Um Cadáver na Igreja e a Fé Posta à Prova: o Novo Mistério de Rian Johnson Não é Apenas um ‘Knives Out’

‘Wake Up Dead Man’ leva o jogo do whodunit para terreno espiritual

Depois de Knives Out e Glass Onion, Rian Johnson regressa ao género que tão bem domina com Wake Up Dead Man, um filme que mantém o humor mordaz e o prazer do quebra-cabeças policial, mas acrescenta algo inesperado: uma reflexão aberta — e provocadora — sobre fé, moralidade e intolerância religiosa. O resultado é um mistério que brinca com as regras do género enquanto aponta directamente às tensões ideológicas do presente.

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A história decorre numa pequena cidade do estado de Nova Iorque, centrada numa igreja católica em declínio. É aí que chega o jovem padre Jud Duplenticy, interpretado com enorme sensibilidade por Josh O’Connor, destacado para servir sob as ordens do monsenhor Jefferson Wicks. Josh Brolin dá vida a Wicks como um verdadeiro pregador do apocalipse: colérico, fundamentalista e abertamente hostil a homossexuais, mães solteiras e tudo o que associe ao mundo secular.

Uma congregação como microcosmo político

Apesar de afastar fiéis, Wicks mantém um núcleo duro de seguidores. Glenn Close diverte como Martha, a beata intrometida que praticamente gere a igreja; Kerry Washington surge como uma advogada afiada; Jeremy Renner interpreta um médico alcoólico e desiludido; e Cailee Spaeny é uma violoncelista famosa que doa grandes quantias à igreja na esperança de curar uma dor crónica. Andrew Scott e Daryl McCormack representam duas figuras que funcionam como comentários directos à paisagem política americana: um escritor que deriva para a direita e um jovem político republicano falhado que tenta reinventar-se no YouTube.

Jud tenta suavizar o discurso de ódio do monsenhor e reconduzir a comunidade a uma fé mais compassiva. Em vez disso, transforma-se no seu maior inimigo. Quando Wicks aparece morto, esfaqueado dentro da igreja — precisamente na Sexta-Feira Santa —, todas as suspeitas recaem sobre o jovem padre.

Benoit Blanc entra em cena… e a teologia também

É neste ponto que surge Benoit Blanc, novamente interpretado por Daniel Craig com o seu já icónico sotaque sulista. Convencido da inocência de Jud, Blanc envolve-o na investigação de um crime que parece impossível de explicar pelas leis da razão. Johnson aproveita para homenagear John Dickson Carr, mestre absoluto do “crime impossível”, elevando o lado meta do filme a um nível quase académico.

Mas Wake Up Dead Man vai além da mecânica do mistério. Tal como os filmes anteriores desmontavam o racismo, o classismo e a cultura dos bilionários, este novo capítulo aponta baterias àquilo que vê como a insularidade e intolerância da direita cristã. Nem sempre com subtileza, é certo, mas com uma clareza de intenções difícil de ignorar.

Um filme sobre dúvidas, não apenas sobre culpados

Josh O’Connor oferece uma das melhores interpretações da sua carreira recente, elevando o filme a um plano mais contemplativo. À medida que surgem novos mortos e a tensão aumenta, o confronto central deixa de ser apenas policial: é também filosófico. Fé contra cepticismo. Jud contra Blanc. Deus contra a razão.

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Sem revelar respostas, fica a sensação de que, neste mistério engenhosamente construído, cada detalhe conta — e que, como sugere o próprio filme, talvez Deus esteja mesmo nos pormenores.

A Messias: O Novo Filme de Bruno Dumont Promete Desafiar Expectativas 🎥✨

O realizador Bruno Dumont regressa com A Messias, um filme que promete desafiar convenções e provocar debates. Esta nova obra do cineasta francês, conhecido pelo seu estilo provocador e singular, chega aos cinemas portugueses a 21 de março, depois de ter passado pelo Festival de Cannes, onde integrou a seleção oficial.

Uma História Fora do Comum 📖

A Messias apresenta uma narrativa que mistura sátira e elementos religiosos num tom que oscila entre o humor e o drama. O filme segue uma jovem mulher, chamada Jeanne, cuja vida ganha uma reviravolta inesperada ao ser considerada uma espécie de messias moderna. No entanto, longe de ser uma figura de devoção intocável, Jeanne encontra-se no centro de um mundo repleto de interesses, manipulação e conflitos.

Com este enredo provocador, Bruno Dumont volta a explorar temas como fé, poder e identidade, tal como fez em filmes anteriores, como Joana, a Donzela (2017) e A Vida de Jesus (1997).

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Elenco e Direção 🎭

O elenco inclui nomes que se destacam no cinema europeu, trazendo ao filme um equilíbrio entre atores experientes e novos talentos. A direção de Dumont mantém a sua assinatura visual e narrativa, utilizando imagens impactantes e uma abordagem que mistura realismo e surrealismo.

Dumont é conhecido por não seguir fórmulas convencionais e, em A Messias, não será diferente. O filme promete questionar as noções de crença e verdade, desafiando o espectador a refletir sobre o papel das figuras messiânicas na sociedade contemporânea.

Uma Obra que Gera Debate 🎬🧐

Desde a sua estreia em Cannes, A Messias tem gerado reações polarizadas, o que não é uma surpresa para um filme de Bruno Dumont. Se há algo que se pode esperar deste realizador, é a capacidade de dividir opiniões e fazer com que o público saia da sala de cinema a pensar.

“Ainda Estou Aqui”: Produtor Espera Que o Filme Ajude os Americanos Num Momento Difícil 🎥

A estreia nos cinemas portugueses está marcada para 21 de março e será uma oportunidade imperdível para os apreciadores de cinema de autor e para quem gosta de narrativas que desafiam o convencional.