Keeper: Para Sempre — O Amor, o Medo e os Segredos Que Nunca Deveriam Sair da Cabana

O novo pesadelo psicológico de Osgood Perkins chega aos cinemas portugueses

O terror elegante e profundamente psicológico de Osgood Perkins regressa às salas portuguesas este mês com Keeper: Para Sempre, um thriller inquietante onde o amor e a loucura dançam de mãos dadas. O filme, que estreia a 20 de novembro nos cinemas, promete ser uma das experiências cinematográficas mais intensas da estação — uma viagem ao interior de uma relação e aos abismos da mente.

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Perkins, realizador de O Colecionador de Almas (The Blackcoat’s Daughter) e do aclamado Longlegs, volta a explorar a fragilidade humana através de uma narrativa que começa como um drama íntimo e termina num pesadelo de segredos, sombras e arrependimento.

Um aniversário de casamento… e um inferno à espera

A premissa é simples, mas o resultado promete ser devastador: um casal viaja até uma cabana isolada para celebrar o aniversário de casamento. O cenário é idílico — neve, silêncio e promessas de reconciliação. Mas, à medida que a noite cai, algo começa a mexer-se nas paredes, nas vozes e nas memórias.

O que deveria ser um refúgio romântico transforma-se num labirinto de culpa e paranóia, onde o tempo parece distorcer-se e os laços de amor se confundem com as correntes da possessão. As “forças sombrias” que emergem naquela cabana não são apenas sobrenaturais — são também os fantasmas da intimidade, as verdades enterradas e os segredos que nenhuma relação sobrevive a ouvir.

Perkins descreve o filme como “uma história de terror emocional disfarçada de conto de amor”, e, conhecendo a sua obra, é seguro esperar o inesperado: ambientes minimalistas, silêncios longos e uma tensão que se infiltra lentamente, até que já é tarde demais para fugir.

O estilo Perkins: terror com elegância e alma

Filho do lendário Anthony Perkins (Psycho), Osgood construiu o seu próprio espaço no cinema contemporâneo com uma assinatura distinta — o terror atmosférico, cerebral e profundamente humano.

Em Keeper: Para Sempre, essa abordagem parece atingir nova maturidade. Perkins não se contenta com sustos fáceis: prefere explorar a psicologia das personagens, a dor do passado e o peso das escolhas. O resultado é um terror que se sente na pele, mas também no coração.

Visualmente, o filme promete a habitual estética fria e milimetricamente composta — cada plano uma pintura gótica, cada sombra um eco de culpa. A banda sonora, minimalista e dissonante, reforça o desconforto emocional que atravessa toda a narrativa.

O terror como metáfora

O que distingue o cinema de Osgood Perkins é a forma como o sobrenatural serve de espelho para o que é profundamente humano. Em Keeper: Para Sempre, a cabana isolada funciona como uma metáfora de confinamento — o local onde os segredos do casal, cuidadosamente trancados ao longo dos anos, encontram forma e voz.

É um filme sobre o que escondemos das pessoas que amamos e o que acontece quando o passado exige ser ouvido. E, como em Longlegs, o medo não vem apenas do exterior, mas da inevitabilidade do confronto interior.

A promessa de um novo clássico moderno

Com Keeper: Para Sempre, a Neon e Osgood Perkins consolidam uma parceria que tem redefinido o terror contemporâneo: inteligente, visualmente sofisticado e emocionalmente devastador.

Em tempos em que o género é dominado por sustos fáceis e clichés, Perkins propõe outra coisa: um mergulho no íntimo, onde o horror nasce da empatia e da dor, não apenas do medo.

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Prepare-se para um filme que não grita — sussurra. Que não assusta com monstros, mas com verdades. Que não se esquece quando termina.

🎬 Keeper: Para Sempre

📅 Estreia: 20 de novembro de 2025

🎭 Género: Thriller Psicológico

🎥 Realização: Osgood Perkins (O Colecionador de AlmasLonglegs)

🏠 Distribuição em Portugal: Estreia nacional nas principais salas de cinema

Allison Mack Quebra o Silêncio: “Não Me Vejo Como Inocente”

A ex-estrela de Smallville  fala pela primeira vez sobre o culto NXIVM e a prisão

Durante anos, Allison Mack foi recordada como Chloe Sullivan, a jovem repórter destemida de Smallville. Mas, fora do ecrã, a actriz viveu uma das quedas mais sombrias e mediáticas de Hollywood: o seu envolvimento com o culto sexual NXIVM, liderado por Keith Raniere. Agora, aos 43 anos, Mack decidiu falar — pela primeira vez — no novo podcast documental da CBC, Allison After NXIVM, produzido por Vanessa Grigoriadis e apresentado por Natalie Robehmed, uma das jornalistas que acompanhou o caso desde o início.

O podcast, com sete episódios, tenta responder a uma pergunta que tem dividido o público e a crítica: quem é, afinal, Allison Mack? Uma vítima manipulada ou uma cúmplice que perpetuou abusos?

