The Pitt: a série médica que os próprios médicos dizem ser assustadoramente real

Quando a ficção se aproxima demais da urgência dos nossos dias

Nos primeiros cinco minutos da nova temporada de The Pitt, percebe-se que não estamos perante mais um drama hospitalar formatado para romances fáceis ou reviravoltas improváveis. Uma sala de espera caótica, avisos contra comportamentos agressivos, uma placa memorial para vítimas de um tiroteio em massa e um paciente carregado de sacos cheios de suplementos “milagrosos”. Para muitos médicos, isto não é exagero televisivo — é simplesmente mais um turno de trabalho.

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A segunda temporada da série, disponível na HBO Max, tem sido amplamente elogiada por profissionais de saúde pela forma crua e honesta como retrata a medicina nos anos 2020: um sistema pressionado, politizado, corporativo e profundamente humano.

Um dia inteiro no inferno… contado hora a hora

Cada temporada de The Pitt decorre ao longo de um único dia num serviço de urgência de um hospital fictício de Pittsburgh. Cada episódio corresponde a uma hora de um turno de 15 horas. Esta estrutura impõe um ritmo implacável e elimina qualquer tentação de enredos paralelos artificiais.

Não há tempo para romances de corredor ou diagnósticos milagrosos de última hora. Há, sim, jargon médico lançado a alta velocidade, decisões difíceis tomadas sob pressão e profissionais exaustos a tentar fazer o melhor possível com recursos claramente insuficientes. É um retrato que funciona como microcosmo não só da medicina, mas também de uma América fragmentada.

“A série médica mais fiel alguma vez feita”

Muitos médicos já tinham elogiado a primeira temporada, mas a nova leva de episódios parece ir ainda mais longe. Profissionais de urgência chegaram mesmo a convidar Noah Wyle, protagonista da série, para a sua conferência anual — um selo de autenticidade raro neste género.

Segundo o pediatra Alok Patel, que acompanha de perto a série e co-apresenta o podcast oficial, The Pitt consegue captar “a totalidade da experiência de trabalhar na saúde: os altos, os baixos e as frustrações”. Não significa que todos os turnos sejam sempre caóticos, mas a série assume, sem pudor, as licenças dramáticas necessárias — sem trair a essência da realidade.

Burocracia, contas médicas e desinformação

Um dos aspectos mais elogiados desta nova temporada é a forma como aborda temas habitualmente ignorados pela televisão: burocracia hospitalar, seguros de saúde, contas médicas incomportáveis e a constante interferência administrativa na prática clínica.

A desinformação médica também ocupa um lugar central. Há pacientes que chegam munidos de “verdades” encontradas nas redes sociais, desconfiados da ciência, mas sobretudo confusos — sem saber em quem confiar. A série não os retrata como vilões, mas como reflexo de um sistema falhado.

Violência, desgaste emocional e médicos que também são pessoas

The Pitt volta a abordar a crescente violência física e verbal contra profissionais de saúde, um problema real e cada vez mais comum. Os ataques são frequentemente desvalorizados pelas próprias personagens, revelando uma cultura de normalização do abuso que tem consequências profundas na saúde mental de quem cuida.

A chegada da nova médica assistente, Dr. Baran Al-Hashimi, interpretada por Sepideh Moafi, introduz um choque geracional com o veterano Dr. Michael “Robby” Robinavitch, de Noah Wyle. O confronto entre visões sobre inteligência artificial, produtividade e humanidade no cuidado médico torna-se um dos eixos mais interessantes da temporada.

Uma série que ensina sem dar lições

No meio do caos, The Pitt encontra espaço para algo raro: lições de vida discretas, quase escondidas, que só se revelam plenamente com o tempo — ou numa segunda visualização. Porque, como a série lembra, a humanidade não fica à porta do hospital quando alguém adoece.

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É precisamente por isso que The Pitt não é apenas uma série sobre medicina. É uma série sobre pessoas, sistemas em ruptura e a difícil arte de continuar a cuidar quando tudo à volta parece estar a falhar.

Surpresas nos BAFTA: George Clooney, Dwayne Johnson e Julia Roberts ficam fora da longlist

A corrida aos Óscares começa a ganhar contornos inesperados

A divulgação das longlists dos BAFTA Film Awards trouxe algumas surpresas de peso e deixou desde já claro que a temporada de prémios está longe de ser previsível. Entre os grandes ausentes deste primeiro corte estão nomes tão sonantes como George ClooneyDwayne Johnson e Julia Roberts, todos eles com forte presença mediática nesta época e nomeações garantidas nos Golden Globes, que decorrem este domingo.

