O Mago do Kremlin: Um Thriller Político Que Nos Leva ao Centro do Poder Russo

Paul Dano e Jude Law protagonizam o novo filme de Olivier Assayas, que estreia a 12 de Março

Há filmes que chegam às salas como entretenimento. E há outros que chegam como radiografias de uma época. O Mago do Kremlin, realizado por Olivier Assayas, pertence claramente à segunda categoria. Inspirado no romance homónimo de Giuliano da Empoli, o filme estreia nos cinemas portugueses a 12 de Março, prometendo um mergulho vertiginoso nos bastidores do poder russo  .

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Assayas, vencedor do Prémio de Melhor Realização em Cannes e autor de obras como Wasp Network e Personal Shopper, adapta aqui um dos romances políticos mais relevantes dos últimos anos. O argumento, escrito em parceria com Emmanuel Carrère, transforma reflexão histórica e análise geopolítica num thriller denso, onde cada diálogo carrega implicações estratégicas.

A ascensão silenciosa de um estratega

A narrativa começa na Rússia do início dos anos 90, após o colapso da URSS. No meio do caos de um país em reconstrução surge Vadim Baranov, interpretado por Paul Dano, num registo contido mas profundamente magnético. Primeiro artista de vanguarda, depois produtor de um reality show, Baranov revela-se um estratega brilhante, capaz de compreender o poder da narrativa num mundo onde a política já não se faz apenas nos gabinetes, mas também nos ecrãs.

O seu percurso leva-o a tornar-se conselheiro informal de um ex-agente do KGB destinado a ascender ao poder absoluto — Vladimir Putin. É aqui que Jude Law assume uma das interpretações mais desafiantes da sua carreira, construindo um líder contido, quase impenetrável, cuja ambição se insinua mais nos silêncios do que nas palavras.

Entre os dois estabelece-se uma relação complexa, feita de cálculo, cumplicidade e tensão latente. Baranov torna-se o arquitecto da propaganda da nova Rússia, moldando discursos, percepções e fantasias colectivas. Mas à medida que o poder se consolida em torno do Kremlin, também se adensa a sensação de clausura.

Entre propaganda e humanidade

No contraponto surge Ksenia, interpretada por Alicia Vikander, figura que introduz uma dimensão humana e emocional num universo dominado por estratégia e manipulação. Representa a possibilidade de fuga — não apenas geográfica, mas moral. É através dela que o filme questiona até que ponto a proximidade do poder corrói as convicções individuais.

Tom Sturridge e Jeffrey Wright completam um elenco sólido que sustenta esta engrenagem política, onde desejo, ambição e desilusão coexistem num equilíbrio frágil  .

Filmado em CinemaScope, o filme utiliza o espaço e a arquitectura como elementos dramáticos. Corredores amplos, salas imponentes e ambientes austeros reflectem visualmente a lógica de um poder que se expande e se fecha sobre si próprio. A escala histórica — três décadas decisivas da Rússia moderna — convive com uma abordagem intimista, focada nas fissuras psicológicas das personagens.

Um retrato inquietante da política contemporânea

Mais do que uma biografia encapotada, O Mago do Kremlin é uma reflexão sobre o papel da narrativa na construção da autoridade. O filme mostra como meios de comunicação social, propaganda e, mais recentemente, algoritmos, se tornam instrumentos essenciais na consolidação de regimes e na modelação da opinião pública  .

Assayas não procura respostas fáceis. Em vez disso, conduz o espectador por uma descida aos corredores obscuros do poder, onde a verdade se confunde com estratégia e onde cada palavra serve um objectivo maior. Quinze anos depois dos acontecimentos centrais, Baranov decide falar — mas o que revela apenas torna mais turva a fronteira entre ficção e realidade.

Num momento em que a política internacional continua a ser marcada por narrativas cuidadosamente construídas, o filme ganha uma pertinência inquietante.

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A 12 de Março, as salas portuguesas recebem um thriller político que não se limita a contar uma história: convida a reflectir sobre os mecanismos invisíveis que moldam o mundo contemporâneo.

