência hilária em que o personagem de DiCaprio tenta lembrar-se de uma palavra-passe para ativar uma célula de radicais. “Fritei o meu cérebro”, diz ao telefone. “Abusei de drogas e álcool durante 30 anos. Sou um amante de drogas e álcool.” Do outro lado da linha, a resposta é inesperadamente woke: “Estás a ser agressivo e isso está a dar-me ‘gatilhos de ruído’.”

Rimos? Rimos muito. Mas também percebemos que este é o tipo de sátira anárquica que só Paul Thomas Anderson se atreveria a levar a cabo com esta escala.

Um elenco de luxo e um vilão com olhos de gelo

A acompanhar DiCaprio estão Regina Hall, Teyana Taylor e o recém-chegado Chase Infiniti, mas há mais: Sean Penn interpreta o principal vilão — um coronel com um olhar glacial que, segundo quem viu, “mete mesmo medo”. Benicio del Toro surge como um camarada revolucionário armado até aos dentes e com ar de quem também abusou das substâncias erradas nos momentos certos.

É um elenco que transpira talento, caos e carisma — tudo o que este tipo de cinema precisa para se tornar lendário.

“Don’t f*cking panic”

O trailer apresentado foi tudo menos subtil: perseguições de carro, tiroteios de metralhadora, equipas de intervenção especial a arrombar portas e DiCaprio em plena espiral de colapso mental. A última frase, gritada entre explosões e sirenes: “Don’t f*cking panic. Keep your shit together.” Aparentemente, não estava a falar só para si próprio.

E apesar do tom irreverente, DiCaprio garantiu que One Battle After Another “toca em algo político e cultural que arde sob o nosso subconsciente coletivo”.

A estreia estava originalmente marcada para 8 de agosto de 2025, mas a Warner adiou o lançamento para 26 de setembro — um movimento claro para posicionar o filme na rota dos Óscares.

Uma aposta arriscada… mas com pedigree

Apostar 130 milhões num filme sem super-heróis, sabres de luz ou sequelas de animações é quase um ato de resistência nos dias que correm. Mas se há alguém que pode justificar essa aposta, é Paul Thomas Anderson. E com DiCaprio no leme da loucura, tudo pode acontecer. Lembremo-nos que The Revenant (2015) e O Lobo de Wall Street (2013) também pareciam “demasiado estranhos para o grande público” — e renderam fortunas.

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Neste caso, há quem fale já num regresso à glória do cinema audaz e autoral, com músculo técnico e ambição desmedida. E, convenhamos, só o facto de One Battle After Another existir já é um pequeno milagre num mercado saturado de fórmulas previsíveis.

Conclusão: DiCaprio + PTA = caos cinematográfico imperdível

One Battle After Another é, como o título indica, uma luta constante — tanto para os personagens como para a própria indústria que tenta recuperar da estagnação pós-pandemia. Mas se há filme que pode reacender a paixão pelo cinema audaz, provocador e livre, é este.

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A estreia mundial está marcada para 26 de setembro de 2025. E já há quem diga que os bilhetes vão esgotar antes mesmo de sabermos a palavra-passe do revolucionário de DiCaprio.

“Fogo do Vento”: Primeira Longa-Metragem de Marta Mateus Conquista Prémio em Festival Italiano 🇵🇹🔥🎬

O cinema português continua a dar cartas além-fronteiras. Desta vez foi Fogo do Vento, a estreia na longa-metragem de Marta Mateus, a conquistar aplausos internacionais: o filme venceu esta segunda-feira o prémio de Melhor Primeiro Filme Internacional no Festival de Busto Arsizio, em Itália.

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Num anúncio entusiástico, o júri do certame italiano justificou a distinção com a “linguagem pessoal” da realizadora portuguesa, elogiando a forma como a obra “narra, com originalidade, o crepúsculo do mundo rural e proletário”. A vitória ganha ainda mais relevo por se tratar do único filme português em competição.

Uma viagem sensorial entre passado, presente e futuro

Descrito como uma fábula que atravessa gerações, Fogo do Vento mergulha nas histórias de uma comunidade alentejana, misturando realismo, memória e um forte lirismo visual. A obra aprofunda personagens e temas já sugeridos por Marta Mateus na sua curta-metragem premiada Farpões Baldios (2017), apresentada na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes.

O filme explora os ecos do passado — da resistência ao regime salazarista — até às tensões contemporâneas do mundo rural, num gesto de cinema que tanto convoca a tradição como dá espaço à imaginação.

