Jamie Lee Curtis viu uma fotografia em 1984 — e decidiu ali mesmo com quem iria casar

Uma história de amor improvável que dispensou drama, pressa e espectáculo

Em 1984, Jamie Lee Curtis já era uma estrela de Hollywood. Tinha conquistado o público com Halloween, afirmado o seu carisma em Trading Places e circulava com naturalidade numa indústria que raramente recompensa certezas. Foi nesse ano que protagonizou um dos momentos mais improváveis — e mais reveladores — da sua vida pessoal.

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A folhear uma revista, Curtis deteve-se numa fotografia de um actor caracterizado num filme satírico. Sem o conhecer, sem nunca o ter visto ao vivo, apontou para a imagem e disse a um amigo, com absoluta convicção: “Vou casar com aquele homem.” Não houve romantização nem hesitação. Apenas instinto.

O homem era Christopher Guest.

Quando o instinto não precisa de plano

Curtis não transformou a decisão num gesto teatral. Contactou o agente do actor, deixou o seu número de telefone e seguiu com a sua vida. Durante dias, nada aconteceu. Depois, o telefone tocou. Encontraram-se para jantar em Los Angeles. A conversa fluiu com naturalidade. O humor alinhou-se. Não houve jogos, nem pressa, nem personagens encenadas.

Algo encaixou de forma silenciosa.

Dois meses depois, Christopher Guest pediu-a em casamento. A 18 de Dezembro de 1984, casaram-se de forma discreta, longe do ruído mediático e do espectáculo que normalmente acompanha relações entre figuras públicas. Mais tarde, Jamie Lee Curtis resumiria tudo numa única palavra: instinto.

Dois criadores, dois ritmos — um equilíbrio raro

A relação nunca seguiu o modelo clássico de Hollywood. Curtis era uma actriz de enorme visibilidade; Guest movia-se noutro registo criativo, construindo uma carreira marcada pela sátira, pela observação e pelo tempo. Nunca competiram entre si. Complementaram-se.

Ela, intensa e frontal. Ele, paciente e meticuloso. Como o próprio explicaria anos mais tarde, Curtis vê o mundo a cores; ele pensa em esboços. Juntos, completam a imagem.

Gestos simples, impacto profundo

Há um episódio que define melhor do que qualquer declaração pública a natureza desta relação. Durante as filmagens de A Fish Called Wanda, em Londres, Christopher Guest atravessou o Atlântico apenas para jantar com a mulher — regressando no dia seguinte. Não houve anúncios, nem fotógrafos, nem narrativa construída. Apenas presença.

Curtis descreveu esse momento como um dos gestos mais íntimos da sua vida.

O casal adoptou dois filhos, Annie e Thomas, e construiu uma família assente em estrutura, humor e honestidade. Quando Guest herdou um título da aristocracia britânica, tornando Curtis tecnicamente uma baronesa, ela reagiu com humor: só teria interesse se viesse acompanhado de uma tiara.

Amor sem ruído — e por isso duradouro

Jamie Lee Curtis falou sempre com franqueza sobre a sua luta contra a dependência e sobre o processo de recuperação. Nunca atribuiu ao marido um papel salvador. Christopher Guest não a consertou. Ficou. Escutou. Soube quando apoiar e quando dar espaço.

Num mundo obcecado com drama, exposição e relações transformadas em espectáculo, a história de Jamie Lee Curtis e Christopher Guest destaca-se precisamente pelo contrário. Começou com uma fotografia. Durou porque nenhum dos dois virou costas quando o entusiasmo inicial deu lugar à vida real.

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Quatro décadas depois, Jamie Lee Curtis continua grata por ter confiado naquele primeiro impulso. Nem todos os instintos são certeiros. O dela foi.

James Wan mostra-se disponível para realizar Avatar 4 se James Cameron decidir afastar-se

Um possível novo capitão para a saga mais lucrativa do cinema

Ainda não é oficial que Avatar 4 vá mesmo acontecer, mas o futuro da saga criada por James Cameron continua a gerar movimentações nos bastidores de Hollywood. Enquanto a Disney avalia os próximos passos da franquia, surge agora um nome de peso disponível para assumir a realização caso Cameron decida reduzir o seu envolvimento criativo: James Wan.

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O realizador de Aquaman e de várias das sagas de terror mais bem-sucedidas das últimas duas décadas revelou, em entrevista ao Screen Rant, que gostaria de “experimentar” o universo Avatar, caso Cameron opte por passar o testemunho. Wan foi claro: nunca trabalhou na franquia, mas ficaria entusiasmado com a possibilidade de colaborar directamente com o criador da saga.

