Cinema português em destaque na Europa: Laura Carreira vence Prémio Descoberta com 

On Falling Uma primeira longa-metragem que confirma um novo talento a seguir de perto

O cinema português voltou a merecer atenção internacional este fim-de-semana com a distinção de Laura Carreira, vencedora do Prémio Descoberta atribuído pela Academia Europeia de Cinema. O galardão foi entregue ao filme On Falling, a primeira longa-metragem da realizadora, que tem vindo a construir um percurso sólido e coerente entre Portugal e o Reino Unido.

Produzido numa parceria luso-britânica entre a BRO Cinema e a Sixteen Films, On Falling confirma Laura Carreira como uma das vozes mais interessantes do cinema europeu emergente, apostando num registo intimista, socialmente atento e profundamente contemporâneo.

Precariedade, solidão e emigração no centro da narrativa

O filme acompanha Aurora, uma jovem portuguesa emigrada na Escócia, cuja vida é marcada por empregos precários, rotinas extenuantes e uma solidão silenciosa que se vai instalando de forma quase invisível. Longe de discursos fáceis ou dramatizações excessivas, On Falling observa o quotidiano da personagem com uma câmara contida, quase documental, deixando que os pequenos gestos e silêncios falem por si.

É precisamente nesta abordagem discreta, mas emocionalmente incisiva, que reside a força do filme. Laura Carreira constrói um retrato honesto da experiência migrante contemporânea, tocando em temas como a alienação laboral, a fragilidade das redes de apoio e o desgaste psicológico de quem vive permanentemente “em queda”, num equilíbrio instável entre sobrevivência e identidade.

Um percurso de prémios que não pára de crescer

A distinção agora atribuída pela Academia Europeia de Cinema junta-se a um impressionante conjunto de prémios conquistados por On Falling ao longo do último ano. Em 2024, Laura Carreira venceu um prémio de realização no Festival de San Sebastián, um dos mais prestigiados eventos cinematográficos da Europa. O filme foi também distinguido no Festival de Cinema de Londres com o Prémio de Primeira Longa-Metragem.

Na Escócia, onde a realizadora vive e trabalha há mais de uma década, On Falling recebeu ainda dois prémios BAFTA Scotland — Melhor Argumento e Melhor Filme de Ficção — consolidando a recepção entusiasta da crítica britânica.

Joana Santos também em evidência

O reconhecimento internacional estende-se igualmente ao elenco. A actriz Joana Santos, protagonista do filme, foi distinguida no Festival Internacional de Cinema de Salónica, na Grécia, graças a uma interpretação contida, sensível e profundamente humana, que evita qualquer tentação de exagero dramático.

A sua composição de Aurora é fundamental para o impacto do filme, funcionando como âncora emocional de uma história onde o não-dito é tão importante quanto o que é verbalizado.

Um nome a fixar no novo cinema europeu

Depois das curtas-metragens Red Hill (2018) e The Shift (2020), On Falling marca um passo decisivo na carreira de Laura Carreira. A distinção da Academia Europeia de Cinema não só valida o percurso já feito, como projeta a realizadora portuguesa para um futuro onde o seu nome deverá continuar a surgir associado ao melhor cinema de autor europeu.

Sem ruído, sem pressa e sem concessões fáceis, On Falling prova que, por vezes, é nos gestos mais simples que se escondem os filmes mais duradouros.

Jimmy Kimmel satiriza Trump por “abraçar” Nobel Peace Prize como um biberão

O apresentador Jimmy Kimmel dedicou parte do seu monólogo no programa Jimmy Kimmel Live! a fazer uma crítica mordaz ao Donald Trump após este ter aceite, de forma simbólica, a medalha do Nobel Peace Prize de 2025 das mãos da líder da oposição venezuelana María Corina Machado.  

Machado tinha sido premiada pelo seu papel na resistência democrática no seu país, mas abraçou Trump com uma entrega de medalha durante uma visita à Casa Branca, gesto que rapidamente se tornou tema de debate público.  