Em nota de intenções, a realizadora partilha a origem sensorial e simbólica do projeto: “Um dia, no Verão de 2017, apareceu-me um touro negro no pensamento. Dias depois, chegou-me a imagem de um incêndio, de terra queimada.” E completa: “Aprendi a dar atenção aos signos, aos sonhos, às visões, a guardar os mais leves prenúncios presentes numa ideia, num sopro de vento.”

Um percurso internacional sólido

Desde a sua estreia mundial no prestigiado Festival de Locarno em 2023, Fogo do Vento tem sido um verdadeiro caso de sucesso nos circuitos de festivais. Foi selecionado para os festivais de Nova Iorque, Londres (BFI), Tóquio, Viennale (Áustria) e Valdivia (Chile), onde foi amplamente elogiado.

Entre os prémios recebidos contam-se o Prémio Especial do Júri no Avant-Garde Film Festival de Atenas, o Prémio FIPRESCI no Festival de Gijón (atribuído pela Federação Internacional de Críticos de Cinema) e o Prémio de Melhor Realização no Festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra.

A longa-metragem é uma coprodução entre Portugal (Clarão Companhia), Suíça (Casa Azul Films) e França (Les Films d’Ici), revelando o crescente interesse internacional pela nova geração do cinema português.

Do Alentejo para o mundo

Com o Alentejo como cenário e fonte de inspiração, Fogo do Vento é, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre identidade, pertença, resistência e transformação. Não é um filme de narrativa linear ou convencional — mas sim uma tapeçaria sensorial, onde as imagens e os sons respiram ao ritmo da terra e das suas gentes.

Marta Mateus não faz concessões ao estilo “fácil”. O seu cinema é de presença, de escuta e de resistência poética. E por isso está a conquistar o respeito de quem procura no grande ecrã mais do que entretenimento: procura visão, coragem e autenticidade.

Estreia nacional marcada para setembro

Com um percurso notável em festivais internacionais, Fogo do Vento prepara-se agora para chegar ao público português. A estreia comercial está marcada para setembro de 2025, logo após o verão — uma oportunidade para os espectadores nacionais descobrirem uma das obras mais marcantes e pessoais do recente cinema luso.

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Enquanto isso, é tempo de celebrar mais um triunfo da criatividade portuguesa além-fronteiras — e de Marta Mateus, uma cineasta que, com apenas dois filmes, já se afirma como uma voz singular no panorama do cinema europeu contemporâneo.

Michelle Williams Relembra Brokeback Mountain e a Derrota que Ainda Hoje nos Deixa de Coração Partido 💔🎬

Quase duas décadas depois da estreia de Brokeback Mountain, o filme continua a marcar quem o viu. E não somos só nós a sentirmo-nos assim: Michelle Williams, uma das protagonistas, também não esquece a emoção — nem a polémica — que acompanhou a estreia deste verdadeiro marco do cinema.

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Num episódio recente do programa Watch What Happens Live With Andy Cohen, a actriz esteve a promover a série Dying for Sex, mas acabou por revisitar aquele que é, para muitos, o filme mais importante da sua carreira. E bastou um elogio sincero do apresentador para abrir as comportas da memória.

Brokeback Mountain foi e continua a ser um dos meus dois filmes preferidos de sempre”, disse Andy Cohen. “Teve um impacto profundo em mim.” E Michelle Williams respondeu com uma afirmação certeira: “Sim, sabíamos que ia ser especial. Porque as pessoas foram muito abertas sobre o que significava para elas.”

“Nunca tinha visto homens adultos chorarem assim”

Williams recorda um momento marcante durante a promoção do filme: “Lembro-me de fazer o junket e pensar — não temos muitas oportunidades de ver homens adultos a chorar. Foi nesse momento que percebemos que o filme ia tocar as pessoas de forma muito especial.”

E tocou mesmo. Realizado por Ang Lee e baseado num conto de Annie Proulx, Brokeback Mountain conta a história de amor entre dois cowboys, Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennis Del Mar (Heath Ledger), num percurso íntimo, belo e devastador, ao longo de 20 anos. Michelle Williams e Anne Hathaway interpretaram as esposas das personagens principais — e ambos os casais viveram vidas assombradas por segredos e frustrações.

O filme estreou em 2005 e conquistou o mundo. Ganhou três Óscares (Melhor Realizador, Argumento Adaptado e Banda Sonora Original) e foi nomeado para outros cinco. Mas perdeu aquele que todos davam como certo: Melhor Filme. A vitória de Crash continua a ser uma das decisões mais controversas da história da Academia.

