A semana de 2 de Abril chega com uma oferta variada e equilibrada, onde o grande destaque vai, sem surpresa, para uma das produções mais aguardadas do ano — um filme que combina nostalgia, espectáculo e ambição visual.
Mas o cartaz não se esgota aí.
Há também espaço para um romance contemporâneo protagonizado por Zendaya e Robert Pattinson, uma comédia francesa assumidamente caótica e vários dramas europeus que exploram relações familiares, identidade e tensão social.
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Enquanto o futuro de James Bond no cinema continua envolto em mistério, surge agora uma novidade que pode ajudar a perceber o caminho da personagem: uma nova aventura literária de 007 está oficialmente a caminho — e já tem título, história e data de lançamento.
O novo livro chama-se King Zero e será escrito por Charlie Higson, autor já conhecido pelos fãs da saga graças à série Young Bond. Desta vez, no entanto, assume pela primeira vez uma missão de maior escala, ao escrever um romance completo centrado na versão adulta do agente secreto criado por Ian Fleming.
A obra tem lançamento marcado para Setembro de 2026 e promete recuperar os elementos clássicos que definem o universo Bond: conspirações globais, traições inesperadas e uma ameaça que cresce à medida que a história avança.
A premissa arranca com a morte de um agente no deserto saudita — um acontecimento que levanta imediatamente suspeitas de traição dentro das próprias estruturas britânicas. A partir daí, James Bond embarca numa investigação que o leva a vários pontos do mundo, sem perceber que já está a correr contra o tempo.
Como seria de esperar, há também um novo antagonista, descrito como um dos mais poderosos alguma vez enfrentados por 007. Um inimigo que opera nas sombras e cuja influência poderá ultrapassar tudo o que Bond conheceu até agora.
Embora se trate de uma história literária, há quem veja neste enredo possíveis pistas sobre o futuro da saga no cinema. Temas como ameaças internas, geopolítica contemporânea e vilões com alcance global encaixam na tendência recente de tornar Bond mais próximo da realidade actual.
No grande ecrã, o próximo capítulo continua em fase de preparação. Sabe-se que Denis Villeneuve irá realizar o novo filme, com argumento de Steven Knight, numa fase em que a Amazon MGM Studios assumiu controlo criativo da franquia após a saída dos históricos produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson.
Quanto ao novo rosto de Bond, tudo permanece em aberto. Vários nomes continuam a ser apontados, mas sem confirmação oficial, mantendo viva a expectativa em torno de uma das escolhas mais aguardadas da indústria.
Até lá, King Zero surge como a próxima missão de 007 — e, para os fãs, pode ser muito mais do que um simples livro.
Há filmes que contam histórias. E há outros que escavam emoções — lentamente, com cuidado — até encontrarem aquilo que ficou por dizer. Romería, o novo trabalho de Carla Simón, parece pertencer claramente à segunda categoria.
Apresentado em competição no Festival de Cannes 2025, o filme parte de uma premissa simples, mas carregada de implicações emocionais. Marina, uma jovem de 18 anos que cresceu órfã, viaja até à costa atlântica de Espanha com um objectivo concreto: obter a assinatura dos avós paternos para uma candidatura a uma bolsa de estudo.
Mas o que começa como um gesto burocrático rapidamente se transforma numa jornada íntima e inesperada.
Ao chegar, Marina entra num universo familiar que lhe é, ao mesmo tempo, próximo e completamente estranho. Tias, tios e primos que nunca conheceu passam a fazer parte do seu presente, num ambiente onde o acolhimento e a distância coexistem de forma subtil. A dúvida paira constantemente: será recebida como parte da família ou como uma intrusa?
É neste equilíbrio delicado que o filme constrói a sua força.
À medida que Marina tenta perceber quem foram realmente os seus pais, confronta-se com versões fragmentadas e, por vezes, contraditórias da mesma história. Cada memória revelada abre novas perguntas, e aquilo que parecia enterrado começa lentamente a vir à superfície.
Carla Simón, conhecida pela sua sensibilidade na abordagem de temas familiares, aposta novamente numa narrativa contida, onde o silêncio e os pequenos gestos têm tanto peso quanto os diálogos. O resultado é um filme que se move mais pelas emoções do que pela acção, convidando o espectador a entrar nesse processo de descoberta.
