Tony Dokoupil Assume o CBS Evening News com Promessa de Independência: “Eu Reporto para Si”

Novo pivot do noticiário garante distância de políticos, anunciantes e interesses corporativos num momento crítico para a credibilidade dos media

O jornalismo televisivo norte-americano prepara-se para uma mudança simbólica. Tony Dokoupil vai assumir, a partir de 5 de Janeiro, a condução do CBS Evening News, um dos noticiários históricos dos Estados Unidos, prometendo uma ruptura clara com pressões políticas, interesses empresariais e lógicas corporativas. A mensagem é directa e deliberadamente pessoal: “Eu reporto para si.”

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Num vídeo divulgado no Dia de Ano Novo, Dokoupil apresentou aquilo que descreveu como um compromisso com os espectadores — e, implicitamente, um reconhecimento de que os media tradicionais perderam a confiança do público. “Muita coisa mudou desde que a primeira pessoa se sentou nesta cadeira”, afirmou. “Mas a maior diferença é simples: as pessoas já não confiam em nós como confiavam.”

Reconhecer o problema para tentar resolvê-lo

Dokoupil não poupou críticas ao estado actual do jornalismo de legado. Referiu temas como a guerra do Iraque, os e-mails de Hillary Clinton, os confinamentos durante a pandemia e o caso do portátil de Hunter Biden como exemplos de uma cobertura percepcionada por muitos como enviesada, distante das preocupações do cidadão comum e excessivamente alinhada com elites políticas e académicas.

A partir desse diagnóstico, o novo pivot traça a sua linha vermelha: os espectadores vêm primeiro. “Não os anunciantes. Não os políticos. Não os interesses corporativos. E sim, isso inclui os próprios donos da CBS”, afirmou, numa referência directa à liderança da Paramount e ao seu presidente executivo, David Ellison.

Um noticiário em crise de relevância

Tony Dokoupil herda um CBS Evening News que há vários anos ocupa um distante terceiro lugar nas audiências, atrás dos concorrentes da NBC e da ABC. O declínio da relevância dos noticiários de horário nobre acompanha uma crise mais profunda de confiança no jornalismo televisivo tradicional, num ecossistema dominado por redes sociais, plataformas digitais e polarização extrema.

O desafio é ainda maior porque a mudança acontece num momento turbulento para a própria redacção da CBS. A recente decisão da directora editorial Bari Weiss de retirar uma reportagem do 60 Minutes poucos dias antes da emissão provocou desconforto interno e reacendeu o debate sobre critérios editoriais, censura preventiva e independência jornalística.

Uma nova cultura editorial?

Numa comunicação interna enviada na véspera de Natal, Bari Weiss defendeu que recuperar a confiança do público exige mais trabalho de campo, histórias inesperadas e atenção a temas negligenciados ou mal compreendidos. Por vezes, acrescentou, isso implica adiar reportagens para garantir rigor e equilíbrio.

Dokoupil mostrou-se alinhado com essa visão. No vídeo, comprometeu-se a explicar sempre o que sabe, quando sabe e como sabe — e a assumir publicamente os erros quando eles acontecem. “Também significa falar com toda a gente”, disse, “e aplicar o mesmo padrão a todas as figuras da vida pública”.

“Digam-me se eu falhar”

Ao contrário de discursos vagos sobre objectividade, a intervenção de Tony Dokoupil aposta num tom quase contratual com o público. “Telling the truth” — dizer a verdade — foi apresentado não como um slogan, mas como uma prática quotidiana que exige coerência, humildade e abertura ao contraditório.

“Sou o Tony Dokoupil, o pivot do CBS Evening News”, concluiu. “Cobrem-me por isto.”

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Num tempo em que a desconfiança em relação aos media é estrutural e transversal a todo o espectro político, a promessa é ambiciosa. Resta saber se a prática conseguirá acompanhar as palavras — mas, pelo menos, o novo rosto do noticiário parece consciente do peso da cadeira onde se senta.

Paramount em Revolução: O Plano Ambicioso (e Perigoso) de David Ellison para Dominar Hollywood

Do cortejo a Tom Cruise às ligações à Casa Branca, passando por demissões em massa e ambições de IA: o novo patrão da Paramount quer um império que misture dados, franquias e músculo político. Hollywood treme — e a próxima presa pode chamar-se Warner Bros. Discovery.

Aos 42 anosDavid Ellison assumiu a Paramount e acelerou como se estivesse a produzir uma sequela de Top Gun. Em pouco mais de três meses, a nova direcção abriu a carteira, sacudiu organigramas, comprou media, convocou talentos… e, segundo várias fontes citadas no sector, posicionou-se para tentar comprar a Warner Bros. Discovery. O plano é claro: deixar de ser “um estúdio tradicional” e transformar a companhia num híbrido media-tecnologia, com dados no centro e franquias na linha da frente.