De estrela juvenil a cúmplice do horror

No primeiro episódio, intitulado It Happened in Vancouver, Mack recorda o momento em que conheceu o grupo. Foi em 2006, durante as filmagens de Smallville, através da colega Kristin Kreuk, que assistiu a uma sessão introdutória da organização. Inicialmente apresentada como uma “comunidade de auto-aperfeiçoamento”, NXIVM revelou-se, com o tempo, um esquema de controlo psicológico, abuso sexual e manipulação emocional orquestrado por Raniere.

Seduzida pelas promessas de empoderamento, Mack acabou por cair sob o domínio total do líder, tornando-se uma das suas seguidoras mais próximas. O podcast revela que ela abandonou a carreira e mudou-se para Albany, onde se localizava a sede do grupo. No interior da chamada “irmandade” feminina DOS, Mack não era apenas seguidora — era mestre: controlava mulheres, regulava o que comiam, quando dormiam e até quem podiam amar.

Pior ainda, foi ela quem recrutou várias vítimas para o círculo interno de Raniere, incluindo India Oxenberg, filha da actriz Catherine Oxenberg, uma das primeiras a denunciar publicamente o culto.

Prisão, culpa e tentativa de redenção

Allison Mack foi presa em 2018 e, após um longo processo judicial, condenada em 2021 por crimes de tráfico sexual, extorsão e conspiração. Cumpriu quase dois anos numa prisão federal e foi libertada em julho de 2023.

No podcast, a actriz descreve o dia da sentença como um dos momentos mais devastadores da sua vida:

“Oh, meu Deus, o meu pobre irmão atrás de mim, a ouvir tudo o que eu fiz. A minha mãe… foi horrível. Eu não me vejo como inocente. Eles eram inocentes. Eu não.”

Hoje, Mack diz estar casada, a estudar para um mestrado em Serviço Social, e a tentar compreender — e reparar — o que viveu e causou.

O passado que não desaparece

A história de NXIVM tornou-se pública em 2017, após a publicação da investigação Inside a Secretive Group Where Women Are Branded no New York Times. O artigo, assinado por Sarah Edmondson, expôs pela primeira vez os horrores do culto, incluindo a marcação a ferro das seguidoras com as iniciais de Raniere.

O caso ganhou ainda mais notoriedade com a série documental da HBO, The Vow, que retratou o colapso da organização e a lenta desprogramação das suas vítimas. Nas gravações originais, feitas pelo próprio Raniere, Mack aparece como uma figura silenciosa mas central — uma espécie de Ghislaine Maxwell do universo NXIVM.

Raniere foi condenado em 2019 a 120 anos de prisão, enquanto Nancy Salzman, cofundadora do grupo, e a filha, Lauren Salzman, receberam penas mais leves após colaborarem com as autoridades.

“Não sou vítima pura, nem vilã total”

Ao longo dos episódios, Allison After NXIVM não tenta redimir Mack, mas também não a reduz a um estereótipo. O podcast mostra uma mulher fragmentada, entre o trauma e a responsabilidade, entre o arrependimento e a vergonha. Mack reconhece que foi manipulada, mas também teve poder — e abusou dele.

“Houve um tempo em que eu acreditava que o que estava a fazer era bom. Hoje percebo que contribuí para algo monstruoso. E não posso fugir disso.”

Apesar das críticas ao facto de lhe ser dada uma plataforma, a produção não poupa nas perguntas difíceis e confronta Mack com os depoimentos das vítimas. Pela primeira vez, ela escuta as consequências das suas ações, sem edições nem filtros.

Uma voz que incomoda

“Allison After NXIVM” não é um exercício de autopiedade. É um retrato desconfortável — e necessário — sobre como a manipulação, a fé cega e a sede de pertença podem transformar vítimas em cúmplices.

Allison Mack nunca voltará a ser apenas a rapariga de Smallville. Mas, nesta nova fase, tenta, pelo menos, ser alguém que não fuja da verdade.

Florence Pugh Fala Sem Filtros Sobre as Cenas Íntimas em Hollywood: “Há Coordenadores Bons e Maus”

A atriz britânica aborda os bastidores de um tema sensível

Florence Pugh, uma das intérpretes mais talentosas e respeitadas da nova geração, abriu o jogo sobre um tema que continua a gerar debate em Hollywood: o papel dos coordenadores de intimidade.

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Durante uma conversa franca no The Louis Theroux Podcast, a actriz nomeada ao Óscar partilhou as suas experiências com estes profissionais, criados para assegurar que as cenas de sexo e nudez sejam filmadas com segurança, respeito e consentimento.

“Já trabalhei com bons e maus”, admitiu Pugh. “O objectivo não é complicar, nem tornar tudo mais estranho — é garantir que todos se sintam protegidos. Mas o trabalho ainda está a encontrar o seu equilíbrio.”

Entre o apoio e o desconforto

Desde a sua criação, o papel do coordenador de intimidade tem dividido opiniões. Algumas estrelas, como Jennifer Lawrence e Gwyneth Paltrow, afirmaram recentemente não sentir necessidade de recorrer a esses profissionais. Lawrence revelou que não teve um coordenador em Die My Love, explicando: “Senti-me segura com o Rob [Pattinson]. Ele não é nada inconveniente.”

