Trump Volta a Atacar a ABC e Jimmy Kimmel — E a Tempestade Política Não Parece Abrandar

Um presidente em confronto directo com a televisão norte-americana

Nos Estados Unidos, a relação entre Donald Trump e os meios de comunicação voltou a aquecer — e, desta vez, o alvo principal é a ABC e o comediante Jimmy Kimmel. Na madrugada de quinta-feira, poucos minutos depois de terminar o mais recente episódio de Jimmy Kimmel Live!, o presidente norte-americano recorreu ao Truth Social para exigir que a estação “tire o trapalhão do ar”. Foi mais um capítulo num conflito que já leva vários meses e que parece longe de terminar.

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Esta nova investida surge na mesma semana em que Trump se mostrou irritado com a correspondente da ABC na Casa Branca, Mary Bruce, devido às suas perguntas durante uma reunião no Salão Oval. A resposta do gabinete de imprensa presidencial foi um memorando de 17 pontos onde enumera o que considera serem anos de parcialidade do canal.

Kimmel reage com humor, mas Trump não acha graça nenhuma

O ataque mais recente de Trump contra Kimmel aconteceu horas depois de o comediante ter aberto o seu programa com um monólogo contundente sobre o presidente. Nos primeiros dez minutos, Kimmel focou-se no escândalo Epstein e na decisão recente do Congresso de divulgar mais material da correspondência do milionário condenado por abuso sexual. Com o habitual humor mordaz, referiu que o país seguia atentamente a evolução do “Furacão Epstein” e deixou uma provocação histórica: “Estamos cada vez mais perto de responder à pergunta: o que sabia o presidente e quantos anos tinham as mulheres quando ele soube?”

O comentário ecoava a célebre pergunta do senador Howard Baker durante o caso Watergate, mas a referência não caiu bem na Casa Branca. Às 00h49, Trump publicou o ataque: “Porque é que a ABC Fake News continua a dar palco ao Jimmy Kimmel, um homem sem talento e com audiências miseráveis?”

É importante recordar que Kimmel já tinha enfrentado uma suspensão temporária em Setembro, após comentários polémicos sobre o activista republicano Charlie Kirk. A decisão gerou uma onda de indignação pública e a ABC acabou por voltar atrás — algo que Trump não esqueceu.

A guerra com a ABC intensifica-se — e não se limita a Kimmel

Kimmel não é o único humorista de late-night visado recentemente: no fim-de-semana anterior, Trump pediu que a NBC despedisse Seth Meyers. Mas o conflito central mantém-se com a ABC, que viu o presidente atacar não apenas o seu entretenimento, mas também o seu jornalismo.

Além da crítica feroz à correspondente Mary Bruce — a quem chamou “péssima repórter” — o gabinete de imprensa da Casa Branca divulgou uma carta em que acusa a ABC News de “não ser jornalismo”, classificando-a como “uma operação de propaganda democrata mascarada de rede de televisão”.

Entre as queixas listadas surgem episódios que remontam ao primeiro mandato de Trump, como a afirmação incorrecta de George Stephanopoulos sobre o caso E. Jean Carroll — que levou a Disney, empresa-mãe da ABC, a pagar 15 milhões de dólares para encerrar um processo por difamação — e críticas de correspondentes da estação a membros da Administração Trump.

Até ao momento, a ABC não comentou as declarações do presidente. No entanto, a estação sublinhou que Jimmy Kimmel é parte da divisão de entretenimento, não da redacção noticiosa — uma distinção que Trump continua a ignorar.

Um ataque político ou estratégia eleitoral?

Numa altura em que o clima político norte-americano está cada vez mais polarizado, estas trocas de acusações revelam mais do que simples irritação presidencial. Mostram um padrão de confronto com a comunicação social que Trump tem vindo a reforçar — e que, como os episódios com Kimmel e a ABC demonstram, continua a ser um dos seus instrumentos preferidos para unir a sua base de apoio.

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Se a ABC vai “tirar o trapalhão do ar”, como Trump pede, é altamente improvável. Mas uma coisa parece certa: a guerra declarada entre a Casa Branca e os media está longe de terminar — e cada novo monólogo de late-night tem potencial para reacender a chama.

“Avatar: Fire and Ash” — James Cameron Revela Porque Mudou o Narrador do Novo Capítulo da Saga

Lo’ak assume o centro da história no terceiro filme, e Cameron explica a escolha enquanto o elenco partilha reacções e pistas sobre o que está para vir em Pandora.

Com estreia marcada para 19 de Dezembro de 2025Avatar: Fire and Ash prepara-se para voltar a dominar conversas, bilheteiras e discussões cinéfilas — afinal, estamos a falar de uma das poucas sagas modernas capazes de ultrapassar, por duas vezes, a marca dos 2 mil milhões de dólares. O mundo quer regressar a Pandora. E James Cameron sabe exactamente como puxar esse tapete debaixo dos nossos pés.

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Numa conversa com a Fandango, Cameron e o elenco — Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Jack Champion, Trinity Jo-Li Bliss e Bailey Bass — revelaram novos detalhes sobre a terceira parte da história. E a revelação mais significativa veio do próprio realizador: o narrador mudou.

Lo’ak, o filho que herda a história

Os dois primeiros filmes foram narrados por Jake Sully, cuja transição de humano para Na’vi e posterior integração no clã Omaticaya deram forma às bases dramáticas da saga. Mas em Fire and Ash, a voz muda para Lo’ak, interpretado por Britain Dalton.

Porquê essa mudança?

Cameron explicou que a história da família Sully entrou numa nova fase — e que, para a acompanhar, era preciso uma nova perspectiva. Lo’ak, que no segundo filme já começara a destacar-se como uma figura complexa, emotiva e rebelde, é agora o ponto de vista que nos liga ao conflito crescente em Pandora. Segundo Cameron, a narrativa precisava de um olhar mais jovem, mais turbulento e mais intimamente ligado à nova geração de Na’vi.

Não se trata apenas de mudar o narrador, mas de mudar o coração emocional do filme.

O elenco confirma: este é o capítulo mais emotivo até agora

Durante a entrevista, vários actores admitiram ter ficado impressionados — e até surpreendidos — quando viram pela primeira vez imagens de Fire and Ash em montagem.

Zoe Saldaña descreveu a evolução de Neytiri como “dolorosa e poderosa”, enquanto Sam Worthington reforçou que Jake vive agora num conflito interno muito mais intenso, dividido entre proteger a família e assumir o papel de líder num mundo que volta a aproximar-se da guerra.

Sigourney Weaver, Oona Chaplin e Stephen Lang também revelaram que os seus personagens têm trajectos inesperados neste capítulo, com particular destaque para Chaplin — cuja personagem promete ser uma das peças mais enigmáticas e decisivas desta fase intermédia da saga.

Novas tribos, novos conflitos e um planeta cada vez mais vivo

Sem entrar em spoilers, o elenco confirmou que Fire and Ash introduz novos Na’vi, novas regiões de Pandora e uma expansão cultural significativa. Cameron, fiel à tradição, parece ter subido a parada visual: há novas criaturas, ecossistemas mais extremos e cenários que, segundo Dalton, “parecem impossíveis até serem vistos no ecrã”.

A presença de Lo’ak como narrador aponta para um foco maior na geração que, em última análise, herdará Pandora — e que será inevitavelmente moldada pelas guerras, alianças e perdas deixadas pelos pais.

Um passo natural rumo ao futuro da saga

A mudança de narrador também indica que Cameron está a preparar terreno para os capítulos seguintes. A saga Avatar foi sempre pensada como uma história em expansão, e Lo’ak posiciona-se como a personagem capaz de garantir continuidade emocional entre filmes, mantendo o público ligado ao que vem depois de Fire and Ash.

James Cameron já provou que pensa estas narrativas como se fossem organismos vivos — crescem, adaptam-se e empurram o espectador para lugares onde ele ainda não sabe que quer ir. Com Lo’ak no comando da história, Avatar volta a mudar de pele.

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Conclusão: o próximo grande marco de Pandora está a aproximar-se

Com a promessa de novos conflitos, tensões familiares mais profundas e uma mudança radical no ponto de vista, Avatar: Fire and Ash prepara-se para ser um dos momentos cinematográficos mais importantes de 2025.

Cameron não está apenas a continuar a saga — está a reposicioná-la para uma nova era.

E, como sempre, ninguém faz isto como ele.

“Blade Runner”: A Distopia que Quase Se Afundou no Caos — e Acabou por Redefinir o Cinema

O confronto entre visão artística, turbulência nos bastidores e genialidade improvisada que transformou um fracasso incompreendido numa obra-prima absoluta.