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As longlists, agora tornadas públicas, funcionam tradicionalmente como um importante termómetro para os Óscares, já que os BAFTA têm vindo a espelhar com frequência os resultados da Academia norte-americana. As nomeações finais serão anunciadas a 27 de Janeiro, com seis candidatos em cada categoria de interpretação.

Quando os BAFTA antecipam os Óscares… e quando não

Os números falam por si. Nos últimos 15 anos, 13 vencedores do BAFTA de Melhor Actor acabaram por repetir o triunfo nos Óscares. No caso das actrizes, 10 das últimas 12 vencedoras dos BAFTA arrecadaram também a estatueta dourada. Desde o início do século, apenas por duas vezes um actor venceu o Óscar sem sequer ter sido nomeado para um BAFTA — Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club, 2014) e Denzel Washington (Training Day, 2002). O mesmo padrão raro repete-se na categoria feminina, com Jessica Chastain e Sandra Bullock como excepções.

Este historial torna ainda mais intrigante a ausência de Clooney, Johnson e Roberts da longlist.

Clooney elogiado, Johnson ovacionado… mas sem BAFTA

George Clooney tem recebido elogios entusiásticos pela sua interpretação em Jay Kelly, com a New York Magazine a afirmar tratar-se “da melhor performance da sua vida”. Ainda assim, o actor ficou fora da longlist principal, ao contrário do seu colega de elenco Adam Sandler, que surge na lista de Melhor Actor Secundário, mantendo viva a possibilidade da sua primeira nomeação aos BAFTA.

Já Dwayne Johnson era apontado como um potencial candidato forte aos Óscares graças a The Smashing Machine, filme sobre as origens do UFC que arrancou uma ovação de 15 minutos no Festival de Cinema de Veneza. A reacção emocionada do actor correu mundo — mas não chegou para convencer os votantes britânicos nesta fase.

Julia Roberts, por sua vez, concorre este fim-de-semana a um Globo de Ouro pelo seu papel em After the Hunt, de Luca Guadagnino, onde interpreta uma professora da Universidade de Yale. A sua última nomeação aos BAFTA remonta já a 2013, com August: Osage County.

Filmes excluídos, elegibilidade polémica e apostas fortes

A lista revelou ainda algumas exclusões inesperadas. O favorito ao Óscar de Melhor Filme de Animação, KPop Demon Hunters, foi considerado inelegível por ter estreado primeiro em streaming no Reino Unido, antes da sua curta passagem pelas salas de cinema. Também o actor brasileiro Wagner Moura ficou de fora pela sua participação no thriller político The Secret Agent, apesar de surgir como forte aposta nos sites de previsão como o Gold Derby.

Entre os filmes totalmente ignorados pelos BAFTA destacam-se o biopic Springsteen: Deliver Me from Nowhere e Anemone, o aguardado regresso de Daniel Day-Lewis após oito anos afastado do cinema.

Quem domina a corrida até agora

No topo da longlist surge One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson, com 16 menções, incluindo Leonardo DiCaprio e um elenco de luxo que passa por Sean Penn, Benicio Del Toro e Teyana Taylor. Seguem-se Hamnet e Sinners(14), Marty Supreme (13), Bugonia e Frankenstein (12).

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Destaque ainda para o sucesso britânico I Swear, baseado na história real de John Davidson, e para The Ballad of Wallis Island, com Carey Mulligan na lista de Melhor Actriz Secundária. Já Goodbye June, a estreia na realização de Kate Winslet, marca presença na categoria de Melhor Filme Britânico.

Com as nomeações finais prestes a serem reveladas, a corrida aos BAFTA — e aos Óscares — promete ainda muitas reviravoltas.

Black Mirror regressa para a oitava temporada na Netflix — e a realidade continua a aproximar-se perigosamente

Charlie Brooker confirma novos episódios da série distópica mais influente da televisão moderna

É oficial: Black Mirror vai regressar para uma oitava temporada na Netflix. O anúncio foi feito pelo próprio Charlie Brooker, que confirmou estar já a escrever os novos episódios daquela que se tornou uma das séries mais duradouras — e inquietantes — do catálogo da plataforma.

