Emmys criam novo prémio para celebrar séries históricas que marcaram gerações

A Television Academy apresenta o Legacy Award, uma distinção para programas com impacto duradouro na cultura e na sociedade

Television Academy anunciou a criação de um novo e ambicioso prémio no universo dos Emmys: o Legacy Award, uma distinção destinada a homenagear séries de televisão que tenham deixado uma “marca profunda e duradoura” no público, na indústria e na cultura popular. Trata-se da primeira grande novidade no conjunto de prémios Emmy em quase duas décadas, um sinal claro de que a Academia pretende reconhecer não apenas o sucesso imediato, mas também a relevância a longo prazo.

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De acordo com os critérios agora divulgados, apenas poderão ser considerados programas que tenham, no mínimo, 60 episódios distribuídos por pelo menos cinco temporadas. Além disso, as séries candidatas terão de demonstrar influência sustentada — seja dentro do seu género, junto de novas gerações de espectadores ou no impacto cultural mais vasto. No caso de franquias, estas serão avaliadas como um todo, e o prémio só poderá ser atribuído uma única vez a cada programa.

Clássicos, fenómenos de longa duração e séries ainda no ar

A lista de potenciais candidatos é, desde logo, impressionante. Séries já terminadas, mas com um legado inquestionável, como All in the Family ou Will & Grace, enquadram-se perfeitamente nos requisitos. Ambas ajudaram a redefinir a comédia televisiva e tiveram um papel relevante na forma como temas sociais passaram a ser discutidos no pequeno ecrã.

Mas o Legacy Award não se limita ao passado. Produções ainda em exibição, como Grey’s Anatomy, que já soma mais de duas décadas no ar, ou It’s Always Sunny in Philadelphia, conhecida pelo seu humor corrosivo e longevidade improvável, também são elegíveis. Até programas prestes a despedir-se, como The Late Show, entram nas contas, desde que cumpram os critérios estabelecidos.

Um processo aberto… até ao público

Outro aspecto curioso deste novo prémio é a forma como as nomeações podem surgir. Estas poderão ser feitas por membros do conselho de governadores da Television Academy, pelo comité de prémios especiais, mas também através de cartas enviadas por profissionais da indústria — ou mesmo pelo público em geral. Uma abertura pouco habitual num organismo tradicionalmente mais fechado, mas que reforça a ideia de que o impacto cultural não se mede apenas dentro dos bastidores.

A selecção final ficará a cargo do agora renomeado Special Awards Committee, anteriormente conhecido como Governors Award Committee, que escolherá anualmente o vencedor.

Um Emmy especial… em palco variável

O Legacy Award será materializado numa estatueta Emmy gravada, mas o local da entrega poderá variar. Dependendo do ano, o prémio poderá ser apresentado durante a cerimónia dos Primetime Emmy Awards, nos Creative Arts Emmys, no festival Televerse da Academia ou até na cerimónia do Hall of Fame.

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Mais do que um novo troféu, o Legacy Award surge como uma declaração de intenções: reconhecer que algumas séries não são apenas entretenimento, mas verdadeiros pilares da história da televisão.

Bridgerton é “woke”? Shonda Rhimes responde às críticas e fala sobre o futuro

A criadora de Bridgerton e Queen CharlotteShonda Rhimes, reagiu de forma direta às críticas de que a sua série seria um exemplo de “cultura woke” por causa do elenco diversificado. A produtora norte-americana, também responsável por sucessos como Grey’s Anatomy e Scandal, classificou essas acusações como “bizarro” e deixou claro que a representação não é uma moda — é uma escolha natural.

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“Porque haveria de escrever algo que não me inclui?”

Em entrevista à Sky News, Rhimes, afro-americana, foi assertiva:

“A ideia de que, escrevendo eu o que escrevo e tendo o aspeto que tenho, não me ocorreria incluir mais pessoas que se pareçam comigo… isso é evidente. Porque haveria de criar algo em que eu não estou representada de forma alguma?”