“Quem é que fala de Crash hoje em dia?”

Durante a entrevista, Andy Cohen não escondeu a sua indignação: “Estava tão irritado com aquela derrota. Crash?! Isso é que ganhou?” — ao que Michelle respondeu com ironia: “O que era mesmo Crash?”

O momento gerou gargalhadas, mas o tom de fundo era de frustração. Brokeback Mountain foi (e continua a ser) um dos filmes mais aclamados da sua geração. O impacto cultural, emocional e simbólico da obra é inegável. Já Crash… bem, poucos se lembram da história — e menos ainda se referem a ela com entusiasmo.

Uma derrota anunciada… nos bastidores

Anos mais tarde, o realizador Ang Lee revelou que estava, literalmente, a um passo de vencer o Óscar de Melhor Filme. Depois de receber o prémio de Melhor Realizador, foi instruído por um assistente de palco a permanecer nos bastidores. “Disseram-me: ‘Fica aqui. Toda a gente assume que vais ganhar.’ Fiquei ali, mesmo ao lado do palco. Vi o Jack Nicholson abrir o envelope. E depois ele disse: Crash.”

Lee foi também confrontado com a possibilidade de o filme ter perdido por causa de preconceito contra a história de amor gay. A resposta foi clara: “Sim, acho que sim.”

Uma ferida que ainda não sarou

Apesar de todas as conquistas, a derrota de Brokeback Mountain nos Óscares de 2006 continua a ser uma espinha cravada na história da Academia. Foi um momento de viragem, que revelou tanto sobre os limites da indústria quanto sobre os seus preconceitos.

Hoje, o filme permanece como símbolo de progresso — um dos primeiros a apresentar com sensibilidade e profundidade uma história de amor entre dois homens, numa altura em que isso era tudo menos comum em Hollywood. E o seu legado só cresce com o tempo.

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Como bem disse Michelle Williams, o impacto do filme foi visível nos olhos de quem chorava nos junkets. E continua a sê-lo nos nossos corações, cada vez que ouvimos “I wish I knew how to quit you.

CinemaCon 2025: Entre Esperanças e Tensões, o Cinema Luta Para Se Reinventar 🎬

“Survive till ’25” era o lema. Mas depois de mais uma edição da CinemaCon, a realidade é outra: o verdadeiro mantra passou a ser “resistir até 2026”. Realizada mais uma vez em Las Vegas, a grande convenção anual da indústria cinematográfica revelou uma atmosfera menos festiva e mais combativa do que em anos anteriores. Em vez de apenas celebrar o poder do cinema, os protagonistas da indústria confrontaram-se com as duras verdades do pós-pandemia.

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O evento, que deveria reafirmar a vitalidade do grande ecrã, acabou por expor as fissuras entre estúdios e exibidores. Com receitas 10% abaixo das de 2024 e uma sucessão de fracassos comerciais como Snow White e Mickey 17, o ambiente era tudo menos descontraído.

Guerra das Janelas: 45, 60 ou… nenhuma?

O debate sobre as janelas de exclusividade — o tempo que um filme permanece exclusivamente nos cinemas antes de chegar ao streaming — dominou as conversas. Adam Aron, CEO da AMC Theatres, defendeu com veemência o regresso a janelas de 60 dias, longe dos 17 dias implementados durante a pandemia. Michael O’Leary, da associação Cinema United, reforçou a ideia com números: enquanto os grandes sucessos ainda funcionam, os filmes médios e pequenos estão a desaparecer.

A Disney, surpreendentemente, posicionou-se ao lado dos exibidores. O seu diretor de distribuição, Andrew Cripps, sublinhou que os filmes da casa do rato Mickey continuam a ter janelas mais longas que a concorrência. “Confiem em mim, não é por acaso”, garantiu, arrancando aplausos calorosos.

A guerra do costume: estúdios vs. salas

O espírito de “nós contra eles” voltou a marcar presença. Os estúdios acusam as salas de cinema de estagnação, de não inovarem e de resistirem à implementação de preços acessíveis. Os donos de salas, por sua vez, culpam os estúdios por terem “treinado” o público a ver tudo — excepto os blockbusters — como conteúdos para streaming.

Um executivo de um grande estúdio desabafou: “Gastamos fortunas a trazer estrelas para Las Vegas e a mostrar trailers incríveis… e eles estão mais preocupados com o número de baldes de pipocas vendidos”.

Amazon MGM: a nova esperança?

