Wesley Snipes faz 63 anos: o legado de um ícone que redefiniu o cinema de acção

Estilo, intensidade e uma presença impossível de ignorar

Há actores que atravessam décadas sem nunca perderem identidade. Wesley Snipes é um desses casos raros. Aos 63 anos, celebrados hoje, o actor continua a ser uma referência incontornável do cinema de acção — não apenas pelo impacto físico dos seus papéis, mas pela forma como elevou o género, trazendo-lhe carisma, técnica e uma intensidade muito própria.

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Falar de Wesley Snipes é falar de presença. Daquele tipo de magnetismo que prende o olhar do espectador mesmo quando não é o protagonista absoluto da cena. Desde cedo, Snipes mostrou que não queria ser apenas “mais um”. Queria deixar marca. E deixou.

Blade e a revolução silenciosa do género

É impossível não começar por Blade. Lançado numa altura em que o cinema de super-heróis ainda procurava o seu tom, o filme não só foi um sucesso comercial como redefiniu o que era possível fazer dentro do género. Snipes deu corpo a um herói sombrio, letal e profundamente cool, combinando artes marciais de alto nível com uma atitude que se tornaria icónica.

Muito antes do domínio absoluto da Marvel nos cinemas, Blade provou que personagens de banda desenhada podiam resultar em filmes adultos, violentos e esteticamente marcantes. E fê-lo graças, em grande parte, à entrega total do seu protagonista.

Muito mais do que um herói de acção

Reduzir Wesley Snipes ao cinema de acção seria profundamente injusto. Ao longo da carreira, mostrou uma versatilidade notável, tanto em dramas como em comédias. Filmes como White Men Can’t Jump revelaram um talento natural para o humor e o ritmo de comédia, enquanto Jungle Fever, de Spike Lee, expôs uma faceta mais crua e emocionalmente complexa.

Snipes nunca teve medo de arriscar. Escolheu projectos desconfortáveis, personagens ambíguas e histórias que nem sempre seguiam o caminho mais seguro. Essa coragem artística é parte essencial do seu legado.

Disciplina, artes marciais e respeito pelo ofício

Outro elemento que distingue Wesley Snipes é a sua impressionante formação em artes marciais. Praticante de várias disciplinas, o actor trouxe uma autenticidade física raramente vista em Hollywood. Cada movimento, cada combate, cada gesto tinha peso real — não era apenas coreografia, era linguagem corporal.

Essa disciplina reflecte-se também na forma como encara o trabalho de actor: com respeito, entrega e uma ética profissional que sempre falou mais alto do que modas ou tendências passageiras.

Celebrar 63 anos é celebrar uma carreira com impacto

Este aniversário não é apenas uma data simbólica. É a celebração de uma carreira construída com persistência, talento e uma vontade constante de ir mais longe. Wesley Snipes influenciou gerações de actores, abriu portas e ajudou a redefinir o que significa ser uma estrela de cinema de acção.

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Hoje, celebramos 63 anos de um percurso extraordinário — e de um impacto que continua bem vivo. 🎬

(corrigido no dia 29 de Janeiro de 2026)

“Uma pantera com boas intenções”: Tennessee Williams sobre Paul Newman e o peso da beleza

Quando o talento luta contra o próprio mito

Poucos actores da história do cinema carregaram a sua beleza como Paul Newman. Idolatrado pelo público, desejado pelos estúdios e venerado pela crítica, Newman poderia facilmente ter seguido uma carreira confortável, feita de charme, sorrisos perfeitos e personagens seguras. Mas, como sublinhou Tennessee Williams, esse nunca foi o seu caminho.

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Numa entrevista conduzida por James Grissom, o autor de Um Eléctrico Chamado Desejo deixou um dos retratos mais lúcidos e profundos alguma vez escritos sobre Paul Newman. Um texto que não se limita a elogiar o actor, mas que revela a luta constante entre a aparência, o talento e a necessidade quase dolorosa de ir mais longe.

A beleza como dádiva… e como maldição

Para Tennessee Williams, Newman era “insaciavelmente curioso”, alguém com uma tendência quase masoquista para se testar e esticar os próprios limites. O dramaturgo não nega que o actor tivesse plena consciência da sua beleza — e do poder que ela lhe conferia — mas sublinha algo mais interessante: essa beleza era também o seu fardo, a sua “cruz estética”.

Segundo Williams, Newman combatia activamente a sua aparência em cena. Não a escondia, mas recusava deixar-se definir por ela. A luta não era física, mas expressiva: na voz, no rosto, nos silêncios e nas subtilezas emocionais. Era aí que desmontava o mito do galã para revelar personagens frágeis, gananciosas, contraditórias ou mesmo moralmente duvidosas.

Chance Wayne e o confronto com o eu mais jovem

Essa tensão atinge um ponto particularmente fascinante em Sweet Bird of Youth, adaptação cinematográfica da peça homónima de Tennessee Williams. Newman interpreta Chance Wayne, um homem obcecado com a juventude perdida, o sucesso que nunca chegou e o medo visceral do tempo.

Williams observa que, neste papel, Newman manteve o corpo belo e a apresentação física intacta, mas transformou completamente o interior da personagem. Através da voz e da expressão facial, revelou a chicana, a ambição vazia e a ganância emocional de Chance. E quando a personagem se confronta simbolicamente com o seu “eu” mais jovem — cheio de sonhos e ilusões — Newman adquire, nas palavras do autor, uma aparência quase angelical, luminosa, como se o passado ainda tivesse o poder de o redimir.

Um actor incapaz de “ir a meio gás”

Talvez o elogio mais poderoso de Tennessee Williams seja este: Paul Newman era incapaz de facilitar. Incapaz de “coasting”, de viver apenas do prestígio acumulado. Havia nele uma ética quase moral de trabalho, uma recusa em aceitar o caminho mais simples.

Descrito como silencioso e lacónico, Newman surge neste testemunho como alguém sempre presente para ajudar, elogiar ou apoiar — amigos e desconhecidos. Alguém que entra e sai das situações com naturalidade, sem alarido, mas com impacto real. Daí a imagem final, memorável e perfeita: “uma pantera com boas intenções”.

O retrato definitivo de um gigante do cinema

Este testemunho de Tennessee Williams não é apenas uma declaração de admiração. É um documento precioso sobre a natureza do verdadeiro talento: aquele que não se acomoda, que questiona os próprios privilégios e que transforma até a beleza numa ferramenta dramática, em vez de um atalho.

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Paul Newman foi muito mais do que um rosto inesquecível. Foi um actor que enfrentou o seu próprio mito — e venceu.

A audição que mudou A Lista de Schindler — e a carreira de um actor

Quando Ralph Fiennes entrou na sala de audições de A Lista de Schindler, em 1992, nada indicava que aquele momento ficaria gravado na história do cinema. Vindo do teatro clássico britânico, dono de uma voz suave e de uma postura contida, Fiennes parecia uma escolha improvável para interpretar um dos vilões mais aterradores alguma vez retratados no grande ecrã.

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Mas bastaram poucos minutos para o ambiente se transformar. À medida que começava a dar corpo ao comandante nazi Amon Goeth, algo mudou. O olhar endureceu, os movimentos tornaram-se calculados, a respiração mais lenta. O silêncio que se instalou não foi de concentração — foi de desconforto.

No final, Steven Spielberg não aplaudiu. Saiu da sala. Minutos depois regressou, visivelmente perturbado, e disse apenas: “Acho que acabei de me deparar com o mal”.

Um papel que ninguém queria — nem o próprio actor

Ironicamente, Ralph Fiennes não desejava aquele papel. Anos mais tarde confessaria que tinha medo de Amon Goeth. “Não queria habitar a mente daquele homem”, admitiu. Mas Spielberg viu algo raro: uma tranquilidade profundamente inquietante, aquela calma quase clínica que antecede os actos mais cruéis.

Durante as filmagens, Fiennes tomou uma decisão radical. Mantinha o uniforme nazi mesmo fora das cenas. Não por vaidade ou método performativo vazio, mas porque precisava “sentir o peso e a repulsa” da personagem. Era uma forma de não romantizar o horror — de o enfrentar.

Quando a ficção se torna demasiado real

O impacto da sua presença foi tão intenso que sobreviventes do Holocausto que visitavam o set evitavam aproximar-se dele. Uma mulher chegou a chorar ao vê-lo. Disse-lhe: “Não é você… é ele. Você parece-se demasiado com ele”. Poucas validações são tão devastadoras quanto esta.

A interpretação foi amplamente elogiada e valeu-lhe uma nomeação para o Óscar. Mas deixou marcas profundas. “O que mais me assustou foi perceber o quão fácil a crueldade pode surgir”, contou Fiennes. Uma constatação que o acompanhou durante anos.