Cameron pondera afastar-se… mas não completamente

James Cameron já tinha admitido publicamente que, caso Avatar 4 avance, poderá não assumir sozinho todas as responsabilidades da realização. O cineasta explicou recentemente que tem vindo a delegar cada vez mais tarefas a equipas de segunda unidade, especialmente no domínio da captação virtual e da performance capture — um processo que dominou pessoalmente nos primeiros filmes da saga.

Segundo Cameron, esse modelo permite-lhe definir a visão criativa e regressar depois na fase de montagem, libertando-se do desgaste diário do plateau. Uma transição progressiva que abre espaço para outros realizadores colaborarem mais activamente, sem que o ADN da saga se perca.

James Wan: do terror ao clube dos mil milhões

Embora seja sobretudo associado ao cinema de terror — com franquias como The ConjuringSaw e Insidious — James Wan já provou saber lidar com superproduções de grande escala. Aquaman arrecadou cerca de 1,15 mil milhões de dólares em todo o mundo, colocando o realizador no restrito “clube dos mil milhões”.

Além disso, Wan tem um currículo sólido como produtor, com sucessos recentes como M3GAN, demonstrando uma versatilidade rara entre cinema de autor, terror comercial e blockbusters de estúdio.

Tudo depende do sucesso de Fire and Ash

A continuidade da saga está, no entanto, diretamente ligada ao desempenho de Avatar: Fire and Ash. Cameron foi franco ao admitir que Avatar 3 pode ser o último capítulo, caso o público deixe de responder ao apelo das grandes experiências cinematográficas.

Até ao momento, os números são difíceis de ignorar. Em apenas 18 dias, Fire and Ash ultrapassou a barreira dos mil milhões de dólares em bilheteira mundial, confirmando que, mesmo com críticas menos entusiásticas, o público continua a aderir em massa ao universo de Pandora. Embora deva terminar abaixo dos valores históricos de The Way of Water (2,3 mil milhões) e do filme original (2,9 mil milhões), continua a ser um sucesso esmagador.

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Perante estes resultados, é difícil imaginar a Disney a abdicar de uma franquia que continua a gerar receitas colossais. Se Avatar 4 avançar, a grande incógnita já não é “se”, mas “quem” estará na cadeira de realizador — e James Wan acaba de se colocar oficialmente na corrida.

Hugh Jackman é um fora-da-lei assassino no violento The Death of Robin Hood

A lenda reinventada sob um manto de sangue, culpa e redenção

Esqueçam o arqueiro romântico que roubava aos ricos para dar aos pobres. Em The Death of Robin Hood, a nova aposta da A24, a lenda inglesa surge despida de idealismo e mergulhada numa escuridão raramente explorada no grande ecrã. O trailer agora revelado mostra Hugh Jackman como um Robin Hood envelhecido, violento e profundamente assombrado pelo seu passado — um homem mais próximo de um criminoso de guerra do que de um herói popular.

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O filme é escrito e realizado por Michael Sarnoski, cineasta que conquistou a crítica com Pig e que regressa agora a uma abordagem intimista, brutal e existencialista de um mito conhecido de todos. A estreia está prevista para ainda este ano, embora a data exacta não tenha sido, para já, anunciada.

Um Robin Hood marcado por crime e arrependimento

Nesta versão, Robin Hood é apresentado como um fora-da-lei cuja vida foi moldada pelo assassinato e pela violência. “Matei tantos que já nem os consigo contar”, confessa a personagem de Jackman no trailer, numa das frases mais perturbadoras do avanço. A noção de herói é substituída por uma reflexão amarga sobre culpa, memória e legado.

A oportunidade de redenção surge com uma mulher misteriosa interpretada por Jodie Comer, que salva Robin após uma batalha particularmente violenta. A relação entre ambos parece assentar mais na dor partilhada do que em qualquer romance clássico, reforçando o tom trágico da narrativa.

Segundo Sarnoski, o cerne do filme está precisamente no choque entre a realidade e o mito: um homem que viveu o suficiente para assistir à romantização da sua própria violência, transformado em símbolo de justiça quando sabe, melhor do que ninguém, o monstro que foi.