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“I can confirm that Black Mirror will return, just in time for reality to catch up with it”, afirmou Brooker, num comentário que resume na perfeição o espírito da série: um espelho negro que, ao longo dos anos, deixou de parecer ficção científica para se transformar num exercício desconfortavelmente próximo do quotidiano.

Uma série que continua a reinventar-se — sem perder identidade

Quase 15 anos depois da sua estreia original no Channel 4Black Mirror mantém-se relevante precisamente porque nunca se acomodou. Brooker explicou que o processo criativo da nova temporada segue a lógica habitual: questionar o que ainda não foi explorado e decidir qual o “tom” adequado para este novo capítulo.

A analogia musical usada pelo criador é reveladora: cada temporada funciona como uma faixa diferente no mesmo álbum, com variações de ritmo, intensidade e género. Essa liberdade criativa tem permitido à série oscilar entre a sátira tecnológica, o drama existencial e, mais recentemente, o terror puro.

Do “Red Mirror” ao regresso às origens

Brooker já havia explicado que a sexta temporada funcionou como uma espécie de “Red Mirror”, com histórias mais próximas do horror clássico e menos centradas na tecnologia. Já a sétima temporada, segundo o próprio, regressou a uma abordagem mais alinhada com os primeiros anos da série — uma combinação de tecnologia, comportamento humano e consequências morais.

A oitava temporada, para já, mantém-se envolta em mistério. Não foram revelados detalhes sobre o elenco nem sobre o tom dominante, o que só aumenta a expectativa em torno dos novos episódios.

Uma série premiada… e em constante mutação

A confirmação da nova temporada surge numa altura particularmente simbólica. Black Mirror está nomeada para Melhor Série Limitada ou Antologia nos Golden Globes, com Rashida Jones e Paul Giamatti também nomeados pelas suas participações na sétima temporada.

Essa temporada incluiu episódios como “Common People”, protagonizado por Jones, “Eulogy”, com Giamatti, e ainda a primeira sequela oficial da série: o regresso ao universo de “USS Callister”, um dos episódios mais icónicos de Black Mirror.

Um futuro para lá do espelho

Entretanto, Brooker continua a expandir o seu universo criativo fora de Black Mirror. O autor está actualmente a desenvolver uma nova série policial para a Netflix, ainda sem título, protagonizada por Paddy ConsidineLena HeadeyGeorgina Campbell. Descrita com humor como “o mais sério policial de todos os tempos”, a série promete seguir uma linha deliberadamente auto-consciente — uma marca registada do criador.

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Quanto a Black Mirror, mais informações sobre a oitava temporada deverão ser reveladas em breve. Até lá, fica a certeza de que, enquanto a tecnologia continuar a avançar mais depressa do que a nossa capacidade de a compreender, haverá sempre espaço para mais um reflexo perturbador no espelho negro.

Heated Rivalry: a série que incendiou as redes chega finalmente à HBO Max em Portugal

Rivalidade no gelo, paixão fora dele — e uma data de estreia muito aguardada

Depois de semanas de expectativa e de um burburinho constante nas redes sociais, já há confirmação oficial: Heated Rivalry estreia em Portugal no próximo 23 de Janeiro, em exclusivo na HBO Max. A primeira temporada, composta por seis episódios, será lançada semanalmente, com novos capítulos até ao desfecho marcado para 27 de Fevereiro.

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Descrita por muitos como “a série do momento”, Heated Rivalry chega envolta numa aura de fenómeno cultural raro, impulsionado por uma base de fãs fervorosa, trailers virais e uma história que cruza desporto de alta competição com um romance intenso e emocionalmente complexo.

Uma criação de Jacob Tierney que vai muito além do desporto

Criada por Jacob Tierney, conhecido pelo trabalho em Letterkenny e Shoresy, a série acompanha a trajectória de dois jogadores de hóquei rivais: Shane Hollander (Hudson Williams) e Ilya Rozanov (Connor Storrie).

Ambos são estrelas emergentes da fictícia Major League Hockey e partilham uma ambição feroz, um espírito competitivo quase obsessivo… e uma atracção que nenhum dos dois consegue explicar — ou aceitar — de imediato. O que começa como um caso secreto entre dois jovens atletas transforma-se, ao longo de oito anos, numa relação marcada por negação, desejo, medo e autodescoberta.

