O Último Inverno em Park City: Sundance despede-se da sua casa histórica e do legado de Robert Redford

O festival independente mais influente dos Estados Unidos vive uma edição emotiva, marcada pela mudança de cidade e pela ausência do seu fundador

Sundance Film Festival prepara-se para um adeus carregado de simbolismo. A edição de 2026, que arranca esta semana em Park City, no Utah, será a última a realizar-se nesta pequena cidade de montanha que, durante mais de quatro décadas, se tornou sinónimo de cinema independente norte-americano. Para agravar a carga emocional do momento, é também a primeira edição sem a presença do seu fundador, Robert Redford, falecido em Setembro.

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À superfície, tudo parecerá familiar: estrelas de cinema, filas intermináveis para as sessões, voluntários incansáveis apesar do frio intenso e uma programação que mistura dramas comoventes, comédias inesperadas, thrillers e filmes difíceis de catalogar. No entanto, por detrás dessa normalidade aparente, o festival atravessa um dos períodos de maior transformação da sua história. Em 2027, o Sundance muda-se definitivamente para Boulder, no Colorado, encerrando um capítulo essencial da sua identidade.

Um festival moldado por um legado

Não surpreende que a palavra “legado” atravesse toda a programação desta última edição em Park City. Estão previstas exibições de cópias restauradas de títulos marcantes do passado do festival, como Little Miss SunshineMysterious SkinHouse Party e Humpday, bem como Downhill Racer (1969), o primeiro filme verdadeiramente independente de Robert Redford. O actor e realizador será também homenageado num evento de angariação de fundos do Instituto Sundance, que distinguirá nomes como Chloé Zhao, Ed Harris e Nia DaCosta.

Para muitos cineastas, o Sundance foi mais do que um festival: foi um ponto de viragem. Realizadores como Paul Thomas Anderson, Ryan Coogler ou a própria Zhao viram as suas carreiras ganhar forma graças ao apoio do Instituto. Gregg Araki, presença habitual desde os anos 90, recorda que sem o Sundance “muitos cineastas simplesmente não teriam tido carreira”.

Estrelas, riscos e cinema sem medo

A programação de 2026 mantém a aposta em “grandes riscos” artísticos. Entre os títulos mais aguardados estão The Gallerist, sátira ao mundo da arte protagonizada por Natalie Portman, Carousel, drama romântico com Chris Pine e Jenny Slate, e I Want Your Sex, novo filme provocador de Araki. Olivia Wilde surge tanto à frente como atrás das câmaras, enquanto Alexander Skarsgård e Olivia Colman protagonizam Wicker. A presença de Charli XCX, em vários projectos, reforça a ligação do festival à cultura pop contemporânea.

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No campo documental, o Sundance volta a afirmar-se como espaço de reflexão urgente, com filmes sobre figuras públicas, direitos humanos, conflitos internacionais e injustiças históricas, mantendo a tradição de lançar obras que frequentemente chegam aos Óscares.

O fim de um lugar, não de uma ideia

Entre os habituais encontros na Main Street e as salas emblemáticas como o Egyptian Theatre, sente-se uma melancolia inevitável. Muitos participantes admitem que Park City já não comportava a dimensão do festival, mas isso não torna a despedida menos emotiva. Como recorda Gregg Araki, “os lugares mudam, mas a identidade do Sundance sobrevive”.

O festival pode abandonar Park City, mas a sua missão — dar voz ao cinema independente — segue intacta. O último inverno nesta cidade será, acima de tudo, uma celebração de tudo o que ali nasceu.

Russell Brand libertado sob fiança após novas acusações de crimes sexuais

Actor e comediante enfrenta mais duas acusações, incluindo violação, relativas a alegados factos ocorridos em Londres em 2009

O actor e comediante Russell Brand foi libertado sob fiança esta segunda-feira, após ter sido formalmente acusado de mais dois crimes de natureza sexual, entre os quais uma alegada violação. A decisão foi tomada durante uma curta audiência de cerca de seis minutos no Westminster Magistrates’ Court, na qual Brand participou através de videoconferência a partir dos Estados Unidos.

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Com 50 anos, Russell Brand limitou-se a confirmar a sua identidade e data de nascimento perante o tribunal, não prestando quaisquer declarações adicionais. Segundo a imprensa britânica, o actor surgiu no ecrã a usar uma camisa de ganga parcialmente desapertada, mantendo-se em silêncio durante praticamente toda a sessão.

