Studio Ghibli faz 40 anos: entre o legado mágico de Miyazaki e o medo de um fim encantado demais

Um aniversário cheio de magia… e incerteza

O Studio Ghibli celebra 40 anos de existência em 2025, e fá-lo com o brilho de dois Óscares no bolso, um parque temático, uma presença forte na Netflix e uma legião de fãs apaixonados em todos os cantos do mundo. Mas há também uma sombra a pairar sobre este aniversário: Hayao Miyazaki, o génio por trás da maior parte das suas obras-primas, tem agora 84 anos, e o futuro do estúdio que cofundou com Isao Takahata parece… bem, tão nebuloso como a floresta encantada de Totoro.

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Com o aclamado O Rapaz e a Garça a arrecadar o segundo Óscar do estúdio em 2024 — mais de duas décadas depois de A Viagem de Chihiro ter vencido o primeiro — há quem acredite que Miyazaki se esteja finalmente a despedir da animação. Mas, vindo dele, nunca se sabe. Afinal, este é o homem que já se reformou mais vezes do que o Totoro cabe numa árvore.

Um estúdio feito à mão — literalmente

A Viagem de Chihiro

Desde 1985, o Studio Ghibli tornou-se sinónimo de animação feita com alma, pincel e um toque de melancolia. A Viagem de ChihiroO Meu Vizinho TotoroA Princesa Mononoke e Nausicaä do Vale do Vento (considerado por muitos o primeiro Ghibli, embora tecnicamente anterior à fundação oficial do estúdio) não são apenas filmes: são experiências emocionais que misturam ternura com tristeza, esperança com medo, e fantasia com duras verdades sobre a condição humana.

Ao contrário de muitos animes produzidos em massa, Ghibli sempre preferiu o caminho mais exigente: animações feitas à mão, argumentos densos, personagens femininas fortes e universos onde o bem e o mal não andam de mãos dadas — dançam uma valsa de ambiguidades.

“Cheiro de morte” e outras maravilhas

Goro Miyazaki, filho de Hayao, revelou que os filmes do estúdio trazem muitas vezes um “cheiro de morte” subtil. Não no sentido mórbido, mas sim como metáfora da vida, da perda, do que não se diz mas paira. Até Totoro, o filme das criaturas fofinhas da floresta, explora o medo infantil de perder uma mãe doente.

Não é por acaso que A Princesa Mononoke — um filme sobre o conflito entre natureza e civilização — foi descrito como uma obra-prima ambientalista e espiritual. A ligação dos filmes à natureza e ao mundo espiritual é um dos pilares da estética e da filosofia Ghibli, algo que ressoa particularmente nos dias de hoje, com as alterações climáticas a transformar fábulas em realidades.

Susan Napier, especialista em cultura japonesa, sublinha que o que distingue Ghibli dos desenhos animados ocidentais é precisamente essa complexidade emocional e ambiguidade moral. Nada de vilões cartoonescos ou finais forçados — apenas personagens reais em mundos irreais, com dilemas muito humanos.

Influências francesas, princesas independentes e florestas venenosas

A magia do Ghibli não nasceu do nada. Takahata estudou literatura francesa, Miyazaki inspirou-se em Antoine de Saint-Exupéry e no animador Paul Grimault, e ambos liam compulsivamente. O resultado? Filmes como Nausicaä, protagonizado por uma princesa curiosa que prefere estudar insectos gigantes a esperar que um príncipe a salve.

É essa combinação rara entre referências literárias, espírito progressista e um olhar estético meticuloso que tornou Ghibli um fenómeno global — tão artístico quanto político, tão espiritual quanto social.

E agora, Totoro?

O futuro do estúdio, sem Miyazaki ao leme, levanta dúvidas. A professora Miyuki Yonemura alerta que dificilmente alguém conseguirá replicar aquele mesmo olhar, aquele mesmo cuidado, aquela mesma magia.

Mas os fãs, como Margot Divall, acreditam que o legado continuará — desde que o estúdio mantenha o seu coração intacto: “Desde que não perca a sua beleza, desde que continue com a quantidade de esforço, cuidado e amor.”

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Resta saber se o mundo Ghibli se vai manter como aquele comboio encantado de Chihiro, a deslizar serenamente por cima da água… ou se sairá dos carris quando o mestre se for.

Portugal em destaque no Festival de Cinema de Guadalajara: mais de 30 filmes e homenagem a Maria de Medeiros

Do Douro ao México: celebração do cinema português na 40.ª edição do festival

Portugal é o país convidado da 40.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, que arrancou esta sexta-feira no México. A presença lusa faz-se sentir em força, com mais de 30 filmes portugueses — dos clássicos à vanguarda contemporânea — e uma programação que presta homenagem à atriz e realizadora Maria de Medeiros, uma das figuras mais internacionais da nossa cinematografia.

A selecção inclui nomes incontornáveis como Pedro Costa, Manoel de Oliveira, José Álvaro Morais e obras de diferentes géneros e formatos, do documentário à ficção, da curta à longa-metragem, do cinema de autor à animação em stop-motion.