A diversidade de Bridgerton, produzida em colaboração com a Netflix, tem sido tanto elogiada como criticada, sobretudo por desafiar a representação tradicional da aristocracia britânica do século XIX. Para Rhimes, a crítica ignora um princípio básico: criar histórias que representem a sociedade de forma mais ampla e inclusiva.

Uma experiência britânica “acolhedora”

A produtora revelou ainda que considera mudar-se para o Reino Unido, depois de ter gravado Bridgerton e Queen Charlotte em Inglaterra, destacando a experiência como “muito acolhedora”. Chegou mesmo a admitir que pondera colocar os filhos numa escola britânica.

Esta semana, recebeu o prémio inaugural de mérito do Festival de Televisão de Edimburgo, em reconhecimento pelo impacto global da sua obra, que redefiniu a ficção televisiva norte-americana e agora também britânica.

O perigo da IA e o fascínio por Doctor Who

Rhimes aproveitou a ocasião para comentar outro tema quente: a inteligência artificial. Apesar de reconhecer os avanços, deixou o alerta:

“Há o perigo de a IA aprender com os meus episódios. Talvez aprenda a ser melhor no que faz. Mas não acho que haja substituto para a semente de criatividade que vem da imaginação humana.”

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E para os fãs de sci-fi, uma surpresa: a criadora confessou ser admiradora de longa data de Doctor Who e não exclui colaborar com a icónica série britânica no futuro.

Escândalo em “Grey’s Anatomy”: argumentista finge ter cancro durante quase uma década

Um dos maiores escândalos no mundo das séries de televisão foi revelado em torno de Elisabeth Finch, uma argumentista de “Grey’s Anatomy”, que fingiu ter cancro durante quase uma década. Recentemente, novos detalhes sobre esta fraude vieram à tona na série documental “Anatomy of Lies”, que estreará a 15 de outubro na plataforma Peacock. O documentário promete expor a extensão impressionante das mentiras de Finch e as consequências devastadoras para os seus colegas e a indústria do entretenimento.

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Segundo o escritor e produtor Andy Reaser, que trabalhou com Finch, a argumentista levava a farsa a níveis surpreendentes, alterando a sua aparência e comportamento no local de trabalho para parecer gravemente doente. Finch aparecia com a cabeça raspada, um tom de pele esverdeado e dizia estar a fazer pausas para vomitar devido à quimioterapia. Este comportamento convincente enganou os seus colegas, que acreditavam estar a testemunhar a luta da argumentista contra um cancro agressivo, quando, na realidade, nada disso era verdade.

As revelações vieram a público após uma investigação iniciada em 2022, quando a Vanity Fair publicou um artigo detalhado sobre o caso, revelando que Finch nunca tinha tido qualquer tipo de cancro. Além disso, a argumentista tinha alegado ser sobrevivente de várias outras tragédias, incluindo a perda de um amigo no tiroteio na sinagoga Tree of Life, em 2018, e abusos por parte de um realizador enquanto trabalhava na série “The Vampire Diaries”. Estes relatos, que foram depois desmentidos, revelaram um padrão de manipulação e fraude por parte de Finch, que culminou na sua saída de “Grey’s Anatomy” após uma investigação da Disney.

A própria Finch admitiu as suas mentiras numa entrevista em 2022, reconhecendo que “nunca teve qualquer tipo de cancro” e descrevendo as suas ações como uma “estratégia de coping” face a traumas pessoais. A argumentista tentou justificar o seu comportamento ao compará-lo com outros mecanismos de escape, como o uso de drogas ou o alcoolismo, admitindo que as suas mentiras se tornaram cada vez maiores e mais difíceis de controlar.

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A série documental “Anatomy of Lies” contará com entrevistas de várias pessoas que trabalharam com Finch, revelando como ela manipulou aqueles à sua volta e como a sua teia de mentiras afetou profundamente os que confiaram nela. Finch, por sua vez, não participou na série, mas admitiu anteriormente sentir-se uma “fraude” e que muitos dos seus amigos e familiares a cortaram da sua vida após o escândalo.

O impacto deste caso em Hollywood, especialmente numa série tão longeva e aclamada como “Grey’s Anatomy”, levantou questões sobre como a empatia e a confiança podem ser exploradas de forma tão profunda e devastadora.