Cinemas em Portugal em crise: Quebra histórica em agosto e “Os Mauzões 2” à frente das bilheteiras

Agosto, tradicionalmente um dos meses mais fortes para o cinema em Portugal, trouxe este ano um balanço preocupante: uma quebra de 41,7% no número de espectadores em relação ao mesmo período de 2024. Segundo dados divulgados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), as salas registaram apenas 962,6 mil bilhetes vendidos, face aos 1,6 milhões do ano passado.

A descida refletiu-se também na receita de bilheteira, que ficou nos 6,24 milhões de euros, menos 39,9% do que em agosto de 2024, quando os valores ultrapassavam os 10 milhões.

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Uma tendência que já vinha de julho

Os sinais de alerta não surgiram do nada. Já em julho, as salas portuguesas tinham registado uma queda de 35,7% no número de espectadores e uma quebra de 31% na receita face ao ano anterior. No acumulado dos primeiros oito meses de 2025, a tendência confirma-se: há uma descida de 6,1% em público e 2,9% em receita relativamente a 2024.

Ainda assim, importa notar que, até julho, o setor conseguia apresentar algum crescimento no comparativo anual, com mais 2,8% em espectadores e 6,7% em receita. Agosto, no entanto, veio inverter o cenário.

“Os Mauzões 2” lidera as preferências

Apesar das dificuldades, algumas produções conseguiram destacar-se. “Os Mauzões 2”, filme de animação de Pierre Perifel, foi o mais visto em agosto, somando 137 mil entradas desde a estreia, a 31 de julho.

No acumulado do ano, a liderança continua nas mãos de “Lilo e Stitch”, realizado por Dean Fleischer Camp, que já atraiu 660 mil espectadores desde a estreia, em maio. Logo a seguir surge “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, com mais de 384 mil bilhetes vendidos desde janeiro.

Cinema português também em destaque

No panorama nacional, “O Pátio da Saudade”, de Leonel Vieira, tornou-se o filme português mais visto do ano, com perto de 55 mil espectadores desde a estreia, a 14 de agosto. A produção ultrapassou “On Falling”, de Laura Carreira, que soma cerca de 13 mil entradas desde março.

O que esperar daqui para a frente?

Os números de agosto deixam clara a vulnerabilidade do setor. Se por um lado há títulos capazes de mobilizar plateias — sobretudo animações e grandes produções norte-americanas —, por outro, a quebra generalizada levanta questões sobre hábitos de consumo, preços de bilhetes e capacidade de atrair públicos num verão marcado por alternativas de lazer ao ar livre.

O desafio será perceber se setembro e os meses seguintes, tradicionalmente mais fortes em estreias de prestígio e blockbusters de outono, conseguem inverter a tendência negativa e devolver fôlego às salas portuguesas.

Psicóloga Explica Caso Chocante de Número Desconhecido – Catfish no Liceu: Porque é que Kendra Licari Perseguiu a Própria Filha

O escândalo por trás do documentário da Netflix

O documentário da Netflix Número Desconhecido – Catfish no Liceu expõe um dos casos mais perturbadores de cyberbullying dos últimos anos: Kendra Licari, uma mãe do Michigan, foi responsável por milhares de mensagens abusivas enviadas à sua própria filha, Lauryn Licari, de apenas 13 anos, e ao namorado desta, Owen McKenny.

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O caso, que chamou a atenção do FBI em 2020, terminou com Kendra condenada em 2023 por perseguição a menores. Sentenciada a até cinco anos de prisão, foi libertada em liberdade condicional em agosto de 2024, mas proibida de contactar Lauryn ou Owen até 2026.

“Não foi um erro, foi abuso”

A psicóloga Dr. Mcayla Sarno analisou o caso e explicou que o comportamento de Kendra não pode ser visto como fruto do stress parental, mas sim como uma necessidade obsessiva de controlo.

“Ela tratava Lauryn como uma extensão da sua própria identidade, não como filha. Cada mensagem, cada manipulação, não era amor. Era poder e ego. Não foi um erro. Foi abuso disfarçado de cuidado”, afirmou Sarno.

Para a especialista, manter Lauryn assustada e dependente era a forma de Kendra manter domínio total, numa dinâmica de manipulação emocional destrutiva.