Quando Philip K. Dick entrou no set de Blade Runner, em 1981, não encontrou apenas uma adaptação do seu romance. Encontrou o futuro. O autor, tantas vezes desconfiado de Hollywood, viu ali algo raro: uma distopia que não traía a sua imaginação — a materializava. Ao observar Harrison Ford como Rick Deckard, Dick reconheceu imediatamente o homem que escrevera: “Ele foi mais Deckard do que eu imaginava.” Aquele cenário de chuva ácida, néons filtrados por poluição eterna e angústia urbana condensava na perfeição a paranoia existencial que sempre habitara a sua obra. O escritor, céptico por natureza, acreditou na ilusão.

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Mas essa visão não nasceu sem sangue, suor e muita tensão. O realizador Ridley Scott, ainda marcado por Alien, enfrentou um set que beirava o insuportável — física e emocionalmente. O ambiente, saturado de fumo, iluminação agressiva e dias exaustivos de rodagem noturna, era quase uma extensão do próprio filme. E Scott, obsessivo na procura do detalhe perfeito, exigia tanto do elenco quanto exigia de si próprio.

A relação com Ford azedou rapidamente: discussões, silêncios profundos e uma fricção que hoje é tão parte da história de Blade Runner quanto a chuva incessante da Los Angeles futurista. A ironia? A exaustão genuína do actor tornou-se combustível perfeito para a apatia fatigada de Deckard.

Enquanto Scott travava guerras emocionais, dois artistas redefiniam a paisagem visual da ficção científica. Syd Mead, inicialmente contratado apenas para desenhar veículos, acabou por dar forma ao mundo inteiro. As ruas labirínticas, os edifícios monumentais, os anúncios luminescentes: tudo surgiu da sua obsessão pelo futuro possível — não pelo fantástico, mas pelo plausível.

Já Jordan Cronenweth, director de fotografia, pintava com sombras e luzes como se antecipasse o noir do século XXI. Fê-lo enquanto lutava contra o avanço da doença de Parkinson, que meses mais tarde o levaria a uma cadeira de rodas. As imagens que criou — tristes, belas, devastadoras — são hoje inseparáveis da identidade do filme. Cada plano parece suspenso no tempo, como se também ele questionasse a fronteira entre o humano e o artificial.

E no centro de toda esta tempestade, Rutger Hauer. Contratado sem sequer conhecer Scott, surgiu no primeiro encontro com um suéter de raposa estampada e óculos de sol verde. O realizador quase perdeu a cor. Mas Hauer estava ali para redefinir Batty, não para o personificar de forma literal.

O momento decisivo veio no lendário monólogo final. Incomodado com o texto original, demasiado pesado, reescreveu-o na véspera da filmagem. Da sua caneta nasceu:

“All those moments will be lost in time, like tears in rain.”

Um dos adeuses mais belos da história do cinema, selado pela pomba que ele próprio sugeriu libertar.

Quando Blade Runner estreou, perdeu a corrida pública para E.T. e o estúdio, nervoso com a recepção morna, interveio de forma desastrada. Impôs uma narração explicativa de Ford e um final “feliz” composto por imagens rejeitadas de O Iluminado. O filme, fragmentado e mal compreendido, parecia destinado a desaparecer.

Mas tal como os replicantes ansiavam por “mais vida”, também Blade Runner recusou morrer. Uma cópia perdida revelou ao mundo o filme que Scott tinha realmente feito. Nascia então o Director’s Cut — e, décadas depois, o Final Cut. A obra renasceu, tornou-se culto, depois cânone, e hoje é citada como a pedra angular da ficção científica moderna.

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No fim, aquele set caótico, carregado de fumo, rancores, improvisos e génio acidental produziu algo maior do que a soma das suas partes — um universo onde cada plano respira humanidade, mesmo quando os seus habitantes questionam o que isso significa.

Blade Runner sobreviveu, transformou-se e ensinou-nos algo precioso:

até as distopias mais sombrias podem iluminar o cinema.

O Filme de Kevin Spacey que Está no Centro de uma Tempestade — e Portugal Entra no Enredo Fora do Ecrã

“The Portal of Force”, previsto para estrear no próximo ano, tornou-se inesperadamente protagonista de uma investigação por branqueamento de capitais envolvendo criptomoedas, Hollywood e uma produtora instalada em Lisboa.

Há filmes que começam com polémica ainda antes de chegarem às salas — e depois há “The Portal of Force”. O novo projecto protagonizado por Kevin Spacey, previsto para estrear no final do próximo ano, acaba de ganhar um capítulo paralelo que em nada tem a ver com ficção científica: uma investigação real, conduzida pelo DIAP de Lisboa, por suspeitas de branqueamento de capitais envolvendo a produtora responsável pelo filme.

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O caso foi revelado no âmbito da investigação internacional “The Coin Laundry”, do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), em colaboração com o Expresso. No centro desta teia está Elvira Paterson, empresária ucraniana, residente em Lisboa há oito anos e dona da produtora portuguesa Elledgy Media — entidade que financia o filme. A produtora, criada em Novembro de 2023 com apenas 500 euros de capital social e um apartamento em Benfica como morada inicial, tornou-se súbita e inexplicavelmente receptora de milhões.

Milhões que entram, explicações que não convencem

Os documentos analisados pelo ICIJ mostram que, desde que Elvira Paterson conheceu Vladimir Okhotnikov, um empresário russo ligado ao universo das criptomoedas, mais de 4 milhões de dólares “passaram” pela Elledgy Media — palavras da própria num conjunto de mensagens trocadas com um advogado. E acrescentou: “O resto foi em cripto.”

Entre Abril de 2024 e Maio de 2025, uma conta da produtora no BCP recebeu cerca de 4,8 milhões de euros, distribuídos por mais de uma centena de transferências. A estes valores juntam-se 50 mil euros em depósitos de dinheiro vivo. Noutra conta, desta vez pessoal, no Novobanco, Elvira Paterson terá depositado 300 mil euros em numerário, além de três transferências de 143 mil euros cada. Justificação? Presentes dos pais destinados à compra ou amortização de uma casa. As autoridades ficaram pouco convencidas.

Foi aqui que entrou o DIAP de Lisboa, que abriu um inquérito-crime depois de receber alertas de movimentos financeiros suspeitos enviados por instituições bancárias.

Hollywood, criptoesquemas e eventos à grande

As suspeitas adensam-se quando se olha para as actividades da Elledgy Media nos últimos meses. De acordo com o ICIJ, a produtora organizou uma espécie de “tour promocional global” com presença de figuras de Hollywood para favorecer os interesses de Okhotnikov, tanto nos EUA como em França, Itália, Índia e Emirados Árabes Unidos.

O primeiro desses eventos decorreu em Saint-Tropez, em Julho do ano passado, promovendo o projecto de criptomoedas Meta Force — encerrado dois meses depois. Segundo a investigação, o filme “The Portal of Force” seria apenas mais um elemento de um plano mais vasto: construir um “universo cinematográfico” para o Meta Force, que incluísse banda desenhada, videojogos e ficção científica. Tudo isto com um objectivo muito claro: atrair investidores para os esquemas de Okhotnikov.

Quando o Meta Force colapsou, surgiu um substituto: o Holiverse. O “universo” mudava de nome, mas o propósito parecia manter-se intacto.

O que isto significa para o filme?

Até ao momento, nada indica que Spacey ou outros elementos criativos da produção estivessem ao corrente das alegadas movimentações financeiras ou das ligações de Okhotnikov. Mas a investigação coloca uma sombra evidente sobre um projecto que, por si só, já chegava ao público envolto em controvérsia — dado o regresso de Spacey ao cinema após vários anos afastado por acusações e polémicas.

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“The Portal of Force” continua anunciado para o final do próximo ano. Mas, neste momento, a história que se desenrola fora do ecrã ameaça tornar-se mais explosiva do que qualquer argumento de ficção científica.

35 Anos de Sozinho em Casa: Porque É que o Clássico de Chris Columbus Continua a Ser o Verdadeiro Filme de Natal!

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Da coragem improvável de Kevin às frases eternas de John Hughes, o filme não só marcou gerações — como captou, melhor do que muitos dramas solenes, o espírito natalício de união, calor e puro caos familiar.

Há filmes de Natal. E depois há Sozinho em Casa (Home Alone), essa obra-prima natalícia que chega aos 35 anos e continua a ser, para milhões de espectadores, o equivalente cinematográfico a uma caneca de chocolate quente. Estreou a 16 de Novembro de 1990, e o mundo conheceu Kevin McCallister — o miúdo de oito anos com alma de MacGyver, coragem de herói relutante e engenho ilimitado quando confrontado com ladrões tão trapalhões quanto memoráveis: Harry e Marv, interpretados por Joe Pesci e Daniel Stern.

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O filme tornou-se instantaneamente um fenómeno. Não apenas pela comédia física, pelas armadilhas delirantes ou pela icónica banda sonora de John Williams, mas porque, lá no fundo, escondido entre as gargalhadas e o caos, havia algo mais profundo: um coração enorme, muito maior do que aquele que o Grinch ganhou no final do seu arco de redenção.

