MDOC 2024: Festival Internacional de Documentário de Melgaço Regressa com 33 Filmes em Competição e um Olhar Atento sobre o Mundo

🎥 Melgaço volta a afirmar-se como epicentro do cinema documental em Portugal com a 11.ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário, que decorre entre 28 de julho e 3 de agosto. Com 33 filmes em competição, provenientes de 23 países, o festival mantém a sua vocação como espaço de reflexão crítica, onde as imagens não servem apenas para entreter, mas para entender melhor o mundo que habitamos.

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Este ano, a selecção — feita a partir de mais de 800 submissões — é marcada por um tema transversal: Identidade, Memória e Fronteira. Uma tríade que percorre todas as obras em exibição e que ganha especial pertinência num momento em que as questões identitárias, os legados históricos e as fronteiras físicas e simbólicas estão no centro dos debates sociais e políticos contemporâneos.

Um festival cada vez mais internacional

A edição de 2024 assinala também a crescente visibilidade do MDOC no panorama internacional. Para além dos habituais prémios Jean-Loup Passek e D. Quixote (atribuído pela Federação Internacional de Cineclubes), será, pela primeira vez, entregue o prestigiado FIPRESCI Prize, da Federação Internacional de Críticos de Cinema — um reconhecimento da qualidade e da curadoria rigorosa que caracteriza o festival.

A competição divide-se entre 16 curtas e médias-metragens e 17 longas-metragens, com todos os títulos internacionais a serem exibidos pela primeira vez em Portugal. A diversidade temática e geográfica é assinalável, confirmando a vocação global do MDOC — mas com os pés bem assentes na realidade local e na memória do território de Melgaço.

Filmes que mergulham no coração do nosso tempo

Entre os destaques da programação está Bedrock (29 de julho), de Kinga Michalska, que recupera os ecos do Holocausto e a sua persistente marca na história contemporânea. Flowers of Ukraine (1 de agosto), de Adelina Borets, retrata a resistência silenciosa de uma mulher em contexto de guerra, enquanto My Memory is Full of Ghosts (31 de julho), de Anas Zawahri, oferece uma visão poética e devastadora da cidade síria de Homs.

O cinema português também marca presença com obras como O Diabo do Entrudo (30 de julho), de Diogo Varela Silva, que regista as tradições do Entrudo de Lazarim, ou Kora (3 de agosto), de Cláudia Varejão, que acompanha mulheres refugiadas em Portugal na reconstrução das suas vidas. Há ainda espaço para abordagens mais íntimas, como Ancestral Visions of the Future (2 de agosto), de Lemohang Jeremiah Mosese, ou Cutting Through Rocks (2 de agosto), de Sara Khaki, sobre a primeira vereadora eleita numa aldeia iraniana, num gesto de ruptura com séculos de patriarcado.

E há também cinema de longo fôlego, como Afterwar (1 de agosto), de Birgitte Stærmose, filmado ao longo de 15 anos, acompanhando crianças que crescem sob o peso dos traumas da guerra. Um exemplo de perseverança artística e de compromisso ético com os protagonistas e com o espectador.

Homenagens, formação e novos olhares

Fora da competição, o MDOC reserva espaço para a homenagem e a pedagogia. A estreia nacional de O Homem do Cinema, de José Vieira, presta tributo ao crítico e programador Jean-Loup Passek, figura incontornável do pensamento cinematográfico europeu e cuja memória continua a inspirar o festival.

O programa Plano Frontal dará a conhecer filmes produzidos no âmbito da residência cinematográfica de 2024, incentivando novos olhares e abordagens autorais. E, como já é tradição, não faltará espaço para a formação: a oficina de cinema com Margarida Cardoso, a masterclass com Sandra Ruesga e o X-RAY DOC com Jorge Campos, centrado em obras de Chris Marker e Joris Ivens, são oportunidades únicas para aprofundar o conhecimento e a reflexão sobre o cinema documental.

Um festival que olha o mundo a partir de Melgaço

Num país onde o circuito documental continua a lutar por visibilidade, o MDOC destaca-se pela coerência curatorial, pela aposta em filmes com densidade temática e estética e pela ligação profunda ao território. Melgaço não é apenas um cenário: é parte integrante da identidade do festival, cuja missão passa também por preservar e interrogar a memória local, nacional e global.