Mais do que uma história sobre identidade, Romería é também um retrato sobre pertença — e sobre o desconforto de não saber exactamente onde se encaixa. Marina não procura apenas respostas sobre o passado; procura um lugar no presente.
Num cenário marcado pela paisagem atlântica, o filme constrói uma atmosfera melancólica e íntima, onde o espaço físico reflecte o estado emocional da protagonista. O mar, sempre presente, surge quase como uma metáfora das memórias: vasto, imprevisível e impossível de controlar.
Sem recorrer a dramatismos excessivos, Romería parece apostar numa abordagem honesta e profundamente humana.
Há filmes que vemos. E há filmes que sentimos. Super Mario Galaxy – O Filme pertence claramente à segunda categoria — uma experiência que não se limita ao ecrã, mas que nos puxa directamente para aquele lugar especial onde guardamos a infância.
Depois do sucesso estrondoso de Super Mario: O Filme, a expectativa para esta sequela era elevada. E a verdade é que esta nova aventura não tenta simplesmente repetir a fórmula — expande-a. E muito.
Uma odisseia cósmica com coração
A história leva Mario para longe do confortável Reino do Cogumelo, lançando-o numa jornada espacial onde cada planeta parece ter vida própria. É uma aposta clara na escala e no espectáculo, com Aaron Horvath e Michael Jelenic a elevarem a ambição narrativa e visual a um novo patamar.
Mas essa ambição tem um preço.
Se por um lado o filme cresce em dimensão, por outro perde alguma da coesão narrativa que tornava o primeiro capítulo tão eficaz. Há múltiplos arcos — relações, conflitos internos, novas personagens — e nem todos recebem o tempo que mereciam.
Ainda assim, o coração está lá. E sente-se.
Um espetáculo visual absolutamente deslumbrante
Se há algo que não deixa margem para dúvidas é o nível técnico. A animação da Illumination atinge aqui um patamar impressionante, com mundos vibrantes, jogos de perspectiva criativos e uma atenção ao detalhe que roça o obsessivo.
Momentos que alternam entre 3D, sequências em estilo clássico 2D e até piscadelas ao pixel art criam uma ponte directa entre passado e presente — um verdadeiro presente para quem cresceu com a Nintendo.
E depois há a música.
A banda sonora de Brian Tyler é, sem exagero, um dos pontos mais altos do filme. Ao recuperar e reinterpretar os temas de Koji Kondo, o compositor consegue transformar nostalgia em emoção pura. Não há distrações comerciais — só respeito pelo legado.
Personagens que brilham… e outras que ficam aquém
O elenco vocal continua sólido, com Chris Pratt, Charlie Day e Jack Black a entregarem exactamente aquilo que se espera — energia, humor e carisma.
Jack Black, aliás, continua a ser o verdadeiro MVP como Bowser, equilibrando ameaça e comédia de forma brilhante.
As novas adições, como Brie Larson no papel de Rosalina, trazem frescura, mas nem sempre são bem aproveitadas. A relação entre Rosalina e Peach, que prometia um dos núcleos emocionais mais fortes, acaba por saber a pouco — uma oportunidade clara que ficou por explorar.
Em contrapartida, o arco de Bowser e Bowser Jr. surpreende pela profundidade, introduzindo uma dinâmica inesperadamente emocional sobre identidade e legado.
Fan service que funciona (mesmo quando exagera)
Sim, há muito fan service. Mas, ao contrário de outros filmes, aqui não parece gratuito.
Cada referência, cada personagem surpresa — incluindo momentos inesperados que vão deixar muitos fãs de sorriso rasgado — contribui para a sensação de um universo vivo e em expansão.
E ver Luigi assumir um papel mais activo, especialmente ao lado de novas figuras, é particularmente recompensador.
Mais do que nostalgia — uma experiência emocional
No meio de todas as críticas que apontam estes filmes como “produtos comerciais”, há algo que importa dizer: emoção não se fabrica.
E Super Mario Galaxy – O Filme tem-na.
Pode não ser perfeito. Pode tropeçar no ritmo e dispersar-se em excesso. Mas consegue algo que poucos filmes hoje conseguem: fazer-nos sentir outra vez como crianças.