Uma homenagem justa a Maria de Medeiros

epa10655750 Maria de Medeiros arrives for the screening of ‘The Old Oak’ during the 76th annual Cannes Film Festival, in Cannes, France, 26 May 2023. The movie is presented in the Official Competition of the festival which runs from 16 to 27 May. EPA/GUILLAUME HORCAJUELO

Entre os destaques do festival está a homenagem a Maria de Medeiros, celebrando o seu percurso como atriz, realizadora e artista multifacetada. Serão exibidos filmes icónicos da sua carreira, como Silvestre, de João César Monteiro, onde protagonizou um dos seus primeiros papéis no cinema, e Capitães de Abril, a sua obra como realizadora que homenageia a Revolução dos Cravos.

A homenagem é uma forma de sublinhar a ligação histórica e afectiva de Maria de Medeiros com o cinema europeu e internacional, bem como o seu papel de embaixadora cultural de Portugal no mundo.

Animação portuguesa também em destaque

cinema de animação marca igualmente presença no festival, com Os demónios do meu avô, de Nuno Beato, a ser exibido acompanhado por uma exposição com miniaturas em stop-motion usadas na produção do filme — um raro vislumbre do processo criativo por detrás da técnica artesanal.

O realizador João Gonzalez, autor do premiado Ice Merchants, dará ainda uma masterclasse sobre animação, contribuindo para o reconhecimento internacional da nova geração de animadores portugueses.

Clássicos e novos olhares

A selecção de obras portuguesas inclui títulos fundamentais como Maria do Mar (1930), de Leitão de Barros, e Trás-os-Montes (1976), de António Reis e Margarida Cordeiro — ambos pilares históricos do nosso cinema.

Mas também há espaço para o contemporâneo com filmes como A fábrica de nada (Pedro Pinho), As Fado Bicha (Justine Lemahieu) e A noite (Regina Pessoa). O documentário A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro, que aborda a resistência à exploração de lítio em Covas do Barroso, está nomeado para o prémio de melhor longa-metragem documental ibero-americana.

Outros filmes em competição incluem Tardes de solidão, do espanhol Albert Serra (coprodução portuguesa), Ouro negro, de Takashi Sugimoto (produzido por Uma Pedra no Sapato), e Tapete voador, curta-metragem de Justin Amorim baseada em casos reais de abuso sexual em Portugal.

Representação LGBT e consciência social

Na secção Maguey, dedicada a narrativas LGBT, o filme Duas vezes João Liberada, de Paula Tomás Marques, traz à tela a história de uma figura ficcional perseguida pela Inquisição por transgredir as normas de género da época.

Já La memoria de las mariposas, da peruana Tatiana Fuentes Sadowski, com coprodução portuguesa da Oublaum Filmes, está a concurso na categoria de cinema socioambiental, um tema cada vez mais presente nas preocupações dos festivais internacionais.

Um festival que celebra o passado, o presente e o futuro do cinema português

Com esta programação vasta e eclética, o Festival de Guadalajara assume-se como uma montra de luxo para o cinema português, reconhecendo não só os mestres do passado como também as vozes emergentes de uma nova geração de criadores.

A 40.ª edição do festival decorre até 14 de Junho, e é, sem dúvida, um momento de celebração para todos os que acreditam na força transformadora do cinema português além-fronteiras.

Robert De Niro e Whoopi Goldberg rendem-se a Portugal no Festival Tribeca: “Segurança, diversidade e talento”

Lisboa volta a brilhar no mapa do cinema internacional com a segunda edição do Tribeca Lisboa

O Festival Tribeca Lisboa regressa em força de 30 de Outubro a 1 de Novembro, e a apresentação da segunda edição, feita esta quinta-feira em Nova Iorque, não deixou dúvidas: Portugal conquistou corações — e grandes nomes — no panorama do cinema internacional. Entre elogios à segurança, diversidade e hospitalidade portuguesa, Robert De NiroWhoopi Goldberg e Jane Rosenthal partilharam publicamente o seu entusiasmo com a experiência lisboeta.

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O evento, realizado no âmbito do Festival Tribeca em Nova Iorque, revelou novidades para a edição lisboeta e confirmou a presença de Kim CattrallMeg Ryan e Giancarlo Esposito no evento português, que promete tornar-se um marco do calendário cultural da cidade.

Whoopi Goldberg: “Lisboa é maravilhosa, segura e diversa”

A atriz e comediante Whoopi Goldberg, numa declaração à Lusa, sublinhou a multiculturalidade de Lisboa e a sensação de segurança que encontrou nas ruas da capital portuguesa:

“Gostei de ver todas as pessoas, porque não eram só brancos. (…) Havia todos os tipos de pessoas. Adorei isso e recomendo que as pessoas vão, porque é maravilhoso.”

Apesar de não confirmar se marcará presença na edição de Lisboa deste ano, Goldberg mostrou-se genuinamente entusiasmada com o país e deixou no ar a vontade de voltar.

