Produtor de Melania Acusa Nomeados aos Óscares de Mentira: “Temos Direito Legal à Música”

Disputa sobre banda sonora de Phantom Thread aquece polémica em torno do documentário da primeira-dama

A polémica em torno do documentário Melania ganhou um novo capítulo depois de o produtor Marc Beckman ter reagido publicamente às críticas de Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood. Em causa está a utilização de música composta para o filme Phantom Thread (2017), que os dois artistas consideram ter sido usada sem o devido respeito pelo acordo contratual existente.

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Beckman, produtor do documentário realizado por Brett Ratner sobre Melania Trump, rejeitou categoricamente as acusações. Em declarações ao site Breitbart News, classificou as críticas como “uma mentira flagrante” e garantiu que a produção detém todos os direitos necessários para utilizar a música em questão. “Temos o direito legal e a permissão para usar cada música e cada peça musical no filme. Fizemos tudo correctamente, seguimos o protocolo, respeitamos os artistas e compensámos todos pela utilização da sua música”, afirmou.

A posição de Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood

Do outro lado, Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood divulgaram uma declaração conjunta onde expressam desagrado com a inclusão de uma peça da banda sonora de Phantom Thread no documentário. Segundo os dois criadores, a Universal — estúdio responsável pelo filme original — não terá consultado Greenwood relativamente à utilização da música num projecto de terceiros, o que consideram uma violação do acordo celebrado com o compositor.

Na declaração enviada à Entertainment Weekly, afirmam que, embora Greenwood não detenha os direitos de autor sobre a partitura, o contrato previa consulta prévia para este tipo de utilização. Como consequência, pediram que a música fosse retirada do documentário.

Importa sublinhar que as críticas foram dirigidas à Universal e não directamente à equipa de produção de Melania, que foi produzido pela Amazon MGM Studios.

Contexto de prémios e tensão na indústria

A controvérsia surge numa altura particularmente visível para os envolvidos. Greenwood foi nomeado para o Óscar de Melhor Banda Sonora Original por Phantom Thread em 2018, enquanto Anderson recebeu nomeações para Melhor Filme e Melhor Realização pelo mesmo projecto. Este ano, ambos voltaram a ser nomeados pelos seus trabalhos em One Battle After Another, com Anderson a somar ainda uma nomeação para Melhor Argumento Adaptado.

O episódio acrescenta mais um elemento à já debatida trajectória do documentário Melania, que marca o regresso de Brett Ratner à realização depois de, em 2017, ter sido acusado de má conduta sexual por várias mulheres. Desde então, o realizador afastou-se de grandes produções até este projecto.

Bilheteira e investimento milionário

Apesar da polémica, Melania tem tido um percurso sólido nas salas de cinema, acumulando cerca de 13,3 milhões de dólares em bilheteira mundial até ao momento. A Amazon terá investido aproximadamente 75 milhões de dólares na aquisição e promoção do documentário, num movimento que chamou a atenção da indústria pelo valor envolvido num projecto documental.

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Resta agora perceber se a disputa sobre a banda sonora terá implicações legais ou se será resolvida nos bastidores. Para já, as posições estão bem definidas: de um lado, criadores que alegam violação contratual; do outro, produtores que garantem ter seguido todos os trâmites legais.

A Música Não Era Para Aqui: Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood Exigem Remoção de Tema de Phantom Thread do Documentário Melania

Utilização não autorizada da banda sonora gera polémica e levanta questões sobre direitos criativos em Hollywood

Nem todo o silêncio é elegante — e, neste caso, a música também não estava no sítio certo. Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood pediram formalmente a remoção de um excerto da banda sonora de Phantom Thread do controverso documentário Melania, alegando uma violação directa do acordo contratual do compositor.

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A revelação foi feita através de um comunicado conjunto, obtido pela Variety, depois de ter sido detectada a utilização de música do filme de 2017 no documentário realizado por Brett Ratner, centrado na figura da antiga Primeira-Dama dos Estados Unidos. Greenwood foi claro: apesar de não deter os direitos de autor da partitura — pertencentes à Universal —, o estúdio falhou ao não o consultar para esta utilização por terceiros, algo que constitui uma quebra explícita do seu contrato como compositor.

Phantom Thread: uma identidade sonora demasiado específica para ser reciclada

A decisão não surpreende quem conhece a relação quase simbiótica entre Anderson e Greenwood. Em Phantom Thread, a música não é mero acompanhamento: é nervo, tensão, desejo e ameaça contida. A partitura, marcada por cordas inquietas e uma elegância venenosa, foi amplamente elogiada pela crítica, incluindo Owen Gleiberman, da Variety, que destacou a sua atmosfera “rapturária, carregada de ansiedade”, evocando o suspense hitchcockiano dos anos 50.

Transportar essa identidade sonora para um documentário político — ainda por cima sem consentimento criativo — não é apenas uma questão legal, mas também artística. Para Anderson e Greenwood, a música foi retirada do seu contexto narrativo e emocional, perdendo significado e integridade.

