“The Institute”: a série de Stephen King que começou na HBO Max e continua a conquistar público no Prime Video

As adaptações de Stephen King continuam a encontrar no formato televisivo um terreno particularmente fértil — e The Institute é mais um exemplo claro disso. A série, baseada no romance homónimo publicado em 2019, estreou originalmente na HBO Max, estando actualmente disponível também no Prime Video, incluindo em Portugal, onde tem vindo a ganhar novo fôlego junto do público.

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Longe de ser apenas mais uma história sobre crianças com poderes especiais, The Institute mergulha num dos territórios mais desconfortáveis da obra de King: o abuso de poder institucional, a instrumentalização do medo e a ideia de que fins supostamente nobres podem justificar meios profundamente desumanos.

Um pesadelo muito próximo da realidade

A narrativa centra-se em Luke Ellis, um adolescente dotado de capacidades telecinéticas que é raptado e levado para uma instalação secreta conhecida apenas como “o Instituto”. Nesse local, crianças com talentos fora do comum são sujeitas a experiências brutais, sob o pretexto de estarem a contribuir para a segurança do mundo.

Como é habitual no universo de King, o verdadeiro horror não reside apenas nos poderes sobrenaturais, mas sobretudo na frieza burocrática com que o sofrimento é normalizado. O Instituto funciona como uma máquina bem oleada, onde a crueldade é apresentada como necessidade estratégica.

À medida que Luke compreende a verdadeira dimensão do que ali acontece, começa a organizar uma resistência silenciosa com outras crianças, num jogo perigoso entre submissão aparente e rebelião interior.

Alterações felizes em relação ao romance

Um dos aspectos mais elogiados da adaptação televisiva foi a forma como reorganizou a estrutura narrativa do livro. A personagem de Tim Jamieson, um antigo polícia interpretado por Ben Barnes, surge desde cedo integrada na trama principal, aproximando o seu percurso dos acontecimentos no Instituto.

Esta decisão elimina a dispersão geográfica presente no romance e confere maior urgência dramática à série, permitindo um cruzamento mais eficaz entre os diferentes núcleos narrativos.

No elenco destaca-se ainda Mary Louise Parker, cuja presença acrescenta ambiguidade moral a uma história onde raramente existem vilões unidimensionais.

Uma série que cresce com o tempo

Embora a recepção crítica tenha sido dividida aquando da estreia, The Institute revelou uma notável capacidade de permanência. Após a sua chegada ao Prime Video, a série encontrou um novo público, beneficiando de um contexto de visualização mais descontraído e de um interesse renovado pelas adaptações de Stephen King em formato seriado.

Com oito episódios na primeira temporada, a série constrói a tensão de forma gradual, apostando mais no desconforto psicológico do que no choque imediato. É uma abordagem que pode não agradar a todos, mas que se revela coerente com o material de origem.

O sucesso sustentado levou à confirmação de uma segunda temporada, sinal claro de que a história de Luke Ellis ainda tem muito para revelar — e que o público continua disposto a enfrentar este pesadelo cuidadosamente encenado.

Stephen King em modo clássico

The Institute não é uma série para consumo apressado. É um regresso ao Stephen King mais político, mais inquietante e menos interessado em soluções fáceis. Num mundo cada vez mais obcecado com controlo, vigilância e segurança a qualquer custo, a série soa menos a ficção científica e mais a aviso.

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Disponível em Portugal tanto na HBO Max como no Prime VideoThe Institute afirma-se como uma das adaptações televisivas mais sólidas e desconfortáveis do autor nos últimos anos — e uma prova de que o verdadeiro terror, muitas vezes, não precisa de monstros visíveis.

Stephen King, o dançarino secreto do apocalipse – “The Life of Chuck” estreia nos cinemas com emoção e humanidade

🎬 “A vida de Chuck mostra que até o fim do mundo pode ter momentos de beleza”. Esta frase poderia muito bem resumir a nova adaptação de Stephen King, The Life of Chuck, que chega aos cinemas portugueses a 13 de Junho, depois de conquistar o público no Festival de Toronto com o seu tom surpreendentemente… esperançoso.

O mestre do horror com coração

Stephen King é conhecido pelas suas criaturas terríveis, cidades amaldiçoadas e crianças a enfrentar o mal puro. Mas quem lê com atenção sabe que, por detrás de cada monstro, há sempre uma centelha de humanidade. É por isso que obras como It ou The Stand funcionam tão bem: porque, no fundo, falam sobre amizade, empatia e resistência.

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Em The Life of Chuck, King vira o jogo. O mundo está a acabar – literalmente –, mas o foco não está nos desastres ou no caos. Está numa única vida: a de Chuck, interpretado por Tom Hiddleston. A narrativa começa com a internet a colapsar e a Califórnia a descolar como papel de parede velho. Mas logo percebemos que não se trata do apocalipse clássico: trata-se da despedida serena de um homem que viveu, dançou e foi amado.

Mike Flanagan e o cinema sem cinismo

Mike Flanagan, que já adaptou com sucesso Doctor Sleep e Gerald’s Game, volta a trabalhar com o universo King e mostra, mais uma vez, o seu talento em equilibrar o fantástico com o profundamente humano. Em entrevista, Flanagan disse que este filme “não tem uma grama de cinismo” — e é isso que torna The Life of Chuck tão especial. Num mundo cansado de sarcasmo e distanciamento, eis um filme que fala de amor, perda, alegria e memórias com a mesma seriedade com que King trataria um vampiro ou um palhaço demoníaco.

Flanagan tem razão ao dizer que muitos se esquecem que os melhores livros de King têm coração. “Stand By Me” ou “The Shawshank Redemption” são histórias sobre crescer, acreditar e recomeçar. “The Life of Chuck” segue essa tradição.

Um toque pessoal

Stephen King, agora com 77 anos e quase 80 livros no currículo, vive uma fase particularmente introspectiva. Depois de uma experiência de quase morte e com novas obras no forno (incluindo “Never Flinch” e uma terceira parte de Talisman), King decidiu celebrar a vida e as pequenas coisas. Em The Life of Chuck, tudo começou com uma imagem: um executivo que não resiste a dançar ao som de um baterista de rua em Boston. A partir daí, nasceu uma história sobre identidade, memória e legado.

Chuck aparece primeiro num cartaz enigmático. Depois, vai-se revelando como uma figura que marcou discretamente muitas vidas — talvez um reflexo de King, que, mesmo escrevendo sobre horrores, tocou corações em todo o mundo.

O elenco e o apelo da simplicidade

Além de Hiddleston, o filme conta com Chiwetel Ejiofor como um professor em crise existencial, Karen Gillan, Mark Hamill, Mia Sara (que regressa aos ecrãs após mais de uma década) e o jovem Benjamin Pajak. Um elenco que, como a narrativa, aposta na subtileza e na emoção.

King confidenciou que esta é das poucas adaptações pelas quais se sentiu verdadeiramente protetor — ao ponto de comparecer à estreia no Festival de Toronto, algo que não fazia desde The Green Mile, há 26 anos.

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O mundo pode acabar, mas ainda há tempo para dançar

Entre o fim do mundo e uma dança espontânea ao som de Walt Whitman, The Life of Chuck é um filme sobre encontrar beleza onde menos se espera. Não é um conto de terror — é um lembrete de que viver, amar e até dançar, mesmo diante do abismo, continua a ser das maiores formas de resistência.