Robert De Niro encantado com o Beato

Também Robert De Niro não poupou elogios à sua visita a Lisboa, especialmente ao Hub Criativo do Beato, onde decorreu a primeira edição do Tribeca Lisboa em 2024:

“Aquela zona industrial (…), o Beato, foi fantástica. Diverti-me muito. Estou ansioso por voltar e falar sobre a nossa relação com todos em Lisboa, em Portugal.”

De Niro, que cofundou o festival em 2001 como resposta ao 11 de Setembro, vê em Lisboa uma extensão natural do espírito do Tribeca — um lugar para contar histórias, cruzar culturas e apostar no talento emergente.

Jane Rosenthal destaca “intercâmbio cultural” e necessidade de proteger artistas

Jane Rosenthal, a outra fundadora do festival, frisou o ambiente positivo e receptivo que encontrou em Lisboa, assim como o interesse genuíno do público português na programação apresentada:

“Tudo isso trouxe-nos de volta às origens do festival de cinema, mas de uma forma alegre, uma forma de intercâmbio cultural, diplomacia cultural.”

Rosenthal aproveitou ainda para sublinhar a importância de proteger a liberdade de expressão, referindo que cabe aos artistas e educadores manter acesa a chama da criatividade:

“Só seremos mais fortes se formos mais educados. E os artistas, as histórias de artistas podem, por vezes, ir além do que os políticos dizem.”

Novidades da segunda edição: mais dias, mais locais e uma estreia açoriana

A edição de 2025 do Tribeca Lisboa terá três dias de duração (de 30 de Outubro a 1 de Novembro) e expandir-se-á para novos espaços além do Hub Criativo do Beato: o Teatro Ibérico e a Igreja do Convento do Beato também vão acolher sessões, reforçando o ambiente cinematográfico da cidade.

Entre os filmes já confirmados está “Honeyjoon”, primeira longa-metragem da realizadora norte-americana Lilian T. Mehrel, produzida em parceria com a portuguesa Wonder Maria Filmes. O filme, rodado integralmente em São Miguel, nos Açores, conta com Ayden Mayeri, Amira Casar e José Condessa no elenco.

Lisboa no radar do cinema global

Para o CEO do Grupo Impresa, Francisco Pedro Balsemão, o sucesso da primeira edição provou que Lisboa pode (e deve) ter um papel de destaque no circuito internacional:

“Isto não é só um festival, é uma forma de nós conseguirmos criar mais conteúdos, de estarmos a abrir horizontes, estarmos mais próximos da visão internacional dos conteúdos audiovisuais.”

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Fundado em 2001, o Tribeca Festival começou como uma celebração do cinema independente, mas evoluiu para um espaço alargado de storytelling em múltiplos formatos. Com Lisboa como destino europeu, Portugal está agora no centro desta narrativa global — com estrelas, talentos e histórias que merecem ser contadas.

Três estreias portuguesas no Festival de Cinema de Marselha: Rita Azevedo Gomes, Leonor Noivo e João Miller Guerra em destaque

Cinema português em força no FIDMarseille 2025

Portugal volta a marcar presença no panorama internacional do cinema com três estreias mundiais no Festival Internacional de Cinema de Marselha (FIDMarseille), que celebra a sua 36.ª edição de 8 a 13 de Julho de 2025. Os novos filmes de Rita Azevedo GomesLeonor Noivo e João Miller Guerra foram seleccionados para a programação oficial do festival francês, um dos mais relevantes do circuito europeu no campo do cinema documental e de autor.

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Entre ficção, documentário e experiências híbridas, os três projectos representam diferentes abordagens estéticas e temáticas, revelando a vitalidade criativa do cinema português contemporâneo — e também a sua capacidade de dialogar com temas universais.

“Fuck the Polis”: Rita Azevedo Gomes em competição internacional

Em estreia mundial e inserido na competição internacionalFuck the Polis marca o regresso de Rita Azevedo Gomes com uma obra que volta a cruzar literatura, paisagem e existencialismo. O título invoca o livro de poesia de João Miguel Fernandes Jorge, mas também um gesto político de rebeldia e contemplação.

Segundo a sinopse oficial, o filme parte de uma personagem chamada Irma, que, vinte anos depois de uma viagem à Grécia feita sob a convicção de que estava condenada, regressa agora acompanhada por três jovens. Entre ilhas, mar e céu, o grupo mergulha em leituras, escutas e vivências guiadas pelo apelo à beleza e à clareza. O argumento é assinado pela realizadora e por Regina Guimarães, e a produção é da responsabilidade da própria Rita Azevedo Gomes.

“Bulakna”: Leonor Noivo estreia-se na longa-metragem

Também em competição e em estreia absoluta estará Bulaknaprimeira longa-metragem de Leonor Noivo, produzida pela Terratreme Filmes com coprodução francesa. O documentário foca-se na diáspora de mulheres filipinas, um tema raramente explorado no cinema português, e promete lançar luz sobre histórias de migração, resistência e identidade feminina globalizada.