Kimmel não poupou na ironia. Durante o segmento de abertura transmitido a 16 de janeiro, comparou a forma como Trump segurou a medalha à imagem de um bebé a chupar um biberão, sugerindo que o ex-presidente parecia mais interessado no troféu do que no reconhecimento ou no significado político do gesto.  

O apresentador também fez piada com a frustração alegada de Trump por não ter ganho o prémio oficialmente — um ponto que alimentou a sua sátira — e utilizou o momento para propor uma troca caricatural: ofereceu a Trump alguns dos seus próprios troféus, incluindo Emmys e outros prémios conquistados ao longo da carreira, em troca da retirada da agência federal ICE de Minneapolis, numa crítica bem-humorada mas cortante às políticas de imigração e à presença de agentes federais na cidade.  

Kimmel explorou ainda essa “troca de prémios” com humor adicional, lembrando que, se Trump gosta tanto de troféus, oferecer-lhe algo que ele valorize poderia, ironicamente, incentivá-lo a agir politicamente de acordo com os desejos do apresentador.  

A abordagem de Kimmel insere-se numa tradição de comédia política em que figuras da política são alvo de sátira no palco de programas late night, misturando crítica social com humor popular. 

Rachel Ward responde a críticos sobre o envelhecimento: “Sou agricultora agora — e mais feliz do que nunca”

A estrela de The Thorn Birds (Pássaros Caídos)  rejeita padrões de beleza e celebra uma nova fase da vida

Há figuras do cinema e da televisão que envelhecem sob os holofotes — e outras que decidem simplesmente viver. Rachel Ward, eternamente recordada como Maggie Cleary na icónica minissérie The Thorn Birds, pertence claramente ao segundo grupo. Aos 68 anos, a actriz australiana decidiu responder de forma elegante, irónica e profundamente serena às críticas que surgiram nas redes sociais sobre o seu aspecto actual.

Depois de alguns comentários menos simpáticos — os habituais “trolls” — questionarem o facto de Ward “parecer a sua idade”, a actriz recorreu ao Instagram para deixar uma mensagem clara: não tem qualquer receio de envelhecer e muito menos vontade de pedir desculpa por isso.

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Num vídeo simples, sem maquilhagem, de cabelo grisalho curto e óculos de aro dourado, Ward começa por brincar com a situação, dizendo que tentou “fazer um bocadinho melhor hoje”, passando a mão pelo cabelo antes de lançar a verdadeira mensagem: “Não tenham medo de envelhecer”.

“Os 60 são um período maravilhoso”

Longe de qualquer tom defensivo, Rachel Ward optou por uma reflexão honesta e inspiradora sobre o passar do tempo. “É um período maravilhoso da vida, os 60”, afirmou, acrescentando que se sente “mais realizada do que nunca” e sem qualquer arrependimento por deixar para trás a juventude e a beleza tal como estas são entendidas pela indústria do entretenimento.

A actriz reconheceu que existe uma obsessão colectiva com a juventude, resumindo-a com ironia: “Juventude é beleza, beleza é juventude — e é tudo o que precisam de saber”. Mas logo a seguir desmontou essa lógica, explicando que, embora já não seja jovem, é “uma pessoa muito feliz”.

Para Ward, os anos mais tardios devem ser celebrados, não temidos. “Têm tantos outros presentes para oferecer que só os compreendemos quando lá chegamos”, sublinhou, numa mensagem que rapidamente gerou apoio e aplausos dos fãs.

Uma vida longe de Hollywood — e perto da terra

Rachel Ward não vive apenas afastada dos padrões estéticos de Hollywood; vive literalmente longe de Hollywood. Há vários anos que gere uma exploração pecuária na Austrália com o marido, Bryan Brown, também ele actor e colega de elenco em The Thorn Birds. “Sou agricultora agora”, escreveu com humor na legenda do vídeo, brincando com o facto de talvez devesse “arranjar o cabelo e pôr um bocadinho de batom” antes de aparecer nas redes sociais.

