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Quando a Exaustão Ganha Forma de Thriller: Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé Chega aos Cinemas

Um drama psicológico intenso que promete deixar marcas no espectador

Há filmes que não se limitam a contar uma história — instalam-se no corpo e na cabeça de quem os vê. Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé pertence claramente a essa categoria. O novo filme escrito e realizado por Mary Bronsteinestreia nas salas de cinema portuguesas a 19 de Fevereiro, trazendo consigo uma das interpretações mais comentadas, exigentes e perturbadoras do ano, assinada por Rose Byrne  .

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Rose Byrne num registo cru, físico e emocionalmente devastador

Conhecida sobretudo pelo seu talento para a comédia e por personagens carismáticas, Rose Byrne apresenta aqui uma viragem radical. A actriz interpreta Linda, terapeuta e mãe, cuja vida entra num processo acelerado de implosão quando a filha desenvolve uma doença misteriosa e resistente a qualquer tratamento. A partir desse ponto, tudo parece contribuir para o colapso: um marido emocionalmente ausente, uma paciente que desaparece sem explicação e uma relação profissional cada vez mais tóxica com o seu próprio psicólogo.

Não é por acaso que esta interpretação já foi distinguida com um Globo de Ouro e com o prémio de Melhor Actriz no Festival de Berlim, além de ter garantido nomeações para os BAFTA e para os Óscares. Byrne está presente em praticamente todos os planos do filme, numa entrega física e emocional que não concede descanso ao espectador.

Um thriller emocional sem banda sonora — e por isso ainda mais inquietante

Apesar de se apresentar como um drama psicológico, Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé assume muitas das características de um thriller. O ritmo é tenso, claustrofóbico, e a sensação de ameaça nunca desaparece verdadeiramente — mesmo quando nada de “objectivamente” perigoso parece acontecer.

Um dos elementos mais interessantes da proposta de Mary Bronstein é a ausência de uma banda sonora tradicional. Em vez disso, o filme aposta num desenho sonoro imersivo, que amplifica ruídos, silêncios e sons ambientes. Hospitais, consultórios e quartos de motel transformam-se em extensões da mente de Linda, lugares onde o desgaste emocional se manifesta de forma quase física.

A realizadora descreve o filme como uma tentativa de capturar aquele estado mental específico em que sentimos que tudo está a ruir e que, de alguma forma, a culpa é exclusivamente nossa. É uma abordagem pouco romantizada da maternidade, do cuidar e da responsabilidade emocional — temas raramente tratados com esta frontalidade no cinema contemporâneo.

Um elenco inesperado e uma estreia portuguesa aguardada

Para além de Rose Byrne, o elenco inclui escolhas surpreendentes. Conan O’Brien surge aqui na sua estreia em cinema dramático, enquanto A$AP Rocky integra também o elenco, contribuindo para um conjunto de personagens que reforçam a estranheza e a instabilidade emocional do universo do filme.

Depois de uma recepção muito positiva nos festivais internacionais, o filme chega finalmente ao público português, com uma duração de 113 minutos e a promessa de ser uma das experiências cinematográficas mais intensas do início do ano.

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Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé não é um filme confortável — e ainda bem. É cinema que arrisca, que provoca e que permanece muito depois de as luzes da sala se acenderem.

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