Mais do que um festival de cinema, o MDOC é um gesto político, poético e humano. Um espaço onde se cruzam linguagens, geografias e histórias — e onde o cinema se afirma, mais uma vez, como instrumento essencial para pensar o mundo.

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Mais informações e programação completa em: https://mdocfestival.pt/

Ada Costa, Carolina Rosendo e Diogo Fernandes Recebem Prémios Nico: Novos Talentos Brilham no Cinema Português

🎥 O futuro do cinema português está em boas mãos — e tem agora nomes bem definidos. Ada Costa, Carolina Rosendo e Diogo Fernandes foram distinguidos com os Prémios Nico 2025, entregues pela Academia Portuguesa de Cinema (APC), numa cerimónia que celebrou não apenas os 14 anos da Academia, mas sobretudo a nova geração de profissionais que começa a deixar marca no panorama audiovisual nacional.

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Criados em 2017 como homenagem ao eterno Nicolau Breyner (1940–2016), os Prémios Nico visam reconhecer e incentivar talentos emergentes em áreas ligadas ao cinema português. Desde a sua criação, tornaram-se numa plataforma fundamental para dar visibilidade a artistas que, mesmo em início de carreira, já demonstram notável qualidade artística e criativa.

Ada Costa: talento precoce com raízes luso-italianas

Com apenas 14 anos, Ada Costa representa o rosto mais jovem entre os distinguidos — mas também o mais promissor. Nascida em 2010 e com ascendência luso-italiana, Ada destacou-se pela sua interpretação na curta-metragem À Tona d’Água (2022), realizada por Alexander David. A sua prestação surpreendeu críticos e público pela maturidade emocional e subtileza, num registo que raramente se vê em atrizes tão jovens.

O prémio Nico surge como o primeiro grande reconhecimento público do seu percurso, mas é seguro dizer que este será apenas o início de uma carreira a acompanhar de perto.

Carolina Rosendo: uma nova voz na realização

Licenciada pela Escola Superior de Teatro e Cinema, Carolina Rosendo nasceu em Lisboa, em 2001, e rapidamente se afirmou como uma das jovens realizadoras mais interessantes da nova geração. A sua estreia com a curta-metragem Iara(2021) garantiu-lhe entrada no prestigiado festival IndieLisboa em 2022, e o seu documentário A Obra (2022) voltou ao festival no ano seguinte, confirmando a consistência do seu trabalho.

Com uma sensibilidade estética apurada e um olhar atento às questões sociais e humanas, Carolina representa uma nova forma de fazer cinema: pessoal, consciente e cinematograficamente ambiciosa.

Diogo Fernandes: entre Gus Van Sant e o teatro português

A trajectória de Diogo Fernandes é das mais peculiares e enriquecedoras. Começou no teatro, ainda criança, no colectivo O Bando, licenciou-se em engenharia informática, viveu em Londres e acabou por se formar em Teatro – Ramo Atores na Escola Superior de Teatro e Cinema. O grande salto deu-se em 2021, quando protagonizou Trouble, o primeiro espectáculo de teatro do realizador norte-americano Gus Van Sant.

Diogo tem sido apontado como um dos actores mais versáteis da nova geração, com uma presença em palco e câmara que alia técnica, intensidade e instinto. O Prémio Nico reconhece essa trajectória invulgar e o potencial de um artista que pode vir a ser uma referência tanto em teatro como em cinema.

Menção Honrosa para Tiago Roma Almeida

A Academia Portuguesa de Cinema atribuiu ainda uma menção honrosa ao realizador Tiago Roma Almeida, sinalizando a sua relevância no panorama criativo actual. A menção reforça a ideia de que os Prémios Nico não são apenas sobre o futuro distante, mas sobre o presente vibrante e em constante transformação do cinema português.

Os Prémios Nico 2025 são mais do que troféus: são afirmações de confiança e investimento no talento nacional. Ao distinguir estes jovens criadores, a Academia contribui para que o cinema português continue a evoluir com originalidade, diversidade e ambição.