Recusar rótulos, preservar o mistério

Hollywood tentou empurrá-lo para o papel de vilão elegante e sofisticado. Ele recusou. Para Fiennes, o mistério é uma das últimas formas de poder de um actor. Assim, construiu uma carreira feita de contrastes: do monstro ao amante, do poeta ao assassino, do espião ao sacerdote.

Até que surgiu Lord Voldemort. A proposta arrancou-lhe uma gargalhada inicial. “Não gosto de fantasia”, disse. Só aceitou quando encontrou uma abordagem concreta e física. Estudou serpentes, trabalhou a voz como se respirasse através de vidro e decidiu que Voldemort não deveria ser uma caricatura, mas algo mais perturbador: “como se a morte tivesse aprendido a andar”.

Daniel Radcliffe resumiu melhor do que ninguém: quando Ralph Fiennes entrava no set, não eram precisos efeitos especiais — o ar gelava.

O silêncio como antídoto ao mal

Fora das câmaras, Fiennes é o oposto das figuras que interpreta. Escreve poesia, evita telemóveis e procura o silêncio. “A fama é barulho. Eu prefiro o silêncio”, diz.

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Ralph Fiennes não se limita a representar o mal. Ele desmonta-o, compreende-o e devolve-o ao público com algo ainda mais inquietante: humanidade. Porque o verdadeiro horror, como ele próprio demonstrou, não grita.

Sussurra.

“Isto não estava no meu bingo”: O trailer de The Odyssey de Christopher Nolan apanha fãs de surpresa

Travis Scott surge no épico histórico e a Internet entrou em curto-circuito

Os fãs de Christopher Nolan estão todos a dizer a mesma coisa — e, desta vez, não é sobre cronologias complexas ou teorias mirabolantes. O mais recente teaser de The Odyssey, adaptação ambiciosa do poema épico de Homero, deixou o público genuinamente surpreendido ao revelar uma presença inesperada: Travis Scott.

O teaser, com cerca de um minuto, foi exibido durante um intervalo publicitário da transmissão do jogo do Campeonato AFC da NFL, entre os New England Patriots e os Denver Broncos. Bastou isso para incendiar as redes sociais. Não por causa das imagens grandiosas, nem do tom épico habitual de Nolan — mas porque, no meio da cena, surge Travis Scott, num papel que parece marcar a sua estreia num grande filme de estúdio.

Um bardo, um aviso… e um choque colectivo

No excerto revelado, vemos Jon Bernthal no papel de Menelau e Tom Holland como Telémaco, reunidos numa espécie de refeitório militar. A tensão é palpável. De repente, a personagem interpretada por Travis Scott levanta-se, bate com um bastão no chão e profere um aviso solene sobre uma guerra iminente e um estratagema destinado a destruir Tróia.

O momento é curto, mas suficiente para provocar uma reacção em cadeia. “Travis Scott num filme do Christopher Nolan não estava no meu bingo”, escreveu um utilizador na rede social X. Outros seguiram o mesmo tom de incredulidade: “Nunca pensei ler esta frase” ou “Nem sabia que ele entrava no filme”.

Rappers no cinema: moda passageira ou aposta séria?

Como é habitual nestes casos, nem todas as reacções foram entusiastas. Houve quem questionasse porque razão tantos rappers estão a tentar a sorte na representação. A comparação surgiu rapidamente com A$AP Rocky, que recentemente entrou no drama If I Had Legs I’d Kick You, ao lado da actriz Rose Byrne.

Ainda assim, muitos fãs mostraram curiosidade e até optimismo. Para alguns, Nolan é precisamente o realizador certo para testar este tipo de escolha improvável. “Se há alguém que consegue tirar algo interessante daqui, é o Nolan”, lia-se noutro comentário.

Um épico de luxo com um elenco impressionante

The Odyssey tem estreia marcada para 17 de Julho e apresenta Matt Damon no papel de Ulisses (Odysseus), rei de Ítaca, acompanhando a sua longa e atribulada viagem de regresso a casa após a Guerra de Tróia. O elenco é, sem exagero, de luxo: Robert PattinsonZendayaCharlize TheronAnne HathawayMia Goth e Benny Safdie completam o grupo.

Uma colaboração que não é totalmente inédita

Apesar de ser a sua estreia num grande épico cinematográfico, Travis Scott já tinha trabalhado com Nolan. O rapper assinou a música “The Plan”, incluída na banda sonora de Tenet. Ainda assim, vê-lo agora em frente à câmara, num universo tão distante do seu habitat musical, é outra conversa.

Se esta escolha vai resultar ou não, só o filme o dirá. Para já, uma coisa é certa: The Odyssey conseguiu aquilo que Nolan raramente falha — pôr toda a gente a falar.

Surpresa, política e ausências sonantes: One Battle After Another lidera as nomeações para os BAFTA

Thriller de Leonardo DiCaprio destaca-se numa edição marcada por diferenças face aos Óscares

As nomeações para os BAFTA Film Awards deste ano confirmam aquilo que já se vinha a desenhar nas últimas semanas: o cinema britânico e internacional segue caminhos próprios, nem sempre alinhados com Hollywood. O grande destaque vai para One Battle After Another, thriller político protagonizado por Leonardo DiCaprio, que lidera a corrida com 14 nomeações, tornando-se o filme mais nomeado desta edição.

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Logo atrás surge o vampírico Sinners, com 13 nomeações, enquanto Hamnet e a inesperada biografia desportiva Marty Supreme arrecadam 11 nomeações cada. Apesar do forte desempenho, nenhum destes títulos conseguiu igualar o recorde absoluto dos BAFTA, fixado nas 16 nomeações por Gandhi (1982).

DiCaprio, Infiniti e Taylor em destaque

Para além de DiCaprio, One Battle After Another valeu nomeações a Chase Infiniti e Teyana Taylor, consolidando o filme como um dos fenómenos críticos do ano. Curiosamente, Infiniti é um dos actores que ficaram de fora das nomeações aos Óscares, mas que aqui encontra reconhecimento — uma tendência que se repete noutras categorias.

Os BAFTA, ao disporem de seis nomeados por categoria (em vez dos cinco habituais nos Óscares), permitem uma maior diversidade de escolhas e dão espaço a desempenhos que ficaram à margem da corrida norte-americana.

Paul Mescal, Jessie Buckley e o peso britânico

13/12/2025 Dublin Ireland. Photo shows actor Paul Mescal and actress Jessie Buckley at the irish premiere of the film Hamnet at the Light House Cinema. Photo: Leah Farrell/© RollingNews.ie

Entre os actores, Paul Mescal e Jessie Buckley surgem nomeados por Hamnet, reforçando a forte presença de talento britânico e irlandês nesta edição. Buckley é, de resto, considerada uma das favoritas também na corrida aos Óscares, ao lado de Timothée Chalamet, que repete igualmente a sua nomeação nos BAFTA.

A lista inclui ainda vários nomes britânicos em evidência, como Carey MulliganEmily WatsonRobert Aramayo e Peter Mullan, sublinhando a missão dos BAFTA em promover o cinema produzido no Reino Unido.

As grandes ausências e as escolhas polémicas

Nem tudo são boas notícias. Quatro actores nomeados aos Óscares ficaram de fora dos BAFTA: Amy MadiganDelroy LindoWagner Moura e Elle Fanning — sendo que Moura e Fanning nem sequer integraram as longlists da academia britânica.

Em contrapartida, Jesse Plemons e Odessa A’Zion, ignorados pelos Óscares, surgem aqui nomeados.

Outro caso curioso é Wicked: For Good, que falhou completamente os Óscares mas conseguiu duas nomeações técnicas nos BAFTA, enquanto o thriller brasileiro The Secret Agent vê reduzido para metade o número de nomeações face à Academia de Hollywood.

A ausência mais notada é, talvez, KPop Demon Hunters, o fenómeno viral da Netflix, que ficou de fora por não ter tido estreia em sala no Reino Unido — um lembrete de que, para os BAFTA, o cinema continua a começar no grande ecrã.

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Cerimónia marcada para Fevereiro

Os BAFTA Film Awards realizam-se no próximo 22 de Fevereiro, no Royal Festival Hall, em Londres, com apresentação de Alan Cumming. Até lá, One Battle After Another parte na dianteira — mas, como sempre, a noite promete surpresas.

Quando a Exaustão Ganha Forma de Thriller: Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé Chega aos Cinemas

Um drama psicológico intenso que promete deixar marcas no espectador

Há filmes que não se limitam a contar uma história — instalam-se no corpo e na cabeça de quem os vê. Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé pertence claramente a essa categoria. O novo filme escrito e realizado por Mary Bronsteinestreia nas salas de cinema portuguesas a 19 de Fevereiro, trazendo consigo uma das interpretações mais comentadas, exigentes e perturbadoras do ano, assinada por Rose Byrne  .

