Três anos depois da greve que paralisou Hollywood durante 118 dias e deixou séries e filmes encalhados durante meses, o sindicato dos actores norte-americanos está de volta à mesa de negociações. O SAG-AFTRA confirmou que retoma as conversações com a AMPTP — a aliança que representa os grandes estúdios e plataformas — a 27 de Abril, antecipando um regresso que estava previsto para Junho. A aceleração foi possível graças ao acordo surpresa da WGA com os estúdios no sábado passado, que libertou espaço no calendário negocial.
O contrato actual dos actores expira a 30 de Junho. O tempo é curto e os temas são complexos. O centro de toda a discussão é a inteligência artificial — mais especificamente, a questão dos chamados “actores digitais”: réplicas geradas por IA da imagem, da voz e do gestual de actores reais, capazes de recriar uma performance sem que o actor esteja presente, sem o seu consentimento e, potencialmente, sem qualquer compensação. Não é ficção científica. A Tilly Norwood (na foto) — descrita pela imprensa especializada como a primeira “actriz de IA” da indústria — já existe, e o SAG-AFTRA quer garantir que a sua existência não abre um precedente que ponha em risco toda a classe.
As conversações anteriores, que decorreram entre Fevereiro e Março, terminaram num impasse exactamente neste ponto. Duncan Crabtree-Ireland, o director executivo do SAG-AFTRA e negociador-chefe do lado dos actores, deixou claro que protecções “à prova de bala” em matéria de IA são condição inegociável para qualquer acordo — e que sem elas, a questão de um contrato mais longo, que os estúdios tanto querem, simplesmente não está em cima da mesa. O novo presidente do sindicato, Sean Astin — sim, o mesmo Samwise Gamgee do Senhor dos Anéis —, eleito numa campanha centrada exactamente nestes temas, vai acompanhar de perto as negociações.
Do lado dos estúdios, a pressão para fechar um acordo antes de Junho é considerável. Uma greve de actores em plena época de verão — com Avengers: Doomsday previsto para Maio e Dune 3 para Dezembro — seria um desastre de calendário que ninguém quer repetir. O facto de a WGA ter chegado a acordo rapidamente e sem greve criou uma atmosfera de optimismo cauteloso. Mas os actores têm exigências específicas que os guionistas não tinham, e a questão dos gémeos digitais não tem uma solução simples.
A Direcção de Realizadores (DGA), liderada por Christopher Nolan, entra em negociações a 11 de Maio. Se o SAG-AFTRA não fechar antes disso, o calendário complica-se ainda mais. Hollywood está, por enquanto, a segurar a respiração — e a torcer para que o que aconteceu com os guionistas se repita com os actores.
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