As Figuras Que Perdemos em 2025: Um Ano de Despedidas no Cinema, na Televisão e na Cultura Popular

De ícones de Hollywood a gigantes do teatro e do cinema europeu, 2025 ficou marcado por perdas profundas

O ano de 2025 ficará para sempre associado a uma sucessão de despedidas marcantes no mundo da cultura. Cinema, televisão, teatro e música perderam algumas das suas figuras mais reconhecidas, artistas cuja obra atravessou décadas, moldou gerações e ajudou a definir aquilo que hoje entendemos como património cultural contemporâneo.

Entre os nomes que nos deixaram estão actores lendários de Hollywood, realizadores influentes, intérpretes que marcaram a televisão britânica e figuras centrais do cinema europeu. Alguns eram sinónimo de glamour, outros de ousadia artística, outros ainda de humor e humanidade. Todos, sem excepção, deixaram uma marca duradoura.

Hollywood despede-se de alguns dos seus rostos mais icónicos

Robert Redford foi um dos nomes mais sonantes a desaparecer em 2025. Actor e realizador premiado, protagonizou dezenas de filmes essenciais e construiu uma imagem que se tornou sinónimo do próprio ideal de estrela de cinema americana. Para lá dos papéis memoráveis, deixou um legado duradouro com a criação do Festival de Sundance, espaço fundamental para o cinema independente.

Diane Keaton, vencedora de um Óscar e presença incontornável do cinema das décadas de 70 e 80, foi outra das perdas sentidas. O seu trabalho em dramas e comédias, aliado a uma personalidade artística singular, fez dela uma figura única no panorama cinematográfico.

Gene Hackman, um dos grandes actores da sua geração, deixou igualmente um vazio difícil de preencher. Capaz de alternar entre dureza e ironia, venceu dois Óscares e construiu uma filmografia onde cabem alguns dos personagens mais complexos e humanos do cinema americano.

Val Kilmer, por muitos considerado “o grande protagonista subestimado da sua geração”, teve uma carreira marcada por escolhas ousadas e por uma relação difícil com a indústria. A sua despedida emocionou particularmente o público após o seu regresso simbólico a Top Gun, já profundamente afectado pela doença.

Actor Val Kilmer visits the United Nations headquarters in New York City, New York to promote the 17 Sustainable Development Goals (SDGs) initiative, July 20, 2019. (Photo by EuropaNewswire/Gado/Getty Images)

A televisão perde vozes e presenças irrepetíveis

No universo da televisão, a morte de Isiah Whitlock Jr. marcou profundamente os fãs de séries de culto. O actor ficou para sempre ligado a The Wire, onde deu vida a uma das personagens mais carismáticas da série, equilibrando corrupção, humor e humanidade com rara precisão.

Malcolm-Jamal Warner, eternamente associado a The Cosby Show, representou para muitos espectadores uma infância televisiva inteira. A sua carreira estendeu-se muito para lá dessa série, mas foi ali que se tornou um rosto familiar em milhões de lares.

Na televisão britânica, o desaparecimento de Prunella Scales e de Dame Patricia Routledge significou o fim de uma era. Ambas se tornaram imortais através de personagens cómicas que continuam a ser repetidas e celebradas, mas as suas carreiras estenderam-se muito além desses papéis mais populares.

Cinema europeu e internacional de luto

David Lynch foi, talvez, a perda artística mais singular do ano. Realizador de visão única, trouxe o surrealismo e o inconsciente para o centro do cinema mainstream. Filmes e séries como Twin Peaks mudaram definitivamente a linguagem audiovisual e continuam a influenciar criadores em todo o mundo.

Claudia Cardinale, uma das grandes musas do cinema italiano, representou o esplendor da idade de ouro europeia. A sua carreira atravessou mais de seis décadas e ligou-se a alguns dos maiores realizadores do século XX.

Brigitte Bardot, figura central da libertação feminina no cinema dos anos 50 e 60, teve uma vida pública tão intensa quanto controversa. Se a sua imagem mudou ao longo dos anos, o impacto cultural do seu percurso permanece incontornável.

Teatro, comédia e cultura popular

Dame Joan Plowright, uma das grandes damas do teatro britânico, deixou um legado que atravessou palco e ecrã, sempre com uma elegância rara. Pauline Collins, celebrizada por Shirley Valentine, foi outra actriz cuja carreira conciliou popularidade e reconhecimento crítico.

Terence Stamp, rosto marcante do cinema britânico desde os anos 60, teve uma carreira feita de reinvenções, passando de símbolo de “Swinging London” a vilão de grandes produções internacionais.

Stanley Baxter, mestre da comédia televisiva escocesa, encerrou uma carreira longa e extremamente popular, marcada pela versatilidade e pelo humor físico.

Graham Greene, actor canadiano de origem indígena, trouxe uma presença digna e profunda ao cinema americano, deixando personagens memoráveis em filmes de grande impacto emocional.

O adeus a um realizador que marcou gerações

Rob Reiner foi um dos cineastas mais queridos do grande público. Da comédia ao drama, construiu uma filmografia onde cabem alguns dos filmes mais acarinhados de sempre. A sua morte, envolta numa tragédia familiar de enorme violência, abalou profundamente Hollywood e abriu um debate que ultrapassou o cinema.

Um ano para recordar — e agradecer

2025 ficará registado como um ano de despedidas difíceis. Mas também como um momento de balanço e gratidão. As figuras que partiram deixaram obras que continuam vivas, revisitadas e transmitidas de geração em geração.

A morte fecha percursos, mas o cinema, a televisão e o teatro continuam a fazer aquilo que sempre fizeram melhor: lembrar-nos que estas vozes nunca desaparecem por completo.


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“A Vida é Dor Sem Ti”: Cary Elwes e Martin Scorsese Prestam Tributo a Rob Reiner Enquanto Autópsias Permanecem Sob Sigilo

Homenagens multiplicam-se ao realizador, num caso marcado pela tragédia familiar, polémica política e comoção em Hollywood

Mais de duas semanas após a morte violenta do realizador Rob Reiner e da sua mulher, a fotógrafa Michele Reiner, continuam a chegar homenagens sentidas de colegas, amigos e colaboradores que com eles trabalharam ao longo de décadas. Num momento em que o caso permanece envolto em forte tensão judicial e mediática, as palavras de quem conviveu de perto com Reiner ajudam a recentrar o foco na dimensão humana e artística do cineasta.

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Entre os tributos mais emocionados está o de Cary Elwes, protagonista de The Princess Bride, clássico absoluto da filmografia de Reiner. O actor explicou que só agora conseguiu encontrar forças para escrever publicamente sobre a perda.

“Passou tempo suficiente para conseguir finalmente pôr o meu luto em palavras”, escreveu Elwes, recordando o primeiro encontro com Reiner, quando tinha apenas 24 anos. Disse que se “apaixonou” de imediato pela sua energia, humanidade e sentido de humor, acrescentando que o realizador lhe deu, ao escolhê-lo para o filme, “as chaves do castelo”.

Um set marcado pelo riso — e pela empatia

Elwes partilhou imagens de bastidores de The Princess Bride e sublinhou que não se lembra “de um único dia sem gargalhadas”. Para o actor, o filme reflecte valores que Rob Reiner carregava consigo: amor, lealdade e sacrifício.

“Se eu conseguisse fazê-lo rir de volta, sentia que tinha ganho a lotaria”, escreveu, descrevendo a gargalhada de Reiner como um som que ainda ecoa na sua memória. “Era um homem que sentia profundamente, cheio de amor e compaixão. Não lhe interessava o dinheiro ou a origem social — só queria saber se eras uma boa pessoa.”

Elwes não esqueceu Michele Reiner, sublinhando que o casal formava uma equipa rara. “O meu coração continua a doer sempre que penso em vocês. Sei que esta dor não vai desaparecer.”

Concluiu com uma das frases mais icónicas de The Princess Bride:

“Claro que a morte não pode parar o verdadeiro amor… mas a vida é dor sem ti.”

Martin Scorsese recorda um amigo discreto e livre

Martin Scorsese também prestou homenagem a Rob Reiner, num texto onde recorda o primeiro contacto entre ambos, ainda nos anos 70. Scorsese descreveu uma afinidade imediata, sublinhando que Reiner era hilariante e mordaz quando queria, mas nunca alguém que precisasse de dominar a sala.

Tinha, segundo Scorsese, “um sentido de liberdade desinibido”, uma alegria genuína de viver o momento e uma gargalhada contagiante. Reiner trabalhou com Scorsese em The Wolf of Wall Street, onde interpretou o pai da personagem de Leonardo DiCaprio.

“Ele conseguia improvisar com os melhores”, escreveu Scorsese, elogiando o seu domínio da comédia e a compreensão profunda da condição humana da personagem: um pai orgulhoso do sucesso do filho, mas consciente de que a queda era inevitável.

Um caso sob forte controlo judicial

Enquanto as homenagens se sucedem, o processo judicial segue um rumo cada vez mais reservado. Um juiz do Tribunal Superior de Los Angeles determinou que os relatórios de autópsia de Rob e Michele Reiner fiquem sob sigilo, a pedido da polícia de Los Angeles. A ordem impede a divulgação pública de qualquer informação investigativa, notas, relatórios ou imagens relacionadas com o caso.

As autoridades já tinham confirmado que as mortes resultaram de homicídio, com referência a múltiplos ferimentos provocados por objectos cortantes. O filho do casal, Nick Reiner, foi acusado de dois crimes de homicídio em primeiro grau e encontra-se detido sem direito a fiança.

Polémica política agrava o luto

O caso ganhou ainda maior dimensão mediática após declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu a morte de Rob Reiner à sua postura crítica em relação a si. As palavras foram amplamente condenadas, incluindo por Joe Rogan, que considerou as declarações “decepcionantes” e desprovidas de empatia.

Rogan sublinhou que comentários desse género, sobretudo vindos de um presidente, revelam uma forma de pensar perigosa e desumanizante, defendendo que alguém deveria ter impedido Trump de se pronunciar publicamente naquele tom.

O legado permanece

No meio da violência, da polémica e do ruído político, as homenagens de Cary Elwes e Martin Scorsese funcionam como um contraponto essencial. Recordam Rob Reiner não apenas como um realizador de enorme importância para o cinema americano, mas como alguém cuja presença tornava os outros melhores — mais leves, mais humanos, mais vivos.

