Óscares 2026: política, guerra e direitos humanos marcaram a cerimónia de Hollywood

98.ª edição dos Academy Awards, realizada no Dolby Theatre, em Los Angeles, acabou por ser muito mais política do que muitos esperavam.

Apesar de o anfitrião Conan O’Brien ter sugerido antes da gala que pretendia evitar debates políticos, a verdade é que vários momentos da cerimónia abordaram temas como guerra, direitos humanos, liberdade de expressão e imigração.

Entre discursos emocionados, declarações contra conflitos armados e críticas indirectas à presidência dos Estados Unidos, a noite revelou como o cinema continua profundamente ligado às tensões do mundo real.

Conan O’Brien abriu a noite com humor político

Logo no início da cerimónia, Conan O’Brien deixou claro que a política poderia entrar na conversa.

Sem mencionar diretamente Donald Trump, o apresentador fez uma série de piadas sobre o actual clima político norte-americano.

Uma delas referia-se à polémica em torno do nome de Trump associado ao John F. Kennedy Center for the Performing Arts, insinuando que o presidente gosta de colocar o seu nome em edifícios.

O’Brien também ironizou sobre os ficheiros relacionados com Jeffrey Epstein, num comentário que provocou risos nervosos na sala.

No final do monólogo, o humorista adoptou um tom mais sério, reconhecendo que o mundo atravessa “tempos caóticos e assustadores”, e sublinhou o valor da colaboração artística global.

Filmes vencedores também trouxeram mensagens políticas

Os dois filmes que dominaram a cerimónia tinham, eles próprios, fortes dimensões políticas.

O grande vencedor da noite foi Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, que conquistou seis Óscares.

Durante um dos seus discursos, Anderson pediu desculpa às gerações mais jovens pelo “mundo confuso” que lhes está a ser deixado.

Javier Bardem fez um apelo contra a guerra

Um dos momentos mais directos da noite ocorreu quando o actor espanhol Javier Bardem subiu ao palco.

Ao apresentar o prémio de Melhor Filme Internacional, Bardem declarou: “Não à guerra e Palestina livre.”

O actor tem sido um defensor vocal dos direitos dos palestinianos e usava também um pin com a palavra “Palestine”, acompanhado por um símbolo tradicional da resistência palestiniana.

Várias outras figuras da cerimónia usaram pins políticos, incluindo símbolos do movimento Artists4Ceasefire, que pede um cessar-fogo em Gaza.

Discursos sobre crianças e vítimas da guerra

O realizador Joachim Trier, vencedor do Óscar de Filme Internacional por Sentimental Value, também aproveitou o momento para fazer um apelo político.

No palco, citou o escritor e activista James Baldwin, defendendo que todos os adultos têm responsabilidade sobre o futuro das crianças.

Nos bastidores, Trier explicou que pensa frequentemente nas crianças afectadas por guerras e crises humanitárias em regiões como Gaza, Ucrânia ou Sudão.

Jimmy Kimmel criticou censura e liberdade de expressão

Outro momento marcante ocorreu quando Jimmy Kimmel apresentou o prémio de Melhor Documentário.

Kimmel criticou aquilo que considera serem ameaças à liberdade de expressão, comparando regimes autoritários com situações controversas nos próprios Estados Unidos.

O humorista fez ainda uma piada sobre um alegado documentário sobre Melania Trump, insinuando que seria apenas um filme sobre escolhas de sapatos na Casa Branca.

Documentário vencedor criticou propaganda política

O Óscar de Melhor Documentário foi atribuído a Mr. Nobody Against Putin, um filme que acompanha um videógrafo que regista a forma como estudantes russos são doutrinados para apoiar a invasão da Ucrânia.

Durante o discurso de aceitação, o realizador David Borenstein afirmou que o documentário mostra “como um país pode ser perdido através de pequenos actos de cumplicidade”.

Já o co-realizador Pavel Talankin terminou com um apelo simples mas directo: parar todas as guerras.

Uma gala onde o cinema encontrou a realidade

Apesar de ser uma celebração do cinema, os Óscares 2026 acabaram por reflectir as tensões do mundo actual.

Entre críticas políticas, discursos sobre guerra e defesa da liberdade de expressão, a cerimónia mostrou que Hollywood continua a usar o palco mais mediático do cinema para discutir questões muito para além do grande ecrã

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