Ryan Coogler Entre o Triunfo e a Dúvida: O Homem por Trás de Sinners e da Revolução no Cinema de Autor

Do recorde histórico nos Óscares à sombra de Chadwick Boseman, o realizador enfrenta o sucesso com humildade — e ainda luta contra o síndrome do impostor

Ryan Coogler tem 39 anos, cinco filmes realizados e uma marca que poucos cineastas da sua geração conseguem reivindicar: mudou o centro de gravidade de Hollywood. E, no entanto, continua a falar como alguém que sente que ainda tem de provar que pertence ali. O sucesso avassalador de Sinners, o seu mais recente filme, veio calar cépticos, bater recordes e colocar o seu nome no centro da temporada de prémios — mas não silenciou totalmente as dúvidas interiores do realizador.

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O audaz cruzamento de géneros que é Sinners tornou-se no filme mais nomeado de sempre na história dos Óscares, com 16 nomeações, ultrapassando o recorde de 14 que durante décadas pertenceu a All About Eve e que mais tarde seria igualado por Titanic e La La Land. Distribuído pela Warner Bros., o filme tornou-se ainda o maior sucesso de bilheteira na América do Norte para uma obra não baseada em propriedade intelectual pré-existente desde Inception, em 2010. Para um projecto original de 90 milhões de dólares — vampiros, blues, trauma histórico e entretenimento puro — o feito é ainda mais notável.

No próximo mês, Coogler pode fazer história uma vez mais: nomeado para o Óscar de Melhor Realização, pode tornar-se o primeiro realizador negro a vencer a categoria. Está também nomeado para Melhor Filme, como produtor, e Melhor Argumento Original. É um momento de consagração. Mas o próprio insiste que a luta interior não desaparece com os prémios.

O peso da herança e o trauma da perda

Coogler fala frequentemente do chamado “síndrome do impostor”. Mesmo depois de Fruitvale StationCreed e os dois filmes de Black Panther, admite que houve momentos em que se sentiu deslocado no sistema que o celebrava. A origem dessa tensão remonta aos seus primeiros passos e à responsabilidade que sentiu quando Fruitvale Station explodiu no Sundance. O retrato da morte de Oscar Grant tornou-se um manifesto urgente sobre injustiça racial. Mas, após o sucesso, Coogler caiu numa depressão. Não estava convencido de que merecia o que vinha a seguir.

A perda de Chadwick Boseman, estrela de Black Panther, marcou-o de forma profunda. Quando o actor morreu em 2020, Coogler estava a escrever a sequela. O projecto teve de ser completamente reformulado. O luto foi pessoal e criativo. “Foi como se o sol tivesse desaparecido”, confessou. Wakanda Forever nasceu desse lugar de dor, e o realizador reconhece hoje que aprendeu ali uma lição decisiva: permitir-se viver o momento e aceitar o valor do seu próprio trabalho.

Da independência à escala global

O percurso de Coogler é raro na forma como transitou do cinema independente para o blockbuster sem perder identidade autoral. Fruitvale Station foi um triunfo íntimo e político. Creed revitalizou a saga Rocky com sensibilidade contemporânea e um profundo respeito pelo legado. Black Panther tornou-se um fenómeno cultural global, arrecadando 1,35 mil milhões de dólares e uma nomeação para Melhor Filme.

Mas foi com Sinners que Coogler regressou a um território inteiramente original. Inspirado pelas raízes familiares no Mississippi e pela tradição do blues, o filme acompanha dois gémeos, interpretados por Michael B. Jordan, que tentam abrir um clube nocturno em 1932, apenas para enfrentarem forças sobrenaturais. É um espectáculo ousado que mistura erotismo, terror e reflexão histórica — e que demonstra uma maturidade formal impressionante.

Coogler negociou ainda algo pouco comum: a reversão dos direitos do filme para si próprio 25 anos após o lançamento. A decisão alimentou debate na indústria, sobretudo num momento de incerteza na Warner Bros. Mas o sucesso de Sinnersdissipou qualquer dúvida sobre o risco.

Um realizador que pensa no público

Um dos momentos mais comentados do lançamento foi um vídeo divulgado pela Kodak, onde Coogler explica, com entusiasmo quase académico, os diferentes formatos de imagem e as melhores formas de ver o filme em sala. Milhões assistiram. O gesto foi simbólico: para o realizador, o cinema continua a ser uma experiência colectiva, pensada para o grande ecrã.