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Num momento em que a tragédia ameaça engolir tudo, é esse legado que muitos escolhem preservar.

Morreu Isiah Whitlock Jr., actor de The Wire, Veep e filmes de Spike Lee, aos 71 anos

Uma presença inconfundível na televisão e no cinema norte-americano

Isiah Whitlock Jr., actor norte-americano conhecido pelos seus papéis memoráveis em The WireVeep e em vários filmes realizados por Spike Lee, morreu esta terça-feira em Nova Iorque, aos 71 anos, após uma doença de curta duração. A informação foi confirmada pelo seu agente.

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Whitlock tornou-se um rosto absolutamente marcante da televisão graças à interpretação de Clay Davis, senador estadual corrupto e carismático em The Wire. Ao longo de 25 episódios, espalhados pelas cinco temporadas da série, o actor construiu uma personagem que rapidamente se tornou favorita do público — tanto pela sua ambiguidade moral como pelo célebre bordão “sheee-it”, dito com uma musicalidade impossível de esquecer.

Clay Davis: corrupção, humor e humanidade

Clay Davis não era apenas mais um político corrupto no universo sombrio de The Wire. Nas mãos de Whitlock, tornou-se uma figura paradoxalmente humana, capaz de gerar repulsa e empatia em igual medida. O bordão que o imortalizou surgiu, curiosamente, antes da série: Whitlock já o tinha usado no seu primeiro filme com Spike Lee, 25th Hour, gesto que acabaria por se tornar assinatura.

A personagem sintetizava uma das grandes virtudes do actor: a capacidade de equilibrar drama e comédia, mesmo nos contextos mais duros. Esse talento atravessou toda a sua carreira.

Uma relação artística duradoura com Spike Lee

A ligação entre Isiah Whitlock Jr. e Spike Lee foi profunda e duradoura. Para além de 25th Hour, o actor participou em mais quatro filmes do realizador: She Hate MeRed Hook SummerChi-RaqBlacKkKlansman e Da 5 Bloods.

Spike Lee reagiu à morte do actor com palavras carregadas de emoção, descrevendo-o como “uma alma bela” e alguém cuja presença fazia todos sentirem-se melhor. Recordou, em particular, o tempo passado com Whitlock durante as filmagens de Da 5 Bloods, na Tailândia, e sublinhou que, para lá do talento como actor, o que mais se destacava era a sua humanidade.

“Se estivesses perto dele, sentias isso imediatamente. Ele irradiava”, afirmou Lee, acrescentando que a sua natureza era genuinamente cómica, dentro e fora do ecrã.

De The Wire a Veep

Depois do impacto de The Wire, Whitlock voltou a destacar-se noutra produção da HBO, a sátira política Veep. Durante três temporadas, interpretou George Maddox, Secretário da Defesa e rival político da personagem de Julia Louis-Dreyfus nas primárias presidenciais. Mais uma vez, mostrou um domínio notável do timing cómico, sem nunca perder credibilidade dramática.

Com a sua voz grave, presença física sólida e expressividade controlada, Whitlock era frequentemente escolhido para papéis de autoridade — políticos, detectives, figuras institucionais — mas conseguia sempre acrescentar camadas inesperadas às personagens.

Um percurso construído longe dos holofotes fáceis

Natural de South Bend, Indiana, Isiah Whitlock Jr. estudou teatro na universidade enquanto jogava futebol americano. Lesões acabariam por o afastar do desporto, empurrando-o definitivamente para a representação. Mudou-se para São Francisco, onde trabalhou em teatro, antes de começar a surgir em pequenos papéis televisivos no final dos anos 80.

Teve participações breves em filmes como Goodfellas e Gremlins 2, mas foi a partir dos anos 2000 que a sua carreira ganhou verdadeira projecção. Nunca se tornou uma estrela no sentido tradicional, mas construiu algo talvez mais raro: uma reputação de actor sólido, respeitado e inesquecível.

Uma perda sentida por colegas e fãs

Isiah Whitlock Jr. é a segunda figura relevante de The Wire a morrer nas últimas semanas, reforçando o sentimento de perda entre fãs da série e da televisão de qualidade que ela representou.

O criador de The Wire, David Simon, descreveu-o como “um grande actor, mas um espírito ainda maior”, acrescentando que era “o maior cavalheiro” com quem trabalhou.

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A sua filmografia pode não ser extensa em termos de protagonismo, mas é rica em personagens que permanecem na memória colectiva. E isso, para um actor, é talvez a forma mais duradoura de imortalidade.

Filme da Marvel Realizado por Jordan Peele Sofre Travão Inesperado

Rumores ganham força… mas a realidade é bem mais fria

Durante meses, o nome de Jordan Peele tem surgido de forma insistente associado ao Universo Cinematográfico da Marvel. Para muitos fãs, a ideia de ver o realizador de Get Out a dar o seu toque autoral a um filme de super-heróis parecia apenas uma questão de tempo. No entanto, uma actualização recente veio deitar água fria a esse entusiasmo.

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Apesar do burburinho nas redes sociais e de especulações que apontavam para títulos como BladeMidnight Sons ou até um eventual Doctor Strange 3, tudo indica que não existe, neste momento, qualquer filme da Marvel em desenvolvimento com Jordan Peele na cadeira de realizador.

Reuniões existiram, mas sem compromissos

Segundo informações avançadas por fontes próximas da indústria, Jordan Peele chegou efectivamente a reunir-se com a Marvel Studios. No entanto, essas conversas são descritas como parte do funcionamento normal de Hollywood, mais exploratórias do que vinculativas. Em termos práticos, não há planos concretos nem um projecto atribuído ao realizador dentro do MCU.

Esta distinção é importante, sobretudo numa era em que reuniões preliminares são frequentemente interpretadas como confirmações encapotadas. No caso de Peele, o cenário parece ser bem mais simples: interesse mútuo, sim; compromisso artístico imediato, não.

Marvel continua interessada, mas Peele segue outro caminho

Curiosamente, o interesse não desapareceu do lado da Marvel. Fontes ligadas ao estúdio admitem que Jordan Peele continua a ser visto como um nome desejável para o MCU, precisamente pela sua capacidade de reinventar géneros e introduzir subtexto social em narrativas populares.

Esse interesse voltou a ganhar força quando a produtora do realizador, Monkeypaw Productions, reagiu de forma enigmática a um rumor recente, limitando-se a publicar um emoji de olhos atentos. O gesto foi suficiente para incendiar teorias entre fãs, embora, na prática, não confirme rigorosamente nada.

Um autor ocupado… e focado no seu cinema

O principal obstáculo a um eventual filme da Marvel parece ser o próprio calendário de Peele. O realizador encontra-se totalmente concentrado no seu próximo projecto original, ainda envolto em grande secretismo. De acordo com informações recentes, esse novo filme poderá estar pronto apenas em 2027, o que afasta qualquer colaboração a curto prazo com grandes franquias.

Desde que se estreou como realizador com Get Out em 2017, Jordan Peele construiu uma filmografia curta, mas extremamente influente. Seguiram-se Us (2019) e Nope (2022), três filmes muito diferentes entre si, mas unidos por uma assinatura autoral forte e uma recusa clara em trabalhar dentro de fórmulas previsíveis.

Um encontro que pode acontecer… mais tarde

Para já, a ideia de Jordan Peele no MCU permanece no domínio do “e se”. Não está cancelada, mas também não está em andamento. Num momento em que a Marvel tenta redefinir prioridades e reencontrar o equilíbrio criativo após anos de sobreprodução, talvez faça sentido que um realizador como Peele não seja apressado para dentro de uma máquina industrial.

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Se esse encontro acontecer, tudo indica que será nos termos de Peele, e não como resposta a uma vaga de rumores. Até lá, o realizador continua a fazer aquilo que melhor sabe: cinema original, inquietante e profundamente pessoal.

Mel Gibson e Rosalind Ross Separam-se Após Nove Anos de Relação

O casal confirma a ruptura, mantém relação cordial e aposta na co-parentalidade

Mel Gibson e Rosalind Ross decidiram seguir caminhos separados após nove anos de relação. A confirmação foi feita através de um comunicado conjunto divulgado esta semana, no qual o casal esclarece que a separação ocorreu há cerca de um ano, tendo optado por manter a decisão fora do espaço público até agora.

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Na mesma declaração, ambos sublinham que continuarão a co-criar o filho em comum, Lars, actualmente com oito anos. “Embora seja triste encerrar este capítulo das nossas vidas, somos abençoados com um filho maravilhoso e continuaremos a ser os melhores pais possíveis”, pode ler-se na nota partilhada.

Uma relação marcada pela discrição

Mel Gibson, de 69 anos, e Rosalind Ross, de 35, começaram a namorar em 2014. Ao longo da década que se seguiu, mantiveram uma postura reservada, evitando a exposição mediática excessiva e raramente comentando a relação em público. Nunca chegaram a casar, uma opção que sempre trataram com naturalidade, privilegiando a estabilidade familiar e a vida privada.

Ross, realizadora e antiga atleta de equitação acrobática, desenvolveu o seu percurso no cinema enquanto acompanhava a carreira de Gibson, sobretudo nos seus projectos como realizador e produtor. A diferença de idades foi frequentemente mencionada pela imprensa, mas nunca explorada pelo casal, que optou por manter o foco na família.

A família alargada de Mel Gibson

Mel Gibson é pai de nove filhos. Teve sete filhos com Robyn Moore, com quem foi casado entre 1980 e 2011, e é ainda pai de uma filha de 16 anos, fruto de uma relação posterior. O nascimento de Lars marcou uma fase mais discreta da vida pessoal do actor, centrada na família e longe de grandes exposições públicas.

Segundo informações próximas do casal, a separação não alterou significativamente a dinâmica familiar, mantendo-se uma relação cordial e focada no bem-estar da criança.

Uma carreira longa e influente

No plano profissional, Mel Gibson continua a ser uma figura incontornável de Hollywood, com uma carreira que atravessa várias décadas como actor, realizador e produtor. Tornou-se conhecido mundialmente com franquias como Mad Max e Lethal Weapon, e consolidou o seu estatuto atrás das câmaras com filmes como Braveheart, que lhe valeu os Óscares de Melhor Filme e Melhor Realização em 1996.