Novas acusações juntam-se a processo já em curso

As novas acusações dizem respeito a um crime de violação e a um crime de agressão sexual, ambos alegadamente ocorridos em Londres no ano de 2009, de acordo com documentos judiciais tornados públicos. Estes novos factos juntam-se a um conjunto de acusações já existentes, que incluem duas acusações de violação, uma de atentado ao pudor e duas de agressão sexual, relacionadas com alegados acontecimentos entre 1999 e 2005, envolvendo quatro mulheres distintas.

Russell Brand negou anteriormente todas as acusações que lhe foram imputadas até ao momento. No que diz respeito às acusações iniciais, o julgamento está previsto para começar ainda este ano, no Southwark Crown Court. Já relativamente às novas acusações agora apresentadas, o actor deverá comparecer no mesmo tribunal a 17 de Fevereiro.

Investigação começou após investigação jornalística

A investigação criminal a Russell Brand teve início após a publicação de uma investigação conjunta levada a cabo pelo Sunday TimesThe Times e pelo programa Dispatches, do Channel 4, em Setembro de 2023. As reportagens deram voz a várias mulheres que relataram alegados comportamentos abusivos por parte do comediante ao longo de vários anos, o que levou a polícia britânica a abrir um inquérito formal.

Desde então, o caso tem gerado forte impacto mediático no Reino Unido e internacionalmente, não só pela gravidade das acusações, mas também pela notoriedade pública de Russell Brand, que durante anos foi uma figura omnipresente nos meios de comunicação britânicos.

De estrela mediática a figura controversa

Nascido em Essex, Russell Brand ganhou notoriedade como comediante de stand-up antes de se tornar um rosto familiar da televisão britânica, nomeadamente como apresentador de Big Brother’s Big Mouth e através de vários programas de rádio na BBC, incluindo emissões na BBC Radio 2 e na BBC Radio 6 Music.

Mais tarde, construiu uma carreira em Hollywood, participando em comédias de grande sucesso comercial como Forgetting Sarah Marshall e Get Him To The Greek. Nos últimos anos, porém, Brand afastou-se progressivamente dos grandes estúdios, reinventando-se como comentador político e figura polémica nas redes sociais, com discursos frequentemente críticos dos media tradicionais e das instituições.

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O desenrolar deste processo judicial poderá ter consequências profundas no futuro pessoal e profissional de Russell Brand, num caso que continua a ser acompanhado de perto pela opinião pública e pelos meios de comunicação.

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O actor sueco vive uma das fases mais ousadas da carreira, entre cinema independente, provocação estética e personagens que desafiam expectativas

Aos 49 anos, Alexander Skarsgård parece mais interessado em provocar do que em agradar. O actor sueco, conhecido do grande público por séries como True BloodBig Little Lies ou Succession, vive actualmente um momento particularmente arrojado da sua carreira, marcado por escolhas artísticas que fogem deliberadamente ao caminho mais seguro do estrelato clássico. O exemplo mais evidente é Pillion, drama de teor BDSM e temática gay que chega aos cinemas a 6 de Fevereiro e que já está a gerar intensa conversa muito antes da estreia.

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Moda, provocação e “method dressing”

Durante a digressão promocional de Pillion, Skarsgård tem chamado tanta atenção pela roupa quanto pelo filme. Verniz vermelho nas unhas, tops ousados, calças de cabedal, botas acima do joelho ou camisas decoradas com brinquedos sexuais tornaram-se parte do espectáculo. O actor desvaloriza a obsessão pública com o seu guarda-roupa, garantindo que não é um consumidor compulsivo de moda e que tudo resulta de uma colaboração criativa com o stylist Harry Lambert. Ainda assim, é difícil ignorar que esta estética funciona como uma extensão dos papéis que tem vindo a escolher — uma espécie de “method dressing” que reforça a provocação.

Pillion: poder, desejo e desconforto

Em Pillion, realizado por Harry Lighton, Skarsgård interpreta Ray, um homem emocionalmente distante que estabelece uma relação de dominação com Colin, personagem de Harry Melling. O filme não suaviza a dinâmica de poder, explorando temas como dependência emocional, desejo e humilhação, num retrato desconfortável mas deliberadamente honesto. Skarsgård optou por manter em segredo o passado psicológico da personagem, até mesmo do seu colega de cena, criando uma tensão real que se reflecte na relação entre as personagens.