Amor, identidade e pressão num mundo implacável

Heated Rivalry distingue-se por não romantizar o desporto profissional. Pelo contrário, expõe a pressão constante, a cultura de masculinidade tóxica e o silêncio emocional que ainda domina muitos balneários. Shane e Ilya são obrigados a dividir-se entre o gelo — onde tudo é força, resistência e agressividade — e a vida privada, onde sentimentos considerados “frágeis” podem ser vistos como uma ameaça à carreira.

A série questiona, com sensibilidade e frontalidade, se há espaço para o amor verdadeiro num mundo ferozmente competitivo, onde a imagem pública vale tanto quanto o talento.

Dos livros para o ecrã… e para o TikTok

A série é uma adaptação dos livros Game Changers, da autora canadiana Rachel Reid, e foi originalmente produzida para a plataforma Crave. No entanto, foi o primeiro trailer — com pouco mais de 90 segundos — que lançou Heated Rivalrypara o estrelato global, tornando-se viral no TikTok e alimentando uma avalanche de reacções, teorias e excertos partilhados.

Em declarações ao Hollywood Reporter, o produtor executivo Brendan Brady reconheceu o peso da comunidade de fãs no sucesso da série: “Queríamos corresponder às expectativas dos fãs. O envolvimento deles abriu portas a oportunidades incríveis”.

Um fenómeno pronto a conquistar Portugal

Com um elenco secundário sólido — que inclui François Arnaud, Christina Chang, Dylan Walsh, Sophie Nélisse e Ksenia Daniela Kharlamova — e uma abordagem emocionalmente honesta, Heated Rivalry chega à HBO Max com tudo para conquistar também o público português.

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Mais do que uma série sobre hóquei, trata-se de uma história sobre identidade, desejo e coragem num mundo que raramente perdoa quem foge às regras não escritas. E é precisamente aí que reside a sua força.

Wonder Man: quando Hollywood, super-heróis e ego colidem na nova aposta da Marvel

A série que promete olhar para o MCU… por dentro

Disney Plus estreia a 28 de Janeiro Wonder Man, uma das propostas mais curiosas e meta do universo Marvel até à data. Longe das batalhas cósmicas e dos destinos do multiverso, Wonder Man aposta num olhar irónico, quase satírico, sobre a própria indústria do entretenimento — e fá-lo a partir do ponto de vista de quem sonha com a fama… e de quem já a perdeu.

Situada algures entre a comédia dramática e a desconstrução do mito do super-herói, a série promete mostrar um lado raramente explorado do MCU: os bastidores de Hollywood, onde a ambição, o fracasso e o ego têm tanto peso como super-poderes.

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Simon Williams: um herói antes de ser herói

No centro da narrativa está Simon Williams, um aspirante a actor que luta para lançar a sua carreira num meio ferozmente competitivo. Simon é talento em bruto, mas ainda invisível — um rosto entre milhares à procura da oportunidade certa. Essa oportunidade surge de forma inesperada quando cruza o caminho de Trevor Slattery, actor em queda livre cuja fama pertence claramente ao passado.

O encontro entre estes dois homens, em extremos opostos da carreira, desencadeia uma descoberta improvável: o lendário e excêntrico realizador Von Kovak está a preparar um remake de Wonder Man, um antigo filme de super-heróis. De repente, o cinema dentro do cinema torna-se o verdadeiro palco da série.

Uma história sobre papéis — dentro e fora do ecrã

Wonder Man joga deliberadamente com camadas de ficção. Simon e Trevor não estão apenas a disputar um papel num filme fictício; estão a lutar por relevância, redenção e reconhecimento. A série explora a fragilidade da fama, o medo de ser esquecido e a obsessão de “chegar lá”, num meio onde o sucesso é volátil e implacável.

Ao mesmo tempo, o público é convidado a espreitar os bastidores da máquina de Hollywood: castings, egos inflados, decisões criativas absurdas e a tensão constante entre arte e indústria. Tudo isto filtrado pelo humor mordaz e autoconsciente que a Marvel tem vindo a afinar nos seus projectos mais recentes.

Uma Marvel diferente — e assumidamente meta

O grande trunfo de Wonder Man é assumir que o género dos super-heróis já tem história suficiente para brincar consigo próprio. A série não tenta reinventar o género pela acção, mas sim pelo comentário. É uma proposta que dialoga com o próprio público do MCU, convidando-o a rir, reflectir e reconhecer os clichés de um universo que conhece bem.