Apesar das polémicas que marcaram determinados períodos da sua carreira, Gibson manteve uma presença regular na indústria cinematográfica, alternando projectos de acção com trabalhos de realização.

Um desfecho sem dramatização pública

Ao optar por tornar pública a separação apenas agora, um ano depois de consumada, Mel Gibson e Rosalind Ross procuraram proteger a vida familiar e evitar o ruído mediático. A mensagem transmitida é clara: o fim da relação não se traduz num conflito público, mas numa reorganização pessoal assumida com maturidade.

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Num universo mediático onde separações de figuras públicas são frequentemente acompanhadas por disputas e declarações cruzadas, o tom adoptado pelo casal destaca-se pela sobriedade — e pela ênfase no que ambos consideram essencial.

“Go F%&k Yourself”: George Clooney Dá Uma Lição Pública à CBS e à ABC Sobre Como Enfrentar Trump

Três palavras, uma herança jornalística e um alerta sério sobre o futuro da imprensa

George Clooney não é conhecido por escolher palavras mansas quando acredita que algo essencial está em risco. Desta vez, o alvo foram duas das maiores redes televisivas norte-americanas — CBS e ABC — acusadas pelo actor de se vergarem a Donald Trump ao aceitarem acordos judiciais que, na sua leitura, nunca deveriam ter sido feitos.

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Numa entrevista recente, Clooney afirmou ter ficado “furioso” com a decisão das duas estações de resolverem processos movidos pelo presidente sem os levarem até às últimas consequências. Para o actor, bastariam três palavras para mudar o rumo das coisas: uma recusa frontal, inequívoca, que teria evitado o precedente perigoso que hoje pesa sobre o jornalismo norte-americano.

Quando o medo substitui a coragem

O caso da CBS é particularmente sensível. A empresa-mãe da estação optou por encerrar um processo movido contra o histórico programa 60 Minutes numa altura em que precisava da aprovação da Administração Trump para avançar com uma fusão empresarial. Já a ABC seguiu caminho semelhante ao aceitar um acordo num processo de difamação interposto pelo presidente.

Para Clooney, estas decisões não são apenas estratégicas — são sintomáticas de um recuo moral. Segundo ele, se as redes tivessem enfrentado Trump em tribunal, o país não estaria hoje num ponto tão frágil em termos democráticos. A frase é dura, mas reflecte uma convicção profunda: ceder ao poder por conveniência abre caminho à erosão das instituições.

Edward R. Murrow como bússola moral

As palavras de Clooney ganham peso adicional quando se olha para o contexto. Recentemente, o actor interpretou o lendário jornalista Edward R. Murrow numa adaptação teatral de Good Night, and Good Luck, obra que revisita o confronto histórico entre Murrow e o senador Joseph McCarthy durante a caça às bruxas anticomunista dos anos 50.

Murrow tornou-se símbolo de um jornalismo que não recuava perante o poder político. Para Clooney, essa herança está hoje em risco. O actor manifestou preocupação com o que descreve como uma deriva ideológica dentro da CBS News, alertando para decisões editoriais recentes que, no seu entender, enfraquecem a missão informativa da estação.

“Como vamos distinguir a realidade?”

Mais do que uma crítica a decisões concretas, Clooney levanta uma questão estrutural: como pode uma sociedade funcionar sem uma imprensa forte, independente e disposta a enfrentar o poder? O actor teme que a normalização destes recuos transforme o jornalismo num exercício condicionado por interesses políticos e empresariais.

Para alguém que cresceu num ambiente profundamente ligado à comunicação social — Clooney estudou jornalismo e é filho de um jornalista — a degradação do papel da imprensa não é um tema abstracto. É uma ameaça directa à capacidade colectiva de distinguir factos de propaganda.

Desistir não é opção

Apesar do tom crítico, Clooney evita o derrotismo. Reconhece que o momento é difícil e emocionalmente desgastante, mas insiste que a resposta não pode ser o abandono do campo. Tal como Murrow fez no seu tempo, defende que é preciso avançar, mesmo quando o custo é alto.

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A mensagem final é clara: a democracia não se protege com acordos silenciosos, protege-se com confronto, clareza e coragem. E, às vezes, com três palavras bem escolhidas.

Um Favorito Claro para James Bond Começa a Destacar-se — e a Escolha Faz Cada Vez Mais Sentido

Com o anúncio oficial a aproximar-se, o próximo 007 pode já estar à vista

À medida que nos aproximamos de 2026, ano em que deverá ser oficialmente revelado o próximo James Bond, o jogo das especulações começa finalmente a afunilar. Depois de anos de rumores, apostas contraditórias e listas intermináveis de candidatos, um nome volta a surgir no topo — desta vez com mais força e menos ruído: Aaron Taylor-Johnson.

Quatro anos após a despedida definitiva de Daniel Craig em No Time to Die, o actor britânico reaparece como o favorito claro das casas de apostas para assumir o papel de 007 no 26.º filme da saga. Não é a primeira vez que lidera a corrida, mas o contexto actual torna esta liderança particularmente significativa.

Um regresso ao topo que não é coincidência

Segundo as apostas mais recentes, Aaron Taylor-Johnson voltou ao primeiro lugar destacado, superando uma concorrência que se manteve forte durante anos. O actor, conhecido tanto por papéis físicos como por personagens mais contidas, encaixa numa ideia de Bond mais crua, directa e menos irónica — algo que muitos acreditam estar alinhado com a visão do novo realizador.

A escolha de Denis Villeneuve para comandar o próximo reboot da saga reforça essa leitura. O cineasta canadiano tem uma abordagem séria, densa e visualmente rigorosa, distante do espectáculo leve ou da piscadela de olho. Um Bond nesse registo exige presença física, intensidade e contenção emocional — qualidades que Taylor-Johnson já demonstrou várias vezes.

Um Bond experiente… ou demasiado conhecido?

Ainda assim, nem tudo joga a favor do actor. Aos 35 anos, Aaron Taylor-Johnson é mais velho do que aquilo que o estúdio terá inicialmente considerado para um “Bond jovem”, capaz de sustentar uma nova era longa da franquia. Além disso, não é propriamente um rosto fresco: passou por grandes produções, universos de super-heróis e blockbusters de acção.

Historicamente, a saga Bond tem alternado entre escolhas inesperadas e actores menos óbvios no momento da selecção. Nesse sentido, Taylor-Johnson foge um pouco ao padrão clássico de “descoberta”. Mas talvez isso já não seja um problema — talvez seja, até, uma vantagem.

Concorrência forte… mas menos convincente

Atrás de Taylor-Johnson continuam a surgir nomes recorrentes. Theo James mantém-se como hipótese sólida, enquanto Idris Elba continua a ser um favorito do público, apesar da idade tornar cada vez mais improvável uma aposta a longo prazo.

Outros nomes surgem logo a seguir, alguns com momentos de forte especulação no passado, outros como apostas mais recentes. A lista é longa, mas nenhum parece reunir, neste momento, o mesmo equilíbrio entre credibilidade industrial, perfil físico e alinhamento criativo que Aaron Taylor-Johnson apresenta.

Um projecto tratado como “território sagrado”

Sobre James Bond 26, os detalhes continuam escassos — como manda a tradição. O que se sabe é que o argumento está a cargo de Steven Knight, criador de Peaky Blinders, e que Denis Villeneuve já descreveu o projecto como “território sagrado” e “uma enorme honra”.

Esse cuidado quase reverencial com a personagem sugere que a escolha do novo Bond será tudo menos apressada. Ainda assim, o calendário aponta para 2026 como o momento ideal para alinhar o anúncio do novo actor com o início oficial da próxima fase da saga.

Um 007 que pode marcar uma nova era

Aaron Taylor-Johnson pode não ser a escolha mais consensual, nem a mais surpreendente. Mas, neste momento, é talvez a mais coerente. Se a saga Bond quer manter-se relevante sem trair a sua identidade, precisará de um actor capaz de carregar o peso do mito — sem o transformar numa caricatura.

Se isso acontecer, a escolha poderá parecer óbvia em retrospectiva. Como tantas outras antes dela.

Magia e Sedução  Chega Hoje ao Prime Video em Portugal e Brasil — e o Filme Ganha Uma Sequela em 2026

Um clássico das bruxas finalmente disponível no streaming antes do regresso

Os fãs de magia, comédia romântica e cinema com alma têm motivos para sorrir em Portugal e no Brasil: o filme Practical Magic, protagonizado por Nicole Kidman e Sandra Bullock, acaba de ser adicionado à biblioteca do Prime Video. A estreia na plataforma acontece esta terça-feira, uma oportunidade perfeita para rever o título quase três décadas após a sua estreia original — e com um motivo extra de celebração: o filme terá uma sequela nos cinemas a 18 de Setembro de 2026.

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Embora tenha recebido críticas mistas na altura do seu lançamento em 1998, Practical Magic conquistou um lugar especial no coração de muitos espectadores, acumulando uma base de seguidores leal ao longo dos anos. Agora, a magia regressa em força, com o elenco original a retomar papéis que marcaram várias gerações.

O que é Practical Magic e por que continua tão amado

Realizado por Griffin DunnePractical Magic combina romance, humor e fantasia de um modo raro. A trama centra-se em Gillian e Sally Owens, duas irmãs provenientes de uma longa linhagem de bruxas que vivem numa pequena cidade da Nova Inglaterra. À medida que crescem, descobrem que a magia que corre nas suas veias é tão encantadora quanto perigosa — especialmente quando se trata de amor.

A sinopse clássica resume assim a essência da história: para estas irmãs, “apaixonar-se pode ser o feitiço mais complicado de todos”. A maldição da família faz com que qualquer homem por quem se apaixonem esteja fadado a uma morte prematura, obrigando as irmãs a confrontar não apenas forças sobrenaturais, mas também os medos, culpas e paixões que as definem.

Além de Kidman e Bullock, o elenco original inclui Dianne WiestStockard Channing e Aidan Quinn, contribuindo para uma narrativa rica em personagens memoráveis e relações emotivas.

A sequela que os fãs esperavam

A maior novidade não é apenas a chegada do filme ao streaming em Portugal e no Brasil, mas o facto de que Practical Magic 2 está a caminho dos cinemas. Maracado para 18 de Setembro de 2026, o projecto reúne o elenco original e novos nomes, prometendo expandir o universo mágico de Owens de forma moderna e envolvente.