Há filmes que partem de uma premissa simples e a levam até às últimas consequências — e Ladrões da Treta é exactamente isso. Uma comédia que começa com uma decisão impulsiva e rapidamente se transforma numa espiral de acontecimentos cada vez mais difíceis de controlar.
A história centra-se em Stan, um jovem engenheiro ambicioso que acredita que a sua carreira estagnou. Convencido de que foi ultrapassado e de que nunca receberá a promoção que deseja, toma uma decisão desesperada: roubar uma mala com um milhão de euros do cofre do patrão. O plano parece, na sua cabeça, uma espécie de justiça pessoal — uma forma de compensar aquilo que considera ser uma injustiça profissional.
O problema surge quando, já a caminho do aeroporto e pronto para desaparecer com o dinheiro, descobre que estava completamente enganado. A promoção foi, afinal, atribuída. Aquilo que parecia perdido estava garantido — e, num instante, o golpe transforma-se num erro colossal.
É a partir daqui que o filme ganha o seu verdadeiro ritmo.
Percebendo que precisa de devolver o dinheiro antes que seja tarde demais, Stan vê-se obrigado a voltar atrás e a tentar corrigir uma situação que, a cada minuto, se torna mais caótica. Para isso, conta com a ajuda de Hippolyte, um serralheiro pouco fiável, cuja capacidade para complicar ainda mais o que já é complicado se revela quase impressionante.
Interpretado por Christian Clavier, Hippolyte traz ao filme aquele tipo de energia imprevisível que funciona como motor da comédia. A dinâmica entre ele e Stan — vivido por Rayane Bensetti — assenta precisamente nesse contraste: de um lado, alguém que tenta manter o controlo; do outro, alguém que parece viver confortavelmente no caos.
O resultado é uma narrativa construída em torno de uma única noite, onde tudo acontece a um ritmo acelerado e onde cada tentativa de resolver o problema acaba, inevitavelmente, por criar outro ainda maior.
Sem procurar reinventar o género, Ladrões da Treta aposta numa fórmula eficaz: personagens bem definidas, situações em escalada e um sentido de timing que privilegia o absurdo sem perder o fio condutor da história. Há aqui elementos de filme de assalto, mas tratados sempre com leveza, num registo claramente orientado para o entretenimento.
Distribuído pela NOS Audiovisuais, o filme chega aos cinemas portugueses a 2 de Abril, posicionando-se como uma proposta ideal para quem procura uma comédia acessível e descontraída nesta altura do calendário.
No fundo, é uma história sobre decisões precipitadas — e sobre como, por vezes, o mais difícil não é cometer o erro, mas tentar corrigi-lo.
Há séries que crescem naturalmente. E depois há aquelas que fazem uma aposta clara para subir de patamar. Task parece estar a seguir precisamente esse caminho.
A segunda temporada da produção ganha agora um reforço de peso com a entrada de Mahershala Ali, um dos actores mais respeitados da actualidade. Com uma carreira marcada por desempenhos memoráveis em Moonlight e Green Book, Ali traz consigo não só talento, mas também uma presença que raramente passa despercebida.
Uma série que aposta no realismo e na tensão
Ambientada nos subúrbios da classe trabalhadora de Filadélfia, Task conquistou atenção pela forma crua e directa como retrata o crime organizado e as operações policiais. A primeira temporada acompanhou um agente do FBI, interpretado por Mark Ruffalo, encarregado de liderar uma força especial dedicada a travar uma série de assaltos violentos.
Do outro lado estava uma figura inesperada: um homem de família aparentemente comum, interpretado por Tom Pelphrey, que escondia uma vida dupla perigosa e imprevisível.
Esse contraste entre o quotidiano e a violência foi um dos grandes motores da narrativa — e tudo indica que a nova temporada vai aprofundar ainda mais essa tensão.
Uma nova temporada, um jogo ainda mais complexo
Segundo a HBO Max, a segunda temporada coloca Tom Brandis (Ruffalo) à frente de uma nova equipa, mas rapidamente fica claro que esta missão será tudo menos simples. À medida que a investigação avança, a linha entre suspeitos, aliados e ameaças torna-se cada vez mais difusa.
É aqui que a entrada de Mahershala Ali poderá fazer toda a diferença.