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E, como diria o próprio Nicolau Breyner: “O talento pode vir de qualquer lado. O importante é não o deixarmos fugir.”

Catherine Hardwicke e o Cupcake Amargo: Realizadora de Twilight Expõe a Desigualdade em Hollywood

🎬 Em 2008, Catherine Hardwicke parecia prestes a entrar no panteão dos realizadores mais influentes de Hollywood. Tinha acabado de dirigir Twilight, o primeiro capítulo da saga baseada nos romances de Stephenie Meyer, protagonizada por Kristen Stewart e Robert Pattinson. O filme, produzido com um orçamento modesto e expectativas discretas, tornou-se um fenómeno global, arrecadando mais de 400 milhões de dólares nas bilheteiras — um valor que ultrapassou em mais de dez vezes as previsões iniciais da Summit Entertainment.

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Mas enquanto o estúdio celebrava o inesperado sucesso com prémios e novos contratos, a mulher por trás das câmaras recebeu… um mini cupcake.

Sim, um cupcake.

Um presente simbólico — e profundamente revelador

Em entrevista recente ao The Guardian, Catherine Hardwicke falou de forma franca e emotiva sobre a forma como foi tratada após o sucesso estrondoso de Twilight. Segundo a realizadora, o momento em que percebeu o desequilíbrio gritante entre o tratamento dado a realizadores homens e mulheres foi tão “doce” quanto devastador.

“Entrei numa sala com todos aqueles presentes, e todos estavam a dar os parabéns ao estúdio”, recorda Hardwicke. “Deram-me uma caixa. Abri e era um mini cupcake.”

O gesto — aparentemente simpático — não foi acompanhado de nenhuma proposta concreta, nenhum contrato para filmes futuros, nenhum prémio condizente com a escala do feito. Apenas um doce, pequeno e descartável. Enquanto isso, como a própria observou, realizadores homens com sucessos comparáveis recebiam contratos para várias produções, carros novos ou liberdade criativa para fazer o que quisessem.

Uma carreira interrompida… por ser mulher?

Hardwicke, que já tinha dado nas vistas com Thirteen – Inocência Perdida (2003) e Os Reis de Dogtown (2005), não regressou para os três filmes seguintes da saga Twilight, apesar de ter lançado o fenómeno e estabelecido a estética visual da franquia. Todos os capítulos seguintes foram entregues a homens — Chris Weitz, David Slade, Bill Condon —, num padrão recorrente em Hollywood.

“Não, as pessoas não vão contratar mais mulheres realizadoras. Não te vão oferecer o próximo trabalho e deixar-te fazer algo muito bom. Foi imediatamente uma realidade devastadora”, afirmou com desilusão. O sucesso comercial não foi suficiente para quebrar o tecto de vidro.

Esta não é uma história isolada. O desequilíbrio entre géneros no acesso a grandes produções continua a ser evidente na indústria do cinema. Realizadoras como Patty Jenkins (Wonder Woman), Greta Gerwig (Barbie) ou Chloé Zhao (Nomadland) conquistaram, nos últimos anos, visibilidade e reconhecimento. Mas os números continuam a mostrar que as grandes produções — especialmente dentro dos géneros blockbuster, fantasia ou acção — continuam a ser dominadas por homens.

Hollywood, 17 anos depois

A entrevista de Hardwicke surge num momento em que Hollywood começa lentamente a discutir de forma mais aberta o sexismo institucional. O que aconteceu com Twilight é um exemplo paradigmático: um filme juvenil, com uma realizadora mulher e protagonizado por uma jovem actriz, que foi subestimado antes da estreia e desvalorizado mesmo após a sua explosiva recepção.

Hoje, Twilight é alvo de reavaliações críticas, com muitos a reconhecerem o seu impacto cultural e a forma como abriu portas para outras sagas centradas em protagonistas femininas. Mas o reconhecimento para quem lhe deu vida atrás das câmaras continua a ser escasso.