Regressam aos seus papéis Nicole Kidman e Sandra Bullock, acompanhadas novamente por Dianne Wiest como Tia Jet e Stockard Channing como Tia Franny. A realização está a cargo de Griffin Dunne, que também esteve presente no filme original, com argumento de Akiva Goldsman e Georgie Pritchett.

Ao lado das estrelas veteranas, a sequela contará com um elenco contemporâneo que inclui Joey KingLee PaceMaisie WilliamsXolo Maridueña e Solly McLeod — uma mistura entre gerações que promete revitalizar a história com novas perspectivas e olhares.

Por que este é o momento certo para (re)ver o filme

A chegada de Practical Magic ao Prime Video em Portugal e Brasil não podia ser mais oportuna. Além de permitir que novos espectadores descubram a história, dá aos fãs antigos a possibilidade de se prepararem para o regresso mágico em 2026. É uma excelente porta de entrada para quem procura um filme que mistura fantasia, comédia romântica e laços familiares fortes — tudo isso com uma estética e sensibilidade que resistiram ao tempo.

Além disso, com a popularidade crescente de filmes de fantasia e adaptações modernas de clássicos, a sequência promete trazer nova vida a uma narrativa que sempre valorizou personagens femininas fortes, relações complexas entre irmãs e um olhar sensível sobre o amor e a identidade.

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Como ver em Portugal e no Brasil

O filme está agora disponível no catálogo do Prime Video tanto em Portugal como no Brasil, sem necessidade de compras adicionais, desde que faça parte da sua subscrição. Esta adição aproxima um pouco mais o público dos grandes títulos que definiram uma geração, ao mesmo tempo que serve de prelúdio perfeito para a nova aventura prevista para 2026.

Frank Herbert Não Foi Meigo: O Autor de Dune Acreditava que Star Wars lhe Devia Demasiado

Quando a galáxia muito, muito distante pareceu demasiado familiar

Quando Frank Herbert publicou Dune em 1965, criou algo que poucos romances de ficção científica tinham ousado antes: um universo político, religioso e social de tal forma denso que exigia glossários, árvores genealógicas e uma atenção quase académica por parte do leitor. Ambientada dezenas de milhares de anos no futuro, a saga de Duneapresentava um império galáctico governado por casas nobres, ordens místicas, profecias perigosas e uma substância central — a especiaria — essencial tanto para a expansão da consciência como para a navegação espacial.

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Durante anos, Dune foi um fenómeno sobretudo entre leitores dedicados, aqueles dispostos a mergulhar numa space opera complexa, filosófica e deliberadamente exigente. Em 1977, porém, o panorama da ficção científica no cinema mudou para sempre com a estreia de Star Wars: A New Hope. O impacto foi imediato e avassalador. Hollywood virou-se de repente para o espaço, os efeitos especiais tornaram-se prioridade e uma nova mitologia pop nasceu diante dos olhos do mundo.

Nem todos ficaram encantados.

“Isto soa-me demasiado familiar”

Na altura da estreia de Star Wars, Frank Herbert já tinha publicado Dune Messiah e Children of Dune, expandindo ainda mais o seu universo literário. Foi neste contexto que o autor deu uma entrevista onde deixou clara a sua irritação. Para Herbert, o filme de George Lucas não era apenas outra história espacial — parecia-lhe um conjunto de ideias demasiado próximas das suas.

Herbert chegou mesmo a ponderar avançar com um processo judicial. Numa entrevista de 1977, afirmou que tentaria “com afinco não processar”, mas não escondeu a suspeita de que Dune poderia estar na origem de várias semelhanças. Apontou, por exemplo, a coincidência entre os nomes Princesa Alia e Princesa Leia, a presença de desertos habitados por povos encapuzados e até restos de criaturas gigantes semelhantes aos vermes de areia de Arrakis.

O processo nunca avançou, mas a animosidade ficou no ar.

Lucas minimizou… e seguiu caminho

Questionado sobre as semelhanças, George Lucas foi seco: para ele, Star Wars e Dune tinham apenas uma coisa em comum — desertos. Lucas sempre foi transparente quanto às suas influências, citando repetidamente os serials de ficção científica como Flash Gordon, o cinema de Akira Kurosawa e até filmes de guerra britânicos dos anos 50. Duneraramente surgiu nas suas referências públicas.

Para muitos críticos, se houve influência, terá sido indirecta ou inconsciente. Dune já fazia parte do imaginário colectivo da ficção científica muito antes de 1977, e é plausível que algumas ideias tenham sido absorvidas sem intenção deliberada.

Afinal… as semelhanças existem?

Mesmo admitindo diferenças profundas de tom — Star Wars é uma fábula acessível e optimista, Dune uma tragédia política e religiosa —, as semelhanças estruturais são difíceis de ignorar. Ambas as histórias assentam em impérios galácticos, linhagens nobres, desertos hostis, forças místicas e protagonistas que se tornam peças centrais de profecias maiores do que eles próprios.

A comparação entre Leia e Alia é particularmente curiosa. Ambas são de sangue nobre, ambas irmãs dos heróis centrais das respectivas sagas e ambas sensíveis a forças extraordinárias: a Força, no caso de Leia; capacidades psíquicas induzidas pela Água da Vida, no caso de Alia.

Será isso suficiente para sustentar um processo judicial? Provavelmente não. Mas ajuda a perceber porque Frank Herbert sentiu que o seu território criativo estava a ser invadido.

Dois mitos, dois caminhos diferentes

O mais interessante é que, com o passar do tempo, Dune e Star Wars seguiram trajectórias muito distintas. Star Warstornou-se um fenómeno global, moldando gerações e definindo o blockbuster moderno. Dune, por seu lado, manteve-se como uma obra de culto respeitada, cuja influência se sente mais no cinema de autor e na ficção científica filosófica — algo bem visível nas adaptações recentes de Denis Villeneuve.

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Frank Herbert nunca processou George Lucas, mas nunca escondeu o desconforto. A sua reacção serve hoje como um lembrete curioso: mesmo na ficção científica, onde tudo parece possível, as ideias têm memória — e os seus criadores também.

Anthony Hopkins Celebra 50 Anos de Sobriedade e Deixa um Apelo Simples: “Escolham a Vida”

Uma mensagem de lucidez, gratidão e esperança vinda de um dos maiores actores vivos

Anthony Hopkins assinalou 50 anos de sobriedade com uma mensagem pública rara pela sua frontalidade e humanidade. Aos quase 88 anos, o actor galês — duas vezes vencedor do Óscar e unanimemente considerado um dos maiores intérpretes da história do cinema — aproveitou o momento para deixar um conselho directo a quem luta contra a dependência: “escolham a vida”.

A data não é simbólica por acaso. Foi a 29 de Dezembro de 1975 que Hopkins percebeu que estava à beira do fim. Depois de conduzir em estado de blackout alcoólico e de escapar por pouco à morte, o actor reconheceu que precisava de ajuda. “Foi aí que tudo acabou”, diz agora, meio século depois, numa mensagem partilhada nas redes sociais.

Não há moralismos nem dramatizações excessivas. Apenas a constatação serena de alguém que sobreviveu — e que sabe que poderia não ter sobrevivido.

“Estava a divertir-me demais”: o momento de ruptura

Na sua mensagem, Hopkins recorda o instante em que deixou de relativizar o problema. O que durante anos foi encarado como excesso, boémia ou excentricidade artística tinha um nome simples: alcoolismo. Reconhecer isso foi o primeiro passo.

O actor já tinha falado abertamente sobre esta fase da sua vida em ocasiões anteriores. Em 2018, perante estudantes universitários na Califórnia, descreveu-se como “difícil de trabalhar” no início da carreira teatral, frequentemente ressacado e emocionalmente instável. Disse mesmo que era “repugnante, quebrado e não digno de confiança” enquanto bebia.

A viragem aconteceu depois de falar com uma mulher ligada aos Alcoólicos Anónimos. Desde então, vive segundo um princípio simples, repetido agora com a tranquilidade de quem o pratica há décadas: um dia de cada vez.

Longevidade, clareza e uma carreira sem paralelo

Aos quase 88 anos — que completa esta semana — Hopkins olha para trás sem romantizar o sofrimento, mas também sem esconder o orgulho pela escolha feita. “Talvez tenha feito alguma coisa certa”, diz, com humor seco. A prova está não apenas na longevidade, mas na extraordinária fase tardia da sua carreira.

Depois de se tornar um ícone absoluto com The Silence of the Lambs, onde deu vida a Hannibal Lecter — papel que lhe valeu o Óscar de Melhor Actor em 1992 —, Hopkins recusou acomodar-se. Regressou à personagem em Hannibal e Red Dragon, mas foi muito além disso.

Em 2020, venceu o segundo Óscar da carreira com The Father, num retrato devastador da demência, contracenando com Olivia Colman. Um desempenho de uma precisão emocional raríssima, que muitos consideram o auge de uma carreira que parecia já não ter picos por atingir.

Uma mensagem para além do cinema

Apesar da dimensão artística, a mensagem agora partilhada não tem nada de performativo. Hopkins não fala como estrela, mas como sobrevivente. A sua voz é calma, quase íntima, e dirige-se directamente a quem “tem um pequeno problema com beber demais”.

O tom é claro: não é preciso estar no fundo absoluto para pedir ajuda. A vida, garante, é muito melhor do outro lado.

📽️ Mensagem de Anthony Hopkins — Transcrição e Tradução (vídeo)

“Há 50 anos, neste exacto dia, eu recebi ajuda. E isso foi o fim.

Sem querer estragar a festa, só vos desejo isto: escolham a vida, em vez do contrário.

Percebi que me estava a divertir demais. Chamava-se alcoolismo.

Por isso, se alguém aí fora sente que está a exagerar um bocadinho, vejam isso com atenção — porque a vida é muito melhor.

Parabéns a todos os que estão em recuperação, um dia de cada vez.

Eu vou fazer 88 anos daqui a dois dias, por isso talvez tenha feito alguma coisa certa.

Feliz Ano Novo — e uma vida feliz, feliz.”

Num tempo em que a longevidade é frequentemente associada apenas a genética ou sorte, Anthony Hopkins lembra algo mais simples — e mais difícil: escolher viver conscientemente. Uma mensagem curta, mas poderosa, vinda de alguém que conhece bem os dois lados do abismo.