A magia de Kevin: coragem, inventividade e um coração gigante

Para quem cresceu com o filme, Kevin era um herói improvável. Enfrentava monstros do quotidiano (como a assustadora fornalha do porão), sobrevivia sem adultos, punha comida na mesa, tratava dos afazeres domésticos e, claro, transformava a casa dos McCallister numa fortaleza armadilhada digna de Indiana Jones.

Mas havia algo ainda mais bonito: o cuidado que demonstra pelo vizinho solitário conhecido como South Bend Shovel Slayer. Aquela conversa silenciosa na igreja, entre vitrais e luzes de Natal, é um dos momentos mais emotivos do filme e um lembrete de que empatia e ligação humana são, afinal, a maior magia desta época.

O espírito de Natal segundo 

Home Alone

Rever hoje Sozinho em Casa é perceber que, por detrás do slapstick e das quedas épicas, está um filme sobre família — a que temos, a que queremos, a que às vezes nos enlouquece, mas que, nos momentos decisivos, corre quilómetros, vende tudo e até enfrenta o diabo se for preciso para nos reencontrar.

Kate, a mãe de Kevin (Catherine O’Hara), resume esse desespero com uma frase que ficou para sempre gravada na cultura pop:

“Isto é o Natal, a época da esperança eterna!”

É essa esperança — e a determinação de chegar ao filho, custe o que custar — que transforma um argumento divertido numa história eterna sobre amor familiar. O final, com mãe e filho a abraçarem-se ao amanhecer, na sala iluminada pela neve e pelas decorações, continua a ser um dos momentos mais quentes da época.

Uma comédia que educou uma geração

O argumento de John Hughes é uma máquina de citações. Em que outro filme aprendemos que:

  • se alguém nos magoa, podemos dizer “Look what you did, you little jerk!”;
  • a gorjeta perfeita é “Keep the change, ya filthy animal”;
  • e que convém ir com calma na Pepsi?

Hughes ainda nos deixou pérolas de higiene pessoal, quando Kevin anuncia orgulhosamente que finalmente lavou “todas as zonas importantes”, incluindo o umbigo — um dos primeiros manifestos cinematográficos de autocuidado.

Um legado que atravessa gerações

Três décadas e meia depois, Sozinho em Casa continua a ser o filme que muitas famílias revêem religiosamente todos os Natais. Há quem o veja para rir, quem o veja para chorar discretamente, e quem, como tantos fãs, organize sessões temáticas, recrie cenas icónicas e partilhe o amor pela obra com novos membros da família.

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Não é só nostalgia — é a sensação reconfortante de regressar a um lugar seguro, cheio de luzes, gargalhadas e caos controlado. Sozinho em Casa lembra-nos que o Natal é, no fundo, isso mesmo: o absurdo delicioso de estarmos juntos.

Não há “silver tuna” mais perfeita do que esta.

O Regresso a Wakanda: Ryan Coogler Confirma Oficialmente Black Panther 3 como o Seu Próximo Filme

Depois de Sinners, o realizador prepara o capítulo final da trilogia, com Denzel Washington em cima da mesa e a herança de Chadwick Boseman sempre presente.

Ryan Coogler está de volta ao reino de Wakanda — e desta vez, sem rodeios nem respostas evasivas típicas da Marvel. Durante o painel dedicado a Sinners no evento Contenders Film: Los Angeles, o realizador confirmou aquilo que muitos fãs suspeitavam, mas que ainda não tinha sido dito com todas as letras: Black Panther 3 é o seu próximo filme.

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A revelação surgiu num clima descontraído, quando Mike Fleming Jr., do Deadline, tentou puxar por Coogler sobre os seus planos futuros. O cineasta, conhecido por guardar segredos da Marvel como se fossem vibranium puro, acabou por ceder: “Estamos a trabalhar arduamente… Sim, é o próximo filme.” Uma confirmação simples, mas que chega com o peso de uma das sagas mais importantes da história recente do MCU.

E há mais. Desde Novembro de 2024 que circula uma pequena bomba noticiosa lançada por Denzel Washington. Em plena promoção de Gladiator II, o actor revelou que Coogler estava a escrever uma personagem para ele. Na altura, muitos acharam que fosse exagero, especulação ou simplesmente boa disposição do veterano — mas Coogler já confirmou: sim, Denzel está efectivamente a ser considerado para o elenco de Black Panther 3. E é difícil imaginar um reforço mais sonante para uma obra tão carregada de simbolismo.

A presença de Chadwick Boseman continua, inevitavelmente, a pairar sobre cada decisão criativa. O actor interpretou T’Challa pela primeira vez em Captain America: Civil War, em 2016, antes de se tornar uma figura central do MCU com Black Panther (2018). Regressaria ainda em Infinity War e Endgame. O impacto cultural e emocional da sua performance mantém-se inabalável — e a forma como Coogler lidou com a sua morte, em 2020, fez de Wakanda Forever um dos filmes mais pessoais da Marvel, centrado na perda, no luto e na reinvenção.

No segundo filme, Letitia Wright assumiu o legado através de Shuri, que envergou o manto de Pantera Negra num arco narrativo marcado pela dor mas também pela esperança. A forma como Black Panther 3 irá levar este legado adiante, agora com a promessa de novos conflitos e novos actores de peso, é uma das grandes questões que pairam sobre o projecto — e parte do motivo pelo qual a revelação de Coogler está a gerar tanto entusiasmo.

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Ainda sem data de estreia, sem sinopse e sem qualquer detalhe oficial, há uma coisa que já se pode afirmar com confiança: Black Panther 3 está em marcha, e Coogler parece determinado a fechar a trilogia com a mesma força emocional — e talvez ainda mais ambição — que colocou Wakanda no topo do MCU.

Depois de vampiros, Klansmen e sangue no Delta do Mississippi, Coogler regressa à ficção científica, à política, à mitologia africana e à herança de um dos super-heróis mais marcantes do cinema contemporâneo. Há regressos que sabem bem — e este é um deles.

A Caça a Ben Solo Continua: Fãs de Star Wars Levam Campanha ao Céu para Ressuscitar Filme Cancelado

Adam Driver revelou que o projecto existiu, Disney recusou… e os fãs responderam com aviões, cartazes e uma devoção digna de Jedi em missão épica.

Há paixões de fã. E depois há isto: uma campanha aérea — literalmente — a sobrevoar os céus de Burbank, em frente aos escritórios da Disney, com uma mensagem gigante a exigir aquilo que muitos julgavam impossível: o renascimento de The Hunt for Ben Solo, o filme cancelado que teria continuado a história do personagem de Adam Driver após The Rise of Skywalker.

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Tudo começou quando o actor confirmou que não só o projecto existiu, como esteve muito perto de avançar. Driver revelou que ele e Steven Soderbergh estavam a desenvolver uma história centrada em Ben Solo depois da sua morte no Episódio IX. A ideia era ousada, arriscada e imprevisível — exactamente o tipo de coisa que poderia agitar as águas de uma galáxia que tem vivido sobretudo de nostalgia calculada.

O argumento estava a cargo de Rebecca Blunt, com Scott Z. Burns a entrar posteriormente para elevar ainda mais a fasquia. Segundo Driver, era “um dos guiões mais fixes em que já estive envolvido”, com Lucasfilm a ficar imediatamente convencida do conceito e da abordagem. Mas havia um obstáculo maior do que um Star Destroyer em órbita: a aprovação final da Disney.

E foi aí que tudo descarrilou. Bob Iger e Alan Bergman terão rejeitado o projecto, por não conseguirem ver — literalmente — como Ben Solo poderia estar vivo. “E foi isso”, resumiu Driver.

Só que os fãs não aceitaram o “foi isso”. Desde o momento em que a história veio a público, a comunidade Star Warsmobilizou-se com criatividade, urgência e uma pitada de loucura galáctica. Surgiram cartazes de “pessoa desaparecida” com o rosto de Ben Solo em Nova Iorque e Los Angeles, transformando o personagem numa espécie de mito urbano. E agora, um passo mais alto — ou mais alto do que qualquer campanha que não envolva uma nave X-Wing: um avião com a faixa “Shareholders Want The Hunt for Ben Solo” a sobrevoar a sede da Disney.

É difícil imaginar que este tipo de manifestação vá realmente convencer a administração a ressuscitar o filme. A história da indústria mostra que campanhas de fãs raramente mudam o destino de projectos rejeitados — embora o Snyder Cut esteja ali a acenar, do outro lado da galáxia Warner. Ainda assim, o entusiasmo não esmorece. Há algo neste personagem que continua a fascinar espectadores: a sua queda, redenção e morte deixaram mais perguntas do que respostas, e a promessa de explorar esse pós-vida narrativo é demasiado tentadora para morrer no papel.

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E se nada disto resultar? Bem, como ironizam alguns fãs, com a futura aposta da Disney em conteúdos gerados por IA, talvez um dia qualquer devoto de Ben Solo possa criar a sua própria versão da história. Canon ou não… será sempre Star Wars.

