Russell Crowe critica “Gladiator II” e acusa Ridley Scott de falhar o “coração moral” do original

Vinte e cinco anos depois de Gladiator ter arrebatado o Óscar de Melhor Filme e transformado Russell Crowe num ícone moderno da épica romana, o actor decidiu finalmente falar — e não poupou nas palavras. Embora sempre tenha demonstrado apoio cordial a Gladiator II, o actor australiano não participou na sequela por razões óbvias: Maximus morreu em 2000, e Crowe nunca escondeu que preferia deixá-lo descansar em paz. Mas, numa entrevista recente à Triple J, o actor deixou claro que, apesar do sucesso de streaming que o filme encontrou posteriormente, algo fundamental se tinha perdido pelo caminho.

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Crowe foi directo ao ponto: segundo ele, Gladiator II não compreendeu aquilo que fez do primeiro filme uma obra especial. E o problema, garante, não está na escala, nos cenários, nem sequer nas batalhas. Está no que Ridley Scott decidiu alterar — ou ignorar.

“O que tornou o primeiro filme especial não foi o espectáculo. Não foram as cerimónias. Não foi a acção”, disse Crowe. “Foi o núcleo moral.” Uma frase que soa quase como um diagnóstico clínico ao que faltou na sequela de 2024, que contou com Paul Mescal, Pedro Pascal e Denzel Washington.

Na mesma entrevista, Crowe criticou especialmente a ideia introduzida por Scott de que Maximus teria um filho ilegítimo, Lucius. Para o actor, essa decisão contraria a essência emocional e ética do gladiador. “Havia uma luta diária no plateau para manter essa integridade moral do personagem”, contou. “A quantidade de vezes que sugeriram cenas de sexo para Maximus… era absurdo. Se ele tinha este amor absoluto pela mulher, como é que ao mesmo tempo estaria com outra pessoa? Isso retirava-lhe poder.”

Crowe contou ainda que, durante as filmagens do original, lutava diariamente para preservar essa pureza emocional do personagem — algo que lhe valeu não só o Óscar, mas também o estatuto de uma das figuras mais icónicas do cinema moderno.

A polémica surge numa altura em que Gladiator II enfrenta uma reputação ambígua: apesar de ter arrecadado 462 milhões de dólares no box office mundial, o orçamento gigantesco — cerca de 210 milhões — fez com que o filme não alcançasse o lucro esperado. Não foi um desastre comercial, mas ficou longe do triunfo unânime que Scott esperava e que o estúdio precisava. Ainda assim, a sequela encontrou um novo fôlego no streaming, onde se tornou um dos títulos mais vistos do pós-lançamento, confirmando que o interesse pelo universo continua vivo.

Mas Crowe não é o único a levantar dúvidas sobre o futuro da saga. Ridley Scott já afirmou que tem ideias para um eventual Gladiator III, mas a questão permanece: poderá a franquia avançar se continuar a afastar-se do elemento humano que definiu a história original? E, ainda mais relevante, estará Scott disposto a ouvir críticas — sobretudo de alguém tão intrinsecamente associado à grandeza do primeiro filme?

A resposta é incerta. Scott nunca foi conhecido por ceder a pressões externas, muito menos por ajustar a sua visão criativa para tranquilizar vozes críticas. No entanto, a recepção mista de Gladiator II e a contundência das palavras de Crowe poderão tornar-se factores decisivos para qualquer nova incursão no império romano.

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Uma coisa parece certa: para Russell Crowe, Maximus continua a ser mais do que um gladiador — é um símbolo de honra, amor e sacrifício. E mexer no coração desse legado, mesmo numa sequela onde o actor já não está presente, é algo que ele não está disposto a deixar passar em silêncio.

Os Filmes Mais Rentáveis de 2024: Animação e Nostalgia Dominam o Box Office

O ano de 2024 foi marcado por grandes sucessos cinematográficos, com um box office global a atingir 32,3 mil milhões de dólares, um ligeiro decréscimo de 3% em relação ao ano anterior. Apesar das dificuldades originadas pelas greves de Hollywood em 2023, a recuperação continuou a fazer-se sentir, com o público a regressar às salas de cinema para assistir a sequências, remakes e novas entradas em sagas icónicas.

animação foi a grande estrela do ano, com Inside Out 2 da Pixar a liderar a tabela com 1,7 mil milhões de dólares em receitas globais, tornando-se o primeiro filme de animação da história a ultrapassar a marca de 1 mil milhões no box office internacional. Mas não foi o único: Despicable Me 4Moana 2 e Kung Fu Panda 4 provaram que as histórias animadas continuam a cativar audiências de todas as idades.

