É uma das notícias mais impactantes da indústria do entretenimento em anos — e chegou ontem, discretamente embrulhada num documento enviado à Securities and Exchange Commission americana. A Paramount Skydance confirmou que três fundos soberanos do Médio Oriente — a Arábia Saudita, o Qatar e Abu Dhabi — vão contribuir com 24 mil milhões de dólares para financiar a aquisição de 111 mil milhões da Warner Bros. Discovery. Se a operação avançar como previsto, ficam a ser co-proprietários de um império mediático que inclui a HBO, a Max, a CNN, a Warner Bros. Pictures, o catálogo DC completo, os Looney Tunes, a TNT e muito mais.
A operação é, em termos de escala, praticamente sem precedente na história de Hollywood. O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) contribui com cerca de 10 mil milhões de dólares, tornando-se o maior investidor individual do lado do Médio Oriente. O Qatar e Abu Dhabi dividem o restante. Somam-se ainda a família Ellison — cujo patriarca, Larry Ellison, co-fundador da Oracle, é o verdadeiro motor financeiro da operação —, a RedBird Capital e a LionTree Investment Fund. O total em capital próprio chega aos 45,7 mil milhões de dólares; os restantes 54 mil milhões são dívida garantida pelo Bank of America, o Citigroup e a Apollo.
A Paramount foi cuidadosa em deixar claro que os fundos do Médio Oriente não terão direitos de voto nem lugares no conselho de administração da entidade combinada — uma condição que, segundo a empresa, torna desnecessária qualquer revisão pelo Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS), o organismo americano que avalia riscos de segurança nacional em investimentos estrangeiros. Mas vários senadores democratas já contestaram essa leitura, argumentando que a entrada de capitais controlados pelos governos da Arábia Saudita, do Qatar e dos Emirados Árabes em activos que incluem a CNN — um dos principais órgãos de informação dos Estados Unidos — merece uma análise mais aprofundada.
A questão vai além da política americana. A Arábia Saudita, que levantou a proibição de cinema em 2018 após décadas de interdição religiosa, tem ambições mediáticas crescentes como parte da sua estratégia de diversificação económica. O serviço de streaming MBC Shahid, controlado por capitais sauditas, tem potenciais sinergias com o Max que ninguém está a ignorar. “Recebem um pedaço de IP, uma estreia de filme, uma rodagem: tudo o que lhes interessa é reputação e poder suave”, explicou à Variety um analista do sector.
As acções da Paramount subiram 11% com a notícia, encerrando o dia nos 10,90 dólares após uma queda de 20% no que vai de 2026. A votação dos accionistas da Warner está marcada para 23 de Abril. Se aprovada, a fusão deverá fechar no terceiro trimestre de 2026. Hollywood vai ter dois superpoderes: a Paramount-Warner e a Netflix. E um deles tem dinheiro do Golfo Pérsico.
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