“Um Aspirante a Rei Tresloucado”: Late Night Arrasa Discurso de Trump

Jimmy Kimmel, Stephen Colbert e Seth Meyers reagiram ao mais longo “State of the Union” de sempre

O discurso do Estado da União de Donald Trump — com 107 minutos, o mais longo de sempre — dominou os monólogos dos principais programas de late night norte-americanos. Entre ironias, sarcasmo e críticas mordazes, apresentadores como Jimmy Kimmel, Stephen Colbert e Seth Meyers não pouparam comentários à intervenção presidencial, marcada por divisões políticas e afirmações controversas.

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Jimmy Kimmel: “Que discurso… não foi”

No Jimmy Kimmel Live!, o anfitrião classificou a intervenção como errática e excessivamente longa. “Quando se divaga incoerentemente durante duas horas, isso continua a ser um discurso ou passa a ser outra coisa?”, questionou, com o seu habitual tom satírico.

Kimmel destacou o que considerou ser o tom divisivo da mensagem, referindo que o Presidente voltou a atacar opositores políticos e a vangloriar-se de medidas polémicas. No final do monólogo, deixou uma avaliação directa: “Temos um aspirante a rei tresloucado”, disse, criticando aquilo que entende ser uma tendência para silenciar opiniões divergentes e favorecer interesses económicos específicos.

O apresentador também comentou o contraste com administrações anteriores, numa comparação que arrancou risos do público em estúdio.

Stephen Colbert: “Se tens de dizer que és respeitado…”

Já Stephen Colbert, no The Late Show, gravado em directo após o discurso, centrou-se no tema oficial anunciado pela Casa Branca — “América aos 250: Forte, Próspera e Respeitada”. Para o humorista, o simples facto de sublinhar essas qualidades revelaria insegurança. “Se tens de dizer que és forte e respeitado, talvez não sejas assim tanto”, ironizou.

Colbert citou ainda uma sondagem recente da CNN que aponta para uma taxa de aprovação de 36% entre adultos, utilizando o dado como ponto de partida para questionar a eficácia política da mensagem presidencial. Segundo o apresentador, o discurso repetiu ideias já conhecidas e dificilmente conquistará eleitores desencantados com o clima de polarização.

Seth Meyers: Fact-check antecipado

No Late Night, Seth Meyers, cujo programa foi gravado antes da intervenção, antecipou-se com humor às declarações do Presidente. “Não és capaz de ser breve”, comentou, sugerindo que até um haiku teria intervalo pelo meio.

Meyers também respondeu a uma queixa recorrente de Trump — a de não receber crédito pelas suas conquistas — com uma piada sobre uma hipotética cura para o cancro. O comentário arrancou gargalhadas, mantendo a tradição do programa de combinar sátira política com referências culturais.

The Daily Show: Kristi Noem sob fogo

No The Daily Show, Desi Lydic desviou a atenção do discurso para outra polémica política: alegações de que a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, terá utilizado recursos públicos para deslocações associadas a uma alegada relação pessoal. Tanto Noem como Corey Lewandowski negaram as acusações.

Lydic explorou o tema em tom satírico, questionando a utilização de um avião de luxo avaliado em 70 milhões de dólares para viagens oficiais. Segundo reportagens citadas no programa, o aparelho terá sido justificado como necessário para voos de deportação.

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O discurso presidencial poderá ter batido recordes de duração, mas, no universo do late night, a verdadeira maratona foi de comentários críticos. Como é habitual, a comédia política norte-americana voltou a servir de barómetro para o clima polarizado que marca o debate público nos Estados Unidos.

Jon Stewart Lança Alerta Sobre o Futuro de The Daily Show

“Podem Vender Aquilo Tudo às Peças”Com o cancelamento de Colbert e a fusão Paramount-Skydance no horizonte, o humor político americano enfrenta dias incertos”

Jon Stewart não tem papas na língua — e muito menos quando o assunto é o futuro de The Daily Show, o histórico programa de sátira política que o próprio ajudou a transformar num ícone televisivo. Na mais recente edição do seu podcast The Weekly Show With Jon Stewart, o comediante confessou, com a habitual ironia, que não faz ideia do que está para vir: “Honestamente, não sei. Podem vender aquilo tudo às peças.”

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Uma fusão bilionária com consequências imprevisíveis

A preocupação de Stewart surge em pleno turbilhão mediático: a Paramount, empresa-mãe da CBS e da Comedy Central, está prestes a ser comprada pela Skydance Media, num negócio avaliado em 8 mil milhões de dólares. A fusão ainda aguarda aprovação da FCC, mas já levanta receios entre figuras de peso da televisão americana — especialmente depois de The Late Show With Stephen Colbert ter sido abruptamente cancelado.

Stewart, que regressou este ano a The Daily Show como apresentador às segundas-feiras, não escondeu a frustração: “Ainda ninguém da Skydance me ligou a dizer ‘não te acomodes demasiado nesse escritório, Stewart’. Mas também já fui corrido de sítios bem piores.”

Comedy Central sem vida para lá de South Park?

Com o seu sarcasmo habitual, Stewart atirou que, sem The Daily Show, o canal Comedy Central “é basicamente música ambiente”. E não está longe da verdade — tirando South Park, poucos conteúdos originais do canal sobrevivem no actual panorama televisivo. “Gostava de pensar que damos valor à propriedade… mas se olharem para isto só como uma transacção imobiliária, podem bem querer desfazer-se de tudo”, comentou.

Trump, 16 milhões e um silêncio constrangedor

A tensão agrava-se com o pano de fundo político. Recentemente, a Paramount pagou 16 milhões de dólares a Donald Trump para resolver um processo relacionado com uma entrevista polémica feita a Kamala Harris no 60 Minutes. Stewart e Colbert manifestaram-se abertamente contra o acordo, o que poderá não cair bem junto do novo dono em potência — David Ellison, CEO da Skydance e simpatizante declarado de Trump.

“Temos todos as nossas suspeitas sobre quem vai realmente mandar nisto, e sobre a ideologia dessa pessoa. Mas se calhar a ideologia nem entra em jogo. Talvez seja mesmo só dinheiro”, lamentou Stewart.

“Caia o que cair, aterraremos de pé”

Apesar do tom crítico, Stewart tentou terminar com algum optimismo: “Vamos lidar com isso quando acontecer. Estou muito orgulhoso de toda a equipa.” E deixou ainda uma última farpa com classe: “Se quiserem acabar com o programa, força nisso. Mas não digam que não contribuímos para o valor da casa.”

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Com o futuro de The Daily Show pendurado por um fio invisível, o humor político americano está à beira de perder uma das suas últimas trincheiras. Se Stewart cair, o que resta da sátira na televisão?