Leonor Noivo, com uma carreira marcada por curtas-metragens intensas e observacionais, dá agora um passo sólido para o grande ecrã, mantendo o seu olhar atento à intimidade dos corpos e à invisibilidade das histórias que habitam as margens do quotidiano.

“Complô”: o cinema político de João Miller Guerra

A terceira estreia portuguesa no festival é Complô, de João Miller Guerra, documentário que parte da figura de Ghoya (Bruno Furtado), rapper e activista luso-cabo-verdiano, cuja história de vida é atravessada por questões de identidade, exclusão e pertença.

Segundo a produtora Uma Pedra no Sapato, o filme mergulha na experiência de alguém que “viu negado à nascença o direito de ser e se sentir português”, propondo uma reflexão poderosa sobre racismo estrutural e cidadania num país que ainda se confronta com os seus fantasmas coloniais. Uma obra urgente e política, que prolonga a linha de intervenção social visível noutras obras do realizador.

Coproduções e panorama internacional

Além dos filmes portugueses, o FIDMarseille 2025 conta ainda com coproduções nacionais, como All Roads Lead to You, da artista ucraniana Jenya Milyukos, e Morte e Vida Madalena, do brasileiro Guto Parente — ambas com presença portuguesa nos créditos, revelando a crescente participação lusa em projectos transnacionais.

O festival abrirá com Kontinental, do romeno Radu Jude, outro autor de culto do cinema europeu contemporâneo.

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FIDMarseille volta assim a afirmar-se como um espaço privilegiado para a descoberta de vozes singulares e para a afirmação de um cinema que resiste ao formato, à fórmula e ao facilitismo — e Portugal, felizmente, está no centro dessa conversa.

Especial Dia de Portugal no TVCine Edition: seis estreias para celebrar o cinema português

De Frederico Serpa a Sérgio Graciano, um 10 de Junho recheado de grandes estreias

O Dia de Portugal vai ser celebrado com uma maratona de cinema 100% português nos canais TVCine, que assinalam a data com seis estreias televisivas absolutas. A programação, transmitida a 10 de Junho no TVCine Edition, arranca às 11h e prolonga-se até ao início da noite, oferecendo uma amostra diversificada e rica do que se faz (e imagina) no cinema nacional. São filmes que percorrem géneros, geografias e visões, sempre com o talento português em primeiro plano.

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11h00 – Arrabalde, de Frederico Serpa

A jornada começa com Arrabalde, uma estreia na realização para Frederico Serpa, que também protagoniza este filme-poema urbano. Dois amigos percorrem de bicicleta uma cidade que tanto pode ser Lisboa como qualquer outra. À medida que o dia avança e a noite se instala, os episódios que testemunham põem em causa as suas bússolas morais. Com participações de Martim Guerreiro, Alexandra Freudenthal, Luís Miguel Cintra e Manuel João Vieira, esta é uma ode inquieta à cidade contemporânea.

12h20 – Na Mata dos Medos, de António Borges Correia

Segue-se Na Mata dos Medos, uma obra que mistura o real e o imaginado numa estrutura metacinematográfica. Alice, uma realizadora viúva, investe-se num projecto de filme-ensaio sobre os primeiros amores. Aos poucos, o espectador mergulha nesse mesmo filme idealizado, atravessando camadas de ficção e memória. Vencedor do Prémio do Público no FESTin, o filme conta com Anabela Brígida, Joana Bárcia e Cláudio da Silva.

13h50 – Nome, de Sana Na N’Hada

Diretamente da secção ACID do Festival de Cannes, Nome retrata a Guiné-Bissau de 1969, em plena guerra de libertação. O protagonista, um jovem que se junta ao movimento de resistência Maquis, regressa anos depois como herói — mas encontra uma realidade amarga e desiludida. Esta coprodução entre Guiné-Bissau, Portugal, França e Angola é assinada pelo veterano Sana Na N’Hada e tem no elenco Marcelino António Ingira, Binete Undonque e Marta Dabo.

15h50 – O Melhor dos Mundos, de Rita Nunes

Num cenário de ficção científica em Lisboa, no ano de 2027, O Melhor dos Mundos aborda dilemas éticos, científicos e emocionais entre um casal de investigadores que se vê dividido perante a iminência de um possível sismo devastador. Sara Barros Leitão e Miguel Nunes lideram o elenco desta proposta ambiciosa de Rita Nunes, que mistura ciência, drama e introspecção.

17h05 – Mãos no Fogo, de Margarida Gil

Inspirado livremente em A Volta do Parafuso de Henry James, este filme mergulha numa atmosfera de mistério e inquietação. Uma jovem estudante de cinema descobre que a mansão duriense que filma para um documentário tem muito mais para revelar do que se imagina. Margarida Gil assina aqui o seu nono filme, com um elenco onde brilham Carolina Campanela, Rita Durão e Marcello Urgeghe.