Um elenco de peso para uma visão sombria

Além de Jackman e Comer, o elenco conta com Bill SkarsgårdMurray BartlettNoah Jupe e o jovem Elijah Ungvary. Embora os detalhes sobre as personagens secundárias ainda sejam escassos, o trailer sugere um mundo brutal, dominado por violência crua e dilemas morais.

A produção está a cargo do próprio Jackman, juntamente com Alexander Black, Aaron Ryder e Andrew Swett, reforçando o envolvimento criativo do actor num projecto que parece feito à medida da sua fase mais madura.

Uma desconstrução do herói clássico

Em declarações recentes, Sarnoski explicou que o seu Robin Hood é “um fora-da-lei assassino que fez coisas terríveis”, alguém que agora tem de lidar com o facto de ser lembrado como herói. É uma abordagem que encaixa perfeitamente na linha editorial da A24, conhecida por desconstruir géneros e figuras arquetípicas, preferindo zonas cinzentas a narrativas confortáveis.

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Com The Death of Robin Hood, tudo indica que estamos perante uma revisão radical de um dos mitos mais reutilizados da história do cinema — menos conto popular, mais tragédia existencial. E, pelo que o trailer revela, dificilmente será um filme para espectadores à procura de conforto.

A nova série Tomb Raider da Amazon já tem elenco completo — e mistura rostos icónicos com novas apostas

Lara Croft prepara-se para regressar com uma equipa de luxo

Depois de um desenvolvimento longo e algo silencioso, a aguardada série Tomb Raider, produzida pela Amazon para a Prime Video, começa finalmente a ganhar forma concreta. A plataforma confirmou esta semana o elenco secundário que vai acompanhar Sophie Turner na pele de Lara Croft, numa nova adaptação televisiva da mítica saga de videojogos.

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O projecto é liderado por Phoebe Waller-Bridge, que assume funções de criadora e produtora executiva, e promete equilibrar respeito pela mitologia clássica de Tomb Raider com personagens totalmente novas, pensadas de raiz para esta encarnação televisiva.

Personagens clássicas regressam… com novas caras

Entre os nomes que vão soar familiares aos fãs mais antigos da franquia está Zip, o jovem génio tecnológico e hacker que surge em várias fases da série de jogos. O personagem será interpretado por Martin Bobb-Semple, que já lhe tinha dado voz na série animada The Legend of Lara Croft.

Outro regresso incontornável é o de Winston, o mordomo de longa data da família Croft, presença recorrente desde os primeiros jogos até à chamada era “survivor”. Desta vez, Winston será interpretado por Bill Paterson.

A completar o trio de personagens herdadas dos videojogos surge Atlas DeMornay, tio de Lara e figura central em Rise of the Tomb Raider, papel que ficará a cargo de Jason Isaacs.

Sigourney Weaver lidera um grupo de novas personagens

A grande surpresa do anúncio é a presença de Sigourney Weaver, que interpretará Evelyn Wallis, uma figura enigmática e poderosa, aparentemente interessada em explorar os talentos de Lara Croft. Tudo indica que será uma das principais antagonistas da série.

O elenco de novas personagens inclui ainda Jack Bannon como Gerry, o piloto pessoal de Lara; John Heffernan e Paterson Joseph como dois altos funcionários governamentais envolvidos nos estragos colaterais das aventuras de Lara; e Sasha Luss, que dará vida a uma rival feroz e competitiva.

Completam o elenco Juliette Motamed, Celia Imrie e August Wittgenstein, cujas personagens estão ligadas ao Museu Britânico, ao submundo do tráfico ilegal de artefactos e ao passado pessoal de Lara.

Uma nova era para Tomb Raider

Em comunicado, Phoebe Waller-Bridge mostrou-se entusiasmada com o elenco reunido, sublinhando o desejo de honrar personagens icónicas enquanto introduz “novos patifes” ao universo da série. As filmagens deverão arrancar em breve, coincidindo com uma nova fase da franquia nos videojogos, que inclui um remake do título original ainda este ano e Tomb Raider: Catalyst, previsto para 2027.

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Para os fãs, tudo indica que Lara Croft está prestes a regressar em grande — mais complexa, mais rodeada de intrigas políticas e culturais, e com uma galeria de personagens à altura da sua lenda.

O caso Mickey Rourke: GoFundMe polémico, despejo iminente e um actor perdido entre orgulho e necessidade

Um pedido de ajuda que virou tempestade mediática

Foram apenas 48 horas, mas suficientes para expor de forma brutal a fragilidade actual de Mickey Rourke, um dos rostos mais emblemáticos do cinema norte-americano dos anos 80 e protagonista de um dos regressos mais aplaudidos de Hollywood com The Wrestler. Aos 73 anos, o actor viu-se confrontado com a ameaça de despejo da casa onde vivia há mais de uma década, em Los Angeles, numa situação que rapidamente degenerou num episódio público desconfortável — para ele e para quem tentou ajudá-lo.