Por agora, a campanha continua. Nos céus. Nas redes. Nas cidades. E no coração dos fãs que se recusam a deixar Ben Solo desaparecer na Força.

O Novo Inimigo de Woody e Buzz? Toy Story 5 Declara Guerra aos Ecrãs no Primeiro Teaser

O teaser recém-lançado pela Pixar coloca a eterna pergunta: conseguem os brinquedos sobreviver numa era dominada por tablets?

A Pixar decidiu mexer onde dói — nos nossos sentimentos e na nossa nostalgia — com o primeiro teaser de Toy Story 5, e a pergunta que abre esta nova aventura é incisiva: estará a era dos brinquedos a chegar ao fim? A breve prévia divulgada esta terça-feira posiciona-se numa guerra inesperada, mas muito contemporânea: brinquedos contra ecrãs.

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Ao som de “Never Tear Us Apart”, dos INXS, o vídeo mostra uma cena familiar e, simultaneamente, inquietante. Bonnie Anderson — a menina que herdou os brinquedos de Andy em 2010, naquele final que nos deixou meio desidratados — recebe um novo pacote. Woody, Buzz, Jessie, Rex, Sr. e Sra. Cabeça de Batata e o resto da equipa observam com tensão crescente, como quem pressente uma catástrofe silenciosa a caminho.

E a catástrofe chega: o embrulho revela… um tablet em forma de sapo, chamado Lilypad, que cumprimenta Bonnie com um animado “Let’s play!”. O sorriso imediato da menina deixa claro que a ameaça é real. Para estes brinquedos já habituados a sobreviver a mudanças de donos, doações, infantários, antiquários e parques de diversões, este pode ser o maior desafio até agora: continuar relevantes num mundo onde a atenção das crianças cabe num rectângulo luminoso.

O teaser não revela muito mais, mas o subtexto é delicioso — e irónico. Afinal, estes mesmos brinquedos são eles próprios parte de uma saga de cinema com 30 anos, um dos maiores motores da cultura dos ecrãs. Será que o filme vai abordar esta meta-ironía, ou vamos fingir que não reparámos? A Pixar mantém o suspense.

O que sabemos é que o elenco de vozes continua intacto. Tom Hanks regressa como Woody, Tim Allen volta a dar vida a Buzz Lightyear, e Joan Cusack retoma Jessie. A esta equipa veterana juntam-se novos nomes: Ernie Hudson, Conan O’Brien e Greta Lee, que dá voz à recém-chegada Lilypad — a encantadora, mas potencialmente apocalíptica, rival tecnológica.

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A Pixar marcou a estreia de Toy Story 5 para o verão de 2026, o que significa que ainda teremos muito tempo para teorizar sobre o destino dos brinquedos, o impacto da tecnologia e se Woody vai finalmente aprender a lidar com o facto de que, às vezes, a concorrência tem bateria recarregável.

Uma coisa é certa: se a guerra entre brinquedos e ecrãs começar, nós estaremos na primeira fila para assistir.

O Papa que Conquistou Hollywood — E Defendeu o Cinema Como Arte que Une e Faz Pensar

Pope Leo XIV recebeu Spike Lee, Cate Blanchett, Greta Gerwig e outras estrelas numa audiência inédita no Vaticano, celebrando o poder transformador do cinema.

O Vaticano já foi palco de muitos encontros improváveis, mas poucos tão cinematográficos como este: Pope Leo XIV recebeu um autêntico desfile de estrelas de Hollywood para celebrar o cinema e a sua capacidade de unir, inspirar e provocar reflexão. Spike Lee, Cate Blanchett, Greta Gerwig, Chris O’Donnell, Judd Apatow, Monica Bellucci e Alba Rohrwacher foram apenas alguns dos nomes que atravessaram os corredores do Palácio Apostólico para ouvir o que o pontífice tinha a dizer sobre a sétima arte.

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Numa audiência repleta de frescos e flashes, Leo XIV descreveu o cinema como “uma arte popular no sentido mais nobre, destinada a todos”. Para ele, um filme bom não se limita a entreter: desafia, inquieta e até arranca lágrimas que nem sabíamos que precisávamos de derramar. O pontífice, o primeiro americano da história, cresceu na era dourada de Hollywood e confessou recentemente os seus quatro filmes favoritos: Do Céu Caiu uma Estrela (It’s a Wonderful Life), Música no CoraçãoGente Vulgar (Ordinary People) e A Vida é Bela.

Talvez por isso tenha passado quase uma hora — algo muito raro numa audiência tão grande — a cumprimentar e conversar individualmente com os convidados, claramente entusiasmado com o momento. Spike Lee, por exemplo, ofereceu-lhe uma camisola dos Knicks personalizada com o nome “Leo” e o número 14, enquanto explicava que a equipa conta actualmente com três jogadores oriundos da universidade onde o Papa estudou. Blanchett, por sua vez, destacou a sensibilidade com que Leo falou da importância da sala escura, aquele espaço onde desconhecidos se tornam comunidade.

O Papa não ignorou o declínio dos cinemas e alertou para o perigo da sua perda enquanto espaços sociais de encontro. Pediu às instituições que não desistam e reforçou a importância cultural destes locais, que descreveu como pontos essenciais na vida colectiva. As palavras foram recebidas com aplausos, especialmente por quem vive diariamente entre plateias vazias, estreias tímidas e orçamentos cada vez mais apertados.

A audiência, organizada pelo departamento cultural do Vaticano, contou com a ajuda de contactos próximos de Hollywood — incluindo Martin Scorsese — e foi montada em apenas três meses. O maior desafio? Convencer os agentes de que o convite era real. Uma vez confirmada a sua autenticidade, vários nomes até pediram para se juntar à iniciativa, numa espécie de corrida espiritual ao tapete vermelho do Vaticano.

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Entre os convidados, as reacções foram de surpresa e inspiração. Sally Potter elogiou o tempo que Leo dedicou a cada artista e a forma como valorizou o silêncio e a lentidão no cinema. Gus Van Sant, sempre conciso, resumiu tudo: “Tinha uma vibração fantástica.” O objectivo declarado do encontro era simples mas ambicioso — reforçar o diálogo contínuo com o mundo da cultura, onde o cinema se destaca como uma das artes mais democráticas e influentes.

Sentados na escuridão de uma sala de cinema, lado a lado com desconhecidos, experimentamos algo raro e precioso: a sensação de que, apesar de tudo, ainda há histórias que nos aproximam. E, se depender de Pope Leo XIV, continuará a haver espaço — literal e simbólico — para essas histórias serem vistas, discutidas e celebradas.

George Clooney Enfrenta o Lado Sombrio da Fama em Jay Kelly

(Estreia nos EUA hoje; chega à Netflix em todo o mundo a 5 de dezembro)

George Clooney não tem medo de interpretar homens complicados, mas Jay Kelly coloca-o perante um espelho distorcido: o de um actor tão famoso que perdeu quase tudo — principalmente a família — enquanto corria atrás do estrelato. O novo filme de Noah Baumbach, escrito com Emily Mortimer e produzido para a Netflix, estreia hoje nos cinemas norte-americanos e chega à plataforma a 5 de dezembro, também em Portugal.

A premissa é incómoda, quase provocadora: Clooney interpreta um actor cuja fama global é tão avassaladora que engoliu tudo à sua volta, desde amizades até à relação com as filhas. Para muitos, a personagem pode parecer um reflexo suavemente ficcionado do próprio Clooney — uma estrela mundial, omnipresente, acarinhada por várias gerações. Mas Clooney cortou essa ideia pela raiz durante a conferência de imprensa em Los Angeles, onde esteve presente a agência Lusa.

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“Dizem-me que estou a fazer de mim próprio”, afirmou, “mas eu não tenho os arrependimentos que este tipo tem. Os meus filhos ainda gostam de mim”. O actor descreve Jay Kelly com uma franqueza quase desconfortável: “Ele é um idiota. O desafio era perceber se conseguiria torná-lo simpático apesar disso.”

Baumbach, com o seu olhar habitual sobre a vulnerabilidade humana, confessa que a intenção do filme é outra: explorar aquele momento da vida em que a mortalidade deixa de ser uma ideia abstracta e passa a ser um facto concreto. É o instante em que a pessoa percebe que não há um segundo tempo, que as escolhas feitas foram as escolhas feitas — e que tudo aquilo que foi adiado pode já não voltar.

O filme acompanha não apenas Jay Kelly, mas também o seu círculo íntimo: Ron Sukenick, o agente interpretado por Adam Sandler, e Liz, a assessora que ganha vida pela mão de Laura Dern. Baumbach sublinha que todos eles gravitam em torno de Jay, como se a sua carreira fosse um sol demasiado quente para abandonar — mas que, com o tempo, começa a queimar quem está demasiado perto.

