Um Ano para a História dos Óscares: “Sinners” Arrasa Nomeações e Reescreve o Livro dos Recordes

A temporada de prémios aquece com a lista oficial de nomeados aos Óscares 2026

Preparem os smokings (ou, pelo menos, o pijama de gala): foram finalmente reveladas as nomeações para a 98.ª edição dos Óscares, promovida pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, e o ano de 2026 já entra directamente para a história do cinema. O grande protagonista chama-se Sinners, o ambicioso filme de Ryan Coogler, que soma impressionantes 16 nomeações — um novo recorde absoluto, ultrapassando clássicos como TitanicLa La Land e All About Eve, todos com “apenas” 14.

Lançado ainda em Abril de 2025, muito antes da habitual janela da temporada de prémios, Sinners conseguiu algo raríssimo: manter relevância, impacto crítico e entusiasmo durante quase um ano inteiro. O filme surge nomeado para Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actor Principal para Michael B. Jordan (num duplo papel como os gémeos Smoke e Stack), Actor Secundário para Delroy Lindo, Actriz Secundária para Wunmi Mosaku, Argumento Original, Banda Sonora, Fotografia — e a lista continua. Um verdadeiro fenómeno.

Uma corrida renhida… apesar do domínio

Logo atrás surge One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson, com 13 nomeações. Em qualquer outro ano lideraria confortavelmente a corrida, mas 2026 tem outro tipo de ambição. O filme marca presença nas categorias principais, incluindo Melhor Filme, Realização, Actor Principal para Leonardo DiCaprio, actores secundários para Benicio Del Toro e Sean Penn, e Actriz Secundária para Teyana Taylor.

Ambos os filmes concorrem ainda numa das novidades do ano: a nova categoria de Casting, uma adição há muito pedida pela indústria e que estreia com peso pesado logo à primeira edição.

Terror, autor europeu e cinema de género em grande forma

Um dos dados mais interessantes desta lista é a forte presença do cinema de terror e de propostas mais ousadas. Frankenstein, de Guillermo del Toro, arrecada nove nomeações, incluindo Melhor Filme, Argumento Adaptado, Caracterização e Actor Secundário para Jacob Elordi.

Já o perturbador Bugonia soma quatro nomeações, incluindo Melhor Filme e Actriz Principal para Emma Stone, confirmando que o cinema de género deixou definitivamente de ser tratado como parente pobre pela Academia.

O cinema europeu também marca forte presença, com Sentimental Value e Marty Supreme a arrecadarem nove nomeações cada. Joachim Trier e Josh Safdie surgem ambos nomeados para Melhor Realização, enquanto Timothée ChalametRenate Reinsve e Stellan Skarsgård reforçam o peso interpretativo destas produções.

Quem vai triunfar na grande noite?

A cerimónia dos Óscares realiza-se a 15 de Março, e a pergunta impõe-se: conseguirá Sinners transformar este domínio esmagador em vitórias históricas? Ou haverá espaço para surpresas, divisões de prémios e aquele clássico “Oscar moment” que ninguém vê chegar? 🎬✨

Para já, fica a lista completa de nomeados, para análise, debates acesos e apostas de última hora.