“The Wizard of the Kremlin”: Jude Law e Paul Dano Brilham no Retrato Implacável da Ascensão de Putin

Realizado por Olivier Assayas, o novo drama político que conquistou Veneza chega carregado de tensão, intriga e poder — com um elenco de luxo liderado por Jude Law e Paul Dano.

O realizador francês Olivier Assayas, conhecido por obras como Personal Shopper e Carlos, regressa com um dos filmes políticos mais aguardados do ano: “The Wizard of the Kremlin”, uma poderosa incursão nos bastidores do poder russo e na ascensão de Vladimir Putin. O filme, que recebeu uma ovação de 12 minutos no Festival de Veneza, promete ser um dos grandes destaques da temporada cinematográfica europeia.

Inspirado no romance homónimo de Giuliano da Empoli, vencedor do Grande Prémio da Academia Francesa, o argumento foi adaptado por Assayas em parceria com o escritor e argumentista Emmanuel Carrère. O resultado é uma obra ambiciosa que mistura ficção e realidade, mergulhando nas entranhas do Kremlin durante o caótico período pós-soviético.

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Paul Dano e Jude Law em duelo de poder

No centro da narrativa está Paul Dano, que interpreta Vadim Baranov, um “spin doctor” — conselheiro político e manipulador de imagem — inspirado livremente em Vladislav Surkov, o enigmático estratega russo conhecido por ser o arquiteto da propaganda moderna do Kremlin.

Ao seu lado, Jude Law encarna Vladimir Putin, retratado inicialmente como um agente da KGB frio e calculista, cuja sede de poder o transforma num líder implacável. O filme acompanha, ao longo de duas décadas, a forma como Putin ascende e consolida o seu domínio, manipula aliados e destrói adversários, num jogo político que mistura lealdade, medo e sedução.

O trailer revela também Alicia Vikander como Ksenia, a esposa de Baranov, cuja relação conjugal é corroída pelo peso da ambição e do segredo; Tom Sturridge no papel de um banqueiro e oligarca inspirado em Mikhail KhodorkovskyWill Keen como o magnata Boris Berezovsky, morto em exílio em Londres em circunstâncias suspeitas; e Jeffrey Wright como um jornalista americano em Moscovo, confidente e testemunha de um regime em mutação.

Política, manipulação e o espelho do Ocidente

Mais do que um retrato biográfico de Putin, The Wizard of the Kremlin é um estudo sobre o poder e a ilusão, um retrato do nascimento de um sistema político sustentado pela desinformação e pelo controlo narrativo — um tema particularmente atual.

O crítico Damon Wise, da Deadline, descreveu o filme como “um aviso ao Ocidente sobre como o mundo chegou a este estado de coisas”, sublinhando a forma como Assayas transforma os bastidores do Kremlin num labirinto psicológico e moral, onde cada gesto político é também um ato de teatro.

Visualmente, o filme mantém a assinatura estética do realizador: planos longos, atmosfera densa e fotografia fria, que sublinha a distância emocional e o peso do poder. A banda sonora minimalista, aliada à montagem precisa, reforça o tom inquietante de um país a moldar o seu próprio mito.

Um sucesso de crítica e festivais

Após a sua estreia triunfal em Veneza, onde foi recebido com aplausos prolongados, The Wizard of the Kremlin percorreu os festivais de Toronto, San Sebastián e Londres, consolidando-se como uma das produções europeias mais relevantes de 2025. O filme seguirá em dezembro para o Red Sea Film Festival, no Médio Oriente, antes da estreia comercial em França pela Gaumont, responsável também pela distribuição internacional.

Produzido por Olivier Delbosc (Curiosa Films) e Sidonie Dumas (Gaumont), o projeto contou com a participação de France TélévisionsDisney+ e France 2 Cinéma, confirmando a aposta francesa em narrativas políticas de alcance global.

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Com Paul Dano e Jude Law em estado de graça, e uma abordagem que alia realismo e introspeção, The Wizard of the Kremlin promete tornar-se uma das obras cinematográficas mais comentadas do ano — um retrato inquietante de como o poder absoluto nasce, cresce e se perpetua.