Laura Dern inspirou-se directamente na sua própria assessora, Anett Wolf, para construir Liz, incluindo o lenço Hermès sempre preso à mala. “Estas pessoas são como família e mentores”, disse. “Têm de ser insuportavelmente pacientes.” Adam Sandler, por seu lado, vê a sua participação como uma espécie de espelho profissional: “A minha fala favorita é quando digo ‘Tu és o Jay Kelly, mas eu também sou o Jay Kelly’. Acho que as nossas equipas sentem o mesmo.”

A verdade é que Jay Kelly promete muito mais do que o típico drama sobre Hollywood. É um retrato da máquina da fama e, sobretudo, das suas consequências invisíveis — aquilo que se perde quando todos pensam que se tem tudo. Clooney, sempre perspicaz, sempre confortável a brincar com a própria imagem, oferece aqui uma performance que parece tanto uma provocação como uma reflexão.

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E enquanto o filme chega primeiro às salas norte-americanas, será na Netflix, a 5 de dezembro, que o mundo inteiro — Portugal incluído — poderá ver Clooney desfiar este actor falhado de si mesmo, nesta história onde o glamour, a culpa e a auto-ilusão se misturam sem piedade.

MobLand — Pierce Brosnan e Tom Hardy Estão de Volta. E a Guerra dos Harrigan Vai Recomeçar.

A família mais perigosa da televisão regressa ao terreno de batalha — e, desta vez, promete arrastar metade do submundo consigo. A tão esperada segunda temporada de MobLand, a série de gangsters criada por Guy Ritchie e Jez Butterworth, já está oficialmente em rodagem. A confirmação chegou através de uma nova imagem de bastidores que mostra o regresso de Pierce BrosnanTom Hardy e Helen Mirren, trio que transformou a primeira temporada num fenómeno instantâneo.

Depois de uma mudança estratégica para a HBO Max — onde a série voltou a explodir nos tops de visualização — a expectativa em torno deste novo capítulo nunca foi tão alta. Afinal, MobLand conquistou o público com a mesma mistura inconfundível que tornou Ritchie famoso: violência coreografada, humor negro, personagens que parecem ter saído de um conto moral escrito a caneta e whisky, e um sentido de estilo tão afiado quanto uma lâmina de barbear.

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Uma tragédia à moda de Shakespeare… mas com metralhadoras

A primeira temporada apresentou-nos os Harrigan, uma dinastia criminosa tão poderosa quanto disfuncional. Ao longo de episódios marcados por revelações, traições e golpes que mudaram as regras do jogo, a série revelou-se menos um drama criminal tradicional e mais uma peça de Shakespeare encharcada em sangue e gin.

Pierce Brosnan ofereceu uma performance magnética como o patriarca Conrad, um homem brilhante, calculista e moralmente corrompido até ao tutano. Helen Mirren interpretou Maeve, a matriarca cujo sorriso esconde anos de manipulação, ressentimento e talento para sobreviver em terrenos onde até os mais fortes tremem. E Tom Hardy — sempre ele — trouxe ao conjunto aquela presença bruta, instintiva e enigmática que parece feita à medida de qualquer universo que Guy Ritchie invente.

Não surpreende que a crítica tenha elogiado a série por encontrar “vida extra” sempre que Brosnan e Mirren partilhavam o ecrã. Segundo o Collider, são interpretações que brincam com aquilo que o público espera deles… apenas para virar tudo do avesso. Nada em MobLand é confiável — nem a família, nem os juramentos, nem o poder que tanta gente ambiciona.

O que esperar da 2.ª temporada?

A produção mantém a sinopse em segredo, mas fontes próximas garantem que a série prepara uma expansão ambiciosa: MobLand vai deixar Londres para explorar as ramificações internacionais do império Harrigan, com intrigas que se estendem pelos EUA e pela Europa.

O final explosivo da primeira temporada, que deixou cadáveres enterrados e alianças em ruínas, servirá de ponto de partida. As consequências prometem ser devastadoras, com Conrad e Maeve a enfrentar ameaças externas e, pior ainda, sabotagem interna. Traumático? Sem dúvida. Dramático? Com certeza. Imperdível? Absolutamente.

Ritchie parece pronto para “ir ainda mais longe”, segundo fontes da produção, o que, vindo dele, pode significar qualquer coisa: planos longos de violência estilizada, diálogos afiados como insultos em pub londrino ou reviravoltas que fazem o espectador gritar “eu sabia!” e “não estava nada à espera disto!” ao mesmo tempo.

Um sucesso que voltou a ganhar fôlego

Com a chegada à HBO Max, a série encontrou uma segunda vida. Ganhos de audiência, nova base de fãs e um entusiasmo renovado por uma saga que sabe unir espectáculo, ritmo televisivo e personagens que respiram perigo em cada gesto.

Se MobLand não reinventa o género gangster, como a crítica gosta de sublinhar, também não precisa. Faz algo igualmente valioso: entrega uma história sólida, viciante, imprevisível — e com um elenco que parece ter sido escolhido para incendiar cada cena.

Onde ver

A segunda temporada está em produção.

A primeira está disponível em Paramount+ (Por cá SkyShowtime)  e HBO Max.

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E com Brosnan, Hardy e Mirren de volta ao leme, uma coisa é certa: os Harrigan regressam preparados para guerra. E nós estaremos a assistir, fascinados, como sempre

Nuremberga — Rami Malek e Russell Crowe Revivem o Julgamento Que Mudou o Século XX

O drama histórico que chega aos cinemas portugueses a 4 de dezembro

O cinema regressa a um dos momentos mais decisivos e moralmente complexos da história moderna com Nuremberga, o novo filme escrito e realizado por James Vanderbilt (Zodíaco). O drama estreia a 4 de dezembro, assinalando os 80 anos do fim da 2.ª Guerra Mundial e do início dos Julgamentos de Nuremberga — o ponto zero da justiça internacional tal como a conhecemos hoje.

Baseado no livro The Nazi and the Psychiatrist, de Jack El-Hai, o filme reúne um elenco de peso liderado por Rami MalekRussell Crowe e Michael Shannon, oferecendo um olhar intimista, psicológico e profundamente inquietante sobre a linha ténue entre humanidade e monstruosidade.

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O duelo mental que define o filme

Rami Malek interpreta Douglas Kelley, o psiquiatra norte-americano encarregado de avaliar o estado mental dos principais líderes nazis enquanto aguardavam julgamento. Entre eles está Hermann Göring, aqui interpretado por um Russell Crowe transformado — carismático, manipulador e perigosamente lúcido.

O filme centra-se no confronto entre estes dois homens:

  • um médico determinado a compreender a mente dos responsáveis por atrocidades inimagináveis,
  • e um líder nazi que se revela intelectualmente afiado, sedutor até, e capaz de manipular cada palavra como arma.

É um duelo psicológico que ultrapassa a mera análise clínica: é uma batalha pela verdade, pela memória e pela tentativa de perceber o que leva homens aparentemente racionais a cometer crimes indescritíveis.

Michael Shannon surge como Robert H. Jackson, o juiz do Supremo Tribunal dos EUA que ajudou a criar o primeiro tribunal internacional da história — uma figura fulcral num momento em que o mundo precisava de justiça, não vingança.

A actualidade perturbadora de Nuremberga

James Vanderbilt sublinha que o filme não pretende apenas revisitar o passado, mas também alertar o presente:

“O mal nem sempre veste uniforme ou anuncia a sua chegada. Pode ser sedutor, inteligente e até encantador — como Göring era.”

A obra ecoa perigos contemporâneos — da desinformação ao extremismo — e recorda que a democracia só se sustenta quando a verdade é encarada de frente. Vanderbilt, que sempre soube conjugar rigor histórico com tensão narrativa, oferece aqui um filme que é tão emocional quanto intelectualmente desafiante.

Uma história que continua a moldar o mundo

Os Julgamentos de Nuremberga estabeleceram os princípios básicos da responsabilidade individual perante crimes contra a humanidade. Foram o início de um conceito que ainda hoje define o direito internacional e as formas como o mundo responde à barbárie.

Nuremberga quer devolver à memória colectiva esse momento de viragem, lembrando-nos que a civilização se constrói através de escolhas — e que, por vezes, o maior ato de coragem é simplesmente escolher a justiça.

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O filme estreou mundialmente no Toronto International Film Festival (TIFF), passou pelo Tribeca Festival Lisboa, e chega agora às salas portuguesas com distribuição da NOS Audiovisuais.

