40,4 mil milhões em jogo: Larry Ellison entra em cena para reforçar a ofensiva da Paramount sobre a Warner Bros.

Um novo capítulo na guerra dos gigantes do entretenimento

A batalha pelo controlo da Warner Bros. Discovery está a transformar-se num verdadeiro drama corporativo em vários actos — e o mais recente inclui um dos homens mais ricos do planeta. Larry Ellison concordou em fornecer uma garantia pessoal irrevogável de 40,4 mil milhões de dólares, reforçando decisivamente a proposta da Paramount para adquirir a totalidade da Warner Bros. Discovery.

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Este movimento surge num momento particularmente sensível. No início do mês, a Warner Bros. Discovery tinha chegado a acordo para vender o seu estúdio e os activos de streaming à Netflix, numa operação avaliada em cerca de 83 mil milhões de dólares em termos empresariais. Um acordo que, desde então, tem sido alvo de críticas e resistência dentro e fora da indústria.

Paramount não sobe a oferta, mas reforça a segurança

A Paramount, através da sua estrutura Paramount Skydance, mantém uma posição firme: não aumentou o valor global da sua proposta, que avalia a Warner Bros. Discovery em 108,4 mil milhões de dólares, mas decidiu igualar a taxa de rescisão reversa apresentada pela Netflix. O objectivo é claro: demonstrar confiança absoluta na viabilidade da operação e reduzir qualquer margem de hesitação por parte do conselho da Warner.

A Warner Bros. Discovery confirmou ter recebido a proposta revista e declarou que irá analisá-la “cuidadosamente”, tendo em conta os termos já acordados com a Netflix.

A família Ellison entra definitivamente no jogo

Segundo explicou Gerry Cardinale, fundador e sócio-gerente da RedBird Capital Partners, no programa Squawk Boxda CNBC, a revisão da proposta teve como principal objectivo “eliminar a confusão” em torno do financiamento.

Nesse contexto, Larry Ellison comprometeu-se a apoiar a oferta através de um fundo irrevogável garantido por 1,2 mil milhões de acções da Oracle. Importa recordar que David Ellison, director-executivo da Skydance Media e figura central da Paramount Skydance, é filho do fundador da Oracle.

Com um património estimado em 345 mil milhões de dólares, Larry Ellison chegou, inclusivamente, a ser por breves dias a pessoa mais rica do mundo no início de Outubro, ultrapassando Elon Musk.

De acordo com a Paramount, Ellison comprometeu-se ainda a não revogar o fundo fiduciário da família nem a transferir activos de forma adversa durante o processo de transacção pendente — uma camada adicional de segurança que se soma aos fundos já garantidos pela RedBird Capital e por fundos soberanos.

“O acordo com a Netflix acaba com a concorrência”

A tensão em torno do negócio tem vindo a aumentar. Na semana passada, Samuel Di Piazza, presidente da Warner Bros. Discovery, expressou reservas quanto à solidez do apoio financeiro de Ellison.

Em resposta, Cardinale dirigiu-se directamente aos accionistas da Warner, lembrando que “os verdadeiros donos da empresa são os accionistas, não o conselho nem a administração”. Na sua leitura, a alternativa Netflix representa um risco estrutural para o sector.

A fusão entre Netflix e HBO Max criaria um gigante com cerca de 420 milhões de assinantes globais. Um cenário que, segundo Cardinale, “assusta artistas, criadores e exibidores”, devido ao poder de fixação de preços e à concentração de influência que resultaria dessa união.

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Um desfecho ainda em aberto

Com garantias pessoais bilionárias, jogos de bastidores e visões opostas sobre o futuro do streaming, este negócio promete continuar a dominar as manchetes. A decisão final poderá redefinir o equilíbrio de poder em Hollywood durante a próxima década — e, desta vez, Larry Ellison não está apenas a observar a partir da plateia 🎬

Warner Bros Rejeita Oferta de 108 Mil Milhões da Paramount e Mantém Acordo com a Netflix

Conselho de administração recusou proposta considerada “superior” e fechou a porta a uma das maiores operações da história dos media

Warner Bros. Discovery rejeitou oficialmente a proposta de aquisição apresentada pela Paramount Skydance, avaliada em 108,4 mil milhões de dólares (cerca de 80,75 mil milhões de euros), numa decisão que volta a baralhar o tabuleiro das grandes fusões no sector do entretenimento global. A informação foi confirmada através de um comunicado dirigido aos accionistas, no qual o conselho de administração da Warner Bros. afirma ter recomendado “por unanimidade” a rejeição da oferta.