A actriz aproveitou ainda a ocasião para promover um novo projecto ligado à agricultura regenerativa, reforçando a ligação entre bem-estar, alimentação e respeito pela terra — e mostrando que esta nova fase da sua vida está longe de ser passiva ou nostálgica.

Um exemplo raro — e necessário

Num tempo em que tantas figuras públicas recorrem a procedimentos extremos para travar o inevitável, a postura de Rachel Ward destaca-se pela tranquilidade e coerência. Sem discursos moralistas nem ataques pessoais, a actriz limitou-se a afirmar algo simples e poderoso: envelhecer não é uma falha, é um privilégio.

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E talvez seja por isso que, décadas depois de The Thorn Birds, continua a ser admirada — não apenas pelo que foi em frente às câmaras, mas pelo que escolheu ser fora delas.

George R.R. Martin tem um trunfo escondido para o novo Game of Thrones — e pode mudar tudo

O prequel mais discreto de Westeros guarda um segredo inesperado

Quando se fala em novos projectos no universo de Game of Thrones, a expectativa costuma girar em torno de dragões, intrigas políticas sangrentas e batalhas épicas. A Knight of the Seven Kingdoms segue por um caminho bem diferente — e é precisamente aí que reside a sua maior força. A nova série da HBO, centrada nas aventuras de Dunk e Egg, é mais pequena em escala, mais leve no tom… mas pode ter um futuro muito maior do que se imaginava.

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O responsável pela série, Ira Parker, revelou que George R. R. Martin lhe confiou 12 histórias inéditas de Dunk e Egg — narrativas que nunca foram publicadas e que acompanham as personagens ao longo de toda a vida. Um detalhe que pode transformar um projecto inicialmente pensado para três temporadas numa saga de longo fôlego dentro de Westeros.

Dunk e Egg: heróis sem dragões nem feitiços

A Knight of the Seven Kingdoms acompanha Ser Duncan, o Alto, um cavaleiro errante sem fortuna, interpretado por Peter Claffey, e o seu jovem escudeiro Egg, vivido por Dexter Sol Ansell — uma criança com um segredo que os fãs do universo criado por Martin rapidamente reconhecerão. A série passa-se cerca de 90 anos antes dos acontecimentos de Game of Thrones e abdica propositadamente de magia, dragões e grandes exércitos.

O resultado é uma narrativa mais intimista, construída a partir de diálogos, relações humanas e pequenos conflitos morais. A primeira temporada conta apenas com seis episódios, muitos deles com menos de 40 minutos, numa decisão que Parker considera essencial para manter a história coesa e fiel às novelas originais, começando por The Hedge Knight.

Uma adaptação fiel — com Martin sempre por perto

Ao contrário do que aconteceu nas últimas temporadas de Game of Thrones, George R. R. Martin esteve profundamente envolvido neste projecto. Leu versões iniciais de todos os episódios, deu feedback directo — e nem sempre gentil — e participou em reuniões criativas desde a fase embrionária da série.

Segundo Parker, Martin não só aprovou as alterações necessárias à adaptação televisiva como ajudou a preencher os espaços entre as histórias, oferecendo contexto e ideias que nunca chegaram ao papel. É aqui que entram as tais 12 histórias secretas: algumas resumidas em poucos parágrafos, outras mais desenvolvidas, mas todas traçando o percurso completo de Dunk e Egg ao longo dos anos.

Um futuro aberto… se o público quiser

Oficialmente, o plano da HBO passa por adaptar apenas as três novelas publicadas por Martin. No entanto, Parker não esconde a ambição: faria 12 temporadas, espaçadas ao longo de décadas, acompanhando o envelhecimento natural das personagens — à semelhança de Boyhood, de Richard Linklater.

A grande incógnita continua a ser a reacção do público. Sem dragões, sem grandes reviravoltas chocantes logo no primeiro episódio e com um ritmo assumidamente paciente, A Knight of the Seven Kingdoms aposta no charme, na química entre personagens e numa visão mais humana de Westeros.

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Se isso for suficiente para conquistar os fãs, George R. R. Martin já garantiu que há histórias de sobra para muitos anos.

