A curta portuguesa que conquistou festivais internacionais chega finalmente à capital — e traz o Pico consigo
Há qualquer coisa de deliciosamente irónico no percurso de First Date. Uma curta-metragem portuguesa que já passou por mais de 50 cidades, atravessou seis continentes, acumulou prémios e aplausos… e só agora chega a Lisboa, como quem regressa a casa depois de uma longa viagem.
A estreia na capital acontece a 7 de abril, às 21h, no Cossoul, integrada no ShortCutz Lisboa, com entrada livre e presença confirmada de Luís Filipe Borges — o homem que decidiu, pela primeira vez, trocar as palavras pelo cinema.
E talvez isso ajude a explicar o tom do filme: há humor, claro, mas também há um certo encanto despretensioso, como quem conta uma história sem querer impressionar — e acaba por o fazer na mesma.
Depois de mais de um ano a circular pelo mundo, esta estreia “alfacinha” tem um peso especial. Não apenas porque marca o regresso a casa, mas porque coloca o filme perante um público diferente: aquele que reconhece os códigos, os sotaques e as pequenas ironias que muitas vezes passam despercebidas lá fora.
First Date acompanha o encontro entre Santiago e Melissa, interpretados por Cristóvão Campos e Ana Lopes. Ele é lisboeta — mas decide fingir que não é. Ela é americana e chega aos Açores com uma ideia muito clara: quer conhecer o Pico, aquele lugar que parece existir algures entre o postal e o mito.
O que se segue não é apenas um romance. É também um jogo de identidades, pequenas mentiras e expectativas, onde o cenário acaba por ter tanto peso quanto as personagens.
E que cenário.

O Pico não é aqui apenas pano de fundo — é quase um personagem. A paisagem, o ritmo, a forma como o espaço influencia o comportamento… tudo contribui para dar ao filme uma textura muito própria. Não é um cenário “bonito” no sentido turístico da palavra; é um cenário vivido, que condiciona e molda aquilo que acontece.
Talvez seja isso que explique a recepção internacional tão positiva. Segundo o produtor Terry Costa, têm chegado reacções de todo o mundo — das Filipinas à Nova Zelândia — muitas vezes com perguntas que vão além do filme: querem saber mais sobre a ilha, sobre as pessoas, sobre aquele ambiente que parece simultaneamente real e quase cinematográfico por natureza.
Mas o mais curioso é que, apesar desse percurso global, First Date nunca perde o seu carácter íntimo. Não tenta ser maior do que é. Não procura grandes discursos. Funciona precisamente porque observa — com humor, com alguma ironia e com uma certa ternura — aquilo que acontece quando duas pessoas se encontram… e não são exactamente quem dizem ser.
Há também um lado quase meta nesta estreia em Lisboa. Um filme sobre encontros chega finalmente ao sítio onde, de certa forma, tudo começou. E fá-lo depois de já ter sido testado, validado e celebrado lá fora.
Agora, resta saber como será recebido em casa.
Mas se há coisa que este percurso já provou, é que First Date sabe muito bem como causar uma boa primeira impressão.
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