Já Paltrow contou que, durante as filmagens de Marty Supreme (ao lado de Timothée Chalamet), pediu ao coordenador que “se afastasse um pouco”:

“Se alguém me disser ‘agora ele vai pôr a mão aqui’, eu sinto-me limitada como artista. Prefiro que a cena flua com naturalidade.”

Florence Pugh, por sua vez, reconheceu que o papel ainda se está a definir — e que, como em qualquer função, há profissionais exemplares e outros que “só atrapalham”.

“Tive uma má experiência, em que a pessoa tornou tudo tão estranho e tão desconfortável que deixou de ser útil”, confessou. “Parecia apenas querer fazer parte do set, sem perceber o impacto da sua presença.”

A importância de encontrar “a dança da intimidade”

Apesar das críticas, Pugh defende que os bons coordenadores são essenciais — não apenas pela segurança, mas pelo valor artístico que acrescentam à narrativa.

“Trabalhar com excelentes coordenadores ensinou-me que uma cena íntima pode ter camadas e significado”, explicou. “Não se trata só de mostrar sexo — é descobrir que tipo de intimidade existe entre aquelas pessoas, quanto tempo estão juntas, o que sentem. É uma dança, não uma coreografia mecânica.”

A actriz sublinha que essa abordagem permite humanizar o erotismo e proteger os intérpretes, especialmente as mulheres, num meio onde o poder e o abuso de autoridade ainda são temas delicados.

“Ser mulher no set é mais complicado”

Florence Pugh também abordou o peso de ser mulher em filmagens emocionalmente intensas, lembrando um episódio em que teve de filmar repetidamente uma cena de choro exaustiva.

“Fiz a cena seis vezes, sempre a começar do zero, e o realizador queria mais uma. Eu estava de rastos, mas não consegui dizer que não”, contou.

Foi o colega masculino quem interveio, pedindo ao realizador que parasse.

“Ele disse: ‘Não a faças passar por isto outra vez, já tens o que precisas.’ Nesse momento percebi: eu nunca teria dito isso, porque seria mal recebida.”

A actriz reconhece que a cultura do silêncio ainda pesa sobre as mulheres, que temem ser vistas como “difíceis” ou “problemáticas” se impuserem limites. É precisamente aí que, segundo Pugh, os coordenadores de intimidade podem ser cruciais — funcionando como mediadores de respeito num ambiente onde a vulnerabilidade é inevitável.

Uma voz necessária no debate

Com apenas 28 anos, Florence Pugh já trabalhou com alguns dos realizadores mais exigentes de Hollywood — de Greta Gerwig (Little WomenBarbie) a Christopher Nolan (Oppenheimer). E o seu testemunho vem reforçar uma ideia que a indústria ainda aprende a aceitar: filmar cenas de intimidade requer tanto rigor técnico como qualquer outra sequência dramática.

Pugh encerrou a entrevista com uma nota de otimismo:

“Agora que trabalhei com coordenadores realmente bons, percebo o que tem faltado a muitas cenas — o respeito pela história e pelas pessoas que a contam.”

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Num Hollywood que ainda se ajusta ao pós-#MeToo, a mensagem de Pugh é clara: a intimidade, tal como a arte, exige confiança, empatia e coragem.

Nicole Kidman Junta-se a The Young People — O Novo Thriller de Osgood Perkins

A rainha do suspense regressa ao terror com o realizador de Longlegs

Nicole Kidman está de volta ao género que a consagrou como uma das grandes damas do cinema contemporâneo. A actriz australiana, vencedora de um Óscar e recordada por papéis que equilibram vulnerabilidade e frieza, juntou-se ao elenco de The Young People — o novo filme de Osgood Perkins, o realizador que arrepiou o público com Longlegs e The Monkey.

O projecto, produzido pela Neon, será lançado nos cinemas norte-americanos e promete continuar a ascensão meteórica de Perkins como o novo mestre do terror psicológico. O estúdio descreve The Young People como o início de uma parceria prolongada com o realizador, depois do sucesso estrondoso de Longlegs, que se tornou o filme independente mais lucrativo de 2024, com mais de 75 milhões de dólares nas bilheteiras dos EUA.

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Um elenco jovem, mas de peso

Além de Kidman, o elenco principal inclui Lola Tung (The Summer I Turned Pretty) e Nico Parker (How to Train Your Dragon), duas estrelas emergentes que assumem o protagonismo da história, ao lado de um grupo diversificado de nomes de culto e talento televisivo: Brendan Hines (The Tick), Cush Jumbo (The Good Wife), Heather Graham (Drugstore Cowboy), Johnny Knoxville (Jackass), Lexi MinetreeLily Collias (Good One) e Tatiana Maslany (Orphan Black).

Detalhes sobre o enredo ainda estão sob sigilo — o que, vindo de Osgood Perkins, só aumenta a expectativa. Conhecido pela sua abordagem subtil e profundamente atmosférica, o realizador raramente entrega histórias lineares. Em The Young People, espera-se mais uma viagem pela psicologia do medo, onde a juventude e a inocência se tornam terreno fértil para o horror.

