O trailer que correu tudo… menos o som: quando Tom Cruise virou meme e afundou um universo inteiro

Há nove anos, Tom Cruise protagonizou um dos momentos mais involuntariamente cómicos da história recente de Hollywood. Não foi num filme, nem numa entrevista, mas num trailer. Um trailer “partido”, sem música nem efeitos sonoros, que acabou por se tornar a coisa mais memorável — e, ironicamente, mais divertida — de toda uma franquia que nasceu morta: o ambicioso Dark Universe da Universal.

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Em 2017, a Universal Pictures apostava forte em The Mummy, uma nova versão do clássico protagonizada por Cruise, com a missão clara de lançar um universo partilhado inspirado nos lendários monstros do estúdio. A ideia era simples no papel: repetir a fórmula da Marvel com múmias, vampiros, lobisomens e afins. O problema? Tudo começou a descarrilar ainda antes da estreia… graças a um trailer IMAX lançado com um erro técnico absolutamente surreal.

O vídeo chegou às salas praticamente sem banda sonora. Não havia música épica, não havia efeitos especiais sonoros, não havia qualquer tipo de mistura final. O que sobrava? Diálogos soltos… e Tom Cruise a gritar. Muito. Durante quase dois minutos. O resultado era tão estranho quanto hilariante: perseguições aéreas acompanhadas apenas por gritos humanos em eco, sem qualquer enquadramento dramático.

A internet, como seria de esperar, fez o resto. O trailer foi rapidamente retirado pela Universal, mas já era tarde demais. Cópias começaram a circular e o vídeo transformou-se num meme global. Os gritos de Cruise passaram a ser sobrepostos a cenas icónicas do cinema: Darth Vader em Revenge of the Sith, Superman em Man of Steel, ou até a lendária cena de voleibol de Top Gun. Para muitos, essa versão “sem som” tornou-se mais marcante do que o próprio filme.

O mais cruel é que The Mummy precisava desesperadamente de uma boa primeira impressão. O Dark Universe já vinha coxo desde The Wolfman e Dracula Untold, dois ensaios falhados que não convenceram nem público nem crítica. Este reboot com Cruise era visto como o último cartucho. O trailer-meme não ajudou — antes pelo contrário, tornou o filme alvo de chacota antes mesmo de chegar aos cinemas.

Quando finalmente estreou, The Mummy confirmou os receios: uma narrativa confusa, excesso de exposição, personagens mal definidas e um tom indeciso entre terror, aventura e blockbuster genérico. O Dark Universe foi silenciosamente enterrado pouco depois, com projectos como Bride of Frankenstein ou Invisible Man a serem cancelados ou repensados (este último só ressuscitaria anos mais tarde, noutra abordagem).

Hoje, passados nove anos, o legado dessa tentativa falhada resume-se a um vídeo viral. Um erro técnico transformado em fenómeno cultural. Um lembrete de que, mesmo em Hollywood, bastam dois minutos sem música para destruir anos de planeamento estratégico.

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E talvez seja esse o maior paradoxo: o Dark Universe falhou redondamente, mas ofereceu ao mundo algo inesquecível. Não um novo universo cinematográfico — mas um Tom Cruise a gritar no vazio, eternizado na memória colectiva da internet.

A Múmia Volta aos Cinemas em 2026 com Nova Abordagem pela Blumhouse

A icónica criatura de terror, A Múmia, prepara-se para voltar aos cinemas a 17 de abril de 2026, desta vez sob a direção de Lee Cronin, o cineasta irlandês conhecido pelo impactante “Evil Dead Rise – O Despertar” (2023). O projeto é a mais recente aposta do estúdio Blumhouse, reconhecido pelo seu talento em revitalizar o género de terror com sucessos como “Foge”, “O Telefone Negro”, e a recente trilogia de “Halloween”.

Este anúncio marca um novo capítulo para o monstro clássico, depois do fracasso comercial e crítico do filme de 2017, protagonizado por Tom Cruise, que pôs fim aos planos ambiciosos do “Dark Universe” da Universal Pictures.

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Uma Nova Abordagem para A Múmia

Ao contrário da versão de 2017, este novo projeto será produzido pela Blumhouse em parceria com a New Line Cinema, prometendo uma abordagem mais focada no terror autêntico e nos elementos clássicos do personagem. Este é o mesmo estúdio que trouxe à vida “O Homem Invisível” (2020), protagonizado por Elisabeth Moss, que se revelou um sucesso inesperado e revitalizou os monstros clássicos do cinema.

Lee Cronin, conhecido pelo seu talento em criar atmosferas assustadoras e narrativas viscerais, foi escolhido para escrever e realizar o filme. Com base no seu trabalho em “Evil Dead Rise”, os fãs podem esperar uma versão mais sombria e aterrorizante de A Múmia, mantendo a essência do personagem que aterroriza gerações desde a sua estreia em 1932.

O Fracasso de 2017 e o Fim do “Dark Universe”

O último filme de A Múmia, lançado em 2017, tinha planos ambiciosos: ser o ponto de partida para o “Dark Universe”, uma franquia interligada de monstros clássicos, que incluiria filmes como A Noiva de Frankenstein e O Homem Invisível, com estrelas como Javier Bardem, Johnny Depp e, possivelmente, Angelina Jolie.

No entanto, o filme, protagonizado por Tom Cruise e Sofia Boutella, afastou-se do género de terror e foi concebido mais como um típico filme de ação da carreira de Cruise. O fracasso comercial e as críticas negativas desmoronaram os planos do “Dark Universe”, levando a Universal a repensar a estratégia e a optar por produções de menor escala, como “O Homem Invisível”, que se revelou um enorme sucesso.

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O Renascimento dos Monstros Clássicos

Desde 2020, a Blumhouse tem liderado o renascimento dos monstros clássicos do cinema com uma abordagem mais intimista e aterrorizante. “O Homem Invisível” abriu caminho para este modelo, e o próximo “Lobisomem”, com Christopher Abbott, tem estreia marcada para janeiro de 2025, continuando a revitalização destas figuras icónicas.

Com A Múmia, o estúdio parece disposto a dar continuidade a esta tendência, apostando numa narrativa mais sombria e fiel às origens do personagem.

O Que Esperar?

Sob a direção de Lee Cronin e com a experiência da Blumhouse no género, A Múmia (2026) promete uma visão assustadora e autêntica, à altura do legado deste monstro lendário. A parceria com a New Line Cinema adiciona uma camada de expertise adicional, aumentando as expectativas dos fãs de terror e do cinema clássico.

Esta nova abordagem marca não apenas o regresso de um dos monstros mais icónicos, mas também uma evolução no modo como estas figuras clássicas podem ser reinterpretadas para as audiências modernas.