Declarações fortes num podcast sem filtros
Durante a promoção de The Rip, o novo projecto da Netflix, Matt Damon e Ben Affleck passaram pelo mediático The Joe Rogan Experience, um espaço conhecido por conversas longas, directas e, muitas vezes, polémicas. Foi aí que Damon deixou uma das reflexões mais duras que se lhe ouviram nos últimos anos sobre a chamada “cultura do cancelamento” em Hollywood — e não só.
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Segundo o actor, ser “cancelado” é um castigo sem fim, sem possibilidade de redenção pública. “Isto segue-te para sempre”, afirmou, acrescentando que acredita que algumas das pessoas alvo desse fenómeno “preferiam ir para a prisão durante 18 meses” do que viver com o estigma eterno associado a um erro passado. A comparação é extrema, mas resume bem a ideia central de Damon: ao contrário da justiça formal, a condenação social não prevê cumprimento de pena nem absolvição.
Joe Rogan, por seu lado, definiu o cancelamento como a amplificação máxima de um erro isolado, usada para expulsar alguém da vida pública “para toda a vida”. Damon concordou sem hesitações, sublinhando que, uma vez marcada, a pessoa nunca se livra totalmente desse rótulo — mesmo quando pede desculpa, explica o contexto ou demonstra evolução.
Um tema que Damon conhece bem
As palavras do actor não surgem no vazio. Em 2021, Matt Damon esteve no centro de uma forte polémica depois de uma entrevista ao The Sunday Times, onde afirmou ter deixado de usar um termo ofensivo apenas “há alguns meses”, após uma conversa com a filha. A reacção foi imediata e intensa, sobretudo nas redes sociais, levando Damon a esclarecer a situação num comunicado à Variety.
Nesse texto, explicou que nunca utilizou insultos desse género na sua vida pessoal e que a conversa com a filha foi, acima de tudo, um exercício de contextualização histórica e social. Longe de se colocar como vítima, Damon reconheceu que compreendia porque motivo as suas palavras tinham sido mal interpretadas e reafirmou publicamente o seu apoio à comunidade LGBTQ+.
A controvérsia acabou por não deixar marcas profundas na sua carreira, algo que o próprio Damon reconhece como um privilégio que nem todos têm. Ainda assim, a experiência parece ter reforçado a sua visão crítica sobre a forma como a indignação pública se transforma, muitas vezes, numa punição perpétua.
Carreira intacta e novos desafios no horizonte
Apesar do ruído mediático, Damon continuou a ser presença regular em grandes produções de Hollywood. Participou em Air, destacou-se em Oppenheimer e prepara-se para regressar ao grande ecrã como protagonista de The Odyssey, o ambicioso novo projecto de Christopher Nolan.
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As declarações no podcast não são, portanto, o desabafo de alguém afastado da indústria, mas sim a reflexão de um actor no topo, consciente dos seus privilégios e das contradições do sistema em que trabalha. Concorde-se ou não com a analogia entre cancelamento e prisão, Damon levanta uma questão incómoda: existe espaço para erro, aprendizagem e redenção na era digital, ou estamos condenados a arrastar o passado para sempre?
No mínimo, a conversa volta a provar que, quando Matt Damon fala fora do guião, Hollywood — e a Internet — pára para ouvir.