Embora os detalhes sobre a sua personagem ainda estejam em segredo, a presença do actor sugere um papel de grande impacto — possivelmente alguém que venha baralhar completamente o equilíbrio de forças dentro da história.
Um elenco sólido que continua a crescer
Para além dos protagonistas já conhecidos, a série mantém um elenco consistente, com nomes como Emilia Jones, Jamie McShane, Sam Keeley, Thuso Mbedu, Fabien Frankel, Alison Oliver, Raúl Castillo, Phoebe Fox e Martha Plimpton.
Este conjunto de actores tem sido essencial para dar profundidade a uma história que vive tanto das suas personagens como da acção.
Mais ambição, mais incerteza… e mais motivos para acompanhar
Com uma base sólida já construída na primeira temporada, Task parece agora apostar numa expansão mais ambiciosa — tanto em escala como em complexidade narrativa.
A entrada de Mahershala Ali não é apenas mais um nome no elenco. É um sinal claro de que a série quer jogar noutra liga.
E, se conseguir manter o equilíbrio entre tensão, realismo e desenvolvimento de personagens, a segunda temporada pode muito bem confirmar aquilo que a primeira apenas começou a sugerir.
Que estamos perante uma das séries mais interessantes do género.
Antes de Frodo, antes da Irmandade… houve uma guerra que moldou o destino de Rohan.
O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim leva-nos 183 anos antes dos acontecimentos da trilogia de J.R.R. Tolkien, mergulhando numa das histórias mais marcantes — e menos exploradas — da Terra Média.
A origem de uma lenda
No centro da narrativa está Helm Hammerhand, o lendário rei de Rohan, cuja resistência viria a tornar-se símbolo de coragem e sacrifício. Quando o implacável senhor da guerra Wulf ameaça destruir o reino, Helm é forçado a liderar o seu povo numa luta desesperada pela sobrevivência.
Refugiados na fortaleza de Hornburg — que mais tarde ficaria conhecida como o Abismo de Helm — os Rohirrim enfrentam um cerco brutal que entraria para a história como uma das batalhas mais épicas da Terra Média.
Mas esta não é apenas uma história de guerra.
Uma narrativa mais humana e intimista
Ao lado de Helm surge Héra, a sua filha, uma figura central na resistência e uma das grandes forças emocionais do filme. É através dela — e das relações familiares — que esta história ganha uma dimensão mais pessoal, algo menos comum no universo épico de Tolkien.
Realizado por Kenji Kamiyama, conhecido pelo seu trabalho em Ghost in the Shell: Stand Alone Complex, o filme adopta uma abordagem visual distinta, inspirada no anime japonês. O resultado é uma fusão curiosa entre o imaginário clássico da Terra Média e uma estética mais estilizada e dinâmica.
Uma nova identidade para a Terra Média
Esta escolha estética não é apenas uma questão de estilo — ajuda também a contar a história de forma diferente. Há uma maior proximidade às personagens, mais espaço para momentos de introspecção e uma atenção especial ao impacto emocional da guerra.
Ao mesmo tempo, o filme não abdica da escala que se espera de uma história deste universo: batalhas grandiosas, cavalgadas épicas e o peso constante de uma ameaça que cresce nas sombras — com Sauron a começar a erguer-se, ainda longe do auge que conhecemos.
Uma estreia a não perder
O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim estreia em exclusivo no TVCine Top no dia 4 de Abril, às 21h30, disponível também no TVCine+.
Para os fãs de longa data, é uma oportunidade de regressar à Terra Média por uma nova porta. Para os novos espectadores, pode muito bem ser o início de uma viagem inesquecível.
Porque, mesmo antes das histórias que todos conhecemos… já havia lendas à espera de serem contadas.
Há episódios da História que parecem impossíveis de acreditar. E depois há aqueles que são tão absurdos que quase parecem ficção — mas não são.
Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar, realizado por José Filipe Costa, mergulha num dos momentos mais insólitos — e menos falados — da história portuguesa recente: os últimos anos de António de Oliveira Salazar.
E o que revela é, no mínimo, desconcertante.
Uma mentira mantida durante dois anos
Após uma queda e um AVC em 1968, Salazar é afastado do poder e substituído por Marcelo Caetano. Mas há um detalhe crucial: ninguém lhe conta.
