A Obra-Prima de Ficção Científica “Esquecida” da Netflix Que Merece Ser Descoberta Oats Studios  é um diamante escondido do hard sci-fi — e está à espera de ser visto

Entre tantas produções originais de ficção científica que ajudaram a definir a identidade da Netflix nos últimos anos, há uma série que passou quase despercebida, mas que merece um lugar de destaque ao lado de títulos como Love, Death & Robots ou Dark. Falamos de Oats Studios, uma antologia de hard sci-fi intensa, adulta e visualmente impressionante, criada por Neill Blomkamp, o cineasta por detrás de District 9.

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Disponível na NetflixOats Studios é uma experiência que não facilita, não explica em excesso e não suaviza o impacto das suas ideias. Pelo contrário: aposta num registo cru, violento e profundamente pessimista sobre o futuro da Humanidade, assumindo-se como ficção científica “a sério”, mais próxima da literatura do género do que do entretenimento familiar.

Episódios que não pedem licença ao espectador

Desde o primeiro episódio, Rakka, a série deixa claro ao que vem. A história decorre numa Terra devastada por uma invasão alienígena de origem reptiliana, que quase extinguiu a Humanidade. Não há heróis clássicos, nem esperança fácil — apenas sobrevivência, brutalidade e um mundo que já perdeu qualquer traço de normalidade.

Outro episódio frequentemente citado como favorito dos fãs é Firebase, uma fusão inesperada entre ficção científica e a Guerra do Vietname. A ideia é tão forte que muitos espectadores defendem que o conceito daria, sem esforço, um filme de longa-metragem. É aqui que Oats Studios se distancia claramente de outras antologias: cada episódio parece um piloto de algo maior, um universo que poderia ser explorado durante horas.

Porque passou despercebida?

Apesar da ambição criativa e da assinatura de Blomkamp, Oats Studios nunca recebeu da Netflix a promoção atribuída a séries como Stranger Things ou Love, Death & Robots. O resultado foi previsível: a série ficou fora do radar do grande público e praticamente ignorada pela crítica.

No Rotten Tomatoes, a série nem sequer reúne críticas suficientes para gerar uma média sólida, contando sobretudo com avaliações de utilizadores — pouco mais de algumas dezenas — o que torna a sua classificação de 51% claramente enganadora e pouco representativa.

A ausência de marketing levantou, desde cedo, suspeitas entre os fãs. Muitos acreditam que Oats Studios foi pensada como o primeiro volume de uma antologia contínua. Essa teoria ganha força quando se observa o cartaz oficial da série no IMDb, onde surge claramente a designação “Volume One”. Até hoje, no entanto, um segundo volume permanece tão ausente quanto o planeta Terra retratado em Rakka.

Uma série à frente do seu tempo?

Talvez o maior problema de Oats Studios seja precisamente aquilo que a torna especial: não tenta agradar a todos. É violenta, sombria, desconfortável e conceptualmente exigente. Não explica tudo, não fecha todas as pontas soltas e confia plenamente na inteligência do espectador. Num catálogo cada vez mais dominado por conteúdos “algorítmicos”, esta abordagem pode ter sido a sua sentença… pelo menos por agora.

Ainda assim, como tantas obras antes dela, Oats Studios pode acabar por encontrar o seu público com o tempo. E se isso acontecer, talvez a Netflix decida dar uma nova oportunidade a este universo cruel, fascinante e visualmente arrebatador.

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Para quem procura ficção científica sem concessões, Oats Studios continua ali, discreta no catálogo, pronta a provar que algumas das melhores séries não são as mais faladas — são as que deixam marca.