18h55 – Os Papéis do Inglês, de Sérgio Graciano

A maratona encerra com um épico luso-angolano que cruza literatura, mistério e identidade. Inspirado na obra de Ruy Duarte de Carvalho, o filme acompanha a busca de um homem pelos enigmas deixados pelo seu pai no deserto do Namibe, atravessando décadas de história. Com argumento de José Eduardo Agualusa, Os Papéis do Inglês conta com João Pedro Vaz, Miguel Borges, Joana Ribeiro e Délcio Rodrigues.

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Um retrato plural do cinema português

Este Especial Dia de Portugal nos TVCine é mais do que uma maratona cinematográfica: é um retrato caleidoscópico da criatividade portuguesa, com espaço para a memória colonial, a ficção científica, o realismo poético, a crítica social e a adaptação literária. Um verdadeiro mergulho na diversidade estética e temática que marca o nosso cinema, e uma excelente oportunidade para descobrir — ou redescobrir — o talento que se filma em português.

A não perder, a 10 de Junho, a partir das 11h, em exclusivo no TVCine Edition e no TVCine+.

“Uma Noite no Zoo”: Quando os Animais Viram Zombies e o Zoo Vira um Campo de Batalha! 🐺🦙🧟‍♂️

Nova animação estreia a 3 de julho e promete gargalhadas, ação e… um coelho completamente doido

Já vimos animais a cantar, a cozinhar, a pilotar aviões e até a viver aventuras secretas em apartamentos de luxo. Mas agora, em Uma Noite no Zoo, os animais ultrapassam todos os limites… e viram zombies mutantes! A nova aposta da NOS Audiovisuais estreia a 3 de julho nos cinemas portugueses e promete ser um verdadeiro “Zoopocalipse” animado.

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Realizado por Ricardo Curtis (Os IncríveisMonstros e Companhia) e Rodrigo Perez-Castro (O Livro da VidaFerdinando), o filme junta ação, humor e uma pitada de terror (muito leve, claro) numa história onde a sobrevivência é levada a sério… mas sempre com uma boa gargalhada pelo meio.

Meteoro, vírus zombie e um coelho que quer dominar o mundo 🐰☄️

Tudo começa quando um meteoro cai sobre o Zoo de Colepepper, libertando um vírus misterioso que transforma os animais pacatos em autênticas criaturas descontroladas. Cabe a Gracie, uma jovem loba sonhadora, e a Dan, um puma solitário com voz de líder relutante, organizar uma resistência improvisada para salvar o Zoo – e talvez até o planeta.

Mas nenhum herói se safa sozinho. Ao seu lado surgem aliados inesperados: Xavier, o lémure hiperactivo, Frida, a capivara zen, Ash, a avestruz neurótica e Felix, o macaco malabarista. Juntos, terão de enfrentar o terrível Coelho Zero – um tirano mutante com aspirações de império viral. Sim, é tão caótico e divertido como parece.

Uma homenagem animada aos clássicos dos anos 80 🧪👾

Com uma estética vibrante e um enredo cheio de referências, Uma Noite no Zoo pisca o olho a clássicos como Gremlins e Os Caça-Fantasmas. É uma carta de amor ao cinema de aventura dos anos 80, mas com ritmo moderno e animação de alta qualidade. A banda sonora energética e o humor visual garantem que os mais novos fiquem colados ao ecrã… e que os pais não adormeçam no processo.

Apesar de todo o caos (e zombies), o filme não perde de vista os seus temas centrais: coragem, cooperação e aceitação da diferença. No meio de tanto ruído, é bom ver que ainda há espaço para mensagens com coração.

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Preparem-se para uma noite no Zoo como nunca viram. A partir de 3 de julho, o caos vai chegar aos cinemas – e vai ser assustadoramente divertido.

“Maria Montessori”: O Filme Que Vai Dar Voz à Mulher que Mudou o Mundo da Educação

Leïla Bekhti e Jasmine Trinca brilham num drama histórico sobre maternidade, exclusão e resistência feminina 💥

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Se pensarmos na palavra “escola”, provavelmente poucos nomes surgem tão associados à inovação pedagógica como o de Maria Montessori. Mas quem era, afinal, esta mulher que ousou desafiar o sistema educativo no virar do século XX? A resposta chega já a 12 de junho com Maria Montessori, um filme biográfico que promete muito mais do que uma simples aula de História.

Realizado por Léa Todorov e com argumento coassinado pela própria realizadora e por Catherine Paillé, Maria Montessori mergulha nas camadas íntimas da vida desta médica italiana – a primeira a exercer medicina em Itália – que revolucionou a pedagogia com um método centrado na autonomia, liberdade e respeito pelas crianças.

Mas o filme não se limita a traçar o percurso da cientista. Maria Montessori é, acima de tudo, um retrato de duas mulheres que ousaram viver fora das regras: Montessori, interpretada por Jasmine Trinca, e Lili d’Alengy, uma cortesã parisiense vivida por Leïla Bekhti, que esconde uma filha com deficiência. É em Roma que os caminhos destas duas figuras improváveis se cruzam, num encontro que muda o rumo das suas vidas e que dá corpo a um drama de forte intensidade emocional.