Um documentário caro, polémico… e financeiramente difícil de justificar

O caso ganha ainda mais peso quando se olha para os números em redor de Melania. O documentário arrecadou cerca de 13,35 milhões de dólares nas bilheteiras norte-americanas após duas semanas — um valor respeitável para o género, mas claramente insuficiente face ao investimento colossal da Amazon MGM Studios.

Segundo dados revelados pela imprensa especializada, o estúdio terá pago cerca de 40 milhões de dólares pelos direitos do filme e de uma série documental associada, somando depois mais 35 milhões em marketing para a estreia em sala. Um gasto praticamente sem precedentes no universo dos documentários, levantando suspeitas na indústria sobre possíveis motivações políticas por detrás da operação.

Jonny Greenwood: mais compositor de cinema do que rockstar

Nos últimos 25 anos, Jonny Greenwood tem sido mais prolífico no cinema do que nos palcos com os Radiohead. Para além de Phantom Thread, assinou ou colaborou em bandas sonoras de filmes como There Will Be BloodInherent ViceLiquorice Pizza e One Battle After Another, consolidando-se como um dos compositores mais singulares do cinema contemporâneo.

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Este episódio reforça uma ideia essencial: a música no cinema não é decorativa. É autoria. É narrativa. E não pode ser usada como papel de parede sonora sem o consentimento de quem a criou.

Paul Thomas Anderson: O Mestre do Drama e das Relações Humanas no Cinema

Paul Thomas Anderson, frequentemente considerado um dos cineastas mais influentes de sua geração, é uma figura singular na história do cinema contemporâneo. Nascido a 26 de junho de 1970, em Studio City, Califórnia, Anderson cresceu no Vale de São Fernando, imerso no mundo do entretenimento graças ao seu pai, Ernie Anderson, um conhecido narrador e criador do programa cult Ghoulardi. Este ambiente inspirador alimentou desde cedo a paixão de Paul pelo cinema.

Apesar de um percurso escolar atribulado, marcado por dificuldades e um desinteresse evidente pela educação formal, Anderson encontrou no cinema a sua verdadeira vocação. Optou por abandonar os estudos tradicionais, frequentando brevemente escolas de cinema como Emerson e a New York Film School, antes de decidir que assistir e criar filmes era a única formação de que necessitava.

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A Ascensão de um Contador de Histórias

Anderson deu os primeiros passos na indústria cinematográfica como assistente de produção em projetos televisivos e independentes. Mas foi com Cigarettes and Coffee, um curta-metragem de 1993, que começou a atrair atenção. Este trabalho, premiado no Festival de Sundance, abriu-lhe as portas para desenvolver a sua primeira longa-metragem, Hard Eight (1996). O filme, embora menos conhecido, estabeleceu o tom do seu estilo: um estudo minucioso de personagens complexas em cenários moralmente ambíguos.

O reconhecimento definitivo veio com Boogie Nights (1997), um retrato fascinante e excêntrico da indústria pornográfica dos anos 70 e 80. Com um elenco de peso, incluindo Mark Wahlberg, Julianne Moore e Burt Reynolds, o filme foi aclamado pela crítica e recebeu três nomeações ao Óscar. A partir daí, Anderson tornou-se sinónimo de narrativas densas e emocionalmente impactantes.

O Ponto Alto: Magnolia e Além

Em 1999, Anderson entregou Magnolia, um épico emocional que interliga várias histórias de personagens em busca de redenção. Estreado com aclamação global, o filme foi descrito como uma obra-prima que explorava as fragilidades humanas. Ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e obteve três nomeações ao Óscar. Mais tarde, filmes como There Will Be Blood (2007) consolidaram ainda mais a sua reputação. Este último, protagonizado por Daniel Day-Lewis, é amplamente reconhecido como um dos maiores filmes do século XXI, graças à sua exploração implacável do capitalismo e da ambição.

Estilo e Temas Únicos

Anderson pertence a uma geração de cineastas que aprenderam a arte de contar histórias com o uso de VHS, absorvendo influências de uma vasta gama de filmes. O seu estilo visual é inconfundível: planos longos, movimentos de câmara fluidos e uma coreografia visual impressionante. Narrativamente, os seus filmes mergulham profundamente nas relações humanas, particularmente nas dinâmicas familiares entre pais e filhos, e nos desafios emocionais da vida contemporânea.

Além disso, o uso marcante da música nos seus filmes é outro ponto alto. Seja com trilhas sonoras compostas por Jonny Greenwood, da banda Radiohead, ou pela utilização de música popular, Anderson sabe como transformar o som num elemento narrativo crucial.

Legado e Relevância

Ao longo de uma carreira que inclui obras como Punch-Drunk Love (2002), The Master (2012), Phantom Thread (2017) e Licorice Pizza(2021), Paul Thomas Anderson continua a surpreender, mantendo-se fiel à sua visão artística. Nomeado onze vezes ao Óscar, ele não é apenas um dos melhores cineastas do nosso tempo, mas um observador magistral das nuances humanas.

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Enquanto a sua filmografia cresce, o impacto de Anderson no cinema moderno permanece inegável. Ele é um exemplo de como a paixão e a determinação podem superar barreiras, moldando histórias que ressoam profundamente com os espectadores.