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Sem liquidez imediata, a sua agente de longa data, Kimberly Hines, decidiu agir. Juntamente com um assistente, lançou uma campanha de emergência no GoFundMe, com o objectivo de evitar que Rourke ficasse sem tecto. A resposta foi imediata e avassaladora: em menos de 24 horas, a campanha aproximava-se dos 100 mil dólares.

A reacção de Rourke e a recusa pública da “caridade”

O que parecia um gesto solidário rapidamente se transformou numa polémica quando o actor publicou um vídeo no Instagram, afirmando não ter conhecimento do angariar de fundos e classificando a iniciativa como “humilhante”. Mais: garantiu que iria devolver “cada cêntimo” doado pelos fãs.

Segundo Kimberly Hines, essa reacção resultou de um choque tardio com a dimensão mediática do caso. Rourke teria inicialmente concordado com a ajuda, sem perceber o impacto público que o GoFundMe iria ter. Quando a história chegou à imprensa internacional, o orgulho falou mais alto. Para o actor, aceitar dinheiro de fãs passou a ser sinónimo de caridade — algo que recusou frontalmente.

Uma situação habitacional insustentável

Os detalhes revelados pela agente ajudam a compreender a gravidade do cenário. A casa de onde Rourke foi retirado encontrava-se, segundo descreve, em condições impróprias para habitação: bolor negro, danos causados por água, ausência de água corrente e electrodomésticos avariados. Grande parte do mobiliário foi considerada irrecuperável.

O actor encontra-se provisoriamente instalado num hotel em West Hollywood, acompanhado pelos seus três cães, enquanto um pequeno apartamento em Koreatown foi alugado para servir de residência temporária. Todas estas despesas — hotel, mudanças, armazém, transporte e logística — estão a ser suportadas, para já, pela equipa de gestão.

Dinheiro, orgulho e uma carreira irregular

A situação financeira de Rourke não é resultado de um único evento, mas de décadas de má gestão, generosidade excessiva e uma carreira errática. Segundo Hines, o actor nunca teve grande relação com contas bancárias, cartões de crédito ou planeamento financeiro. Viveu muitas vezes “cheque a cheque”, alternando períodos de abundância com fases de total escassez.

Nos últimos anos, recusou projectos por não querer comprometer-se artisticamente, o que reduziu drasticamente os seus rendimentos. Ironia das ironias: a exposição mediática do GoFundMe trouxe-lhe, em apenas dois dias, quatro novas propostas de filmes — algo que não acontecia há muito tempo.

Um drama humano longe do glamour de Hollywood

Para lá do ruído mediático, o caso de Mickey Rourke expõe uma realidade desconfortável: a de um actor lendário, isolado, envelhecido e vulnerável. Segundo a agente, passa datas festivas sozinho, tem poucos apoios pessoais e depende quase exclusivamente da sua equipa profissional.

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Se o dinheiro do GoFundMe será devolvido ou não, permanece uma incógnita. O que é certo é que a situação levantou questões incómodas sobre fama, envelhecimento, orgulho e a forma como Hollywood trata — ou esquece — os seus antigos ícones.

Dacre Montgomery afastou-se de Hollywood no auge de Stranger Things. Agora regressa nos seus próprios termos

Do estrelato súbito ao silêncio voluntário

Quando a segunda temporada de Stranger Things estreou em 2017, Dacre Montgomery tinha apenas 22 anos e via o seu nome espalhar-se a uma velocidade vertiginosa. A interpretação intensa de Billy Hargrove transformou-o num dos rostos mais comentados da série e num novo “vilão de culto” da cultura pop televisiva. Tudo indicava que Hollywood tinha encontrado mais uma estrela pronta a ser explorada até à exaustão. Mas Montgomery fez precisamente o contrário do esperado: saiu de cena.

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O actor australiano regressou a Perth, a sua cidade natal, e recusou praticamente todos os convites que lhe surgiram durante quase quatro anos. Um afastamento consciente, motivado por um desconforto profundo com a exposição súbita. Segundo o próprio, a fama trouxe uma fragilidade emocional para a qual não estava preparado, tornando necessário proteger-se antes que o sucesso o consumisse por completo.