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Rose Byrne num registo cru, físico e emocionalmente devastador

Conhecida sobretudo pelo seu talento para a comédia e por personagens carismáticas, Rose Byrne apresenta aqui uma viragem radical. A actriz interpreta Linda, terapeuta e mãe, cuja vida entra num processo acelerado de implosão quando a filha desenvolve uma doença misteriosa e resistente a qualquer tratamento. A partir desse ponto, tudo parece contribuir para o colapso: um marido emocionalmente ausente, uma paciente que desaparece sem explicação e uma relação profissional cada vez mais tóxica com o seu próprio psicólogo.

Não é por acaso que esta interpretação já foi distinguida com um Globo de Ouro e com o prémio de Melhor Actriz no Festival de Berlim, além de ter garantido nomeações para os BAFTA e para os Óscares. Byrne está presente em praticamente todos os planos do filme, numa entrega física e emocional que não concede descanso ao espectador.

Um thriller emocional sem banda sonora — e por isso ainda mais inquietante

Apesar de se apresentar como um drama psicológico, Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé assume muitas das características de um thriller. O ritmo é tenso, claustrofóbico, e a sensação de ameaça nunca desaparece verdadeiramente — mesmo quando nada de “objectivamente” perigoso parece acontecer.

Um dos elementos mais interessantes da proposta de Mary Bronstein é a ausência de uma banda sonora tradicional. Em vez disso, o filme aposta num desenho sonoro imersivo, que amplifica ruídos, silêncios e sons ambientes. Hospitais, consultórios e quartos de motel transformam-se em extensões da mente de Linda, lugares onde o desgaste emocional se manifesta de forma quase física.

A realizadora descreve o filme como uma tentativa de capturar aquele estado mental específico em que sentimos que tudo está a ruir e que, de alguma forma, a culpa é exclusivamente nossa. É uma abordagem pouco romantizada da maternidade, do cuidar e da responsabilidade emocional — temas raramente tratados com esta frontalidade no cinema contemporâneo.

Um elenco inesperado e uma estreia portuguesa aguardada

Para além de Rose Byrne, o elenco inclui escolhas surpreendentes. Conan O’Brien surge aqui na sua estreia em cinema dramático, enquanto A$AP Rocky integra também o elenco, contribuindo para um conjunto de personagens que reforçam a estranheza e a instabilidade emocional do universo do filme.

Depois de uma recepção muito positiva nos festivais internacionais, o filme chega finalmente ao público português, com uma duração de 113 minutos e a promessa de ser uma das experiências cinematográficas mais intensas do início do ano.

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Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé não é um filme confortável — e ainda bem. É cinema que arrisca, que provoca e que permanece muito depois de as luzes da sala se acenderem.

Eric Dane ausente de gala sobre ELA devido à doença, mas emociona com mensagem poderosa

Actor distinguido pela ALS Network apesar das limitações físicas

A luta de Eric Dane contra a Esclerose Lateral Amiotrófica voltou a ganhar destaque público este fim-de-semana, depois de o actor ter sido forçado a cancelar, à última hora, a sua presença na Champions for Cures and Care Gala, organizada pela ALS Network. A ausência foi motivada pelas limitações físicas impostas pela doença, diagnosticada em Abril de 2025.

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Apesar de não ter conseguido marcar presença na cerimónia, Eric Dane foi homenageado com o prémio Advocate of the Year, distinção que reconhece o seu envolvimento activo na sensibilização e defesa da causa da ELA. O galardão foi recebido em seu nome por Aaron Lazar, também ele diagnosticado com a mesma doença.

“Não me senti bem o suficiente para comparecer”

Em comunicado, a organização explicou que o actor cancelou a participação poucas horas antes do evento, devido às “realidades físicas” da Esclerose Lateral Amiotrófica. Ainda assim, a ALS Network fez questão de sublinhar o impacto do seu trabalho: “Continuamos profundamente gratos pela sua coragem, defesa da causa e compromisso contínuo com a comunidade ELA, e homenageamo-lo esta noite com o nosso mais profundo respeito e apoio.”

Mesmo ausente fisicamente, Dane fez-se ouvir através de uma mensagem pré-gravada, exibida durante a gala, que acabou por ser um dos momentos mais emocionantes da noite.

Uma mensagem de gratidão e esperança

No vídeo, o actor deixou claro que o prémio ultrapassa a sua própria história pessoal. “Este prémio não é apenas para mim. É para a minha bela família e entes queridos, para cada pessoa que enfrentou a ELA com coragem, para cada cuidador que dá o coração todos os dias e para cada defensor que se torna uma voz pelo progresso”, afirmou.

Eric Dane destacou ainda o papel fundamental da ALS Network na articulação entre cuidados médicos e investigação científica, reforçando uma mensagem de esperança: “Com a ajuda da ALS Network, finalmente vamos derrotar esta doença.”

A luta diária contra a ELA

Conhecido mundialmente pelo papel de Mark Sloan na série Anatomia de Grey, Eric Dane falou publicamente sobre o impacto do diagnóstico numa entrevista a Diane Sawyer, no Good Morning America. “Acordo todos os dias e sou imediatamente lembrado de que isto está a acontecer. Não é um sonho”, confessou, num testemunho marcado pela frontalidade.

O actor é pai de duas filhas, Billie e Georgia, fruto do casamento com a actriz Rebecca Gayheart. Apesar de um pedido de divórcio em 2018, o casal reconciliou-se anos mais tarde e tem enfrentado a doença em conjunto. Em declarações anteriores, Gayheart explicou que a família vive o processo “dia a dia”, com apoio profissional, procurando lidar com a situação com “esperança, dignidade, graça e amor”.

Uma carreira celebrada, uma causa reforçada

A gala incluiu ainda um vídeo emotivo com momentos marcantes da carreira de Eric Dane, bem como depoimentos de colegas como Ellen Pompeo e Jacob Elordi, celebrando não apenas o percurso artístico do actor, mas também o seu compromisso humano e social.

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Mesmo longe dos holofotes nessa noite, Eric Dane voltou a provar que a sua voz continua presente — e profundamente relevante.

Send Help: Sam Raimi volta ao terror com um thriller de sobrevivência feroz protagonizado por Rachel McAdams

Quando o inferno são os outros… numa ilha deserta

Há filmes que partem de uma ideia simples e outros que pegam nessa ideia e a levam até ao limite da loucura. Send Helppertence claramente à segunda categoria. O novo filme de Sam Raimi, mestre do terror com sentido de humor perverso, junta Rachel McAdams e Dylan O’Brien num thriller de sobrevivência que troca a tensão romântica pelo desejo muito real de homicídio.

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A premissa é tão simples quanto cruel: Linda Liddle, uma funcionária apagada e constantemente humilhada numa empresa de consultoria, vê-se presa numa ilha deserta com o seu chefe abusivo, Bradley Preston, após a queda de um avião. O que começa como mais um exercício de poder corporativo transforma-se rapidamente num jogo psicológico e físico onde as hierarquias se invertem — e ninguém sai ileso.

Rachel McAdams como nunca a vimos

McAdams surge completamente despida de glamour, num papel que subverte tudo aquilo a que a actriz habituou o público ao longo da sua carreira. Linda é inicialmente submissa, invisível e desprezada, mas revela-se rapidamente uma sobrevivente nata, capaz de construir abrigo, caçar e enfrentar javalis selvagens sem pestanejar. A transformação da personagem é um dos grandes trunfos do filme e McAdams abraça o desafio com entrega total, tornando cada viragem narrativa credível e, acima de tudo, divertida.

O’Brien acompanha-a com igual energia. Primeiro como o chefe arrogante e desprezível que remindinga tudo o que está errado no mundo corporativo, depois como alguém que parece aprender humildade — embora, em Send Help, as aparências sejam sempre perigosas.

Sam Raimi em modo festa macabra

Este é o primeiro mergulho de Raimi no terror desde Drag Me to Hell (2009), e nota-se que o realizador está claramente a divertir-se. As sequências do desastre aéreo e do confronto com o javali são filmadas com uma exuberância quase caricatural, combinando gore, humor negro e um ritmo que nunca deixa o espectador respirar demasiado fundo. Raimi sabe exactamente quando chocar, quando provocar riso nervoso e quando baralhar completamente as expectativas.

O argumento de Damian Shannon e Mark Swift aposta numa sucessão de reviravoltas que mantêm o filme constantemente imprevisível. Nem todas são essenciais, é verdade, e o último acto perde algum fôlego, mas o desfecho surpreendente e um epílogo mordaz compensam largamente.

Datas de estreia: o que já se sabe

Send Help tem estreia marcada nos Estados Unidos a 30 de Janeiro de 2026.

Como sempre, estas datas poderão ser actualizadas nas próximas semanas, sobretudo tendo em conta a distribuição internacional da Disney, que está a acompanhar de perto a recepção crítica muito positiva do filme.

