A Jogada de Mestre Que Hollywood Não Viu a Chegar: Como Timothée Chalamet Transformou “Marty Supreme” Num Fenómeno

Marketing agressivo, criatividade sem rede e um sucesso que já bate recordes

Há campanhas de marketing eficazes… e depois há aquelas que entram directamente para o manual de estudo da indústria. Marty Supreme é, neste momento, o exemplo mais citado de como a criatividade bem pensada pode transformar um filme original num verdadeiro fenómeno de bilheteira. Protagonizado por Timothée Chalamet, realizado por Josh Safdie e produzido pela A24, o filme já ultrapassou One Battle After Another no box office norte-americano — e fê-lo com uma estratégia tão arrojada quanto pouco convencional.

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Desde a estreia nacional no Dia de Natal, Marty Supreme não tem parado de quebrar recordes para um filme independente. Mas o verdadeiro motor deste sucesso não está apenas no ecrã: está na forma como Chalamet decidiu assumir um papel activo, quase autoral, na promoção do filme.

Um Zoom que parecia loucura… e era genial

Tudo começou com algo aparentemente impensável: Timothée Chalamet publicou nas redes sociais um link para uma reunião de Zoom com executivos de marketing da A24. Durante 18 minutos, o actor surge inflamado, quase caricatural, a exigir uma campanha “intencional, implacável e agressiva”, descrevendo Marty Supreme como “uma das coisas mais importantes a acontecer no planeta Terra este ano”.

A conversa rapidamente descamba para ideias absurdas — dirigíveis laranja a cruzar os Estados Unidos, ping-pongs a cair do céu num festival de Tyler, The Creator, referências ao desastre do Hindenburg e até comentários sobre alguém “perder um braço, mas ganhar um braço intelectual”. Tudo demasiado exagerado para ser real. E não era. O Zoom era um guião cuidadosamente encenado, pensado para se tornar viral. Resultado? Tornou-se exactamente isso.

Mais do que um truque publicitário, o vídeo expôs algo raro em Hollywood: um actor com verdadeira literacia de marketing, consciente da sua imagem, do seu público e da cultura digital em que se move.

O laranja de “Marty Supreme” contra o rosa da Barbie

Chalamet percebeu desde cedo que não podia repetir fórmulas. Citou Barbie como a campanha de referência, mas rejeitou copiar-lhe a identidade cromática. Em vez disso, apresentou um tom de laranja “corroído, enferrujado, em decomposição”, desenvolvido por um designer ao longo de seis meses. Um detalhe aparentemente menor, mas que acabou por se tornar central na identidade visual do filme — do merchandising aos eventos pop-up, passando pela icónica transformação da Sphere de Las Vegas numa bola gigante de ping-pong.

Esta abordagem lembra inevitavelmente o caso Ryan Reynolds com Deadpool, outro exemplo de actor que moldou activamente a campanha do seu próprio filme. A diferença é que Marty Supreme não pertence a uma franquia multimilionária: é um drama desportivo sobre um hustler dos anos 50 obcecado em tornar-se campeão mundial de ténis de mesa.

Números que falam mais alto do que o ruído

Até ao momento, Marty Supreme já arrecadou cerca de 72,27 milhões de dólares nos Estados Unidos, ultrapassando One Battle After Another, protagonizado por Leonardo DiCaprio, que soma 71,6 milhões no mercado doméstico. Internacionalmente, o filme da Warner Bros. continua à frente, mas Marty Supreme está apenas a iniciar a sua expansão global, com resultados impressionantes no Reino Unido — o melhor arranque de sempre de um filme da A24 naquele território.

As previsões apontam para um total mundial entre 170 e 180 milhões de dólares, um número extraordinário para um filme original com um orçamento estimado entre 60 e 70 milhões. Está também prestes a tornar-se o maior sucesso doméstico da história da A24, ultrapassando Everything Everywhere All At Once.

Um actor que entende o seu tempo

Chalamet já tinha mostrado interesse pelo marketing em Wonka e A Complete Unknown, mas aqui levou o conceito ao limite. Evitou entrevistas tradicionais, apostou em momentos virais cuidadosamente coreografados e tratou a campanha “como um atleta trata uma competição”. A vitória no Globo de Ouro de Melhor Actor veio apenas reforçar o momento e promete um novo impulso rumo aos Óscares.

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No final, Marty Supreme não é apenas um sucesso de bilheteira. É uma demonstração clara de que, num mercado saturado de sequelas e IPs reciclados, ainda há espaço para filmes originais — desde que alguém tenha a audácia de os vender como se o mundo estivesse a olhar.