Anos de Ouro do Cinema Italiano: Um Ciclo Imperdível Para Redescobrir Clássicos Que Mudaram o Cinema

De Rossellini a Fellini, de Visconti a Antonioni: um verdadeiro mapa da história do cinema

Nem todos os dias surge uma programação televisiva capaz de funcionar como aula de história do cinema em horário nobre. Entre 3 de Janeiro e 7 de Fevereiro, o TVCine Edition dedica as tardes e noites de sábado ao ciclo Anos de Ouro do Cinema Italiano, reunindo 43 filmes fundamentais que ajudaram a definir a linguagem cinematográfica do século XX — e que continuam a influenciar realizadores até hoje.

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Não se trata apenas de revisitar clássicos consagrados. Este ciclo funciona como um percurso coerente através de décadas de cinema italiano, desde o neorrealismo do pós-guerra até ao cinema moderno, político e existencial das décadas seguintes. É uma oportunidade rara de ver — ou rever — obras que resistem ao tempo e que continuam surpreendentemente actuais.

O neorrealismo como ponto de partida

O ciclo arranca com força máxima, mergulhando directamente no neorrealismo italiano, um movimento que nasceu das ruínas da Segunda Guerra Mundial e mudou para sempre a forma de filmar a realidade. Filmes como Roma, Cidade AbertaPaisà ou Ladrões de Bicicletas mostram um cinema cru, humano e profundamente político, filmado nas ruas, com actores não profissionais e histórias centradas na sobrevivência, na dignidade e na solidariedade.

Roberto Rossellini e Vittorio De Sica surgem aqui como pilares absolutos de um cinema que recusou o espectáculo fácil para olhar de frente a pobreza, a opressão e as contradições de um país em reconstrução.

Fellini, Antonioni e o cinema da inquietação

À medida que o ciclo avança, o olhar italiano afasta-se da urgência social imediata e vira-se para o interior das personagens. Federico Fellini entra em cena com Os InúteisA Doce Vida e , filmes que exploram o vazio existencial, a crise criativa e a decadência moral com uma mistura inconfundível de realismo, fantasia e autobiografia.

Michelangelo Antonioni aprofunda ainda mais essa introspecção com obras como A AventuraA NoiteO Eclipse e O Deserto Vermelho, onde o silêncio, a arquitectura e os espaços vazios dizem tanto como os diálogos. São filmes exigentes, mas recompensadores, que transformaram o cinema moderno.

Visconti, Bertolucci e a política do desejo

O ciclo não ignora o cinema abertamente político e histórico. Luchino Visconti surge com obras que cruzam decadência aristocrática, luta de classes e desejo reprimido, enquanto Bernardo Bertolucci assina títulos como Antes da Revolução e O Conformista, verdadeiros retratos de uma Itália dividida entre ideologia, moral e conveniência.

Aqui, o cinema italiano afirma-se como espaço de debate político, reflexão histórica e questionamento profundo das estruturas de poder.

Dos anos 70 ao virar do século

O percurso estende-se até décadas mais recentes, com realizadores como Nanni Moretti, que fecha o ciclo com Abril e O Quarto do Filho, dois filmes onde o íntimo e o político se cruzam de forma subtil e profundamente humana. É uma prova clara de que o cinema italiano nunca deixou de se reinventar, mantendo uma forte ligação à realidade social e emocional do país.

Um ciclo para ver com tempo — e atenção

Mais do que uma maratona, Anos de Ouro do Cinema Italiano pede tempo, curiosidade e disponibilidade. Não é programação de consumo rápido. É cinema para ver, pensar e, muitas vezes, discutir depois. Um verdadeiro serviço público cinéfilo, raro na televisão generalista.

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📅 Anos de Ouro do Cinema Italiano — Destaques do Ciclo

(Todos os sábados, de 3 de Janeiro a 7 de Fevereiro, no TVCine Edition)

Neorrealismo e Pós-Guerra

  • Roma, Cidade Aberta (1945) – Roberto Rossellini
  • Paisà (1946) – Roberto Rossellini
  • Ladrões de Bicicletas (1948) – Vittorio De Sica
  • Alemanha, Ano Zero (1948) – Roberto Rossellini
  • A Terra Treme (1948) – Luchino Visconti

Os Mestres

  • Os Inúteis (1953) – Federico Fellini
  • A Doce Vida (1960) – Federico Fellini
  •  (1963) – Federico Fellini
  • A Aventura (1960) – Michelangelo Antonioni
  • A Noite (1961) – Michelangelo Antonioni
  • O Eclipse (1962) – Michelangelo Antonioni

Cinema Político e Moderno

  • Antes da Revolução (1964) – Bernardo Bertolucci
  • O Conformista (1970) – Bernardo Bertolucci
  • Violência e Paixão (1974) – Luchino Visconti

Encerramento do Ciclo

  • Abril (1998) – Nanni Moretti
  • O Quarto do Filho (2001) – Nanni Moretti

(Programação completa inclui 43 filmes e pode variar)

Artistas Cancelam Actuações no Kennedy Center Após Trump Acrescentar o Seu Nome à Instituição

Música, dança e política colidem numa das maiores casas culturais dos Estados Unidos

A decisão de acrescentar o nome de Donald Trump ao Kennedy Center for the Performing Arts continua a provocar ondas de choque no meio artístico norte-americano. Nos últimos dias, mais músicos e companhias de dança cancelaram actuações já programadas, numa reacção directa à reconfiguração política e simbólica de uma das instituições culturais mais emblemáticas dos Estados Unidos.

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Entre os mais recentes cancelamentos está o colectivo de jazz The Cookers, que anunciou que não irá actuar na noite de Passagem de Ano. Embora a banda não tenha mencionado explicitamente a alteração do nome do espaço no seu comunicado oficial, a mensagem deixou pouco espaço para dúvidas quanto ao contexto da decisão. Para o grupo, o jazz nasce da luta e da exigência de liberdade — de pensamento, de expressão e de presença plena — valores que, segundo os músicos, já não sentem poder ser celebrados naquele espaço.

Quando a arte se recusa a entrar em palco

Billy Hart, baterista do grupo, foi mais directo ao afirmar que a mudança de nome “evidentemente” pesou na decisão. A posição dos The Cookers sublinha uma ideia recorrente nas reacções mais recentes: não se trata de um boicote ao público, mas de uma recusa simbólica em legitimar um gesto visto como politicamente abusivo.

Pouco depois, também a companhia Doug Varone and Dancers anunciou o cancelamento de actuações previstas para Abril. Num comunicado público, o grupo explicou que, apesar de discordar da intervenção da Administração Trump na gestão do Kennedy Center, ainda tinha considerado cumprir o compromisso artístico por respeito aos curadores e ao público. Esse equilíbrio quebrou-se, segundo a companhia, no momento em que Donald Trump decidiu renomear a instituição com o seu próprio nome.

Para os bailarinos, esse gesto ultrapassou uma linha simbólica: o Kennedy Center foi criado para honrar John F. Kennedy, um presidente que via as artes como parte essencial da identidade nacional e da diplomacia cultural. Transformar esse legado num monumento pessoal foi, para muitos artistas, inaceitável.

Uma mudança contestada… até legalmente

A controvérsia ganha ainda mais peso por existir um argumento jurídico sólido contra a alteração. O Kennedy Center foi oficialmente designado com esse nome através de um acto do Congresso em 1964, o que levanta dúvidas sobre a legalidade de qualquer mudança sem nova legislação.

Essa questão já chegou aos tribunais. Uma deputada democrata apresentou uma acção judicial para remover o nome de Trump da instituição, defendendo que apenas o Congresso tem autoridade para alterar oficialmente a designação do espaço. O processo decorre, mas a decisão política já produziu efeitos reais: palcos vazios e agendas a desfazer-se.

Um efeito dominó no meio artístico

Antes destes cancelamentos, outros artistas já tinham recuado. Um músico cancelou um concerto de Natal, o que levou o presidente do Kennedy Center a ameaçar com um processo judicial. Outra intérprete cancelou uma actuação prevista para Janeiro. A tendência parece clara: quanto mais explícita se torna a apropriação política da instituição, mais artistas optam por se afastar.

A resposta oficial não tardou. O presidente do Kennedy Center acusou os artistas de serem “activistas políticos” escolhidos por uma anterior liderança “radical”, defendendo que a arte deve ser para todos, independentemente das crenças políticas. Para ele, boicotar actuações em nome da defesa da cultura é uma contradição.

Um novo equilíbrio de poder

A tensão actual não surgiu do nada. Após regressar à presidência, Donald Trump afastou membros do conselho nomeados por administrações democratas anteriores, alterando profundamente o equilíbrio interno da instituição. Com aliados a dominarem o conselho, Trump foi nomeado presidente do Kennedy Center — um gesto sem precedentes que transformou uma casa cultural num campo de batalha ideológico.

O resultado é uma fractura visível entre administração e comunidade artística. Para muitos criadores, a questão já não é apenas política, mas existencial: que significado tem actuar num espaço cultural que passou a ser um símbolo de poder pessoal?

Quando a arte diz “não”

O que está a acontecer no Kennedy Center é mais do que uma polémica momentânea. É um exemplo claro de como decisões simbólicas podem ter consequências práticas e imediatas. Os artistas não estão apenas a reagir a um nome numa fachada — estão a reagir à percepção de que a arte está a ser instrumentalizada.

Num país onde a cultura sempre teve um papel central no debate público, este conflito deixa uma pergunta em aberto: até que ponto uma instituição artística pode sobreviver quando deixa de ser vista como espaço neutro de criação e passa a ser palco de afirmação política?

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Para já, a resposta chega em silêncio — o silêncio de concertos cancelados e palcos vazios.

George e Amal Clooney Tornam-se Cidadãos Franceses — E As Razões Dizem Muito Sobre o Nosso Tempo

Privacidade, Europa e uma escolha que vai além do glamour

George Clooney e a sua mulher, Amal Clooney, passaram a ser oficialmente cidadãos franceses. A notícia, confirmada através de um decreto oficial, vem dar corpo a algo que o casal já vinha a deixar no ar nas últimas semanas: a França não é apenas um refúgio ocasional, mas um verdadeiro porto de abrigo para a sua vida familiar.

