Rachel Ward responde a críticos sobre o envelhecimento: “Sou agricultora agora — e mais feliz do que nunca”

A estrela de The Thorn Birds (Pássaros Caídos)  rejeita padrões de beleza e celebra uma nova fase da vida

Há figuras do cinema e da televisão que envelhecem sob os holofotes — e outras que decidem simplesmente viver. Rachel Ward, eternamente recordada como Maggie Cleary na icónica minissérie The Thorn Birds, pertence claramente ao segundo grupo. Aos 68 anos, a actriz australiana decidiu responder de forma elegante, irónica e profundamente serena às críticas que surgiram nas redes sociais sobre o seu aspecto actual.

Depois de alguns comentários menos simpáticos — os habituais “trolls” — questionarem o facto de Ward “parecer a sua idade”, a actriz recorreu ao Instagram para deixar uma mensagem clara: não tem qualquer receio de envelhecer e muito menos vontade de pedir desculpa por isso.

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Num vídeo simples, sem maquilhagem, de cabelo grisalho curto e óculos de aro dourado, Ward começa por brincar com a situação, dizendo que tentou “fazer um bocadinho melhor hoje”, passando a mão pelo cabelo antes de lançar a verdadeira mensagem: “Não tenham medo de envelhecer”.

“Os 60 são um período maravilhoso”

Longe de qualquer tom defensivo, Rachel Ward optou por uma reflexão honesta e inspiradora sobre o passar do tempo. “É um período maravilhoso da vida, os 60”, afirmou, acrescentando que se sente “mais realizada do que nunca” e sem qualquer arrependimento por deixar para trás a juventude e a beleza tal como estas são entendidas pela indústria do entretenimento.

A actriz reconheceu que existe uma obsessão colectiva com a juventude, resumindo-a com ironia: “Juventude é beleza, beleza é juventude — e é tudo o que precisam de saber”. Mas logo a seguir desmontou essa lógica, explicando que, embora já não seja jovem, é “uma pessoa muito feliz”.

Para Ward, os anos mais tardios devem ser celebrados, não temidos. “Têm tantos outros presentes para oferecer que só os compreendemos quando lá chegamos”, sublinhou, numa mensagem que rapidamente gerou apoio e aplausos dos fãs.

Uma vida longe de Hollywood — e perto da terra

Rachel Ward não vive apenas afastada dos padrões estéticos de Hollywood; vive literalmente longe de Hollywood. Há vários anos que gere uma exploração pecuária na Austrália com o marido, Bryan Brown, também ele actor e colega de elenco em The Thorn Birds. “Sou agricultora agora”, escreveu com humor na legenda do vídeo, brincando com o facto de talvez devesse “arranjar o cabelo e pôr um bocadinho de batom” antes de aparecer nas redes sociais.

A actriz aproveitou ainda a ocasião para promover um novo projecto ligado à agricultura regenerativa, reforçando a ligação entre bem-estar, alimentação e respeito pela terra — e mostrando que esta nova fase da sua vida está longe de ser passiva ou nostálgica.

Um exemplo raro — e necessário

Num tempo em que tantas figuras públicas recorrem a procedimentos extremos para travar o inevitável, a postura de Rachel Ward destaca-se pela tranquilidade e coerência. Sem discursos moralistas nem ataques pessoais, a actriz limitou-se a afirmar algo simples e poderoso: envelhecer não é uma falha, é um privilégio.

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E talvez seja por isso que, décadas depois de The Thorn Birds, continua a ser admirada — não apenas pelo que foi em frente às câmaras, mas pelo que escolheu ser fora delas.

Morreu Richard Chamberlain, o galã de milhões de lareiras e o eterno padre Ralph de “Os Pássaros Feridos”

É o fim de uma era televisiva: Richard Chamberlain, um dos rostos mais icônicos da televisão norte-americana nas décadas de 60, 70 e 80, morreu no passado sábado, no Havai, aos 90 anos, na véspera do seu 91.º aniversário. Segundo o seu agente, a causa da morte foram complicações de um AVC.

Chamberlain ficou imortalizado como o elegante Dr. Kildare, mas foi como o padre Ralph de Bricassart em “Os Pássaros Feridos” que conquistou os corações (e suspiros) de milhões de espectadores. Um verdadeiro ídolo global, foi alcunhado de “rei das minisséries”, estatuto que consolidou com “Shogun”, “Centennial” e a já mencionada adaptação do romance de Colleen McCullough, uma saga romântica que ainda hoje faz correr lágrimas nos ecrãs de televisão por todo o mundo.

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O ator, nascido George Richard Chamberlain em 1934, em Beverly Hills, tinha inicialmente ambições artísticas nas artes plásticas, mas acabou rendido ao palco depois de regressar do serviço militar na Guerra da Coreia. E ainda bem: com um charme inato, olhar penetrante e voz aveludada, não tardou a conquistar os estúdios de Hollywood.

(Original Caption) Richard Chamberlain, Actor, as he appears in the television series Dr. Kildare.

“Dr. Kildare” (1961–1966) foi o seu bilhete dourado. A personagem do jovem médico idealista tornou-se um fenómeno cultural e sexual, com multidões de fãs — sobretudo femininas — a suspirar pelos seus olhos azuis e bata branca. Entre 1963 e 1965 foi eleito três vezes consecutivas pela revista Photoplay como a estrela masculina mais popular da América.

A sua carreira não se ficou pela televisão. No cinema, brilhou em produções como “A Torre do Inferno”, “Os Três Mosqueteiros”, “A Louca de Chaillot” e “Os Amantes da Música”, onde interpretou o compositor Tchaikovsky.

Mas foi com as minisséries — um gênero quase extinto — que se tornou figura de culto. “Shogun” (1980), passada no Japão feudal, foi uma superprodução que lhe valeu um Globo de Ouro e consagrou a sua versatilidade. Três anos depois, com “Os Pássaros Feridos” (1983), entrou no imaginário coletivo como o padre católico dividido entre a fé e o desejo proibido por Meggie Cleary (Rachel Ward). O drama foi visto por mais de 100 milhões de pessoas.

Com o declínio do formato, Chamberlain regressou ao teatro, onde se destacou em “My Fair Lady” e “The Sound of Music”, revelando uma potente voz de tenor.

Nos anos 2000, voltou esporadicamente ao ecrã com participações em séries como “Will & Grace”, “The Drew Carey Show” e “Touched by an Angel”.

Discreto quanto à sua vida pessoal, Richard Chamberlain assumiu publicamente a sua homossexualidade apenas em 2003, aos 69 anos, desafiando o estigma que durante décadas toldou a sua liberdade de expressão pessoal. Um gesto de coragem que cimentou ainda mais o seu legado.

A morte de Richard Chamberlain deixa um vazio em todos os que cresceram ao som das suas músicas, dos seus romances proibidos e dos dramas intensos que protagonizou com elegância clássica. Com três Globos de Ouro e uma carreira marcada por dignidade, talento e uma beleza que atravessou gerações, foi muito mais do que um galão. Foi um ator completo.

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Descanse em paz, Padre Ralph. Nunca nos esqueceremos dos “olhos que sorriam com tristeza”.