Durante dois anos, o antigo líder continua a viver como se ainda governasse o país. Recebe ministros que já não são ministros, fala com embaixadores que não representam ninguém e mantém uma rotina cuidadosamente encenada para sustentar uma ilusão.
Um verdadeiro teatro político… dentro do próprio poder.
E o mais inquietante? Todos participam.
Desde a sua governanta, Maria de Jesus, até ao Presidente da República, Américo Thomaz, passando por médicos e funcionários — todos ajudam a alimentar esta realidade paralela.
Um retrato perturbador do “medinho português”
José Filipe Costa não está interessado apenas em recontar factos históricos. O realizador usa este episódio para explorar algo mais profundo: os mecanismos de obediência, medo e conformismo que marcaram uma época — e que, segundo ele, ainda ecoam na sociedade portuguesa.
Como o próprio refere, trata-se de um filme sobre “o medinho português” — sobre a forma como uma mentira pode crescer até se tornar uma verdade aceite por todos.
E talvez seja essa a ideia mais inquietante de todas.
Um elenco que sustenta a ilusão
O filme conta com Jorge Mota no papel de Salazar e uma interpretação destacada de Catarina Avelar como Maria de Jesus, premiada pela sua performance.
Ao lado deles, um conjunto de personagens que vivem entre a lealdade, o medo e a cumplicidade, criando um ambiente onde a realidade deixa de ser clara — e onde a sanidade começa a ser posta em causa.
Reconhecimento internacional e estreia em Portugal
Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar estreou mundialmente no Festival de Roterdão e foi distinguido nos Caminhos do Cinema Português com prémios de Melhor Ficção, Melhor Caracterização e Melhor Interpretação.
Chega agora às salas nacionais a 28 de Maio, uma data simbólica que assinala o centenário da Revolução de 1926 — o início do regime que viria a levar Salazar ao poder.
Uma história real… mais estranha do que qualquer ficção
Há filmes que contam o passado. Este questiona-o.
E talvez obrigue a olhar para ele de forma diferente.
Porque, no fim, a pergunta não é apenas como isto aconteceu…
Há histórias que parecem pequenas… até percebermos o que realmente está em jogo.
Mr. Nobody Contra Putin é uma dessas histórias — um documentário que, partindo de um gesto aparentemente discreto, acaba por revelar um retrato inquietante de um sistema muito maior.
Premiado com o Óscar e o BAFTA de Melhor Documentário, o filme chega agora à televisão portuguesa com estreia marcada para 5 de Abril, às 22h00, no TVCine Edition.
Um testemunho em primeira pessoa
Realizado por David Borenstein e Pavel Talankin, o documentário acompanha um professor de uma escola primária na Rússia que decide fazer algo tão simples quanto perigoso: filmar.
À medida que o discurso educativo se torna cada vez mais militarizado e ideológico, este professor começa a registar o quotidiano escolar — não como observador distante, mas como alguém que vive no centro do sistema.
O resultado é um testemunho íntimo, quase clandestino, que expõe um processo de doutrinação dirigido às crianças.
Entre o silêncio e a coragem
O grande conflito do filme não está apenas no que é mostrado, mas no dilema que atravessa o seu protagonista.
Continuar a trabalhar dentro de um sistema que considera problemático — arriscando tornar-se cúmplice — ou afastar-se, protegendo-se a si próprio, mas perdendo a possibilidade de expor a verdade?
É esta tensão constante que dá ao documentário uma força emocional rara.
Muito mais do que um filme sobre guerra
Embora o contexto esteja ligado ao conflito na Ucrânia, Mr. Nobody Contra Putin vai além disso. O filme propõe uma reflexão mais ampla sobre os mecanismos de controlo social, a influência da propaganda e a forma como ideias são moldadas desde a infância.
Mais inquietante ainda é a sugestão de que este sistema não depende apenas de uma figura política, mas de uma estrutura mais profunda, sustentada pelo medo, pela desinformação — e, em alguns casos, pela aceitação silenciosa.
Um olhar que não deixa ninguém indiferente
Descrito como uma obra marcante pela crítica internacional, o documentário destaca-se também pela sua abordagem cinematográfica. A mistura entre testemunho pessoal e observação directa cria uma sensação de proximidade quase desconfortável, como se estivéssemos dentro da própria história.