O Filme Que Nasce da Dor: Hamnet Estreia em Fevereiro Depois de Conquistar Dois Globos de Ouro

A poderosa história de amor e perda que inspirou Hamlet chega finalmente aos cinemas portugueses

Depois de se afirmar como um dos títulos mais elogiados da temporada de prémios, Hamnet, da realizadora Chloé Zhao, prepara-se para chegar às salas de cinema portuguesas a 5 de Fevereiro. Distinguido com dois Globos de Ouro — Melhor Filme – Drama e Melhor Actriz – Drama — o filme surge como uma das obras mais emocionais e sensoriais do cinema recente, explorando as origens íntimas de Hamlet, a obra-prima de William Shakespeare.

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Protagonizado por Jessie BuckleyPaul Mescal e Emily WatsonHamnet afasta-se deliberadamente do drama de época tradicional para construir um retrato profundamente humano sobre o amor conjugal, o luto e a forma como a criação artística nasce, muitas vezes, da dor mais íntima.

Inglaterra, 1580: amor, ausência e tragédia

A narrativa transporta-nos até à Inglaterra do século XVI, onde William Shakespeare é apresentado não como o génio consagrado, mas como um tutor de latim empobrecido, em busca de um lugar no mundo. É neste contexto que conhece Agnes, uma mulher de espírito livre, profundamente ligada à natureza e ao conhecimento intuitivo. A relação intensa entre ambos conduz ao casamento e ao nascimento de três filhos, mas também a uma separação geográfica e emocional, quando Will parte para Londres para perseguir uma carreira teatral em ascensão.

Agnes permanece no espaço doméstico, ligada à terra, aos filhos e a uma existência marcada pela espera. Quando a tragédia atinge a família, o filme mergulha sem filtros na experiência do luto, mostrando como a perda de um filho transforma irremediavelmente uma relação — e como dessa dor nasce uma das maiores obras da literatura ocidental.

Uma adaptação sensorial e profundamente contemporânea

Baseado no romance multipremiado de Maggie O’FarrellHamnet é descrito pela própria Chloé Zhao como “uma história sobre amor e morte e sobre a forma como estas experiências fundamentais se transformam mutuamente através da arte”. A realizadora, vencedora de um Óscar por Nomadland, constrói aqui um filme ancorado no corpo, na memória e na relação com a natureza, oferecendo uma experiência cinematográfica intensa, quase táctil.

O filme evita o academicismo e opta por uma abordagem sensorial, onde o silêncio, os gestos e os espaços naturais têm tanto peso narrativo como as palavras. O resultado é um retrato urgente e contemporâneo da condição humana, que fala directamente ao presente, apesar do seu enquadramento histórico.

Um percurso sólido na temporada de prémios

Hamnet tem sido uma presença constante e marcante na temporada de prémios 2025/2026. Para além dos dois Globos de Ouro — Melhor Filme – Drama e Melhor Actriz – Drama —, Jessie Buckley foi também distinguida com o prémio de Melhor Actriz nos Critics Choice Awards, e o filme recebeu o People’s Choice Award no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), uma distinção frequentemente associada a futuros sucessos nos Óscares  .

Em Portugal, o filme teve a sua estreia nacional no LEFFEST e chega agora ao circuito comercial com distribuição da NOS Audiovisuais, consolidando-se como uma das estreias mais relevantes do início do ano cinematográfico.

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Quando a arte dá sentido à perda

Mais do que um filme sobre Shakespeare, Hamnet é uma obra sobre o que fica quando tudo parece perdido. Sobre como o amor não desaparece, mas se transforma. E sobre como a arte pode ser, simultaneamente, um acto de sobrevivência e de memória. Um filme que convida à contemplação, à empatia e ao silêncio — e que promete ficar com o espectador muito depois das luzes da sala se acenderem.

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Hamnet: Chloé Zhao Regressa em Força com Shakespeare e Paul Mescal

Um drama íntimo que já sonha com os Óscares

Depois do êxito arrebatador de Nomadland, que lhe valeu três estatuetas douradas, incluindo o Óscar de Melhor Realização, Chloé Zhao regressa ao cinema de autor com Hamnet. O filme, exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, surge já como um dos favoritos para a temporada de prémios e promete emocionar plateias em todo o mundo.

Inspirado no romance homónimo de Maggie O’Farrell, o filme imagina a vida íntima de William Shakespeare(interpretado por Paul Mescal) e da sua esposa Agnes (papel de Jessie Buckley), centrando-se na tragédia da perda do filho, Hamnet — cujo nome, segundo estudiosos, seria praticamente indistinguível de Hamlet na Inglaterra isabelina.

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Shakespeare, amor e luto

A narrativa especula que Agnes terá encorajado William a seguir sozinho para Londres, acreditando na força do seu amor. Mas numa época assolada pela peste e pela mortalidade infantil, a dor da separação e da perda acaba por transformar o casamento numa ferida aberta.

Chloé Zhao assume aqui uma abordagem mais cronológica do que no livro, colocando em primeiro plano o luto e a dor que terão marcado o dramaturgo e inspirado a sua obra-prima. A intensidade das cenas levou muitos em Toronto às lágrimas, num retrato cru e poético do amor e da tragédia.

O percurso de Zhao: entre horizontes e intimismo

A realizadora recordou em Toronto a sua própria jornada — desde os tempos em que era uma “aluna de intercâmbio esquisita” num colégio britânico, sem saber falar inglês, até ao reconhecimento máximo em Hollywood.

Depois de The Rider (2017) e do fenómeno Nomadland (2020), Zhao teve uma incursão atribulada nos super-heróis da Marvel com Eternals, mas em Hamnet reencontra o território que a consagrou: um cinema mais íntimo, poético e profundamente humano.

“Passei os meus trintas a fazer filmes sobre horizontes e pores do sol”, confessou a realizadora. “Agora, nos meus quarentas, percebo que estava a fugir de mim mesma — tal como o Will em Hamnet.”

Paul Mescal e Jessie Buckley em destaque

O filme volta a reunir dois dos atores mais talentosos da sua geração. Mescal, nomeado ao Óscar por Aftersun, e Buckley, também já distinguida pela Academia, dão corpo a um casal dilacerado pela distância e pela perda, em interpretações que a crítica descreve como intensas e devastadoras.

Há ainda espaço para o jovem Noah Jupe, que interpreta um ator no mítico Globe Theatre. Mesmo com o papel em reescrita durante a rodagem, Zhao exigiu que decorasse cada linha da peça, para estar sempre preparado — uma prova da exigência e perfeccionismo da realizadora.

De Toronto para os Óscares

Sem data de estreia em Portugal, Hamnet já é visto como um dos grandes concorrentes da próxima temporada de prémios. Mais do que preencher lacunas históricas, Zhao oferece uma visão pessoal de Shakespeare: menos génio distante, mais homem vulnerável.

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Se Nomadland foi o filme que a colocou no mapa dos Óscares, Hamnet pode muito bem consolidar Chloé Zhao como uma das vozes mais importantes e ousadas do cinema contemporâneo.