Um telefonema inesperado de Gus Van Sant

Há nomes, porém, capazes de quebrar silêncios autoimpostos. Um deles é Gus Van Sant. Sete anos após o seu último filme, o realizador decidiu regressar com Dead Man’s Wire e escolheu Montgomery para um dos papéis principais, depois de ter visto — e ficado impressionado — com o famoso self-tape de audição do actor para Stranger Things, já lendário entre profissionais da indústria.

No filme, Montgomery contracena com Bill Skarsgård, num thriller inspirado num caso real de 1977, centrado no rapto de um poderoso banqueiro e no impasse mediático que se seguiu. Dead Man’s Wire estreia em salas seleccionadas e aposta num tom contido, desconfortável e deliberadamente provocador — características que o tornam um ponto de regresso simbólico para um actor que reaprendeu a ter paciência.

Um regresso feito de aprendizagem e limites

Trabalhar com Skarsgård revelou-se, para Montgomery, tão desafiante fora de cena como dentro dela. Conhecido pela sua intensidade quase obsessiva em preparação, o actor admite que tende a isolar-se durante as filmagens. O colega sueco forçou-o a quebrar essa barreira, lembrando-lhe que a acessibilidade emocional também faz parte do trabalho de actor. Uma lição inesperada, mas transformadora.

O afastamento de Hollywood permitiu-lhe redefinir prioridades. Longe do ruído mediático, Montgomery percebeu que não queria aceitar projectos por impulso, dinheiro ou visibilidade. Queria trabalhar com realizadores e personagens que justificassem o investimento pessoal total que coloca em cada papel. E isso mudou tudo.

O futuro longe da obsessão pela fama

Apesar do impacto que Stranger Things teve na sua vida, Montgomery olha para a série com gratidão e não com arrependimento, reconhecendo-a como um período formativo essencial. Ainda assim, deixa claro que a fama não é, nem nunca foi, o motor da sua carreira.

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Recentemente, deu outro passo decisivo ao concluir as filmagens da sua primeira longa-metragem como realizador, um projecto preparado ao longo de uma década. Para ele, cada trabalho é encarado como se fosse o último — uma filosofia radical, mas libertadora. Se um dia se retirar definitivamente, fá-lo-á em paz, sabendo que nunca esteve ali por vaidade, mas por entrega total.

Não encontrámos data de estreia de Dead Man’s Wire confirmada para Portugal, mas sabemos que vai passar no LEFFEST em Lisboa algures entre os dias 6 e 15 de Novembro em Lisboa,

Morreu Béla Tarr, o cineasta que mudou o ritmo do cinema moderno

Figura maior do cinema húngaro tinha 70 anos e deixa uma obra radical e influente

O realizador húngaro Béla Tarr, uma das figuras mais marcantes e influentes do cinema europeu contemporâneo, morreu esta terça-feira, aos 70 anos, vítima de doença prolongada. A notícia foi confirmada pela agência noticiosa húngara MTI e divulgada publicamente pelo cineasta Bence Fliegauf, em nome da família.

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Autor de uma filmografia curta, mas profundamente impactante, Béla Tarr tornou-se uma figura de culto graças a um cinema austero, exigente e radical, que reformulou a linguagem cinematográfica e colocou a Hungria no centro do mapa do cinema independente mundial. O seu estilo, marcado por planos longos, narrativas dilatadas e um pessimismo existencial profundo, influenciou gerações de realizadores em todo o mundo.

Um cinema contra a pressa e contra as concessões

A obra mais emblemática de Béla Tarr é O Tango de Satanás, adaptação do romance homónimo de László Krasznahorkai, com quem manteve uma colaboração artística duradoura. Com mais de sete horas de duração, o filme é um retrato implacável do colapso moral e social no pós-comunismo da Europa de Leste e tornou-se um marco incontornável da história do cinema.

Na altura do seu lançamento, o filme dividiu públicos, mas conquistou defensores fervorosos. A escritora norte-americana Susan Sontag descreveu-o como “devastador e absorvente” e afirmou que ficaria feliz por o ver “todos os anos, pelo resto da vida”.

O jornal britânico The Guardian escreveu, ainda em 2001, que o cinema de Tarr “exige paciência do seu público”, uma característica que o realizador nunca tentou suavizar ou contornar.

Influência internacional e ligação a Portugal

Apesar de profundamente enraizado na realidade húngara, o impacto de Béla Tarr foi global. Realizadores como Alexander SokurovApichatpong WeerasethakulPedro Costa e André Gil Mata reconheceram a sua influência directa.