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O golpe de teatro na relva da Casa Branca

Enquanto reorganiza a casa, Ellison cultiva relações no poder político. Fontes internas descrevem planos aprovados pelo Presidente Donald Trump para um evento da UFC nos jardins da Casa Branca, sob o guarda-chuva do acordo de 7,7 mil milhões com a liga de MMA — transmissão encabeçada por Trump e Dana White e com data falada para 14 de Junho de 2026 (80.º aniversário de Trump). A Casa Branca vende-o como celebração dos 250 anos dos EUA. Entre a plateia, “dignitários” e câmaras. Entre as linhas, a mensagem: a Paramount quer estar onde está a atenção.

“Mais, não menos”: 8 filmes por ano hoje, 18 até 2028

No lado industrial, a ordem é acelerar a produção: de cerca de 8 estreias anuais para 15 em 202617 em 2027 e 18 em 2028. A lógica é recuperar bilheteira e assinantes com grandes marcas. O estúdio corteja Tom Cruise para novos Top Gun e Days of Thunder, procura um novo fôlego para Star Trek (sem o elenco do reboot de J.J. Abrams) e injeta gasolina em projectos “América-cêntricos”, pensados para o público do meio do país. Ao mesmo tempo, Cindy Holland(ex-Netflix) recebe mandato para robustecer o Paramount+.

O evangelho do “quem tem mais dados, vence”

Ellison define a nova Paramount como “media & tecnologia” e promete que a experiência e o “arsenal” da Oracle (do pai, Larry Ellison) transformarão o Paramount+ numa plataforma competitiva. Fala-se em modelos preditivosgrandes volumes de dados e IA aplicada a desenvolvimento e marketing. Céticos no mercado lembram, porém, que Netflix, Amazon e Apple têm anos de vantagem algorítmica e de infraestrutura. A resposta Ellison? Escala e velocidade.

Aquisições, demissões e a viragem cultural

O sprint veio acompanhado de cortes duros (um primeiro pacote de ~1000 despedimentos a 29 de Outubro, com mulheres entre as mais atingidas em cargos de topo de TV e alguns cortes na redacção de CBS News), e de operações de compra pouco ortodoxas para um estúdio: The Free Press, de Bari Weiss, por cerca de 150 milhões de dólares. A segurança da jornalista e co-fundadora Nellie Bowles terá sido reforçada com uma equipa diária de guarda-costas, e as posições pró-Israel da cúpula ficaram mais visíveis — num contexto em que a empresa diz manter listas de talentos a evitar por comportamento considerado antissemita, xenófobo ou homofóbico. Internamente, há relatos de debate aberto(e quente) sobre estratégia e cultura.

Nem tudo são vitórias: a fuga de Taylor Sheridan

O criador de Yellowstone e Tulsa KingTaylor Sheridansaltou para a NBCUniversal com novo acordo — duro golpe para uma plataforma onde o “universo Sheridan” pesava fortemente na audiência. Ainda assim, antes de sair, Sheridan escreverá o argumento de Call of Duty, longa de acção patriótica a realizar por Peter Berg — alinhada com a estética que Ellison quer imprimir.

Tom Cruise ao telefone, Mangold na box, Chalamet de viseira

Ellison terá cortejado James Mangold (que desenvolve A Complete Unknown, com Timothée Chalamet) e autorizado até $100 milhões para o high-concept motorizado High Side (o estúdio diz que será menos). Em paralelo, projectos como Winter Games (Miles Teller) foram para turnaround. A palavra de ordem: foco em títulos que metem gente nas salas.

O elefante na sala: Warner Bros. Discovery

“No topo três, não no fundo três.” O mantra de Ellison sustenta duas propostas para a WBD já feitas (segundo fontes do mercado), com Netflix a rondar a jogada (talvez para inflacionar o preço). Se resultar, o grupo herdará HBO, DC, partes de Harry Potter e uma biblioteca de outro planeta. A WGA já avisou: seria “um desastre para os escritores, consumidores e a concorrência” e promete lutar junto dos reguladores. Analistas mais frios deixam a cautela clássica: “quase todos os megamergers de media acabam mal” — integração lenta, sinergias que não aparecem, três anos de digestão.

O risco regulatório… e o trunfo político

Críticos sublinham que a aprovação do negócio Paramount-Skydance pelo actual governo, bem como o conforto com a compra parcial de TikTok por um consórcio onde está Larry Ellison, mostram uma janela política favorável. O próprio Presidente terá dito, em voo de imprensa, que os Ellison “farão a coisa certa”. Mas história e antitrust não costumam ser indulgentes com consolidações gigantes — sobretudo quando noticiários e entretenimento se cruzam.

O que isto significa para o Cinema (e para nós, espectadores)

No curto prazo, mais filmes e mais marcas reconhecíveisTop GunDays of ThunderStar TrekCall of Duty e afins. No médio prazo, uma aposta total em dados e IA para calibrar conteúdos e campanhas. No longo prazo, se a WBD cair, duas bibliotecas colossais sob a mesma égide — com vantagens claras de escala… e riscos sérios de concentração, homogeneização criativa e impacto laboral (já visível nos cortes).

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No meio de tudo, Tom Cruise aparece como termómetro do box office (e Ellison sabe isso). Se o actor embarcar em novas missões com a Paramount, a mensagem é inequívoca: as salas ainda mandam — e a Paramount quer voltar a ser a casa dos eventos cinematográficos.