Munchausen digital e narcisismo

Sarno identificou ainda no comportamento de Kendra traços de “Munchausen digital”, fenómeno em que alguém inventa doenças ou crises online para obter atenção ou simpatia. Mas sublinhou que, neste caso, o problema vai mais fundo:

“O Munchausen foi apenas a estratégia. O que a impulsionava era uma personalidade narcisista, centrada no controlo, na admiração e no poder sobre os outros.”

Segundo a psicóloga, a distinção é importante: há o risco de a opinião pública suavizar o julgamento de Kendra se focar apenas na síndrome, esquecendo o padrão de narcisismo abusivo.

Reconciliação possível?

Apesar da gravidade dos atos, o documentário mostra que tanto mãe como filha ainda nutrem esperança numa eventual reconciliação:

  • Kendra afirmou acreditar que um dia voltará a ter uma relação com Lauryn: “Nós sabemos que estaremos sempre uma com a outra, aconteça o que acontecer.”
  • Lauryn, que terminou o secundário em 2025, foi cautelosa: “Quero confiar nela, mas não consigo. Só quero que receba ajuda para que, quando nos virmos, não volte a ser como antes.”

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O impacto em Portugal

Com o título Número Desconhecido – Catfish no Liceu, o documentário chegou também à Netflix em Portugal, onde tem gerado discussão não apenas sobre a gravidade do caso, mas também sobre os perigos do abuso psicológico disfarçado de cuidado parental.

MOTELX 2025: O Terror Invade Lisboa – Descobre o Programa de Hoje

MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa continua a transformar o Cinema São Jorge (e não só) no epicentro do medo, da irreverência e da celebração cinéfila. Entre longas em competição, sessões especiais, encontros com realizadores e até festas madrugada fora, o programa de hoje é uma verdadeira maratona para quem respira cinema de género.

Curtas ao Almoço para abrir o apetite

O dia arranca às 13h00 na Sala 3, com a sessão Curtas ao Almoço: Internacionais #02, que reúne pequenos grandes sustos vindos de todo o mundo, de Skeeter a The Comedown. É a forma perfeita de aquecer motores para a maratona que se segue.

Tarde de estreias e descobertas

Logo depois, pelas 14h00, o ecrã da Sala Manoel de Oliveira recebe Redux Redux, dos irmãos McManus, um thriller eletrizante da secção Serviço de Quarto. Quase em paralelo, na Sala 3 (14h50), destaca-se The Serpent’s Skin, de Alice Maio Mackay, mais uma aposta do festival em jovens vozes do terror.

Às 16h20, chega uma das propostas mais intrigantes do dia: The Old Woman with the Knife, de Min Kyu-dong, um retrato visceral e inesperado de sobrevivência tardia. Ao mesmo tempo, na Sala 3 (16h50), o público terá nova oportunidade de ver Bulk, do britânico Ben Wheatley, que continua a dividir opiniões e a cimentar o seu lugar na competição Méliès d’Argent.

Final de tarde com encontros e prémios

MOTELX Lab regressa às 18h00 no Lounge, com a conversa Imagens e Reflexos, momento de partilha entre criadores e público. Já às 18h30, a Sala 2 recebe a Cerimónia de Prémios do Digital Film Festival, a secção paralela que olha para o futuro do audiovisual.

Noite de estrelas, clássicos e música

Quando o sol se põe, a programação acelera:

  • 19h00 (Sala Manoel de Oliveira): Her Will Be Done, da francesa Julia Kowalski, em competição e com a realizadora presente.
  • 19h10 (Sala 3): Sessão especial de culto com Tremors, de Ron Underwood – e sim, haverá convidado a apresentar este clássico.
  • 20h30 (Sala 2): Sessão dupla de Norbert Pfaffenbichler com 2551.01 – The Kid e 2551.02 – The Orgy of the Damned, ambas da SectionX.
  • 21h30 (Sala Manoel de Oliveira): The Piano Accident, a mais recente loucura de Quentin Dupieux, precedido pela curta portuguesa Os Terríveis.
  • 21h35 (Sala 3): Buzzheart, de Dennis Iliadis, mais uma longa em competição que promete dividir o público, com o realizador presente.

Enquanto isto, no Lounge Bar, o DJ Set de Bunny O’Williams garante ritmo e ambiente até de madrugada.