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Uma coisa é certa: Send Help não é um simples thriller de sobrevivência. É uma experiência cruel, divertida, excessiva e assumidamente louca — exactamente aquilo que se espera quando Sam Raimi decide brincar com os nervos do público

Protestos contra o ICE marcam Sundance: estrelas de Hollywood denunciam “o pior da humanidade”

Cinema, activismo e indignação em Park City

Sundance Film Festival, que decorre actualmente em Park City, no estado do Utah, ficou este fim-de-semana marcado por um forte momento de activismo político. Para lá das estreias e debates cinematográficos, centenas de participantes juntaram-se numa manifestação contra o ICE (Immigration and Customs Enforcement), na sequência de dois homicídios recentes atribuídos a agentes federais nos Estados Unidos.

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O protesto, intitulado “Sundancers Melt ICE”, teve lugar ao pôr-do-sol na Main Street de Park City e foi pensado como um momento “respeitoso” de homenagem a Renee Good, morta a 7 de Janeiro por um agente do ICE, e a Alex Pretti, abatido no sábado por um agente do Departamento de Segurança Interna. Durante cerca de dez minutos, os participantes ergueram os telemóveis iluminados e entoaram o cântico “love melts ICE”, enquanto alguns elementos das forças de segurança observavam à distância.

Elijah Wood junta-se à manifestação

Entre os presentes esteve Elijah Wood, conhecido mundialmente pela saga O Senhor dos Anéis. Em declarações à Deadline, o actor sublinhou a dimensão simbólica do protesto num festival dedicado à diversidade e à empatia: “As pessoas que foram ilegalmente abatidas no Minnesota… é terrível. Estamos aqui num festival que serve para unir pessoas e contar histórias de todo o mundo. Não estamos divididos; estamos a unir-nos.”

As palavras de Wood reforçaram a ideia de que, para muitos profissionais do cinema presentes em Sundance, o silêncio deixou de ser uma opção num contexto político cada vez mais polarizado nos Estados Unidos.

Natalie Portman e Olivia Wilde endurecem o discurso

Uma das vozes mais contundentes foi a de Natalie Portman, que apareceu em compromissos de imprensa com pins onde se lia “ICE out” e “Be Good”. A actriz foi directa nas suas críticas: “O que está a acontecer neste país neste momento é absolutamente horrível. O que o governo federal, o governo de Donald TrumpKristi Noem e o ICE estão a fazer é realmente o pior do pior da humanidade.”

Também Olivia Wilde se pronunciou, em declarações à Variety, classificando a situação como “ultrajante” e recusando aceitar a violência como uma nova normalidade. Para Wilde, apoiar movimentos que visem “delegitimar” o ICE é uma responsabilidade cívica.

Um festival que volta a ser palco político

O Sundance Film Festival tem um longo historial de cruzamento entre cinema independente e intervenção social, e este episódio confirma que o evento continua a ser um espaço privilegiado para debates políticos e culturais. Num momento em que a imigração, o papel das forças federais e os direitos humanos estão no centro da discussão pública nos EUA, a tomada de posição de figuras influentes do cinema dá maior visibilidade internacional ao tema.

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Entre filmes, protestos e declarações inflamadas, Sundance 2026 mostra que, para muitos dos seus protagonistas, contar histórias no ecrã não é dissociável de tentar mudar a realidade fora dele.

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Um regresso pouco consensual antes do Super Bowl

Matthew McConaughey voltou a juntar-se à Uber Eats para um novo anúncio promocional, mas aquilo que deveria ser mais um momento leve de entretenimento pré-Super Bowl acabou por gerar uma onda inesperada de indignação entre os fãs da NFL. O spot, exibido pela primeira vez durante uma pausa publicitária de uma das transmissões decisivas da pós-temporada, foi rapidamente apelidado de “atroz” e “insuportável” nas redes sociais.

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O actor, conhecido por filmes como Interstellar, já tinha protagonizado um anúncio da Uber Eats durante o Super Bowl de 2025, ao lado de nomes como Kevin Bacon, Greta Gerwig e Martha Stewart, num conceito humorístico que sugeria — em tom conspirativo — que a NFL teria sido criada para incentivar as pessoas a comer mais. Na altura, a campanha foi recebida com curiosidade e até alguma simpatia.

De piada recorrente a motivo de revolta

A edição de 2026, no entanto, parece ter cruzado uma linha para muitos espectadores. Após a estreia do novo anúncio durante uma pausa publicitária de um jogo decisivo do campeonato da AFC, as reacções não tardaram. Comentários nas redes sociais multiplicaram-se, com vários adeptos a manifestarem frustração extrema.

“Este anúncio da Uber Eats com o McConaughey consegue ser mais irritante do que o próprio jogo”, escreveu um utilizador. Outro foi ainda mais longe: “O anúncio da Uber Eats com o Matthew McConaughey pode muito bem ser o mais irritante que já vi na vida.” Houve até quem ameaçasse boicotar a marca durante o Super Bowl LX, como forma de protesto simbólico.

O efeito colateral da saturação publicitária

A reacção negativa levanta uma questão recorrente em torno da publicidade associada ao Super Bowl: quando uma campanha regressa com a mesma estrela e uma variação mínima do conceito original, o risco de saturação é elevado. O que num ano é visto como engenhoso, no seguinte pode parecer forçado — sobretudo quando exibido perante uma audiência já emocionalmente carregada por jogos decisivos.

Apesar das críticas, é improvável que a polémica tenha impacto real na estratégia da Uber Eats ou na presença de McConaughey no grande evento. Afinal, a conversa gerada — mesmo negativa — mantém o anúncio no centro da atenção mediática, um dos principais objectivos de qualquer campanha associada ao Super Bowl.

Super Bowl LX está marcado para 8 de Fevereiro de 2026, nos Estados Unidos.

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Gostem ou não do anúncio, uma coisa é certa: Matthew McConaughey e a Uber Eats já garantiram o que todas as marcas procuram nesta altura do ano — atenção total antes do apito inicial.

Em Dupla Perigosa: Jason Momoa e Dave Bautista dominam a acção na nova comédia policial da Prime Video

A receita clássica do “buddy cop” com dupla explosiva

O cinema gosta de fórmulas testadas e aprovadas — e poucas são tão divertidas como a comédia de acção em que dois protagonistas completamente diferentes têm de trabalhar em conjunto. É essa a proposta de Em Dupla Perigosa, título em português de The Wrecking Crew, que estreia em exclusivo na Prime Video no dia 28 de Janeiro de 2026.  

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Realizado por Angel Manuel Soto, o filme junta duas figuras emblemáticas do cinema de acção — Jason Momoa e Dave Bautista — numa aventura que combina humor ácido, sequências de pancadaria bem coreografadas e uma conspiração que remete para o passado familiar dos protagonistas.  

Mistério familiar, Yakuza e muita acção

A história centra-se em dois meio-irmãos muito diferentes: Jonny, um polícia imprevisível e sem filtros, e James Hale, um ex-Navy SEAL disciplinado e reservado. Quando o pai deles, um investigador privado afastado da família, aparece morto numa rua de Chinatown pouco depois de enviar um pacote misterioso, os irmãos vêem-se arrastados para uma teia de perigos e segredos que os obriga a confrontar tanto criminosos implacáveis como as suas próprias feridas do passado.  

A investigação leva-os a enfrentar uma facção da Yakuza, a confrontar inimigos mortais e a navegar por uma série de reviravoltas que, apesar de nem sempre surpreenderem pelo plot twist mais sofisticado, mantêm o ritmo elevado e entretêm com eficácia.  

Momoa e Bautista: química de cinema

O grande trunfo de Em Dupla Perigosa está na energia que Momoa e Bautista trazem para o ecrã. Momoa personifica Jonny com a mesma intensidade descontrolada que tem caracterizado muitos dos seus papéis mais icónicos — uma mistura de força bruta, irreverência e carisma natural. Bautista, por seu turno, equilibra a balança como o irmão mais sério e contido, capaz de açoar qualquer plano com a sua presença física imponente e timing cómico surpreendentemente eficaz.  

A dinâmica entre ambos funciona como motor emocional e cómico para o filme, e mesmo quando a narrativa tropeça em determinados momentos — nomeadamente ao aprofundar os motivos por trás do pai e da conspiração — a presença da dupla mantém o interesse e gera momentos genuinamente divertidos.

Acompanhamento de personagens e acção cinematográfica

O elenco de apoio inclui Morena Baccarin, que empresta carisma e presença à personagem de Valentina, a parceira de Jonny. As cenas de acção foram concebidas para tirar partido do cenário luminoso e tropical do Havai, com combates físicos intensos e sequências de luta que equilibram realismo e espectáculo, sem recorrer ao exagero gráfico de filmes de terror mais extremos.  

Quando ver em Portugal

Em Dupla Perigosa estreia em Portugal na Prime Video no dia 28 de Janeiro de 2026, disponível para todos os subscritores da plataforma.  

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Com humor, adrenalina e personagens maiores-que-a-vida, o filme promete agradar aos fãs de acção e comédias com “buddy cop” no currículo — e deixa a porta aberta para um possível regresso desta dupla no futuro.