Desde que a Disney engoliu a 20th Century Fox, o mercado ficou com um vazio difícil de preencher. Mas há uma nova promessa no ar: a Amazon MGM. Na sua estreia na CinemaCon, o estúdio anunciou a intenção de lançar 15 grandes filmes por ano até 2027, com 14 já planeados para 2026. É um compromisso sério com as salas de cinema, e uma resposta direta ao pedido de mais variedade — thrillers românticos, aventuras, fantasia e cinema familiar — entre os tentpoles do costume.

Estrelas em queda… com algumas exceções

Se noutros anos a presença de astros era suficiente para levantar auditórios, este ano ficou claro que a estrela de Hollywood já não brilha como antes — pelo menos entre os donos das salas. Leonardo DiCaprio (One Battle After Another) e Scarlett Johansson foram recebidos com reações mornas. Tom Cruise, em contrapartida, emocionou ao homenagear Val Kilmer com um momento de silêncio. E só Cynthia Erivo e Ariana Grande — a dupla de Wicked — conseguiram arrancar gritos genuínos de entusiasmo.

Será que o poder das estrelas está a desaparecer… ou os exibidores apenas se tornaram mais cínicos?

2026: o ano do tudo ou nada

O novo horizonte está traçado. A verdadeira recuperação do box office, afinal, poderá só chegar em 2026 — com o regresso de sagas como AvengersSpider-ManToy Story e Minions, bem como novos filmes de Christopher Nolan e Steven Spielberg. O problema? Até lá ainda há um calendário inteiro por preencher e salas por encher.


Conclusão: Uma Indústria Dividida, Mas Ainda Viva 🍿

A CinemaCon 2025 foi menos uma festa e mais um fórum de terapia coletiva. Os números ainda não ajudam, os egos estão em brasa e as soluções continuam a dividir. Mas há sinais de esperança: alianças improváveis, compromissos ambiciosos e uma consciência crescente de que o cinema — o verdadeiro, o das salas — precisa de mais do que super-heróis para sobreviver.

Que 2026 venha com filmes… e com público.

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Russell Brand Acusado de Violação e Agressão Sexual: Comediante Enfrenta a Justiça em Londres


🎭 O comediante britânico Russell Brand, de 50 anos, foi formalmente acusado esta sexta-feira de múltiplos crimes de natureza sexual, incluindo violação, num processo que marca um novo e grave capítulo na vida do polémico artista. As acusações surgem na sequência de uma investigação de 18 meses conduzida pela Polícia Metropolitana de Londres, após quatro mulheres terem denunciado alegados abusos entre 1999 e 2005.

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Brand, conhecido pelas suas performances irreverentes em palco, pelo seu passado de excessos e por papéis em filmes como Get Him To The Greek (2010), enfrenta agora cinco acusações formais: uma de violação, uma de agressão indecente, uma de violação oral e duas de agressão sexual. Os incidentes terão ocorrido em duas localizações distintas: Bournemouth, uma cidade costeira no sul de Inglaterra, e a zona de Westminster, em Londres.

O passado reaparece — e as consequências também

As acusações remontam ao período entre 1999 e 2005, mas só vieram a público em setembro de 2023, quando uma investigação conjunta do canal britânico Channel 4 e do jornal Sunday Times revelou os testemunhos de quatro mulheres. O documentário, que gerou enorme polémica, levou a uma avalanche de críticas e à suspensão imediata da digressão de Brand, então em curso.

O artista foi interrogado pela polícia e, num vídeo divulgado na rede social X (antigo Twitter), voltou a negar as acusações:

“Nunca estive envolvido em qualquer atividade não consensual. Acredito que terei agora a oportunidade de me defender em tribunal, e estou extremamente grato por isso.”

Apesar da sua defesa pública, a acusação formal foi avançada pelo Serviço de Prosecção da Coroa britânico (CPS), com a procuradora Jaswant Narwal a afirmar que as provas recolhidas foram cuidadosamente analisadas e que havia base legal para apresentar os cinco crimes em tribunal.

Brand deverá comparecer em tribunal em Londres no próximo dia 2 de maio.

De estrela pop a paria mediático

Russell Brand tornou-se uma figura proeminente no início dos anos 2000 graças ao seu humor provocador e estilo anárquico. Apresentou programas de rádio e televisão, participou em várias produções de Hollywood e publicou livros autobiográficos sobre a sua luta contra o vício em drogas e álcool. Em 2010, casou-se com a cantora Katy Perry — um casamento mediático que durou dois anos.