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Longe de ser uma decisão meramente simbólica ou fiscal, a escolha revela uma prioridade clara: privacidade. Num tempo em que a exposição mediática parece inevitável, sobretudo para figuras públicas de dimensão global, Clooney foi directo ao ponto ao elogiar as leis francesas de protecção da vida privada, sublinhando que, em França, os filhos não são perseguidos por fotógrafos à porta da escola. Para o actor, essa diferença é decisiva.

Uma relação antiga com França

A ligação dos Clooney a França não é recente. Há cerca de quatro anos, o casal adquiriu uma propriedade no sul do país, numa antiga herdade vinícola, onde passa longos períodos do ano. Amal Clooney, advogada de direitos humanos com carreira internacional, fala fluentemente francês, o que facilitou naturalmente a integração.

Embora George Clooney brinque com o facto de continuar “péssimo” na língua, apesar de centenas de dias de aulas, a escolha da cidadania francesa parece mais ligada a valores do que a fluência linguística. Trata-se de uma opção de vida, enraizada numa Europa onde o casal já divide o tempo entre França, Itália e Reino Unido.

Europa como espaço de pertença

Amal Clooney, de origem britânica e libanesa, sempre teve uma forte ligação ao continente europeu, tanto a nível profissional como pessoal. O casal mantém residência no Lago Como, em Itália, e no Reino Unido, reforçando uma identidade claramente transnacional, longe de uma visão exclusivamente americana.

Esta decisão surge também num contexto em que várias figuras públicas norte-americanas têm vindo a reforçar laços com a Europa, seja por razões culturais, políticas ou sociais. No caso dos Clooney, a mensagem é clara: há países onde a fama não se sobrepõe ao direito a uma vida normal.

Clooney continua activo no cinema europeu

Apesar da mudança de estatuto civil, George Clooney não abranda o ritmo profissional. Entre os seus próximos projectos está o muito aguardado filme derivado de Call My Agent!, produção da Netflix que junta várias estrelas internacionais numa versão cinematográfica da popular série francesa.

Além disso, o actor esteve recentemente em digressão promocional de Jay Kelly, um filme realizado por Noah Baumbach e co-escrito por Emily Mortimer, onde interpreta um actor famoso a viajar pela Europa enquanto reflecte sobre escolhas pessoais e profissionais. Um enredo que, curiosamente, parece dialogar com a fase de vida que Clooney atravessa.

Uma decisão que diz mais do que parece

Mais do que uma curiosidade sobre celebridades, a cidadania francesa de George e Amal Clooney funciona como um pequeno retrato do mundo actual. Num cenário de hiper-exposição, redes sociais omnipresentes e perseguição constante da imagem pública, a escolha de um país onde a privacidade é levada a sério torna-se, por si só, uma declaração.

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Para Clooney, duas vezes vencedor do Óscar e uma das figuras mais reconhecidas do cinema contemporâneo, a prioridade parece clara: menos flashes, mais normalidade. Mesmo que isso implique trocar Hollywood por vinhas francesas — e continuar a tropeçar na gramática.

A NOS Audiovisuais Revela o Mapa de Estreias para 2026 — E Há Boas Surpresas para Todos os Gostos 🎬

Dos grandes eventos de Hollywood ao cinema português, 2026 promete ser um ano cheio nas salas

A NOS Audiovisuais já levantou o véu sobre o que nos espera nas salas de cinema em 2026 — e o cenário é claro: o próximo ano quer voltar a encher o grande ecrã com blockbusters de pesoregressos muito aguardadosapostas familiarescinema de autor e uma presença robusta de produção portuguesa. Menos discurso promocional, mais leitura do terreno: o calendário é extenso, variado e pensado para manter o cinema relevante durante os doze meses do ano.

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Depois de um período em que a indústria tentou reencontrar o equilíbrio entre streaming e exibição em sala, o alinhamento agora apresentado aponta para uma estratégia simples: diversidade. Há espaço para super-heróis, terror, animação, música, comédia, drama histórico e histórias bem portuguesas — tudo distribuído de forma a evitar longos períodos sem “filmes-evento”.

Um ano que começa forte — e não abranda

O arranque de 2026 não perde tempo. Logo em Janeiro surgem propostas muito diferentes entre si, do cinema de autor ao terror, passando por dramas psicológicos e thrillers. É um início de ano que foge à ideia tradicional de “meses fracos”, apostando antes em variedade para captar públicos distintos.

Fevereiro e Março reforçam essa abordagem, combinando cinema de prestígio, sagas populares e animação. Hamnet surge como uma das propostas mais cinéfilas do ano, enquanto Gritos 7 garante continuidade a uma franquia que continua surpreendentemente resistente ao desgaste. Pelo meio, a Pixar volta a marcar presença e a música entra literalmente em cena com uma experiência cinematográfica pensada para fãs.

A época dos grandes regressos

A partir da primavera, o calendário começa a jogar em terreno mais familiar para o grande público. O Diabo Veste de Prada 2 chega como um daqueles títulos que misturam nostalgia e curiosidade, enquanto The Mandalorian and Grogu confirma a aposta em levar universos televisivos de sucesso para o cinema.

O verão é dominado por animação e cinema familiar — Toy Story 5Vaiana e Patrulha Pata garantem salas cheias durante as férias — mas há também espaço para propostas menos óbvias, distribuídas estrategicamente ao longo dos meses.

O peso do último trimestre

Como seria de esperar, o último trimestre concentra os títulos mais mediáticos. Street Fighter aposta no cruzamento entre cinema e videojogos, enquanto Novembro mistura comédia popular com propostas mais ousadas. Mas é Dezembro que surge como o grande clímax do ano.

Vingadores: Doomsday assume-se desde já como o maior evento cinematográfico de 2026, fechando o ano com a habitual promessa de salas esgotadas, discussões online intermináveis e impacto global. Poucos dias depois, Angry Birds 3 encerra o calendário com uma aposta clara no público familiar natalício.

Cinema português: mais do que presença simbólica

Um dos aspectos mais interessantes do alinhamento para 2026 é a forma como o cinema português surge integrado no calendário — não como nota de rodapé, mas como parte activa da programação. Há biopics, comédias populares, sátiras políticas, animação e projectos que cruzam música e cinema.

É uma aposta que reflecte maturidade do mercado: o cinema nacional já não ocupa apenas “janelas alternativas”, mas convive com produções internacionais no mesmo espaço e no mesmo calendário.

Um calendário pensado para manter o cinema vivo

Mais do que uma lista de títulos, o plano de estreias para 2026 revela uma intenção clara: manter o hábito de ir ao cinema vivo durante todo o ano. Há filmes para públicos muito diferentes, espalhados de forma inteligente, evitando períodos mortos e apostando tanto em grandes eventos como em propostas de risco controlado.

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Agora, resta saber como o público vai responder. Mas, pelo menos no papel, 2026 parece tudo menos aborrecido.

📅 Estreias de Cinema em Portugal — 2026 (Selecção)

FilmeData de Estreia
Pai Mãe Irmã Irmão8 de Janeiro
Mata-te, Amor15 de Janeiro
Primata22 de Janeiro
Cold Storage – Ameaça Mortal29 de Janeiro
Hamnet5 de Fevereiro
Gritos 726 de Fevereiro
Saltitões5 de Março
Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft (Live in 3D)19 de Março
O Diabo Veste de Prada 230 de Abril
The Mandalorian and Grogu21 de Maio
Toy Story 518 de Junho
Vaiana9 de Julho
Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros6 de Agosto
Street Fighter15 de Outubro
Os Novos Sogros do Pior26 de Novembro
Vingadores: Doomsday17 de Dezembro
Angry Birds 3: O Filme24 de Dezembro

Populares, Poderosas… e Mázinhas: Mean Girls Chega à TV na Primeira Noite do Ano

O clássico adolescente regressa em versão musical, com novas canções e velhas rivalidades

Há filmes que definem gerações — e Mean Girls é, sem dúvida, um deles. Agora, vinte anos depois do original que se tornou fenómeno cultural, a história regressa numa nova versão musical, pronta para conquistar uma nova geração de espectadores. Mean Girls estreia na televisão portuguesa no dia 1 de Janeiro, às 21h30, numa noite perfeita para começar o ano com humor, música e alguma maldade bem coreografada.

Esta nova adaptação parte do musical da Broadway, que por sua vez nasceu do filme de 2004 escrito por Tina Fey, mantendo o espírito mordaz que sempre caracterizou a história, mas acrescentando-lhe números musicais e uma energia renovada.

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Cady Heron entra na selva social do liceu

A protagonista é Cady Heron, uma adolescente que passou grande parte da infância fora dos Estados Unidos, longe do sistema escolar tradicional. Ao chegar a um liceu americano, depara-se com um microcosmo feroz, dominado por hierarquias sociais rígidas, aparências cuidadosamente construídas e jogos de poder dignos de uma corte real.

Rapidamente, Cady chama a atenção das Plásticas — o grupo de raparigas mais populares da escola. Bonitas, influentes e temidas, as Plásticas são lideradas por Regina George, a indiscutível “rainha” do liceu. O problema surge quando Cady se apaixona por Aaron Samuels, o ex-namorado de Regina. A partir desse momento, o equilíbrio frágil do grupo começa a ruir.

Popularidade: um jogo com custos elevados

Incentivada por novas amizades, Cady aceita infiltrar-se no grupo das Plásticas com o objectivo de derrubar Regina. Mas aquilo que começa como uma missão quase ingénua transforma-se rapidamente numa espiral de rivalidades, traições e perda de identidade.

À medida que o estatuto social aumenta, Cady começa a afastar-se da pessoa que era. O filme acompanha essa transformação com ironia e humor, mostrando como o desejo de pertença pode facilmente tornar-se uma armadilha. Mean Girls continua a ser, acima de tudo, uma sátira afiada sobre adolescência, poder e a crueldade subtil — e nem sempre tão subtil — das relações sociais.

Um musical que respeita o legado

Realizado por Samantha Jayne e Arturo Perez Jr., este Mean Girls assume sem pudor a sua natureza musical. As canções ajudam a amplificar emoções, conflitos e exageros típicos do universo adolescente, sem perder o tom irreverente que tornou a história tão memorável.

Tina Fey regressa ao projecto, não só como argumentista, mas também em frente às câmaras, no papel da professora de matemática Ms. Norbury. O elenco jovem dá nova vida às personagens icónicas, com Angourie Rice como Cady Heron e Renée Rapp como uma Regina George carismática, dominante e deliciosamente cruel. Destacam-se ainda Auliʻi Cravalho e Christopher Briney, que completam um conjunto afinado e energético.