Gritos 7 regressa aos cinemas com novo poster e promessa de terror mais pessoal do que nunca

Uma saga que recusa morrer (e ainda bem)

O regresso de uma das franquias mais influentes do cinema de terror contemporâneo já tem data marcada. Gritos 7 estreia nos cinemas portugueses a 26 de Fevereiro, trazendo consigo um novo poster oficial que reforça aquilo que os fãs da saga já aprenderam ao longo de décadas: quando se trata de Ghostface, o passado nunca fica verdadeiramente enterrado.

Mais do que apenas um novo capítulo, Gritos 7 assume-se como uma reafirmação da vitalidade de um universo que ajudou a redefinir o género slasher. A imagem agora divulgada recupera o legado visual da série e coloca novamente a icónica máscara no centro da ameaça, num tom sombrio que sugere um confronto directo entre memórias antigas e horrores renovados.

O peso emocional de uma saga que cresceu com o público

Um dos aspectos mais sublinhados nesta nova entrada é o aprofundamento emocional da narrativa. Sem abdicar da violência, do suspense e da ironia que sempre caracterizaram a saga, Gritos 7 aposta numa abordagem mais íntima, onde o perigo se torna mais próximo e pessoal. A presença ameaçadora de Ghostface volta a funcionar como espelho dos traumas acumulados ao longo de gerações.

Essa dimensão emocional ganha especial força com o regresso de Neve Campbell ao papel de Sidney Prescott. Agora mãe, Sidney construiu uma nova vida longe do horror que marcou o seu passado, mas o surgimento de um novo assassino obriga-a a enfrentar, uma vez mais, os seus piores pesadelos — desta vez para proteger aquilo que tem de mais precioso.

Sinopse: quando o terror bate à porta de casa

Segundo a sinopse oficial, a tranquilidade da nova vida de Sidney é abruptamente interrompida quando um novo Ghostface surge na cidade onde vive. A sua filha, interpretada por Isabel May, torna-se o próximo alvo, forçando Sidney a regressar ao campo de batalha emocional e físico que pensava ter deixado para trás. O confronto promete ser definitivo, num esforço para pôr fim à matança “de uma vez por todas”.

Kevin Williamson volta a comandar o pesadelo

Outro elemento de peso neste novo capítulo é o regresso de Kevin Williamson à realização. Criador das personagens originais da saga, Williamson assume também o argumento, em parceria com Guy Busick, garantindo uma ligação directa às raízes do franchise. A produção fica a cargo de William Sherak, James Vanderbilt e Paul Neinstein.

O elenco reúne vários nomes já conhecidos do público, como Courteney Cox, Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding, ao lado de novas adições como Anna Camp, Joel McHale e Mckenna Grace, reforçando a ideia de continuidade entre gerações — dentro e fora do ecrã.

Estreia em grande nos cinemas portugueses

Gritos 7 chega às salas nacionais a 26 de Fevereiro, com exibição também nos formatos IMAX e 4DX, prometendo uma experiência imersiva para os fãs mais corajosos. A distribuição em Portugal está a cargo da NOS Audiovisuais, que aposta forte num título com um legado sólido e uma base de fãs fiel.

Se o novo poster serve de indicador, o terror está longe de perder fôlego. Pelo contrário: em Gritos 7, o medo volta a ser pessoal — e talvez mais cortante do que nunca.

James Cameron Diz Adeus aos EUA: “Para a Minha Sanidade, a Nova Zelândia é Casa”

O realizador de Avatar explica porque decidiu sair definitivamente dos Estados Unidos — e aponta o dedo à polarização política e ao negacionismo científico

James Cameron já não vive nos Estados Unidos — e, ao que tudo indica, não tenciona voltar. O realizador canadiano, responsável por alguns dos maiores fenómenos da história do cinema, revelou que deixou o país de forma permanente, fixando-se na Nova Zelândia, onde está prestes a tornar-se cidadão. A decisão, segundo o próprio, não foi apenas logística ou profissional: foi uma questão de sanidade mental.

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Em declarações ao jornal Stuff e numa entrevista posterior ao programa In Depth with Graham Bensinger, Cameron explicou que a forma como a Nova Zelândia lidou com a pandemia de Covid-19 foi determinante para a mudança. “Fiz isto para a minha sanidade”, afirmou, descrevendo a experiência de viver nos EUA durante o período mais intenso da pandemia — e sob a presidência de Donald Trump — como “ver um acidente de automóvel vezes sem conta”.

Ciência, coesão social e um país “são”

Segundo Cameron, o contraste entre os dois países tornou-se impossível de ignorar. O realizador sublinha que a Nova Zelândia conseguiu eliminar o vírus por completo em duas ocasiões, e que, quando uma variante acabou por romper o controlo, o país já tinha uma taxa de vacinação de 98%. Nos Estados Unidos, pelo contrário, a taxa ficou pelos 62% — e, como nota Cameron, “a descer, no sentido errado”.

“É por isso que adoro a Nova Zelândia”, afirmou. “As pessoas aqui são, na sua maioria, sãs. Acreditam na ciência, conseguem trabalhar em conjunto para um objectivo comum.” Do outro lado do Pacífico, diz Cameron, encontrou um país “extremamente polarizado, de costas voltadas para a ciência, onde toda a gente está à garganta uns dos outros”.

O cineasta não poupa nas palavras: questiona directamente onde faria mais sentido viver caso surja uma nova pandemia — num país organizado e cooperante ou num em “completo estado de desordem”.

Uma ligação antiga à Nova Zelândia

A mudança não foi repentina. James Cameron e a mulher compraram uma propriedade agrícola na Nova Zelândia em 2011, muito antes da pandemia. O país tornou-se, entretanto, a base logística para a produção dos novos filmes da saga Avatar, grande parte deles rodados no hemisfério sul. Foi após a Covid-19 que o casal decidiu tornar a mudança definitiva, com o pedido de cidadania já em fase final.

Um êxodo silencioso de Hollywood?

Cameron junta-se a um número crescente de figuras do cinema que estão a abandonar os Estados Unidos, apontando a instabilidade política e o segundo mandato de Trump como factores decisivos. George Clooney obteve recentemente cidadania francesa; Jim Jarmusch anunciou que está a fazer o mesmo; Ellen DeGeneres mudou-se para o Reino Unido; e Rosie O’Donnell fixou-se na Irlanda.

Não se trata, para muitos, de um gesto simbólico, mas de uma decisão prática sobre onde viver, criar, trabalhar — e envelhecer.

Um cineasta global, um gesto político

James Cameron sempre foi um realizador de escala global, tanto nos temas como na ambição técnica. A sua saída definitiva dos EUA reforça essa imagem: menos um gesto de protesto isolado, mais uma escolha consciente sobre valores, ciência e futuro.

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Num mundo cada vez mais dividido, Cameron escolheu um lugar onde — nas suas palavras — “as pessoas ainda conseguem trabalhar juntas”. Para um cineasta obcecado com a sobrevivência da humanidade, talvez esta seja apenas mais uma decisão coerente com tudo o que tem filmado ao longo de décadas 🌍🎬.

Judd Apatow, Mel Brooks e a Comédia em Perigo: Uma Conversa Sobre Legado, Risco e o Futuro de Hollywood

O documentário sobre Mel Brooks, a crise das comédias de estúdio e um apelo pouco habitual: desligar a televisão e sair à rua

Quando Judd Apatow aceitou o convite da HBO para realizar um documentário sobre Mel Brooks, achava que conhecia tudo sobre o homem que ajudou a definir a comédia moderna. Estava enganado. O resultado desse reencontro — Mel Brooks: The 99 Year Old Man! — é um mergulho raro e profundamente humano na vida de um criador que, aos 99 anos, continua a ser uma referência absoluta… e um espelho incómodo para o presente de Hollywood.

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Dividido em duas partes, o documentário não se limita a alinhar anedotas ou sucessos. Apatow quis ir mais fundo: falar da II Guerra Mundial, das perdas, dos casamentos, das inseguranças e do que fica depois de uma vida inteira dedicada a fazer rir. Mel Brooks aceitou — e isso faz toda a diferença.

Quando Mel Brooks era “a Beyoncé” da comédia

Apatow recorda o impacto de Brooks nos anos 70 com uma comparação improvável, mas certeira: Mel Brooks era, na altura, “a Beyoncé da comédia”. Blazing Saddles e Young Frankenstein estrearam no mesmo ano, algo impensável hoje, e dominaram completamente a cultura popular.

Era um tempo em que o país inteiro parecia concordar sobre o que importava. Se alguém surgia na capa da Time, isso significava alguma coisa. Brooks fazia filmes escandalosos, politicamente incorrectos, cheios de sátira racial e sexual — e mesmo assim chegava ao centro do sistema. Ou talvez precisamente por isso.