Contudo, nos últimos anos afastou-se dos media convencionais, passando a alimentar um canal digital de vídeos e podcasts onde mistura temas de bem-estar, política, autoajuda e, frequentemente, teorias da conspiração. Transferiu-se para os Estados Unidos, onde reside atualmente.

A sombra do silêncio institucional

As consequências não se limitam ao foro judicial. A BBC — onde Brand apresentou programas entre 2006 e 2008 — já veio pedir desculpa aos antigos colaboradores que terão sentido queixarem-se do comportamento do artista.

“É claro que houve situações em que apresentadores abusaram da sua posição”, reconheceu a estação pública britânica num comunicado em janeiro deste ano.

Com o processo a avançar e o debate sobre os limites da impunidade mediática a intensificar-se, resta saber qual será o desfecho em tribunal — e que impacto terá este caso no futuro da indústria do entretenimento britânica, ainda a braços com escândalos semelhantes nos últimos anos.

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Yorgos Lanthimos vs. Acrópole: A Grécia Diz “Não” à Nova Cena de Emma Stone ⛔🏛️

Nem o realizador mais aclamado da Grécia, nem uma Emma Stone premiada com dois Óscares conseguiram conquistar o favor das autoridades helénicas: o Ministério da Cultura da Grécia rejeitou oficialmente o pedido de Yorgos Lanthimos para filmar cenas do seu novo filme Bugonia na icónica Acrópole. E a razão? Vamos apenas dizer que envolveria corpos espalhados por locais sagrados… nada a ver com “uma caminhada turística ao pôr-do-sol”.

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Quando a ficção científica choca com a arqueologia

A intenção do cineasta grego era filmar no sítio arqueológico mais emblemático do país, no dia 10 de abril. Contudo, o ministério foi peremptório na sua decisão:

“As cenas propostas são incompatíveis com o simbolismo (…) e os valores que a Acrópole representa.”

Segundo avança a imprensa grega, uma das cenas do filme exigia a presença de corpos aparentemente sem vida espalhados pela rocha da Acrópole — algo que, diga-se, poderá ter levantado algumas sobrancelhas… e escudos culturais.

O Ministério da Cultura até ofereceu alternativas, sugerindo locais exteriores nos arredores da Acrópole, mas o recado foi claro: “Podes ser génio, Yorgos, mas na rocha sagrada… não vais filmar.”

O trio que já conquistou Hollywood

Lanthimos regressa à comédia negra e à ficção científica com Bugonia, que promete ser um dos filmes mais esperados de 2024. Com Emma Stone no elenco — a mesma que brilhou em Pobres Criaturas e A Favorita, ambos realizados por Lanthimos — este novo projecto tem estreia programada para novembro e conta também com Jesse Plemons (Killers of the Flower Moon) e Willem Dafoe, outro habitué do universo do realizador.

A recusa grega em permitir a filmagem pode ter criado um contratempo, mas tendo em conta o historial do cineasta, é de esperar que a solução encontrada acabe por ser… estranhamente brilhante. Afinal, falamos do homem que transformou colónias balneares em distopias românticas e clínicas de fertilidade em templos de absurdismo filosófico.

Acrópole: palco de História, não de histeria

A Grécia, diga-se em abono da verdade, é particularmente cuidadosa com o uso do seu património histórico. A Acrópole — que recebeu de braços abertos figuras como Beyoncé, Tom Hanks ou J.J. Abrams — tem uma política apertada no que diz respeito à sua representação no cinema. E quando a proposta é encher o Parténon com figurantes estatelados no chão, a resposta será previsivelmente: “Nem pensar.”

O conflito entre liberdade artística e preservação cultural não é novo, mas continua a levantar questões pertinentes. Pode um realizador usar os símbolos nacionais como pano de fundo para contar histórias de ficção? Ou há limites, mesmo para os autores que, como Lanthimos, elevaram o cinema grego a um patamar global?

Final alternativo?

No final, não sabemos se Yorgos Lanthimos terá reescrito a cena, mudado de localização ou apenas murmurado um “efcharistó” resignado. Mas uma coisa é certa: a Grécia pode ter dito “não”, mas o mundo do cinema continua a dizer “sim” a tudo o que venha da mente irreverente e provocadora do autor de The Lobster.

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Bugonia tem estreia marcada para novembro — com ou sem vista para a Acrópole.