Sem abdicar do espectáculo, Wonder Man promete ser uma série mais adulta no discurso, mais subtil no tom e claramente interessada em explorar personagens — não apenas poderes.

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Estreia marcada

Com estreia marcada para 28 de JaneiroWonder Man posiciona-se como uma das apostas mais originais da Marvel no pequeno ecrã em 2026. Uma série sobre actores, filmes de super-heróis e o preço da ambição, onde o maior desafio pode não ser salvar o mundo… mas sobreviver a Hollywood.

Fevereiro no Cinemundo: um mês para cinéfilos sem pressa (e com memória)

Quando o frio aperta, o cinema responde à altura

Fevereiro pode ser curto, mas no Canal Cinemundo é um mês pensado para quem gosta de ficar — e sentir — até ao fim. A programação aposta numa combinação feliz entre estrelas consagradas, romances que atravessam décadas e filmes que marcaram gerações, daqueles que continuam a ganhar novas leituras sempre que regressam ao ecrã. É um Fevereiro para ver com tempo, atenção e aquela sensação confortável de rever velhos amigos.

Colin Farrell: a estrela do mês e um actor em permanente reinvenção

O grande destaque do mês é Colin Farrell, um actor que construiu a sua carreira a partir da recusa em ser previsível. Longe de se deixar prender a um único tipo de personagem, Farrell tem alternado entre superproduções, dramas intensos e cinema mais autoral, sempre com a mesma entrega física e emocional.

O especial Estrela do Mês ocupa as noites de sexta-feira, às 20h20, e traça um retrato sólido dessa versatilidade. Rumo à Liberdade abre o ciclo com uma narrativa de sobrevivência e resistência; Alexandre, o Grande mostra Farrell num dos papéis mais ambiciosos da sua carreira; Viúvas revela-o num registo mais contido, mas carregado de tensão; e Ava fecha o mês com um thriller moderno, seco e eficaz. Quatro filmes que ajudam a perceber porque é que Farrell continua a ser um nome incontornável do cinema contemporâneo.

Amores que não pedem licença ao tempo

Os domingos pertencem ao coração. O especial Amores por Entre Montes e Vendavais aposta em histórias que recusam a facilidade e preferem mostrar o amor como força transformadora — por vezes suave, outras vezes devastadora. Há romances clássicos como As Pontes de Madison County, onde cada silêncio pesa tanto como cada palavra, mas também títulos mais recentes que exploram o desejo, a imperfeição e as segundas oportunidades.

EiffelAlguém Tem Que Ceder e Viajantes: Instinto e Desejo convivem com propostas mais populares como Mr. & Mrs. Smith ou After – Depois do Desencontro, criando uma programação equilibrada entre romantismo adulto, paixão turbulenta e entretenimento puro. Filmes ideais para manhãs e tardes de domingo, quando o mundo pode esperar mais um pouco.

Lost in Translation: solidão, ligação e cinema no seu estado mais puro

Entre os filmes que merecem atenção especial este mês está Lost in Translation, uma obra que continua a tocar fundo em quem a revê. Realizado por Sofia Coppola, o filme é um estudo delicado sobre solidão, encontros improváveis e as ligações que nascem nos lugares mais inesperados.

Mais do que uma história de amor, Lost in Translation é um estado de espírito. A química entre Bill Murray e Scarlett Johansson, os silêncios carregados de significado e a cidade de Tóquio como personagem fazem deste filme uma escolha certeira para um público que aprecia cinema sensível, introspectivo e emocionalmente honesto. Um daqueles títulos que nunca perde força com o passar dos anos.

O Chacal: tensão clássica para quem gosta de thrillers à moda antiga

Outro regresso que fala directamente à memória cinéfila é O Chacal, um thriller tenso e eficaz que aposta na construção meticulosa do suspense. Com Bruce Willis num dos seus papéis mais frios e calculistas, o filme mantém um ritmo sólido e uma atmosfera de ameaça constante que o tornam perfeito para uma sessão nocturna.

O Chacal pertence a uma linhagem de thrillers que confiam mais na narrativa e na tensão psicológica do que no excesso de efeitos. É cinema de género bem feito, directo, e que continua a funcionar precisamente porque respeita o espectador.

