De McDreamy a assassino: Patrick Dempsey estreia-se na acção numa série que está a dividir a crítica

Durante anos, Patrick Dempsey foi sinónimo de charme televisivo. Para milhões de espectadores, será sempre o eterno “McDreamy” de Grey’s Anatomy. Mas os tempos mudam — e Dempsey decidiu trocar o bloco operatório por algo bem mais sombrio. A nova série Memory of a Killer, da Fox, marca a sua estreia como protagonista num registo de acção pura e dura… com resultados curiosos.

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Um assassino com Alzheimer e uma vida dupla

Em Memory of a Killer, Dempsey interpreta Angelo, um assassino profissional de elite que vê a sua vida virar do avesso após ser diagnosticado com Alzheimer de início precoce. À medida que a memória começa a falhar, algo inesperado acontece: a consciência desperta. Como se não bastasse, Angelo começa a suspeitar que a recente morte da mulher pode não ter sido um simples acidente, empurrando-o para um caminho de vingança inevitável.

O conceito joga deliberadamente com contrastes fortes. Angelo vive duas vidas completamente separadas: durante a semana é um pacato vendedor de fotocopiadoras em Cooperstown e pai dedicado; nas sombras, é um temido assassino em Nova Iorque. Uma compartimentação perfeita… até deixar de o ser.

Um remake com várias camadas de ADN cinematográfico

A série é um remake directo do filme Memory, protagonizado por Liam Neeson, que por sua vez foi inspirado no premiado filme belga De Zaak Alzheimer. Segundo Michael Thorn, responsável da Fox, o tom da série pode ser descrito como uma mistura improvável entre 24 e House — acção, urgência e dilemas morais em doses generosas.

Crítica dividida, elogios a Dempsey

As primeiras reacções não tardaram e são tudo menos consensuais. No Rotten Tomatoes, Memory of a Killer apresenta, para já, uma pontuação modesta de 43%, reflectindo uma recepção claramente dividida. Ainda assim, há um elemento que reúne elogios quase transversais: Patrick Dempsey.

Wall Street Journal considera-o “sólido”, destacando as cenas de perseguição, enquanto a USA Today sublinha que sem o carisma de Dempsey — e de Michael Imperioli, seu colega de elenco — a série seria facilmente esquecível. Já a Variety e a Hollywood Reporter são menos simpáticas, apontando falta de personalidade e um excesso de suspensão de descrença.

Vale a pena dar uma oportunidade?

Apesar das fragilidades apontadas, Memory of a Killer tem curiosidade suficiente para justificar uma espreitadela. Ver Patrick Dempsey abandonar definitivamente o estatuto de galã televisivo para abraçar um anti-herói marcado pela culpa, pela doença e pela violência não deixa de ser um passo arrojado. Mesmo que a série ainda não saiba exactamente o que quer ser, o potencial está lá.

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McDreamy pode já não salvar vidas num hospital, mas como “McKiller”, pelo menos, conseguiu dar que falar. 🔫🧠