Uma viagem ao passado que ninguém queria enfrentar — mas que muda tudo pelo caminho

Há filmes que contam histórias. E há outros que escavam emoções — lentamente, com cuidado — até encontrarem aquilo que ficou por dizer. Romería, o novo trabalho de Carla Simón, parece pertencer claramente à segunda categoria.

Apresentado em competição no Festival de Cannes 2025, o filme parte de uma premissa simples, mas carregada de implicações emocionais. Marina, uma jovem de 18 anos que cresceu órfã, viaja até à costa atlântica de Espanha com um objectivo concreto: obter a assinatura dos avós paternos para uma candidatura a uma bolsa de estudo.

Mas o que começa como um gesto burocrático rapidamente se transforma numa jornada íntima e inesperada.

Ao chegar, Marina entra num universo familiar que lhe é, ao mesmo tempo, próximo e completamente estranho. Tias, tios e primos que nunca conheceu passam a fazer parte do seu presente, num ambiente onde o acolhimento e a distância coexistem de forma subtil. A dúvida paira constantemente: será recebida como parte da família ou como uma intrusa?

É neste equilíbrio delicado que o filme constrói a sua força.

À medida que Marina tenta perceber quem foram realmente os seus pais, confronta-se com versões fragmentadas e, por vezes, contraditórias da mesma história. Cada memória revelada abre novas perguntas, e aquilo que parecia enterrado começa lentamente a vir à superfície.

Carla Simón, conhecida pela sua sensibilidade na abordagem de temas familiares, aposta novamente numa narrativa contida, onde o silêncio e os pequenos gestos têm tanto peso quanto os diálogos. O resultado é um filme que se move mais pelas emoções do que pela acção, convidando o espectador a entrar nesse processo de descoberta.

Mais do que uma história sobre identidade, Romería é também um retrato sobre pertença — e sobre o desconforto de não saber exactamente onde se encaixa. Marina não procura apenas respostas sobre o passado; procura um lugar no presente.

Num cenário marcado pela paisagem atlântica, o filme constrói uma atmosfera melancólica e íntima, onde o espaço físico reflecte o estado emocional da protagonista. O mar, sempre presente, surge quase como uma metáfora das memórias: vasto, imprevisível e impossível de controlar.

Sem recorrer a dramatismos excessivos, Romería parece apostar numa abordagem honesta e profundamente humana.

E, por vezes, é precisamente isso que mais marca.

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