Euphoria Estreou — e as Críticas Dividem-se Entre o Western Deslumbrante e o Guião Perdido

A terceira e última temporada de Euphoria chegou ontem à HBO — e as críticas que se seguiram à estreia confirmaram aquilo que os fãs mais pessimistas temiam e os mais esperançosos recusavam acreditar: a série voltou, está tecnicamente extraordinária, Zendaya está extraordinária, e Sam Levinson continua a ser o maior obstáculo ao pleno potencial da série que criou.

Os primeiros três episódios — disponibilizados à imprensa antes da estreia — mostram uma Euphoria que se reinventou de forma radical. A série é agora, declaradamente, um western. A nova temporada passa-se maioritariamente no deserto californiano e no México, com Rue a fazer contrabando de droga pela fronteira enquanto paga uma dívida à traficante Laurie. A banda sonora de Hans Zimmer, que substituiu Labrinth nesta temporada, soa a Ennio Morricone. A fotografia de Marcell Rév, rodada em película de 65mm, é de uma beleza cinemática que justificaria uma ida ao cinema mesmo sem qualquer história. A mudança de escala — do liceu de subúrbio para paisagens áridas de proporções épicas — é deliberada e, visualmente, avassaladora.

Mas é precisamente essa mudança que divide a crítica. Sem o ambiente do liceu, sem a pressão da adolescência como recipiente narrativo, Euphoria revela as suas fragilidades mais antigas: as personagens secundárias nunca tiveram a profundidade que a série lhes atribuía, e a saída do contexto escolar torna isso mais visível do que nunca. A Variety chamou ao resultado “fan fiction entretida mas desordenada”. O Hollywood Reporter ficou na dúvida entre “provocador” e “explorador”, concluindo que “grandes momentos e momentos tawdry continuam em competição.” O IndieWire foi mais directo: “Nunca foi tão espiritualmente oco.” No extremo oposto, a Decider elogiou a temporada como “um salto criativo enorme” para Levinson. O Rotten Tomatoes marca 63% de aprovação crítica — o mais baixo das três temporadas.

O que parece consensual entre os críticos é que Zendaya transcende o material que lhe é dado — e que a temporada, mesmo nos seus momentos mais fracos, nunca é entediante. É o tipo de série que pode estar a falhar por razões articuláveis e ainda assim ser impossível de parar de ver. Sam Levinson, que apresentou a temporada na estreia em Hollywood como a última da série — dedicando-a aos falecidos Angus Cloud e Eric Dane, e ao produtor Kevin Turen —, parece ter consciência de que está a fechar um capítulo que já devia ter fechado há dois anos. A questão é se consegue encontrar, nos episódios finais, o nível de Close que a segunda temporada atingiu no seu desenlace.

Os restantes cinco episódios vão ser o veredito definitivo. Por agora, Euphoria é uma série que ainda sabe criar imagens inesquecíveis — mas que perdeu a certeza sobre o que quer dizer com elas.