Mulheres à frente do seu tempo… e sozinhas no mundo

O que une estas duas mulheres, aparentemente de mundos distintos, é a luta silenciosa contra a repressão social e o preconceito. Ambas guardam segredos – Maria tem um filho nascido fora do casamento, Lili tenta proteger a filha das garras do estigma. Em comum têm a maternidade não convencional e a coragem de não baixarem os braços. E é na relação entre elas que o filme encontra o seu coração.

Não estamos perante uma narrativa empacotada num arco tradicional de superação. Maria Montessori assume-se como um drama delicado, de olhar humanista, onde a câmara dá tempo às emoções e espaço aos silêncios. A realização de Léa Todorov é sensível e contenida, deixando que as personagens respirem e que o espectador mergulhe nas suas angústias e esperanças.

Uma história comovente… e politicamente atual

A pedagogia de Montessori não serve aqui apenas como pano de fundo, mas como motor simbólico de transformação. A sua visão sobre a infância, até então encarada com desdém e violência institucional, é apresentada como um gesto de revolução silenciosa. E, num mundo onde as vozes femininas ainda lutam para serem ouvidas, o filme ganha uma ressonância política inesperada e necessária.

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Maria Montessori estreia em exclusivo nos cinemas UCI a 12 de junho. Mais do que um filme biográfico, é uma homenagem à persistência feminina, ao poder da empatia e à urgência de dar espaço às histórias que nunca chegaram aos manuais escolares. Preparem os lenços… e os aplausos.

Ana de Armas: Da pronúncia fonética ao topo da ação em “Ballerina”

De “Knock Knock” a “Ballerina”, a viagem improvável e extraordinária de Ana de Armas até ao coração do universo John Wick.

Ana de Armas já provou que não é uma estrela qualquer — é uma força imparável. Com o novo filme Do Mundo de John Wick: Ballerina, que acaba de estrear nos cinemas portugueses, a atriz cubana alcança o seu momento de consagração num género que, até há pouco tempo, parecia-lhe completamente improvável: o cinema de ação.

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Mas a sua relação com Keanu Reeves — e com o próprio Wick-verso — começou bem antes de patins de gelo transformados em armas mortais. Foi em Knock Knock (2015), um thriller erótico realizado por Eli Roth, que Ana de Armas pisou pela primeira vez um plateau de Hollywood. Tinha acabado de chegar a Los Angeles, falava pouco inglês e teve de decorar o guião… foneticamente.

“Foi duro. Senti-me miserável por vezes. Muito sozinha”, recorda hoje. “Mas queria provar que conseguia. Diziam-me ‘vemos-te daqui a um ano, quando falares inglês’. E eu respondia: ‘Vejo-vos daqui a dois meses’.”

Da “Bond Girl” à protagonista de ação

De Armas subiu a escada de Hollywood com uma velocidade vertiginosa. Brilhou em Blade Runner 2049, roubou a cena em Knives Out e foi nomeada para o Óscar com a sua arrebatadora interpretação de Marilyn Monroe em Blonde. Mas Ballerina é o seu primeiro grande protagonismo num filme de ação com estreia mundial em sala — e o desafio é tão grande quanto o universo que herdou.

Ballerina decorre entre os eventos de John Wick 3: Implacável e John Wick 4 e segue Eve, uma bailarina que se transforma em assassina para vingar a morte da sua família. Uma personagem feminina dura, letal, mas também com camadas de vulnerabilidade — algo que Ana de Armas transmite com uma autenticidade rara.

“O que mais gosto nos meus heróis de ação é vê-los a fraquejar. Não quero a personagem estoica, que sabe que tudo vai ficar bem. Quero que lutem com tudo”, diz Chad Stahelski, realizador da saga John Wick e produtor de Ballerina.

Uma vida de sacrifício, luta… e persistência

Para Stahelski, o que convenceu definitivamente não foi apenas o talento ou o carisma de Ana de Armas, mas a sua história de vida.

“Ela não veio só aproveitar a vista — ela gosta de subir a montanha”, afirma.

E Ana confirma: “Nunca tive um plano B. Esta era a única coisa que eu tinha. Esta é a forma como me alimento e como sustento a minha família. Isto é sobrevivência.”

Desde os dias em que sofria de asma na infância em Cuba, incapaz de correr com os amigos, até hoje — onde protagoniza cenas de luta coreografadas, lida com lança-chamas e combate corpo a corpo — Ana de Armas redefiniu o que significa ser uma estrela de ação.

Um rosto novo, uma energia diferente para o universo “John Wick”

Apesar de ter tido um breve papel na ação de 007: Sem Tempo Para Morrer, foi com Ballerina que Ana mergulhou verdadeiramente no treino físico e emocional de uma heroína do género. E isso vê-se na tela — e fora dela.