Vamos explorar os 20 filmes mais rentáveis do ano e as tendências que marcaram o cinema em 2024.

Os 20 Filmes Mais Rentáveis de 2024

A tabela abaixo apresenta os filmes que dominaram o box office global este ano:

Ranking Filme Receita Global (USD)

1 Inside Out 2 $1,698,765,616

2 Deadpool & Wolverine $1,338,073,645

3 Despicable Me 4 $969,126,452

4 Moana 2 $882,505,425

5 Dune: Part Two $714,444,358

6 Wicked $634,378,535

7 Godzilla x Kong – The New Empire $571,750,016

8 Kung Fu Panda 4 $547,689,492

9 Venom: The Last Dance $476,391,878

10 Beetlejuice Beetlejuice $451,100,435

11 Gladiator II $435,200,000

12 Bad Boys: Ride or Die $404,544,199

13 Kingdom of the Planet of the Apes $397,378,150

14 Twisters $370,962,265

15 It Ends with Us $350,986,018

16 Alien: Romulus $350,865,342

17 Mufasa: The Lion King $327,983,537

18 The Wild Robot $324,275,165

19 A Quiet Place: Day One $261,786,322

20 The Garfield Movie $234,562,638

Os dados foram recolhidos da Box Office Mojo e representam a receita até 30 de dezembro de 2024.

As Grandes Tendências de 2024 no Cinema

1. O Domínio da Animação

Quatro dos dez filmes mais rentáveis foram animações, reforçando o poder do género no mercado global. A Pixar conquistou o título de maior bilheteira do ano com Inside Out 2, que não só bateu recordes de vendas como reforçou a tendência de que a nostalgia e a continuidade de histórias bem-sucedidas continuam a atrair audiências massivas.

Além disso, a Disney garantiu presença no top 5 com Moana 2, enquanto a DreamWorks conseguiu um lugar com Kung Fu Panda 4, provando que as franquias de animação continuam a ser uma aposta segura para os estúdios.

2. O Poder dos Super-Heróis Mantém-se

Embora os filmes de super-heróis tenham passado por uma fase de incerteza nos últimos anos, Deadpool & Wolverine provou que a Marvel ainda sabe como entregar um sucesso. O crossover entre Ryan Reynolds e Hugh Jackman conseguiu mais de 1,3 mil milhões de dólares, tornando-se o segundo maior sucesso do ano.

Já Venom: The Last Dance manteve-se sólido no top 10, enquanto Batman e Superman ficaram de fora da lista, sugerindo que os fãs estão mais seletivos quanto às histórias de super-heróis que decidem acompanhar no cinema.

3. Nostalgia e Franquias Continuam a Dominar

Mais de 90% dos filmes mais rentáveis de 2024 são sequências, spin-offs ou adaptações de propriedades intelectuais estabelecidas. Desde Dune: Part Two e Wicked, passando por Beetlejuice Beetlejuice e Gladiator II, fica evidente que Hollywood continua a apostar em nomes familiares para atrair o público.

Mesmo adaptações de romances populares, como It Ends with Us, conseguiram alcançar bons números, reforçando a importância de histórias que já têm uma base de fãs consolidada.

4. O Regresso dos Blockbusters de Terror e Ficção Científica

Filmes de terror e ficção científica também conseguiram bons números em 2024. A Quiet Place: Day One provou que a saga continua a interessar os espectadores, enquanto Alien: Romulus reviveu uma das franquias mais icónicas da ficção científica.

Entretanto, The Wild Robot e Twisters conseguiram destacar-se no meio das sequências e remakes, sendo os poucos títulos originais a entrarem na lista dos 20 filmes mais rentáveis do ano.

O Que Esperar para 2025?