O novo mistério de Agatha Christie da Netflix transforma o oeste de Inglaterra num palco de crime elegante

De Bath a Somerset, uma produção de época com impacto real

A Netflix voltou a apostar forte no universo de Agatha Christie e escolheu o oeste de Inglaterra como cenário privilegiado para The Seven Dials Mystery, um novo thriller de época que já está a dar que falar — não só pelo elenco e pedigree criativo, mas também pelo impacto económico e cultural deixado nas regiões onde foi filmado.

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A série, escrita por Chris Chibnall (criador de Broadchurch), centra-se num homicídio ocorrido numa luxuosa casa de campo, recuperando todo o charme, tensão e elegância associados às melhores adaptações da autora britânica. Para dar vida a este mistério, a produção passou por locais emblemáticos como Bristol, a West Somerset Railway e a icónica Great Pulteney Street, em Bath.

Um elenco de luxo para um crime clássico

À frente do elenco estão Martin Freeman e Helena Bonham Carter, dois nomes que dispensam apresentações e que prometem dar profundidade e ambiguidade moral a uma história onde nada é exactamente o que parece. A combinação de um argumento de Chibnall com este duo de actores eleva imediatamente as expectativas, sobretudo entre os fãs de mistérios clássicos com um toque moderno.

Comboios históricos, hotéis do século XV e cenários “limpos” de modernidade

Um dos destaques da rodagem foi a escolha da West Somerset Railway, uma linha ferroviária histórica que serpenteia junto à costa, passando por paisagens de cortar a respiração. Segundo a responsável de locais, Dee Gregson, a equipa procurava um cenário rural e visualmente marcante onde o comboio pudesse parar num ponto “verdadeiramente cinematográfico”. A solução surgiu junto à baía de Blue Anchor, com vista para o mar e o campo — uma escolha que promete resultar em imagens memoráveis.

Durante as filmagens, elenco e equipa ficaram alojados no Luttrell Arms Hotel, em Dunster, uma unidade do século XV. A proprietária, Anne Way, revelou que os actores foram “encantadores”, destacando o interesse particular de Helena Bonham Carter pelos interiores históricos do edifício.

Em Bath, o trabalho foi igualmente minucioso. Durante dois dias de filmagens, as equipas locais passaram semanas a remover qualquer vestígio de vida moderna: paragens de autocarro, caixotes do lixo, iluminação contemporânea e sinalética actual desapareceram temporariamente para devolver à cidade o seu ar de época.

Um mistério que deixa marcas fora do ecrã

Para além do valor artístico, The Seven Dials Mystery teve um impacto económico significativo. O Conselho de Bath e North East Somerset confirmou a geração de receitas directas, bem como benefícios claros para hotéis, restauração e outras áreas ligadas à hospitalidade. Houve ainda donativos feitos pela produção a organizações locais, reforçando a relação positiva entre a indústria audiovisual e a região.

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Com um cenário deslumbrante, uma equipa criativa sólida e um elenco de primeira linha, esta nova adaptação de Agatha Christie promete ser mais um trunfo da Netflix no campo do crime elegante. E, pelo caminho, ajudou a mostrar que o oeste de Inglaterra continua a ser um segredo bem guardado… agora com cadáver incluído.

Speedy Gonzales acelera rumo ao cinema: Warner Bros. recupera o rato mais rápido do México

Um clássico dos Looney Tunes prepara finalmente o salto a solo

Depois de anos a surgir apenas de raspão no grande ecrã, Speedy Gonzales está novamente em desenvolvimento para um filme próprio. A Warner Bros. Pictures Animation voltou a pôr o projecto em marcha e já escolheu quem vai liderar esta nova corrida: Jorge R. Gutiérrez, um dos nomes mais reconhecidos da animação contemporânea com forte identidade cultural.

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Para já, o estúdio mantém tudo em segredo: não há elenco anunciado, não existe data de estreia e o argumento ainda não tem guionista associado. Ainda assim, a simples confirmação de que Speedy Gonzales terá finalmente um filme autónomo é suficiente para entusiasmar fãs de várias gerações.