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E talvez não haja metáfora melhor para a forma como a indústria trata muitas das suas criadoras do que a imagem de Catherine Hardwicke, sozinha numa sala cheia de executivos, a receber um mini cupcake depois de gerar centenas de milhões para o estúdio.

“The Naked Gun” Está de Volta: Liam Neeson Assume o Papel Principal na Comédia Mais Disparatada de 2025

🎬 Preparem-se para o regresso de uma das franquias mais absurdamente hilariantes da história do cinema. The Naked Gun está de volta, desta vez em modo reboot, com estreia marcada para 31 de Julho de 2025. E sim, leu bem: Liam Neeson é o novo Detective Frank Drebin — ou, pelo menos, uma versão actualizada e igualmente trapalhona deste ícone da paródia policial.

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A nova versão é realizada por Akiva Shaffer (Hot RodPopstar: Never Stop Never Stopping), membro do trio The Lonely Island e mestre no humor irreverente. A produção está a cargo de Seth MacFarlane, criador de Family Guy e Ted, que se juntou ao projecto em 2021 e viu em Neeson a escolha perfeita para liderar esta comédia de acção completamente descabelada.

Mas reviver um clássico não é tarefa fácil — e MacFarlane admite que, durante muito tempo, não conseguiam encontrar o “ângulo certo”. “Tínhamos um guião que parecia mais uma banda de covers do original. Não sabíamos justificar porque é que este filme precisava de ser feito”, confessou à Entertainment Weekly. A resposta surgiu quando Akiva Shaffer apresentou uma abordagem que actualizava o universo da comédia, mantendo o espírito de loucura dos filmes originais sem os copiar directamente.

Paródia Moderna com ADN Clássico

O novo The Naked Gun não tenta apenas replicar os filmes anteriores. Em vez disso, tira partido das novas tendências do entretenimento criminal para criar uma sátira adaptada aos tempos actuais. Shaffer confirmou que a inspiração vem agora de franquias modernas como Law & OrderNCISMissão: ImpossívelJohn Wick e 007. Até a própria carreira de Liam Neeson em Taken servirá de fonte para piadas — uma deliciosa metalinguagem que promete momentos de puro delírio cómico.

Apesar da modernização, a equipa de argumentistas (Shaffer, Dan Gregor e Doug Mand) mergulhou profundamente nos filmes originais para perceber o que os tornava tão eficazes. O resultado será um equilíbrio entre homenagem e reinvenção. O estilo noir clássico, com referências a títulos como Double Indemnity e The Big Sleep, também estará presente, o que poderá agradar tanto aos nostálgicos como a novas audiências.

Uma Nova Geração de Spoofs?

Durante décadas, nomes como Mel Brooks e o trio Zucker-Abrahams-Zucker (ZAZ) dominaram a arte da paródia com clássicos como Frankenstein JúniorBalbúrdia no OesteAeroplano! e claro, The Naked Gun. Mas o género entrou em declínio nos anos 2000, depois do sucesso de Scary Movie ter gerado uma avalanche de imitações de qualidade duvidosa (Date MovieEpic MovieDisaster Movie… o pesadelo continua).

No entanto, projectos como Walk Hard: The Dewey Cox Story ou They Came Together provaram que, com o talento certo, ainda há espaço para a paródia inteligente. Este reboot de The Naked Gun poderá muito bem ser o momento de viragem — especialmente numa era em que as grandes comédias estão cada vez mais ausentes dos cinemas.

Liam Neeson: De Herói de Acção a Ícone da Comédia?

Liam Neeson já nos habituou a vê-lo perseguir criminosos implacáveis, salvar famílias e usar o seu “conjunto muito específico de habilidades” para castigar vilões. Mas nos últimos anos, tem mostrado um apetite inesperado para o humor. A sua participação em Ted 2 e A Million Ways to Die in the West revelaram um lado auto-paródico que poderá agora brilhar a tempo inteiro neste novo The Naked Gun.

A escolha de Neeson é, por isso, simultaneamente surpreendente e perfeita. Com o seu ar sério e presença imponente, ele será o contraponto ideal para o absurdo total que caracteriza esta saga — à imagem do que Leslie Nielsen fez nos anos 80 e 90, quando transformou o seu background dramático numa arma cómica devastadora.