Participou em festivais, entrevistas, vídeos virais com asas de frango picante, e até foi questionada sobre o seu próximo filme com Tom Cruise, Deeper. Tudo sem perder a graça, o humor e a empatia que a tornam uma presença cativante. E sim, parte dessa leveza vem do facto de dividir o seu tempo entre Los Angeles e… Vermont.

“Sim, surpreende muita gente. Mas trouxe-me felicidade, sanidade e paz”, diz ela a rir.

O futuro? Com os dois pés na ação… e o coração no cinema

Com Ballerina, Ana de Armas carimba o passaporte para o panteão dos grandes nomes do cinema de ação. E mais do que isso: abre a porta a uma nova geração de protagonistas femininas complexas, humanas e verdadeiramente letais.

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Para a atriz, a missão está clara: “Quando dou uma hipótese a algo, dou o meu melhor. O que quer que isso signifique. E depois posso dizer: dei o meu melhor.”

E sim, Ana: deu — e arrasou.

Tom Cruise Faz História (Outra Vez): Guinness Recorde Para Cena de Paraquedas em Chamas em Mission: Impossible — The Final Reckoning 🪂🔥

Aos 61 anos, Tom Cruise continua a provar que a idade é apenas um número… especialmente quando se fala em voar de helicóptero com um paraquedas em chamas. Sim, leu bem. O astro de Hollywood conquistou agora um Guinness World Record pelo maior número de saltos com paraquedas em chamas — 16, para ser exacto — durante as filmagens de Mission: Impossible — The Final Reckoning.

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Este feito não é apenas mais uma entrada no vasto portefólio de loucuras físicas de Cruise. É a consagração oficial de uma carreira que desafia continuamente os limites do que um actor pode (ou deve) fazer num set de filmagens.

Um salto (ou 16) para a eternidade

O momento histórico foi filmado nos céus da cordilheira de Drakensberg, na África do Sul, com Cruise a saltar de um helicóptero a mais de 75.000 pés de altitude, com o paraquedas literalmente ensopado em combustível e a arder. Cada salto terminava com a libertação do paraquedas em chamas, seguido da activação de um segundo paraquedas de segurança. Porque claro, se é para ser perigoso, ao menos que se faça com classe (e seguro).

E como se não bastasse o fogo e a gravidade, Cruise levava também um arnês com uma câmara Snorri de 22 kg presa ao corpo para captar imagens em plano fechado do momento. Se parece insano… é porque é mesmo.

“Não estamos a correr riscos… obviamente.” 😏

O Guinness World Records não teve dúvidas: “Tom não é apenas um actor de filmes de acção — ele é um herói de acção real”, afirmou Craig Glenday, editor-chefe da instituição. “Esta conquista mostra o seu compromisso absoluto com a autenticidade e os limites que está disposto a ultrapassar.”

Numa entrevista dos bastidores, Cruise — entre risos — garantiu que tudo foi feito com cuidado: “Vamos ser inteligentes. Não estou a dizer para sermos imprudentes. Nós não corremos riscos… obviamente.”

Claro que isto vindo de alguém que já pilotou aviões de combate reais em Top Gun: Maverick, escalou o Burj Khalifa em Missão: Impossível — Protocolo Fantasma, e saltou de motos de penhascos na Noruega, pode ser interpretado de várias formas.

Mais do que um recorde, uma lenda viva

Este momento épico junta-se a uma longa lista de acrobacias inesquecíveis protagonizadas por Cruise. Mas o que distingue The Final Reckoning é o facto de ser a despedida desta saga em duas partes, e tudo indica que esta seja uma das entradas mais ambiciosas da série.

Com um Guinness Recorde agora no currículo e os fãs a salivar por ver o resultado final no grande ecrã, Tom Cruise não está apenas a terminar Missão: Impossível — está a reformular o que significa ser uma estrela de acção no século XXI.

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E se por acaso tinha dúvidas, lembre-se: há actores que simulam ser heróis… e há Tom Cruise.

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O Terror Está de Volta ao Amor: “Together” Promete Arrepiar os Corações a 14 de Agosto 🎬🖤

Preparem-se para um verão com arrepios – mas não é por causa do ar condicionado! Together chega aos cinemas portugueses a 14 de agosto e promete ser uma das experiências cinematográficas mais intensas do ano. Protagonizado por Dave Franco (The Disaster Artist) e Alison Brie (Promising Young Woman), o filme tem sido descrito como uma verdadeira viagem visceral ao universo do body horror… e do casamento em crise. Um terror tão íntimo como inquietante.

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O Amor é Lindo… Até Deixar de Ser

Casados na vida real desde 2017, Dave Franco e Alison Brie encarnam em Together o casal Tim e Millie, que decide fugir do bulício da cidade e recomeçar numa casa isolada no campo. O que começa como um retiro romântico rapidamente se transforma num pesadelo psicológico: as tensões da relação intensificam-se e, como se não bastasse, uma entidade misteriosa começa a interferir… primeiro nas emoções, depois nos corpos.