Hoje, enquanto trabalha no reboot de The X-Files — série que via religiosamente com a mãe — Coogler assume um papel cada vez mais central na indústria. Mas a ambição mantém-se simples: continuar a trabalhar, aprender e colaborar com artistas que admira.

Se há algo que define Ryan Coogler neste momento, é a tensão entre o reconhecimento externo e a humildade interior. Talvez seja essa combinação que torna o seu cinema tão vibrante: uma consciência aguda da responsabilidade histórica aliada a uma energia juvenil que recusa acomodar-se.

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O realizador fará 40 anos em Maio. E, ao que tudo indica, está apenas a começar.

O Regresso do Rei? O Nome Que Volta a Agitar o Futuro de Black Panther no MCU

Damson Idris reage aos rumores e a Marvel prepara o terreno para uma nova era em Wakanda

Poucos papéis no cinema contemporâneo carregam um peso simbólico tão forte como T’Challa, o Pantera Negra. Desde a sua estreia no Universo Cinematográfico da Marvel, o personagem tornou-se um ícone cultural muito para lá do género de super-heróis, graças à interpretação de Chadwick Boseman. A sua morte prematura, em 2020, vítima de cancro do cólon, levou a Marvel Studios a tomar uma decisão rara em Hollywood: não recastar o papel de imediato e integrar a perda do actor na própria narrativa de Black Panther: Wakanda Forever, transformando o filme numa sentida homenagem.

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No entanto, com o MCU a entrar numa fase de profunda transformação, os rumores de um eventual regresso de T’Challa — agora com outro rosto — voltaram a ganhar força. E, desta vez, há um nome que se destaca.

Damson Idris e a resposta que diz tudo… sem dizer nada

Questionado pela Variety na passadeira vermelha dos Globos de Ouro de 2026, Damson Idris reagiu à especulação de que poderia ser o próximo Pantera Negra com uma diplomacia que não passou despercebida. “Sou grato aos fãs”, afirmou, sublinhando que se tratam apenas de rumores, mas confessando o seu amor pelo filme, pelo universo de Wakanda e pela direcção criativa da saga. Mais revelador do que as palavras foi o que Idris não disse: não houve qualquer negação categórica.

Num estúdio conhecido por contratos confidenciais e estratégias de silêncio absoluto, esta ambiguidade é, para muitos, um sinal claro de que algo está a ser preparado nos bastidores.

O momento ideal para recastar T’Challa

A especulação surge numa altura-chave para o MCU. A chamada Multiverse Saga aproxima-se do fim com Avengers: Doomsday e Avengers: Secret Wars, dois filmes que prometem lidar com o colapso de realidades alternativas e redefinir completamente o universo Marvel. O próprio Kevin Feige já confirmou que estes eventos funcionarão como uma espécie de “soft reboot”, abrindo a porta à reintrodução de personagens clássicos com novos intérpretes.

Feige chegou mesmo a referir explicitamente a possibilidade de figuras como Iron Man ou Captain America voltarem a existir noutras versões, estabelecendo um precedente claro para o eventual regresso de T’Challa sem apagar o legado de Boseman.

Black Panther 3 e o futuro de Wakanda

Importa recordar que Black Panther 3 é um dos poucos projectos de grande escala que a Marvel confirmou oficialmente como estando em desenvolvimento activo para o período pós-Secret Wars. A utilização do multiverso permitiria introduzir uma nova versão de T’Challa proveniente de outra realidade, preservando o impacto emocional da perda retratada em Wakanda Forever e, ao mesmo tempo, garantindo que o Pantera Negra continua a ser um pilar central do MCU na próxima década.

Esta abordagem permitiria uma distinção clara entre a era marcada por Chadwick Boseman e um novo capítulo, evitando comparações directas e respeitando o peso histórico do personagem.

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Um legado que não se apaga — transforma-se

Mais do que uma simples questão de casting, o eventual regresso de T’Challa levanta uma pergunta maior: como continuar um legado sem o desvirtuar? A Marvel parece consciente de que qualquer decisão terá de equilibrar respeito, inovação e necessidade narrativa. Se Damson Idris será ou não o próximo Rei de Wakanda, o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: o Pantera Negra ainda tem muitas histórias para contar.