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Se há algo que The Naked Gun nos ensinou, é que o crime pode ser resolvido… com muito pouco bom senso e um monte de piadas físicas. Em 2025, a fórmula mantém-se — mas com novo fôlego, novos alvos e, espera-se, muitas gargalhadas em sala cheia. Preparem-se: o detective mais inepto do mundo está de volta, e promete tropeçar nos próprios pés… outra vez.

“Uma Noite no Museu” Está de Volta: Novo Filme Vai Reimaginar a Saga com Novas Personagens e Histórias

🦖 Depois de fazer história ao dar vida… à própria História, a saga Uma Noite no Museu prepara-se para um novo capítulo. A 20th Century Studios está oficialmente a desenvolver um reboot cinematográfico da icónica comédia de aventuras, com Shawn Levy — o realizador dos três primeiros filmes — a regressar, desta vez como produtor.

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Segundo a Entertainment Weekly, a nova versão contará com um argumento de Tripper Clancy (StuberDie Hart) e será produzida por Levy e Dan Levine através da sua produtora 21 Laps Entertainment. Emily Morris produzirá em nome do estúdio. Ainda não foi confirmado quem será o realizador nem os membros do elenco, mas uma coisa é certa: este novo filme não será uma continuação directa das aventuras de Larry Daley (Ben Stiller), mas sim uma história completamente nova, com um conjunto fresco de personagens e figuras históricas a ganhar vida depois do fecho do museu.

Um regresso inesperado… mas muito bem-vindo

Lançado em 2006, Uma Noite no Museu conquistou públicos de todas as idades ao mostrar um guarda nocturno atrapalhado (Stiller) a descobrir que, graças a uma antiga maldição egípcia, as exposições do Museu de História Natural ganham vida todas as noites. Ao longo de três filmes e uma animação, o público conheceu figuras icónicas como Teddy Roosevelt (Robin Williams), Attila, o Huno (Patrick Gallagher), Ahkmenrah (Rami Malek), Jedediah (Owen Wilson) e até Amelia Earhart (Amy Adams).

A saga arrecadou mais de 1,3 mil milhões de dólares em receitas globais e marcou uma geração com o seu humor acessível, imaginação visual e um toque emocional inesperado — especialmente no terceiro capítulo, Night at the Museum: Secret of the Tomb, que serviu como despedida simbólica para Robin Williams, falecido pouco tempo antes da estreia.

Agora, mais de uma década depois, o regresso ao museu surge como uma oportunidade de reimaginar o conceito com novos protagonistas e uma nova abordagem àquilo que tornou a franquia tão popular: a combinação de aventura, comédia e uma pitada de lição de História.

Shawn Levy: de comédias familiares à Marvel

Este novo reboot surge numa altura em que Shawn Levy se encontra num dos pontos altos da sua carreira. Depois do sucesso inicial com comédias como Doze é DemaisA Mentira (Big Fat Liar) e A Pantera Cor-de-Rosa, Levy tornou-se numa figura incontornável da indústria com os seus trabalhos mais recentes, incluindo Free Guy e The Adam Project, ambos protagonizados por Ryan Reynolds, e, mais recentemente, Deadpool & Wolverine, um dos maiores sucessos da temporada.

Em declarações à SyFy em 2022, Levy revelou que Uma Noite no Museu foi “uma oportunidade assustadora” no início da sua carreira, dado o desafio técnico e narrativo envolvido. “Mas mudou a minha vida. Penetrou a cultura global de uma forma que nunca tinha experienciado. Esta franquia está muito próxima do meu coração”, confessou.

O que esperar do reboot?

Embora os detalhes da história estejam a ser mantidos em segredo, sabe-se que o filme apostará num elenco e contexto inteiramente novos, deixando para trás as personagens originais que conquistaram o público. A ideia é manter a essência mágica da saga, mas com um olhar renovado, à imagem do que tem acontecido com outras propriedades clássicas reimaginadas nos últimos anos.

Trata-se, acima de tudo, de uma nova oportunidade para revisitar aquele sentimento de encantamento que o primeiro filme proporcionou: o fascínio de ver a História ganhar vida — literalmente — perante os nossos olhos.