Mais de 70 anos de velocidade, humor e polémica

Criado nos anos 40, Speedy Gonzales é uma das personagens mais icónicas do universo Looney Tunes, conhecido como “o rato mais rápido de todo o México”. Ao longo de décadas, conquistou público com a sua astúcia, rapidez e humor físico, mas também se tornou uma figura controversa, frequentemente discutida à luz das mudanças culturais e sociais.

Nos últimos anos, a Warner optou por reduzir a sua presença a participações pontuais em projectos como Space Jam: A New Legacy ou na série infantil Bugs Bunny Builders. Agora, o estúdio parece confiante numa reinterpretação que respeite o legado da personagem, mas que fale para um público global e contemporâneo.

Jorge R. Gutiérrez: identidade visual e cultural forte

A escolha de Jorge R. Gutiérrez não é inocente. O realizador destacou-se com projectos como The Book of Life e a série Maya and the Three, sempre com uma abordagem visual exuberante e um profundo respeito pela cultura mexicana e latino-americana.

Bill Damaschke, presidente da Warner Bros. Pictures Animation, descreveu Gutiérrez como “um contador de histórias singular”, sublinhando que a sua voz artística consegue ser simultaneamente intemporal e moderna — uma combinação essencial para reinventar Speedy Gonzales sem o descaracterizar.

Um projecto antigo que regressa à vida

Esta não é a primeira tentativa de levar Speedy Gonzales para o cinema. Em 2016, esteve em desenvolvimento um filme intitulado Speedy, com Eugenio Derbez associado ao projecto. A ideia acabou por morrer na secretária dos estúdios, muito por receios ligados à sensibilidade cultural da personagem. Em 2024, Derbez chegou mesmo a afirmar que Hollywood tinha “medo” do politicamente incorrecto.

Resta saber se algum elemento dessa versão será reaproveitado ou se esta nova abordagem começará completamente do zero.

Um futuro animado para os Looney Tunes

O regresso de Speedy Gonzales surge numa fase curiosa para a Warner. Ao mesmo tempo que o estúdio volta a apostar nas suas personagens clássicas, projectos outrora dados como perdidos começam a ressurgir, como Coyote vs. Acme, agora com estreia prevista para Agosto de 2026 através da Ketchup Entertainment.

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Ainda sem data definida, o filme de Speedy Gonzales deverá chegar depois disso, integrando uma nova vaga de adaptações animadas que procuram equilibrar nostalgia, identidade cultural e sensibilidades modernas. Uma coisa é certa: desta vez, o rato mais rápido do México parece mesmo não estar disposto a ficar para trás.

O primeiro filme imperdível de 2026 já está na Netflix — e junta Damon e Affleck num jogo perigoso

Quando dois velhos amigos trocam a comédia pela tensão máxima

Há duplas que o cinema aprendeu a respeitar com o passar das décadas, e a de Matt Damon e Ben Affleck pertence claramente a esse clube restrito. Amigos desde a adolescência em Boston, parceiros criativos há quase 30 anos e vencedores de Óscares, os dois regressam agora lado a lado em The Rip, um thriller de acção duro, sombrio e surpreendentemente diferente do que habitualmente associamos a esta dupla.

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Disponível na NetflixThe Rip assume-se já como o primeiro filme verdadeiramente obrigatório de 2026 no streaming, apostando numa narrativa seca, sem filtros, e num ambiente onde a confiança é tão escassa quanto a moralidade.

Polícias corruptos, dinheiro sujo e desconfiança total

No centro da história estão dois agentes da polícia envolvidos numa investigação sensível sobre colegas corruptos que desviam dinheiro de casas de droga durante rusgas. Damon interpreta o tenente Dane Dumars, enquanto Affleck dá vida ao sargento-detetive JD Byrne. O que começa como mais um caso incómodo rapidamente se transforma num jogo psicológico perigoso quando Byrne começa a suspeitar que o próprio parceiro pode não ser tão íntegro quanto aparenta.