Um mês pensado para quem gosta de cinema — e de voltar a ele

Fevereiro no Canal Cinemundo não é apenas sobre novidades ou estrelas do momento. É também sobre memória, redescoberta e a certeza de que há filmes que ganham ainda mais peso quando regressam ao pequeno ecrã no momento certo. Entre Colin Farrell, amores impossíveis, encontros silenciosos em Tóquio e assassinos metódicos, o canal constrói uma grelha que respeita quem vê cinema como algo mais do que simples passatempo.

Porque, no fim de contas, há meses que pedem pressa — e há outros, como este, que pedem apenas que carreguemos no play e fiquemos.

O ciclo percorre algumas das personagens mais marcantes do actor: começa com Rumo à Liberdade (6 de Fevereiro), passa pelo épico histórico Alexandre, o Grande (13 de Fevereiro), mergulha no thriller dramático Viúvas (20 de Fevereiro) e termina com Ava (27 de Fevereiro). Quatro filmes, quatro registos distintos, e a prova definitiva de que Farrell nunca escolhe o caminho mais fácil.

Amores que resistem a tudo — domingos dedicados à paixão no grande ecrã

Se as sextas são de intensidade dramática, os domingos são entregues ao coração. O especial Amores por Entre Montes e Vendavais ocupa as manhãs e tardes de Fevereiro com histórias de paixão que desafiam o tempo, a distância e as escolhas impossíveis.

Entre os destaques estão EiffelAs Pontes de Madison CountyAlguém Tem Que Ceder e Viajantes: Instinto e Desejo, acompanhados por títulos como After – Depois do DesencontroO Amor é o Melhor RemédioMr. & Mrs. Smith e Resistir-lhe é Impossível. São filmes que falam de reencontros, despedidas, desejos adiados e sentimentos que teimam em não desaparecer — perfeitos para um domingo sem pressas.

Onde o cinema continua a acontecer

Com perto de 400 estreias por ano, ciclos dedicados a grandes nomes do cinema e uma programação que respeita o espectador exigente, o Canal Cinemundo continua a afirmar-se como um espaço onde o cinema é tratado com paixão e variedade. Fevereiro é apenas mais uma prova de que, quando o frio aperta lá fora, o melhor lugar pode muito bem ser o sofá — desde que esteja sintonizado no canal certo 🎬.

Uma nova curta pode nascer no meio do Atlântico: MiratecArts lança a segunda edição do Prémio Curta Pico

Um anúncio feito em noite de cinema e celebração

MiratecArts anunciou oficialmente a segunda edição do Prémio Curta Pico, reforçando o seu compromisso com a criação cinematográfica nos Açores e, em particular, na ilha do Pico. O anúncio foi feito na noite de abertura do Montanha Pico Festival, no Auditório Municipal das Lajes do Pico, num momento que serviu também para celebrar o percurso internacional do vencedor da primeira edição do prémio.

A ocasião contou com a apresentação de First Date, da autoria de Luís Filipe Borges, uma curta-metragem que rapidamente se transformou num verdadeiro cartão-de-visita do talento emergente apoiado pelo Prémio Curta Pico.

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Um prémio pensado para filmar a ilha — e com a ilha

O Prémio Curta Pico é um projecto da MiratecArts com investimento directo dos três municípios da ilha montanha, num raro e significativo exemplo de cooperação cultural intermunicipal. Na apresentação estiveram presentes representantes das três autarquias: Catarina Manito, presidente da Câmara Municipal da Madalena, Susana Vasconcelos, vice-presidente da Câmara Municipal de São Roque do Pico, e Amílcar Goulart, vereador da Câmara Municipal das Lajes do Pico, acompanhados por Terry Costa, presidente da associação MiratecArts.

O concurso destina-se a realizadores, produtores ou produtoras que apresentem uma ideia para a rodagem de uma curta-metragem de ficção a filmar na ilha do Pico. O regulamento privilegia propostas que tenham a ilha como centro narrativo — seja pela sua história, tradições, paisagens, comunidades ou mesmo pela montanha enquanto personagem cinematográfica.

Um processo em duas fases e um olhar profissional

A selecção decorre em duas fases bem definidas. Numa primeira etapa, as propostas serão avaliadas por um júri composto por três elementos, um representante de cada município da ilha do Pico. Os projectos finalistas serão depois convidados a avançar para a segunda fase, onde terão de desenvolver a pré-produção da curta-metragem, incluindo equipa, orçamento e guião.