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E sim, também nos perguntamos se haverá novamente um Tiranossauro a brincar com ossos como se fossem paus de estimação.

Superman, o Imigrante: Entre a Esperança de James Gunn e a Polémica

Está longe de ser apenas mais um filme de super-heróis. O novo Superman, realizado por James Gunn e protagonizado por David Corenswet, chega às salas esta quinta-feira, 11 de Julho, com uma missão que vai muito além de salvar Metrópolis: devolver ao público uma centelha de esperança num mundo cada vez mais cínico — e, inevitavelmente, reacender velhos debates sobre o que significa ser “o herói da América”.

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O filme foi calorosamente recebido pela crítica, com a Rolling Stone a descrevê-lo como uma obra “viva, vibrante e fiel ao espírito dos comics”. Mas se por um lado a visão humanista e inclusiva de James Gunn foi elogiada por muitos, por outro não escapou a reacções intensamente críticas — nomeadamente por parte de Dean Cain, o antigo intérprete do Homem de Aço na série dos anos 90 Lois & Clark: The New Adventures of Superman.

A visão de Gunn: um Superman vulnerável, empático e… imigrante

James Gunn não escondeu que, para ele, Superman é “a história da América”: a de um estrangeiro que chega a uma terra desconhecida e tenta fazer o bem, mesmo quando enfrenta desconfiança. “Superman é alguém que acredita na bondade humana, e essa bondade tornou-se uma coisa em vias de extinção”, explicou o realizador. O novo filme mostra um herói já com três anos de actividade, numa fase em que questiona o seu papel, as suas limitações e o verdadeiro significado de justiça num mundo fragmentado e politicamente polarizado.

Ao contrário das versões recentes mais sisudas, esta encarnação de Clark Kent é calorosa, vulnerável, profundamente ligada à sua humanidade — uma opção que obrigou Corenswet a trabalhar tanto os ombros como a empatia. A relação com Lois Lane (Rachel Brosnahan), os momentos no Daily Planet, a parceria com Krypto e a colaboração com uma nova “Justice Gang” (nome provisório), tudo contribui para retratar um Superman inserido num ecossistema de afectos, dúvidas e decisões morais.

Para o elenco, o filme é mais do que entretenimento: é uma resposta directa a tempos conturbados. A actriz Isabela Merced (Hawk Girl) confessou que o filme lhe deu alento depois de uma semana dominada por más notícias. Já Wendell Pierce (Perry White) sublinhou o poder do cinema como “acto colectivo de reflexão sobre os nossos valores”. Até Will Reeve, filho do inesquecível Christopher Reeve, surge numa participação especial, reforçando a ponte emocional com o legado do passado.

Dean Cain: “Estão a tornar o Superman demasiado woke”

Do outro lado do espetro, Dean Cain insurgiu-se contra o que considera ser uma politização indevida da personagem. Numa entrevista recente ao TMZ, o actor afirmou: “Como é que Hollywood vai tornar esta personagem ainda mais woke? Alteraram o lema de ‘Truth, Justice and the American Way’ para ‘a better tomorrow’… Estão a mudar personagens adoradas para se adaptarem aos tempos. Acho um erro.”

Cain foi particularmente crítico quanto à associação de Superman à questão da imigração. “O ‘American way’ é amigável para imigrantes, claro. Mas tem de haver regras. E quando se traz o Superman para esta conversa política, isso vai prejudicar as receitas do filme.” O actor chegou mesmo a acusar ONGs e políticos de instrumentalizarem a imigração, e alertou que os comentários de Gunn poderão afastar parte do público.

As respostas do elenco: “Superman é — e sempre foi — um imigrante”

Perante as declarações de Cain, os membros do elenco reagiram com serenidade e alguma ironia. Nathan Fillion (Guy Gardner/Green Lantern) limitou-se a responder: “Aw, alguém precisa de um abraço. É só um filme, pessoal.” Já Sean Gunn, irmão do realizador e intérprete do vilão Maxwell Lord, foi mais directo: “Sim, o Superman é um imigrante. E se não gostas disso, então não estás do lado do verdadeiro American Way.”