Sessões de meia-noite para os mais corajosos

Quem ficar para além da meia-noite terá recompensa:

  • 23h50 (Sala Manoel de Oliveira): Missing Child Videotape, de Ryota Kondo, precedido da curta O Compositor.
  • 00h15 (Sala 3): Anything That Moves, de Alex Phillips, um mergulho alucinante na irreverência da secção Serviço de Quarto.
  • E para quem prefere a noite lisboeta, o MOTELX After Dark ocupa o Incógnito Bar a partir das 23h00.

Um convite impossível de recusar

Entre clássicos revisitados, estreias internacionais e a energia única de Lisboa, o MOTELX 2025 mostra porque é um dos grandes festivais de terror da Europa. Hoje, o programa oferece de tudo: gargalhadas nervosas, medo puro, debates e festa até de manhã.

👉 Se ainda não passou pelo festival, esta é a altura certa. O São Jorge está pronto para mais um dia de cinema que promete arrepiar – e encantar.

The Christophers: Ian McKellen é a Alma do Novo Drama Boémio de Steven Soderbergh

Toronto assiste a um Soderbergh mais íntimo

Steven Soderbergh pode ter anunciado a sua “reforma” em 2012, mas o que se viu desde então foi um realizador rejuvenescido, a experimentar géneros e a desafiar convenções. Em estreia no Festival Internacional de Cinema de TorontoThe Christophers confirma essa fase mais pessoal e excêntrica do cineasta: um filme sobre arte, falsificação e identidade, que foge ao típico heist movie para mergulhar em questões existenciais.

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Uma história de artistas e falsificações

No centro da narrativa está Julian Sklar, interpretado por um magistral Ian McKellen, um artista britânico em fim de vida, outrora ícone da cena pop-art londrina dos anos 60 e 70. Sklar tem uma série inacabada de retratos, conhecidos como The Christophers, que o mercado da arte deseja avidamente.

É então que entra em cena Lori (Michaela Coel), restauradora de arte com um passado de falsificadora. Contratada pelos filhos do artista (Jessica Gunning e James Corden), a proposta é simples: terminar as pinturas como se fossem dele. O encontro entre estes dois mundos — a irreverência envelhecida de Sklar e a determinação enigmática de Lori — gera uma relação improvável, feita de cumplicidade, choque e uma verdade desconfortável sobre a autenticidade na arte.

McKellen como o coração do filme

A crítica internacional é unânime: McKellen é a alma do filme. Aos 86 anos, dá corpo e vulnerabilidade a um homem que se confronta com a mortalidade e com os fantasmas da sua carreira. Há melancolia, humor ácido e até ternura, numa performance que muitos apontam já como digna de nomeação.

Michaela Coel oferece o contraponto ideal, embora a personagem nunca seja tão explorada quanto Sklar. Ainda assim, o duelo entre os dois sustenta um filme que, em vez de reviravoltas típicas de Soderbergh, prefere deixar perguntas em aberto: se um artista participa na sua própria falsificação, será ainda falsificação?

Entre sátira e emoção

O tom é mais emocional do que se esperaria de Soderbergh. Ao mesmo tempo que satiriza o mundo da arte — com tiradas como a de Sklar, que considera as piores obras do mundo “cães a jogar póquer — e todo o Warhol” —, o realizador questiona a validade da obra e do artista, e o papel da crítica no processo.

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Sem a necessidade de um “grande twist”, The Christophers apresenta-se como uma reflexão boémia sobre arte, legado e mortalidade. Se a mensagem pode soar opaca, o resultado é garantido: um filme sustentado na força de McKellen, que prova mais uma vez que é um dos grandes atores vivos.

Spinal Tap II: The End Continues — A Paródia do Rock Está de Volta, Entre Gargalhadas e Melancolia

O regresso da banda mais desastrada do rock

Quarenta anos depois de This Is Spinal Tap (1984) ter redefinido o conceito de “mockumentary”, os lendários falsos rockers regressam em Spinal Tap II: The End Continues, realizado novamente por Rob Reiner. O filme, que estreia esta semana em Portugal, junta de novo Christopher Guest (Nigel Tufnel), Michael McKean (David St Hubbins) e Harry Shearer (Derek Smalls), para uma última reunião tão absurda quanto inevitável.

