Snoop Dogg Sobrevive à Polémica e Rouba a Cena nos Globos de Ouro

Entre aplausos, gargalhadas e controvérsia política, o rapper mostrou que continua no centro de Hollywood

Num momento em que Hollywood parece cada vez mais sensível a alinhamentos políticos, polémicas públicas e julgamentos instantâneos nas redes sociais, Snoop Dogg provou que a sua posição na cultura popular continua sólida. A sua aparição nos Golden Globe Awards de 2026, no Beverly Hilton, foi recebida com aplausos calorosos, gargalhadas genuínas e — detalhe importante — sem qualquer vaia audível, apesar da controvérsia recente ligada ao seu nome e a Donald Trump.

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Snoop subiu ao palco para apresentar, pela primeira vez na história da cerimónia, o prémio de Melhor Podcast, ao som do seu clássico “Drop It Like It’s Hot”. Antes mesmo de chegar ao microfone, já tinha a sala do seu lado. “Parem a música!”, pediu, arrancando risos imediatos, antes de lançar um dos seus discursos mais descontraídos e imprevisíveis dos últimos anos.

Humor, carisma e zero pedido de desculpas

“Vocês precisam de relaxar um bocadinho. Isto são os duplos G, os Golden Globes, e estão com o D-O-double-G”, disse, incentivando a plateia a largar a postura rígida. O tom manteve-se irreverente quando brincou com o mundo dos podcasts, lembrando que antes desse fenómeno global “era a minha música que vocês ouviam enquanto conduziam”.

A mistura de humor, swagger e espontaneidade foi amplamente elogiada nas redes sociais e nos media norte-americanos, transformando a intervenção de Snoop num dos momentos virais da noite. Mesmo quando deixou escapar um palavrão — cortado da transmissão em directo, mas recuperado mais tarde por publicações como a Entertainment Weekly — o público manteve-se do seu lado.

Amy Poehler, Stephen Graham e o efeito Snoop

O prémio acabou por ir para Amy Poehler, pelo podcast Good Hang. A actriz não escondeu o entusiasmo ao receber a estatueta das mãos de Snoop Dogg: “Foi exactamente assim que imaginei este momento”, disse, arrancando nova salva de aplausos. Os dois abandonaram o palco de braço dado, numa imagem que rapidamente correu mundo.

Outro momento delicioso veio já nos bastidores, quando Stephen Graham, vencedor do Globo de Ouro pela série Adolescence, confessou estar completamente rendido após conhecer o rapper. “Ele apertou-me a mão e disse-me que eu era um ‘gangster do caraças’. A minha vida está completa”, contou, visivelmente emocionado.

O elefante na sala: Trump, críticas e mudanças de tom

Tudo isto acontece depois de um período particularmente turbulento para Snoop Dogg. Em Janeiro de 2025, o rapper actuou no Crypto Ball, evento associado ao fim-de-semana de tomada de posse de Donald Trump, o que gerou uma onda de críticas, sobretudo à esquerda. Muitos acusaram-no de incoerência, lembrando os anos em que Snoop atacou Trump de forma aberta e até satírica — incluindo no videoclipe de “Lavender”, onde o então presidente era retratado como um palhaço.

A mudança de discurso tornou-se ainda mais evidente quando, em 2024, Snoop afirmou ter “nada além de amor e respeito” por Trump, após este ter concedido um perdão presidencial a Michael “Harry-O” Harris, figura ligada à história da Death Row Records. Para muitos fãs, foi um choque; para Snoop, uma questão pessoal, não política.

“Eu represento a Gangster Party”

Confrontado com as críticas, o artista deixou claro que não se vê como representante de qualquer partido. “Não represento os Republicanos nem os Democratas. Represento a Gangster Party”, afirmou numa entrevista ao programa The Breakfast Club. Defendeu ainda que a sua actuação no Crypto Ball teve objectivos comunitários, ligados à literacia financeira e ao apoio a bairros carenciados.

Essa postura de independência absoluta — que tanto incomoda como fascina — parece não ter afectado o seu estatuto em Hollywood. Pelo contrário: a recepção nos Globos de Ouro mostrou que, pelo menos naquele salão cheio de estrelas, Snoop Dogg continua a ser visto como uma figura incontornável.

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Um sobrevivente cultural

Mais do que um rapper, Snoop Dogg é um sobrevivente cultural. Já foi ícone da contra-cultura, alvo de censura, estrela pop, empresário, comentador desportivo improvisado e agora, aparentemente, anfitrião ideal para cerimónias de prémios. Entre polémicas políticas e aplausos de pé, mostrou que sabe fazer aquilo que poucos conseguem: atravessar décadas, modas e tempestades mediáticas sem perder identidade.

Nos Globos de Ouro de 2026, Snoop não pediu desculpa, não explicou tudo — e não precisou. Bastou-lhe ser Snoop Dogg.