Uma história que continua actual

Apesar de ter mudado de formato, Mean Girls continua surpreendentemente актуado. As dinâmicas de exclusão, a obsessão com estatuto e a pressão para corresponder a expectativas sociais permanecem tão relevantes hoje como há duas décadas — talvez até mais, numa era dominada pelas redes sociais.

Este regresso em versão musical não tenta substituir o original, mas dialogar com ele, oferecendo uma leitura contemporânea que mantém o humor ácido e a crítica social intactos.

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A forma perfeita de começar o ano

Leve, divertida e com uma boa dose de ironia, Mean Girls é uma escolha certeira para a primeira noite do ano. Uma comédia que diverte, canta e, pelo caminho, lembra que nem sempre ser popular é sinónimo de ser feliz.

Chevy Chase Sem Filtros: O Documentário Que Mostra o Comediante Tal Como Ele É — e Ele Aceita

Um retrato cru, incómodo e inesperadamente humano de uma lenda da comédia

Insultar a realizadora que está a fazer um documentário sobre a nossa vida não parece, à partida, a melhor forma de começar. Mas Chevy Chase nunca foi conhecido pela diplomacia. E é precisamente essa frontalidade — por vezes cruel, por vezes desconcertante — que dá o tom a I’m Chevy Chase and You’re Not, o novo documentário que coloca o comediante sob os holofotes, com todas as verrugas incluídas.

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Logo no primeiro encontro com a realizadora Marina Zenovich, Chase deixa claro que não será fácil de decifrar. Quando ela lhe pergunta porquê, a resposta surge sem rodeios: “Porque não és suficientemente inteligente.” O facto de esta troca ter ficado no filme diz tanto sobre Zenovich como sobre o próprio Chase — um humorista brilhante, mas profundamente difícil.

Um percurso brilhante… e cheio de fricção

O documentário percorre toda a vida e carreira de Chevy Chase, desde uma infância marcada por episódios de violência emocional e física, até à explosão de popularidade nos anos 70 e 80, com filmes hoje considerados clássicos como CaddyshackFletchThree Amigos e a saga National Lampoon’s Vacation. Pelo caminho, passa ainda pela sua relação complicada com Saturday Night Live e pelo período conturbado na série Community.

Ao longo do filme, surgem testemunhos de colegas, amigos e familiares, incluindo Dan Aykroyd, Goldie Hawn, Beverly D’Angelo, Martin Short, Lorne Michaels, Ryan Reynolds, a mulher Jayni Chase e as três filhas do actor. O retrato que emerge é o de um homem afiado, frequentemente mordaz, com um enorme grupo de fãs — mas também com uma longa lista de pessoas que se sentiram magoadas pelo seu comportamento.

Humor como mecanismo de sobrevivência

Zenovich, que já realizou documentários sobre figuras complexas como Roman Polanski, Richard Pryor, Robin Williams e Lance Armstrong, aponta para a infância de Chase como chave para compreender a sua personalidade. Em criança, foi fechado durante dias numa cave, castigado de forma severa e humilhado pelo padrasto e pela mãe.

Segundo a realizadora, o humor tornou-se a sua forma de lidar com esse passado. Uma arma defensiva que, com o tempo, passou a ferir também quem estava à sua volta. O filme não foge às polémicas: os conflitos com Bill Murray, John Belushi, Joel McHale ou Dan Harmon, nem os episódios que levaram à sua saída de Community, incluindo acusações de comentários racistas.

Um homem consciente… até certo ponto

Hoje com 82 anos, Chevy Chase diz saber que há muitas pessoas que não o suportam — mas garante que isso nunca o incomodou verdadeiramente. “É apenas Hollywood”, afirma. Ainda assim, o documentário revela momentos de fragilidade, como a mágoa por não ter sido convidado a subir ao palco na celebração dos 50 anos de Saturday Night Live.

Há também espaço para imagens inesperadamente ternurentas: Chase a brincar com um gato, a tocar piano, a ler cartas de fãs, a jogar xadrez ou a receber o carinho do público numa exibição recente de National Lampoon’s Christmas Vacation. E, talvez o mais surpreendente, o filme mostra uma relação próxima e saudável com as filhas — algo que a própria Zenovich considera uma vitória sobre o trauma geracional.

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Um retrato que dói… mas vale a pena

O maior crítico do documentário acaba por ser o próprio Chevy Chase — e ele aprova. Compara a experiência a uma massagem: agradável, mesmo quando dói. I’m Chevy Chase and You’re Not não tenta redimir nem condenar. Limita-se a observar, com honestidade desconfortável, um homem que fez rir milhões, mas que nunca foi fácil de amar.

David Spade Viveu 25 Anos Convencido de Que Eddie Murphy o Detestava — Tudo por Causa de Uma Piada

Uma história de humor, insegurança e um mal-entendido que durou décadas

No mundo da comédia, as piadas raramente ficam confinadas ao momento em que são ditas. Às vezes, ecoam durante anos — ou, neste caso, durante um quarto de século. David Spade revelou recentemente que passou 25 anos convencido de que Eddie Murphy o odiava, tudo por causa de uma piada feita no seu primeiro segmento do Weekend Update no Saturday Night Live.

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A piada em causa tinha como alvo A Vampire in Brooklyn, filme protagonizado por Eddie Murphy nos anos 90, que não teve a recepção mais calorosa por parte da crítica nem do público. Spade, ainda no início da sua carreira televisiva, usou o fracasso do filme como material humorístico. O problema? A piada não caiu nada bem — pelo menos na cabeça de quem a contou.

Uma estreia nervosa… e uma culpa prolongada

Para David Spade, aquele momento marcou mais do que devia. Segundo o próprio, ficou convencido de que Eddie Murphy levara a piada a peito e que isso lhe fechara portas em Hollywood. Durante anos, Spade acreditou que tinha cometido um erro imperdoável, sobretudo porque Murphy não era apenas uma estrela: era uma instituição da comédia americana.

A situação tornou-se quase absurda com o passar do tempo. Spade admitiu que passou décadas a tentar compensar aquele momento, à espera de uma oportunidade para pedir desculpa ou, pelo menos, esclarecer o mal-entendido. Tudo isto sem nunca ter tido uma confirmação real de que Murphy estivesse, de facto, ofendido.

A realidade? Nem tudo era tão dramático

O mais curioso desta história é que, segundo relatos posteriores, Eddie Murphy nunca levou a situação tão a sérioquanto Spade imaginava. O peso do episódio existiu quase exclusivamente na cabeça de quem fez a piada. Um clássico caso de ansiedade profissional transformado numa narrativa interna de culpa prolongada.

A revelação diz muito sobre o lado menos visível da comédia: por trás do sarcasmo e da confiança em palco, muitos humoristas carregam inseguranças profundas. Especialmente quando se trata de brincar com figuras maiores do que a própria carreira.

Um lembrete de como Hollywood também é humana

Este episódio encaixa perfeitamente numa semana recheada de pequenas histórias curiosas do universo das celebridades — algumas ternurentas, outras bizarras, outras simplesmente reveladoras. Entre homenagens emocionais, momentos inesperadamente fofos e notícias que confirmam aquilo que todos já suspeitavam, há um fio condutor claro: por trás da fama, continuam a existir pessoas a lidar com culpa, medo, alegria e mal-entendidos como qualquer outra.

No caso de David Spade, a história serve quase como uma fábula moderna sobre como uma piada pode viver demasiado tempo na cabeça de quem a conta — mesmo quando o alvo já seguiu em frente há muito.

No fim, só uma boa anedota… mal digerida

Vinte e cinco anos depois, a revelação transforma-se, ironicamente, numa excelente anedota. Uma história sobre comédia, egos, ansiedade e a tendência humana para dramatizar situações que, vistas de fora, nunca tiveram a gravidade imaginada.

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E talvez seja esse o verdadeiro punchline: às vezes, o maior crítico não é o colega famoso que fizemos alvo de uma piada… somos nós próprios.

Daredevil nos Avengers? Charlie Cox Dá a Resposta Mais Sensata (e Inesperada)


O herói de Hell’s Kitchen pode juntar-se à maior equipa da Marvel… mas faz mesmo sentido?

Com 2025 a abrir caminho para uma nova formação dos Avengers e com Avengers: Doomsday já no horizonte, as especulações sobre quem poderá integrar — ou regressar — à mítica equipa de super-heróis não param de crescer. Entre regressos históricos, novas versões de personagens clássicas e a ameaça de um vilão de peso, há um nome que surge repetidamente nas conversas dos fãs: Daredevil.

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A questão foi colocada directamente a Charlie Cox durante uma convenção recente. Poderá Matt Murdock, o vigilante de Hell’s Kitchen, tornar-se oficialmente um Avenger? A resposta do actor foi tão honesta quanto inesperadamente coerente com a essência da personagem.

“Matt Murdock não é propriamente um homem de equipa”

Segundo Charlie Cox, a ideia é apelativa… mas complicada. Não para o actor, que admitiu que ficaria absolutamente entusiasmado com a oportunidade, mas para a personagem. Na sua leitura, Matt Murdock é um solitário por natureza, alguém que prefere operar sozinho e manter controlo total sobre o que faz.

O actor comparou-o mesmo a Frank Castle, sublinhando que ambos partilham essa resistência instintiva a integrar grandes equipas organizadas. Daredevil não é um herói de discursos épicos nem de batalhas globais — é uma figura moldada por becos escuros, dilemas morais íntimos e uma relação constante com a culpa e a fé.

É um argumento difícil de contrariar. Ao contrário de outros heróis mais simbólicos, Matt Murdock nunca foi pensado como estandarte. É um homem quebrado, movido por princípios muito pessoais e por uma ideia de justiça que raramente encaixa em estruturas formais.

A integração no MCU não foi por acaso

Ainda assim, a Marvel tem vindo a posicionar cuidadosamente a personagem dentro do seu universo cinematográfico. As aparições recentes de Matt Murdock em diferentes projectos deixam claro que o Demolidor deixou definitivamente de existir num canto isolado da televisão.