O terror elegante de Nicole Kidman

Nicole Kidman não é estranha ao género. Antes de brilhar em dramas como The Hours ou Big Little Lies, a actriz já tinha arrepiado o público em “The Others” (2001), de Alejandro Amenábar — um dos grandes clássicos do terror moderno. A sua interpretação da mãe isolada numa mansão assombrada valeu-lhe nomeações ao BAFTA e ao Globo de Ouro, além de ter transformado o filme num fenómeno mundial, com mais de 210 milhões de dólares arrecadados.

Agora, com The Young People, Kidman regressa às sombras, prometendo um papel que mistura o seu domínio emocional com o toque inquietante de Perkins — um realizador que prefere sugerir o medo a mostrá-lo, e que, como poucos, sabe transformar o silêncio em desconforto.

Entre Scarpetta (para a Prime Video) e Margo’s Got Money Trouble (para a Apple TV+), Kidman volta a demonstrar uma versatilidade raramente igualada. Aos 58 anos, continua a desafiar-se com papéis que fogem à previsibilidade de Hollywood — e o terror, com o seu magnetismo sombrio, parece ser o terreno ideal para esse novo capítulo.

O futuro do horror tem assinatura Neon

Com The Young People, a Neon reforça o seu papel como casa do cinema de autor contemporâneo. A produtora e distribuidora — que lançou títulos como Parasite e Titane — aposta agora em Osgood Perkins como figura central de uma nova era do terror: inteligente, estético e desconcertante.

Depois de Longlegs, considerado por muitos críticos o filme mais perturbador dos últimos anos, e de The Monkey, que teve uma das melhores estreias da história do estúdio, The Young People surge como o próximo passo lógico — e, com Nicole Kidman a bordo, o mais ambicioso até agora.

Um segredo à espera de ser revelado

Ainda sem sinopse oficial, o filme promete manter o estilo enigmático que tornou Osgood Perkins uma das vozes mais singulares do cinema contemporâneo. O que se sabe é que o realizador continua obcecado com os temas da juventude, da culpa e da herança emocional — tópicos que, nas suas mãos, se transformam em terror puro.

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Com estreia prevista para 2026The Young People promete ser um dos filmes mais aguardados do próximo ano — e, com Kidman à frente do elenco, há razões de sobra para acreditar que o terror vai continuar a ser o género mais sofisticado de Hollywood.

Sally Kirkland — A Atriz Que Viveu Sem Medo das Câmaras (Nem da Vida)

Uma carreira feita de coragem, entrega e intensidade

O cinema norte-americano despede-se de uma das suas intérpretes mais genuínas e imprevisíveis. Sally Kirkland, nome maior do teatro e do cinema independente, morreu aos 84 anos num hospital de cuidados paliativos em Palm Springs. A actriz, que começou como modelo antes de se tornar presença constante nos palcos e ecrãs, deixa uma filmografia marcada pela ousadia e pela vulnerabilidade — duas qualidades que definiam não apenas a sua arte, mas a própria mulher.

A notícia foi confirmada pelo seu representante, Michael Greene, que revelou que Kirkland enfrentava sérios problemas de saúde desde o início do outono, após fraturas múltiplas no pescoço, punho e anca, agravadas por infeções. Amigos e colegas chegaram a criar uma campanha de apoio para custear os tratamentos médicos — um gesto que espelha o carinho e respeito que inspirava na comunidade artística.

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De modelo precoce a actriz de culto

Nascida em Nova Iorque, filha de uma editora de moda da Vogue e da Life Magazine, Sally Kirkland começou a posar aos cinco anos de idade, antes de se formar na American Academy of Dramatic Arts. Foi aluna de Lee Strasberg e Philip Burton, mestres do method acting, e cedo revelou uma entrega sem limites.

A sua carreira começou no teatro experimental dos anos 60, com destaque para a performance ousada em Sweet Eros, de Terrence McNally, onde apareceu totalmente nua — um gesto que a imprensa da época descreveu como “a fronteira entre arte e provocação”.

Em 1964, participou no filme de Andy Warhol 13 Most Beautiful Women, e nos anos seguintes tornou-se presença habitual nas produções off-Broadway. Encenou Shakespeare, interpretando Helena em Sonho de uma Noite de Verão e Miranda em A Tempestade, defendendo até ao fim da vida que “ninguém pode chamar-se actor sem ter passado por Shakespeare”.


“Anna”: o papel que lhe deu o mundo

Depois de dezenas de papéis secundários em filmes como The Way We Were (com Barbra Streisand), The Sting (com Paul Newman e Robert Redford) e JFK (de Oliver Stone), Sally Kirkland teve, finalmente, o seu grande momento com “Anna” (1987), de Yurek Bogayevicz.

No papel de uma actriz checa em declínio que tenta reconstruir a vida nos Estados Unidos, Kirkland ofereceu uma das interpretações mais intensas e comoventes da década, conquistando o Globo de Ouro de Melhor Actriz e uma nomeação ao Óscar.

A crítica do Los Angeles Times foi peremptória:

“Kirkland é uma dessas intérpretes cujo talento era um segredo aberto entre actores, mas um mistério para o público. Com esta performance incandescente, não haverá mais dúvidas sobre quem ela é.”

Na cerimónia dos Óscares, competiu lado a lado com Cher (Moonstruck), Glenn Close (Fatal Attraction), Holly Hunter(Broadcast News) e Meryl Streep (Ironweed) — uma prova do respeito conquistado pela sua entrega absoluta à arte.


