Cannes 2026 Revela a Selecção: Almodóvar, Farhadi, Koreeda e Hamaguchi em Competição — Hollywood Quase Ausente

Todos os anos, em Abril, Paris para durante uma manhã para ouvir Thierry Frémaux anunciar os nomes que vão disputar a Palma de Ouro. É um ritual que define o calendário do cinema de autor para o resto do ano — e a edição de 2026, revelada hoje, tem uma característica que vai gerar conversa durante semanas: Hollywood está praticamente ausente da competição. O cinema internacional tomou a Croisette.

A 79.ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 12 a 23 de Maio, tem em competição alguns dos nomes mais respeitados do cinema mundial contemporâneo. Pedro Almodóvar leva Bitter Christmas — já exibido em Espanha, agora em estreia internacional —, numa nova incursão num universo de emoções intensas que o manchego domina como ninguém. Asghar Farhadi, o realizador iraniano de A Separação e O Vendedor, apresenta Parallel Tales, filmado em francês. Hirokazu Koreeda, o japonês que ganhou a Palma de Ouro em 2018 com Assunto de Família, está em competição com Sheep in the Box, descrito como um drama de ficção científica próxima sobre um casal que acolhe um androide como filho — uma escolha que, vindo de Koreeda, promete ser muito mais sobre amor e solidão do que sobre tecnologia. Ryûsuke Hamaguchi, cujo Drive My Car ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional em 2022, regressa à Croisette com All of a Sudden, uma co-produção franco-japonesa com Virginie Efira como directora de um lar de idosos que vê a vida transformada pelo encontro com um dramaturgo japonês em fase terminal, interpretado por Tao Okamoto.

A lista não fica por aqui. Cristian Mungiu, o romeno que ganhou a Palma de Ouro em 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, apresenta Fjord, o seu primeiro filme em inglês, com Sebastian Stan e Renate Reinsve — a actriz norueguesa de A Pior Pessoa do Mundo — como um casal religioso que se muda para uma aldeia remota na Noruega. O belga Lukas Dhont, que revelou ao mundo o prodígio emocional de Close em 2022, está em competição com Coward, um drama passado na Primeira Guerra Mundial sobre o que significa ser herói ou cobarde — filmado parcialmente nos campos de batalha reais perto de Ypres, na Bélgica, e entregue à organização do festival apenas ontem à noite, segundo Frémaux. O polaco Paweł Pawlikowski, realizador de Ida e Cold War, apresenta Fatherland, com Sandra Hüller. O sul-coreano Na Hong-jin, cujo The Wailing se tornou um clássico instantâneo do terror asiático em 2016, regressa a Cannes pela primeira vez em dez anos com Hope, um thriller com Michael Fassbender, Alicia Vikander, Hoyeon e Taylor Russell — um elenco de fazer dobrar os joelhos.

A presença americana é, por contraste, quase simbólica. Ira Sachs é o único realizador dos Estados Unidos em competição, com The Man I Love, uma fantasia musical passada no Nova Iorque dos anos 80 durante a crise da SIDA, com Rami Makel no papel principal. É um filme deliberadamente contra-corrente — pequeno, íntimo, político — numa selecção que claramente decidiu ignorar o calendário de Hollywood e apostar no cinema que não chega às multisalas.

Fora de competição, há presença assinalável: Steven Soderbergh apresenta John Lennon: The Last Interview, o seu documentário sobre o casal mais icónico do rock, que usa inteligência artificial para criar imagens surrealistas a partir de uma entrevista de três horas gravada poucas horas antes do assassinato de Lennon em 1980. Ron Howard apresenta Avedon, um documentário sobre o fotógrafo Richard Avedon. Nicolas Winding Refn regressa com Her Private Hell, com Charles Melton e Sophie Thatcher. Quentin Dupieux, o realizador de Rubber e Mandibules, traz Full Phil com Kristen Stewart e Woody Harrelson às sessões de meia-noite. A cerimónia de abertura, a 12 de Maio, fica a cargo de The Electric Kiss de Pierre Salvadori. O júri é presidido por Park Chan-wook, realizador de Oldboy e A Criada.

Como prémios honorários, Barbra Streisand e Peter Jackson recebem cada um uma Palma de Ouro honorária — duas personalidades que raramente são associadas ao mesmo festival, o que diz muito sobre a vontade de Cannes em celebrar o cinema em toda a sua diversidade.

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