O cineasta manteve uma relação próxima com Portugal, tendo estado no país em várias ocasiões. Em 2016, esteve em Espinho a convite do FEST – Novos Realizadores, Novo Cinema, e já anteriormente tinha sido homenageado pela Cinemateca Portuguesa, que lhe dedicou uma retrospetiva no final dos anos 1990 e um novo ciclo em 2016.

O fim da filmografia e o reconhecimento tardio

O último filme de Béla Tarr foi O Cavalo de Turim, novamente em colaboração com Krasznahorkai. Após essa obra, o realizador anunciou o fim da sua carreira no cinema, passando a dedicar-se ao ensino entre Budapeste e Sarajevo até 2017.

Em 2023, recebeu o Prémio de Carreira da Academia Europeia de Cinema, um reconhecimento tardio, mas consensual, de uma obra que sempre recusou compromissos fáceis.

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Com a morte de Béla Tarr, o cinema perde um dos seus autores mais rigorosos, incómodos e essenciais — um criador que obrigou o espectador a abrandar, a olhar e a permanecer.

La Ruta – Conquistar a Noite regressa com uma segunda temporada ainda mais intensa

Ibiza, música electrónica e choques geracionais marcam o novo capítulo da série espanhola

Depois de uma estreia que conquistou público e crítica no último verão, La Ruta – Conquistar a Noite está de volta aos ecrãs portugueses com a sua segunda temporada, prometendo elevar ainda mais a intensidade emocional e musical da narrativa. A nova temporada estreia esta quinta-feira, 8 de Janeiro, às 22h10, em exclusivo no TVCine Edition e no TVCine+, dando continuidade ao retrato vibrante de uma geração moldada pela noite, pela música electrónica e por uma ideia quase absoluta de liberdade

Se a primeira temporada mergulhava no fenómeno da Ruta Destroy e nas noites intermináveis de Valência, a segunda desloca a acção para um novo epicentro do hedonismo europeu: Ibiza, em 1996. A ilha transforma-se na capital mundial da música electrónica, mas a mudança de cenário traz também novos conflitos e desafios para as personagens que o público já conhece.

DJs espanhóis contra promotores britânicos

Em Ibiza, o domínio até então quase absoluto dos DJs espanhóis é posto em causa com a chegada de promotores britânicos, que começam a impor novas regras, estéticas e dinâmicas de poder na noite da ilha. Este confronto cultural e profissional obriga os protagonistas a reinventarem-se, a provar o seu valor e a lutar pelo reconhecimento numa cena cada vez mais competitiva e globalizada.

No centro desta nova fase está Marc Ribó, que enfrenta não só a transformação da indústria musical, mas também questões pessoais mal resolvidas. Numa noite decisiva, reencontra Vicky, uma antiga amiga e empregada de mesa que não via há meses. Este reencontro reabre feridas do passado e reacende uma ligação emocional que terá impacto profundo no percurso de ambos fileciteturn1file0.

Música, família e passagem de testemunho

Um dos temas centrais desta segunda temporada é a relação entre pais e filhos e a forma como a música atravessa gerações, criando pontes mas também conflitos. La Ruta – Conquistar a Noite não se limita a retratar pistas de dança e excessos noturnos; a série olha para o impacto dessas escolhas na vida pessoal, familiar e emocional das personagens.

Entre rivalidades inesperadas, amanheceres intensos e decisões que mudam destinos, a narrativa acompanha a evolução do movimento musical e das personagens para uma nova fase de maturidade — ainda que nem todos estejam preparados para crescer.

Um elenco forte e uma série premiada

A realização continua a cargo de Borja Soler, mantendo a identidade visual e o realismo que marcaram a primeira temporada. O elenco regressa em força, com Àlex MonnerClaudia SalasRicardo GómezElisabet Casanovas e Guillem Barbosa, a que se juntam novas personagens determinantes para o rumo da história.

Vencedora de prémios como o Feroz e o Ondas para Melhor Série Dramática, La Ruta – Conquistar a Noite afirma-se como um retrato autêntico de uma geração que viveu a noite no limite. Uma série imperdível para quem se deixou envolver pelo fenómeno Ruta Destroy — e para quem quer perceber como a música electrónica ajudou a definir uma era.

Estreia: 8 de Janeiro, quinta-feira, às 22h10

Onde ver: TVCine Edition e TVCine+