Um percurso entre o cinema, a televisão e o activismo

Ao longo das décadas seguintes, Kirkland manteve uma carreira prolífica, alternando entre cinema e televisão. Participou em séries como Criminal MindsRoseanne e Charlie’s Angels, e em filmes como Revenge (com Kevin Costner), EDtv (de Ron Howard), Bruce Almighty (com Jim Carrey) e Heatwave (com Cicely Tyson).

Mas a actriz também ficou conhecida pelo seu espírito livre e compromisso humanitário. Foi voluntária junto de pessoas com SIDA, cancro e doenças cardíacas, colaborou com a Cruz Vermelha Americana no apoio a sem-abrigo e participou em telemaratonas para hospícios. Também foi uma defensora ativa de prisioneiros e jovens em risco, uma faceta menos visível mas profundamente admirada.

Kirkland era adepta de movimentos espirituais alternativos, ensinando seminários de transformação pessoal e associando-se à Church of the Movement of Spiritual Inner Awareness, dedicada à transcendência da alma.

A actriz que nunca se escondeu

Sally Kirkland nunca temeu o risco. Do teatro experimental à nudez em protestos e causas sociais, o seu corpo e a sua voz foram sempre instrumentos de expressão, arte e convicção. Time Magazine chegou a chamá-la, com humor, “a Isadora Duncan do nudismo teatral”, um título que ela aceitava com orgulho.

A sua carreira teve altos e baixos — chegou a ser alvo de chacota pela participação em Futz (1969), um filme tão desastroso que um crítico do The Guardian o chamou “o pior filme que já vi”. Mas nem isso abalou o espírito da actriz. Kirkland continuou a trabalhar, a ensinar e a inspirar.

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Hoje, ao recordar Sally Kirkland, o que fica não é a nudez nem o escândalo — é a autenticidade feroz de uma mulher que viveu a arte como uma forma de libertação.

Marty Supreme — Timothée Chalamet Entra em CampoPara Conquistar o Óscar

O novo épico desportivo da A24 já faz furor

Preparem as raquetas e os corações cinéfilos: a A24 acaba de lançar o novo trailer de Marty Supreme, a aguardada comédia dramática de Josh Safdie que promete transformar Timothée Chalamet num dos grandes favoritos à próxima temporada de prémios. O actor interpreta Marty Mauser, um prodígio do ténis de mesa nos anos 50 que luta para ser levado a sério num desporto dominado por egos, extravagância e obsessão pela vitória.

Inspirado livremente na vida real do lendário jogador Marty Reisman, vencedor de cinco medalhas em campeonatos mundiais, o filme apresenta-se como uma fábula retro sobre ambição, talento e o preço da glória — tudo embrulhado na energia crua e nervosa que se tornou marca registada de Safdie desde Uncut Gems.

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Uma história à medida de um “dark horse”

Marty Supreme marca o regresso de Josh Safdie à realização a solo — o seu primeiro filme sem o irmão Benny desde The Pleasure of Being Robbed (2008). Escrito em parceria com Ronald Bronstein, o projecto conta com uma equipa de peso na produção: Safdie, Bronstein, Eli Bush, Anthony Katagas, Chalamet e o próprio estúdio A24.

O elenco é tão improvável quanto fascinante: Gwyneth PaltrowFran DrescherTyler, The CreatorPenn JilletteOdessa A’zionKevin O’Leary (de Shark Tank) e até o lendário Abel Ferrara participam nesta mistura vibrante entre sátira desportiva e drama existencial.

Durante uma sessão secreta no Festival de Nova Iorque, em Outubro, o filme recebeu uma ovação de pé, com Chalamet, Safdie e parte do elenco a surgirem de surpresa. Em palco, o actor descreveu a obra como “uma carta de amor a Nova Iorque”, sublinhando o orgulho de estrear o filme na sua cidade natal.

O renascimento de um artista e o prenúncio dos Óscares

Desde a exibição surpresa, a crítica norte-americana não tem poupado elogios. O editor de prémios da VarietyClayton Davis, afirmou que Marty Supreme pode ser o “spoiler” da temporada:

“Num ano em que quatro filmes já se destacam com mais de dez previsões de nomeações, Marty Supreme surge como o cavalo negro que ninguém esperava — tal como o seu protagonista, um jovem com um sonho em que ninguém acredita e que vai até ao inferno e volta em busca da grandeza.”

Com a performance de Chalamet a ser descrita como “hipnótica, nervosa e vulnerável”, muitos apostam que o actor possa finalmente conquistar o Óscar de Melhor Actor que lhe tem escapado, após indicações por Call Me By Your Name e Dune: Part Two.

Safdie, Chalamet e a estética da intensidade

A junção de Josh Safdie e Timothée Chalamet é uma combinação que faz sentido: ambos são obcecados pela energia do detalhe e pela verdade do caos. Safdie filma a pressão como poucos — basta recordar Uncut Gems e a claustrofobia que o acompanha —, e Chalamet, com a sua fisicalidade nervosa e olhar febril, parece ter encontrado aqui o papel ideal.