Curiosamente, The Producers, hoje considerado um clássico absoluto, foi inicialmente um fracasso comercial. O reconhecimento veio mais tarde, incluindo um Óscar de Argumento Original que Mel Brooks ganhou… batendo Stanley Kubrick e 2001: Odisseia no Espaço. Um daqueles momentos que hoje parecem impossíveis.

O lado íntimo por detrás do humor

Uma das grandes forças do documentário está na forma como Apatow consegue afastar Brooks do registo de “contador de histórias profissionais”. O realizador admite que muitas das anedotas já tinham sido contadas dezenas de vezes. O desafio foi outro: perceber o que existe por baixo da persona.

Brooks perdeu o pai aos dois anos de idade, cresceu em dificuldades económicas profundas e construiu o humor como uma forma de sobrevivência. Apatow insiste nessas feridas antigas, não por voyeurismo, mas porque elas explicam a urgência, a agressividade e a coragem do seu cinema.

Rob Reiner, Carl Reiner e uma amizade irrepetível

Um dos momentos mais emocionantes do documentário envolve Rob Reiner, que surge numa das suas últimas entrevistas antes de morrer tragicamente, juntamente com a mulher. A sua presença é essencial não só pelo seu próprio percurso, mas porque funciona como ponte para o pai, Carl Reiner, um dos amigos mais próximos e colaboradores de Mel Brooks durante mais de 70 anos.

A relação entre Brooks e Carl Reiner é descrita como algo quase impossível de repetir: uma amizade criativa baseada em admiração mútua, generosidade e respeito. Brooks, figura explosiva e dominadora, via em Carl uma espécie de figura paterna — alta, calma, protectora. Uma revelação que muda completamente a leitura pública do comediante.

A comédia de estúdio está em vias de extinção?

A entrevista de Apatow aborda também um tema que lhe é particularmente caro: o colapso da comédia nos grandes estúdios. Segundo o realizador, o fim do mercado de DVDs destruiu o modelo económico que sustentava este tipo de filmes. Metade das receitas vinha das salas, metade do mercado doméstico. O streaming nunca compensou essa perda.

O resultado foi uma indústria cada vez mais avessa ao risco. Filmes de terror baratos tornaram-se apostas “seguras”, enquanto a comédia passou a ser vista como pouco exportável. O problema? Sem comédias, não surgem novos talentos. Não há novos Adam Sandler, Kristen Wiig ou Jim Carrey. O público continua a consumir humor — mas fora das salas, no TikTok ou no YouTube.

O paradoxo Apatow: cinema, activismo e desconforto

Talvez o momento mais inesperado da conversa surja quando Apatow, em plena promoção do documentário, faz um apelo frontal: desliguem a televisão e protestem contra o ICE. Para ele, a normalização do caos político e social nos Estados Unidos é tão perigosa quanto a estagnação criativa de Hollywood.

É uma posição desconfortável, até contraditória — pedir que não vejam o seu próprio trabalho — mas profundamente coerente com o espírito de Mel Brooks: usar a visibilidade para dizer algo que incomoda.

Um legado que desafia o presente

Mel Brooks: The 99 Year Old Man! não é apenas um retrato de um génio da comédia. É um lembrete de que Hollywood já foi um espaço onde o risco, a provocação e o mau gosto inteligente tinham lugar no centro do sistema. E que talvez seja isso que mais falta hoje.

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Aos 99 anos, Mel Brooks continua a rir-se da morte, do poder e do medo. E Judd Apatow, ao escutá-lo com atenção rara, deixa uma pergunta no ar: será que ainda há espaço para este tipo de coragem no cinema contemporâneo? 🎬

Bastidores em Chamas: Executivos da Sony Apontam o Dedo a Blake Lively na Crise de “It Ends With Us”

Mensagens agora tornadas públicas revelam tensão extrema, acusações duras e o receio de que o filme ficasse para sempre marcado pela polémica

A polémica em torno de It Ends With Us acaba de ganhar uma nova e explosiva dimensão. Documentos e mensagens internas, recentemente tornados públicos no âmbito do processo judicial que envolve Blake Lively e Justin Baldoni, expõem o que vários executivos da Sony Pictures pensavam realmente sobre o comportamento da actriz durante o lançamento do filme — e as palavras estão longe de ser diplomáticas.

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Entre emails e mensagens trocadas nos bastidores do estúdio, surgem descrições de um ambiente caótico, marcado por exigências consideradas excessivas, estratégias de comunicação falhadas e um crescente medo de que o ruído mediático acabasse por engolir o próprio filme. Para alguns dos responsáveis da Sony, a conclusão era clara: Blake Lively “trouxe tudo isto para cima de si própria”.

Exigências, ameaças e um filme em risco

Uma das revelações mais contundentes envolve Andrea Giannetti, vice-presidente executiva de produção da Sony, que confirmou ter chamado a actriz de “fucking terrorist” numa conversa privada com o produtor Jamey Heath. A origem da frustração estaria numa lista de 17 exigências apresentada por Lively, acompanhada da ameaça de abandonar o projecto caso não fossem cumpridas.

Segundo Giannetti, o estúdio já tinha investido somas avultadas e não terminar o filme torná-lo-ia “irrealizável” do ponto de vista comercial. A prioridade era simples: concluir o filme a qualquer custo, mesmo num clima de tensão crescente entre a actriz e o realizador.

Da celebração ao colapso da narrativa pública

A ironia não passou despercebida a ninguém dentro do estúdio. Após a estreia comercial bem-sucedida do filme — que arrancou com 50 milhões de dólares no box office — a mesma executiva enviou uma mensagem entusiástica a Lively, elogiando o seu trabalho e impacto no sucesso inicial. Mas o tom mudou rapidamente quando começaram a circular rumores de uma ruptura irreconciliável entre a actriz e Baldoni.

A situação agravou-se com decisões altamente simbólicas: Lively comunicou que não queria estar na passadeira vermelha com Baldoni, nem sentar-se perto dele, nem sequer aparecer em fotografias conjuntas. Em paralelo, membros do elenco começaram a deixar de seguir o realizador nas redes sociais, um gesto que rapidamente chamou a atenção dos fãs e alimentou teorias online.

Uma executiva de marketing da Sony resumiu o momento de forma crua: “O unfollow disparou hoje.” A resposta veio de um produtor: “É a Blake, de certeza.”

“O desastre é a história agora”

À medida que a polémica crescia, os responsáveis máximos do estúdio trocaram mensagens cada vez mais pessimistas. Tom Rothman, CEO da Sony Pictures Motion Picture Group, descreveu a situação como um “fucking disaster”, lamentando que o debate público já não fosse sobre o filme, mas apenas sobre o conflito.

“Já ninguém consegue ver o filme da mesma forma. Isso é trágico”, escreveu Rothman, acrescentando mais tarde que, embora Lively não merecesse o ódio online, tinha recusado ouvir conselhos e contribuído para a situação ao lançar simultaneamente a sua marca de cuidados capilares — um movimento considerado profundamente imprudente.

“Ela fez isto a si própria”

A posição mais dura surge nas mensagens de Sanford Panitch, presidente do grupo cinematográfico da Sony. Para Panitch, o problema foi simples: Lively não seguiu a regra mais antiga de Hollywood — proteger o espectáculo acima de tudo.

Segundo ele, se a actriz tivesse permitido a presença de Baldoni na promoção, evitado os gestos públicos de ruptura e não tentado vender produtos pessoais durante o lançamento do filme, “nada disto teria acontecido”. A decisão de associar o filme ao lançamento da marca de cabelo foi descrita como “epic level stupid”.

Panitch foi ainda mais longe, sugerindo que, apesar de o filme caminhar para valores próximos dos 300 milhões de dólares, a carreira de Lively poderia ficar seriamente comprometida: “Provavelmente não vai trabalhar durante algum tempo. Talvez recupere. Até a Anne Hathaway recuperou.”

Um futuro em suspenso

Nem todos dentro do estúdio concordaram com este diagnóstico apocalíptico. Um executivo respondeu de forma mais optimista: “Isto vai passar. Ela vai ficar bem.” A resposta de Panitch foi seca: “Discordo. Está feita. Pelo menos por agora.”

O caso judicial entre Blake Lively e Justin Baldoni tem julgamento marcado para 18 de Maio, e promete manter-se no centro do debate mediático. Independentemente do desfecho legal, as mensagens agora conhecidas oferecem um retrato raro — e brutalmente honesto — de como os grandes estúdios lidam com crises públicas, egos criativos e a difícil separação entre arte, negócio e imagem.

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No final, como um dos executivos escreveu, o problema maior não foi quem tinha razão. Foi que “a confusão passou a ser a história” — e isso, em Hollywood, é quase sempre o pior dos finais 🎬.