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A premissa é deliciosa: os músicos, separados desde 2009 após uma misteriosa zanga entre David e Nigel, são obrigados a regressar aos palcos por imposição legal da filha do seu falecido manager. O resultado? Uma digressão de um só concerto em Nova Orleães, cheia de tropeções, egos frágeis e piadas à altura da lenda.

Uma piada que ainda funciona — mas com outro sabor

Segundo a crítica internacional, a comédia mantém o espírito original: há reboots inteligentes de velhas piadas, reaparições de personagens esquecidas e até algumas surpresas que piscam o olho aos fãs de longa data. O riso é garantido, incluindo uma piada final com Bruce Springsteen que muitos destacam como o momento mais hilariante do filme.

Mas, desta vez, há também uma inesperada nota agridoce. Em 1984, os Spinal Tap eram já “rockeiros envelhecidos”. Hoje, não há como fugir: o envelhecimento é real e palpável — tanto nos personagens como no público. Essa melancolia atravessa o filme, trazendo uma dimensão emocional que o primeiro nunca teve.

De volta às origens (quase)

O filme reitera o talento musical dos seus criadores: as canções continuam a ser pastiches rock eficazes, tão ridículas quanto surpreendentemente competentes. No entanto, nem tudo corre de feição: algumas personagens secundárias soam forçadas, e a tentativa de humor romântico com a nova baterista é apontada como um dos pontos mais fracos.

Ainda assim, a narrativa conduz a um final épico centrado em Stonehenge, que fecha a história com a ironia cataclísmica que os fãs esperavam — o chamado Tapocalypse.

A Tapaissance em curso

Entre lojas de queijos e guitarras, podcasts de true crime e negócios bizarros (um antiquário de colas, alguém?), os membros da banda vivem agora vidas pateticamente banais. Mas basta um empurrão do destino para que tudo descambe outra vez. E, como sempre, Marty DiBergi (Rob Reiner) está lá para registar o desastre.

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Com direito a cameos de lendas reais do rock e piadas que se atualizam sem perder a essência, Spinal Tap II: The End Continues prova que a chama da sátira musical ainda não se apagou. Continua a ser uma das comédias mais queridas e autoreflexivas sobre a música e o envelhecimento, mesmo quando as notas finais têm mais melancolia do que outrora.

Líderes do Cinema Israelita Reagem a Boicote Internacional: “É Contraproducente”

Quase 4.000 artistas recusam colaboração com Israel

O boicote cultural contra instituições cinematográficas israelitas continua a ganhar força: já são quase 4.000 profissionais do cinema e televisão que assinaram um compromisso a recusar colaboração com entidades do país consideradas “implicadas em genocídio e apartheid contra o povo palestiniano”.

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A lista, que começou a circular a 8 de setembro, inclui nomes de peso como Joaquin Phoenix, Emma Stone, Mark Ruffalo, Lily Gladstone, Tilda Swinton, Ava DuVernay e Yorgos Lanthimos, entre outros vencedores de Óscares, Emmys e Palmas de Ouro.

Vozes críticas dentro de Israel

Líderes do setor audiovisual israelita consideram, no entanto, que o boicote é “mal orientado e autodestrutivo”, por atingir precisamente a comunidade artística que, dentro do país, tem dado voz às críticas ao governo e demonstrado maior solidariedade com os palestinianos.

“Durante décadas, criadores e artistas israelitas — eu incluído — dedicaram-se a refletir a complexidade da nossa realidade. Nestes tempos, o papel da arte deve ser amplificar a luz, não aprofundar a escuridão”, afirmou Nadav Ben Simon, presidente do sindicato de argumentistas israelita, ao The Guardian.

Numa posição conjunta, Merav Etrog Bar (Guilda de Realizadores de Israel) e Lior Elefant (Fórum de Documentário de Israel) recordaram que “muitos filmes e séries produzidos em Israel têm abordado a crise palestiniana com sensibilidade e pensamento crítico”.

“Precisamos de ajuda, não de silenciamento”

CEO da Associação de Produtores de Cinema e TV de IsraelTzvi Gottlieb, reforça a mesma ideia:

“Não há grupo em Israel que tenha trabalhado tanto contra a violência e contra este governo. Esta indústria — já pequena e vulnerável — mostra as cicatrizes da ocupação. Precisamos de ser ajudados, não prejudicados.”