Visualmente, o filme promete ser um banquete retro, com estética inspirada em revistas desportivas dos anos 50, trilha sonora jazzística e o habitual grão sujo de 16mm que dá à A24 o seu charme autoral.

Um Natal com cheiro a Óscar

Com estreia marcada para 25 de dezembroMarty Supreme chega às salas como o presente de Natal mais desejado para os amantes de cinema de autor. A crítica vê nele um concorrente inesperado, a A24 aposta num novo fenómeno, e o público prepara-se para ver Chalamet em modo total: carismático, obsessivo e, como sempre, à beira do colapso.

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Se Uncut Gems era o caos urbano e pulsante da Nova Iorque moderna, Marty Supreme é o seu espelho nostálgico — uma história de suor, sonho e redenção em mesa de pingue-pongue.

George Clooney — O Batman Que Ninguém Queria Ser

Como um episódio de ER levou Bruce Wayne à urgência

Antes de ser o galã de Hollywood e o realizador respeitado que hoje todos conhecem, George Clooney era o Dr. Doug Ross da icónica série médica ER – Serviço de Urgência. E foi precisamente um episódio dessa série, segundo o realizador Christopher Chulack, que mudou o rumo da sua carreira — e, involuntariamente, o destino do pior filme de Batman alguma vez feito.

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Em entrevista à TV Insider, Chulack revelou que o episódio “Hell and High Water”, emitido em Novembro de 1995, foi o catalisador que levou Clooney a vestir o capuz do Cavaleiro das Trevas. Nesse episódio, o médico Doug Ross protagoniza uma operação de resgate heróica, salvando um rapaz preso num esgoto inundado — uma sequência intensa que captou 45 milhões de espectadores e deixou a América colada ao ecrã.

“No dia seguinte, os presidentes da Warner Bros. Television bateram à porta do camarim do George e disseram-lhe: ‘Vais ser o próximo Batman por causa do heroísmo deste episódio’”, contou Chulack.

Pouco depois, Clooney estava em filmagens para Batman & Robin (1997), realizado por Joel Schumacher e com um elenco estelar: Uma ThurmanArnold SchwarzeneggerChris O’Donnell e Alicia Silverstone.

O herói que caiu no ridículo

Mas o sonho depressa se tornou pesadelo. Para os fãs da DC Comics e para a crítica em geral, Batman & Robin foi unanimemente considerado o pior filme de toda a saga Batman — e, inevitavelmente, o pior Batman de sempre.

Com vilões caricatos, frases de antologia (“Everybody chill!”), cores berrantes e fatos anatómicos com mamilos em relevo, o filme foi um fracasso tanto artístico como comercial. Clooney, que herdava o papel após Michael Keaton e Val Kilmer, viu-se transformado num meme cinematográfico antes dos memes existirem.

O próprio actor nunca escondeu o embaraço. Em várias entrevistas, Clooney confessou que rever o filme “ainda dói” e que proibiu a família de o ver — incluindo a mulher, Amal Clooney. “Nunca mostrei Batman & Robin à minha mulher. Quero que continue a respeitar-me”, disse com ironia numa conversa com o Variety.

O resgate da carreira

Apesar do fiasco monumental, Clooney rapidamente fez o que o seu Batman não conseguiu: salvou-se a si próprio. Após o desastre de 1997, o actor afastou-se de blockbusters e mergulhou em projetos mais sérios e pessoais, apostando em papéis exigentes e colaborações com realizadores de peso.

Em Three Kings (1999) e Syriana (2005) mostrou a sua veia dramática; em O Brother, Where Art Thou? (2000) revelou talento cómico; e em Good Night, and Good Luck (2005) e Michael Clayton (2007) consolidou o estatuto de actor e realizador de prestígio.

Hoje, Clooney é sinónimo de elegância, inteligência e filantropia — um dos rostos mais respeitados de Hollywood. Mas, por mais prémios que acumule, o espectro do seu Batman camp e sorridente continuará a persegui-lo.

Entre a dor e a redenção

É curioso pensar que tudo começou com um herói da medicina numa série televisiva e terminou com um super-herói que se tornou piada. Clooney conseguiu redimir-se, mas Batman & Robin permanece como uma cicatriz na sua filmografia — uma ferida antiga que ainda o faz estremecer sempre que alguém menciona “mamilos no fato”.

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E, sejamos honestos: se até o próprio diz que o filme dói, talvez devêssemos poupá-lo de mais uma revisita.

Ruby Rose Ataca Sydney Sweeney: “Arruinaste o Filme”

Uma polémica que agita Hollywood

Hollywood nunca dorme — e quando o drama não vem do grande ecrã, vem das redes sociais. Desta vez, o palco da discórdia chama-se Christy, o novo biopic sobre a lendária pugilista Christy Martin, e as protagonistas do combate fora do ringue são Ruby Rose e Sydney Sweeney. A actriz australiana, conhecida por Orange Is the New Black, lançou farpas públicas a Sweeney, acusando-a de ter “arruinado o filme” e de transformar uma história inspiradora numa oportunidade desperdiçada.