“Wonder Man” Surpreende Tudo e Todos: A Série da Marvel Que Já Está no Topo da Crítica

Com 96% no Rotten Tomatoes, a nova aposta do MCU torna-se um caso sério… apesar do silêncio promocional

Quando parecia que o Marvel Cinematic Universe já não conseguia voltar a surpreender pela positiva, surge Wonder Man — discretamente, quase às escondidas — para baralhar as contas. Estreada a 27 de Janeiro, sem grande campanha de promoção e lançada em formato binge, a série está a conquistar a crítica de forma esmagadora, ao ponto de já ostentar o segundo melhor resultado de sempre do MCU no Rotten Tomatoes.

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À data de escrita deste artigo, Wonder Man soma 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Um número impressionante por si só, mas ainda mais relevante se tivermos em conta o contexto: uma fase recente do universo Marvel marcada por recepção morna, desgaste criativo e divisões claras entre fãs e críticos.

Um resultado histórico para uma série “esquecida” no lançamento

O mais curioso é que Wonder Man não chegou com o peso mediático habitual das grandes produções da Marvel. Sem trailers omnipresentes, sem tapetes vermelhos mediáticos e sem semanas de antecipação nas redes sociais, a série parecia destinada a passar despercebida. A ironia? É precisamente esse projecto “menor” que agora surge empatado como segundo melhor avaliado de sempre em todo o universo cinematográfico e televisivo da Marvel.

Neste momento, o ranking histórico de pontuações no Rotten Tomatoes coloca Wonder Man ao lado de pesos-pesados absolutamente consagrados:

  • Ms. Marvel – 98%
  • Wonder Man – 96%
  • Black Panther – 96%
  • Agents of S.H.I.E.L.D. – 95%
  • Avengers: Endgame – 94%
  • Iron Man – 94%
  • Thor: Ragnarok – 93%
  • Spider-Man: No Way Home – 93%
  • Spider-Man: Homecoming – 92%
  • Shang-Chi – 92%
  • WandaVision – 92%

O facto de Wonder Man surgir neste grupo diz muito sobre a qualidade da série — e talvez ainda mais sobre as expectativas surpreendentemente baixas com que foi recebida.

O que está a funcionar em “Wonder Man”?

Sem entrar em território de spoilers, a recepção crítica tem destacado uma abordagem mais fresca, autoconsciente e segura de si própria. Wonder Man parece saber exactamente o que quer ser: uma série que dialoga com o legado do MCU, mas que não se deixa esmagar por ele.

Num período em que várias produções recentes da Marvel foram acusadas de excesso de fórmulas recicladas, Wonder Man destaca-se pela clareza narrativa, pelo tom consistente e por personagens que funcionam para lá da simples função de “peças” num universo maior. É uma série que não parece desesperada por preparar o próximo grande evento — e talvez seja isso que a torna tão eficaz.

Um sinal de esperança para o futuro do MCU?

O sucesso crítico de Wonder Man surge num momento delicado para a Marvel. A fadiga do público é real, os resultados de bilheteira já não são garantidos e a crítica tem sido cada vez menos indulgente. Neste contexto, o triunfo silencioso da série pode funcionar como um aviso interno: talvez menos ruído promocional e mais foco criativo seja o caminho.

Se esta pontuação se mantiver — e tudo indica que sim — Wonder Man poderá tornar-se um caso de estudo dentro do próprio estúdio. Uma série lançada quase sem alarido que acaba por conquistar um lugar cimeiro na história crítica do MCU não é coisa pequena.

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Resta agora saber se o público acompanhará a crítica… ou se Wonder Man ficará como aquele segredo bem guardado que merecia ter sido descoberto mais cedo 🎬.

Óscares 2026: As Grandes Omissões (e as Surpresas) Que Dizem Mais do Que os Vencedores

Entre recordes, ausências gritantes e apostas inesperadas, as nomeações voltam a revelar o estado de Hollywood

As nomeações para os Óscares 2026 trouxeram um misto de espanto e previsibilidade. Por um lado, Sinners entrou directamente para a história com 16 nomeações, um recorde absoluto. Por outro, alguns dos melhores filmes e interpretações do ano ficaram inexplicavelmente de fora. E como a própria Amanda Seyfried lembrou recentemente, ganhar um Óscar não é sinónimo de carreira bem-sucedida — mas uma omissão continua a doer, sobretudo quando revela contradições difíceis de ignorar.

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Ao longo da história da Academia, os snubs (essas exclusões dolorosas) acabaram por ser, muitas vezes, um barómetro mais honesto do cinema de um determinado ano do que os próprios vencedores. Em 2026, não é diferente.

Surpresa: “Train Dreams” | Omissão: Joel Edgerton

A estreia da nova categoria de Melhor Casting parecia feita à medida de filmes como One Battle After AnotherSinnersou Hamnet. Ainda assim, Train Dreams conseguiu a proeza de ser nomeado para Melhor Filme… sem qualquer nomeação para os seus actores. A ausência de Joel Edgerton, protagonista absoluto, levanta uma pergunta incómoda: o que torna um filme digno de Melhor Filme se não as interpretações que o sustentam?

Omissão: “Avatar: Fire and Ash”

É oficial: pela primeira vez, um filme da saga Avatar ficou fora da corrida a Melhor Filme. Avatar: Fire and Ash até marca presença noutras categorias técnicas, mas a Academia parece ter perdido o deslumbramento com o universo criado por James Cameron. Eywa continua viva em Pandora — mas claramente ausente em Hollywood…

Surpresa (e polémica): “F1”

Talvez a nomeação mais inesperada do ano. F1 chega a Melhor Filme depois de dominar o box office de Verão, mas a decisão divide opiniões. O filme funciona como thriller desportivo competente, mas é difícil ignorar o seu lado promocional da Fórmula 1. Mais estranho ainda: ficou fora de Melhor Fotografia, a categoria onde parecia ter caminho aberto.

Omissão: Paul Mescal em “Hamnet”

Em HamnetPaul Mescal assume um papel secundário — e é precisamente isso que torna a sua ausência tão curiosa. Num filme nomeado para Melhor Filme, Realização, Argumento Adaptado e Casting, a exclusão de um dos intérpretes-chave soa a incoerência. Especialmente quando Jessie Buckley surge como forte favorita.

Surpresa: Delroy Lindo em “Sinners”

Nem todas as histórias são de frustração. A nomeação de Delroy Lindo para Actor Secundário é um dos momentos mais celebrados do ano. A sua personagem em Sinners protagoniza uma das cenas mais intensas e memoráveis de 2025 — e, no meio de um recorde histórico de nomeações, esta pode ser finalmente a consagração que lhe escapava há décadas.

Omissão: Odessa A’Zion em “Marty Supreme”

Se Marty Supreme está nomeado para Melhor Casting, a ausência de Odessa A’Zion torna-se difícil de justificar. Num ano de afirmação e visibilidade crescente, a actriz entregou uma das interpretações secundárias mais vibrantes de 2025 — e foi ignorada.

Omissão total: “No Other Choice”

Talvez o caso mais gritante. No Other Choice, de Park Chan-wook, ficou fora de todas as categorias, incluindo Filme Internacional. É mais um capítulo estranho na relação da Academia com um dos autores mais respeitados do cinema contemporâneo, ainda sem qualquer Óscar no currículo.

Quando os Óscares falam… e quando se calam

veja aqui os candidatos: Um Ano para a História dos Óscares: “Sinners” Arrasa Nomeações e Reescreve o Livro dos Recordes

As nomeações de 2026 mostram uma Academia dividida entre abertura e conservadorismo, espectáculo e autor, técnica e emoção. Como sempre, os prémios dirão quem vence — mas as omissões já disseram muito sobre o momento actual de Hollywood 🎬.

John Hurt e “O Homem Elefante”: O Papel Que Doeu no Corpo — e Mudou a História dos Óscares

O nascimento de uma interpretação lendária e o sacrifício invisível por detrás da maquilhagem

Assinala-se hoje o aniversário de John Hurt (23 de Janeiro de 1944 – 19 de Julho de 2017), um dos actores mais respeitados e versáteis da história do cinema. Entre dezenas de papéis memoráveis, há um que continua a definir a grandeza do seu talento e da sua entrega absoluta: O Homem Elefante, realizado por David Lynch.

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Lançado em 1980, o filme tornou-se imediatamente um marco emocional e artístico, mas poucos imaginavam, na altura, o verdadeiro preço físico e psicológico pago por John Hurt para dar vida a John Merrick.

Doze horas para se transformar — todos os dias

A maquilhagem que transformava Hurt em Merrick era uma proeza técnica inédita. Demorava cerca de 12 horas a ser aplicada diariamente, num processo concebido por Christopher Tucker. O próprio actor confessaria mais tarde que, ao perceber o impacto da transformação, pensou: “Eles encontraram uma forma de eu não gostar de fazer um filme.”

No primeiro dia de rodagem, completamente caracterizado, Hurt entrou no estúdio com medo. Medo real. Temia que alguém risse, que um gesto impensado quebrasse a delicada ilusão emocional construída à sua volta. Esse receio dissipou-se num silêncio absoluto — apenas interrompido por Anthony Hopkins, que, com serenidade, disse: “Vamos fazer o teste.” A partir daí, a magia aconteceu.