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A decisão surge apesar de a Paramount ter defendido publicamente que a sua proposta era “superior” ao acordo já estabelecido entre a Warner Bros. Discovery e a Netflix, avaliado em cerca de 72 mil milhões de dólares, e que envolve os activos de cinema e streaming do estúdio norte-americano. Ainda assim, a administração da Warner considerou que o entendimento com a Netflix representa a opção mais vantajosa para o futuro da empresa.

Dúvidas sobre financiamento pesaram na decisão

De acordo com o Financial Times, um dos factores determinantes para a rejeição da proposta da Paramount esteve relacionado com preocupações sobre a estrutura de financiamento do negócio. A Warner Bros. terá manifestado reservas quanto à solidez financeira da operação e à capacidade dos proponentes para concretizar uma aquisição desta dimensão sem riscos significativos.

A situação tornou-se ainda mais frágil quando se soube que a Affinity Partners, um dos principais financiadores da tentativa de compra, abandonou as negociações. A empresa, fundada por Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá saído do processo alegando a presença de “dois concorrentes fortes” na corrida — uma referência implícita à Netflix e a outros potenciais interessados.

Nem a Warner Bros. Discovery nem a Paramount comentaram publicamente a decisão até ao momento, apesar dos pedidos de esclarecimento feitos pela BBC. A própria Affinity Partners também não respondeu oficialmente.

Um estúdio em plena reconfiguração

A Warner Bros. Discovery colocou-se formalmente à venda em Outubro, depois de ter recebido múltiplas manifestações de interesse por parte de potenciais compradores, entre os quais se incluía precisamente a Paramount Skydance. O movimento foi visto como mais um sinal da profunda transformação que atravessa a indústria dos media, pressionada pela quebra das receitas tradicionais, pela guerra do streaming e pela necessidade de escala global.

5 de Dezembro, a Warner anunciou então o acordo com a Netflix, um dos mais significativos da história recente do sector, transferindo para a gigante do streaming os seus negócios de cinema e plataformas digitais. A rejeição da proposta da Paramount confirma agora que essa estratégia está a ser encarada como definitiva — pelo menos para já.

Um sinal claro para Hollywood

Este episódio ilustra bem o momento de incerteza vivido por Hollywood, onde estúdios históricos procuram alianças com plataformas tecnológicas para garantir sobrevivência e relevância. A decisão da Warner Bros. Discovery deixa claro que, apesar de propostas mais elevadas no papel, a previsibilidade, a execução e a confiança estratégica pesam tanto ou mais do que os números.

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Para a Paramount, fica uma derrota pesada. Para a Netflix, uma vitória silenciosa. E para o sector, a confirmação de que a consolidação dos media está longe de terminar.

“Um Pesadelo”: A Guerra por Warner Bros Está a Virar Hollywood do Avesso

O fim de um estúdio lendário e o medo de mais um terramoto na indústria

“Desastre”, “catástrofe”, “pesadelo”. É assim que muitos profissionais de Hollywood descrevem o momento actual vivido pela Warner Bros, um dos estúdios mais históricos do cinema norte-americano, agora no centro de uma batalha feroz entre gigantes com visões muito diferentes para o futuro do entretenimento. Entre Netflix e Paramount Skydance, o destino da casa que produziu CasablancaGoodfellasBatman ou Harry Potter parece cada vez mais distante da Hollywood clássica que ajudou a definir.

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A possível venda — seja da Warner Bros como um todo à Paramount Skydance, seja a divisão dos seus activos mais valiosos para a Netflix — está a ser vivida como um luto colectivo numa indústria já profundamente fragilizada. Depois de uma quebra histórica na produção, greves simultâneas de actores e argumentistas e milhares de despedimentos, a perda de mais um grande estúdio significa menos empregos, menos compradores de projectos e ainda menos margem de manobra criativa.