A faísca acendeu-se quando Christy estreou nos cinemas, arrecadando apenas 1,3 milhões de dólares na estreia americana — um resultado decepcionante para um projecto que prometia impacto emocional e visibilidade para o boxe feminino. Sweeney interpreta Christy Martin, figura histórica que, nos anos 90, quebrou barreiras num desporto dominado por homens e cuja vida pessoal foi marcada por coragem, violência e superação.

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Ruby Rose: “Christy merecia melhor”

Na terça-feira, Ruby Rose utilizou a rede Threads para desabafar a sua frustração com o filme e com a actriz principal. No texto, revelou ter estado originalmente ligada ao projecto, quando este ainda estava em desenvolvimento:

“O guião original de Christy Martin era incrível. Mudava vidas. Eu estava ligada para interpretar a Cherry — era assim que chamávamos a Christy. A maioria de nós era gay, e tínhamos ligação verdadeira com a história. Foi isso que me manteve na representação.”

Rose criticou abertamente o rumo que o filme tomou e o que considera ter sido uma falta de autenticidade na escolha do elenco, insinuando que Sweeney não teria ligação emocional nem compreensão suficiente do universo retratado:

“As pessoas não querem ver alguém que nos despreza a fingir ser um de nós. És uma cretina e arruinaste o filme. Ponto final. Christy merecia melhor.”

Sydney Sweeney responde com serenidade

As declarações de Rose surgem na sequência de uma publicação de Sydney Sweeney no Instagram, onde a actriz procurou reagir à fraca performance comercial de Christy. Num tom diplomático, Sweeney agradeceu aos fãs pelo apoio e afirmou orgulhar-se da mensagem do filme:

“Nem sempre fazemos arte pelos números. Fazemo-la pelo impacto.”

Mas as palavras não bastaram para conter a onda de críticas — especialmente vindas de quem, como Ruby Rose, defende que histórias queer ou de minorias devem ser contadas por quem vive essas realidades.

A actriz australiana reforçou ainda que o filme perdeu a “voz autêntica” que o tornava especial e lamentou ver uma oportunidade desperdiçada de representar uma mulher complexa e inspiradora como Christy Martin com a verdade que ela merecia.

Um debate que vai além de um filme

A controvérsia reacendeu um debate antigo em Hollywood: quem tem o direito de contar certas histórias? Será a interpretação uma questão de talento e empatia ou de representatividade real?

Kathryn Bigelow — A Mestra da Tensão Que Mudou as Regras de Hollywood

Enquanto Christy enfrenta críticas mornas e resultados de bilheteira abaixo do esperado, Ruby Rose e Sydney Sweeney tornam-se, involuntariamente, símbolos de uma discussão maior sobre autenticidade, identidade e poder criativo na indústria cinematográfica.

No fim, resta uma certeza: mesmo longe do ringue, as lutas de Christy Martin continuam — agora no coração de Hollywood.

“Sem Tempo” — Quando o Tempo se Torna Dinheiro

Um futuro onde o relógio dita a vida

Num futuro não muito distante, o dinheiro deixou de ser a medida de valor. Em Sem Tempo (In Time, 2011), Andrew Niccol, o realizador de Gattaca e argumentista de The Truman Show, imagina uma sociedade onde o tempo de vida é literalmente a moeda corrente. Cada pessoa tem um contador luminoso no antebraço que indica quanto tempo lhe resta. Trabalhar dá tempo; gastar, custa tempo. E quando o relógio chega a zero, o coração pára.

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A ideia é tão simples quanto perturbadora: as desigualdades sociais deixaram de se medir em riqueza, mas em segundos. Os ricos vivem séculos, praticamente imortais; os pobres lutam dia após dia por mais umas horas de existência.

É neste mundo de injustiça programada que conhecemos Will Salas (Justin Timberlake), um jovem operário da zona pobre que, por acaso do destino, recebe uma fortuna em tempo. A sua nova riqueza transforma-o num alvo — e num fugitivo. Ao lado de Sylvia Weis (Amanda Seyfried), filha de um magnata que controla as “bancas do tempo”, Will decide desafiar o sistema e devolver os minutos roubados aos que vivem condenados à pressa.

Entre a ficção científica e a crítica social

Andrew Niccol constrói uma parábola moral de precisão quase matemática. O conceito do tempo como moeda é uma metáfora poderosa para o capitalismo extremo, onde cada segundo tem preço e a vida humana se transforma num bem transacionável. A estética do filme — fria, limpa, sem excessos — reforça essa sensação de artificialidade e controlo.

Sem Tempo é um daqueles filmes em que a ficção científica serve de espelho à realidade. O contraste entre os distritos miseráveis de Dayton e as luxuosas “zonas temporais” dos mais abastados lembra uma versão futurista de Metrópolis com estética retro-futurista, onde carros clássicos deslizam por ruas impecáveis enquanto, nas sombras, as massas lutam por respirar.

Performances e energia

Justin Timberlake, num dos papéis mais sérios da sua carreira, surpreende ao equilibrar vulnerabilidade e revolta. Amanda Seyfried é o contraponto ideal — fria e ingénua no início, cúmplice e ousada à medida que o filme acelera. E Cillian Murphy, como o impiedoso “guarda do tempo”, empresta à narrativa a tensão necessária para manter o público colado ao ecrã.