A produtora Liat Benasuly, membro da associação e responsável por títulos como a série Fauda (Netflix), foi ainda mais dura:

“Sou extremamente de esquerda e contra este governo horrível. O que o boicote faz é silenciar as vozes que estão a tentar mudar a realidade. É perfeito para quem está no poder, que preferia que ficássemos calados.”

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Comparações e contradições

Os críticos do boicote lembram ainda que não houve movimentos semelhantes contra a indústria russa (apesar da guerra na Ucrânia) nem contra a chinesa (acusada de violações de direitos humanos contra a minoria uigur). Para Gottlieb, “Israel é o alvo fácil”.

Channing Tatum Reinventa-se em Roofman: Da Síndrome do Impostor à Nova Vida como Ator

Estreia mundial em Toronto com Kirsten Dunst

Channing Tatum regressou em grande ao Festival Internacional de Cinema de Toronto, apresentando Roofman, a comédia romântica inspirada na história verídica de Jeffrey Manchester, um ex-militar que assaltou dezenas de restaurantes McDonald’s nos anos 90, entrando sempre pelos telhados.

Ao lado de Kirsten Dunst, que interpreta a funcionária de uma loja de brinquedos com quem Manchester se envolve, Tatum confessou que este filme o fez superar um dos maiores bloqueios da sua carreira: a síndrome do impostor.

“Já conseguia trabalhos como ator antes mesmo de saber o que estava a fazer. Pela primeira vez, talvez até neste filme, sinto que realmente conquistei o meu lugar à mesa”, disse o ator de 45 anos.

O homem por trás da lenda

Conhecido pela alcunha de Roofman, Manchester regressou à vida civil após servir no Exército dos EUA, mas acabou mergulhado em dificuldades financeiras. Nos assaltos, era notado pela forma quase cortês como tratava os funcionários: chegava a garantir que tinham casacos antes de os trancar nas câmaras frigoríficas.

Preso e condenado a várias décadas, fugiu em 2004 e passou meses escondido numa loja Toys “R” Us, em Charlotte, Carolina do Norte, onde sobreviveu a bolachas e M&Ms, lavava-se nas casas de banho e saía apenas de noite. Foi durante esse período que conheceu a funcionária que inspirou o romance retratado no filme.

O tom do filme: comédia romântica com um toque agridoce

O realizador Derek Cianfrance (Blue ValentineThe Place Beyond the Pines) optou por dar à história um tom mais leve, quase jovial, em vez de focar apenas nos crimes. “A sociedade já o julgou com severidade, e ele está a cumprir 45 anos de prisão. No nosso filme, quisemos olhar para ele com um pouco mais de graciosidade”, explicou.

Entre a vida e o papel

Para se preparar, Tatum falou diversas vezes com Manchester por telefone a partir da prisão. Apesar dos erros do homem que interpreta, mostrou empatia: “Olhem, eu era stripper. Às vezes, a ladeira escorregadia fica cada vez mais escorregadia, e depois damos por nós lá em baixo sem saber como voltar a levantar.”

A experiência pessoal de Tatum acabou por ser chave para dar humanidade ao personagem. “Consegui ver nele um homem que tomou decisões terríveis, mas sempre com o objetivo de sustentar os seus três filhos”, disse o ator.

Estreia marcada

Com estreia mundial em Toronto e chegada aos cinemas prevista para 16 de outubroRoofman apresenta-se como uma mistura ousada de romance, humor e drama humano, e pode muito bem redefinir a carreira de Channing Tatum, marcando o início de uma fase mais madura e consciente na sua filmografia.

Hamnet: Chloé Zhao Regressa em Força com Shakespeare e Paul Mescal

Um drama íntimo que já sonha com os Óscares

Depois do êxito arrebatador de Nomadland, que lhe valeu três estatuetas douradas, incluindo o Óscar de Melhor Realização, Chloé Zhao regressa ao cinema de autor com Hamnet. O filme, exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, surge já como um dos favoritos para a temporada de prémios e promete emocionar plateias em todo o mundo.

Inspirado no romance homónimo de Maggie O’Farrell, o filme imagina a vida íntima de William Shakespeare(interpretado por Paul Mescal) e da sua esposa Agnes (papel de Jessie Buckley), centrando-se na tragédia da perda do filho, Hamnet — cujo nome, segundo estudiosos, seria praticamente indistinguível de Hamlet na Inglaterra isabelina.

