Alexander Skarsgård entra no seu “Brat Winter”: BDSM, Charli XCX, máscaras prostéticas e a recusa em ser óbvio

O actor sueco vive uma das fases mais ousadas da carreira, entre cinema independente, provocação estética e personagens que desafiam expectativas

Aos 49 anos, Alexander Skarsgård parece mais interessado em provocar do que em agradar. O actor sueco, conhecido do grande público por séries como True BloodBig Little Lies ou Succession, vive actualmente um momento particularmente arrojado da sua carreira, marcado por escolhas artísticas que fogem deliberadamente ao caminho mais seguro do estrelato clássico. O exemplo mais evidente é Pillion, drama de teor BDSM e temática gay que chega aos cinemas a 6 de Fevereiro e que já está a gerar intensa conversa muito antes da estreia.

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Moda, provocação e “method dressing”

Durante a digressão promocional de Pillion, Skarsgård tem chamado tanta atenção pela roupa quanto pelo filme. Verniz vermelho nas unhas, tops ousados, calças de cabedal, botas acima do joelho ou camisas decoradas com brinquedos sexuais tornaram-se parte do espectáculo. O actor desvaloriza a obsessão pública com o seu guarda-roupa, garantindo que não é um consumidor compulsivo de moda e que tudo resulta de uma colaboração criativa com o stylist Harry Lambert. Ainda assim, é difícil ignorar que esta estética funciona como uma extensão dos papéis que tem vindo a escolher — uma espécie de “method dressing” que reforça a provocação.

Pillion: poder, desejo e desconforto

Em Pillion, realizado por Harry Lighton, Skarsgård interpreta Ray, um homem emocionalmente distante que estabelece uma relação de dominação com Colin, personagem de Harry Melling. O filme não suaviza a dinâmica de poder, explorando temas como dependência emocional, desejo e humilhação, num retrato desconfortável mas deliberadamente honesto. Skarsgård optou por manter em segredo o passado psicológico da personagem, até mesmo do seu colega de cena, criando uma tensão real que se reflecte na relação entre as personagens.

O actor tem sido claro ao afirmar que não pretende que a discussão se centre na sua vida pessoal ou orientação sexual. Para Skarsgård, o mais importante é contar a história e dar espaço às personagens, evitando que a curiosidade mediática desvie a atenção do filme.

De Charli XCX a Olivia Colman

Pillion não é o único projecto a marcar este período criativo intenso. No filme The Moment, produção da A24 com estreia marcada para 30 de Janeiro, Skarsgård contracena com Charli XCX, que interpreta uma versão ficcionada de si própria. O actor dá vida a um director criativo carismático e manipulador, num filme que reflecte sobre fama, insegurança e a indústria musical. Grande parte das cenas foi improvisada, algo que tanto Skarsgård como Charli descrevem como libertador.

Já em Wicker, o actor surge irreconhecível sob uma complexa máscara prostética, interpretando uma criatura feita de vime e ervas que oferece companhia à personagem de Olivia Colman. O processo físico foi exigente — cola no rosto, olhos e lábios selados — obrigando Skarsgård a adoptar um estilo de interpretação mais exagerado, distante da subtileza que normalmente privilegia.

Um “cult actor” que recusa o óbvio

Apesar do estatuto de galã e de uma carreira sólida em grandes produções, Skarsgård continua a ser visto como um actor de culto, alguém que prefere a estranheza à previsibilidade. Depois de experiências menos bem-sucedidas no cinema mais comercial, como The Legend of Tarzan, o actor parece ter encontrado conforto na ambiguidade, na provocação e em personagens difíceis de ler.

Hoje, divide-se entre o cinema independente e projectos televisivos como Murderbot, da Apple TV+, onde interpreta um robô que desenvolve consciência própria. É mais uma prova de que Skarsgård continua interessado em explorar identidades marginais, recusando-se a repetir fórmulas.

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Talvez seja este o verdadeiro “Brat Winter” de Alexander Skarsgård: um período de escolhas artísticas feitas por curiosidade e instinto, sem medo de alienar parte do público — e exactamente por isso, mais fascinante do que nunca.

“Screamboat”: a versão de terror de Steamboat Willie que provoca a Disney sem dizer o nome

🎬 Screamboat está prestes a chegar aos cinemas norte-americanos e promete ser um dos filmes de terror mais ousados de 2024 — não tanto pelo sangue (que também haverá), mas pela forma como “brinca” com uma das imagens mais queridas da história do entretenimento: o Steamboat Willie, ou seja, a primeira encarnação de Mickey Mouse.

A razão? O Steamboat Willie entrou no domínio público em janeiro de 2024, o que significa que qualquer pessoa pode usar legalmente esta versão primitiva do rato mais famoso do mundo… sem pedir autorização à Disney. E foi exatamente isso que o realizador Steven LaMorte e a sua equipa fizeram, transformando o ratinho animado num assassino impiedoso que navega rumo ao caos.

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Um trailer que diz “Disney” sem o dizer

O mais recente trailer de Screamboat — que se estreia a 2 de abril nos Estados Unidos em cinemas selecionados — é uma verdadeira lição de sugestão subversiva. Sem nunca mencionar a Disney, tudo no vídeo evoca a marca: a música, as fontes tipográficas, o estilo de animação inicial e até algumas frases emblemáticas (mas ligeiramente torcidas) fazem lembrar o universo mágico da empresa fundada por Walt Disney.

E é precisamente esse contraste entre a doçura nostálgica e a brutalidade do terror que está a gerar tanta curiosidade em torno do filme. Ver uma figura com a estética de Mickey — neste caso, interpretada por David Howard Thornton, o ator que dá vida ao arrepiante Art the Clown nos filmes Terrifier — transformada numa entidade assassina mexe com o imaginário de gerações inteiras.

O que esperar do filme?

Produzido por parte da equipa responsável por Terrifier 2 e Terrifier 3Screamboat não esconde ao que vem: um filme sangrento, ridículo e provocador, onde o horror se cruza com o absurdo. A premissa é simples: uma viagem num navio a vapor transforma-se num massacre quando uma presença demoníaca — inspirada no Steamboat Willie — se manifesta a bordo. A história é pretexto para sequências bizarras e visualmente impactantes, muito ao estilo do gore moderno que se tornou viral.

No elenco, além de Thornton, encontramos Allison Pittel, Amy Schumacher, Jesse Posey, Jesse Kove, Kailey Hyman, Rumi C. Jean-Louis, Jarlath Conroy e Charles Edwin Powell.

Apesar do marketing fazer alusão ao “universo Disney”, Screamboat tenta manter-se à tona legalmente, evitando qualquer menção direta ao nome ou símbolos registados. Ainda assim, é impossível dissociar a inspiração — e é precisamente essa tensão que poderá fazer do filme um sucesso entre fãs de terror e cultura pop.

Estreia limitada… para já

Screamboat vai ter uma estreia limitada nos Estados Unidos, a partir de 2 de abril, estando prevista a sua chegada a serviços de streaming nos meses seguintes. Ainda não há confirmação oficial de estreia em Portugal, mas dado o burburinho crescente nas redes sociais e nos fóruns de cinema, é possível que o filme acabe por chegar ao nosso país via plataformas digitais.

Se a produção corresponder ao tom irreverente e estilizado do trailer, Screamboat pode tornar-se num novo caso de culto — uma homenagem (ou provocação) ao legado da Disney, à liberdade criativa do domínio público e ao gosto por filmes de terror que não têm medo de quebrar as regras.