Lista Completa de Nomeados aos Óscares 2026

Melhor Filme

Bugonia

F1

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

The Secret Agent

Sentimental Value

Sinners

Train Dreams

Realização

Chloé Zhao – Hamnet

Josh Safdie – Marty Supreme

Paul Thomas Anderson – One Battle After Another

Joachim Trier – Sentimental Value

Ryan Coogler – Sinners

Actor Principal

Timothée Chalamet – Marty Supreme

Leonardo DiCaprio – One Battle After Another

Ethan Hawke – Blue Moon

Michael B. Jordan – Sinners

Wagner Moura – The Secret Agent

Actriz Principal

Jessie Buckley – Hamnet

Rose Byrne – If I Had Legs I’d Kick You

Kate Hudson – Song Sung Blue

Renate Reinsve – Sentimental Value

Emma Stone – Bugonia

Actor Secundário

Benicio Del Toro – One Battle After Another

Jacob Elordi – Frankenstein

Delroy Lindo – Sinners

Sean Penn – One Battle After Another

Stellan Skarsgård – Sentimental Value

Actriz Secundária

Elle Fanning – Sentimental Value

Inga Ibsdotter Lilleaas – Sentimental Value

Amy Madigan – Weapons

Wunmi Mosaku – Sinners

Teyana Taylor – One Battle After Another

Argumento Adaptado

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

One Battle After Another

Train Dreams

Argumento Original

Blue Moon

It Was Just An Accident

Marty Supreme

Sentimental Value

Sinners

Fotografia

Frankenstein

Marty Supreme

One Battle After Another

Sinners

Train Dreams

Documentário

The Alabama Solution

Come See Me In The Good Light

Cutting Through Rocks

Mr. Nobody Against Putin

The Perfect Neighbour

Filme Internacional

The Secret Agent

It Was Just An Accident

Sentimental Value

Sirāt

The Voice Of Hind Rajab

Animação

Arco

Elio

KPop Demon Hunters

Little Amélie Or The Character Of Rain

Zootopia 2

Caracterização

Frankenstein

Kokuho

Sinners

The Smashing Machine

The Ugly Stepsister

Banda Sonora

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

One Battle After Another

Sinners

Casting

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

The Secret Agent

Sinners

Figurinos

Avatar: Fire And Ash

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

Sinners

Canção Original

‘Dear Me’ – Diane Warren: Relentless

‘Golden’ – KPop Demon Hunters

‘I Lied To You’ – Sinners

‘Sweet Dreams Of Joy’ – Viva Verdi!

‘Train Dreams’ – Train Dreams

Direcção Artística

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

Sinners

Montagem

F1

Marty Supreme

One Battle After Another

Sentimental Value

Sinners

Som

F1

Frankenstein

One Battle After Another

Sinners

Sirāt

Efeitos Visuais

Avatar: Fire And Ash

F1

Jurassic World Rebirth

The Lost Bus

Sinners

Curta-Metragem – Ficção

Butcher’s Stain

A Friend Of Dorothy

Jane Austen’s Period Drama

The Singers

Two People Exchanging Saliva

Curta-Metragem – Animação

Butterfly

Forevergreen

The Girl Who Cried Pearls

Retirement Plan

The Three Sisters

Curta-Metragem – Documentário

All The Empty Rooms

Armed Only With A Camera

Children No More

The Devil Is Busy

Perfectly A Strangeness

Miles Caton: A Voz-Revelação de Sinners e o Momento Musical Que Está a Marcar o Cinema de 2025

Há raros momentos no cinema em que tudo parece alinhar-se: a história, a música, a realização e, sobretudo, uma performance que nos atravessa como se nos conhecesse por dentro. Em Sinners, o thriller vampiresco-musical de Ryan Coogler que se tornou um fenómeno global, esse momento tem nome e protagonista: Miles Caton, o jovem de 20 anos cuja voz faz vibrar o filme — e todo o público — com uma intensidade quase sobrenatural.

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O centro dessa explosão emocional está na cena em que Sammie, a personagem interpretada por Caton, entra em palco num juke joint em Nova Orleães para cantar “I Lied To You”. É um momento que começa com blues e termina numa verdadeira celebração trans-temporal, onde guitarras eléctricas, batidas, artistas de várias épocas e danças de diferentes culturas convergem num só gesto de comunidade. É o tipo de cena que imediatamente entra para a história do cinema musical — e que agora vale ao actor seis nomeações para os Grammy.

Uma Voz Que “Atravessa Espaço e Tempo”

Quando Caton leu o guião pela primeira vez, a sequência ainda não tinha música. Apenas a promessa de um momento que teria de ser suficientemente forte para cruzar passado e futuro. Foi só ao chegar ao set, em Nova Orleães, que Ludwig Göransson — o compositor vencedor do Óscar — lhe mostrou os primeiros acordes que havia criado com Raphael Saadiq. Sem letra, sem contexto, apenas a espinha dorsal do que viria a ser uma das músicas do ano.

Meses depois, quando finalmente ouviu o tema completo, a reacção foi imediata: “Sim, isto vai ser muito bom.”

O público confirmou. Sinners tornou-se um sucesso absoluto, ultrapassou os 360 milhões de dólares de bilheteira e conquistou um estatuto quase instantâneo de culto. Sete meses depois da estreia, por altura do Halloween, Caton foi recebido numa sessão especial do filme em Londres rodeado de dezenas de fãs mascarados de Sammie, Smoke e Stack. Nada mais simbólico para um filme que combina vampiros, blues e explosão cultural.

De Viral Aos 12 Anos a Estrela Internacional

A história de Caton tem os contornos perfeitos de uma descoberta improvável. Aos 12 anos, um vídeo seu a cantar “Feeling Good”, de Nina Simone, tornou-se viral — e acabou por ser usado no vídeo de abertura do single “4:44” de Jay-Z. Não tardou até pisar palcos gigantes como corista da cantora H.E.R., onde passou a adolescência em digressão.

Quando essa fase terminou, regressou a casa, num intervalo inesperado da vida: “Estava a trabalhar em música, mas estava só… a existir.” Foi nesse momento suspenso que recebeu a chamada para audition de Sinners. E, surpreendentemente, conseguiu o papel — logo no seu primeiro trabalho como actor.

A ligação com Sammie surgiu de imediato. “Tínhamos a mesma idade, a mesma fome de fazer mais, de ir mais longe.”Mas havia algo que Caton precisava de aprender: blues. Ryan Coogler, determinado a dar autenticidade ao filme, deu-lhe uma playlist de “lição intensiva” com Charley Patton, Buddy Guy e outros gigantes do género. O estudo deu frutos — e o público sentiu isso.

