O trailer final de The Testament of Ann Lee promete uma experiência cinematográfica arrebatadora

Amanda Seyfried lidera um filme musical e espiritual que já é apontado como um dos mais marcantes do ano

Searchlight Pictures divulgou finalmente o trailer completo de The Testament of Ann Lee, um filme que tem vindo a gerar um entusiasmo raro desde a sua estreia no Venice Film Festival de 2025. A nova obra de Mona Fastvold, cineasta associada ao aclamado The Brutalist, é descrita por muitos como uma verdadeira revelação cinematográfica — e o trailer confirma que não se trata de exagero.

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Baseado numa história inteiramente real, o filme acompanha a vida de Ann Lee, figura central do movimento religioso conhecido como Shakers. Nascida em Inglaterra no século XVIII, Ann Lee foi proclamada pelos seus seguidores como a encarnação feminina de Cristo, liderando a fundação de uma comunidade utópica na América, assente na igualdade de género, na vida comunitária e numa espiritualidade expressa através da música e da dança.

Uma performance transformadora de Amanda Seyfried

No papel principal surge Amanda Seyfried, numa das interpretações mais ousadas e transformadoras da sua carreira. O trailer revela uma personagem intensa, carismática e profundamente física, capaz de conduzir multidões apenas com a força da convicção e da voz. Ao seu lado, o elenco reúne nomes como Thomasin McKenzieLewis PullmanTim Blake Nelson e Christopher Abbott, compondo um conjunto notável.

Um dos elementos mais impressionantes do filme é a sua abordagem musical. A coreografia, assinada por Celia Rowlson-Hall, transforma os hinos tradicionais dos Shakers em momentos de puro transe cinematográfico, enquanto a banda sonora original, da autoria do vencedor do Óscar Daniel Blumberg, reforça a dimensão emocional e espiritual da narrativa.

Um cinema sensorial, físico e espiritual

O trailer deixa claro que The Testament of Ann Lee não é um biopic convencional. Fastvold opta por um cinema sensorial, onde corpo, som e movimento são tão importantes quanto o texto. A câmara acompanha rituais colectivos, danças extáticas e momentos de silêncio quase sagrado, criando uma experiência que parece mais próxima de um acto de fé do que de uma simples sessão de cinema.

O filme explora tanto a exaltação como o sofrimento inerentes à tentativa de construir uma utopia, sem cair em leituras simplistas. Ann Lee surge como líder visionária, mas também como figura humana, sujeita a dúvidas, dor e sacrifício.

Um acontecimento cinematográfico a não perder

Estreado inicialmente em salas seleccionadas no dia de Natal de 2025, incluindo exibições em 70mm, The Testament of Ann Lee continua agora a alargar a sua distribuição durante os meses de Inverno. Para quem procura cinema ambicioso, exigente e profundamente original, este é um daqueles raros filmes que justificam plenamente a ida à sala.

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Mais do que um simples retrato histórico, o filme afirma-se como uma experiência arrebatadora sobre fé, comunidade e o poder transformador da arte.

Amanda Seyfried Brilha em Veneza como Ann Lee: A Feminista Shaker Esquecida pela História ✨🎬

Uma figura quase apagada da memória

O Festival de Veneza abriu espaço para uma das personagens mais improváveis a surgir no grande ecrã em 2025: Ann Lee, fundadora do movimento religioso Shaker no século XVIII e considerada por muitos como uma das primeiras feministas americanas. Em The Testament of Ann Lee, realizado por Mona Fastvold, Amanda Seyfried encarna esta figura que, segundo a cineasta, estava “à beira de ser apagada da memória”.

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Nascida em 1736 em Manchester, Inglaterra, Ann Lee — conhecida entre os seguidores como Mãe Ann — liderou uma comunidade que defendia a igualdade entre sexos, a paz, a empatia e o trabalho manual como forma de oração. Uma proposta radical para o seu tempo, que ainda hoje ressoa com surpreendente atualidade.

Um biopic entre o transe e a espiritualidade

Descrito pela IndieWire como um “biopic especulativo, febril e totalmente arrebatador”, o filme aproxima-se de um musical, dando especial destaque à música e à dança, elementos centrais do culto Shaker. Para os membros deste movimento, o canto e o movimento em transe eram uma forma de ligação espiritual, uma oração física e coletiva.

O compositor Daniel Blumberg, vencedor de um Óscar este ano pela banda sonora de O Brutalista, volta a colaborar com Fastvold, revisitando os hinos Shaker e dando-lhes uma nova vida.

Da investigação histórica ao cinema de autor

Mona Fastvold, que coescreveu o guião com Brady Corbet (seu parceiro e realizador de O Brutalista), descobriu Ann Lee durante uma pesquisa sobre movimentos religiosos nos Estados Unidos do final do século XVIII. Em 1774, Ann emigrou com alguns discípulos para Nova Iorque, fugindo à perseguição religiosa em Inglaterra, e fundou uma comunidade que, no seu auge, chegou a contar com seis mil seguidores espalhados por 19 comunidades.

Hoje restam apenas três membros Shaker, mas o legado sobrevive, sobretudo através da arquitetura e do mobiliário, conhecido pela sua estética minimalista e funcionalidade — peças que ainda hoje fascinam designers e colecionadores.

Um olhar feminino sobre um ícone espiritual

Para Fastvold, a inspiração foi clara:

“Todos os grandes ícones masculinos receberam este tratamento, como Jesus Cristo ou Joana d’Arc. Porque não dar o mesmo a uma mulher desconhecida?”

A realizadora não quis criar propaganda, mas antes tratar Ann Lee com amor e respeito, reconhecendo a sua visão de comunidade, bondade e empatia. Seyfried, pela sua vez, entrega uma interpretação intensa, transformando Ann Lee num ícone cinematográfico tão humano quanto espiritual.

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Com The Testament of Ann Lee, Mona Fastvold reafirma-se como uma das vozes mais interessantes do cinema de autor contemporâneo, recuperando uma figura feminina que, até agora, permanecia quase esquecida pela História.