Nesta fase final, as propostas serão avaliadas por um júri de profissionais do sector audiovisual, sendo escolhida apenas uma ideia vencedora. O projecto seleccionado será anunciado em Janeiro de 2027, ano em que a curta-metragem será produzida e finalizada, com antestreia marcada para o Montanha Pico Festival 2028.

“Este é o plano para a segunda edição do Prémio Curta Pico”, sublinhou Terry Costa, destacando a ambição de continuar a criar cinema a partir da ilha, mas com alcance internacional.

Um exemplo de sucesso que continua a viajar

O impacto do prémio é já visível. First Date, vencedor da primeira edição, foi exibido em cerca de 50 festivais, em 16 países, e arrecadou 21 prémios, mantendo-se actualmente em circuito de distribuição no seu segundo ano. Um percurso que confirma a importância de iniciativas estruturadas de apoio à criação cinematográfica fora dos grandes centros urbanos.

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O regulamento e o documento oficial de candidatura estão disponíveis em www.picofestival.com, estando a MiratecArts aberta ao contacto de criadores interessados. O Montanha Pico Festival prossegue até 29 de Janeiro, com sessões regulares nas Lajes do Pico, São Roque e Madalena, reforçando o Pico como território vivo de cinema.

Quando o Cinema Enfrenta a Terra: A Savana e a Montanha abre “O Melhor de Portugal” no Montanha Pico Festival

Um filme que nasce do conflito real e se transforma em gesto colectivo

A comunidade de Covas do Barroso, no norte de Portugal, viveu um choque que mudou para sempre a sua relação com a terra. A descoberta de que a empresa britânica Savannah Resources planeava ali instalar a maior mina de lítio a céu aberto da Europa, praticamente à porta de casa, gerou um sobressalto que rapidamente se transformou em resistência. É dessa tensão, profundamente enraizada na realidade, que nasce A Savana e a Montanha, o mais recente filme de Paulo Carneiro, que abre a secção “O Melhor de Portugal” da 12.ª edição do Montanha Pico Festival.

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A sessão de abertura acontece na quinta-feira, 15 de Janeiro, às 21h00, no Auditório Municipal das Lajes do Pico, e promete ser um dos momentos mais marcantes desta edição do festival açoriano dedicado à cultura montanhosa.

Um documentário híbrido entre o real, o mítico e o cinematográfico

Paulo Carneiro define o filme como uma “reconstituição, reinvenção ou reinterpretação” dos acontecimentos vividos pela comunidade. Mas A Savana e a Montanha vai muito além do documentário clássico. Entre canções populares, encenações colectivas e referências visuais ao western, são os próprios habitantes que representam a sua luta, transformando a resistência num acto artístico e político ao mesmo tempo.

Este cruzamento entre cinema, teatro popular e memória colectiva confere ao filme uma identidade singular, onde o gesto cinematográfico não observa à distância, mas participa. O povo não é objecto do olhar da câmara: é autor, intérprete e força motriz da narrativa.

Um percurso internacional impressionante

Depois da estreia na Quinzena dos Realizadores de 2024, em França, A Savana e a Montanha iniciou um percurso internacional notável. O filme passou por dezenas de festivais e acumulou distinções em vários continentes, incluindo Menções Especiais em Melgaço e Valladolid, bem como prémios de público e de júri na Índia, Coreia do Sul, Timor-Leste e Turquia. Um reconhecimento que confirma a força universal de uma história profundamente local.

Este sucesso consolida a trajectória de Paulo Carneiro, que se estreou na longa-metragem com Bostofrio (2018), também exibido no Montanha Pico Festival, numa ligação afectiva que agora se renova.

“O Melhor de Portugal”: um retrato do cinema nacional recente

A secção “O Melhor de Portugal” é o grande foco desta edição do festival e reúne cinco obras estreadas nos últimos dois anos, escolhidas pelo director artístico Terry Costa com base no mérito criativo e impacto cultural. Além de A Savana e a Montanha, o público poderá ver Banzo de Margarida Cardoso, Grand TourO Teu Rosto Será o Último e Hanami.

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Até 29 de Janeiro, o Montanha Pico Festival espalha-se por três ecrãs da ilha do Pico, apresentando 35 obras — de curtas a longas-metragens — num programa que confirma o festival como um espaço singular de encontro entre cinema, território e identidade.