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Shakespeare, amor e luto

A narrativa especula que Agnes terá encorajado William a seguir sozinho para Londres, acreditando na força do seu amor. Mas numa época assolada pela peste e pela mortalidade infantil, a dor da separação e da perda acaba por transformar o casamento numa ferida aberta.

Chloé Zhao assume aqui uma abordagem mais cronológica do que no livro, colocando em primeiro plano o luto e a dor que terão marcado o dramaturgo e inspirado a sua obra-prima. A intensidade das cenas levou muitos em Toronto às lágrimas, num retrato cru e poético do amor e da tragédia.

O percurso de Zhao: entre horizontes e intimismo

A realizadora recordou em Toronto a sua própria jornada — desde os tempos em que era uma “aluna de intercâmbio esquisita” num colégio britânico, sem saber falar inglês, até ao reconhecimento máximo em Hollywood.

Depois de The Rider (2017) e do fenómeno Nomadland (2020), Zhao teve uma incursão atribulada nos super-heróis da Marvel com Eternals, mas em Hamnet reencontra o território que a consagrou: um cinema mais íntimo, poético e profundamente humano.

“Passei os meus trintas a fazer filmes sobre horizontes e pores do sol”, confessou a realizadora. “Agora, nos meus quarentas, percebo que estava a fugir de mim mesma — tal como o Will em Hamnet.”

Paul Mescal e Jessie Buckley em destaque

O filme volta a reunir dois dos atores mais talentosos da sua geração. Mescal, nomeado ao Óscar por Aftersun, e Buckley, também já distinguida pela Academia, dão corpo a um casal dilacerado pela distância e pela perda, em interpretações que a crítica descreve como intensas e devastadoras.

Há ainda espaço para o jovem Noah Jupe, que interpreta um ator no mítico Globe Theatre. Mesmo com o papel em reescrita durante a rodagem, Zhao exigiu que decorasse cada linha da peça, para estar sempre preparado — uma prova da exigência e perfeccionismo da realizadora.

De Toronto para os Óscares

Sem data de estreia em Portugal, Hamnet já é visto como um dos grandes concorrentes da próxima temporada de prémios. Mais do que preencher lacunas históricas, Zhao oferece uma visão pessoal de Shakespeare: menos génio distante, mais homem vulnerável.

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Se Nomadland foi o filme que a colocou no mapa dos Óscares, Hamnet pode muito bem consolidar Chloé Zhao como uma das vozes mais importantes e ousadas do cinema contemporâneo.

Queer de Luca Guadagnino Estreia em Exclusivo no TVCine

Daniel Craig em papel visceral sobre desejo e autodescoberta

O aclamado realizador italiano Luca Guadagnino, autor de Chama-me Pelo Teu Nome, traz à televisão portuguesa o seu mais recente trabalho, Queer. A adaptação do romance homónimo de William S. Burroughs estreia este domingo, 14 de setembro, às 21h25, no TVCine Top e também no TVCine+.

Passado na Cidade do México dos anos 1950, o filme acompanha William Lee (interpretado por um poderoso Daniel Craig), um expatriado americano de meia-idade que vive à deriva até se apaixonar por Eugene (Drew Starkey), um jovem estudante misterioso. Entre ambos nasce uma paixão obsessiva que, em viagem pela América do Sul, mergulha em territórios de desejo, dependência e experiências alucinatórias com a planta yagé.

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Entre a Beat Generation e o drama íntimo

Guadagnino constrói aqui um filme que é tanto uma história de amor e vício como uma homenagem à Beat Generation. Craig, em registo profundamente frágil e contraditório, oferece uma das interpretações mais marcantes da sua carreira — que lhe valeu uma nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Dramático.

A crítica internacional destacou a força estética da obra, com uma fotografia imersiva e uma banda sonora envolvente, capazes de traduzir a atmosfera febril de Burroughs para o grande ecrã.

Reconhecimento internacional

Apresentado em competição no Festival de Veneza de 2024Queer foi ainda eleito um dos Dez Melhores Filmes do Ano pelo National Board of Review, reforçando a sua posição como um dos títulos mais importantes da temporada.

Onde ver

A estreia em televisão portuguesa acontece este domingo, 14 de setembro, às 21h25, em exclusivo no TVCine Top e em sessão disponível no TVCine+. Uma oportunidade rara para ver Daniel Craig num registo inesperado, num filme de Luca Guadagnino que promete tanto provocar como emocionar.