Humanidade sob camadas de látex

Apesar da prótese pesada e limitadora, John Hurt construiu uma interpretação profundamente humana, delicada e devastadora. Cada movimento, cada olhar, cada pausa carregava dignidade. O público não via o monstro — via o homem.

Curiosamente, Hurt era fumador inveterado e conseguiu, de alguma forma, continuar a fumar durante as longas horas no plateau, mesmo envolto na complexa maquilhagem facial. Um detalhe quase surreal que diz muito sobre a resistência física exigida pelo papel.

No final das filmagens, Hurt guardou o molde da cabeça de Merrick num armário em casa. Anos mais tarde, a sua casa foi assaltada. Nada foi roubado. Segundo contou com humor, o ladrão terá aberto o armário, visto a máscara… e fugido em pânico.

Um filme que criou uma categoria dos Óscares

Quando as nomeações para os 53.º Óscares foram anunciadas, em 1981, a indústria ficou chocada: O Homem Elefantenão foi distinguido pela maquilhagem. Na altura, ainda não existia uma categoria regular para esse trabalho, apenas prémios especiais atribuídos esporadicamente.

A indignação foi tanta que uma carta formal de protesto foi enviada à Academy of Motion Picture Arts and Sciences. A Academia recusou atribuir um prémio retroactivo, mas reconheceu o erro histórico. No ano seguinte, nasceu oficialmente o Óscar de Melhor Maquilhagem — uma mudança directamente motivada por este filme.

Ironia do destino: obras anteriores como Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1931), O Feiticeiro de Oz (1939) ou O Corcunda de Notre-Dame (1939) nunca puderam ser premiadas na categoria que ajudaram a justificar.

Um legado que continua a comover

John Hurt morreu em 2017, mas a sua interpretação em O Homem Elefante permanece como uma das mais emocionantes da história do cinema. Um papel que exigiu sofrimento físico, disciplina extrema e uma empatia rara — dentro e fora do ecrã 🎬.

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Hoje, mais do que celebrar um aniversário, celebramos um actor que provou que a verdadeira beleza do cinema nasce, muitas vezes, do sacrifício silencioso.

Rutger Hauer: O Actor Que Trouxe Humanidade aos Monstros do Cinema

Uma carreira irrepetível, entre o cinema europeu e Hollywood, marcada por personagens intensas e inesquecíveis

Assinala-se hoje o nascimento de Rutger Oelsen Hauer (23 de Janeiro de 1944 – 19 de Julho de 2019), um dos actores mais singulares da história do cinema moderno. Holandês de origem, cidadão do mundo por vocação artística, Hauer construiu uma carreira absolutamente extraordinária: mais de 170 papéis ao longo de quase 50 anos, atravessando o cinema europeu de autor, Hollywood e até a publicidade, sempre com a mesma intensidade magnética no olhar.

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Em 1999, o reconhecimento foi oficial e simbólico: o público dos Países Baixos escolheu Rutger Hauer como Melhor Actor Holandês do Século, uma distinção que resume bem o impacto duradouro do seu trabalho.

Das raízes holandesas ao reconhecimento internacional

A carreira de Hauer começou em 1969, no papel principal da série televisiva Floris, mas foi no cinema que rapidamente se afirmou. O grande ponto de viragem deu-se com Turkish Delight, filme que viria a ser eleito, também em 1999, Melhor Filme Holandês do Século.

Seguiram-se colaborações decisivas com o realizador Paul Verhoeven, em títulos como Soldier of Orange e Spetters, que abriram definitivamente as portas de Hollywood.

Roy Batty e a imortalidade cinematográfica

Nos Estados Unidos, Rutger Hauer rapidamente se destacou, mas foi em Blade Runner que alcançou a verdadeira imortalidade cinematográfica. Como Roy Batty, o replicante consciente da sua própria morte, Hauer criou uma das personagens mais complexas e emocionantes da ficção científica. O famoso monólogo final — improvisado em parte pelo próprio actor — continua a ser estudado, citado e celebrado como um dos momentos mais humanos do cinema.

A partir daí, seguiram-se títulos hoje clássicos: LadyhawkeThe HitcherEscape from SobiborThe Legend of the Holy Drinker ou Blind Fury. Hauer tinha o raro talento de tornar memorável qualquer papel, fosse herói, vilão ou algo indefinido entre ambos.

Um actor sem preconceitos artísticos

A partir dos anos 90, Hauer optou por uma carreira mais livre, alternando filmes de baixo orçamento com participações em grandes produções como Batman BeginsSin City ou The Rite. Nunca pareceu preocupado com estatuto ou prestígio, mas sim com o prazer de interpretar.

Nos últimos anos, regressou ao cinema holandês e foi distinguido com o Prémio Rembrandt de Melhor Actor, graças ao filme The Heineken Kidnapping.

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Um legado que não se apaga

Rutger Hauer morreu a 19 de Julho de 2019, vítima de cancro do pâncreas, aos 75 anos, na sua casa nos Países Baixos. Deixou um legado raro: o de um actor que nunca teve medo de ser estranho, intenso ou profundamente humano. Poucos conseguiram, como ele, fazer com que até os monstros parecessem compreender-nos melhor do que nós próprios 🎬.

“Empatia” — A Série Canadiana Que Entra Onde Dói (E Não Desvia o Olhar)

Fragilidade humana, saúde mental e dilemas morais no centro de um retrato íntimo e perturbador

Estreia segunda-feira, 26 de Janeiro, às 22h10, no TVCine Edition, a primeira temporada de Empatia, uma série canadiana que mergulha de forma frontal e profundamente humana no interior de um serviço psiquiátrico. Longe de clichés televisivos e soluções fáceis, Empatia propõe um olhar atento sobre a dor, a escuta e os limites da própria empatia — essa palavra tantas vezes usada, mas raramente explorada com esta densidade.  

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Criada, escrita e protagonizada por Florence Longpré, a série acompanha Suzanne Bien-Aimé, uma ex-criminologista que decide mudar radicalmente de percurso e ingressar como psiquiatra no Instituto Mont-Royal. O que começa como uma transição profissional transforma-se rapidamente num confronto intenso com histórias de violência, perda e instabilidade emocional que desafiam tudo aquilo que Suzanne julgava saber sobre saúde mental — e sobre si própria.

Um quotidiano onde cada caso deixa marcas

No dia a dia do instituto psiquiátrico, Suzanne acompanha pacientes internados com percursos profundamente marcados pelo trauma. São histórias duras, muitas vezes desconfortáveis, que a série nunca suaviza nem transforma em espectáculo. Pelo contrário, Empatia constrói-se a partir do detalhe, do silêncio e da observação paciente, revelando um sistema onde cada decisão clínica carrega consequências humanas reais.

Entre consultas, intervenções de emergência e reuniões de equipa, Suzanne estabelece uma relação próxima com Mortimer, um agente de intervenção que conhece como poucos os bastidores da instituição e as suas zonas cinzentas. Esta ligação torna-se um dos eixos emocionais da narrativa, ajudando a série a explorar o contraste entre teoria, prática e desgaste psicológico dos profissionais que ali trabalham.

O passado que insiste em regressar

À medida que os episódios avançam, Empatia revela que Suzanne não é apenas uma observadora. O seu passado traumático começa a emergir, influenciando decisões clínicas, relações profissionais e escolhas pessoais. A série recusa a ideia de neutralidade absoluta: aqui, quem cuida também carrega feridas, e a fronteira entre empatia e envolvimento excessivo é perigosamente ténue.

Esta abordagem confere à série uma honestidade rara. Empatia não procura respostas definitivas nem moralismos fáceis. Prefere levantar perguntas incómodas: até onde deve ir a empatia? Quando é que compreender o outro começa a destruir quem cuida?

Uma realização contida e um elenco sólido

Com realização de Guillaume Lonergan, a série aposta numa linguagem visual discreta, quase clínica, que reforça a sensação de intimidade e realismo. Não há música invasiva nem dramatização excessiva — tudo serve a verdade emocional das personagens.

Além de Florence Longpré, o elenco conta com Thomas NgijolAdrien Bletton e Malube Uhindu-Gingala, compondo um conjunto de interpretações contidas, humanas e profundamente credíveis.

Um drama que não se esquece facilmente

Empatia não é uma série confortável — e é precisamente aí que reside a sua força. Ao retratar o interior de um serviço psiquiátrico com respeito, rigor e sensibilidade, recusa simplificar a dor humana ou transformar o sofrimento em entretenimento ligeiro. É uma série que exige atenção, disponibilidade emocional e vontade de escutar.

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A primeira temporada estreia 26 de Janeiro, às 22h10, no TVCine Edition, com novos episódios todas as segundas-feiras, estando também disponível no TVCine+. Uma proposta forte, adulta e necessária para quem acredita que a televisão pode — e deve — ser mais do que distracção 📺🧠