Sim, leu bem. Este não é apenas mais um thriller conjugal com um fantasma ao fundo do corredor. Estamos a falar de body horror puro e duro – daqueles que fazem torcer o estômago e olhar para o amor com um misto de fascínio e medo.

Crítica Unânime e 100% no Rotten Tomatoes 🍅

Estreado mundialmente no Festival de Cinema de Sundance em janeiro, Together conquistou a crítica de forma rara no cinema de género. Mantém, até agora, uma impressionante classificação de 100% no Rotten Tomatoes – um feito que poucos filmes de terror conseguem alcançar, quanto mais um indie com alma e ambição.

Sob a realização de Michael Shanks, que aqui se estreia na direção de longas-metragens, o filme combina atmosfera, intimismo e um crescendo de tensão que culmina numa experiência desconcertante. E não só o realizador estreia-se – Franco e Brie também assinam a produção, tornando este projeto ainda mais pessoal.

“Juntos” até que o Horror os Separe

A grande força de Together reside na química perturbadora entre os protagonistas. Esta não é apenas uma história sobre um casal; é uma exploração dos limites do amor, da dor e da identidade. Quando tudo o que conheces é a pessoa que tens à tua frente… e mesmo essa começa a parecer estranha, que resta?

Preparem-se: este é um filme que mistura os terrores sobrenaturais com os muito reais dilemas de uma relação que se desmorona. E fá-lo com coragem, criatividade e um certo prazer sádico.

Together estreia em Portugal a 14 de agosto, com distribuição da NOS Audiovisuais. O trailer oficial já está disponível — e é melhor vê-lo com a luz acesa.

Al Pacino contra o Diabo… e os Críticos: “The Ritual” Chega com 0% no Rotten Tomatoes

É o fim de uma era? Al Pacino, um dos maiores actores da história do cinema, entrou oficialmente na lista negra da crítica com The Ritual, um novo filme de terror que, mesmo antes de chegar aos cinemas dos EUA esta semana (6 de Junho), já conquistou um feito… pouco invejável: 0% no Rotten Tomatoes. Sim, leu bem. Zero.

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Esta marca marca a primeira vez na longa carreira de Al Pacino (mais de 60 créditos em cinema e nove nomeações aos Óscares) que um dos seus filmes recebe unanimidade negativa entre os críticos. Um recorde absolutamente diabólico.

O Filme: Exorcismos, Demónios e… Dejá Vu

Realizado por David Midell, The Ritual é baseado na obra “Begone Satan!” de 1935 e inspira-se no mesmo caso verídico de possessão que originou O Exorcista. No filme, Pacino interpreta o padre Theophilus Riesinger, que se junta ao padre Joseph Steiger (Dan Stevens) para tentar salvar Emma Schmidt (Abigail Cowen), uma jovem alegadamente possuída por forças demoníacas.

O elenco é robusto: Ashley Greene (Twilight), Patrick Fabian (Better Call Saul) e Patricia Heaton (Everybody Loves Raymond) completam a equipa. Mas o talento reunido em frente às câmaras não foi suficiente para agradar os críticos.

0% Não É para Todos 🎯

Há filmes maus, há filmes esquecíveis… e depois há The Ritual, que até agora conseguiu a proeza de não arrancar uma única crítica positiva entre 26 análises contabilizadas no Rotten Tomatoes. Para colocar isto em contexto: Jack and Jill(2011), outro dos pontos baixos na filmografia de Pacino, ainda conseguiu 3%. The Ritual leva o troféu pela negativa.

A imprensa foi unânime — e impiedosa. Glenn Kenny do New York Times escreveu: “Vejam O Exorcista outra vez.” Já Frank Scheck, do Hollywood Reporter, ironizou: “Ninguém teve coragem de parar The Ritual, mais uma tentativa fracassada de exorcizar as memórias do clássico de 1973 de William Friedkin.”

Terror… Sonolento

A crítica mais repetida? É aborrecido. Meagan Navarro, da Bloody Disgusting, acusou o filme de “falhar em provocar qualquer emoção ao repetir o terceiro acto de um filme de exorcismo pela milésima vez.” E Robert Kojder (Flickering Myth) lamenta que o filme nem sequer tenha a decência de transformar-se num prazer culposo com Pacino a gritar “HOO-AHH Dunkachino!” enquanto expulsa demónios.

Mike McGranaghan, do Aisle Seat, foi ainda mais longe na comparação visual: “Fotografado como um episódio de The Office, com câmaras tremidas e zooms rápidos. Só faltava o Pacino olhar para a câmara à Jim Halpert.”

Nem o Diabo Merecia Isto

Apesar da recepção crítica desastrosa, The Ritual poderá encontrar o seu público entre os fãs de terror “so bad it’s good” – e quem quiser ver Al Pacino gritar “Attention, Beelzebub!” com toda a solenidade de quem já fez Shakespeare.

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O filme estreia a 6 de Junho nas salas dos EUA e já teve exibições limitadas no Reino Unido e Irlanda. Para já, mantém-se firme nos 0%, mas a esperança é a última a ser exorcizada… ou não.