A resposta mais contundente talvez tenha sido a de James Gunn: “Este é um filme sobre bondade. E isso é algo que toda a gente pode compreender. Não estou aqui para julgar ninguém.”

Um filme político?

É inevitável perguntar: Superman é um filme político? Sim, mas não panfletário. Ao resgatar o espírito original da personagem — criada por dois filhos de imigrantes judeus, numa América de crise — Gunn reconecta o herói com as suas raízes mais profundas. A versão de 2025 é menos sobre invulnerabilidade e mais sobre compaixão. O conflito já não é apenas contra supervilões como Lex Luthor, mas contra a apatia, o medo e o individualismo.

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Num momento em que o mundo se divide entre trincheiras ideológicas, este novo Superman recorda-nos que os grandes heróis não são aqueles que nos mostram o quanto são fortes, mas sim os que nos lembram do que podemos ser.

“Better Man”: O Biopic Mais Surpreendente do Ano Traz Robbie Williams em Versão Chimpanzé (Literalmente!)

Preparem-se para uma das experiências televisivas mais bizarras, emocionantes e inesperadas do ano: Better Man, o filme biográfico sobre Robbie Williams que ninguém viu a chegar — literalmente. Estreia já este sábado, 12 de julho, às 21h30, no TVCine Top e TVCine+, e promete deixar qualquer fã do cantor (ou de biopics em geral) com o queixo no chão.

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Realizado por Michael Gracey, o mesmo responsável por O Grande Showman, este é tudo menos um biopic convencional. Em vez de seguirmos o típico percurso ascensão-quebra-redenção com actores parecidos ou transformações físicas premiáveis, Better Man opta por uma abordagem completamente fora da caixa: o protagonista é um chimpanzé digital, animado com tal mestria que o filme foi nomeado para o Óscar de Melhores Efeitos Visuais. E sim, esse chimpanzé canta, dança e sente – como se tivesse nascido para os palcos.

Robbie Williams Como Nunca o Vimos (e Isso Diz Muito)

Baseado na vida do cantor britânico mais irreverente da sua geração, Better Man acompanha Robbie Williams desde a infância em Stoke-on-Trent, passando pelo estrelato juvenil com os Take That, até à sua gigantesca carreira a solo — marcada por sucessos planetários como AngelsLet Me Entertain You ou Feel. Mas por trás das luzes e das multidões, o filme mergulha nas crises de ansiedade, nos vícios, nas inseguranças e na permanente luta pela reinvenção pessoal.

Gracey opta por narrar a história sob o ponto de vista interno do próprio Robbie, o que confere ao filme uma sensibilidade rara – e uma honestidade brutal. A escolha do chimpanzé como avatar de Williams simboliza a dicotomia entre o espectáculo exterior e o caos interior, de forma tão inusitada quanto eficaz. O resultado é um biopic que oscila entre o delírio visual e o retrato emocional cru.

Nomeações, Humor Negro e Uma Canção que Fica no Ouvido

Para além do reconhecimento pela ousadia técnica, Better Man arrecadou também uma nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Canção Original com Forbidden Road, uma balada melancólica que resume bem a essência do filme: o caminho sinuoso de um homem em busca de si próprio, sempre entre o amor do público e o vazio dos bastidores.

O elenco conta com Jonno Davies no papel de Robbie (ou pelo menos da sua versão humana), Steve Pemberton, Alison Steadman, Kate Mulvany, e uma breve – mas saborosa – participação do verdadeiro Williams. A mistura de drama, humor negro e musicalidade fazem deste um título impossível de classificar, mas também impossível de ignorar.

Uma Experiência Única, Só no TVCine Top

Com estreia marcada para sábado, Better Man é um daqueles filmes que dividem opiniões, mas não deixam ninguém indiferente. É provocador, comovente, estranho, e por vezes desconcertante — como o próprio Robbie Williams. E a julgar pela criatividade aqui demonstrada, o futuro dos biopics pode muito bem passar por territórios que nem sequer sabíamos existir.