A partir daí, The Rip constrói-se como um duelo silencioso entre duas personagens que se conhecem demasiado bem — um detalhe que ganha uma camada extra de interesse quando sabemos que Damon e Affleck são amigos inseparáveis fora do ecrã. Essa proximidade real é usada de forma inteligente pelo filme, transformando cumplicidade em ameaça e confiança em potencial sentença de morte.

Joe Carnahan e a herança de Tony Scott

A realização está a cargo de Joe Carnahan, conhecido por Smokin’ Aces e The Grey, que aqui assume sem pudor a influência do cinema de Tony Scott. O ritmo intenso, a atmosfera crua e o lado quase “B-movie” do projecto são escolhas conscientes, pensadas para servir uma história directa, agressiva e sem grandes concessões ao conforto do espectador.

Carnahan revelou que quis explorar precisamente a relação real entre Damon e Affleck para reforçar o conflito dramático: dois homens que, no ecrã, são obrigados a confiar um no outro quando tudo à sua volta indica que isso pode ser um erro fatal.

Recepção crítica e reacções do público

Apesar de algumas críticas apontarem um tom excessivamente sombrio, The Rip tem sido bem recebido no geral. O filme apresenta actualmente uma pontuação de 84% no Rotten Tomatoes, com elogios frequentes à química entre os protagonistas e à sua energia de thriller clássico, quase artesanal, num panorama cada vez mais dominado por fórmulas previsíveis.

É também refrescante ver Damon e Affleck longe da comédia ou de projectos mais auto-referenciais. Aqui, ambos apostam num registo contido, tenso e adulto, lembrando porque continuam a ser duas das figuras mais interessantes do cinema americano contemporâneo.

Um regresso que vale mesmo a pena

The Rip pode não ser um filme para todos os gostos, mas é exactamente esse risco que o torna relevante. Num catálogo saturado de apostas seguras, esta colaboração entre Damon, Affleck e Carnahan destaca-se como uma proposta diferente, madura e sem medo de incomodar.

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Se 2026 precisava de um ponto de partida forte no streaming, a Netflix encontrou-o com dois velhos amigos a jogarem um jogo onde perder não é opção.

O Exorcista regressa aos carris: Mike Flanagan e Scarlett Johansson apontam estreia para 2027

A nova visão para um clássico do terror volta a ter data marcada

Depois de meses de incerteza, o novo The Exorcist já tem finalmente uma data oficial de estreia. A Universal confirmou que o filme, descrito como um “radical redo” do clássico do terror, chegará aos cinemas a 12 de Março de 2027, reassumindo um lugar de destaque no calendário de lançamentos de primavera.

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O projecto, escrito, realizado e produzido por Mike Flanagan, contará com Scarlett Johansson no papel principal e representa uma aposta clara do estúdio numa reinvenção profunda — e não numa simples continuação — de um dos títulos mais influentes da história do cinema de terror.

Inicialmente previsto para Março de 2026, o filme acabou por ser retirado do calendário no Verão passado, levantando dúvidas sobre o seu estado de desenvolvimento. A confirmação agora divulgada devolve alguma estabilidade ao projecto e reforça a confiança da Universal nesta nova abordagem ao universo criado por William Friedkin em 1973.

Um Exorcista desligado do franchise recente

Ao contrário do que aconteceu com The Exorcist: Believer, este novo filme não terá qualquer ligação narrativa ao reboot iniciado em 2023. A versão de Flanagan será uma história totalmente independente, sem continuidade directa com os capítulos recentes do franchise, uma decisão que parece alinhar-se com a filosofia criativa do realizador.

The Exorcist: Believer, recorde-se, arrecadou 65,5 milhões de dólares na América do Norte e 136,2 milhões a nível mundial — números respeitáveis, mas aquém das expectativas criadas após a aquisição dos direitos por parte da NBCUniversal, Peacock e Blumhouse em 2021. A nova estratégia passa, assim, por começar do zero.