A nova fase de Daredevil: Born Again, com estreia marcada para 4 de Março, reforça a ideia de que o personagem terá um papel relevante nos próximos anos. A grande dúvida é saber se esse caminho passa por uma integração oficial nos Avengers ou por algo mais subtil.

Participar sem vestir a camisola

Há uma solução intermédia que parece agradar tanto a fãs como a quem pensa a narrativa a longo prazo: Daredevil pode participar nos acontecimentos de Avengers: Doomsday sem nunca se tornar, formalmente, um Avenger.

Não seria algo inédito. Ao longo da história da Marvel, vários heróis cruzaram caminhos com a equipa sem fazer parte do núcleo oficial. E, sendo realistas, Matt Murdock não compete em termos de escala com deuses, super-soldados ou entidades cósmicas.

No entanto, isso nunca foi um obstáculo absoluto. Personagens sem super-poderes evidentes, como Black Widow ou Hawkeye, estiveram presentes desde o início. Daredevil pode não ter força descomunal, mas compensa com uma eficácia brutal em combate corpo-a-corpo, inteligência táctica e uma resistência quase inumana.

Um papel pequeno… mas com peso simbólico

Mesmo que venha a surgir em Avengers: Doomsday, é pouco provável que Charlie Cox tenha um papel central. O filme promete reunir um número impressionante de personagens de várias gerações, o que inevitavelmente limita o tempo de ecrã disponível para cada um.

Ainda assim, uma participação especial — mesmo que breve — teria um enorme impacto simbólico. Para muitos fãs de longa data, seria a confirmação definitiva de que Daredevil pertence, finalmente, ao coração do universo cinematográfico da Marvel.

Prudência antes de tudo

Como é habitual neste tipo de projectos, Charlie Cox foi claro num ponto: não esperem confirmações antecipadas. Se Daredevil tiver um papel em Avengers: Doomsday, essa informação só será tornada pública quando a Marvel assim o decidir — possivelmente mais perto da estreia ou durante a exibição da nova temporada de Daredevil: Born Again.

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Até lá, a resposta do actor deixa uma ideia forte: mais importante do que saber se Daredevil será um Avenger é perceber se esse passo respeita quem Matt Murdock sempre foi. E, nesse ponto, Charlie Cox mostrou conhecer o seu personagem melhor do que ninguém.

Uma Comédia Fora de Prazo? Due Date Volta ao Topo do Streaming — E em Portugal?

O regresso inesperado de um filme de 2010 às listas mais vistas

Quinze anos depois da sua estreia nos cinemas, Due Date voltou a dar sinais de vida — e não de forma discreta. A comédia protagonizada por Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis voltou a surgir entre os filmes mais vistos em streaming a nível mundial, entrando directamente no top 10 da plataforma HBO Max. Um feito curioso para um título que, na altura do lançamento, dividiu crítica e público e nunca foi unanimemente aceite como um clássico imediato.

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Este ressurgimento global levanta uma questão legítima: será que o mesmo fenómeno se verifica em Portugal?

Um sucesso global… mas com impacto mais contido por cá

Ao contrário do que acontece noutros mercados internacionais, não existem indícios claros de que Due Date esteja actualmente entre os filmes mais vistos em Portugal. As tabelas nacionais não reflectem o mesmo entusiasmo, o que sugere que o interesse por cá é mais moderado e discreto.

Ainda assim, o filme encontra-se disponível em plataformas de streaming acessíveis ao público português, o que indica que continua a ser visto, mesmo que sem o impacto massivo registado noutros países. Em Portugal, Due Date nunca foi um fenómeno cultural particularmente forte, surgindo sempre como uma comédia simpática, mas longe do estatuto de culto que alguns lhe atribuem hoje.

Uma viagem caótica com duas personagens opostas

Realizado por Todd Phillips, o mesmo nome por detrás de A RessacaDue Date aposta numa estrutura clássica de “buddy movie”. A história acompanha Peter Highman, um arquitecto metódico e prestes a ser pai, que vê a sua viagem de regresso a casa arruinada depois de conhecer Ethan Tremblay, um aspirante a actor socialmente desajustado.

Após um incidente absurdo num avião, Peter acaba impedido de voar, perde a carteira e vê-se obrigado a aceitar boleia de Ethan. O que se segue é uma viagem rodoviária caótica, marcada por discussões constantes, situações ridículas e uma ligação improvável que se vai construindo entre os dois.

O humor assenta sobretudo no contraste entre personalidades: o controlo nervoso de Downey Jr. frente ao caos ambulante de Galifianakis, num registo que oscila entre o absurdo, o desconfortável e o sentimental.

Críticas mistas, público mais indulgente

Quando chegou aos cinemas em 2010, Due Date foi recebido com frieza por parte da crítica. Muitos apontaram a sensação de repetição em relação a outras comédias do realizador e uma narrativa previsível. No entanto, o público mostrou-se mais indulgente, valorizando o ritmo, as interpretações exageradas e o humor físico.

Esse desfasamento entre crítica e espectadores ajuda a explicar o seu regresso actual. No universo do streaming, filmes como Due Date ganham uma segunda vida: são vistos sem grandes expectativas, funcionam como entretenimento imediato e beneficiam da nostalgia de uma era em que as comédias de estúdio tinham outro peso no mercado.

Porque é que está a funcionar agora?

O sucesso recente de Due Date parece resultar de vários factores combinados: a popularidade duradoura de Robert Downey Jr., a curiosidade renovada em torno do trabalho de Todd Phillips e uma tendência crescente para revisitar comédias dos anos 2000 e 2010, vistas hoje com menos exigência crítica e mais vontade de puro entretenimento.

Em Portugal, mesmo sem números impressionantes, o filme beneficia dessa mesma lógica. Não domina rankings, mas mantém-se relevante como opção confortável num catálogo cada vez mais saturado de novidades.

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Uma segunda vida discreta, mas real

Due Date pode não estar a “rebentar” em Portugal como noutros países, mas o seu regresso ao radar global confirma uma verdade cada vez mais evidente: no streaming, o tempo joga a favor de filmes que, à partida, pareciam destinados ao esquecimento. Às vezes, basta uma nova geração de espectadores — ou uma noite sem grandes expectativas.

Gary Oldman e O Quinto Elemento: Porque o Actor Nunca Gostou Verdadeiramente do Seu Vilão Mais Icónico

Um clássico dos anos 90… que o próprio protagonista preferia esquecer

Para muitos espectadores, sobretudo os que cresceram nos anos 90, O Quinto Elemento é um daqueles filmes impossíveis de confundir com outro qualquer. Colorido, excessivo, delirante e assumidamente estranho, tornou-se um clássico do cinema de ficção científica. No centro desse delírio está Zorg, o vilão interpretado por Gary Oldman — uma personagem tão exagerada que parece saída de um desenho animado futurista. Mas aquilo que muitos fãs talvez não saibam é que Oldman passou largos anos a não conseguir sequer suportar o filme.

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Apesar de uma carreira recheada de papéis aclamados, de heróis contidos a figuras históricas transformadas em prémios da Academia, Zorg continua a ser uma das personagens mais reconhecíveis do actor. E, paradoxalmente, uma das menos queridas por quem a interpretou.

Um papel feito em esforço… literal e figurado

Na altura das filmagens de O Quinto Elemento, Gary Oldman estava profundamente envolvido noutro projecto pessoal e exigente: a realização do seu primeiro filme. Para aceitar o convite, teve de interromper esse trabalho durante várias semanas, submeter-se a uma transformação física radical e entrar num universo visual que lhe era tudo menos confortável.

Cabeça rapada, próteses dentárias, cicatriz, perna a coxear, camadas de borracha e um guarda-roupa tão icónico quanto incómodo — tudo isto contribuiu para uma experiência que o actor descreveu, anos mais tarde, com pouco carinho. Embora reconhecesse o lado simbólico da história, centrada no eterno conflito entre o bem e o mal, Oldman nunca conseguiu ver o filme com o distanciamento necessário para o apreciar.

Durante muito tempo, quando questionado sobre O Quinto Elemento, a reacção era imediata e pouco diplomática: não conseguia vê-lo.

Um favor entre amigos, não uma escolha artística

A razão principal para Oldman aceitar o papel de Zorg não foi o argumento, nem o fascínio pela personagem, mas um sentimento de obrigação. O realizador do filme tinha ajudado a viabilizar financeiramente o projecto pessoal de Oldman, e o actor sentiu que devia retribuir.

O convite foi directo e pragmático. Não houve grande análise de guião, nem reflexão profunda sobre a personagem. Foi, essencialmente, um favor entre amigos. Isso ajuda a explicar porque é que, apesar da energia quase insana que imprime a Zorg, Oldman nunca sentiu que aquele papel lhe pertencesse verdadeiramente.

O contraste é curioso: para o público, a interpretação é memorável, quase camp, cheia de tiques e excessos deliciosos. Para o actor, é uma recordação associada a desconforto físico, interrupções criativas e uma estética que lhe provoca uma reacção visceral.

O tempo suaviza tudo… até Zorg

Com quase três décadas de distância, a relação de Gary Oldman com O Quinto Elemento mudou — ainda que de forma muito moderada. Hoje, já não rejeita completamente o filme. Consegue vê-lo, sobretudo quando alguém próximo insiste que talvez não seja assim tão mau.

O próprio actor reconhece que a sua avaliação está “contaminada” pela experiência pessoal. Para quem esteve dentro do fato de borracha, da maquilhagem e do processo, é difícil ver o resultado final como um simples espectador. Onde o público vê diversão, ele revê sensações físicas, ambientes de bastidores e decisões estéticas que lhe causam desconforto.

Curiosamente, nem sequer foi o único no elenco a sofrer com o guarda-roupa. O protagonista masculino também detestava parte do figurino, embora isso nunca tenha impedido o filme de se tornar um sucesso duradouro.

Um clássico que sobrevive apesar do seu criador relutante

Gary Oldman continua a ser um crítico feroz do seu próprio trabalho, e O Quinto Elemento não é caso único. Há outros filmes seus que o público adora e que ele prefere não revisitar. Ainda assim, o tempo parece ter feito o seu trabalho: hoje, o actor já não foge do filme, mesmo que nunca venha a adorá-lo.

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E talvez isso seja suficiente. Afinal, nem todos os clássicos precisam do amor dos seus intérpretes para sobreviver. Alguns ganham vida própria — e Zorg, goste ou não Gary Oldman, é um deles.