Há notícias que marcam o fim de uma era. Esta é uma delas. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas confirmou ontem as datas das 99.ª e 100.ª cerimónias dos Óscars: 14 de Março de 2027 e 5 de Março de 2028, respectivamente. Serão as últimas a ser transmitidas pela ABC — que emite a gala desde 1976, há exactamente meio século. A partir de 2029, os Óscars passam para o YouTube, em transmissão gratuita e em directo para todo o mundo.
A mudança não é apenas de canal. É de filosofia. A Academia está a reconhecer, de forma muito pública, que o futuro da televisão já não passa pela televisão tradicional — e que a melhor forma de chegar a uma audiência verdadeiramente global é através de uma plataforma que qualquer pessoa pode ver, em qualquer dispositivo, sem pagar um cêntimo. O acordo com o YouTube cobre o período de 2029 a 2033 e inclui não apenas a cerimónia principal, mas também os Governors Awards e outros eventos da Academia. Para Portugal — e para qualquer país onde a ABC nunca chegou directamente —, significa que em 2029 os Óscars passam a ser acessíveis em directo, de graça, pela primeira vez na história.
A cerimónia muda também de casa. O Dolby Theatre, onde a gala decorre desde 2002 — com excepção da edição pandémica de 2021 —, dará lugar ao Peacock Theater, no complexo LA Live de Los Angeles, a partir de 2029, com um contrato que se estende até 2039. O novo espaço permite à Academia maior controlo sobre o fluxo de público e uma logística de evento mais ambiciosa.
As duas cerimónias que ainda decorrem na ABC têm um peso especial. A de 2027 será a 99.ª edição, com os contendores habituais da temporada de prémios do ano anterior — e Dune: Parte Três, Project Hail Mary e o filme de Alejandro González Iñárritu com Tom Cruise já são nomeados em potência. A de 2028 será a 100.ª edição: um centenário que coincide com o último ano no Dolby Theatre, o último na ABC e o último antes da grande mudança. Um acontecimento histórico por triplicado.
Quanto ao anfitrião, não há confirmação — mas a indústria especula que Conan O’Brien, muito elogiado nas últimas duas edições, poderá apresentar pela terceira vez consecutiva. Seria o primeiro a fazê-lo desde Billy Crystal, que conduziu a gala quatro anos seguidos entre 1990 e 1993. A audiência deste ano fixou-se nos 17,9 milhões de espectadores na ABC e na Hulu — uma quebra de 9% face ao ano anterior, que tinha sido o melhor resultado em cinco anos. A mudança para o YouTube é também uma resposta a essa tendência: o alcance potencial da plataforma não tem comparação com qualquer canal televisivo.
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