Quando Jason Momoa apareceu em Game of Thrones como Khal Drogo, em 2011, parecia que Hollywood tinha descoberto um novo gigante para filmes de acção. A presença física impressionante, o carisma silencioso e a intensidade da personagem fizeram dele um dos favoritos dos fãs — mesmo com um tempo de ecrã relativamente curto.
Por isso, quando Momoa revelou anos mais tarde que passou por dificuldades financeiras e escassez de trabalho depois da série, muitos ficaram surpreendidos. Afinal, como é possível que um actor que participou numa das séries mais populares da história tenha tido dificuldades em conseguir novos papéis?
A explicação é bem menos dramática do que algumas histórias que circulam online.
O problema de interpretar uma personagem demasiado marcante
Uma das razões principais prende-se com um fenómeno comum em Hollywood: o “typecasting”.
Khal Drogo era uma personagem extremamente específica. Um guerreiro brutal, quase sempre silencioso, que falava numa língua fictícia e cuja presença dependia sobretudo da fisicalidade. O impacto visual da personagem foi enorme — mas isso também criou um problema.
Durante algum tempo, muitos produtores passaram a ver Momoa apenas como “o tipo do Khal Drogo”. Encontrar papéis que não fossem simplesmente variações do mesmo guerreiro bárbaro tornou-se mais difícil do que se poderia imaginar.
Além disso, a personagem morre logo na primeira temporada da série, o que limitou bastante a exposição prolongada que outros actores tiveram ao longo das temporadas seguintes.
Hollywood nem sempre reage rapidamente ao sucesso televisivo
Outro factor importante é que, naquela altura, o salto directo da televisão para grandes filmes ainda não era tão comum como é hoje. Actualmente, estrelas de séries passam facilmente para blockbusters, mas no início da década de 2010 esse caminho ainda era mais irregular.
Momoa chegou a admitir em entrevistas que houve um período em que ele e a família estavam literalmente com dificuldades para pagar contas. Durante algum tempo, o telefone simplesmente deixou de tocar.
Histórias exageradas e mitos da internet
Algumas histórias que circulam online — como episódios envolvendo alegados conflitos com produtores ou jogos físicos que teriam causado ressentimentos — não têm qualquer confirmação credível e fazem parte sobretudo do folclore que frequentemente se cria em torno de produções gigantes como Game of Thrones.
Não existem provas de que algum incidente pessoal com David Benioff, um dos criadores da série, tenha prejudicado a carreira de Momoa. Pelo contrário, várias entrevistas mostram que o actor manteve boas relações com a equipa da série.
O regresso em força
Se houve um período de silêncio na carreira de Momoa, ele não durou muito tempo. O actor acabou por regressar com força através de vários projectos importantes.
Primeiro surgiu “Conan the Barbarian” (2011), que tentou relançar o clássico personagem. Depois vieram papéis em séries e filmes de género, como Frontier.
Mas o verdadeiro ponto de viragem aconteceu quando a DC Comics o escolheu para interpretar Aquaman. A personagem apareceu pela primeira vez em Batman v Superman (2016) e ganhou um enorme destaque em Aquaman(2018), filme que arrecadou mais de mil milhões de dólares nas bilheteiras mundiais.
A partir daí, Momoa tornou-se um dos rostos mais reconhecíveis do cinema de acção contemporâneo, participando em filmes como Dune, Fast X e várias produções de grande orçamento.
Uma carreira que acabou por florescer
Hoje, olhando para trás, o período difícil depois de Game of Thrones parece mais um intervalo inesperado do que um verdadeiro bloqueio de carreira.
Jason Momoa acabou por transformar a imagem que o tornou famoso — o guerreiro imponente — numa marca pessoal que lhe abriu portas em Hollywood. E se Khal Drogo foi o ponto de partida, Aquaman foi a confirmação de que aquele actor gigantesco e descontraído tinha vindo para ficar.
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