O actor tem sido claro ao afirmar que não pretende que a discussão se centre na sua vida pessoal ou orientação sexual. Para Skarsgård, o mais importante é contar a história e dar espaço às personagens, evitando que a curiosidade mediática desvie a atenção do filme.

De Charli XCX a Olivia Colman

Pillion não é o único projecto a marcar este período criativo intenso. No filme The Moment, produção da A24 com estreia marcada para 30 de Janeiro, Skarsgård contracena com Charli XCX, que interpreta uma versão ficcionada de si própria. O actor dá vida a um director criativo carismático e manipulador, num filme que reflecte sobre fama, insegurança e a indústria musical. Grande parte das cenas foi improvisada, algo que tanto Skarsgård como Charli descrevem como libertador.

Já em Wicker, o actor surge irreconhecível sob uma complexa máscara prostética, interpretando uma criatura feita de vime e ervas que oferece companhia à personagem de Olivia Colman. O processo físico foi exigente — cola no rosto, olhos e lábios selados — obrigando Skarsgård a adoptar um estilo de interpretação mais exagerado, distante da subtileza que normalmente privilegia.

Um “cult actor” que recusa o óbvio

Apesar do estatuto de galã e de uma carreira sólida em grandes produções, Skarsgård continua a ser visto como um actor de culto, alguém que prefere a estranheza à previsibilidade. Depois de experiências menos bem-sucedidas no cinema mais comercial, como The Legend of Tarzan, o actor parece ter encontrado conforto na ambiguidade, na provocação e em personagens difíceis de ler.

Hoje, divide-se entre o cinema independente e projectos televisivos como Murderbot, da Apple TV+, onde interpreta um robô que desenvolve consciência própria. É mais uma prova de que Skarsgård continua interessado em explorar identidades marginais, recusando-se a repetir fórmulas.

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Talvez seja este o verdadeiro “Brat Winter” de Alexander Skarsgård: um período de escolhas artísticas feitas por curiosidade e instinto, sem medo de alienar parte do público — e exactamente por isso, mais fascinante do que nunca.

William Shatner, 94 anos, apanhado a comer cereais ao volante: “Bran me up, Scotty!” 🥣🚗

Há imagens que valem mais do que mil palavras — e depois há aquelas que parecem saídas directamente de um sketch de comédia improvisado pelo universo. Esta semana, William Shatner, a lenda viva de Star Trek, foi apanhado em plena hora de ponta em Los Angeles… a tomar o pequeno-almoço ao volante. Sim, leu bem.

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O pequeno-almoço mais ousado da galáxia

O actor de 94 anos, eternamente associado ao Capitão James T. Kirk, foi visto parado num semáforo de Los Angeles com uma taça de cereais no colo e uma colher na mão, a desfrutar calmamente de algo que parecia ser Raisin Bran. Enquanto muitos condutores aproveitam a paragem para olhar para o telemóvel (erradamente, diga-se), Shatner decidiu ir mais longe… e apostar na fibra.

As imagens mostram-no perfeitamente sereno, colherada após colherada, sem pressas nem dramas, como se comer cereais no banco do condutor fosse a coisa mais natural do mundo. Nada de copos de café apressados ou barras energéticas tristes — aqui estamos a falar de uma taça completa, ao estilo “pequeno-almoço de campeão”.

Energia interestelar… logo pela manhã

Apesar da situação insólita, Shatner não parecia minimamente stressado. Pelo contrário: postura relaxada, movimentos seguros e aquele ar de quem já viu tudo — incluindo alienígenas, viagens no tempo e, aparentemente, engarrafamentos com fome.

Com uma agenda que continua surpreendentemente preenchida para alguém com 94 anos, não é difícil imaginar que cada minuto conta. Se isso significa transformar o carro numa extensão da mesa da cozinha, então que assim seja. Afinal, se alguém pode redefinir as regras básicas da rotina matinal, é alguém que passou décadas a comandar a Enterprise.

Nem todos os heróis usam capa… alguns usam colher

Claro que não é todos os dias que se vê uma estrela de Hollywood a conduzir enquanto come cereais, mas há algo de estranhamente reconfortante nesta cena. Humaniza o mito, aproxima o ícone do cidadão comum e prova que, mesmo aos 94 anos, William Shatner continua a viver a vida à sua maneira — com humor, personalidade e, aparentemente, uma boa dose de farelo.

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Se é aconselhável? Provavelmente não. Se é memorável? Sem dúvida. E se há alguém que pode safar-se com isto sem que o universo colapse? Bem… estamos a falar do Capitão Kirk.