🎬 Nuremberga

📅 Estreia a 4 de dezembro nos cinemas portugueses

🎥 Realização e argumento: James Vanderbilt

⭐ Elenco: Rami Malek, Russell Crowe, Michael Shannon

📚 Inspirado na obra The Nazi and the Psychiatrist de Jack El-Hai

Fantastic Four — Dez Anos Depois, Miles Teller Aponta o Dedo ao Verdadeiro Responsável pelo Falhanço

O actor, que interpretou Reed Richards, relembra o desastre de 2015 e diz que “uma pessoa muito importante estragou tudo”

Já passaram dez anos desde que Fantastic Four (2015) chegou aos cinemas… e entrou diretamente para a história como um dos maiores desastres do cinema de super-heróis. Realizado por Josh Trank, o filme arrecadou uma crítica demolidora — 9% no Rotten Tomatoes — e fez a 20th Century Fox perder entre 80 e 100 milhões de dólares. Não admira que a sequela tenha sido cancelada antes mesmo de ser anunciada.

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Agora, numa nova entrevista à SiriusXM, Miles Teller, o Reed Richards daquele elenco, voltou a falar do tema com uma franqueza invulgar:

“É uma pena, porque tanta gente trabalhou arduamente naquele filme e, honestamente, talvez houvesse uma pessoa muito importante que lixou tudo.”

Sem nomear ninguém, Teller deixa claro que o fracasso não foi culpa do elenco — nem do esforço da equipa técnica. Para o actor, tudo começou a desmoronar-se bem antes da estreia.

O momento em que Teller percebeu que “estavam em sarilhos”

O actor lembra-se perfeitamente da primeira vez que viu o filme concluído:

“Falei com um dos chefes do estúdio e disse-lhe: ‘Acho que estamos com um problema.’”

E não era só ele. Entre tensões nos bastidores, relatos de reescrições de última hora e uma produção marcada por conflitos entre estúdio e realizador, Fantastic Four tornou-se um exemplo clássico de como uma má gestão criativa pode arruinar até os melhores ingredientes.

E os ingredientes estavam lá:

  • Miles Teller como Reed Richards
  • Kate Mara como Sue Storm
  • Michael B. Jordan como Johnny Storm
  • Jamie Bell como Ben Grimm
  • Toby Kebbell como Doctor Doom

Um elenco jovem, talentoso e escolhido para rejuvenescer a Primeira Família da Marvel.

Teller recorda que, naquela fase da carreira, entrar num filme de super-heróis era visto como “a porta de entrada para ser levado a sério enquanto leading man”. E essa era a grande oportunidade deles — uma oportunidade que, segundo ele, “foi arruinada por uma única pessoa com demasiado poder”.

Da ruína ao renascimento: os Fantastic Four no MCU

Passada uma década, a equipa encontrou finalmente o seu renascimento no Marvel Cinematic Universe. A Marvel estreou este ano The Fantastic Four: First Steps, com um elenco aclamado:

  • Pedro Pascal (Reed Richards)
  • Vanessa Kirby (Sue Storm)
  • Joseph Quinn (Johnny Storm)
  • Ebon Moss-Bachrach (Ben Grimm)

A recepção foi incomparavelmente melhor — e a equipa regressará em Avengers: Doomsday, oficialmente integrados no centro do MCU.

Para Miles Teller, é o fecho de um ciclo: o filme dele pode ter falhado, mas a personagem que interpretou renasceu com força, e o público parece finalmente pronto para abraçar os Quatro Fantásticos como a Marvel sempre quis.

O futuro da Marvel segue em frente

Enquanto isso, o MCU continua a expandir-se. O próximo grande marco é Spider-Man 4, oficialmente intitulado Spider-Man: Brand New Day, com estreia marcada para 31 de julho de 2026.

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E quem quiser acompanhar tudo o que vem aí na Fase 6 tem muita matéria para devorar: filmes, séries, crossovers e universos que se aproximam — felizmente sem o tipo de pesadelos de bastidores que assombraram Fantastic Four(2015).

“Sem Tempo” — Quando o Tempo se Torna Dinheiro

Um futuro onde o relógio dita a vida

Num futuro não muito distante, o dinheiro deixou de ser a medida de valor. Em Sem Tempo (In Time, 2011), Andrew Niccol, o realizador de Gattaca e argumentista de The Truman Show, imagina uma sociedade onde o tempo de vida é literalmente a moeda corrente. Cada pessoa tem um contador luminoso no antebraço que indica quanto tempo lhe resta. Trabalhar dá tempo; gastar, custa tempo. E quando o relógio chega a zero, o coração pára.

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A ideia é tão simples quanto perturbadora: as desigualdades sociais deixaram de se medir em riqueza, mas em segundos. Os ricos vivem séculos, praticamente imortais; os pobres lutam dia após dia por mais umas horas de existência.

É neste mundo de injustiça programada que conhecemos Will Salas (Justin Timberlake), um jovem operário da zona pobre que, por acaso do destino, recebe uma fortuna em tempo. A sua nova riqueza transforma-o num alvo — e num fugitivo. Ao lado de Sylvia Weis (Amanda Seyfried), filha de um magnata que controla as “bancas do tempo”, Will decide desafiar o sistema e devolver os minutos roubados aos que vivem condenados à pressa.

Entre a ficção científica e a crítica social

Andrew Niccol constrói uma parábola moral de precisão quase matemática. O conceito do tempo como moeda é uma metáfora poderosa para o capitalismo extremo, onde cada segundo tem preço e a vida humana se transforma num bem transacionável. A estética do filme — fria, limpa, sem excessos — reforça essa sensação de artificialidade e controlo.

Sem Tempo é um daqueles filmes em que a ficção científica serve de espelho à realidade. O contraste entre os distritos miseráveis de Dayton e as luxuosas “zonas temporais” dos mais abastados lembra uma versão futurista de Metrópolis com estética retro-futurista, onde carros clássicos deslizam por ruas impecáveis enquanto, nas sombras, as massas lutam por respirar.

Performances e energia

Justin Timberlake, num dos papéis mais sérios da sua carreira, surpreende ao equilibrar vulnerabilidade e revolta. Amanda Seyfried é o contraponto ideal — fria e ingénua no início, cúmplice e ousada à medida que o filme acelera. E Cillian Murphy, como o impiedoso “guarda do tempo”, empresta à narrativa a tensão necessária para manter o público colado ao ecrã.

O ritmo do filme é constante, quase como o tique-taque de um relógio. Niccol filma perseguições elegantes, diálogos curtos e olhares carregados de urgência. Há um charme particular em ver a ficção científica tratada com esta clareza moral: aqui, a ação e a ideia correm lado a lado, sem que nenhuma se perca no caminho.

Um filme que nos deixa a pensar

Apesar de algumas críticas que apontaram falhas no desenvolvimento do enredo, Sem Tempo mantém um encanto próprio. A sua força não está na complexidade do argumento, mas na simplicidade da metáfora — e na forma como esta ressoa em tempos de desigualdade crescente. Num mundo onde a expressão “tempo é dinheiro” nunca foi tão literal, Niccol lembra-nos que o tempo, mais do que uma moeda, é o que nos torna humanos.

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O resultado é um filme elegante e provocador, que mistura ação, romance e filosofia numa só corrida contra o inevitável. Ao final, o espectador fica com a sensação de ter desperdiçado nada — apenas de ter gasto quase duas horas da melhor forma possível: a pensar no valor do próprio tempo.

Marque na sua agenda para quinta-feira 13 de Novembro às 22:30 no canal Cinemundo.

Kathryn Bigelow — A Mestra da Tensão Que Mudou as Regras de Hollywood

A mulher que transformou a ação em arte

Kathryn Bigelow não é apenas uma realizadora — é uma força da natureza. Desde os primeiros passos como pintora conceptual até à consagração nos Óscares, a sua carreira tem sido um desafio permanente às expectativas da indústria. Nascida em 1951, na Califórnia, Bigelow começou por estudar pintura no prestigioso San Francisco Art Institute, mas cedo percebeu que o seu verdadeiro meio de expressão era o cinema. E o resto é história — uma história feita de adrenalina, explosões e personagens em permanente confronto com os seus próprios limites.

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Quando, em 2010, se tornou a primeira mulher a ganhar o Óscar de Melhor Realização por Estado de Guerra (The Hurt Locker), Bigelow não apenas quebrou um recorde: rasgou um estereótipo. Provou que o cinema de guerra, de ação e de ritmo frenético podia ter assinatura feminina — e que essa assinatura podia ser a mais incisiva de todas.

O olhar feminino sobre a tensão masculina

O cinema de Bigelow distingue-se pelo domínio absoluto da tensão. Cada plano é uma corda esticada ao limite, cada sequência um estudo de pulsação. Filmes como Ruptura Explosiva (Point Break, 1991) redefiniram o género de ação dos anos 90, misturando o espírito rebelde do surf com o caos urbano dos assaltos a bancos — e fizeram de Keanu Reeves e Patrick Swayze ícones de uma geração.

Depois, vieram obras mais sombrias e psicológicas como Strange Days (1995), um retrato de um futuro distópico que antecipou o debate sobre vigilância e tecnologia, e K-19: The Widowmaker (2002), com Harrison Ford e Liam Neeson, onde Bigelow explorou o medo e a honra dentro de um submarino nuclear soviético à beira da catástrofe.