Aprender a Tocar Como um Bluesman

Embora a sua voz parecesse ter sido criada para o blues, tocar guitarra não estava no repertório de Caton. Quando lhe disseram que teria de aprender a tocar uma resonator guitar — um instrumento metálico usado no blues tradicional — nem sequer sabia o que era.

E, para complicar, a produção enviou-lhe, por engano, uma lap steel guitar, tocada de forma horizontal.

A reacção foi honesta: “Ups. Estou tramado.”

Depois de corrigido o erro, dedicou-se completamente. “Se me concentrar e praticar como deve ser, consigo aproximar-me.” A disciplina valeu a pena: hoje, muitos fãs perguntam se é realmente ele a tocar — e a surpresa é genuína quando descobrem que sim.

Do Momento Musical à Poética Final

Além de cantar “I Lied to You”, Caton foi convidado a escrever a canção dos créditos finais, “Last Time (I Seen The Sun)”, ao lado de Göransson e Alice Smith. O ponto de partida para a composição foi uma cena comovente do filme: um Sammie idoso, a recordar a noite em que tudo mudou — uma memória tão luminosa quanto trágica.

Essa ideia — a de que momentos perfeitos podem ser esmagados pelo destino — guiou a escrita. “Precisávamos de algo que resumisse o filme e que, ao mesmo tempo, fosse universal. A sensação de dar tudo, porque nenhum dia está garantido.”

Um Fenómeno Que Está Só a Começar

Com nomeações aos Grammy, aclamação crítica e um futuro que parece abrir-se à sua frente, Miles Caton sabe que está num daqueles raros momentos em que tudo muda. Mas continua a ter os pés assentes no chão: “Gosto de estar em casa. Sou caseiro. Mas quando trabalho no que amo, não parece trabalho.”

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A verdade é simples: há actores que crescem para os papéis. E depois há aqueles que parecem nascer com eles. Miles Caton, em Sinners, pertence à segunda categoria — e o cinema nunca mais será o mesmo depois de o ouvir cantar.

Weapons e Sinners: O Terror Original Está a Vencer no Box Office

O novo filme de Zach Cregger chega aos 100 milhões de dólares em apenas uma semana e junta-se ao restrito clube de sucessos do género — onde Sinners também brilha.

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Não é todos os dias que um filme de terror original — ou seja, que não pertence a nenhuma saga pré-existente — consegue ultrapassar a barreira dos 100 milhões de dólares nas bilheteiras. Mas Weapons, de Zach Cregger, não só o fez… como o conseguiu em apenas uma semana.

Com um orçamento de produção estimado em 38 milhões de dólares, o filme já é altamente lucrativo e prova que o público ainda tem apetite por histórias frescas e inesperadas no grande ecrã.

O clube restrito dos 100 milhões

Este ano, apenas quatro filmes de terror atingiram os 100 milhões: 28 Years LaterFinal Destination: BloodlinesSinnerse agora Weapons.

E é aqui que a lista fica realmente curta: quando falamos apenas de filmes originais — sem ser sequelas, “reboots” ou adaptações — o grupo reduz-se a dois nomes: Sinners e Weapons.

Ambos chegam com propostas distintas, mas igualmente eficazes: enquanto Sinners conquistou o público com um enredo perturbador e atmosfera sufocante que se tornou tema de conversa nas redes sociais, Weapons aposta numa estrutura narrativa pouco convencional e numa mistura de mistério e horror visceral que muitos já comparam a Magnólia, de Paul Thomas Anderson… mas numa versão muito mais retorcida.

O que torna Weapons especial

A premissa é simples e inquietante: “Quando todas as crianças de uma turma, exceto uma, desaparecem misteriosamente na mesma noite e à mesma hora, a comunidade começa a questionar quem — ou o quê — está por detrás do desaparecimento.”

A crítica especializada também se rendeu. A Bloody Disgusting descreve-o como “um filme que confia na inteligência do público, com violência feita com efeitos práticos, sustos meticulosamente construídos e um humor mordaz que faz rir e contorcer-se ao mesmo tempo”.

Terror: o género “à prova de morte”

O sucesso de Weapons e Sinners reforça uma ideia que Hollywood parece esquecer de tempos a tempos: não são apenas as grandes franquias que enchem salas. O terror, mesmo quando original, continua a ser o género mais resistente e previsível na hora de gerar lucro, enquanto outras áreas — como a comédia — enfrentam maiores dificuldades nas bilheteiras.

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Zach Cregger já tem o próximo desafio em vista: uma nova abordagem à franquia Resident Evil, com estreia marcada para setembro de 2026. Mas por agora, o feito de Weapons merece ser celebrado — especialmente por ter conquistado um lugar ao lado de Sinners como prova viva de que o medo original vende.