Com Gladiator IIThe Batman – Part IIAvengers: Secret Wars e The Legend of Zelda já anunciados para 2025, parece que a tendência de sequências e franquias ainda não vai abrandar.

No entanto, o sucesso de filmes como The Wild Robot e It Ends with Us pode indicar uma possível reabertura para narrativas originais e adaptações de histórias inéditas, algo que Hollywood poderá explorar nos próximos anos.

Uma coisa é certa: o cinema continua a ser uma das formas de entretenimento mais lucrativas do mundo, e os estúdios continuarão a apostar em histórias que conquistam o público, seja pela nostalgia, pela inovação ou pela pura magia da sétima arte.

Denzel Washington em “Gladiator II” e a Nova Fase da Sua Carreira

Aos 70 anos, Denzel Washington continua a surpreender e a redefinir os padrões de excelência em Hollywood. Prestes a estrear no épico Gladiator II, dirigido por Ridley Scott, o ator entra numa nova fase da sua carreira, abraçando papéis desafiantes, celebrando a sua família e investindo em um estilo de vida mais saudável.

Um Papel Inédito em “Gladiator II”

Em Gladiator II, Washington interpreta Macrinus, um ex-escravo que se torna um vilão complexo e enigmático. Trabalhar novamente com Ridley Scott, após o sucesso de American Gangster (2007), foi uma experiência marcante para o ator. “Com Ridley, você confia nele para montar o quebra-cabeça. Ele sabe fazer a sopa perfeita”, afirma.

O filme também reúne Washington com uma nova geração de talentos, como Paul Mescal e Fred Hechinger. “A energia deles é contagiante”, comenta. Washington acredita que parte do seu papel agora é reconhecer e apoiar jovens atores, passando o bastão para a próxima geração.

Um Orgulho Paternal e o Futuro como Realizador

Além de brilhar no ecrã, Washington tem explorado o seu talento como realizador, tendo recebido aclamação crítica por filmes como Fences (2016). Recentemente, ele tem acompanhado com entusiasmo a carreira do seu filho Malcolm Washington, que dirigiu a adaptação de The Piano Lesson. “Ver o crescimento dele como cineasta é incrível. É um dos maiores desafios adaptar essa peça, e ele superou as expectativas.”

Durante uma conversa, Washington não escondeu o orgulho ao mostrar o trailer do filme, editado pelo próprio Malcolm. “Olhar para o trabalho dele dá-me uma enorme satisfação como pai,” disse, destacando o talento emergente do seu filho.

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Parcerias e Projetos Promissores

Washington mantém-se ativo em projetos de alto perfil. Além de Gladiator II, ele volta a colaborar com Spike Lee em High and Low Man, uma reinvenção do clássico de Kurosawa. “Spike é um visionário. Confio completamente na sua visão,” comentou o ator.

Embora tenha sido discreto sobre rumores de uma colaboração com Ryan Coogler em Black Panther 3, Washington expressou admiração pelo realizador. “Ryan é um génio. Eu chamei-o para me desculpar por falar sobre o projeto antes do tempo, mas a sua humildade e criatividade são inspiradoras.”

Um Olhar para o Futuro e a Reflexão sobre o Passado

Apesar de ser o ator negro mais nomeado na história dos Óscares, com nove indicações e duas vitórias, Washington evita olhar para trás com arrependimento. “No início, os papéis para nós [pessoas negras] eram limitados, mas conseguimos abrir portas,” reflete. Ele continua comprometido em contar histórias que importam e trabalhar com realizadores que desafiem as normas.

À medida que se aproxima do seu 70.º aniversário, Washington adota uma abordagem mais minimalista e saudável. “Passei dois anos a cuidar de mim. Treinei, comi melhor e esvaziei 40 anos de coisas do meu armário. É libertador,” partilha. Para ele, a família e a simplicidade são agora as maiores prioridades.

Um Legado que Continua a Crescer

Com uma carreira que inclui marcos como Malcolm X (1992), Training Day (2001) e agora Gladiator II, Washington permanece um dos talentos mais influentes e inspiradores de Hollywood. O seu compromisso com a excelência e o seu apoio a novos talentos garantem que o seu legado continuará a influenciar gerações.