Em todas estas histórias há uma constante: personagens à beira do colapso, testadas até ao limite — física e emocionalmente.

Novembro no Cinemundo: tensão garantida

Canal Cinemundo dedica o mês de novembro a celebrar o talento feroz de Kathryn Bigelow, com um ciclo que mostra o melhor da sua carreira. E ainda há dois filmes imperdíveis por ver:

  • 17 de novembro — K-19: O Submarino (22h30)
  • 24 de novembro — Estado de Guerra (The Hurt Locker, 22h30)

Do frio claustrofóbico das profundezas do oceano à poeira sufocante do deserto iraquiano, Bigelow mostra duas faces do mesmo tema: o preço da coragem.

Em K-19, mergulhamos numa missão soviética à beira do desastre nuclear; em Estado de Guerra, seguimos uma equipa de artificieiros no Iraque, onde cada segundo pode ser o último. São dois filmes que captam na perfeição o que faz de Bigelow uma autora única — a capacidade de nos deixar sem fôlego e, ainda assim, completamente imersos na humanidade das suas personagens.

E na Netflix… prestes a explodir

Para quem quiser continuar mergulhado no universo de Bigelow, há mais uma razão para não perder o fôlego: o filme Prestes a Explodir (Blue Steel) está disponível na Netflix. Este thriller dos anos 90, protagonizado por Jamie Lee Curtis, é um exemplo clássico da tensão psicológica que viria a definir o estilo da realizadora — uma história de obsessão e violência urbana que ainda hoje permanece surpreendentemente atual.

Uma autora que desafia géneros

Kathryn Bigelow é uma daquelas raras realizadoras cuja obra tem a mesma intensidade de uma detonação controlada: precisa, brutal e fascinante. O seu cinema desafia géneros, redefinindo a ação com uma sensibilidade quase documental e uma estética que nunca faz concessões.

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De The Loveless a Estado de Guerra, passando por Zero Dark Thirty, Bigelow construiu uma filmografia onde a adrenalina é arte e o silêncio pode ser mais explosivo do que qualquer bomba.

Em novembro, o Cinemundo dá-lhe o palco que merece — e nós, espectadores, só temos de segurar a respiração

“Frankenstein” de Guillermo del Toro: Um Final Que Humaniza o Monstro — e o Criador

A nova adaptação de Frankenstein pela Netflix dá vida à obra de Mary Shelley com o toque gótico e emocional de Guillermo del Toro — e um final profundamente diferente do original literário.

Depois de anos de espera e expectativas elevadas, Guillermo del Toro apresentou finalmente a sua versão de Frankenstein, disponível na Netflix. O filme, que conquistou a crítica em festivais internacionais, conta com Jacob ElordiOscar Isaac e Mia Goth em interpretações poderosas e carregadas de emoção.

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Como seria de esperar de del Toro, o cineasta não se limitou a uma simples adaptação: reimaginou o final do clássico de Mary Shelley, oferecendo uma leitura mais compassiva e simbólica da história — onde a culpa, o perdão e a humanidade assumem o papel central.

Um clássico renascido com o toque de del Toro

O realizador mexicano mantém-se fiel ao tom gótico e trágico do romance de 1818, mas introduz alterações subtis e significativas. O filme decorre na mesma época vitoriana e preserva a melancolia sombria do original, mas a sua criatura — interpretada de forma magistral por Jacob Elordi — é mais dócil, mais reflexiva e mais humana.

A personagem de Elizabeth, por sua vez, sofre uma transformação importante: de esposa de Victor Frankenstein no livro, passa a ser o amor do irmão do cientista e uma figura que sente empatia pela criatura. Essa mudança dá nova dimensão emocional à história e distancia-a da leitura tradicional do “cientista louco e do monstro incompreendido”.

Um final de redenção, não de tragédia

No romance de Shelley, o desfecho é sombrio: Victor persegue o monstro até ao Ártico, em busca de vingança pela morte de Elizabeth, mas acaba por morrer esgotado. O capitão Walton, que recolhe o cientista moribundo no seu navio, presencia a cena final — o monstro a chorar sobre o corpo do criador, antes de desaparecer nas trevas geladas para pôr termo à própria vida.

Guillermo del Toro decide inverter essa tragédia. Na sua versão, Victor é quem acidentalmente mata Elizabeth ao tentar atacar a criatura. Ainda vivo quando o monstro o encontra, os dois acabam por reconciliar-se num momento de puro lirismo: Victor chama-lhe “meu filho” e pede perdão.

Num gesto de compaixão rara, a criatura perdoa-o e ajuda a libertar o navio preso no gelo. O filme termina com o monstro a observar o nascer do sol — uma imagem que del Toro transforma num símbolo de renascimento e paz interior, em vez da desolação existencial que encerra o livro.

O toque de del Toro: monstros com alma

Ao longo da sua carreira, o realizador de O Labirinto do Fauno e A Forma da Água tem mostrado fascínio pelos “monstros humanos” — seres que, apesar de deformados ou temidos, revelam mais humanidade do que aqueles que os criam ou perseguem.

Em Frankenstein (2025), essa ideia atinge o seu auge. Del Toro transforma a relação entre criador e criatura numa história de reconciliação e perdão, em que ambos reconhecem a dor que causaram um ao outro. A tragédia dá lugar à compaixão, e o terror cede ao humanismo.

O resultado é uma obra visualmente deslumbrante e emocionalmente avassaladora — um Frankenstein que não fala apenas de morte e ambição, mas de aceitação e redenção.

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Frankenstein (2025) está disponível na Netflix, depois de uma passagem de sucesso pelos festivais de Veneza e Toronto, onde foi aplaudido como uma das melhores obras da carreira de Guillermo del Toro.

Esposa de Jimmy Kimmel Fala da Dor de Ter Família Pró-Trump: “O Meu Marido Está Lá Fora a Lutar Contra Esse Homem”

Molly McNearney, mulher do apresentador de Jimmy Kimmel Live, revelou como o apoio de familiares a Donald Trump abalou relações pessoais e trouxe tensão para dentro de casa.

O apresentador norte-americano Jimmy Kimmel tornou-se há muito tempo um dos críticos mais ferozes de Donald Trump entre as figuras da televisão norte-americana. Mas agora, a guerra política ultrapassou o ecrã e chegou ao coração da sua vida familiar.

Em entrevista ao podcast We Can Do Hard ThingsMolly McNearney, casada com Kimmel há 12 anos e atualmente guionista-chefe e produtora executiva do programa Jimmy Kimmel Live, falou sobre o impacto emocional e pessoal que o clima político tem causado dentro da própria família.

Dói-me muito, porque agora tenho uma relação pessoal com isto: o meu marido está lá fora, todos os dias, a lutar contra esse homem”, desabafou, referindo-se a Trump.

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Famílias divididas pela política

McNearney revelou que o apoio de alguns familiares a Trump em 2016 já tinha causado desconforto, mas que o cenário em 2024 tornou-se insustentável. “Na minha perspetiva, votar em Trump é o mesmo que não votar em mim, nem no meu marido, nem na nossa família. Infelizmente, perdi relações com pessoas da minha família por causa disso.”

A guionista explicou que cresceu num meio “muito conservador e republicano”, mas que a sua visão mudou com o tempo. “Isto já não é apenas uma questão de Republicanos versus Democratas. Para mim, trata-se de valores familiares. Cresci a acreditar nos ideais cristãos de cuidar dos doentes e dos pobres — e não vejo isso refletido neste partido republicano.”

Segundo McNearney, esse conflito interno tem-lhe causado frustração constante: “Sinto-me em conflito permanente e zangada o tempo todo. E isso não é saudável.”

Emails, apelos e desilusões

Às vésperas das eleições, McNearney contou ter enviado e-mails emocionados a vários familiares, implorando que não votassem em Trump. “Mandei uma lista com dez razões para não votar neste homem. Pedi-lhes, quase a suplicar. Mas não resultou.”

O esforço, admite, acabou por acentuar a divisão: “Aproximou-me das pessoas da família com quem me sinto mais alinhada, mas afastou-me das outras. E odeio que isto tenha acontecido.”

Kimmel, por sua vez, manteve a sua postura combativa. Após o regresso de Jimmy Kimmel Live ao ar — depois de uma breve suspensão pela ABC devido a comentários sobre o movimento MAGA —, o apresentador voltou a ironizar Trump em direto. “Segundo uma nova sondagem da YouGov, sou mais popular do que o presidente dos Estados Unidos”, brincou, arrancando gargalhadas do público.

Num tom mais ácido, acrescentou: “Nunca fui condenado por nenhum crime, nunca fui amigo do Jeffrey Epstein, nem paguei a uma estrela pornográfica. Portanto, acho que merecia uma pontuação um bocadinho melhor.”