Flanagan em modo total, após uma década de sucesso

A confirmação do envolvimento total de Mike Flanagan surgiu em Maio de 2024, numa altura em que o realizador vivia um dos pontos mais altos da sua carreira. Séries como The Haunting of Hill HouseMidnight Mass e The Fall of the House of Usher consolidaram o seu estatuto como uma das vozes mais respeitadas do terror contemporâneo, tanto junto do público como da crítica.

No cinema, Flanagan deixou igualmente marca com Doctor Sleep e, mais recentemente, com The Life of Chuck, provando uma versatilidade rara dentro do género.

A entrada de Scarlett Johansson no elenco reforçou ainda mais o peso do projecto, seguindo-se a confirmação de Jacobi Jupe, conhecido pelo drama Hamnet.

Uma produção de luxo para um regresso ambicioso

O filme é uma co-produção entre Blumhouse Productions, Atomic Monster e Morgan Creek Entertainment, em associação com Red Room Pictures. A produção está a cargo de Jason Blum, David Robinson e do próprio Flanagan, com Alexandra Magistro e Ryan Turek como produtores executivos.

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Com uma data sólida, uma equipa criativa de peso e a promessa de uma abordagem verdadeiramente nova, The Exorcistde Mike Flanagan perfila-se como um dos títulos de terror mais aguardados da segunda metade da década. A questão que se coloca agora é simples — mas assustadora: conseguirá esta nova visão fazer justiça a um dos filmes mais perturbadores de sempre?

The White Lotus reforça elenco da 4.ª temporada com Steve Coogan e uma aposta inesperada

A sátira de luxo da HBO prepara-se para mudar de cenário

A quarta temporada de The White Lotus continua a ganhar forma e promete manter — ou até elevar — o estatuto de uma das séries mais comentadas da última década. A HBO confirmou a entrada de Steve Coogan e de Caleb Jonte Edwardsno elenco da nova temporada, juntando-se a um conjunto de nomes que mistura estrelas consagradas e rostos ainda pouco conhecidos do grande público.

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Como já é tradição na série criada por Mike White, os detalhes sobre as personagens permanecem em absoluto segredo, assim como a linha narrativa específica da temporada. A única certeza é que voltaremos a acompanhar, ao longo de uma semana, um novo grupo de hóspedes e funcionários de um hotel White Lotus, com todas as tensões sociais, hipocrisias e conflitos morais que isso inevitavelmente implica.

De Saint-Tropez para o mundo: a nova localização

Depois de passar pelo Havai, Itália e Tailândia, a quarta temporada de The White Lotus muda-se para França, tendo como epicentro o luxuoso Château de la Messardière, em Saint-Tropez. A escolha do local encaixa na perfeição no ADN da série: riqueza ostensiva, paisagens idílicas e um ambiente onde os privilégios se cruzam com frustrações mal disfarçadas.

A França, com o seu imaginário associado ao glamour, à decadência elegante e às tensões de classe, surge como um terreno fértil para a abordagem mordaz que Mike White tem vindo a afinar desde a primeira temporada.

Steve Coogan: humor ácido num contexto perfeito

A entrada de Steve Coogan é particularmente interessante. O actor britânico, duas vezes nomeado aos Óscares, é mundialmente conhecido pela personagem Alan Partridge, um ícone da comédia desconfortável e socialmente embaraçosa. A sua presença sugere uma personagem potencialmente deliciosa num universo onde o ridículo das elites é constantemente exposto.

Nos últimos anos, Coogan tem alternado entre televisão e cinema, com participações em séries como The Sandman, e prepara-se ainda para integrar o thriller Legends, da Netflix, bem como Love Is Not the Answer, a estreia na realização de Michael Cera.

Um nome novo num palco de luxo

Já Caleb Jonte Edwards representa o outro lado da moeda. Praticamente desconhecido, o actor australiano tem como principal crédito uma participação na série Black Snow. A sua contratação confirma uma tendência recorrente em The White Lotus: colocar actores emergentes ao lado de estrelas estabelecidas, criando dinâmicas inesperadas tanto dentro como fora do ecrã.

Além de Coogan e Edwards, a temporada contará ainda com Alexander Ludwig e AJ Michalka. Há também negociações em curso com Helena Bonham Carter e conversas preliminares com Chris Messina, embora nenhuma destas participações esteja ainda confirmada oficialmente.