Netflix ou bilionários pró-Trump? Uma escolha sem boas opções

Segundo dezenas de entrevistas realizadas pela BBC a actores, produtores e técnicos, Hollywood sente-se presa a um dilema inquietante: aceitar o controlo de uma gigante tecnológica acusada de contribuir para o declínio das salas de cinema ou entregar o estúdio a interesses financeiros associados a bilionários com ligações políticas preocupantes.

No cenário Netflix, a plataforma adquiriria os “diamantes da coroa”: o estúdio com 102 anos de história, a HBO e o vastíssimo arquivo de filmes e séries. Já canais como a CNN, a TNT Sports ou a Discovery seriam deixados para outros compradores. No campo oposto, a proposta hostil de 108 mil milhões de dólares da Paramount Skydance conta com financiamento da Arábia Saudita, Abu Dhabi, Qatar e até de um fundo criado por Jared Kushner, genro do Presidente Donald Trump — um detalhe que acendeu alarmes sobre censura e interferência governamental.

As preocupações intensificaram-se quando o próprio Trump afirmou publicamente que “é imperativo que a CNN seja vendida”.

Um sector ainda em recuperação… que nunca recuperou

Esta guerra pela Warner Bros surge na sequência de uma década de instabilidade crescente. Após o pico de produção em 2022, impulsionado pelo pós-pandemia, a indústria entrou em colapso em 2023 com as greves históricas. Quando estas terminaram, o boom nunca regressou.

Desde então, fusões, encerramentos e cortes tornaram-se rotina. A própria Paramount — entretanto comprada pela Skydance Media de David Ellison — eliminou milhares de postos de trabalho. Agora, com a Warner Bros à venda, muitos trabalhadores sentem que estão a assistir ao desmantelamento definitivo do sistema que sustentou Hollywood durante um século.

O vilão da história tem nome: David Zaslav

Independentemente de quem acabe por vencer esta corrida, há um consenso raro entre os profissionais do sector: o grande vilão desta história é David Zaslav, CEO da Warner Bros Discovery. Em 2024, Zaslav recebeu 51,9 milhões de dólares em remuneração, num ano em que a empresa perdeu mais de 11 mil milhões e viu as suas acções cair cerca de 7%.

Várias fontes compararam-no directamente a Gordon Gekko, o personagem de Wall Street que celebrizou a frase “a ganância é boa”. Zaslav assumiu o comando em 2022, após a mega-fusão entre a Discovery e a WarnerMedia, uma operação que resultou em milhares de despedimentos e numa política agressiva de cortes e cancelamentos.

A Warner Bros rejeita esta leitura, defendendo que sob a liderança de Zaslav o estúdio recuperou força criativa, relançou o universo DC com um plano de dez anos e tornou o serviço de streaming lucrativo pela primeira vez.

Trabalhadores à deriva num sistema em colapso

Para muitos profissionais, quem compra a Warner Bros é quase secundário. O verdadeiro problema é estrutural: um mercado mais pequeno, dominado por menos empresas, cada vez mais dependente de algoritmos e com a Inteligência Artificial a ameaçar postos de trabalho criativos.

Há histórias duras. Um actor, agora sem-abrigo com a mulher e dois filhos, descreve acordar todos os dias com a sensação de ter falhado “em todas as direcções”. Outro profissional diz preferir ver a Warner nas mãos da Netflix do que de “dinheiro estrangeiro”. Já exibidores de cinema temem um futuro em que as salas se tornem irrelevantes, acusando a Netflix de nunca ter acreditado verdadeiramente na experiência do grande ecrã.

Ainda assim, alguns vêem sinais de boa-fé, como a recuperação do histórico Egyptian Theatre, em Hollywood, restaurado pela Netflix após décadas de abandono.

O futuro é incerto… mas o trabalho continua

No lote da Warner Bros, os turistas continuam a tirar fotografias no cenário do Friends. Nos escritórios, quem ainda tem emprego continua a trabalhar. Um produtor resume o sentimento geral: é triste perder um estúdio, mas “se fizeres coisas boas, continuas a fazer coisas boas”.

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Numa indústria onde bilionários e trilionários podem surgir a qualquer momento — “até o Elon Musk podia entrar nisto”, brinca —, a única certeza é a incerteza. Para Hollywood, a batalha pela Warner Bros não é apenas um negócio. É um sinal claro de que a era dourada dos estúdios está, talvez, a chegar ao fim.