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Jared Leto Lidera o Choque de Mundos em Tron: Ares

Novo trailer revela a missão impossível entre o digital e o real

A Disney acaba de lançar o novo trailer de Tron: Ares, o aguardado terceiro capítulo da saga de ficção científica que começou em 1982 e que regressa agora com Jared Leto no papel principal. A estreia está marcada para 9 de outubro nos cinemas.

Segundo a sinopse oficial, Leto interpreta Ares, “um programa altamente sofisticado que é enviado do mundo digital para o mundo real numa missão perigosa, marcando o primeiro encontro da humanidade com seres de Inteligência Artificial”.

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O regresso de Jeff Bridges e um elenco de luxo

A nova produção dá continuidade direta às histórias contadas em Tron (1982) e Tron: O Legado (2010). Jeff Bridges, figura central da saga, volta a marcar presença, agora acompanhado por um elenco renovado que inclui Greta LeeEvan PetersHasan MinhajJodie Turner-SmithArturo CastroCameron Monaghan e Gillian Anderson.

Música: a estreia dos Nine Inch Nails no cinema

Outro dos grandes trunfos é a banda sonora, entregue aos Nine Inch Nails, que se estreiam neste formato. O primeiro single, As Alive As You Need Me To Be, foi lançado em simultâneo com o trailer e marca o primeiro tema original da banda em cinco anos. O álbum completo chega a 19 de setembro pela Interscope Records.

Vale lembrar que Trent Reznor e Atticus Ross, membros do grupo, já venceram dois Óscares — por A Rede Social(2010) e Soul: Uma Aventura com Alma (2020).

A visão de Joachim Rønning

A realização está a cargo de Joachim Rønning, nome associado a grandes produções como Maléfica: Mestre do Mal(2019), Kon-Tiki: A Viagem Impossível (2012) e Piratas das Caraíbas: Homens Mortos Não Contam Histórias (2017, coassinado com Espen Sandberg).

O legado de Tron

Lançado em 1982, o primeiro Tron transportava os espectadores para o interior de um computador com efeitos visuais que pareciam impossíveis para a época. Embora não tenha sido um êxito de bilheteira imediato, tornou-se um filme de culto, inspirando nomes como John Lasseter, futuro mentor da Pixar.

Quase três décadas depois, Tron: O Legado (2010) trouxe de volta Jeff Bridges — rejuvenescido digitalmente — e uma banda sonora marcante dos Daft Punk. O filme voltou a ser inovador e conquistou resultados sólidos, reforçando o estatuto da saga como uma das mais visionárias da ficção científica.

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O que esperar de Tron: Ares

Com Leto no centro da ação, Bridges de regresso, um elenco de peso e a energia eletrónica dos Nine Inch Nails, Tron: Ares promete explorar como nunca o choque entre realidades digitais e humanas. Mais de uma década após O Legado, a saga prepara-se para provar que continua na linha da frente da inovação visual e sonora do cinema.

Julia Roberts Brilha aos 57 Anos na Capa da Nova Revista de Edward Enninful

Depois de deixar a direcção da edição britânica da Vogue, Edward Enninful não perdeu tempo a marcar novamente o mundo da moda com a sua visão arrojada. A sua nova aventura editorial, a 72 Magazine, chega oficialmente esta sexta-feira, 12 de setembro, e promete ser o novo farol na interseção entre moda, beleza, cultura e luxo. E quem melhor para abrir esta nova era do que a eterna estrela de Hollywood, Julia Roberts?

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Uma nova visão editorial

72 Magazine é o primeiro grande projeto da EE72, a empresa de media e entretenimento fundada por Edward Enninful e a sua irmã, Akua Enninful. A nova revista, que será publicada trimestralmente tanto em papel como em formato digital, nasce com a ambição de refletir e acompanhar as profundas transformações culturais do mundo contemporâneo.

“Este lançamento com uma publicação dedicada é um exemplo brilhante da nossa visão de defender a integridade criativa e a colaboração”, explicaram Edward e Akua numa declaração conjunta citada pelo Business of Fashion. A missão da 72 Magazine é clara: prestar homenagem a ícones estabelecidos, enquanto dá palco a vozes emergentes.