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A batalha que transcende o ecrã

A tensão entre Kimmel e Trump não é nova, mas os últimos meses tornaram-na pessoal. O apresentador tornou-se um alvo recorrente dos apoiantes do ex-presidente, especialmente após os seus comentários sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk. O episódio levou a ABC a suspender temporariamente o programa em setembro, antes de o reinstaurar devido à pressão do público e ao cancelamento em massa de assinaturas da Disney+.

Enquanto o debate político continua a polarizar os EUA, Kimmel e McNearney representam, à sua maneira, o retrato íntimo de um país dividido — onde as discussões eleitorais já não se travam apenas na televisão, mas também à mesa de jantar.

Conflito Entre YouTube TV e Disney Aquece: ESPN Fora do Ar e Troca de Acusações Pública

A guerra entre gigantes do streaming chegou ao auge: Disney acusa o YouTube TV de recusar um acordo justo, enquanto a plataforma denuncia as “táticas antigas” da Disney para manipular a opinião pública.

O conflito entre Disney e YouTube TV — que começou como uma disputa contratual — transformou-se agora num dos maiores embates do ano no mundo do streaming. Milhões de utilizadores norte-americanos perderam o acesso aos canais da ESPN e da ABC, afetando transmissões da NFL, do College Football e até o popular College GameDay.

Na sexta-feira, a situação escalou quando um memorando interno da Disney, enviado aos funcionários, foi divulgado publicamente, levando o YouTube TV a responder de imediato com um comunicado contundente.

📺 O que está em causa

Segundo a Disney, as negociações começaram “com uma proposta que reduziria custos em relação ao contrato anterior”, permitindo ao YouTube TV “passar essa poupança aos clientes”. O grupo também afirmou ter oferecido novos pacotes personalizados, adaptados a diferentes perfis de público — desporto, entretenimento, famílias e crianças.

O memorando, assinado pelos copresidentes da Disney Entertainment Dana Walden e Alan Bergman, e pelo presidente da ESPN Jimmy Pitaro, sublinha que a empresa tem sido “flexível e justa”, e acusa o YouTube TV de exigir “termos preferenciais abaixo do valor de mercado”.

“O YouTube TV age como se fosse o único jogador em campo”, escreveu a direção da Disney. “Não podemos permitir que ninguém subverta a nossa capacidade de investir no melhor talento e conteúdo.”

💥 A resposta do YouTube TV

A réplica não tardou. Num comunicado divulgado via o jornalista Andrew Marchand, do The Athletic, o YouTube TV acusou a Disney de recorrer às “velhas táticas”, incluindo vazamentos propositados para a imprensa e negociações em praça pública através das suas figuras mediáticas.

“Mais uma vez, a Disney recorre a métodos antiquados, deturpando factos e tentando manipular o público”, afirmou a plataforma. “A nossa equipa está pronta para chegar a um acordo justo, em linha com o que outros distribuidores já aceitaram. A Disney precisa de regressar à mesa e fazer o que é melhor para os nossos clientes comuns.”

Fontes próximas das negociações indicam que nenhum acordo está próximo, o que significa que os assinantes da plataforma continuarão sem acesso à ESPN durante os jogos decisivos da época desportiva.

🏈 Um “apagão” em plena época alta

O impacto é significativo. O Monday Night Football e os jogos de topo da NCAA deixaram de estar disponíveis no YouTube TV, gerando revolta entre os fãs. Para mitigar a situação, o comentador Pat McAfee anunciou que transmitirá o College GameDay em direto através da rede X (antigo Twitter), oferecendo um alívio temporário para os adeptos.

Entretanto, os clientes da plataforma expressam frustração nas redes, muitos ameaçando mudar para serviços concorrentes como Hulu Live TV ou FuboTV, que mantêm os canais da ESPN.

🔮 O que pode acontecer a seguir

Analistas do setor consideram que este conflito reflete a nova tensão entre criadores de conteúdo e distribuidores digitais, com ambos os lados a tentar impor modelos de negócio mais lucrativos.

Nos bastidores, há quem diga que a Disney pretende usar este impasse para reforçar o seu próprio serviço, o ESPN+, enquanto o YouTube TV insiste em controlar custos para manter o preço do pacote base competitivo.

Por agora, o resultado é um clássico jogo de poder à americana — e o público, como sempre, é quem mais perde.

Franchise de Dinossauros Regressa: Jurassic World: Rebirth Pode Ter Sequência Confirmada

Logo após o sucesso nos cinemas, surgem relatos de que a produtora Universal Pictures já prepara a próxima aventura jurássica — com o realizador Gareth Edwards e o elenco de regresso.

A saga dos dinos continua a dar que falar. Depois de Jurassic World: Rebirth (2025) arrecadar mais de 868 milhões de dólares em bilheteira mundial, vários meios americanos avançam que o próximo capítulo está em preparação.  

Segundo o site Gizmodo, o realizador Gareth Edwards encontra-se em “negociações finais” para voltar ao comando da sequência, e a Universal pretende reunir novamente nomes como Scarlett Johansson, Mahershala Ali e Jonathan Bailey.  

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🦖 Sobre o filme

Jurassic World: Rebirth é o sétimo filme da franquia Jurassic Park e uma sequência autónoma de Jurassic World Dominion (2022). A trama segue uma equipa que viaja até uma instalação de investigação para recolher amostras de dinossauros raros na tentativa de revolucionar a medicina humana.  A estreia original norte-americana foi a 2 de Julho de 2025.  

🎬 Mas… e em Portugal?

Até ao momento não há anúncio oficial de quando Rebirth estará disponível em streaming em Portugal — mas dado o padrão recente da distribuidora para outros títulos da Universal, é provável que chegue primeiro em filmes premium nos cinemas e depois apareça numa das plataformas habituais como a Amazon Prime Video ou a Apple TV + . Fique atento às actualizações: normalmente a janela de estreia para streaming ocorre algumas semanas após o encerramento da exibição cinematográfica no mercado nacional.

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Glenn Close Responde Aos Críticos de All’s Fair Com Humor — e Uma Referência a Atração Fatal

A atriz de 78 anos não ficou calada perante as duras críticas à nova série de Ryan Murphy — e usou um toque de humor negro inspirado no seu clássico de 1987 para defender Kim Kardashian.

As críticas a All’s Fair, a nova série de Ryan Murphy protagonizada por Kim Kardashian e um elenco de luxo que inclui Glenn CloseSarah PaulsonNaomi Watts e Niecy Nash-Betts, têm sido arrasadoras. Mas Glenn Close, fiel à sua reputação de mulher de garra, não deixou o ataque passar em branco.

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Num gesto carregado de ironia e referências cinematográficas, a atriz partilhou no Instagram um desenho da equipa da série junto de uma panela com um coelho a ferver, acompanhada pela legenda: “👏👏👏👏👏😂”.

A ilustração é uma clara alusão a Atração Fatal (Fatal Attraction, 1987), o thriller psicológico que lhe valeu uma nomeação ao Óscar e onde a sua personagem, Alex Forrest, infamemente cozinha o coelho de estimação da filha do amante.

🔥 Uma resposta à altura

A publicação surgiu dias depois de a crítica norte-americana ter arrasado a série, chamando-a de “um desastre total”, “a pior série do ano” e “televisão feita em modo automático”. All’s Fair estreou com um devastador 0% no Rotten Tomatoes, e embora a pontuação do público tenha subido ligeiramente, o consenso entre os críticos continua longe de ser positivo.

O gesto de Close foi recebido com entusiasmo pelos colegas de elenco — Naomi Watts e Teyana Taylor reagiram com emojis de aplausos e gargalhadas, apoiando o espírito bem-humorado da veterana atriz.

⚖️ All’s Fair — entre o escândalo e a sátira

Criada por Ryan Murphy (American Horror StoryGlee), a série segue um grupo de advogadas poderosas que abrem o seu próprio escritório para representar mulheres ricas e influentes em casos de divórcio e vingança.

Kim Kardashian, que interpreta Allura Grant, uma advogada de divórcios implacável inspirada na sua própria experiência com o sistema judicial, tem sido o principal alvo das críticas — especialmente pela sua interpretação considerada “rígida” e “sem emoção”. Ainda assim, a série tem atraído audiências curiosas, impulsionada pelo seu tom camp e pela presença de nomes de peso no elenco.

💬 Glenn Close e o poder da ironia

Ao brincar com um dos papéis mais icónicos da sua carreira, Glenn Close mostrou que continua a dominar a arte de responder sem precisar de palavras — apenas com uma imagem provocadora.

A atriz, nomeada oito vezes ao Óscar, parece não se deixar abalar pelas críticas: se All’s Fair divide opiniões, a sua publicação uniu fãs e colegas numa gargalhada cúmplice.

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E, como disse um dos comentários mais populares no Instagram:

“Se Glenn Close está a cozinhar coelhos, é sinal de que a coisa vai aquecer.”