O ritmo do filme é constante, quase como o tique-taque de um relógio. Niccol filma perseguições elegantes, diálogos curtos e olhares carregados de urgência. Há um charme particular em ver a ficção científica tratada com esta clareza moral: aqui, a ação e a ideia correm lado a lado, sem que nenhuma se perca no caminho.

Um filme que nos deixa a pensar

Apesar de algumas críticas que apontaram falhas no desenvolvimento do enredo, Sem Tempo mantém um encanto próprio. A sua força não está na complexidade do argumento, mas na simplicidade da metáfora — e na forma como esta ressoa em tempos de desigualdade crescente. Num mundo onde a expressão “tempo é dinheiro” nunca foi tão literal, Niccol lembra-nos que o tempo, mais do que uma moeda, é o que nos torna humanos.

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O resultado é um filme elegante e provocador, que mistura ação, romance e filosofia numa só corrida contra o inevitável. Ao final, o espectador fica com a sensação de ter desperdiçado nada — apenas de ter gasto quase duas horas da melhor forma possível: a pensar no valor do próprio tempo.

Marque na sua agenda para quinta-feira 13 de Novembro às 22:30 no canal Cinemundo.

Kathryn Bigelow — A Mestra da Tensão Que Mudou as Regras de Hollywood

A mulher que transformou a ação em arte

Kathryn Bigelow não é apenas uma realizadora — é uma força da natureza. Desde os primeiros passos como pintora conceptual até à consagração nos Óscares, a sua carreira tem sido um desafio permanente às expectativas da indústria. Nascida em 1951, na Califórnia, Bigelow começou por estudar pintura no prestigioso San Francisco Art Institute, mas cedo percebeu que o seu verdadeiro meio de expressão era o cinema. E o resto é história — uma história feita de adrenalina, explosões e personagens em permanente confronto com os seus próprios limites.

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Quando, em 2010, se tornou a primeira mulher a ganhar o Óscar de Melhor Realização por Estado de Guerra (The Hurt Locker), Bigelow não apenas quebrou um recorde: rasgou um estereótipo. Provou que o cinema de guerra, de ação e de ritmo frenético podia ter assinatura feminina — e que essa assinatura podia ser a mais incisiva de todas.

O olhar feminino sobre a tensão masculina

O cinema de Bigelow distingue-se pelo domínio absoluto da tensão. Cada plano é uma corda esticada ao limite, cada sequência um estudo de pulsação. Filmes como Ruptura Explosiva (Point Break, 1991) redefiniram o género de ação dos anos 90, misturando o espírito rebelde do surf com o caos urbano dos assaltos a bancos — e fizeram de Keanu Reeves e Patrick Swayze ícones de uma geração.

Depois, vieram obras mais sombrias e psicológicas como Strange Days (1995), um retrato de um futuro distópico que antecipou o debate sobre vigilância e tecnologia, e K-19: The Widowmaker (2002), com Harrison Ford e Liam Neeson, onde Bigelow explorou o medo e a honra dentro de um submarino nuclear soviético à beira da catástrofe.

Em todas estas histórias há uma constante: personagens à beira do colapso, testadas até ao limite — física e emocionalmente.

Novembro no Cinemundo: tensão garantida

Canal Cinemundo dedica o mês de novembro a celebrar o talento feroz de Kathryn Bigelow, com um ciclo que mostra o melhor da sua carreira. E ainda há dois filmes imperdíveis por ver:

  • 17 de novembro — K-19: O Submarino (22h30)
  • 24 de novembro — Estado de Guerra (The Hurt Locker, 22h30)

Do frio claustrofóbico das profundezas do oceano à poeira sufocante do deserto iraquiano, Bigelow mostra duas faces do mesmo tema: o preço da coragem.

Em K-19, mergulhamos numa missão soviética à beira do desastre nuclear; em Estado de Guerra, seguimos uma equipa de artificieiros no Iraque, onde cada segundo pode ser o último. São dois filmes que captam na perfeição o que faz de Bigelow uma autora única — a capacidade de nos deixar sem fôlego e, ainda assim, completamente imersos na humanidade das suas personagens.

E na Netflix… prestes a explodir

Para quem quiser continuar mergulhado no universo de Bigelow, há mais uma razão para não perder o fôlego: o filme Prestes a Explodir (Blue Steel) está disponível na Netflix. Este thriller dos anos 90, protagonizado por Jamie Lee Curtis, é um exemplo clássico da tensão psicológica que viria a definir o estilo da realizadora — uma história de obsessão e violência urbana que ainda hoje permanece surpreendentemente atual.

Uma autora que desafia géneros

Kathryn Bigelow é uma daquelas raras realizadoras cuja obra tem a mesma intensidade de uma detonação controlada: precisa, brutal e fascinante. O seu cinema desafia géneros, redefinindo a ação com uma sensibilidade quase documental e uma estética que nunca faz concessões.

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De The Loveless a Estado de Guerra, passando por Zero Dark Thirty, Bigelow construiu uma filmografia onde a adrenalina é arte e o silêncio pode ser mais explosivo do que qualquer bomba.

Em novembro, o Cinemundo dá-lhe o palco que merece — e nós, espectadores, só temos de segurar a respiração