Uma equipa de luxo nos bastidores

O projecto conta com nomes bem conhecidos do universo editorial: Sarah Harris, antiga editora da Vogue britânica, assume o cargo de diretora editorial, enquanto Simone Oliver, com passagens pelo New York Times e pela Allure, reforça a equipa. Na direcção criativa estão Lee Swillingham e Stuart Spalding, dupla que passou pela Harper’s Bazaar Italia e fundou a agência londrina Suburbia.

Com uma equipa deste calibre, a expectativa estava alta — e Edward Enninful não desiludiu.

Julia Roberts em grande estilo

A escolha de Julia Roberts para a capa inaugural não foi um acaso. “Escolher a Julia foi uma decisão estratégica que sinaliza exatamente o que estamos a construir — uma empresa de media que homenageia ícones estabelecidos e, em simultâneo, dá palco a novas vozes”, afirmou Enninful.

Fotografada por Craig McDean em Londres, com styling da reputada Elizabeth Stewart, Julia surge deslumbrante com peças desenhadas por Phoebe Philo e joias exuberantes da Tiffany & Co. O look é clássico e contemporâneo, tal como a própria atriz, que aos 57 anos continua a esbanjar elegância, carisma e presença.

Uma entrevista especial conduzida por George Clooney

No interior da revista, a entrevista principal é conduzida por ninguém menos do que George Clooney, cúmplice de longa data de Julia em inúmeros filmes. O elenco de colaboradores e convidados da revista inclui ainda nomes como Jonathan Anderson, Stella McCartney, Marc Jacobs, Gwyneth Paltrow, Oprah Winfrey e a artista Amy Sherald — um alinhamento que promete diversidade, sofisticação e relevância cultural.

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Apesar de ainda pouco se saber sobre o editorial completo com Julia Roberts, as imagens que já circulam confirmam: a atriz está num dos seus melhores momentos. Com uma beleza natural que resiste ao tempo e uma carreira sólida e inspiradora, Julia encarna na perfeição o espírito que Edward Enninful quer imprimir nesta nova etapa editorial — a celebração do passado com olhos postos no futuro.

First Date de Luís Filipe Borges Triunfa no CineFest em Angola

Quatro prémios em Luanda para a estreia do realizador açoriano

O Jardim Municipal de Viana, em Luanda, foi o palco da consagração de First Date, a primeira curta-metragem de Luís Filipe Borges, que conquistou o grande prémio do CineFest Angola 2025. Rodado integralmente na ilha do Pico, Açores, o filme venceu como Melhor Filme e arrecadou ainda os galardões de Melhor Filme da CPLPMelhor Realizador (para Borges) e Melhor Fotografia (para Diogo Rola).

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“Foi um prazer ter este filme no nosso festival”, destacou Edgar de Carvalho, diretor do Viana CineFest, sublinhando a relevância de uma produção portuguesa num evento que aposta em aproximar o cinema das comunidades angolanas.

Um festival que aproxima o cinema das pessoas

O CineFest, organizado anualmente pela SedFilmes, assume-se como um dos principais dinamizadores do cinema rural em Angola. As sessões ao ar livre, combinadas com mostras temáticas, não só atraem público variado como também incentivam o aparecimento de novos realizadores locais.

Este espírito comunitário e de partilha cultural tornou ainda mais simbólica a vitória de First Date, que, ao contar com raízes açorianas, estabelece pontes entre os países da CPLP através da sétima arte.

Um percurso internacional de peso

A curta de Borges não se fica por Angola. First Date soma já 15 prémios internacionais:

  • Menção Honrosa de Melhor Realizador no Cine Tejo, em Benavente, Portugal;
  • Duas distinções no Loveland Shorts Film Festival, em Ohio (EUA), incluindo “Sweetheart of the Fest” para melhor filme temático e Best First Time Filmmaker para Borges.

Produzido pela Advogado do Diabo e pela MiratecArts, o filme continua o seu percurso por festivais internacionais e pode ser acompanhado através da página oficial no Facebook (FirstDateShortFilm2025).

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Luís Filipe Borges: da escrita ao cinema

Conhecido como argumentista, escritor e humorista, Luís Filipe Borges estreia-se agora na realização cinematográfica com um impacto notável. A aclamação que tem recebido em festivais mostra que First Date não é apenas uma primeira experiência, mas o início promissor de um novo capítulo na carreira do criador açoriano.