Expectativas elevadas para mais uma temporada

Criada, escrita e realizada por Mike White, com produção executiva de David Bernad e Mark KamineThe White Lotustornou-se um raro fenómeno de crítica e público. Cada nova temporada traz um novo começo, mas mantém uma identidade tão forte que o simples anúncio de elenco já é suficiente para gerar expectativa.

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Com França como pano de fundo e um elenco que cruza experiência, risco e curiosidade, a quarta temporada promete continuar a dissecar, com humor negro e precisão cirúrgica, os vícios e contradições de quem pode pagar o luxo… mas não escapar a si próprio.

Matt Damon e a cultura do cancelamento: “Segue-te até à campa”

Declarações fortes num podcast sem filtros

Durante a promoção de The Rip, o novo projecto da Netflix, Matt Damon e Ben Affleck passaram pelo mediático The Joe Rogan Experience, um espaço conhecido por conversas longas, directas e, muitas vezes, polémicas. Foi aí que Damon deixou uma das reflexões mais duras que se lhe ouviram nos últimos anos sobre a chamada “cultura do cancelamento” em Hollywood — e não só.

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Segundo o actor, ser “cancelado” é um castigo sem fim, sem possibilidade de redenção pública. “Isto segue-te para sempre”, afirmou, acrescentando que acredita que algumas das pessoas alvo desse fenómeno “preferiam ir para a prisão durante 18 meses” do que viver com o estigma eterno associado a um erro passado. A comparação é extrema, mas resume bem a ideia central de Damon: ao contrário da justiça formal, a condenação social não prevê cumprimento de pena nem absolvição.

Joe Rogan, por seu lado, definiu o cancelamento como a amplificação máxima de um erro isolado, usada para expulsar alguém da vida pública “para toda a vida”. Damon concordou sem hesitações, sublinhando que, uma vez marcada, a pessoa nunca se livra totalmente desse rótulo — mesmo quando pede desculpa, explica o contexto ou demonstra evolução.

Um tema que Damon conhece bem

As palavras do actor não surgem no vazio. Em 2021, Matt Damon esteve no centro de uma forte polémica depois de uma entrevista ao The Sunday Times, onde afirmou ter deixado de usar um termo ofensivo apenas “há alguns meses”, após uma conversa com a filha. A reacção foi imediata e intensa, sobretudo nas redes sociais, levando Damon a esclarecer a situação num comunicado à Variety.

Nesse texto, explicou que nunca utilizou insultos desse género na sua vida pessoal e que a conversa com a filha foi, acima de tudo, um exercício de contextualização histórica e social. Longe de se colocar como vítima, Damon reconheceu que compreendia porque motivo as suas palavras tinham sido mal interpretadas e reafirmou publicamente o seu apoio à comunidade LGBTQ+.

A controvérsia acabou por não deixar marcas profundas na sua carreira, algo que o próprio Damon reconhece como um privilégio que nem todos têm. Ainda assim, a experiência parece ter reforçado a sua visão crítica sobre a forma como a indignação pública se transforma, muitas vezes, numa punição perpétua.

Carreira intacta e novos desafios no horizonte

Apesar do ruído mediático, Damon continuou a ser presença regular em grandes produções de Hollywood. Participou em Air, destacou-se em Oppenheimer e prepara-se para regressar ao grande ecrã como protagonista de The Odyssey, o ambicioso novo projecto de Christopher Nolan.

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As declarações no podcast não são, portanto, o desabafo de alguém afastado da indústria, mas sim a reflexão de um actor no topo, consciente dos seus privilégios e das contradições do sistema em que trabalha. Concorde-se ou não com a analogia entre cancelamento e prisão, Damon levanta uma questão incómoda: existe espaço para erro, aprendizagem e redenção na era digital, ou estamos condenados a arrastar o passado para sempre?

No mínimo, a conversa volta a provar que, quando Matt Damon fala fora do guião, Hollywood — e a Internet — pára para ouvir.