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Se procura algo diferente, arrojado e emocionalmente honesto, então marque já na agenda: Better Man, dia 12 de julho, às 21h30, só no TVCine Top e no TVCine+. E se alguma vez se perguntou como seria ver um chimpanzé a cantar Rock DJ, a resposta está aqui.

A Comédia Francesa Mais Explosiva do Verão: Christian Clavier Torna-se o Sogro dos Pesadelos em Terapia de Família

Preparem-se para rir, suspirar… e talvez repensar a vossa relação com os sogros. A partir de 7 de agosto, chega às salas de cinema portuguesas a comédia francesa Terapia de Família, um filme onde a psicanálise, o amor e o caos familiar colidem com consequências hilariantes. O grande destaque vai para Christian Clavier, uma lenda viva da comédia francesa, que encarna aqui um terapeuta com uma missão clara: impedir o casamento da própria filha, sabotando o genro… que em tempos foi seu paciente!

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Realizado por Arnaud Lemort, Terapia de Família junta dois pesos pesados da comédia francesa actual: Clavier, eterno “Godefroy” de Os Visitantes, e Baptiste Lecaplain, um dos rostos mais populares do novo humor gaulês. Ao seu lado, um elenco sólido que inclui Claire Chust, Cristiana Reali e Rayane Bensetti, garantindo que o humor, o embaraço e as tensões familiares não faltam neste filme ambientado num cenário idílico — os Alpes franceses, com o Lago Léman como pano de fundo.

Uma Terapia que Correu Muito Mal

Damien (Lecaplain) é um jovem cronicamente ansioso que passou cinco anos em sessões de psicoterapia com o Dr. Beranger (Clavier), sem grandes progressos. No momento de frustração, o terapeuta lança-lhe um desafio peculiar: encontrar o amor da sua vida. Contra todas as expectativas, Damien consegue. Mas o que parecia ser uma vitória emocional transforma-se rapidamente num pesadelo psicológico quando descobre que o pai da sua noiva é… o próprio Dr. Beranger!

O reencontro entre os dois decorre num fim-de-semana familiar aparentemente inocente, mas rapidamente se transforma num campo de batalha emocional. Determinado a afastar Damien da filha, Beranger recorre a sabotagens, manipulações e uma série de estratégias tão duvidosas quanto hilariantes. O resultado? Uma sucessão de mal-entendidos, desabafos reprimidos e verdades inconvenientes que prometem arrancar gargalhadas ao público.

Comédia de Situação com Sotaque Francês

Arnaud Lemort — também responsável por títulos como L’Amour c’est mieux que la vie — volta a mostrar talento na arte da comédia relacional, onde o humor nasce do embaraço, das pequenas vinganças familiares e do eterno confronto entre gerações. Ao colocar um ex-terapeuta no papel de sogro vingativo, Lemort cria uma situação de comédia perfeita: é impossível fugir ao passado… mesmo quando ele está sentado à mesa do jantar a cortar o assado.

O filme aposta no ritmo rápido, nos diálogos certeiros e numa realização luminosa, aproveitando a paisagem alpina para contrastar com a tensão crescente dentro de casa. O Lago Léman, símbolo de paz e serenidade, serve assim de pano de fundo para uma história onde tudo menos paz se encontra à mesa.

Christian Clavier em Forma Vintage

O grande trunfo de Terapia de Família está no regresso de Christian Clavier ao tipo de papel que o tornou uma estrela: o homem obstinado, ligeiramente arrogante e absolutamente determinado a ter razão, mesmo que para isso tenha de destruir a vida de todos à sua volta. A sua química com Baptiste Lecaplain é palpável, e a dinâmica entre os dois proporciona alguns dos momentos mais memoráveis do filme.

Para os fãs de Clavier, esta é uma oportunidade imperdível de o ver em plena forma, num papel que mistura sarcasmo, ternura (muito escondida) e aquele humor tipicamente francês onde os limites são sempre testados.

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Terapia de Família estreia a 7 de agosto, com distribuição da NOS Audiovisuais. Se procura uma comédia de verão com charme europeu, elenco de luxo e gargalhadas garantidas, marque já na agenda. Afinal, todos temos alguém na família que podia muito bem ser este terapeuta…