A actriz denuncia o duplo padrão de Hollywood — e a internet dividiu-se
Há perguntas que se tornam automáticas nas entrevistas. E depois há perguntas que revelam um problema estrutural. Durante a promoção do seu novo filme, Crime 101, Halle Berry perdeu a paciência com um tema que, segundo a própria, surge repetidamente sempre que fala com a imprensa: a sua idade.
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A actriz, actualmente em digressão promocional, não hesitou quando confrontada com a questão numa entrevista recente ao programa “Heart Evening Show”. A reacção foi imediata e frontal: “Parem de perguntar pela minha idade.” Berry explicou que o tema surge invariavelmente, como se fosse impossível falar do seu trabalho sem sublinhar quantos anos tem. “Tenho 59 anos porque vivi 59 anos”, afirmou, apontando aquilo que considera ser um padrão aplicado sobretudo às mulheres.
A estrela de Catwoman e vencedora do Óscar não questiona o número — questiona a obsessão. Segundo Berry, dificilmente actores masculinos da sua geração são constantemente confrontados com o mesmo tipo de comentário. E essa discrepância é o que mais a incomoda. “Será que conseguimos alguma vez fugir da idade? Tem de ser sempre isso a definir-nos enquanto mulheres?”, questionou.
Um novo filme, um velho problema
A polémica surge numa altura em que Berry se prepara para estrear Crime 101, um thriller de assalto onde interpreta uma corretora de seguros desiludida que cruza caminhos com um ladrão de jóias envolvido num grande golpe. O filme conta ainda com Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Barry Keoghan e Corey Hawkins, reunindo um elenco de peso.
Ainda assim, em vez de a conversa se centrar na personagem ou na complexidade do projecto, a idade da actriz voltou a dominar o discurso mediático. E foi precisamente esse desvio que levou Berry a traçar a linha.
A questão não é nova em Hollywood. Atrizes continuam a ser frequentemente avaliadas com base na aparência e na juventude percebida, enquanto os seus colegas masculinos são enquadrados sobretudo pela carreira, estatuto ou desempenho artístico. A diferença de tratamento, subtil ou explícita, tem sido apontada ao longo dos anos por várias profissionais da indústria.
Reacções divididas nas redes sociais
As declarações de Halle Berry rapidamente circularam nas redes sociais, onde muitos utilizadores concordaram com a sua frustração. Vários comentários sublinharam que a constante associação entre idade e aparência feminina é redutora e cansativa. Outros destacaram que a actriz deve ser celebrada pelo percurso e talento, não pela forma como “mantém” a idade.
Houve também quem sugerisse uma leitura alternativa, defendendo que a referência à idade poderia ser interpretada como elogio. Ainda assim, o debate expôs uma tensão maior: até que ponto a idade continua a ser um filtro através do qual as mulheres são avaliadas publicamente?
Uma discussão que continua
Halle Berry não é a primeira actriz a abordar este tema, mas a sua resposta directa reacende uma conversa que permanece actual. A idade, inevitável e universal, torna-se frequentemente uma etiqueta quando aplicada às mulheres em posição de destaque.
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No meio da promoção de um novo filme, Berry conseguiu desviar o foco para algo mais estrutural: a forma como o discurso mediático pode perpetuar expectativas desiguais. E, concorde-se ou não com o tom, a questão permanece válida.
Crime 101 marca mais um capítulo numa carreira longa e consistente. E talvez seja precisamente isso que mereça maior atenção: o trabalho, e não o número.
Crime 101estreia nas salas de cinema em Portugal já no dia 12.