Monty Python and the Holy Grail: 50 Anos Depois, Ainda Estamos Todos a Fugir do Coelho Assassino 🐰⚔️

Em 1975, um grupo de comediantes britânicos resolveu pegar numa das maiores lendas da história europeia — a demanda pelo Santo Graal — e transformá-la numa paródia absurda, ridícula e, acima de tudo, absolutamente genial. Meio século depois, Monty Python and the Holy Grail não só continua a ser citado por milhões de fãs em todo o mundo, como parece estar mais vivo do que nunca. Literalmente, no caso de alguns castelos e… pubs.

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50 Anos a Fartar-se de Rir (e de “Fartar” em geral)

Se é verdade que a sátira envelhece mal, os Monty Python parecem ser uma das gloriosas excepções à regra. Lançado em 1975, o filme marcou a estreia do grupo britânico — composto por Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin — no grande ecrã com argumento original. Com orçamentos mínimos e imaginação máxima, Holy Grail levou-nos por uma versão medieval onde cavaleiros não tinham cavalos, mas sim cocos; reis eram reconhecidos por não estarem cobertos de estrume; e coelhos fofinhos eram mais letais do que exércitos inteiros.

Frases como “It’s just a flesh wound!”, “We are the knights who say… ‘Ni!’” ou “I fart in your general direction!” tornaram-se parte do vocabulário universal de qualquer fã de comédia. Há quem diga que não se passa uma semana sem que um geek, um cinéfilo ou um professor de História diga “Well, she turned me into a newt… I got better.”

O Castelo do Graal (Sim, Existe Mesmo)

Se pensa que os cenários do filme foram criados num estúdio obscuro qualquer, desengane-se: grande parte das cenas foi filmada em Doune Castle, na Escócia — que, graças aos cortes de orçamento, teve de interpretar múltiplos castelos no filme (incluindo Camelot, claro).

Hoje, Doune Castle é praticamente um lugar de culto para fãs dos Monty Python. Além de vender cocos (sim, cocos!) na loja de lembranças para os visitantes recriarem o icónico som de cascos, também há guiões à venda e visitas áudio narradas pelos próprios Terry Jones e Terry Gilliam, repletas de anedotas sobre a produção e, presume-se, algumas gargalhadas embaraçosas.

Aliás, estima-se que cerca de um terço dos visitantes do castelo são fãs de Monty Python and the Holy Grail. O impacto cultural foi tal que inspirou a criação de um “Monty Python Day” oficial no local. Para os menos convencidos, basta olhar para o facto de que nem o filme Ivanhoe (1952), com Elizabeth Taylor, nem as séries Outlander ou Game of Thrones, conseguiram tal honra… apesar de também lá terem filmado.

Um Pub, um Nome e uma Cerveja à Moda de Terry Jones

Lá mais para sul, em Herefordshire, um pub celebra a memória do falecido Terry Jones com um nome à altura: The Python’s Arms. Localizado no terreno de uma antiga microcervejaria fundada pelo próprio Jones nos anos 70, o espaço foi inaugurado há cerca de 18 meses e serve como tributo discreto — mas bem humorado — ao génio do humor britânico.

O proprietário Mark Bentham teve o cuidado de evitar uma decoração temática exagerada, mas os detalhes estão lá: desde fotografias de Jones em poses “Pythonescas” até aos candeeiros em forma de chapéus de coco. Afinal, se um pub homenageia Terry Jones e não há uma referência visual ao Holy Grail, está a fazer alguma coisa mal.

Uma Comédia que Ainda Diz Coisas Sérias

Apesar do humor nonsense, Monty Python and the Holy Grail continua a ser uma obra surpreendentemente subversiva. Da sátira à autoridade (“Listen, strange women lyin’ in ponds distributin’ swords is no basis for a system of government”) à desconstrução da própria narrativa heróica, o filme carrega um espírito anárquico que ainda hoje parece incrivelmente fresco. A verdade é que muitos dos temas — institucionalização do poder, manipulação histórica, religiosidade cega — continuam a soar tão relevantes como em 1975.

Conclusão: “On second thought, let’s not go to Camelot. It is a silly place.”

O tempo passou, os atores envelheceram (e alguns já nos deixaram), mas a lenda — ou melhor, a anedota — do Santo Graal dos Monty Python permanece. E como qualquer culto que se preze, continua a atrair novos seguidores. Quer seja por um castelo na Escócia, por um pub na zona rural inglesa ou por uma simples citação partilhada entre amigos, o filme continua a dar-nos uma das maiores alegrias da vida: rir de coisas verdadeiramente absurdas.

Cinco décadas depois, ainda há um coelho assassino à solta — e ninguém parece interessado em fugir dele. Muito pelo contrário.

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